Almejar
15 Capítulo XV - Endorfina, ocitocina, serotonina e dopamina
Notas iniciais
O morcego voava pela quente, bagunçada e suja GGeek. Nikolas, mesmo estando atrás do balcão, parecia fazer uma live, ignorando completamente o mamífero sobrevoando o ambiente, e Agnes, surpreendentemente, jogava beer pong muito perto de Tikara, com direito a mão boba, enquanto bebia um suco de cenoura com beterraba.
O morcego voou baixo e, em vez de soar seu habitual farfalhar, verbalizou uma pergunta.
“Quando pretende colocar um anel no dedo da minha filha, rapaz?” soou como um trovão.
O morcego voou alto e, logo em seguida, retornou com mais velocidade.
“Agnes é moça de família, então sexo só depois do casamento.” dessa vez, a voz soou meio trêmula e feminina.
No terceiro rasante, o mamífero mudou de direção, voando rumo ao pescoço da prestes a acertar uma bolinha, que lembrava um comprimido, em um prato contendo macarrão com brócolis.
A tentativa falha de gritar impediu que a avisasse, então só era possível observar o morcego se aproximando do pescoço desnudo da loira, que se preparava para acertar o prato. Contudo, de repente, o morcego mudou de direção e, magicamente, surgiu uma katana no ar, que logo estava envolta em seus dedos. O morcego se aproximava e a katana tremia, até uma voz soar.
“Não pode matar morcego, Cascão!” exclamou o próprio morcego, o mesmo que, de súbito, havia se transformado em Agnes, colidindo fortemente com seu corpo, a ponto de derrubá-lo.
Um espasmo, que fez a perna de Cascão pular, fez com que abrisse os olhos e tirasse a cabeça do travesseiro em um sobressalto. Sua respiração ofegante, o coração agitado e a sensação de desconforto deixavam claro que havia tido um pesadelo.
“Mas que sonho foi esse? Eu ‘tô ficando maluco!” comentou enquanto passava a mão no rosto.
Olhou as horas e bufou ao ver que ainda eram sete horas da manhã. Deitou-se novamente e virou a cabeça, sem conseguir voltar a dormir, sentia-se desconfortável.
“Que horas são na Europa agora?” questionou-se antes de pesquisar em seu celular.
Após ver a resposta, fez uma ligação.
“Por que ‘tá me ligando tão cedo? Aconteceu alguma coisa?” era Magali.
“Magali, eu tive um sonho muito estranho e agora ‘tô estranho.” respondeu.
“Que sonho?” ela perguntou.
O rapaz contou o sonho com detalhes e não demorou para ouvir um suspiro de Magali.
“Cascão, pelo que você me disse sobre o trampo na GGeek e sobre a Agnes, acho que você está ansioso.” a amiga supôs.
“Ansioso? Mas eu ‘tô mó calmo!” ele disse.
“Outro tipo de ansiedade, amigo. A Agnes é a primeira garota que você se interessa desde o rompimento com a Cascuda, então é uma coisa nova.” explicou.
“Primeira? Nas festas que fui depois que terminamos, eu fiquei com outras garotas.” o rapaz ressaltou.
“Sim, em festas. Fora delas, quando você está perto de estar 100%, você não se envolveu com alguém.” Magali esclareceu.
“Mas eu não estou me envolvendo com ela. Nunca nem rolou flerte! Magali, a mina mal aperta a mão de alguém! Imagina querer qualquer outra coisa.” Cascão lembrou.
“O que tem feito você ficar pensando nela?” a moça perguntou.
“Eu não sei! De repente, eu me pego pensando no quanto ela tem evoluído na interação com os outros, no quanto tem se divertido saindo de casa, no quanto tem começado a ficar mais suave comigo e com as próprias colegas de casa e… e no quanto o sorriso dela fica bonito nesses momentos, e deixa ela mais bonita.” respondeu verdadeiro.
Magali riu.
“Sem comentários.” comentou.
“Eu não posso tentar nada, Magá!” o rapaz exclamou.
“Por que não? É só você manter a calma e o respeito que sempre teve com ela.” a morena sugeriu.
“Sei lá…” ele hesitou.
“Cascão, eu compreendo sua hesitação. Além de ela ter as tendências hipocondríacas, você passou por uma barra com o fim do namoro. Nada disso pode ser desconsiderado, mas vocês dois merecem curtir também. Vai se aproximando aos poucos.” aconselhou.
Cascão sentiu o peso e desconforto abandonarem seu corpo, Magali sempre sabia o que dizer.
“Ah, casada… nem sei o que faria sem você.” comentou e ela riu.
“Sofreria muito. Como estão as coisas com o Átila e na sua missão padrinho de casamento?” mudou de assunto.
“O Átila mandou um e-mail sobre o trabalho. Não tem esse nome à toa, o cara quer que a gente faça alguma coisa da educação física que beneficie alguém de fora do curso e entregue um artigo de 30 páginas sobre isso. Tipo fazer atividade física com gente aleatória, sabe? O grupo da sala desceu a lenha! Se a galera descobrir que eu que disse que faria qualquer coisa, eu levo uma surra.” comentou.
“Eu nem sou da tua turma e me deu vontade de te bater.” Magali falou e ele riu.
“Mas vou sobreviver. E sobre o Cebola, ser padrinho dele é uma coisa de louco.” falou e ela riu.
“Por quê?” perguntou.
“O cara ‘tá com medo de fazer despedida de solteiro por causa do sogro. Isso é muito triste!” revelou.
“Ele já falou da Mônica alguma vez?” ela perguntou de repente.
“Por que a pergunta?” o amigo devolveu uma pergunta.
“Porque ela está a fim dele.” respondeu direta.
“É recíproco, viu.” o rapaz afirmou com um riso.
Magali suspirou.
“Isso é tão complicado!” comentou.
“Pelo caminhar da carruagem, logo eles abrem a relação.” brincou.
“Se liga, Cascão! A Mônica não divide o pão. E ela é a wedding planner dele.” respondeu, fazendo o amigo rir.
“Pão de cebola não vale o risco.” divagou.
“Tenho que ir agora, Cas. Não deixe um pesadelo te parar!” a moça falou.
“Beleza. Valeu por me ouvir, casada!” falou antes de desligar.
Olhou para o teto do quarto e se levantou, decidindo sair para correr.
*
Enquanto isso, não tão longe dali, Cebola estava em sua cama fitando uma frestinha de luz que entrava pela janela ainda fechada enquanto as palavras ditas por Mônica no começo da semana martelavam em sua cabeça, assim como o real emprego que seu sogro estava disposto a encaixá-lo.
“Ser secretário não é tão ruim assim. Eu ainda vou ter contato com os amigos influentes dele!” tentou se convencer, porém, sua mente era mais rápida.
“Mas eles nem vão me enxergar lá… tem gente que não dá nem bom dia pra um secretário, quem dirá conversar sobre coisas que me interessam…” constatou.
“Mas pode ser que o salário realmente seja bom!” tentou se convencer novamente.
No mesmo instante, lembrou-se do acordo pré-nupcial e da quantidade de contas que estavam sob sua responsabilidade.
“O mesmo salário que vai ser todinho torrado com as 50 mil coisas que o burrão aceitou pagar por ter assinado o acordo pré-nupcial sem ler… aff!” reclamou.
Virou-se na cama e suspirou.
