Almas Trocadas? Oh, não!
4 Capítulo 3 - O que aconteceu?
Notas iniciais

Almas Trocadas? Oh não!
Teylla
Capítulo 3
Lucy começou a ficar sonolenta, mas estava se segurando para não dormir, porém pelo que ela tinha visto lá fora seria muito difícil chegar em casa rápido, estava um engarrafamento do inferno. Natsu olhou para ela.
— O que você quer? — Lucy percebeu e virou-se falando.
— Nada, eu só estou te encarando — Natsu respondeu sorrindo cinicamente.
— Hm. — Lucy voltou a olhar pela janela.
Natsu folgou a gravata e logo seu telefone começou a tocar novamente.
— Alô? — atendeu tranquilo. — Por quê insiste tanto nesse assunto? — Encostou a cabeça no banco. — Eu já disse que não quero. —Balançou a cabeça em sinal de negação. — Já escolhi os personagens com a Lucy, não preciso de ajuda sobre isso. —Passou a mão nos olhos. — Não quero saber, eu não a quero trabalhando em minha emissora. —Ficou um pouco irritado. — Não importa, logo eu a herdarei, e sei que o velhote também não concordaria, e pare de me ligar para falar sobre esse assunto, já disse o que eu achava e acabou, tchau. — Natsu desligou o telefone e jogou em cima do banco.
Lucy parecia estar estudando-o, pois sempre alguém ligava para ele e o mesmo se estressava. Mesmo não sendo de sua conta queria saber e estava realmente muito curiosa, todavia resolveu não perguntar nada, afinal, não gostava dele e apostava que ele também não gostava dela.
— O que é que você tanto fica me encarando? — Natsu perguntou folgando mais ainda a gravata por conta do estresse.
— Bom... — Lucy pensou em perguntar, mas hesitou. — Nada demais – respondeu sorrindo.
— Você deve estar querendo saber quem é que tanto liga não é? —perguntou com um ar de tranquilidade encarando a loira.
— Bem... Não. — mentiu com medo da resposta, ela não queria brigar com ele agora, estava com muito sono e vai lá saber o que a mesma faria.
— Bom, que pena, eu estava pensando em te contar, mas já que você não quer saber né... — disse olhando para a janela e fazendo um sorriso.
— Bom, pensando bem... Não tem nada demais querer saber não é? — falou indo para o lado dele interessada.
— Tarde demais, não quero te contar mais nada. —Natsu sorria escondido da loira, achava divertido brincar com ela.
— M-Mas... — Lucy fez bico e ele olhou.
— Tá, tá. —disse encarando-a. — Um dos nossos empregados está querendo colocar uma atriz na nossa emissora, porém eu não estou nem um pouco afim de colocá–la, por alguns motivos pessoais, e eles insistem já que ela está fazendo muito sucesso na sua emissora Lucy.
— Minha emissora? —perguntou surpresa, não sabia quem poderia estar fazer sucesso lá. — Não lembro de ninguém estar fazendo sucesso por agora, mas, bom, deixa pra lá.
— Se você não quer saber tudo bem. — Olhou para fora pra ver a movimentação, e fazia uns 30 minutos que o carro não saia do lugar, resmungou. – Que caos está acontecendo hoje, já não basta essa chuva, o engarrafamento está terrível, como isso é possível?
— Acontece ué. —Bocejou, e passou alguns minutos tentando ficar acordada mas não deu muito certo, pois logo estava dormindo, Natsu percebeu e a olhou.
— Como ela consegue dormir nesse toró? Não creio nisso. — Ficou fitando-a enquanto ria das expressões que Lucy fazia enquanto dormia, o carro começou a andar novamente e ele deixou escapar uma aleluia em pensamento, mas logo resmungou pois o carro pareceu passar por cima de um quebra-molas meio despedaçado, fazendo a loira cair em cima dele, mas a mesma pareceu não perceber e continuou dormindo tranquila. — Como ela não acordou? Que merda! — Os peitos dela encostaram em seu peitoral juntamente com a cabeça, Natsu ficou sem se mexer, xingava mil coisas em seu pensamento.
— Mas que merda, o que eu vou fazer agora? – continuou e fitou Lucy e viu como estava dormindo tranquilamente e resolveu deixar mesmo odiando-a, ninguém merece ser acordado quando está cansado, e ele imaginava isso, principalmente depois de esperar na chuva, seria melhor se ela descansasse mesmo.
