Alone
13 Ferida

Corria desesperadamente, adentrando a floresta desconhecida. Não tinha nenhum detalhe ali que pudesse reconhecer, ou no mínimo estava tão preocupada em sair viva que se distraia demais correndo ao invés de parar pra observar. Estava sem fôlego, e mesmo se conseguisse gritar, pedir ajuda seria inútil. Conseguia ouvir os passos ligeiros de Jeff, com risadas abafadas no fundo, aproximando-se. Continuara a correr, sem um destino ao certo, apenas tentando chegar ao fim daquele lugar, que conforme ia explorando pudera comparar aquilo ao labirinto sem fim. Era algo que só alguém que estava lutando pela própria sobrevivência poderia compreender.
Aumentara a velocidade, partindo ainda mais longe. Mas não importava o quanto se distanciara, ele parecia não se cansar de perseguir, era uma diversão entre muitas que o causavam entusiasmo. Partiu para o lado direito, mudando seu percurso.
– Uma hora você se cansará, e estou muito curioso para ver o que pretende fazer. — ouviu Jeff gritar, em seu tom mefistofélico, entre suas risadas hilariantes.
Virou seu rosto assistindo a reação curiosa do rapaz, e de alguma forma não conseguia desviar seu olhar da imagem tão assombrosa que a caçava incansavelmente. Quando se deu conta, tropeçou em uma pedra ou algo parecido, indo parar no chão.
Seu sangue gelou. Não poderia definir aquela sensação por mais que medisse esforços para tal feito. Em tão pouco tempo seu corpo já tremia, Jeff estava se aproximando, o alarde de seus passos era o único som que conseguia ouvir no local, o resto parecia ter sido consumido pelo mais intensivo silêncio. Com as mãos sobre a terra, fincou suas unhas pronta pra se levantar e voltar a correr. Se ajoelhou tentando se levantar, por mais que seu corpo estivesse instável devido ao medo impulsivo que surgira. Inclinou seu corpo para frente, aprontando-se para começar a corrida novamente, quando sentiu alguém puxar sua blusa pra trás brutalmente, fazendo a katana que levava com si cair pra longe de seu alcance.
– Esse é o fim da linha, não acha? — riu, batendo o rosto dela no chão.
– J-Jeff...não faz isso...
Gargalhou, assistindo aquela tentativa de fazê-lo ter piedade, nem que seja por um instante.
– Acha que me importo? — perguntou, puxando-a pra cima, segurando sua blusa. — Acha que tenho compaixão? Depois de todos esses anos, tantas vítimas e fama espalhada, consegue acreditar que eu, Jeff The Killer, iria deixar você sobreviver por tanto tempo? O que você pensa que eu sou? Um romântico moderno? Oh, lamento decepcionar a pobre garota que sofreu nas mãos de seu tio malfeitor. — continuara rindo, em cada frase completada.
Sem deixá-la se manifestar, segurou firmemente em seu pescoço, a empurrando até a árvore mais próxima. Lauren já estava tendo dificuldade em respirar, e o impacto do empurrão apenas machucou ainda mais seu corpo cansado. Jeff nunca esteve tão próximo dela, aqueles olhos perturbadores que a encaravam tão perto. Olhos que nunca se fechavam, um olhar que carregava todo o medo e ódio, pelos quais não poderia fugir.
– Posso ver em seus olhos o pânico, é algo tão belo...tão magnífico. O único motivo de estarmos aqui, é para vivermos tempo o suficiente para sentir esse medo, descobrirmos essa fraqueza. Não é injusto poucas pessoas sentirem isso? É algo que merece ser espalhado por esse mundo que beira à ruína. — estampava um sorriso doentio, segurando o rosto da garota a obrigando a olhar dentro de seus olhos.
No momento, se mantinha paralisada, aquilo estava a levando a loucura. Um sentimento tão ruim, tão forte e devastador, que já não tinha mais controle sobre si mesma. Sua mente nunca esteve tão perturbada, como se todo o mau do mundo estivesse reunido ali em sua volta, esperando a hora em que pudessem se aproximar.
Sim, a humanidade estava perdida. Jeff sabia disso, pois espelhava aquela imagem sobre si mesmo, se ele se tornou aquilo qualquer um se tornará, a natureza humana era má. Essa era a verdade, que poucos aceitavam.
– Lauren, te deixarei tão bonita quanto eu. — abriu seu sorriso, aproximando a faca do rosto da jovem.
Encostou a lateral de seu instrumento de trabalho na bochecha da morena, que nem ao menos piscava no momento, com suas pernas bambas. Como aquilo era bom para ele, como fazia bem...era algo que o satisfazia, que procurava cada vez mais em cada vítima, e em cada um deles, encontrava um prazer diferente. Aquela garota a sua frente realmente era um dos casos mais agradáveis, havia sofrido tanto, sentido tanta dor...algo a motivava a estar ali, e antes de matá-la gostaria de descobrir o que faria alguém continuar lutando por uma vida tão inútil.