“E se eu cancelasse o noivado? Como Mônica e Cascão já disseram, tenho mais a perder do que ganhar.” considerou.
A ideia de romper o noivado era tentadora, principalmente por voltar a ser um solteiro, abrindo o caminho para convidar Mônica para sair. Porém, logo seu lado racional se manifestou.
“Espera! O que eu ‘tô pensando? A Carmem é influencer! Vão me linchar na internet se eu romper o noivado faltando alguns dias! Sem falar do que o pai dela faria! Fora que, se eu for atrás da minha própria wedding planner, vai parecer que a Mônica armou e vai ferrar pra ela… que droga!” reclamou.
Decidiu parar de pensar sobre isso e foi para a cozinha tomar café da manhã, onde estavam seus pais e sua irmã.
“Cebola! Está muito ocupado hoje?” a mãe perguntou.
“Não, por quê?” perguntou enquanto se sentava.
“Ia pedir para levar sua irmã a um tal evento… evento do Mickey, Maria?” a mãe perguntou e a pré-adolescente riu.
“Geek, mãe! Vai ser um sonho, Cebolinha! Vai ter lançamento de jogo, lojinhas, cosplay… e mais um monte de coisa. Mas minha principal missão é conseguir uma foto com ele: Nik, o geek!” exclamou sorridente enquanto mostrava a foto de Nik.
Cebola riu divertido.
“Desde quando você acompanha o Nik, Pouca sombra?” perguntou.
“Pouco tempo, mas já estou viciada! Virou um objetivo de vida conhecer ele pessoalmente!” exclamou.
“Eu conheço ele pessoalmente.” gabou-se enquanto se servia de café.
A mais nova estalou a língua.
“Para de mentir! Você nem tem grana pra comprar uma figure action na GGeek!” julgou.
“Maria! Que isso?!” o pai a repreendeu.
“Já que você é tão fã dele, deve saber que ele faz faculdade.” começou, mordendo um pedaço de pão.
“Engenharia de software. Mas não é porque vocês fazem o mesmo curso, que se conhecem. O mundo é grande, Cebolácio.” ela cruzou os braços.
“E ao mesmo tempo pequeno. Porque eu conheço ele faz uns dois anos.” o irmão gesticulou com os dedos enquanto mastigava.
Maria arregalou os olhos.
“O quê?!” questionou e o irmão riu.
“A gente fez uma disciplina juntos na época que ele não fazia semi-ead. Até chamei ele pra uma festa. Hoje em dia, não somos tããão próximos, mas ele é amigo da Carmem e nosso padrinho de casamento.” revelou.
Maria abriu a boca incrédula.
“Eu já tinha visto que ele e a Carmem se seguem, mas não sabia que eram amigos de verdade! Por que nunca me apresentou pra ele?!” exclamou irritada.
“Eu nem sabia que você acompanhava o cara!” defendeu-se.
A menina bufou.
“Não acredito que você conhece ele! Como ele é pessoalmente? É legal?” perguntou.
“É. A Carmem gosta muito dele.” respondeu.
O pai acabou rindo, o que chamou a atenção do filho.
“Vou avisar o Dudu e o Binho que você vai levar a gente! As mães deles queriam que tivesse um adulto responsável. Vou falar que achamos o adulto, só não posso garantir que é responsável.” a mais nova deixou a mesa.
“Eu sou sim muito responsável, Maria! Que risada foi essa, pai?” falou para a irmã e logo se voltou para o pai.
“Carmem não demonstra muitos sentimentos, então ouvir que ela gosta muito desse rapaz é engraçado. Já pesquisei sobre esse tal Nik, o Geek, pra saber quem era esse ídolo da sua irmã. Famoso na internet, cheio de fãs, certamente endinheirado… coisas que os Frufru devem gostar muito.” comentou.
“Quer me dizer alguma coisa, pai?” o filho perguntou direto.
“Não, é só uma observação. Como estão as coisas com o casamento? O grande dia está chegando.” o outro mudou o foco.
“Bem. Temos uma ótima wedding planner.” respondeu.
“Adoraria conhecê-la. Aposto que está fazendo tudo que sua noivinha deveria estar fazendo.” a mãe disse.
Cebola engoliu em seco, não tinha como dizer o contrário.
“Ela vai estar no casamento, eu acho. Diferente da open house, acredito que no casamento vocês vão.” alfinetou.
“Tivemos um compromisso naquela noite.” o pai explicou.
“É claro… se me dão licença, vou ver umas coisas.” saiu da mesa.
Os pais se entreolharam.
“Estou muito preocupada com esse casamento…” a mulher comentou.
“Nosso filho disse que sabe o que está fazendo, então vamos deixar.” ele falou.
*
Longe dali, Carmem bocejou enquanto uma funcionária fechava o terceiro vestido de noiva que experimentava. Sua mãe, que em breve viajaria, havia pedido que fossem bem cedo para a prova, fazendo com que abandonasse o conforto de sua cama antes do previsto.
Além de Isabele, também estavam presentes Denise e Mônica, a primeira para dar apoio moral e a segunda para anotar os detalhes do vestido, para reorganizar a decoração.
“O vestido caiu muito bem em você, senhorita Frufru.” comentou.
“Você disse o mesmo dos outros.” Carmem lembrou.
“Sim, mas esse… te deixou como uma princesa!” a outra exclamou.
Do lado de fora, Isabele estava afastada, falando ao telefone, enquanto Denise bocejava e Mônica digitava coisas em seu tablet.
“Tem sido difícil cuidar do casamento, Mônica?” a sonolenta ruiva puxou conversa.
“Bom… você sabe que os noivos têm um relacionamento meio… diferente.” a morena respondeu.
“Diferente pra não dizer falso, né?” Denise falou direta, arrancando um riso de Mônica.
“Essa é a parte mais difícil.” respondeu.
“Está quase no fim, depois você vai voltar a fazer bons casamentos. Por curiosidade, quanto é sua assessoria?” perguntou.
Mônica sorriu.
“Depende do pacote que os clientes escolherem. Está pensando em se casar, Denise?” perguntou e a ruiva riu.
“Ah… é bom saber dessas coisas. Diferente da burrona ali dentro, eu não tentaria fazer um casamento em um mês.” apontou com a cabeça.
“Ela vai ficar chateada se ouvir como você a chamou.” a outra comentou.
“Nada! Eu chamo ela assim na cara dela! Pra mim, a pessoa que decide se casar pelo motivo que ela quis não é uma das mais inteligentes.” confessou.
“É complicado…” a morena comentou.
Carmem apareceu usando um vestido branco que possuía um corte naturalmente luxuoso, com um decote nas costas e um laço demarcando o fim da abertura e restante da peça e um tecido que parecia brilhar a cada movimento, tal qual sua grinalda, cujas flores esculpidas em pedras brilhantes contrastavam com o véu simples.
A peça causou diferentes reações nas mulheres presentes: Mônica estava incrédula por Carmem ter encontrado um vestido que conseguiu sintetizar tudo que havia escolhido para a decoração: minimalismo, luxo e brilho; Isabele estava emocionada, tanto que havia encerrado a ligação para admirar a filha vestida de noiva; Já Denise, no entanto, parecia incomodada com algo.
“Nossa, Carmem! Que vestido maravilhoso! Você está muito linda!” Mônica, com os olhos marejados, elogiou com sinceridade.
