Almas Trigêmeas
23 Se Eu fosse Vocês 2ª Parte - Final
Notas iniciais
Anteriormente:
– Parece que eles cobram muito de você.
– É, às vezes, mas eu também gosto do meu trabalho, costumo levá-lo a sério e também sou bom no que faço.
– Mas tenho a impressão que eles não te reconhecem.
– Não... até que... não é bem assim — ele parecia hesitar. Não queria fazer confidências a seu respeito, porém, algo na mulher o impelia — Às vezes, a Victoria e eu... a gente briga por não concordar em alguns pontos do nosso trabalho. E... o Sam... eu e ele tivemos algumas diferenças nos últimos tempos, a ponto de eu não conseguir mais confiar nele como antes. E... no fundo ele sente isso e se chateia mesmo que não me diga nada. E acho que por isso acaba ficando do lado da Vic — suspirou — Tem vezes que eu gostaria muito que eles trocassem de lugar comigo, pra ver como me sinto.
(...)
Você me proporcionou três dias intensos de prazer. Eu... quero te dar um presente atrasado de natal — ela disse e levantou-se enrolada no lençol. Abriu a primeira gaveta da cômoda
– Que isso, não precisa — ele disse meio sem graça.
– Faço questão — ela insistiu e entregou-o uma pequena caixa preta com a tampa amarrada por uma fita. — Comprei hoje pela manhã quando você estava dormindo.
– Poxa, eu não tenho nada pra te dar em troca.
– Não precisa. Apenas quero te dar algo que vai fazer você se lembrar de mim — ela sorriu
O loiro devolveu o sorriso e abriu a tampa. Todavia, não havia nada na caixa.
– Ah, sei. É uma pegadinha — ele sorriu sem graça.
(...)
– Sam, não dê ideia pro seu irmão. Ele que está sobrando aqui — voltou-se vitoriosa para o loiro — Se está incomodado, então se retire. Sam e eu queremos ter uma manhã cheia de paixão e você está nos atrapalhando.
– Eu iria, Victoria, com muito gosto se você fosse qualquer outra mulher — o loiro respondeu com um sorriso forçado — Só que tem dois pequenos detalhes. Primeiro: você não é qualquer outra mulher, é minha namorada. E segundo: esse aí não é o Sam, quer dizer, eu. Esse aí é o Dean.
Collins nada disse, apenas caiu na gargalhada. Teve uma crise de riso quase tão forte como da vez que viu Dean fazer um strip-tease. Aos poucos foi se acalmando.
– Dean, essa droga que você tomou realmente é forte! — ela continuava rindo.
Contudo, ao observar a postura do loiro e o modo como ele a olhava, ela sentiu um calafrio. Aquela maneira de cruzar os braços, o jeito zangado de olhar e até o modo suave e mais culto de como ele falou... eram idênticos aos de Sam. O riso dela morreu na hora. Seu rosto se virou para observar o rosto daquele que ela acabara de beijar e que julgava ser seu namorado. O jeito que ele a olhava era da mesma forma da de Dean quando sabia ter aprontado alguma.
– Você... não é Sam... não é? — a pergunta pausada foi quase um sussurro.
(...)
Sam abriu a porta com um chute e entrou.
– Vic! Vic!
– S...Sam!? — a voz da moça respondeu do banheiro
– Vic, você... está bem? — a voz estava mais aliviada, porém, ele continuava empunhando o revólver e foi para o cômodo. Abaixou a arma ao ver que sua garota parecia bem e vestida numa camisola preta. Estava diante de um espelho de rosto — O que aconteceu?
– Eu... eu vou matar aquele filho da puta do Gabriel!!! — respondeu a mulher se voltando para o Winchester .
Imediatamente, Sam percebeu algo errado. A voz era de Collins e o corpo também, entretanto, o jeito colérico e a postura eram completamente diferentes. Masculinizados.
– Dean!?
Capítulo 22
Se Eu fosse Vocês (2ª parte)
Com certeza, dessa vez, Gabriel havia se superado! Fazê-lo trocar de corpo com a Vic!