Decidiu consertá–la para deixá-la mais confortável, e acabou meio que abraçando-a sem jeito.
— Por que diabos eu quis levá–la para casa mesmo? — resmungou pensativo.
— Hn... – Lucy se aconchegou mais no rosado que não gostava nada.
Natsu pegou o telefone e ligou para alguém para pedir algumas informações, discou o número do motorista e começou a falar algo importante.
— Papai, eu sinto tanta a sua falta... — Lucy murmurou enquanto dormia e o rosado a olhou sem entender, achando que era uma brincadeira da loira, mas ao perceber que a mesma estava diferente, suando frio percebeu que não era, ele tirou o paletó e cobriu a Heartfilia, e logo a garota começou a relaxar. — Unf. – Natsu olhou para o lado.
Algumas horas depois, o carro parou e o motorista abriu a porta.
— Chegamos Presidente. — O rapaz falou se afastando da porta.
— Hm, certo. — Natsu acordou a loira.
— Hm, o que houve? — Ela não tinha se levantado ainda, e nem aberto os olhos, mas ao sentir o abdômen de Natsu, logo os abriu e bateu a cabeça no queixo dele. — S-seu tarado! —Ao notar sua posição, corou.
— Você cai em cima de mim, e a culpa é minha? — Natsu perguntou se alterando.
— C-claro que sim! Você tentou me tarar, com certeza deve ter sido isso. —respondeu se acolhendo no paletó do rapaz, que por hora não tinha notado. — Oh meu Deus, o que seu paletó tá fazendo aqui? — Pegou o paletó e jogou de volta ao dono.
— Oh, claro, com certeza eu queria te tarar, pois você é tão sexy, tão linda — disse em um tom irônico.
— Idiota! — Revirando os olhos.
— Olha quem fala, e chegamos na sua casa só pra te avisar. —disse apontando para fora.
—Sério?
— Por quê diabos eu mentiria sobre isso? — Natsu revirou os olhos.
— Não sei, vai que você queria me tarar? Poderia me fazer sair do carro e me sequestrar, nunca se sabe. — falou tentando passar, mas estava difícil, pois Natsu bloqueava a saída.
— Como é que é? — Natsu empurrou–a no banco, fazendo-a sentar–se novamente. — Não seja tão convencida garota, eu não teria tais motivos para isso. — falou se arrependendo de ter tratado ela com algum tipo de afeto, ela era uma maluca, e era nisso que ele acreditava. — Você é louca, não acredito que terei que trabalhar com você por mais de um ano, isso será insuportável.
— Não sou convencida, e me desculpe por isso, se você não quiser que eu participe, é só falar sabia? —disse empurrando o rapaz para fora do carro e passando por cima dele, continuou andando pelo gramado de sua casa, parou no meio e deu língua pra ele.
— Oe! – tentou continuar a falar, mas não deu tempo pois a loira já tinha entrando, e na altura do campeonato trancado a porta. — Mulher maluca. — Se levantou e bagunçou um pouco o cabelo, percebeu que os vizinhos dela estavam todos bisbilhotando e tirando fotos. — Droga! — Entrou com tudo dentro da limusine. — Vamos pra casa. —ordenou olhando para a paisagem a fora.
— Certo presidente. — O motorista afirmou ao pisar firme no acelerador e indo embora do local,por sorte as pistas estavam livres, evitando mais transtornos, a chuva já tinha parado, mas estava na cara que choveria ainda mais hoje.
— Péssima ideia minha de oferecer uma carona, tenho que me lembrar de nunca mais fazer isso — ficou resmungando.
O carro freou bruscamente, fazendo Natsu quase voar para frente.
— O que aconteceu? — perguntou ao sair do carro para ver o que tinha acontecido.
Uma velha estava atravessando a rua lentamente com o seu cachorro.
— Precisa de ajuda? — Natsu perguntou segurando a idosa e a fazendo atravessar mais rápido.
— Oh, obrigada meu jovem. Hihi. — A velha deu uma risada sinistra, e meio maléfica, o rosado estranhou mas optou por deixar pra lá, entrou no carro novamente e o motorista voltou a dirigir.