“Está uma verdadeira princesa!” a mãe falou com as mãos na boca.
Denise não disse nada, apenas olhou para Carmem e viu aquilo que as outras duas não viram: a infelicidade da noiva.
Carmem encarava seu reflexo com um olhar entristecido, não esboçava nem mesmo um mínimo sorriso.
“Fala alguma coisa, minha filha! O que achou?” a mãe pediu.
“Eu… eu nem sei o que dizer! Acho que vai ser ele.” falou, forçando um sorriso.
A funcionária sorriu.
“Uma excelente escolha! Vamos deixar a noiva se admirar sozinha por um instante? Temos alguns aperitivos aqui.” falou.
“São light? Tenho um vestido para entrar daqui uns dias.” Isabele perguntou.
“É claro!” falou e ela saiu junto de Mônica.
Denise permaneceu, ainda em silêncio.
Carmem encarou seu próprio reflexo e sentiu lágrimas embaçarem sua visão.
“Denise… estou com um vestido lindo, com uma equipe que está deixando tudo incrível, vou casar antes da Amanda, o noivo é alguém que tem todas as qualidades que meus pais queriam e com toda certeza vou ter todos os likes que eu quero. Por que não me sinto satisfeita? Por que não me sinto feliz?” perguntou a amiga, ainda se olhando no espelho.
A ruiva suspirou.
“Acho que você sabe a resposta.” falou.
“Mas me fala!” pediu.
“Nem tão no fundo assim, você sabe que esse casamento não é a melhor coisa para você.” Denise disse.
Carmem limpou os olhos, no mesmo instante que as outras mulheres retornaram.
“Oh, nossa noiva se emocionou!” a funcionária comentou.
“Ah, minha filha… você vai estar linda!” Isabele disse sorridente.
A noiva respirou fundo.
“É… vou estar linda daqui uns dias.” concordou.
“Carmem, seu vestido casou muito bem com o terno do Cebola!” Mônica comentou.
“Você já viu o terno dele?” Isabele perguntou surpresa.
“Ele não comentou com vocês sobre não saber escolher o terno ideal?” perguntou.
“Eu que disse pra ele te procurar.” Carmem revelou.
“Por que você não o acompanhou, Carmem? É bem romântico.” a mãe perguntou e a filha riu.
“Não tenho paciência pra essas coisas. Se me dão licença, vou tirar esse vestido.” falou descendo da pequena plataforma e a funcionária a acompanhou.
Isabele pareceu pensativa.
“Meninas, Carmem parece bem desanimada com esse casamento. Tem algo que não sei em relação ao noivo?” perguntou.
As outras duas se entreolharam.
“Não sei, senhora Frufru. Carmem não parece demonstrar muitos sentimentos, então… talvez seja isso.” Mônica falou.
“Ela é uma noiva que pensa mais nos likes, Isabele.” a ruiva falou, o que surpreendeu a morena.
A mais velha suspirou.
“Entendi. Complicada essa vida de influencer. Então, Mônica, conto com sua ajuda para atingirmos a perfeição necessária.” falou e a outra assentiu.
“Claro!” falou e a loira se afastou, já com o celular em mãos.
A wedding planner se virou para Denise.
“Acha que ela ao menos suspeita?” sussurrou.
“Ela sempre cobrou perfeição da Carmem, talvez isso tenha relação com a maneira que ela enxerga certos sentimentos.” a outra revelou.
Mônica não se surpreendeu, mas também não se sentiu confortável com isso.
*
Mais tarde, no shopping, o evento Geek estava bastante animado. Pessoas jogavam, tiravam fotos, vibravam ao ver seus ídolos da internet ao vivo, cosplayers andavam de um lado para o outro e muitas compras eram feitas.
Cebola chegou junto de sua irmã e os dois amigos, que olharam maravilhados ao redor.
“Seguinte, criançada, não vou ser babá de vocês. Então deem suas voltas e nos vemos naquele banco em… 1 hora?” perguntou após apontar para um banco qualquer.
“Uma hora? Uma hora é tempo de espera em fila pra olhar um gibi.” Binho comentou.
“Temos muita coisa pra fazer. Umas 4 horas deve dar.” Dudu calculou.
O mais velho arregalou os olhos.
“Quatro horas? O que eu vou ficar fazendo aqui por quatro horas?!” questionou.
“Você também não gosta de cultura geek? Vai aproveitar! E tua namorada ‘tá bem ali. Vamos, gente! Temos muitas coisas pra fazer!” Maria disse antes de sair com os amigos.
Cebola não acreditou até se virar e, de fato, encontrar Carmem.
“Carmem? Você por aqui?” perguntou.
“Ah, Cebola… não sabia que estaria aqui.” comentou um tanto surpresa.
“Minha irmã queria vir. Acredita que ela é fã do Nik? A missão dela de hoje é achar ele.” o rapaz falou, fazendo a loira rir.
“Achar ele é a parte fácil, difícil é conseguir se aproximar.” comentou.
Cebola a encarou.
“Você veio ver ele?” perguntou e ela negou.
“Tive uma manhã cheia, então decidi dar uma voltinha no shopping e fazer compras. Nem sabia desse evento.” respondeu balançando as sacolas em suas mãos.
“Manhã cheia de trabalho?” ele perguntou.
“Fui experimentar vestidos de noiva. Depois tive que ir atrás do sapato e joias, essas coisas demoram.” a loira respondeu.
“Acredito em você! Eu fiquei horas escolhendo um terno.” falou e a moça riu.
Carmem se sentou no banco que tinha ali e o rapaz a acompanhou.
“Sabe, Cebola… nosso relacionamento nunca foi um dos mais calorosos, mas o noivado deixou tudo mais frio. A gente pode até não ser um casal-casal, mas nos dávamos melhor.” comentou.
“É… até rolava um beijinho de vez em quando e a gente se falava mais.” ele assumiu.
“O que acha que fez ficar assim?” a moça perguntou.
Cebola suspirou.
“Ah, sei lá. Acho que casamento é um passo muito grande que muda muita coisa.” supôs.
A noiva o encarou.
“O que casamento significa pra você?” perguntou.
O rapaz a olhou curioso, não entendia o motivo daquela conversa abrupta, mas decidiu responder.
“Acho que, em um caso normal, tem a ver com amor, cumplicidade, bem estar… essas coisas.” respondeu.
“E acha que o nosso casamento teria pelo menos uma dessas coisas?” ela perguntou.
“Bom…” Cebola começou, mas não soube como concluir.
O silêncio se abateu entre eles até a moça se levantar.
“Vou deixar você aproveitar o evento. Até mais, Cebola.” apenas acenou e saiu de lá.
Cebola, por sua vez, ficou desconfortável. Naquele momento, percebeu algo que vinha acontecendo: sua amizade com Carmem estava esfriando cada vez mais, a ponto de parecer uma mera conhecida.
“Não vou ficar pensando nisso! Acho que vou aproveitar e jogar alguma coisa.” falou balançando a cabeça e indo caminhar pelo evento.
X
O estande da GGeek esteve muito movimento após um story postado por Nikolas falando sobre ela e, de quebra, liberando um cupom de desconto. Após muita correria, Agnes e Cascão puderam descansar.
“Deve estar sendo difícil pra você estar em um dos seus habitats e ter que ficar aqui.” Agnes comentou com Cascão.