Tudo bem que Dean desejava muito tocar no corpo daquela mulher que o enlouquecia, estar dentro dela... Mas não daquela forma!
Sam o olhava perplexo. Não tinha palavras para exprimir o assombro de ver seu irmão no corpo da namorada.
– Sam! – uma voz chamou o Winchester da porta do quarto. A voz era de Dean, mas o tom era mais efeminado.
O moço olhou na direção da porta. Era o corpo de seu irmão. Porém, era Victoria que estava nele. Novamente, Sam fez expressão de assombro.
Vic entrou. Ainda estava com a camisa e cueca samba calção do loiro. Ela andou pelo quarto do jeito suave e feminino que costumava. Dean ficou aturdido. Era como se ver numa versão gay.
Ele e Collins se olharam com desalento.

– Eu vou bater tanto naquele trickster... – sussurrou Collins
– Pois entre na fila, minha cara! – retrucou Dean
Sam olhou para seu irmão e namorada alternadamente.
– Meu... Deus! – exasperado, ele bateu a cabeça na testa, mas ao fazer isso, seu nariz quebrado ricocheteou e ele sentiu a dor. – Ai!
– 0 –
– Droga! Cass, eu vou quebrar sua cara por isso – esbravejou Dean furioso pela falta de resposta do anjo. Andava de um lado para o outro do quarto. – Tente mais uma vez, Sam!
– Estou tentando, Dean, mas não posso fazer mais nada se o Cass não dá notícias.
– Merda! Porra! Puta que pariu! Cacete! Vai tomar no...
– Ei, Dean, pare de falar palavrões usando a minha boca! – repreendeu Vic. E se levantou da cama onde estava sentada, pegou um robe preto e jogou-o para o Winchester. – E trate de se cobrir. Não quero que você me veja de camisola!
– Há! Há! Minha cara, eu já vi o suficiente do seu corpo ontem. Ver seu decote e suas pernas nuas não fará diferença agora! – disse e jogou a vestimenta no chão
– Eu... Eu vou... – Victoria apertou os punhos com expressão de cólera.
– O quê? Vai me bater? – interrompeu Dean e, provocativo, colocou as mãos na cintura – Vai se atrever a machucar seu lindo corpinho?
– Tire as mãos dele! – Collins se aproximou e retirou “as mãos de Dean” da cintura. Apontou o dedo para ele. – Nunca se atreva a tocar num centímetro do meu corpo enquanto estiver aí! Só o Sam pode me tocar em qualquer parte.
– Ah, tá! Enquanto eu estiver nesse seu corpo, ele que se atreva! Eu corto o braço dele fora!
– Escute aqui, Winchester...
– Parem vocês dois! Estão me deixando louco! Ai, maldição! – Sam gritou, mas novamente a dor do nariz quebrado o incomodou e fê-lo abaixar o rosto. Depois do momento eufórico de se ver outra vez em seu corpo, ele sentia o estrago que a namorada havia feito. Colocou a mão para massagear a parte afetada – Ai, como dói!
– Desculpa, Sam! – Vic se abaixou diante do namorado e ergueu seu rosto com uma mão enquanto que com a outra procurou acariciar o nariz dele – Me desculpa, meu amor, mais uma vez por ter quebrado seu nariz.
– Er... tudo bem, Vic – ele estava constrangido pela aproximação de Vic no corpo de Dean e aquelas mãos masculinas no rosto dele
– Me deixa dar um beijo que sara. – ela aproximou o rosto, contudo, Sam a afastou.
– Er... ahn... não precisa, Dea... quer dizer, er... meu amor – ele ficou mais constrangido
– Tem certeza? – ela o olhava preocupada.
Dean interveio:
– Ei, senhorita, não se atreva a usar meu lindo corpo pra beijar, tocar, acariciar ou... ou... qualquer outro gesto gay pra cima do Sam! Isso não!
Vic se levantou furiosa e ia retrucar, contudo, uma presença os interrompeu. Era Cass.
– Desculpem o atraso, mas eu vim o mais rápido que pude – disse
– Ah! Aleluia! Já não era sem tempo! – Dean levantou os braços para o alto
Cass franziu a testa por um segundo ao contemplar o Winchester no corpo feminino e saudou:
– Olá, Dean.