Colocou a ponta da faca no canto de sua boca, começando a perfurar lentamente.
Ela, por impulso, bateu na mão de Jeff, afastando de seu rosto sua arma. Estreitou seu olhar, e foi quando ele percebeu que a diversão havia começado.
– Ora, ora...Alguém está começando a agir por conta própria, eu não esperava que você fosse reagir... eu diria que estaria orgulhoso, mas no momento isso não vale muito já que pretendo lhe matar. — gargalhou, indo pra cima dela novamente.
Não havia outra opção, tendo ou não medo do Jeff, a única coisa que a ocorreu era lutar por sua vida, lutar de verdade. Muitas pessoas acham que estão sobrevivendo, mas não estão. A verdadeira sobrevivência começa quando se luta por ela, quando está frente a um desafio. De nada adiantaria manter seu corpo vivo...e sua alma morta.
Viu a faca se aproximar, quando desviou para esquerda, fazendo atingir apenas parte de seu cabelo que foi ao chão. Ele se aproximou de novo, bem mais rápido que antes. Chutou o estômago com certa força, o empurrando pra trás e saindo para procurar sua katana. Claro que o melhor a se fazer seria sair correndo, mas não seria justo, e de qualquer forma iria ver Jeff novamente, passando por situações similares. O melhor a se fazer era tentar fazer ele voltar a si e ouvir o que tinha a dizer.
Inicialmente, aquele chute irritou Jeff de uma maneira exagerada. Mas logo queria entrar no jogo, estava rindo ainda mais alto, sequer parou pra pensar no que estava fazendo, apenas gargalhou da situação, zombando em voz alta.
– Eu achei que seria mais rápido, me alegra saber que não será tão monótono. — se levantou.
Acho que devo procurar um local mais espaçoso, não saberei desviar tão facilmente dos ataques dele... – ponderou, pegando a katana do chão e começando a correr em busca de um novo cenário.
– Vai tentar fugir novamente? — perguntou Jeff voltando a gargalhar, segurando sua faca.
Correu pro lado oposto dele, tentando manter suas energias. Estranhou ele não ter começado a persegui-la logo em seguida, mas achou melhor continuar correndo ao invés de pensar no que poderia estar passando na mente desvairada de Jeff. Já estava avistando uma área ampla e ensolarada, partindo para lá.
Ao chegar continuou correndo em volta, tentando avistar Jeff, que até então não tinha aparecido entre todas aquelas árvores. Outra vez, voltou a tropeçar em algo, caindo por cima.
Na hora, tudo o que fez foi xingar mentalmente a repetição daquela ação inconveniente, mas assim que se chocou, percebeu que tinha caído em cima de um corpo. Sim, um corpo. Saiu de cima imediatamente, desesperada. Era Brianna, desnuda, ou pelo menos o que tinha sobrado dela. Além da cabeça que Jeff já tinha arrancado, estava sem o braço esquerdo, e um sangre exagerado saía no meio de suas pernas com uma perfuração profunda em suas partes intimas. Não tinha nem visão de suas roupas, tudo o que via era seu corpo completamente ferido.
– O Jeff...ele...a estuprou?
– Sim. — respondeu ele, logo atrás dela.
– Jeff, me escuta. Eu sempre soube o que você realmente é, por isso estou aqui...preciso da ajuda dele, do verdadeiro Jeff The Killer, mesmo sabendo que sofrerei em suas mãos, preciso de sua ajuda, e quando acabar, não me importo se eu vier a morrer, seja em suas mãos ou nas de qualquer outro. Só me deixe finalizar isso. Finalize...finalize isso comigo, Jeff. Você sabe que se me matar hoje, não terá todas as informações que precisa sobre meu suposto tio, você está fazendo isso pois está alterado, por algum motivo que ainda procuro entender. Só...volte ao normal, sei que sou apenas mais uma vítima, mas assim que voltar ao normal iremos descobrir a verdade, e mataremos quem nos fez parar naquele inferno.
Continuava rindo, olhando para o corpo de Brianna. Então era assim que Jeff estava quando matou sua própria família? Agora entendia o desespero deles, estava vivendo isso na pele. Levantou seu rosto, tendo a visão dele à cima, segurando uma faca com seus braços para o alto. Ele não estava ouvindo nada que ela dissera...
– J-Jeff...
Deu impulso, pronto para fincar a faca na garota, quando mais uma vez voltou a rir, vendo que o olhar dela se mantinha fixo à ele. Ele queria que fosse a última coisa que ela ouvisse...antes de sua morte.
– Go to Sleep.
Continua...
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