“Nem tanto. Eu gasto muito dinheiro quando vou em evento Geek, e não posso repetir a loucura que fiz.” respondeu e ela riu.
“Qual delas? Estourar o cartão ou alugar sua amizade no tinder e acabar tendo no seu pé sua vizinha quase bióloga que tem medo de morcego?” perguntou.
Aquilo fez Cascão gargalhar gostosamente.
“Acho que um pouco de cada, menos a parte da vizinha quase bióloga com medo de morcego. Até sonhei com morcego, mas isso não vem ao caso. Você tem que parar de achar que incomoda, Agnes.” falou.
A moça olhou para baixo com um sorriso.
“Ah… uma vida inteira com poucos amigos faz a gente pensar assim.” falou com sinceridade.
“Deve ser difícil mesmo, mas pense que agora você está diferente. Nos últimos dias então… nem se fala.” ele comentou.
“Você acha que mudei nos últimos dias?” a moça perguntou.
“Acho! Quando te conheci, você nem mesmo sentava perto de alguém, agora… você é até a rainha do beer pong que topou andar de skate. É lindo de se ver.” Cascão falou com sinceridade.
Os olhos castanhos do rapaz se encontraram aos esverdeados da moça por alguns segundos, sem proferirem uma palavrinha sequer, como se os olhares se comunicassem. Porém, foram surpreendidos por uma voz pré-adolescente.
“Cascão! Você trabalha na GGeek?!” foi perguntado. Eram Maria, Binho e Dudu.
“Fala aí, molecada! Só às vezes. A Agnes trabalha sempre.” respondeu, apontando para a loira em seguida.
“Então você conhece o Nik!” Maria falou.
“Sim.” ela confirmou.
“E como ele é no dia-a-dia?” Binho perguntou curioso.
“Normal. É gente como a gente.” respondeu.
“Sabe onde ‘tá agora?” Dudu perguntou.
“Lamento, eu não sei. Ele não ficou por aqui hoje, deve estar jogando.” a mais velha respondeu.
“Mas vocês ajudam a gente, e o grande ídolo de vocês, se comprarem alguma coisa! Deem uma olhadinha.” Cascão falou e os três começaram a olhar as mercadorias.
“Você é conhecido mesmo, hein?” Agnes comentou e o amigo riu.
“Nossa que vacilo! Nem te apresentei pra eles. A menina é a Maria Cebolinha, irmã do Cebola; aquele lá é o Binho, irmão da Milena; e o outro é o Dudu, primo da Magali, a que morava no teu apê antes de você.” apontou para cada um.
“Nem sabia que Milena tinha irmão! Cebola é sobrenome?” perguntou e ele riu.
“Não, a família deles que tem alguma coisa com Cebola. E você nunca perguntou pra Milena sobre a família dela?” perguntou.
“Não… é bem recente a gente se falando de fato. Tanto que ela e Mônica também não sabem nada sobre a minha.” a moça respondeu.
“Bom… oportunidade de assunto.” o rapaz sugeriu e ela assentiu.
“Essa Magali… você sempre fala dela. Ela… ela parece ser muito importante na sua vida.” comentou.
Cascão sorriu abertamente.
“Ela é uma das minhas melhores amigas. A gente fala de tudo, sem medo de julgamentos. Foi uma conexão bem instantânea, sabe? Diria que só perco pro marido dela, que ela diz até que são almas gêmeas.” comentou.
Agnes assentiu com um sorriso forçado.
“E… vocês já se envolveram?” perguntou e ele riu.
“Não. Eu já namorava quando a gente se conheceu e ela também. Só que não o cara com quem ela casou. Mas acho que até se fosse solteiro, não rolaria nada.” respondeu.
A loira não entendeu o motivo, mas respirou aliviada.
“E… você pensa em se envolver com alguém de novo? Que seu término parece ter sido… difícil.” entrou no assunto.
Cascão umedeceu os lábios.
“Eu já fiquei com outras pessoas em festas. Mas é diferente. Não é o tipo de pessoa que fica na cabeça. Mas, respondendo sua pergunta, eu não teria problemas em me envolver com alguém fora de festas. E você? Pensa em se envolver com alguém agora que tem saído um pouco mais?” perguntou com o olhar sobre ela.
Agnes engoliu em seco.
“Eu… eu não sei ao certo. Até que gostaria, mas… não depende só de mim.” falou com o olhar se perdendo no dele.
Os dois ficaram em um estranho silêncio, ao mesmo tempo que a distância entre eles parecia grande demais.
“Ér… gente?” a voz de Nik os interrompeu.
“Nikolas! Você… pensei que estivesse jogando.” Agnes disse enquanto passava a mão nos cabelos.
“Vim ver como estavam as coisas e liberar vocês pra comer, mas acho que interrompi alguma coisa.” comentou com um sorriso ladino.
“Não, a gente só ‘tava trocando uma ideia.” Cascão disse enquanto ia até os gibis.
Antes que falassem mais alguma coisa, ouviram um grito pré-adolescente.
“É ele, é ele, É ELE!” era Maria dando pulinhos ao lado dos amigos.
“Não acredito que a gente achou!” Binho disse eufórico.
“Sabia que vir na loja seria o melhor caminho! A gente é muito seu fã!” Dudu exclamou.
Enquanto os trêmulos e eufóricos mais jovens falavam com Nik, Agnes se aproximou de Cascão, mas não muito.
“A parte dos fãs surtando é sempre a mais legal.” comentou.
“Eu entendo eles. Pode ir lá comer, Agnes. Eu fico por aqui, certeza que mais desses vão aparecer e o cara sozinho não vai dar conta.” ele disse.
“Eu trouxe meu lanche de casa, é muito raro eu confiar em comida de shopping. Pode ir lá.” a moça negou.
Cascão riu.
“Ué, mas e aquele dia com seus pais?” perguntou e ela riu.
“Foi uma raridade. A propósito, eles perguntaram de você.” revelou.
“Mesmo? E o que você disse?” ele perguntou.
“Que ‘tava tudo bem.” respondeu e ele sorriu.
“Se precisar de novo, pode contar comigo.” assegurou.
Agnes riu.
“E pagar mais 100 reais? Ainda estou me recuperando financeiramente.” falou e foi a vez de ele rir.
“Eu não cobraria, não. Seria um prazer. Vou lá bater um rango, Nik.” piscou um olho antes de sair.
A loira ficou levemente desorientada, mas logo balançou a cabeça e começou a organizar os gibis.
Nikolas se aproximou após uma eufórica conversa com os jovens fãs, que saíram da loja com algumas sacolas e grandes sorrisos.
“Agnes, hormônios como endorfina, ocitocina, serotonina e dopamina te dizem alguma coisa?” perguntou.
A loira o olhou com um riso.
“Que são nomes difíceis de decorar. Mas o que quer dizer com isso?” perguntou.
“Não tenho nada a ver com sua vida pessoal, mas… acho que você gosta do Cascão.” supôs.
A moça soltou o ar pela boca e foi atrás de um de seus fiéis panos úmidos, a fim de limpar algum mostruário.
“Gosto. Que nem você gosta da Carmem… Não, da Carmem, não! Da… sei lá… Denise. Ou seja, como amigo!” comparou, fazendo o rapaz franzir o cenho.