– 0 –
– E então, Cass? – indagou Sam – O que você acha?
O anjo ouvira o relato dos caçadores sobre a chegada deles ali até a troca de corpos entre Sam e Dean e deste com Victoria.
– Que pergunta! A resposta é óbvia desde o começo. Tá na cara que isso é coisa daquele merda do Gabriel! – exclamou Dean impaciente.
– Não tenho tanta certeza – retrucou o anjo – É certo que isso é uma magia poderosa, mas não tão poderosa que eu não pudesse reverter...
– Você pode reverter? – interrompeu Dean ansioso e agarrou a gola do sobretudo de Castiel
–...Se eu estivesse na posse de todos os meus poderes – completou o anjo
O Winchester o soltou desapontado com um suspiro de muxoxo.
– Você disse que não tem tanta certeza – observou Sam — Por quê? Acha que pode ser outra coisa que fez isso conosco e que também tem provocado toda essa confusão aqui na cidade?
– Deixem-me dar uma rápida verificada para confirmar minha teoria. Eu já volto.
– Mas... – Dean ia protestar, porém, Castiel já havia sumido – Que ótimo! Ele custa a aparecer e quando vem, fica menos tempo do que precisamos.
– O jeito é esperar – disse Vic resignada. E abriu uma gaveta onde tirou algumas roupas e entregou para o cunhado – Enquanto isso, Winchester, vista essas calças, essa blusa e essa jaqueta.
– Ei, espera! Me deixe... tirar essa camisola primeiro.
– Não, senhor! Nem pense nisso! Eu estou... quer dizer, você está sem sutiã e não quero que veja meus seios. Não de novo!
– Er...Ora, até parece...
– E rápido! – ordenou Collins sem permitir mais protestos da parte do Winchester
O caçador bufou, entretanto, não discutiu mais. Sam continuava olhando os dois ainda sem acreditar. Ele não sabia se ria ou se continuava chocado com o fato.
Não tiveram que esperar Castiel por muito em tempo. Decorridos cerca de quinze minutos, ele reapareceu.
– Não é Gabriel quem está provocando tudo isso – ele foi logo avisando – Eu procurei por toda a cidade e não senti a energia dele como da última vez que nos encontramos.
– Então se não é o Gabriel... o que pode ser? – indagou Vic
– Um trickster.
– Um autêntico?
– Exato.
– Beleza! Você pode achá-lo? – interveio Dean
– Creio que não. Um trickster como esse não é poderoso como Gabriel, mas pode se esconder de mim. Bom, se eu tivesse com todos meus poderes...
– Tá, tá! Já entendi!
– Mas tem que ter alguma forma de atraí-lo – tornou Vic
– Ele deve saber que vocês são caçadores e deve querer brincar mais com vocês do que com os outros habitantes daqui. Só não entendo como vocês puderam cair numa armadilha dele prevenidos do jeito que estavam.
– Cass, nós não caímos na armadilha dele. Ele simplesmente nos sacaneou.
– Um autêntico trickster quando começa uma brincadeira segue um mesmo padrão para suas vítimas mesmo que tenha um inimigo focado. Vocês devem ter aberto algum pacote vazio que receberam.
– Nem eu nem Sam recebemos nenhum pacote. E se tivéssemos recebido, jamais o abriríamos sabendo das consequências. E depois, a última coisa que eu ia querer era trocar de lugar com o Dean e acredito que o Sam também não.
– Oh, meu Deus... – sussurrou Dean com a cabeça baixa e expressão de entendimento
– O que foi? – indagou Sam.
– Er... Cass... Um trickster pode assumir qualquer tipo de forma que deseje? – questionou o Winchester sem responder a pergunta do irmão.
– Sim, de animal, de uma criança, objeto, homem ou mulher.
– Droga! Não acredito nisso!
– Dean... Não me diga o que acho que estou pensando – disse Sam o olhando com reprovação e começando a entender.
