Alone

21 Direção


Notas iniciais
Há quanto tempo, caros leitores. Olha quem deu as caras ~~sai desfilando (ótimo jeito de aparecer aqui nas notas né? DESCULPA) Confesso que ri escrevendo esse capítulo. A propósito, jÁ PENSEI AQUI EM COMO A FIC ACABARÁ - nem sei porque estou dizendo isso porque ainda falta uns 10/12 capítulos - MAS ACHO QUE LEVAREI MUITAS FACADAS DE VOCÊS :) brincadeira, melhor eu me aquietar porque não estou falando coisa com coisa hoje. Enfim sdjdsjk até a próxima.

Seus olhos abriam acostumando-se com a claridade. Ouvia uma boa música tocando enquanto o carro continuava a dirigir em uma estrada que parecera infinita. A manhã estava começando, o que a fez estranhar não terem chegado ainda. Tudo o que se lembra depois de sair daquela mansão onde fez parte daquele jantar insignificante, foi de esperar impacientemente que chegassem logo, o que foi um desejo não realizado.

Afastou seu corpo do banco ganhando postura, sua coluna estava dolorida e sua expressão não era exatamente de alguém muito satisfeito. Olhou de relance para Jeff, que dirigia atentamente, mesmo tendo percebido que ela havia acordado. Não sabia de onde ele tirava tanta disposição, ficar vendo seus olhos que não piscavam nunca chegava a causar certa gastura.

— Er...Jeff, pode me explicar para onde exatamente estamos indo? — Perguntou Lauren, passando a mão por seu rosto tentando despertar-se.

— Para um banco. — Respondeu ríspido. Apesar de tudo ainda notava-se uma certa indisposição nele, mesmo que não claramente.

Sequer citou se era em uma cidade vizinha, simplesmente falou de um banco... — Banco?

— Seu raciocínio é mesmo péssimo quando acorda. — Inflou as narinas soltando o ar pela boca, como sinal de insatisfação de sua parte. — Temos que chegar ao cofre antes de Adam e seus capangas.

— É, percebi. Mas o que tem lá que nos interesse tanto?

— Dinheiro, jóias caras, documentos...

— Que documentos? — Indagou. É óbvio que Jeff não faz o tipo que se interessa por dinheiro...e muito menos por jóias!

— Digamos que será nossa chave pra encontrar o local onde utilizam os cobaias humanos.

— Eles tem até documentos? Isso é tão especifico... — Murmurou. — Mas não entendo, por que resolveu ir até lá? — Jeff mudava o rumo de seus planos de uma hora pra hora, isso era um tanto preocupante, mas se as coisas saíssem bem já estaria de bom tamanho, mesmo que não concordasse.

A encarou do canto dos olhos. — Será um grande progresso acompanhar tudo de perto. — Respondeu. — E além do mais, gosto de ver gente inocente sofrendo.

— Que poético. — Ironizou em um sorriso curvado no canto dos lábios.

— Vai se danar.

Ignorando a indelicadeza de Woods, mudou de assunto brevemente: — Jeff...poderia me tirar uma curiosidade sobre você?

— Depende. — Retrucou com o cenho fechado.

— É que eu estava pensando...pra onde você vai depois que terminarmos com isso tudo?

— Isso é de sua conta desde quando, Cresswell? — Debochou com um sorriso largo.

— Nunca foi, pra ser sincera. — Suspirou. — Mas já que estamos aqui sem fazer nada, o que custa me contar Woods? — Levantou a sobrancelha.

Não tinha intenção alguma de compartilhar com ela suas reais intenções, mas limitou-se à um diálogo: — Provavelmente sairei do país, pretendo ir para Austrália e continuar com minhas façanhas.

— É mesmo? — Disse surpresa. — O que tem na Austrália que te interessa tanto?

— Já falei mais do que devia. Cale-se por favor.

Revirou os olhos, já acostumada com seus modos. Encostou sua cabeça no banco olhando o movimento pela janela, sabia que não conseguiria mais informações sobre ele, pelo menos não por hora.

Entretanto, aquela conversa a motivou a pensar em seu futuro...até mesmo Jeff tinha planos, mas e ela? O que a reservava? Sequer poderia ter certeza se sairia viva, então deduziu que seria melhor deixar de lado pensamentos tão paranoicos. Seu futuro só seria definido, depois que terminasse o que começou.

Quando o veículo finalmente parou -- isso depois de terem passado por dois postos de combustível, o que já prova que a viagem foi bem duradoura -- Jeff estacionou, localizando-se do outro lado da rua, o procurado banco.

O banco central estava bem movimentado, o que era uma vantagem para os dois passarem despercebidos na multidão. Mas, sendo cuidadoso, Jeff pediu para que ela, assim como fez, se disfarça-se para garantir suas camuflagens; ele colocou um boné azul escuro e uma blusa cinza larga -- incluindo óculos de sol. Quanto à ela um sobretudo preto, uma peruca vermelha em um corte chanel e óculos escuros também.