— Estranho, estou me sentindo tão sonolento. — Passou a mão na cabeça e segurou o sono, pois não dormiria no carro.
– — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — -
Lucy ao entrar em casa, ouviu alguém bater na porta e pensou que era Natsu.
Abriu a porta violentamente.
— O que você quer ameba? — perguntou e ao perceber que não era ele, e sim uma idosa ficou corada. — Oh, me perdoe, eu pensei que era um imbecil que tinha vindo me procurar.
— Nada minha jovem. Você poderia por favor, me arranjar um copo d’água? — A velha pediu sorrindo.
— Claro, espera só um instante que eu vou buscar tá? — Lucy foi para a cozinha, pegou um copo com água e entregou a velha, segurando em sua mão para não deixar o copo cair.
— Obrigada minha jovem. — A velha saiu dando uma risada maléfica e Lucy fechou a porta assustada, colocou o prato na pia e se dirigiu para o banheiro, estava muito cansada e com muito sono.
Se jogou no chuveiro, tentando relaxar, e ficar acordada pois ela tinha que terminar de escrever, mesmo que o sono estivesse falando mais forte, a água fria não estava a ajudando, e isso estava deixando ela irritada.
— Eu não posso dormir, eu não posso dormir — murmurava para ela mesma, ao terminar o banho, ela se vestiu e ficou com a toalha para secar o cabelo molhado, pegou uma carta que estava em cima da bancada onde ficava a pia. — Que estranho, não lembro de ter posto essa carta aqui. — Secava o cabelo com uma mão, e com a outra revirava a carta.
A loira parou de secar o cabelo e começou a rasgar a carta meio surpresa.
– — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — -
Natsu chegou em casa já tirando a camisa e jogando-a na cama, foi logo tomar um banho bem frio, pois não podia dormir já que tinha trabalho demais para fazer, como ler o roteiro completo da Lucy, e ver o que poderia ser melhorado.
Ligou o chuveiro e se afastou um pouco por conta da água gelada, logo ficou de corpo todo embaixo dela.
Ele ainda estava revoltado com o ocorrido um tempo atrás, ficou incrédulo em saber que ela o considera um pervertido ou coisa pior.
— Como eu já tinha pensado, ela é muito maluca, só pode — Natsu resmungou.
Natsu terminou de se banhar e pegou uma toalha, enrolando-a na cintura, passou pela bancada onde tinha alguma coisa que ele optou por ignorar. Foi para o quarto secando o cabelo com outro pano, abriu o guarda-roupa e pegou uma calça de dormir, vestiu-a enquanto voltava para o banheiro, estendendo a toalha no lugar certo.
Foi até o espelho, quase sem entender o porquê e viu uma carta em cima da bancada, estranhou inicialmente pois seus empregados deixam esse tipo de carta na mesa de baixo, então por quê diabos estaria aqui em cima? Pensou desconfiado.
Começou a revirar a carta, tentando ler quem tinha escrito, mas nada, não tinha nada escrito. A chuva estava voltando, bem fraquinha, mas estava, e a casa de Natsu começou a fazer um frio enorme, segurou o papel e foi para o quarto, onde ligou o aquecedor.
Natsu abriu a carta curioso.
– — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — -
Lucy ficou estranhando o que tinha na carta, e o Natsu também, eles começaram a ler em voz alta ao mesmo tempo.
“Não deixe o ódio consumir seu coração, você não ganhará nada com isso, pode acreditar, espero poder ajudar vocês pelo menos com isso, e me redimir aos demais que eu já fiz sofrer.
Você é jovem, não deveria desperdiçar a vida odiando o provável par da sua vida, antes de falar mal do homem/mulher que poderá ser o seu tão esperado par especial, comece a sentir o que ele/ela sentiu, o que o/a mesmo/a passou, e o que ele/ela vive, pois pode ser muito difícil sabia?
Então repita isso, em voz alta.
“Volo sentire omnia/sentit, etiam si accipit diu sentire et iterum quod sentio, nisi iam mutari non potest contingere sedes tam familiaris osculans manum tenens.”
(“Eu desejo sentir todas as coisas que ele/ela sente mesmo que dure por muito tempo, e na hora certar voltar a sentir o que eu sinto, só posso voltar ao meu lugar se ficar de mãos dadas com ele/ela ou qualquer toque intimo, e por principal selar um beijo.“).