– Podem me explicar do que estão falando? – interrompeu Vic
– Acho que sei quem é o trickster – replicou Dean coçando a cabeça
– Espere... Você está falando...
– Sim. É a... aquela mulher com quem estive – ao ver o olhar furioso de Collins, ele completou – Ora, como eu poderia saber?
– Não, claro que não, Winchester! Não tinha como você saber porque você só pensa com a cabeça de baixo!
– Ei, não precisa falar assim comigo! Já estou me sentindo péssimo por saber que dormi com... um trickster. Um macho travesti! – ele fez expressão de repugnância – Acho que vou vomitar!
– Bem, se te serve de consolo, creio que não – interveio Castiel. – Um trickster pode ser tanto um homem como mulher. Lembre-se de que são semideuses. Há muitos deles em diversas culturas. São todos filhos do deus nórdico Loki com mortais¹.
– Então... quer dizer que peguei uma legítima fêmea? Uma semideusa?
– Exato.
– Uf! Que alívio!
– Que bom que você encontrou um consolo em toda essa confusão, Winchester! – tornou Collins – Mas eu quero saber como você foi cair nessa armadilha dessa... trickster. E no que estava pensando quando desejou trocar de lugar comigo e com o Sam?
– Tá legal, eu vou me explicar.
E lhes contou sobre o episódio do suposto relógio que ganharia, mas que, ao invés disso, recebeu um presente vazio. E também lhes confessou o desabafo de querer que seus dois companheiros trocassem de lugar com ele só para poderem entender como se sentia.
– Repito: como eu poderia saber? – defendeu-se – Esse... Essa Trickster soube me enganar direitinho.
– Claro que soube! Dean Winchester é conhecido por não resistir a um rabo de saia! – retrucou Victoria com ironia – Da próxima vez, veja em que pernas você se mete.
– Uh, nossa! Depois eu é quem sou o desbocado.
Antes que Collins revidasse o comentário, Sam os interrompeu:
– OK, gente, vamos parar com essa discussão sem sentido. O mais importante é que já sabemos quem é o nosso Brincalhão, ou melhor, Brincalhona. Dean, você se lembra de como chegar ao local onde esteve com ela?
– Er... ahn... acho que sim.
– Você acha?
– Não... Quer dizer, sei como chegar lá.
Sam trocou um rápido olhar com Vic de descrença, porém, disse:
– Então vamos lá. Cass, você pode nos ajudar caso encontremos alguma surpresa?
– Acho que posso fazer alguma coisa.
– Ótimo! Vamos logo que mal posso esperar para recuperar meu corpo. – disse Vic. Segurou o braço do namorado e fê-lo olhar para ela – E... Sam, a primeira coisa que quero fazer depois que voltar é recuperar o tempo perdido nesses dois dias em que... não podemos nem trocar um beijo.
Ela o olhava com desejo e paixão. Sam ficou desconcertado. Mesmo enxergando o olhar da namorada por detrás da aparência do irmão, ainda era constrangedor para ele. Ainda mais com Dean os observando com expressão aturdida e Castiel de forma analítica.
– Er... ahn... certo, Vic. É melhor irmos.
Eles se aprontaram com as armas que possuíam. Antes, porém, que pusessem o pé para fora do quarto, Dean os deteve:
– Esperem!
– O quê? – indagou Sam
– Tem alguma coisa escorrendo na... er, bem... por entre as minhas... as pernas da Vic.
– Ai, meu Deus! Ela ia chegar hoje! – exclamou Vic
– Ela quem?
– A minha.... er... menstruação.
Dean arregalou os olhos.
– O quê!? Estou sangrando!? – ele gritou
– Sem dramas, Dean! – fez gesto com as duas mãos para que ele se acalmasse – Espere, que vamos dar um jeito!
Ela correu até a cômoda do quarto e abriu a última gaveta onde tirou um pacote de absorventes.
– Venha comigo! Eu vou te ajudar com isso – disse e puxou o Winchester pelo braço. Voltou-se para Sam e Castiel – Esperem só um momento, rapazes.
– 0 –
– Eu vou ter que colocar essa coisa dentro de mim!? — esbravejou Dean no banheiro ao observar Vic tirando um absorvente interno do pacote
– É lógico que não! — respondeu ela
– Ah, bom!