O primeiro pensamento que teve ao ver Jeff daquele jeito foi o mais ofensivo possível, sua vontade era gargalhar ali mesmo, mas sua aparência também beirava o hilário então era melhor não apontar tais imperfeições nele.

— Jeff, como pretende chegar até o cofre? — Estava estranhando o fato dele não ter explicado detalhadamente o que fazer, até porque não seria simplesmente entrar e ir direto ao cofre...ou seria?

— Já cuidei disso. — Falou ajeitando os óculos, dos quais estavam o incomodando extremamente, por pouco não os jogou no chão pisoteando com todas as forças que o restavam. — Tenho contato com um dos seguranças. — Explicara. — Kevin já cuidou de tudo, até de nossos documentos falsos. Mas o principal é que ele está no prédio ao lado agora — Olhou na direção discretamente para que apenas ela percebesse. — e irá hackear permitindo nossa passagem pelas redes de segurança.

— E em seguida terei que digitar o código, correto?

— Isso! — Comemorou falsamente. — Que bom que você é um gênio e consegue decifrar meus planos há quilômetros.

Seus olhos voltaram a revirar-se, já estava em um ponto de convívio com o rapaz que ofensas como essas nem de longe a afetavam.

— Enfim, é melhor nos apressarmos, não temos muito tempo. — Jeff alertou em um tom mais sério, caminhando ao lado dela.

Atravessaram a rua rápido, e cinco passos à frente já se viram diante da grande porta de vidro, provavelmente blindada. Adentraram calmamente, sem alarde.

A pele branca dele chamava atenção uma vez ou outra, quando algumas crianças o viam chegavam quase a chorar, o que já era de se esperar. Mesmo assim, conseguiram andar entre as pessoas com facilidade, e percebendo as distrações foram pra uma área perto do corredor onde os cofres ficavam, tudo ocorrendo de acordo com a linha de raciocínio de Woods.

Quando começaram a aproximar de onde desejavam, viram alguns gerentes andando ainda sem percebê-los, mas que evidentemente iriam abordá-los assim que os vissem. Em um ato inesperado, Jeff se virou para Lauren pegando em sua cintura e jogando-a contra a parede mais próxima, onde juntou seus lábios beijando para que seus rostos não fossem vistos por quem passasse...e para que acreditassem que o casal estaria ocupado demais para responder a qualquer pergunta no momento.

Ela entrou em pânico, aquela boca...NOJENTA de Jeff estava a agoniando com as partes cortadas tocando seus lábios, suas unhas fincaram nos ombros dele, não por demonstrar prazer na ação mas sim seu ódio por isso, a intenção era realmente machucá-lo.

Tentava empurrá-lo, mas não parecia tão simples, quando tentou dar uma joelhada ele praticamente socou sua perna, sem deixar de encarar de canto para ter certeza que a ameaça se afastara. A respiração dele era bem acelerada, conseguia senti-la se fundindo com a sua, e sua língua movimentava-se rápido.

Quando teve a oportunidade, o empurrou com toda a força o afastando pra longe. Limpou sua boca no mesmo instante, com uma cara de nojo, quase cuspindo no chão. — Jeff seu miserável! — Sussurrou, mas sua vontade era gritar e socar o rosto dele até deixá-lo inconsciente. — Por que fez isso?! — Reclamava, vendo-o com a mesma expressão de tanto faz. — Seu...nojento!

— Já acabou? — Indagou Jeff, lambendo em volta de seus lábios para provocá-la, sua perda de controle era hilariante para ele.

— NÃO! Não acabei, mas não posso dizer tudo o que quero agora! — Rebateu. — Mas saiba que estou louca pra encher sua cara de facadas. — Sorriu meigamente, ressaltando sua ironia ameaçadora.

— É, a maioria tem esse desejo também. — A puxou pelo braço, seguindo no corredor. — Mas não ache que foi coisa de outro mundo, entendeu? Foi algo técnico, algo realmente preciso. Caso contrário eu não beijaria você, a não ser que me implorasse muito. — Abriu um sorriso malicioso rindo baixo entre os dentes.

Era muita audácia mesmo. Além de beijá-la ainda queria manter sua pose superior? Ora, Jeff estava passando dos limites com sua pose exibida.

— Depois a gente conversa. — Apertou seus olhos, afastando seu braço dele e seguindo o caminho, mesmo que o ocorrido ainda esteja em sua mente...a deixando com mais nojo do Jeff do que de costume. Foi tão rápido, mas o suficiente para lembrar de nunca mais aproximar sua boca desse indivíduo.

Ao chegar na sala do cofre, só haviam duas interrupções: um segurança, e uma porta com um sistema de alarme muito chamativo.

