Alone

18 Ameaça


Notas iniciais
Olá a todos, como estão? Já estava ficando com saudades q. Talvez vocês estranhem o início desse capítulo por mostrar o 'ponto de vista' de outros personagens, mas nos próximos perceberão que isso renderá muitos problemas pros principais dsjkdsjk. Bem, adoro envolver psicologia e é possível que venha a falar mais sobre o comportamento tanto de Jeff quanto da Lauren na história. E, também, no próximo capítulo eles estarão bem mais próximos de seus objetivos de vingança muhahahha - parei. Então é isso, boa leitura!

[Centro psiquiátrico de Harriett]

Malas jogadas, com boa parte dos pertences dos pacientes arruinados. Medicamentos espalhados pelo chão, móveis destruídos e janelas quebradas. Desde o massacre que levou o manicômio à um incêndio, boa parte dos enfermeiros e pacientes foram mortos, consumidos pelas chamas que tomaram o local naquele dia de desespero e tragédia. Boa parte das fichas dos pacientes também foram perdidas, e mesmo os que conseguiram salvar, não eram o suficiente para conseguirem efetuar uma busca pelos fugitivos. Entre as cinzas e toda a bagunça causada pela destruição do hospital, o investigador Olsen com grande dificuldade examinara o local, tentando ignorar o cheiro forte que ali estivera. Depois do grande número de mortes, o local foi considerado como fantasma para boa parte dos moradores da pacata cidade. Ele obviamente não acreditava em nada do gênero sobrenatural, e estava visitando o local ao lado de um dos únicos psiquiatras vivos, que demonstrava tristeza olhando para os corredores vazios e silenciosos, tomados pela cor cinza que o fogo consumidor os causou. Depois de uma boa averiguação, tratou de sair ao lado do especialista, respirando ar puro do lado de fora.

— Doutor, como tudo isso aconteceu? — Perguntou curioso, passando pela porta da saída.

O homem já de idade passou a mão pelos cabelos grisalhos soltando um suspiro duradouro antes de responder. Parecia um assunto delicado...

— Eu estava visitando a casa de um dos meus pacientes que foi liberado a seguir tratamento com uma terapia familiar, nessa data soube que dois pacientes começaram a ter ansiedade e estavam sobre o efeito de substâncias psicoativas. Eles realizaram uma fuga matando alguns enfermeiros e chegaram a atacar alguns pacientes, isso levou outros internos a conseguirem fugir quanto as coisas foram se espalhando, e boa parte deles descontrolados começaram a atacar uns aos outros, quebrar janelas e até começar a incendiar o local.

— Esses dois pacientes...eles estão vivos?

— É possível. — Fez uma pausa colocando a mão no queixo, pensativo. — Um deles já havia fugido de outros hospitais, não seria difícil para alguém assim nas condições em que estava.

— O senhor não teria a ficha desses fugitivos? Seria de grande ajuda poder ver o histórico desses pacientes.

— Acho que devo ter algumas tabelas em minha pasta. — Disse desanimado, indo até o carro e retirando a pasta marrom de couro. Analisou alguns papéis procurando pelos nomes dos indivíduos. — Aqui está. — Entregou.

— Lauren Cresswell e Jeffrey Woods. — Atenciosamente ele pegou os papéis, lendo primeiramente algumas tabelas com avaliações de ambos.

Lauren Cresswell

Episódio depressivo: 30% — Transtorno de Personalidade Dependente: 05% — Deficiência Mental Leve: 02% — Transtorno Bipolar e Transtorno de Personalidade: 100% — Uso abusivo de álcool: 01%

Jeffrey Woods

Episódio depressivo: 01% — Transtorno de Personalidade Dependente: 01% — Deficiência Mental Leve: 08% — Transtorno Bipolar e Transtorno de Personalidade: 100% — Uso abusivo de álcool: 10%

— Haveria outras tabelas?

— Sim, pode conferir. — Mostrou nas folhas separadas. — Fizemos dois tipos de tabelas baseadas nos exames e até mesmo testes sanguíneos antes de determinarmos quais tratamentos eles seguiriam.

— Bem, deixe-me ver...

Lauren Cresswell

Transtorno mental presente: 70% — Transtorno de ansiedade presente: 100% — Depressão: 98% — Episódios maníacos/hipomaníacos: 92% — Transtorno de pânico: 20% — Transtorno de estresse pós-traumático: 90% — Transtorno obsessivo-compulsivo: 80%

Jeffrey Woods

Transtorno mental presente: 90% — Transtorno de ansiedade presente: 12% — Depressão: 01% — Episódios maníacos/hipomaníacos: 100% — Transtorno de pânico: 02% — Transtorno de estresse pós-traumático: 01% — Transtorno obsessivo-compulsivo: 99%

— É, parecem que eles tiveram uma bela reputação por aqui. — Ironizou, seco.

— Tivemos muitos casos como os deles por aqui.