– Eu é quem vou colocar. Pensa que vou deixar você tocar numa parte minha tão íntima?
– Você... você acha que metido numa situação dessas...vou ter cabeça pra tirar casquinha? Ainda mais de você... namorada do meu irmão?
– Ah, Winchester, como se eu não soubesse! Quem não te conhece, que te compre. Agora, chega de discussão e abaixe logo essa calça e a calcinha pra eu poder colocar o absorvente.
– Nem a pau! Não vou me submeter a esse mico!
– Ou isso ou vai sentir o sangue escorrer pelas pernas. E acredite, o mico é bem maior.
– Droga! Juro que se os outros caçadores souberem disso, nunca mais volto a caçar. Sam, pare de rir! – gritou ao ouvir o som das risadas do irmão vinda do quarto. – E se você contar pra alguém ou fazer piadinha disso algum dia, eu te mato!
– Anda e pare de reclamar! E Sam, também não estou achando nenhuma graça! — disse Collins em voz alta
O moço não parava de rir enquanto aguardava por Vic e Dean sentado na cama. Ao seu lado, de pé, Castiel também esperava por eles.
A situação da troca entre sua namorada e seu irmão que antes pareceu aterradora a Sam, agora o estava lhe provocando risadas. Nem mesmo a dor que latejava de seu nariz conseguia pará-lo. Era grotesco a que ponto tudo culminou ali! E hilário imaginar Dean sangrando que nem mulher!
Todavia, procurou tapar a boca para abafar o riso ao ouvir a queixa de Victoria. Olhou para Cass; este não ria, contudo, um imperceptível sorriso se formou em seus lábios. Até o anjo achava certa graça naquela situação.
– Não se atreva a olhar, viu? — ameaçou Vic enquanto se abaixava diante de Dean
– Tá legal — disse ele virando a cabeça de lado — Mas ande! Vamos acabar logo com isso!
Victoria começou a operação "coloque absorvente". Com a mão pesada de Dean que agora ela possuía, usou de máxima delicadeza para pôr o absorvente na parte correta.
– Deus, isso é... embaraçoso e desconfortável. — sussurrou Dean
– Eu é quem o diga — concordou Victoria.
E ambos sentiam uma estranha excitação por estarem numa situação tão constrangedora... mas, ao mesmo tempo, tão íntima. Dean, mesmo num corpo feminino, ainda era Dean Winchester. Por isso, arfou e sentiu "lá embaixo" umedecer pelo contato "com a mão de Vic”.
Então era daquele jeito que uma mulher começava a se excitar?
Collins, por sua vez, também sentiu os sentidos nublarem pelo toque em sua própria cavidade. Mas ela sabia que era mais do que isso, era pelo simples contato com Dean. Eles podiam estar em corpos trocados, mas aquela eletricidade entre eles era palpável, fluía entre eles. Era algo além do carnal, assim como era entre ela e Sam.
– Pronto — disse ela sem coragem de levantar os olhos — Está feito.
Levantou-se e foi molhar o rosto na pia. Sentia latejar o membro do corpo que ocupava. Agora sabia como se sentia um homem ao ficar excitado. Bem, um homem como Dean Winchester.
– O que você tem? — inquiriu o Winchester
– Nada. Trate de se vestir rápido. Já perdemos muito tempo.
– 0 –
– Me deixa ver... er, acho que é por aquela esquina – falava Dean sem muita certeza ao volante do carro.
– Tem certeza, Dean? – indagou Sam impaciente – Nós já fomos por três esquinas que você pensou ser da rua da casa do trickster e não encontramos nada.
– Como ele poderia saber? A mente dele estava focada em outro lugar – ironizou Collins
– É, é aqui mesmo – garantiu o Winchester ignorando o comentário da caçadora e apontou uma árvore velha e grande – Me lembro daquela árvore com o tronco todo retorcido.
E seguiu adiante. Todos estavam no Impala preto do Winchester. Ele e Sam na frente; Vic e Castiel atrás.