“Eu gosto da Carmem de outro jeito?” perguntou e ela acabou rindo.
“Você sabe a resposta melhor do que eu.” respondeu.
Antes que dissesse algo, um rapaz loiro com uma blusa de frio nos ombros se aproximou enquanto olhava em volta. Nik tinha a impressão de já tê-lo visto, mas não sabia de onde.
“Então esta é a GGeek!” falou.
“Uma amostra dela.” Nik respondeu e o loiro o olhou surpreso.
“Ah, Nik, o geek está aqui! Eu adoro teus vídeos!” elogiou antes de se aproximar para um abraço lateral.
“Fico feliz em saber disso!” o gamer falou.
O rapaz se afastou um pouco.
“Amor! Ele ‘tá aqui! Acredita que consegui fazer minha noiva se interessar pelos seus vídeos? Ela é influencer também, você já deve ter ouvido falar.” comentou após chamar alguém.
“Depende do conteúdo, cara. Como ela chama?” o outro perguntou.
No mesmo instante, uma moça de compridos cabelos ruivos e olhos claros entrou. Assim que a viu, Nikolas arregalou levemente os olhos.
“Finalmente vendo pessoalmente o cara que sempre assistimos juntos! Uma selfie pra comemorar e direto pro insta’!” ela falou já abraçando o rapaz e pegando o celular.
“Amanda?” a voz de Carmem soou incrédula.
Todos olharam para a loira parada na entrada do estande.
“Carmem Frufru… você num evento geek?” Amanda comentou surpresa.
“Meu noivo gosta desse universo geek. Além disso, Nik é um grande amigo meu. Oi, Fábio.” mentiu o motivo enquanto se aproximava.
“Carmem.” o ex namorado respondeu.
“Ah, sim. Soube do seu noivado, parabéns. Já sabe quando vai ser o casamento?” a outra perguntou.
“Daqui alguns dias.” respondeu e a ruiva arregalou os olhos.
“Dias? Mas você anunciou há o quê? Um mês?” comentou.
Carmem acabou sorrindo.
“Pois é… acho que vou acabar casando antes de você.” comentou.
Amanda também sorriu.
“Realmente. O que fez você querer se casar tão rápido?” perguntou.
“Não sei como é seu relacionamento, mas às vezes o amor fala mais alto. Então pensamos: pra que esperar?” a outra respondeu.
“Que bom pra vocês. Pra mim, mesmo com a melhor wedding planner do mundo, fazer um casamento tão rápido tira a magia de pensar nos detalhes juntos e aproveitar esse momento gostoso antes de iniciar uma vida a dois.” disse segurando na mão do noivo, que sorriu para ela.
O olhar de Carmem se voltou para as mãos dadas e depois para a feição que um olhava para o outro. Naquele momento, percebeu algo: Amanda de fato nutria algo pelo noivo.
“Parabéns pelo noivado.” Nik se pronunciou, a fim de quebrar o silêncio que ficou após Carmem não dizer nada.
“Obrigada! Vamos, amor, temos mais lugares para ir. Foi um prazer te conhecer pessoalmente, Nik! E parabéns pelo casamento, Carmem! Espero que seja feliz.” Amanda desejou.
“Digo o mesmo.” Fábio disse saindo com a noiva.
A loira ficou estática, ainda processando o fato que Amanda não havia a provocado e muito menos se incomodado com a possibilidade de se casar depois, muito pelo contrário.
“Tudo bem?” Nikolas tocou-a no ombro ao perguntar.
A moça o olhou.
“Não sabia que vocês eram amigos…” comentou.
“Não somos. Pelo visto, eles são meus fãs.” respondeu e ela suspirou.
“Ela… ela não deu a mínima pro meu casamento ser antes do dela.” observou.
“Você esperava alguma outra reação?” ele perguntou.
Carmem suspirou.
“Sendo sincera… acho que não. Mas ainda imaginei que seria… diferente. Eu… eu vou embora. Tchau, Nik. Tchau, Agnes.” disse antes de sair rapidamente.
Nikolas observou a amiga se afastar, pegando seu celular no mesmo instante.
“Oi, Denise. Carmem não ‘tá legal, não.” mandou um áudio.
Agnes observava a situação enquanto se perguntava se estava no mesmo caminho que Carmem, não tendo coragem suficiente para seguir seus sentimentos.
“Endorfina, ocitocina, serotonina e dopamina… o quarteto da felicidade. E meu vizinho consegue liberar esses quatro hormônios...” balbuciou.
*
Já era início de noite quando, no palco do bar onde seria a apresentação, Milena terminava de fazer perguntas à banda. Haviam passado horas fazendo gravações no apartamento do rapaz e no teatro, decidindo finalizar no bar.
“O escândalo afetou a relação da banda?” ela perguntou.
“Sim! Não por acaso, a banda acabou. Mas, depois que voltamos a nos falar, acabamos voltando a tocar juntos.” Jeremias respondeu.
“Até nos chamamos de banda, mas não voltamos oficialmente.” Toni completou.
“E o que acham que impede esse retorno oficial?” a fotógrafa perguntou.
“Acho que a ideia da banda de Schrödinger deixou as coisas mais divertidas e a liberdade pra focar nos nossos próprios projetos individuais.” a loira respondeu.
“Podem falar mais desses projetos?” perguntou.
“Claro! Nós somos muito ligados ao teatro, mas a Isadora é bem mais, a ponto de cuidar de outras coisas relacionadas a isso; o Jeremias é um futuro engenheiro muito focado e com planos pro futuro; e eu sou modelo freelancer. Só o Do Contra que está integralmente na música.” Toni explicou.
“E o que vocês acham que mudou com o escândalo?” perguntou.
“Acho que nossa relação, a maneira que vemos nossa banda e, mais que tudo isso, o DC.” Isadora disse.
Aquilo surpreendeu o baterista.
“Que mudanças vocês acham que aconteceram?” Milena perguntou.
“Ele era muito rebelde sem causa.” Toni falou.
“Era mais fechado também. O cara se expressa bem com arte, mas a socialização era lamentável. Agora, ele parece mais sociável.” Jeremias disse.
“Era muito imaturo também e não pensava tanto nas consequências. Mas agora diria que ele amadureceu muito.” Isadora disse.
“Não sabemos se isso foi pelo escândalo, envelhecimento, o próprio mini doc ou forças externas que não vêm ao caso, mas o cara ‘tá muito melhor.” Toni completou.
DC sorria ao ouvir aquilo. No dia do escândalo, em meio a uma pesada discussão, haviam falado sobre essas características, então ouvir deles que as coisas haviam melhorado o deixava feliz.
Milena encerrou a gravação.
“Acho que temos bastante material. Bom… é isso! DC, eu queria fazer uma última gravação dentro de um carro, igual como foi a primeira. Eu tenho que ir devolver os equipamentos na Dream, então… quer ir comigo?” falou.
“É claro! Vocês terminam de arrumar as coisas aqui? Eu já volto.” falou e os demais assentiram.
“Pode demorar um pouquinho, cara. A gente entende.” Toni subiu e desceu as sobrancelhas, fazendo o amigo rir.
“Vale pros dois! Você tem que assistir um show como nossa convidada, Milena.” Jeremias acrescentou.
“Eu venho, sim. Mas preciso estar mais apresentável.” Milena aceitou enquanto chamava um carro.