— Se eles estão soltos devemos nos preocupar, não é Doutor?

— Pode se dizer que sim. Mas eles não devem estar por perto atualmente, buscas não resultarão em nada, só os deixarão mais ansiosos.

— Eles são psicopatas?

— Em meu laudo psiquiátrico cheguei a destacar que Jeffrey costumava perder o controle, como se tivesse dupla personalidade, entende? Porém, em mais exames, pude ver que ele tinha total consciência de seus atos independe de como agisse. Sofria de grande bipolaridade, e boa parte de seus crimes foram exemplos clássicos de sociopatia.

— Como agem os sociopatas?

— Boa parte deles tendem a perder o controle facilmente e nunca ficam em um lugar só. 98% dos sociopatas tem histórico de delinquência juvenil, e a doença costuma se desenvolver cedo então boa parte dos serial killers são sociopatas. Mas apesar disso, Jeffrey costumava pensar muito bem em como cometer um crime, coisas que sociopatas não costumam fazer. A mente dele foi dada como psicótica.

— E a garota? Lauren? — Perguntou, olhando para as fotos de má qualidade e em preto e branco que estavam nas fichas da garota.

— Lauren também teve indícios de sociopatia, e sempre se recusou seguir tratamento. Mas o mais interessante é que diferente de Jeffrey, ela realmente possuía transtorno dissociativo de identidade. Isso é bem frequente com pacientes que passaram por algum choque emocional.

— O que quer dizer?

— Em outras palavras, enquanto ela dorme, outra personalidade assume seu corpo, e ela nunca percebe essas ações que costumam ser agressivas, até acredita estar acordada enquanto isso acontece. Pode até ser que ela veja alguém que na verdade, seja ela mesma em outra versão. Lauren era uma boa garota, mas seu outro lado, pode não ser. A expressão dela sempre mudava conforme sua personalidade era alterada nas terapias, e nunca a vimos dormindo de verdade, o que não é normal para um humano. O que quer dizer, que seria um tipo de transe.

— Pode ser perigoso?

— Se for, irá parecer no mínimo inofensivo para qualquer um que veja. Os que mais aparentam inofensivos, mais causam problemas.

{...}

— Jeff, desculpa o atraso. — Corria ofegante, chegando ao local. — Rebecca, esse é o Jeff. — Apontou para ele, os apresentando.

— É um prazer, Jeff. — Sorriu, encarando-o.

O rapaz fitou Lauren e em seguida, Rebecca. Mas ao invés de cumprimentá-la, ele simplesmente se virou e mudou de assunto ignorando-a por completo.

— Você se atrasou muito, não acha?

— Desculpa, não acontecerá de novo.

— A culpa também foi minha por ter a feito parar para conversarmos. Lamento, Jeff. — Se curvou, mostrando respeito.

— Tudo bem Rebecca. — Falou Lauren, tentando acalmá-la.

— Rebecca. — Sussurrou Jeff, segurando uma clava medieval ao lado de todas as armas brancas que havia separado.

— Algum problema? — Perguntou a morena, se aproximando curiosa.

— Talvez, mas não estou preocupado com esse detalhe agora. — Falou, rude. — Antes de treinarmos combate corpo a corpo, pratique sua mira. — A entregou uma pistola simples, carregada. — Tá vendo aquela árvore? — Apontou. — Quero que mire e acerte bem no centro da fotografia que colei.

— Pera aí, naquela fotografia sou eu? — Fez uma expressão confusa, reconhecendo os rostos. — Eu e meu tio... — Estreitou o olhar, o encarando por um tempo. — Você fez isso só pra zoar com a minha cara, não é Jeff?

Sorriu, orgulhoso.

— Foi irresistível, admito. — Suspirou, sarcástico. — Mas, vendo por outro lado, toda essa emoção que a fotografia à passa pode ser útil para descontar sua fúria. — Deu de ombros, se afastando.

Nem sabia onde Jeff havia conseguido aquela foto, nem mesmo ela se lembrava. Mas, ignorando esse detalhe, acabou fazendo como ele mesmo colocou: descontando sua fúria. Mirou na fotografia, especialmente no rosto de seu amado tio. Nas primeiras vezes, pela distância, não obteve tanto sucesso. Porém, continuou atirando, ignorando todos os pássaros que fugiam assustados com o barulho do disparo. Antes de atirar pela quinta vez, fitou brevemente Rebecca, que parecia não se incomodar com o que assistia. Quando a encontrou na floresta, vieram conversando e pelos assuntos se sentiu mais aliviada a respeito da garota. Pelo o endereço que a passou, ela não morava muito longe de seu esconderijo, então acabaria a vendo mais vezes por aquelas redondezas. Rebecca parecia mesmo interessada em ajudá-la, algo bem raro hoje em dia, principalmente sabendo o que ela fazia. Mas era bom ter com quem conversar, Jeff não era exatamente alguém que pudesse chamar pra tomar chazinho da tarde.