– É aqui sem sombra de dúvida – afirmou Dean parando o veículo em frente a uma casa grande e cor-de-rosa.
– Estejam preparados. Talvez ela já saiba que estamos aqui – disse Sam ao abrir a porta do carro e foi o primeiro a sair.
Todos pegaram estacas de madeira no porta-malas do carro. Em seguida, sem trocarem mais nenhuma palavra entre si, aproximaram-se silenciosamente da porta da casa.
– Concordo com você, Sam – afirmou Dean – Talvez ela saiba mesmo que estamos aqui. Mas pelo sim e pelo não, é melhor a gente entrar de fininho – voltou-se para Castiel – Cass, pode verificar se tem alguma surpresa desagradável aguardando pela gente?
– Só um momento – pediu o anjo.
Desapareceu por alguns instantes. Depois, reapareceu outra vez para seus companheiros.
– A barra está limpa – garantiu – Vou levá-los para dentro. Vic, segure no meu ombro enquanto eu toco no Sam e no Dean – pediu.
A caçadora obedeceu e encostou a mão no ombro do anjo virado de costas para ela. Este encostou cada mão no ombro dos rapazes. No mesmo instante, todos estavam dentro da imensa casa.
Encontravam-se no que parecia ser a sala. Era toda cor-de-rosa também assim como os móveis, que pareciam saídos de uma casa de boneca tamanho família. Mesmo assim, era algo assustador, apesar de belo e gracioso. Os caçadores observaram aquela decoração ao redor.
– Nossa... Eu nem reparei como tudo isso era cor-de-rosa quando estive aqui – confessou Dean
– Claro, bonitão, porque você viu tudo vermelho comigo – uma voz sensual bastante conhecida do caçador os fez virarem de costas.
Era a trickster. Ela surgiu de repente no sofá do recinto. Trajava o mesmo vestido vermelho. Seu sorriso era zombeteiro, mas cativante. Ao lado dela, dois belos homens musculosos somente de sunga – um negro e um loiro – seguravam cada qual uma mão dela que alisavam.
– Mas a vida pode ser cor-de-rosa se você quiser enxergar dessa maneira – completou ela. Sorriu. – Eu já esperava por suas visitas, mas vocês demoraram.
– Então você é a trickster vadia que nos sacaneou... – sibilou Collins ameaçando avançar, porém, Sam a segurou pelo braço.
– Cuidado, minha cara, essa vadia é cheia de poderes – retrucou a loira olhando a caçadora com desdém – E pode me chamar de Valery.
– Valery? Um nome tão comum para quem se diz poderosa – provocou Vic.
– A propósito, sua nova aparência está... original – zombou a semideusa olhando o corpo masculino da outra de cima a baixo. Vic estreitou os olhos. Em seguida, Valery olhou para Dean – Quanto a você, Dean, acho que fui má demais com você lhe dando um corpo tão... decadente.
– Sua... – Vic queria matá-la com a estaca por aquele comentário provocativo, entretanto, Sam a segurou com mais força.
– Mas... me diga, gatão, como é sangrar que nem uma mortal? – continuou Valery
– Oh... Bem, você sabe... É algo para o quê não tenho palavras. Nunca pensei que passaria por algo tão excitante – ironizou o caçador
– É claro que não. Mas... está me deprimindo te ver assim. – soltou as mãos dos homens que as seguravam e estalou os dedos
Na mesma hora, Dean e Vic se viram de volta em seus corpos originais. Olharam para todas as partes para ver se não faltava nada. Em seguida, trocaram olhares e sorriram, porém, nada disseram. Victoria também olhou para Sam e ambos sorriram um para o outro. Se a ocasião fosse outra, os três teriam celebrado com mais entusiasmo.
– Pronto. Tudo em seu devido lugar – tornou a semideusa
– Nem tudo! – esbravejou Victoria – Faça as pessoas da cidade voltarem ao normal!
Valery olhou para ela como se visse um inseto.
– O som de sua voz está me irritando, querida. Aliás, não quero falar com nenhum de vocês... a não ser com Dean. Vão!