Espero poder ajudar vocês em muito breve. “
— Mas que coisa mais idiota é essa? E isso é latim? — Natsu e Lucy se perguntaram.
Começou a trovoar e Lucy tremeu um pouco de medo, deixou a carta em cima da bancada e optou por ignorar aquilo, pensou na proposta do cara mais cedo, pedindo para ela fazer uma novela em que ela era a protagonista, então pensou logo em escrever algo, mesmo não atuando, poderia deixar outras atrizes em seu lugar.
Começou a escrever por alguns minutos.
“Estava tudo escuro por dentro e um silêncio interminável, e fora as luzes piscavam, o barulho era imenso e sei bem disso, tinha pouco tempo para fazer essa missão, e não podia falhar, já que se algo acontecesse eu seria morta, comecei a caminhar silenciosamente, evitando fazer barulho.
Agarrei com mais força o saco que estava segurando e dei uma cambalhota para tomar cuidado com o raio lazer, que por sinal eram vários.
— Droga, isso está cada vez mais difícil — murmurei ao me deparar com outros raios lazeres, um por cima do outro, impossibilitando minha passagem com o saco, respirei fundo e joguei a bagagem cuidadosamente para o outro lado, meu coração bateu mais forte com medo, e logo suspirei de alívio, agora era minha vez.
Dei um duplo carpado de costas para desviar, e sem querer quase encostava em um, respirei fundo e comecei a correr, parei em cima do prédio, onde estava ventando bastante, a cidade brilhava, vários cassinos, bordeis, bares estavam abertos, mas também havia muitas casas com luzes acessas, empresas com piscas piscas na frente, na minha opinião era uma das melhores visões que uma pessoa poderia ter.
Logo o museu se daria conta do que eu roubei, mas tudo bem, a minha vida sempre foi assim, por causa de minha mãe que morreu cedo, e o meu pai tinha fugido, ou pelo menos era o que eu achava... Já que minha mãe nunca falou sobre ele para mim.
Depois de tudo isso, tive que me virar, sei que roubar não era uma escolha sábia, mas foi tudo o que pude fazer... Eu esperava que não demorasse tanto o amanhecer, eu adorava a visão do nascer do sol, era algo incrível, principalmente de onde eu estava.”
Mas a loira logo parou de escrever, pois o sono estava deixando-a meio tonta, quase fazendo-a desmaiar ali mesmo.
– — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — -
Natsu quase jogava a carta fora, mas optou por deixá–la ali, veria depois o que significava aquilo, pois não estava afim de traduzir, o sono não deixava. Foi até a maleta e retirou o roteiro dali, e começou a lê-lo andando pela casa quando um trecho lhe chamou atenção.
“—Bela ruiva, permiti–me a honra dessa dança? — Um rapaz alto, com cabelos castanhos estendeu a mão para Nami.
— Não — Nami respondeu seca o que deixou o cara com o queixo no chão.”
— Ela realmente escreve bem, droga — resmungou enquanto se acabava de rir ao ler aquele trecho. — Parece que ela se inspira nos atores que ela gosta huh... — murmurou ao lembrar da felicidade da loira ao contar que Nami e Luffy seriam os atores da novela.
O rosado decidiu deitar, pois já não estava aguentando ficar acordado.
– — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — -
Lucy levantou-se, e deitou na cama, se cobriu rapidamente ao ouvir trovões, Natsu também tinha ido se deitar, e ligou o ar, desligando o aquecedor, os dois dormiram com os trovões fazendo bastante barulho, mas eles não acordaram, talvez o sono estivesse profundo demais, logo uma luz amarela ficou em volta dos dois, fazendo-os flutuar.
A luz ficava cada vez maior, e algo dentro deles saia e ia para outro lugar, assim que a luz sumiu os dois caíram lentamente na cama novamente, e não acordaram, o que era estranho pois qualquer pessoa já teria acordado.
“Espero que vocês cuidem um do outro, assim como fizemos.” Alguém sussurrou no ouvido dos dois.