Isadora a abraçou com um enorme sorriso.
“Lembrando que agora você faz parte da família, então vai em muitos shows e peças nossas. E cuida desse excêntrico, você realmente deixa ele mais felizinho.” sussurrou o fim.
“Eu devia estranhar ouvir isso da ex dele, mas não é estranho. O que vocês fizeram comigo?” respondeu e a outra riu.
“Caminho sem volta! Até depois, queridos. E os dois safados aí, temos muito o que fazer.” voltou-se para os outros amigos.
No uper, Milena pediu que DC olhasse para a rua, como se a contemplasse, igual fizeram no primeiro dia de gravação.
“Qual é o papel da vida na sua música?” perguntou.
O rapaz acabou rindo, a primeira pergunta dela havia sido sobre o papel da música em sua vida. Essa retomada fez com que todos os momentos das gravações passassem pela sua mente, soltando um sorriso singelo.
“A vida…” divagou antes de se virar para ela, fazendo suas lentes brilharem.
“Acho que essa é a pergunta mais difícil que você me fez. Quando alguma coisa dá certo ou errado, é a música que me consola, me alegra e me inspira. Então… minha vida é um amontoado de momentos musicais, talvez isso me faça tão do contra.” respondeu.
A moça sorriu ao encerrar a gravação. Assim que guardou o gravador e o microfone, acabou olhando para a câmera por alguns segundos.
“Tudo bem?” DC perguntou e ela o olhou.
“A gente se conhece há pouco tempo, DC. Mas tanta coisa aconteceu! Foi um trabalho muito difícil, mas…é estranho pensar que chegou ao fim.” desabafou.
O rapaz a abraçou pelos ombros, fazendo-a escorar a cabeça em seu ombro.
“Chamo de novo começo.” sussurrou.
No mesmo instante, o carro parou.
“Te vejo mais tarde.” ela disse.
“Vou te procurar na plateia.” disse antes de ganhar um selinho dela.
Assim que desceu do carro, Milena quase se assustou com a presença de Grózny. Para a sua sorte, o vidro do veículo era fumê, então não havia visto o que acontecera lá dentro.
“Oi, senhor Grózny.” cumprimentou e o mais velho, que fumava, soltou a fumaça.
“Deve estar feliz com o fim do mini doc.” comentou.
“Não vou dizer que estou 100% triste. Foi trabalhoso.” respondeu e ele riu.
“Espero que fique bom. Os pais dele são da alta sociedade e foram nossos clientes, um comentário negativo pode ser perigoso.” comentou.
“Eu sei. E pode esperar um trabalho à altura dos recursos disponibilizados.” respondeu.
“Acho bom mesmo. Boatos dizem que o Frufru anda insatisfeito com alguns funcionários. Então torça para não ser chamada na sala da gerência.” comentou.
“Vou torcer. Nunca estive lá, acredita? Até pensei em perguntar pra Narcisa como é. Soube que ela foi chamada lá depois do incidente com a equipe no dia do ensaio das bodas.” rebateu simples.
Grózny engasgou com a fumaça.
“Foi um mal entendido. Passar bem, Milena.” pisou no cigarro e saiu.
Milena riu enquanto entrava no prédio.
*
Mônica havia acabado de deixar o prédio da Dream quando resolveu comer fora de casa, estava com preguiça de cozinhar.
“Acho que comida japonesa é uma boa.” falou consigo mesma enquanto se direcionava até um restaurante japonês que gostava.
Ao entrar no estabelecimento cheio e escolher uma mesa, ouviu seu nome ser chamado por voz inconfundível.
“Que coincidência boa te achar aqui.” era Cebola.
A morena deu um sorriso amarelo.
“Pois é! Também ficou com preguiça de cozinhar?” perguntou.
“Não. É que acompanhei minha irmã no evento geek e meus pais acharam uma boa ideia aproveitar pra sair juntos. Vem cá! Quero te apresentar a eles!” fez gesto para que ela o seguisse.
A moça arregalou os olhos.
“O quê? Conhecer seus pais? Por quê?” perguntou.
“Eles disseram que queriam conhecer a pessoa que está cuidando do casamento. E… eu adoraria que eles te conhecessem. Vamos lá.” insistiu.
Mônica, sem jeito, aceitou. Ao se aproximar da família do rapaz, sentiu um estranho frio na barriga, como se estivesse conhecendo os pais de um namorado.
“Gente, essa aqui é minha wedding planner e grande amiga Mônica. Mônica, esses são meus pais, Cebolácio e Maria Cebola, e minha irmã Maria Cebolinha.” apresentou-os.
“Oi! É um prazer conhecê-los!” ela respondeu.
“O prazer é nosso! Está com alguém? Não? Sente-se conosco! Vou adorar conhecer quem realmente está fazendo tudo acontecer.” a mãe do rapaz convidou.
“Ah, não quero atrapalhar esse momento familiar.” a moça falou.
“Não atrapalha em nada. Sente-se!” o homem disse.
Mônica se sentou com eles e, como se fosse mágica, em poucos minutos, a conversa fluía tão bem que sentia conhecê-los há anos.
“Aí eu precisei improvisar um véu novo pra noiva. Vi que tinha uma dessas cortinas do mesmo tecido e falei pras decoradoras: vai ser isso mesmo. Felizmente, deu certo no fim. Mas a noiva ‘tava quase desistindo de casar.” contou uma história, fazendo os demais rirem.
“Já teve algum casamento que a noiva disse não? Meu sonho ver isso acontecendo!” Maria Cebolinha perguntou.
“Que coisa horrível, Maria!” o irmão comentou.
Mônica riu.
“Não, eu nunca vi. E prefiro não ver! Seriam meses de trabalho jogados fora!” respondeu.
“Demora tanto assim pra organizar um casamento?” a mais nova perguntou.
“Demora! São muitas etapas e não é um evento barato também, então tem que ser bem pensado.” respondeu.
“Muita coisa mesmo, ‘cê tá doido!” Cebola comentou.
“O que você acha da decisão desse rapaz em se casar em um mês?” o mais velho perguntou.
“Corajosa, arriscada e até mesmo maluca. A sorte deles é o orçamento elástico e influência da Carmem, do contrário… seria impossível. Mas isso não me impediu de sofrer com esse casamento, e olha que estou exclusivamente com eles.” ela respondeu.
“Não sabia que era exclusivo.” Cebola riu ao dizer.
“Cebola… se eu estivesse trabalhando em dois casamentos, eu já teria tido um piripaque há muito tempo!” respondeu, fazendo os demais rirem.
“Lidar com as frescuras daquela patricinha deve ser um desafio.” a mais velha comentou.
“Ah… ela até que é de boa, mas é bem desinteressada. Me dar liberdade em escolher é bom, mas muita… me complica. Porque aí vira meu casamento.” Mônica disse sincera.
“Você é casada?” a mãe do rapaz perguntou.
“Não. Eu sou solteira.” respondeu.
“Que pena que Cebola já está com um pé no altar, adoraria ter você como nora. Uma pessoa bem mais agradável que aquela lá.” o pai de Cebola disse sem pudores.
Cebola e Mônica se entreolharam constrangidos. Felizmente, um gritinho de felicidade de Maria Cebolinha roubou a atenção.
“O Nik curtiu o story que eu marquei ele! Eu ‘tô tremendo!” falou animada.