E outra vez, estalou os dedos. Tanto os dois homens musculosos como Cass, Sam e Vic sumiram. Ficaram na sala apenas Valery e Dean. Ela o olhou com desejo e disse:
– Agora somos só nós dois, tesão.
– 0 –
Vic, Cass e Sam foram parar numa imensa sala vazia. Não havia sequer uma cadeira nela. E era toda cor-de-rosa.
– Deus, rosa também é minha cor favorita – disse Collins ao olhar o redor – Mas depois de hoje fico só com o branco.
– Cass, pode nos tirar daqui? – questionou Sam
– Eu adoraria, mas... essa trickster pensou em tudo – replicou Cass olhando o teto do local
Havia símbolos enoquianos pintados na cor branca que impediam a saída dele.
– Nossas estacas também sumiram – disse Sam ao verificar as mãos vazias assim como seus colegas
– Agora é com Dean – afirmou Vic
– 0 –
O loiro também reparou que estava sem sua estaca.
– Não vai precisar de sua arma– respondeu Valery como se lesse o pensamento dele – Não tem sentido usar aquilo em mim.
– Onde estão Sam, Vic e Cass? – perguntou ele ao estreitar os olhos.
– Não se preocupe, Dean, eles estão... bem instalados. Nada faltará a eles e nem lhes farei mal... se você cooperar – garantiu ao se aproximar do caçador e envolvê-lo em seus braços
– O que quer de mim? – indagou
Ele procurava demonstrar frieza, porém, tremeu um pouco com a aproximação do corpo dela, pois ainda se lembrava dos momentos vividos na cama com ela.
– Eu quero você, seu tolo – replicou ela e quase encostou os lábios nos dele – Eu quis você desde o momento em que colocou o pé nesta cidade. Já tinha ouvido falar das grandes façanhas dos irmãos Winchester, mas não sabia que eram tão lindos. Geralmente, beleza, força e coragem não veem em combinação, ao contrário dos que os grandes filmes mostram. E vocês dois, reúnem tudo isso num pacote único. Mas... você é o meu preferido, Dean, seu estilo mais selvagem e machão me excita.
– Ah, então devo me sentir lisonjeado?
– Deveria, afinal, não é qualquer mortal que me chama a atenção.
O caçador se desvencilhou dos braços de Valery e colocou-se a uma relativa distância.
– Por que está aqui nesta cidade? – indagou
– Estava matando o tempo, precisava me divertir, ainda mais no Natal – ela disse com tédio – Ser imortal tem suas desvantagens. Você acaba vendo que tudo permanece da mesma forma século por século, não importam as mudanças que ocorrem.
– E você simplesmente escolheu essa cidade para acabar com seu tédio? Brincando com a vida das pessoas?
– Em parte. Na verdade, eu queria chamar a atenção de meu pai. Ver se minhas brincadeiras estavam à altura dele.
– Seu pai? – estranhou
– Sim. Loki. Lembre-se que sou filha dele.
– E de uma reles mortal – completou com gozação.
– Cuidado, caçador – sibilou Valery – Não abuse da sorte só porque eu estou afim. E pra sua informação, minha mãe não era uma reles mortal. Era filha de um grande rei viking, uma princesa, a mais bela de sua geração.
– Bom pra você.
– Não sabe o quanto irônico você estava sendo mesmo sem o saber quando me apelidou de Deusa – ela disse num tom mais leve e sedutor. Acercou-se dele mais uma vez – Era tão bom ver você chegar ao clímax me chamando assim.
– Eu te considerava mesmo uma deusa – disse ele e afastou-se para outro ponto da sala – Isso até descobrir o quanto sádica você era, tanto quanto seu pai. Ah, desculpe... perdão –ele disse com ironia ao vê-la estreitar os olhos – Não posso falar de seu pai porque eu não o conheci de verdade. O que encontrei foi apenas um arcanjo medroso se fazendo passar por um Brincalhão.
– Isso é uma coisa que devo agradecer a você e também a seus amigos – disse a semideusa num tom mais sério – Já tinha um boato de que havia algum tipo de ser mítico ou deus se fazendo passar por Loki há um bom tempo. Vou poder comunicar isso aos outros deuses pra castigar o farsante, esse tal de Gabriel. Meu pai está desaparecido há séculos. Meus irmãos e eu o procuramos...