O dia apareceu, e o céu estava todo limpo, parecendo que o dia chuvoso de ontem não tinha nem existido, os pássaros começaram a cantar fazendo Lucy despertar, a mesma levantou ainda com os olhos fechados, a coberta de seda foi caindo lentamente aos seus pés, algo no meio das pernas dela estava incomodando-a, mas ela preferiu verificar isso depois.
“Coberta de seda?” Lucy pensou confusa e logo abriu os olhos, ficou surpresa ao ver que estava coberta com algo de seda, deixou no chão mesmo e foi descendo as escadas ainda sonolenta sem enxergar nada, recorreu a cozinha para preparar um café.
Chegando lá, abriu o armário e puxou o pote de café — ou foi o que ela tinha pensado.—, um copo de vidro aparentemente caríssimo caiu no chão fazendo um grande barulho.
— O que esse copo de vidro estava fazendo aqui? — Lucy perguntou confusa.
A empregada veio correndo para cozinha.
— Natsu-sama, o que houve? — A empregada parou na frente do copo de vidro quebrado e o encarou confusa, Lucy ficou sem entender do porque a mulher a ter chamado de Natsu, e o que ela estava fazendo lá.
— Eu não sou o Natsu, eu sou a Lucy. — falou com a maior normalidade do mundo, como se aquilo fosse óbvio.
— Ah... — A empregada começou a rir. — É mais uma daquelas suas atuações não é? — ria mais ainda. — Mas dessa vez, você pegou pesado, imitar uma mulher? Tudo bem, vamos atuar. — A mulher gargarejou. — Lucy-sama, o que você quer?
— Mas eu realmente sou a Lucy... — tentou explicar.
— Certo Lucy-sama, o que você quer? — perguntou.
— Eu apenas vim fazer um café — Lucy respondeu simples.
— Não se preocupe... Lucy-sama, eu farei para você. — Preparou o café, e quando estava pronto entregou uma xícara para Lucy. –Aqui.
— Obrigada — agradeceu e subiu correndo com a xícara de café, estava tudo diferente para ela, os cômodos, objetos, tudo! E ela não tinha empregada, a loira entrou no quarto trancando-o. — Oh meu Deus, como assim aquela louca me chamou de Natsu? — Lucy perguntou para ela mesma bebericando o café.
Pôs a xícara em cima da peça e foi em direção ao banheiro, e assim que se olhou no espelho deu um belo grito, que dessa vez tinha saído com a voz grossa, não havia percebido isso antes, talvez por estar com sono ainda, na mesma hora ela se bateu na parede assustada encarando-se no espelho. Começaram a bater na porta loucamente perguntando o que tinha acontecido.
— N-nada! Eu só estava treinando minha voz da masculinidade, porque eu não sou uma menina, eu sou um homem! — Lucy falou tentando disfarçar e começou a gritar com um to mais grosso, logo depois pararam de bater na porta.
Começou a ficar apertada, a mesma queria fazer xixi, o que estava sendo impossível para ela, a mesma percebeu que estava de calça e decidiu abaixá-la, e viu algo esquisito, ficando meio enojada.
— Droga! O que aquele demônio fez? Por que estou no corpo dele? — choramingava, pois queria fazer xixi, já que estava bem apertada. — Por que diabos eu tomei café? — começou a resmungar.
– — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — -
Natsu acordou com o despertador.
—Mas que diabos? Quem colocou esse despertador no meu quarto? — falou coçando os olhos, ele sentiu algo pesado acima da barriga, mas pensou ser o cansaço, foi ao banheiro, abaixou o short.
— Short? O que é isso? Que brincadeira de mau gosto é essa? — disse olhando para o pedaço de roupa que estava no chão.
Virou-se e deu de cara com o espelho, deu um grito baixo, e logo sorriu maliciosamente.
— Peitos huh... Nada mal. — disse tocando nos peitos que estavam nele, depois, encarou direito o espelho. — M-Mas que diabos?! O que eu estou fazendo no corpo desse demônio loiro? O que aconteceu?! O que aquela coisa fez comigo? Jogou alguma macumba ou algo do tipo?! É meio óbvio que não. — Sentou-se no vaso e foi tentar fazer xixi, no começo ele achou estranho mas se acostumou, é claro que ele tinha gostado de ficar com um corpo feminino, era tudo o que queria.
Se enxugou e pôs o short novamente, desceu as escadas em busca da cozinha e viu como a casa dela era toda arrumada.