“Mônica, acredita que o objetivo de vida dessa daí era conhecer o Nik pessoalmente?” Cebola revelou rindo.
“Você conhece ele, Mônica?” ela perguntou.
“Ela já saiu com ele, Maria. Só que eu ‘tava lá no dia e acabamos jogando boliche juntos e ele ficou meio de lado.” Cebola falou com um sorriso convencido.
“Não me lembra disso, Cebola. Sinto vergonha até hoje.” Mônica falou.
Maria encarou boquiaberta.
“Você trocou Nik, o geek por isso?!” apontou para o irmão com desdém.
Mônica acabou rindo.
“Não foi de propósito. Eu cheguei a sair com ele de novo, mas… relacionamento com famoso é complicado. O assunto está bom, mas tenho que ir pra casa.” falou enquanto se levantava.
“Ainda é cedo!” a mais velha falou.
“Trabalhei o dia todo, estou cansada. A propósito, Cebola, o vestido da Carmem combina com seu terno. Você vai gostar. Obrigada, gente. Foi um prazer!” respondeu.
“A gente se vê, Mônica!” ele apertou a mão da moça, demorando no olhar.
Assim que ela foi pagar sua conta, a família do rapaz o encarou.
“Péssima escolha, hein?” o pai opinou.
“Como assim?” perguntou.
“A wedding planner é mais atenciosa que sua noiva.” a irmã falou e o rapaz suspirou.
“Nada a ver.” mentiu.
Mônica, por sua vez, foi para casa com um sorriso enfeitando os lábios. Havia gostado da família de Cebola.
“Quem me dera se realmente fosse um jantar com os sogros e cunhada…” comentou enquanto suspirava.
Ao entrar em casa, questionando-se como esqueceria Cebola, deu de cara com uma arrumada Milena.
“Uau! Rolê apocalíptico?” perguntou e a outra riu.
“Vou sair com o DC.” falou e a outra sorriu.
“Finalmente! Achei que esse dia não chegaria nunca!” exclamou.
“Tudo bem pra você, né?” perguntou.
“Tenha dó, Milena! Ele é todinho seu!” exclamou com riso.
“Obrigada. Mas 'tá tudo bem com você? 'Tá com uma cara…” comentou e a outra suspirou.
“Tentar esquecer alguém é difícil.” confessou.
“O Cebola te pegou de jeito, hein?” comentou.
“Tá tão na cara que é ele?” perguntou preocupada.
“Aquele dia na sala me deixou com uma pulga atrás da orelha.” a outra disse.
“Que péssima profissional que eu sou! Onde já se viu se interessar pelo noivo da minha cliente?! Se fosse um padrinho solteiro tudo bem, mas o noivo!” repreendeu-se.
“Mônica, não tem muito como controlar esse tipo de interesse, só o que faz ou deixa de fazer.” Milena falou.
“Não rolou nada entre a gente!” Mônica assegurou.
“Então você não é uma profissional ruim. O casamento 'tá chegando, logo você vai se envolver menos com o casal e seguir em frente.” falou.
“Espero!” Mônica exclamou.
Assim que a cacheada abriu a porta, Agnes entrou.
“Ah, meninas, Cascão pediu pra lembrar que amanhã de manhã ele joga no campinho perto da rampa e conta com nossa presença.” avisou.
“Eu já tinha esquecido. Vou nessa, meninas.” Milena disse saindo em seguida.
“Como foi trabalhar com o Cascão, Agnes?” a outra perguntou enquanto se sentava.
A loira arregalou os olhos.
“Normal, por quê?” perguntou.
“Nada. É que você estão bem amigos. Trabalhar com algum amigo é legal.” a morena disse.
“É… é bem legal. Eu vou tomar um banho, fiquei exposta a gente demais hoje.” falou e saiu rapidamente.
Mônica riu.
“O dia que ela perceber que gosta dele vai ser interessante.” comentou enquanto ligava a TV.
*
No show de DC, o baterista sorria quando olhava para a plateia e avistava os volumosos cachos de Milena balançando conforme ela mexia o corpo com a música.
Quando acabou, encarou seu reflexo no espelho por alguns minutos enquanto, nervosamente, ajeitava seu topete e brincos da orelha.
“É sério que você ‘tá nervoso em ter um “primeiro encontro” com a mina que você já fica?” Toni comentou de braços cruzados.
“Agora as coisas são diferentes, Toni.” falou.
“São melhores, não é? Que agora vocês não precisam mais se esconder do Grózny.” Jeremias comentou abraçado à namorada.
“Você tem medo daquele merdinha, DC?” a ruiva perguntou com um riso.
“Claro que não, mas o cara é supervisor dela. Iria ferrar pra ela.” respondeu.
“DC, relaxa e seja você mesmo. Ela já te aceita como você é, não tem com o que se preocupar. Agora vai lá, que ela 'tá linda e já deve ter urubu rodeando.” Isadora o empurrou.
O rapaz respirou fundo e foi até onde a moça tomava água, julgando pelo olhar galanteador do bartender, Isadora estava certa.
“Do Contra! Meu baterista favorito! Arrasou lá.” ela disse com um sorriso.
“Conhece quantos bateristas?” perguntou se sentando ao lado dela e ela riu.
“Só você, mas é meu favorito.” falou e ele riu antes de beijá-la, fazendo com que seu nervosismo sumisse um pouco.
“Geralmente, a gente só se beija no fim do primeiro encontro. Isso se tiver beijo.” ela comentou.
“Digamos que este é diferente.” riu ao dizer.
“O que pensou pra hoje?” perguntou.
Antes que falasse algo, seu celular vibrou.
“Minha mãe me ligando? Raridade.” comentou.
“Atende. Pode ser importante.” a moça falou.
“Alô! O quê? Por que não pede pro Nimbus? Não sei onde ele ‘tá! Eu não ‘tô em casa, e nem sozinho… Ah... tá bom. Mas não vou ficar muito. Tchau.” falou.
“Tudo bem?” a cacheada perguntou.
“Meus avós estão fazendo um bingo. Meus pais vão ter que furar pra ir num evento de negócios e o Nimbus, como sempre, sumiu. Então pediram que eu fosse, pra ter pelo menos alguém da família. Topa ir comigo?” convidou.
Milena riu.
“Um primeiro encontro num bingo? Acho que pode ser divertido.” falou e ele sorriu abertamente.
DC não visitava muito os avós, mas adorava observar as casas todas iguais e minimalistas perdendo espaço para menos parecidas e cheias de detalhes.
“Não sei o que você vê de tão especial nessas casas. Elas são normais pra mim.” ela comentou.
“Depende com o que você compara. Eu comparo com aquelas todas impessoais do bairro Limoeiro, então essas ganham mais personalidade.” explicou.
“Por isso você mora num prédio antigo?” perguntou e ele riu.
“Está começando a me entender.” piscou um olho e ela riu.
Os avós de Do Contra eram bem diferentes de seus pais, pareciam menos sisudos e mais animados. Tanto que quando viram o neto, abraçaram-no calorosamente.
“Mauricinho! Que saudades estava de você!” a avó falou.
“Lembrou que tem avós, rapaz?” o avô perguntou.
“As coisas andaram corridas. Essa aqui é Milena, minha… bom…” não soube como definir.
“Sou amiga do Maurício. É um prazer conhecê-los! Então vocês que tinham o bar?” ela falou com um sorriso.