Durante todo o treinamento não houve uma vez em que Jeff evitasse atingi-la em seus ataques surpresas, e sempre que ela caía estava fora de cogitação esperar que ele fosse estender sua mão para ajudá-la a levantar. Delicadeza não se aplicava à ele. Mas estava sendo bem útil, pelas explicações, mesmo que rápidas, conseguia elaborar uma defesa para pessoas três vezes mais fortes que ela, usando a agilidade e atingindo pontos frágeis e de fácil acesso. Ele já deve ter se acostumado e obtido experiência, já arrumava briga facilmente com ela, imagina nas ruas quantas vezes Woods já saiu por aí arranjando confusão para se divertir. Era interessante porque Jeff sempre atacava o ego de alguém durante o combate, talvez como forma de enfraquecer seu adversário ou despertá-lo raiva para que começasse a agir impulsivamente dando-o à vitória. Ele era bem rude, e quando deu o horário do almoço as mãos da garota estavam completamente detonadas e trêmulas, foi o único momento em que ele parou e ficou a olhando por um tempo antes de acertar suas pernas e fazê-la cair no chão novamente.

— Jeff?

— O que é? — Franziu o cenho.

— Podemos dar uma pausa? — Respirou calmamente, se levantando.

— Seu adversário não daria uma pausa para você ir ao banheiro. A menos que ele ofereça um cafezinho antes de cortar sua garganta, o que eu acharia muito cortês. — Usou um falso tom de empolgação. Não havia palavras para descrever o quanto ela detestava quando ele falava daquele jeito...

— Já treinei com cinco armas brancas fora a arma de fogo que usei para treinar a mira. — Tentou explicar. — Acho que seria bom uma pausa, poderíamos continuar às 15:00.

— Acha que estou à sua disposição, madame?

— É só uma sugestão, para de paranoia!

— Não. Você tem cinco minutos antes de voltarmos ao treino. — Se virou, indo buscar algo em um local mais afastado.

Suspirou. Era difícil se acostumar com um tratamento como aquele, mas estava tendo um grande progresso e não iria se opor a nada por enquanto. Olhou em volta procurando por Rebecca, com quem iria puxar assunto. Estranhamente, não encontrou ninguém. Deu alguns passos perto de onde ela estava enquanto assistia seu treinamento. No chão, um pouco escondido entre as folhas secas, pôde ver um laço azul que já a viu usando na cabeça. O pegou, se lembrando do endereço em que ela morava. Jeff ficaria furioso por mais uma vez ela atrasar o treino, mas era quase que inevitável para a menina ir atrás de sua misteriosa perseguidora e tentar descobrir suas intensões.

Segurando o laço começou a correr, aproveitando que o rapaz ainda estava longe e distraído com alguma coisa. Depois de alguns minutos de caminhada, conseguiu pegar um atalho avistando uma rua. Antes de sair se escondeu atrás de uma árvore, certificando-se se não estava passando ninguém.

Saiu, olhando casa por casa de longe, até avistar o número da casa de Rebecca, 805. Para uma casa frequentada estava bem maltratada. Era de madeira, tal como a cabana onde estava morando. As janelas, quebradas, estavam escancaradas. Na varanda, perto da porta, havia uma cadeira também de madeira, parecia ter pertencido a um idoso, avô de Rebecca talvez. Mesmo se sentindo enxerida por isso, se aproximou abrindo a porta, que como já previu, ninguém havia se dado ao trabalho de trancá-la.

Quando entrou, encostou a porta e olhou em volta, chamando por Rebecca. Em sua segunda tentativa de chamá-la, teve a atenção tomada pelos objetos do local. Ao invés de um sofá ou uma tv como costumavam ter em suas casas, a sala quase não tinha mobília. Só havia uma pequena mesa com pincéis, e muitos baldes de tintas espalhados. Quadros eram tampados por lençóis brancos que os cobriam, e as paredes também sujas de tintas de variadas cores que mesmo na madeira não fugia de seu observar. Ao lado havia uma escada um tanto torta, e nos degraus um único quadro estava deitado. Por impulso, acabou o pegando, e observando a pintura. Havia várias pessoas na pintura, mas uma estava no centro, e parecia estar em preto e branco e mais destacada que as outras que tinham seus rostos embaçados e pareciam estar praticamente coladas no corpo de quem estava no centro. Sempre foi fã de arte, mas nunca soube interpretar como deveria. O que o artista tentava expressar com aquela pintura? Estava mais é a dando desconforto psicológico, e nem sabia o porquê mas quando se deu conta estava vomitando com um enjoo repentino.

Quando conseguiu se controlar, ouviu passos lentos descendo a escada onde ainda estava parada. Era Rebecca. Ela ainda estava em silêncio olhando-a, e de alguma forma, isso não parecia nada bom...

Continua..