—Até que a demônia loira é arrumada. —Chegou na cozinha e preparou tranquilamente o café, o pôs na xícara e começou a tomá–lo, ao terminar colocou na pia e subiu para tomar banho. Tirou a roupa e entrou no box. — Nossa, ela realmente tem um belo corpo, não dá nem pra ver com aquele monte de pano que ela usa, que desperdício! — Natsu resmungou, ligou o chuveiro e se jogou dentro da água.
Ao terminar ele voltou-se para frente do espelho.
—Cara que legal! Peitos! — disse feliz.
Mesmo que fosse tentador ele não queria ficar nesse corpo, abriu o guarda-roupa e ficou desanimado ao ver quanta roupa brega reunida em um só lugar. — O que eu faço? —Pegou umas roupas e jogou em cima da cama. Decidiu cortar uma saia longa, e uma blusa esquisita. — Pronto! —agarrou a roupa e a vestiu.
O celular da Lucy começou a tocar.
— Lucy? — Uma voz de homem foi escutada do outro lado da linha.
—Não aqui é o N... — parou e lembrou que estava no corpo da Lucy e fez uma voz mais fina. — Aqui é a Lucy sim.
— Pois bem Lucy, quero que você venha agora para a emissora, estamos te esperando para fazer o episódio de hoje, então não demore! —disse calmamente.
—Mas que emisso... — Na hora que ele ia terminar o outro homem desligou na cara dele. — Mas que falta de educação. — Qual emissora ela trabalhava mesmo? Dofl? Dful? Dadlye? Isso, acho que era Dadlye.
– — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — -
— Ele tinha motorista não é? Vou passar em casa agora e buscá–lo, aquele viado, o que ele fez? — Lucy resmungou, e riu com a voz grossa que saia dela, pegou uma calça social, blusa social e uma capa preta com veludo e saiu porta a fora. — O motorista já está lá fora? — perguntou com medo.
—Eu irei avisá–lo que você quer sair — A empregada disse se retirando.
—Sim, por favor — retrucou tentando agir como o Natsu.
— Pode ir. — Alguns minutos depois a mulher apareceu.
—Obrigada. — falou.
—Ainda está fingindo que está imitando a Lucy-sama, Natsu-sama? — A empregada sorriu, e Lucy percebeu que falou “obrigada” em vez de “obrigado”.
Riu nervosa.
—Oh, sim, sim, ainda bem que me lembrou tenho que parar com isso — gritou e a empregada a olhou assustada. — Tô testando minha masculinidade. Isso ai. — disse piscando para a empregada que quase desmaiava no chão, a loira correu para fora onde uma limusine a esperava.
— Para onde você vai presidente? — O motorista perguntou .
— Lembra onde você me deixou ontem? Então, é lá! —respondeu tranquila.
— Ontem eu te deixei na empresa presidente. —disse confuso.
—Oh, onde deixamos aquela mulher! — consertou-se.
— Ah sim —confirmou e Lucy entrou na limusine, o carro logo começou a agir.
O carro parou e Lucy — Natsu — estava saindo de casa, a limusine parou e o rosado — Lucy — saiu correndo empurrando a garota para dentro de casa.
— O que você fez seu demônio? — Lucy perguntou abismada.
— Eu que te pergunto, e que roupa mais cafona é essa? — Natsu perguntou se olhando de cima abaixo.
— É a melhor que você tinha —respondeu revirando os olhos e tocou na mão do rosado sentindo um formigamento na mesma hora. — O que foi isso? — perguntou arregalando os olhos.
—Eu não sei. — Natsu respondeu confuso também. Pegou a mão da loira e a segurou entrelaçando os dedos, sentiu algo dele sair e ir para o outro corpo. — Eu estou no meu corpo agora! — disse feliz.
—Eu também, graças a Deus. — Lucy puxou a mão da mão dele e logo os dois voltaram para os corpos um do outro. — O quê?! Mas que diabos. — falou olhando para o corpo de Natsu. — Voltei para seu corpo?!
— Sim... Me dê sua mão por um instante —pediu e ela ficou meio pensativa, mas deu, os dois trocaram de lugar e quando soltaram as mãos trocaram de novo.
— Então... —Ficou pensativa.