Eles se surpreenderam.
“Ele te disse sobre o bar? Novidade! A família odiava tanto…” o senhor explicou.
“Eu nunca odiei.” DC ressaltou.
“Depois conversamos sobre isso. Vamos jogar o bingo! Está valendo várias coisas, inclusive uma travessa linda.” a senhora disse.
“Estou sentindo que vou pra casa com uma travessa linda.” Milena disse.
“Meu neto está aqui hoje, então é meu dia de sorte.” a mais velha disse rindo.
“Posso te emprestar a travessa algum dia, Milena.” DC disse e ela riu.
“Digo o mesmo, Mauricinho.” piscou um olho um tanto provocativa, o que fez o rapaz olhar diretamente para seus tão amados lábios pintados de vermelho.
Os avós sorriram cúmplices, mas não disseram nada.
Em meio à demora do início, a mais velha puxou assunto com a moça.
“Como vocês dois se conheceram?” perguntou.
“Eu sou fotógrafa. Fiz um trabalho com ele e acabamos nos tornando amigos.” respondeu.
“E você é solteira? Porque meu neto é.” perguntou e ela riu.
“Estou na mesma situação que ele.” respondeu.
“E já pensou em dar uma chance a ele? Quando um rapaz olha daquele jeito pra uma moça, alguma coisa tem ali.” comentou.
Milena riu e olhou para o rapaz, que também a olhava.
“Pra mim não é problema nenhum.” falou.
DC, por sua vez, estava ao lado do avô.
“Maurício, o erro de vocês jovens é achar que nunca tivemos essa idade.” falou do nada.
“Do que está falando, vô?” o jovem perguntou.
“Milena é sua namorada e por algum motivo estão com vergonha de dizer.” afirmou.
“Ela não é minha namorada ainda.” respondeu.
“Ainda? Está esperando o que então?” mais velho perguntou.
DC a olhou novamente.
“Até um cara emocionado precisa ir com calma.” falou.
“Se eu tivesse tido calma, um homem sem calma teria se casado com sua avó. Ela é uma moça bonita, deve ter outros rapazes de olho.” comentou.
“Não vou mentir, tem mesmo. Mas eu sei o que estou fazendo.” garantiu.
“Só não demora muito, Maurício. Você claramente está apaixonado. Se quer esconder isso dela, está falhando.” aconselhou.
O rapaz sorriu para a moça, que sorriu de volta.
“Não faço questão nenhuma de esconder.” falou.
Após algumas partidas, a sorte de fato estava do lado de Milena, que conseguiu ganhar a tão desejada travessa de porcelana com o fundo decorado.
“BINGO! Eu disse que a travessa iria pra casa comigo. Qualquer dia te convido pra comer lá em casa e farei questão de usá-la, DC.” ela disse vitoriosa.
“Eu vou adorar conhecer tua casa. Posso até levar essa maçã do amor que ganhei.” falou sem pensar, levando um tapa de sua avó.
“Maurício! Que safadeza é essa?!” repreendeu.
“Não foi nesse sentido! Mi, você quer ver o bar?” ele perguntou.
“Eu quero. Pena que estou sem minha câmera.” aceitou.
“Vai ter que usar só os olhos dessa vez.” falou esticando a mão para ela pegar, algo que ela fez.
“Essa molecada acha que engana alguém! Vamos acompanhar vocês. Sou muito jovem pra ser bisavó.” a mulher comentou.
“Vó!” DC exclamou e ela deu de ombros.
“O bar ainda funciona?” Milena perguntou.
“Funciona, mas ele foi vendido. A família nunca viu com bons olhos termos empresas grandes e um bar de esquina. Então acabamos desanimando.” o avô respondeu.
“Ah… que pena. E ele mudou muito?” perguntou.
“Não, o comprador deixou do jeitinho que sempre foi. Até os bêbados são os mesmos.” a mais velha riu ao dizer.
O bar ainda estava aberto e cheio. Era um bar bem parecido ao que havia ido com DC fazer o ensaio, que parecia trazer muitas lembranças aos três familiares ali presentes.
A moça pôde observar o olhar nostálgico do rapaz e o um tanto melancólico dos mais velhos.
“Meu neto 'tá aqui hoje. E trouxe a namorada.” o avô disse alto para o novo dono, que limpava um copo americano.
“Namorada? Mas seu neto não era…” comentava.
“É o outro, Zé!” a mulher exclamou.
“Ah, sim. Aposto que nunca esteve num bar desses.” o atendente perguntou a Milena.
A moça riu.
“Quando saio com uns amigos e queremos preços mais baixos, vamos em um parecido com este.” respondeu.
“Não consigo imaginar os meninos frescos do Nimbão num bar assim.” riu ao dizer.
“Estou em um agora.” DC falou risonho.
Os mais velhos começaram a conversar entre si e DC a puxou para fora, de um lado onde não tinha ninguém, onde se sentaram no meio fio.
“Você não vem visitar seus avós com frequência, né?” ela perguntou.
“Quando eu larguei a faculdade pra mexer com música, eles me disseram coisas bem pesadas. Então eu dei uma sumida.” revelou.
“Sinto muito.” ela disse.
“Não… eu não guardo rancor. Só da mulher que me deu a maçã do amor como prêmio, ela até sabe nem gosto de doces.” o rapaz falou.
“Quer dividir ela comigo? Adoraria adoçar a boca.” a moça perguntou.
DC sorriu sapeca.
“Quer trocar pela travessa?” perguntou e ela riu.
“Sonhe com esse dia, Maurício.” mandou um beijo.
O rapaz riu e tirou a embalagem da maçã do amor.
“Pode ficar. Eu realmente não gosto de doces.” entregou.
Milena deu uma mordida.
“Docinha e um pouco grudenta.” comentou.
O rapaz lambeu os lábios.
“Deixa eu provar?” perguntou e ela aproximou a maçã, porém o rapaz a beijou na boca.
“Devia ter suspeitado!” exclamou e ele riu, fazendo ela rir também.
“Encontro sem beijo não é muito divertido.” o moreno falou.
“Então me dá outro.” Milena pediu e ele sorriu abertamente antes de juntar novamente os lábios aos dela.
Não muito longe, os avós do rapaz os observavam sorridentes.
“Os pais dele vão ficar felizes em saber disso.” a avó disse.
*
Enquanto isso, Agnes via as horas passarem e suas oito horas de sono diminuírem. Seus pensamentos se voltavam tanto para seu vizinho que não conseguia dormir.
“Acho que vou fazer um chá!” deixou sua cama.
Na cozinha, enquanto preparava a bebida, ouviu seu celular vibrar na bancada e franziu o cenho ao ver quem era.
“Sofia? Aconteceu alguma coisa?” atendeu a ligação.
“Estou no seu prédio com uma ótima notícia.” falou.
“Vou abrir e você sobe. Não vou trocar meu pijama, não.” respondeu e liberou a entrada.
Não demorou para ouvir duas batidas na porta.
“Sofia, achei que seus sábados à noite fossem mais agitados.” falava enquanto abria a porta.
Ao abrir de uma vez, duas vozes soaram.
“Surpresa!” exclamaram.
A loira abriu a boca e arregalou os olhos incrédula com quem estava em sua porta ao lado de Sofia.
“Penha?!” exclamou.
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