Já ia perguntar para Jeff o que fazer quando ele saiu de seu lado e foi até o homem mostrando sua identidade falsa -- que por sinal usava uma foto antiga dele, nem parecia que um garoto tão bonitinho tinha se transformado naquilo, mas ela pouco notou.

O vigia assim que pôs os olhos no documento, assentiu para os dois digitando um número para permitir suas passagens no sistema. Pelo o que entendeu ele também estava envolvido no plano de Jeff, que ofereceu uma alta quantia para os homens que o ajudassem. Kevin já tinha hackeado as câmeras e colocado gravações do dia anterior no lugar das gravações atuais, para que os responsáveis pela monitoração do banco não os vissem entrando.

Quando teve a visão de dentro chegou a se impressionar, era tão grande, haviam o que chamaria de pratilheiras organizadas que perdia de vistas. Nas pratilheiras tinha uma espécie de "janelas" metálicas numeradas, que ao serem abertas revelavam os cofres por fim. Procuraram pelo número 301, o cofre de Adam.

Lauren encontrou antes de Jeff, que ao notar sua descoberta se apressou ao lado dela.

— Abra a gaveta com o grampo. — Ele pediu. Lauren confirmou com a cabeça, fazendo como ele especificou. Precisou de duas tentativas até abrir, mas quando destravou abriu-o dando de cara com o cofre digital. — Digite o código, e vê se não faz besteira.

— Vai se danar, Jeff. Sei o que faço. — Disse prestando atenção.

— É bom que saiba mesmo.

Suspirou, digitando o código com calma, lembrando-o aos poucos, afinal a numeração era bem estendida. Imaginou a quantia de dinheiro que tinha ali, pensando nos golpes de extorsão que seu querido tio havia dado pra ter chegado até esse nível de luxo.

Limpava o suor em sua testa, Jeff colocava muita pressão em seus planos em que a envolvia. Sorriu abertamente ao ouvir o barulho do cofre se destravando, respirando fundo, aliviada.

— Consegui... — Sussurrou para si mesma, sorrindo.

— Ótimo. — Jeff abriu-o, vendo uma pilha de dinheiro à sua frente, que retirou aos poucos entregando para Lauren. — Coloque em sua bolsa.

— Está bem. — Guardava-os sem muito interesse, sabia que boa parte iria para os seguranças que os ajudaram, mas pelo menos um pouco Jeff retiraria para que eles pudessem ter onde passar há noite.

O sorriso avermelhado se alongou em seu rosto. — Encontrei! — Exclamou empolgado, pegando um envelope e sem esperar meros segundos, abrindo-o e lendo com rapidez os trechos que o interessavam. Seu sorriso estava ainda mais aberto, parecia uma criança ao ganhar um doce. — Eu sei onde fica!

— Desculpa estragar seu sonho de infância mas temos que nos apressar, esqueceu?

Ainda sorrindo, respondeu-lhe: — Sei disso, tola. Vamos. — Terminou de pegar e fechou o cofre olhando-a para que digitasse novamente, assim o fechando.

Assim que terminaram suas pendências, saíram do banco naturalmente, indo para o carro. Abriu a porta entrando, e a fechou em seguida assim como seu parceiro de crime fez. — O que faremos agora? — Lauren perguntou mordendo de leve seu lábio inferior, a adrenalina ainda permanecia em seu corpo, mesmo não tendo tido muitos esforços físicos.

— Tenho que pagar os homens.

— Jeff, você não vai mesmo pagar, vai?

Riu. — Claro que não. Vou matá-los.

— Faz mais sentido vindo de você. — Riu junto, começando a tirar seus disfarces.

Agora tinham um novo rumo: o negócio ilegal de Adam que em breve seria usado contra ele, além do interesse particular de Jeff ao ver como as torturas e testes psicológicos são realizados em sujeitos com problemas mentais. Era um negócio perigoso, poderia resultar em suas mortes, mas fariam o que fizeram até aqui: teriam preparo. Não importa quantos dias levassem, quantas coisas tivessem que calcular antes do ataque, isso tudo já estava sendo um passo adiante.

Tirou a peruca mexendo em seu cabelo bagunçado, sorrindo de leve enquanto pensava no ocorrido. Estava tão entretida que só foi reparar uma figura no banco de trás do carro quando olhou para o vidro retrovisor, surpreendendo-se. — REBECCA?! — Berrou, mais por surpresa do que por medo.

O assassino que antes iniciava uma ligação, parou o que fazia para olhá-la com um ar de divertimento, encarando o banco pra onde ela encarava e ele nada via.

Soltou um riso evidente, com um sorriso sarcástico. — Vai ser divertido assistir a isso de novo.

"Os episódios de psicose da Lauren podem ser muito úteis...se eu assim souber manipular" — pensava Jeff, escondendo a malicia que rodeava em sua mente.

Continua...