—Temos que ficar de mãos dadas para ficarmos nos nossos corpos, é isso? — complementou a frase.
—Parece que sim... —concordou triste.
—Mas que droga! É tão tenso ficar olhando para mim mesmo. —Revirou os olhos.
— Sim... — afirmou.
—Ah, eu esqueci de te avisar, você vai ter que ir pra sua emissora agora trabalhar. — disse coçando o cabelo.
— É mesmo. — Lucy saiu correndo de casa, mas voltou lembrando que estava no corpo do rosado e o puxou para dentro do carro.
— Ei! — Natsu reclamou.
— Você que causou tudo isso, então aguente —disse suspirando. – Motorista, para a emissora Dadlye por favor!
— Sim presidente — O motorista começou a dirigir.
— O que diabos você fez demônia loira? — perguntou emburrado.
— Eu não fiz nada, quem fez foi você sua ameba! —respondeu dando língua a ele.
— Olha, até parece que eu faria isso! —disse virando a cara.
— É bem sua cara mesmo. — concordou carrancuda.
Depois de um tempo o carro parou.
Lucy abriu a porta e Natsu veio atrás.
— Vamos...? —perguntou meio triste.
— É o jeito não é? — Natsu falou segurando a mão da loira. — Pode ir Klue, mandarei avisá–lo quando estiver indo embora.
— Sim, presidente! — Klue respondeu e foi embora.
Os dois entraram de mãos dadas e vários comentários começaram, principalmente das mulheres que ficaram com inveja. Lucy ficou envergonhada.
— Lucy Heartfilia. — Lucy virou-se e se curvou ainda de mãos dadas com o rosado.
— Vejo que trouxe o neto do meu grande amigo hein? — O presidente falou sorridente.
— Olá Guil, como vai? — Natsu apertou firmemente a mão do homem e a largou depois.
—Vou bem, e você? — perguntou todo sorridente.
— Bem, na medida do possível —respondeu cutucando a loira, que sorria sem parar.
—Estão todos te esperando lá embaixo Lucy, pode deixar que eu cuido do garotão aqui.
— Não! — Os dois gritaram na mesma hora. — Quer dizer... Eu quero ir com ela Guil, tem algum problema? — perguntou.
— Oh, não, mas venha me ver mais tarde sim? — Guil respondeu sorrindo e olhou para Lucy.
— Irei sim —Natsu respondeu e Lucy começou a andar, subiu para o andar onde ficava seu escritório e onde estava cheio de gente.
— Bom dia galera, como vão? — Lucy perguntou sorrindo para todos, e eles a olhavam estranho.
— Olá Lucy, vou bem e você? — Uma menina alegre falou com ela.
— Na medida do possível – respondeu e arrastou o rosado para dentro da sala. — Ei... Natsu. — chamou-o.
— O que você quer? Esse seu sorriso não me engana! —disse desconfiado.
— Eu... Quando estava no seu corpo, não soube fazer xixi... —contou constrangida.
— Quer dizer que você nem me fez tomar banho?! — Natsu a olhou incrédula.
— Bem sim... Eu não sei... lavar isso ai... e nem tocar... — respondeu apontando para baixo dele.
— Realmente, você... — se controlou. — Esqueça isso, pra mim foi tão fácil fazer essas coisas. — Revirou os olhos.
— Mas oi? — perguntou como se não tivesse entendido.
— Sim, foi fácil —respondeu bocejando.
—Eu não acredito! — Lucy pulou pra cima do rosado e começou a bater nele. — Como ousa tocar em meu corpo? Seu animal selvagem! — gritava com ele.
— Calma, você quer chamar atenção?! — perguntou ficando cara a cara com ela, os dois estressados.
— Certo, vamos? — perguntou arrastando-o para o elevador e foram pro estúdio, onde todos estavam lá, inclusive o Gerard, Lisanna, Mirajane e Laxus.
Lisanna encarava Lucy estranhamente, começou a sentir frio e instintivamente olhar suas vestes.
— Que roupa é essa? — Lucy perguntou empurrando-o na parede. — Essa roupa de vadia, como ousa me vestir assim?! Essas peças foram caras sabia? —disse puxando a blusa para cima, para mostrar o tecido.
— Eu só quero te avisar que estamos presente em meio a multidão sabe? — disse e todos os encaravam de boca aberta.
—Oh Meu Deus, me dá seu casaco agora! — gritou voltando para o centro do estúdio, onde Gerard já se direcionava para eles.
Natsu tirou o casaco e colocou–o em Lucy, ficaram de pernas grudadas enquanto a loira o vestia e logo entrelaçaram os dedos novamente.
— Mas que droga... O que diabos houve para merecermos isso? — Lucy perguntou triste.
— Deve ter sido tudo culpa sua, eu não faço nada de ruim nesse mundo sua demônia loira. — Natsu respondeu sussurrando em seu ouvido.
— Você é uma ameba — disse.
Os dois começaram a discutir cara a cara e Lucy deu língua para ele, e Natsu fez o mesmo.
— Loira freira. — Gerard apareceu na frente dos dois sorrindo.
— Oi Goldofredo — Lucy disse brincalhona.
—Quem é ele? Ou melhor dizendo, como conseguiu que ele viesse com você? Natsu Dragneel, muito famoso de fato — Jellal disse sorrindo. — Sou o Gerard, prazer, sou amigo da Lucy. — Gerard estendeu a mão e o Natsu fez o mesmo.
— Muito prazer — disse Natsu.
—Hm... — Lucy ficou quieta.
—Por quê está tão quieta Lucy? — Gerard perguntou.
— Por nada oras. Que horas essa gravação começa? To vendo uma vaca me encarando, e ela está me estressando.
— Só esperávamos você, e vejo que sua noite foi boa hein?! — falou arqueando as sobrancelhas.
—Como se eu... — Quando Lucy ia continuar Gerard já estava lá na frente mandando todos irem pros seus lugares, pelo visto eles não terminaram de gravar muita coisa ontem.
— Seu amigo te ignorou hein? — Natsu sussurrou no ouvido dela.
— Cala a boca ameba! — retrucou irritada.
—1, 2 , 3 Ação!
— Vamos cabeça de morango — Lucy disse puxando–o para dentro da casa.
— Como assim? Sua idiota! — Natsu falou quase batendo na cabeça dela.
— Shiu, cala a boca, vai começar. — Lucy fez um sinal de “shiu”.
Os dois assistiam concentrados a cena que se passava.
—Minha filha, até que fim você desceu. – O pai da Mirajane estava todo sorridente.
— Olá, sou a princesa Mirajane. — Mirajane se reverenciou envergonhada, e estava procurando alguém.
—Filha, aquele é o Duque Dreyar, ou melhor Laxus Dreyar — O pai da Mirajane apontou para o canto da sala, para o Laxus. Ele estava mal-encarado, encostado na poltrona azul, todo sério e frio, passava um ar superior.
.
—Prazer Duque Dreyar, sou a princesa Mirajane. — Mirajane se reverenciou.
—É um prazer, princesa Mirajane. — A albina pareceu surpresa ao ver que o loiro a chamou pelo nome também. Laxus sorria.
—Eu e o pai do Laxus queremos dar um aviso aos dois —o pai da garota dizia todo feliz.
Mirajane e Laxus encaravam os seus pais sérios, os quais fingiam estar muito felizes.
—Mirajane, você viverá com o Laxus a partir de hoje —prosseguiu.
—O quê?! — Mirajane e o Laxus gritaram juntos.
—Está ótimo! Corta! — Gerard gritou e virou para trás, onde se encontrava uma cena cômica, Lucy estava em cima do Natsu brigando feitos loucos.
—Mas o quê?! — Gerard disse se aproximando.
— Ops. — Lucy levantou-se em um pulo com o Natsu, sem se soltarem. – Foi mal. — Passou a mão pelo cabelo.
— Você não tem jeito mesmo né? —disse balançando a cabeça negativamente.
— Claro, você pensa que eu sou bipolar? —disse balançando a cabeça como se não acreditasse no que ouviu do amigo.
— Olá Natsu. — Lisanna se aproximou tentando empurrar a Lucy, mas o Natsu a puxou para mais perto dele segurando-a firme.
— Olá Lisanna, o que quer? — Natsu perguntou irônico.
— Acho que você sabe não é? — Lisanna já estava para se beijar com o Natsu.
Keep secret, i hate you haha
Quem tanto briga, tanto se ama.
Fale com o autor