– Seus irmão? Há outros como você?
– Graças a caçadores como você, não – ela disse com certa raiva, todavia, voltou a sorrir – Mas não se preocupe, sou a última da minha espécie e nem guardo rancor. Meus irmãos eram muito chatos e também uns verdadeiros sádicos e sanguinários.
– E você não? – tornou com um sorriso de desdém
– Eu pelo menos nunca matei ninguém... a não ser que me provocasse – ela se aproximou do Winchester de novo e, dessa vez, ele não se afastou – E até agora ninguém da cidade morreu.
– Disse bem... Até agora.
– Se você quiser, Dean, posso garantir que permaneça assim – ela se enroscou novamente no pescoço dele – E até posso fazer com que todos voltem ao normal. Só depende de você...
– Como? – a voz dele suavizou e seu olhar se prendeu na boca de Valery
– Já disse. Quero você – ela colocou o dedo indicador e o médio sobre os lábios dele – Fique comigo. Pra sempre.
– Pra sempre é muito tempo. Está se esquecendo que daqui há alguns anos vou estar um velho bem caquético e desdentado?
– Posso torná-lo imortal. Você seria jovem e belo para sempre assim como eu.
– É... uma proposta tentadora.
– É uma proposta única. Acredite...nunca convidei nenhum mortal pra compartilhar da minha eternidade.
– Acho que... me sinto honrado.
Valery o beijou com muito desejo. Ele não correspondeu, mas também não fez nada para afastá-la.
– Pode se sentir assim, meu querido caçador – ela disse com os lábios encostados nos dele – O mundo nos pertence.
– E o Sam? A Vic? – ele sussurrou
– Eu os deixarei ir embora... e eles... que lidem sozinhos com todo esse negócio de Apocalipse e Lúcifer – mordiscou a orelha dele enquanto suas mãos percorriam a nuca do loiro. Sentiu-o estremecer – Você, meu tigrão, não tem que carregar mais isso. Vamos para um lugar onde nada disso possa te atingir.
Ele a segurou pelos braços impedindo-a de continuar. Olhou-a sério.
– Quer saber, baby? Você tem toda razão – disse – Que se dane toda essa merda!
Valery esboçou um largo sorriso mostrando uma fileira de dentes perfeitos. O caçador devolveu com um sorriso torto. Em seguida, a loira o puxou pela gola da jaqueta e os dois caíram no sofá.
– 0 -
– Aqui também não tem nenhuma abertura – disse Sam ao tatear um dos cantos do local onde se encontravam
– Realmente essa Valery não deixou nenhuma escapatória – retrucou Vic ao analisar outro canto.
– Não se preocupem. Eu acredito que o Dean vai conseguir detê-la. – respondeu Cass com tranquilidade parado no meio da sala e olhando ao redor.
– Eu espero que sim – disse Vic um pouco enciumada por imaginar o Winchester e a trickster sozinhos. Aproximou-se de Sam – Bom, estamos presos, mas pelo menos algo bom aconteceu no meio disso tudo.
– O quê? – ele perguntou.
– Eu estou de volta no meu corpo, amor – ela o enlaçou pelo pescoço – Agora você pode me tocar sem medo.
– É... Pelo menos isso – ele sorriu satisfeito enquanto a rodeava pela cintura com os braços
E aproximaram os rostos para se beijar esquecidos por um momento da presença de Cass. Todavia, ao encostarem os narizes, Sam afastou a cabeça com uma careta de dor.
– Ai, ai!
– Nossa, Sam, seu nariz ainda dói? Não devia doer mais.
– Talvez... não esteja quebrado... pode ser que esteja só meio trincado ou algo assim. Ele estaria meio torto se tivesse quebrado.
– Quebrado ou não, ainda está meio feio. – ela colocou a mão com delicadeza sobre o nariz – Droga! Nunca vou me perdoar por ter feito esse estrago nele.
– Acho que eu posso dar um jeito – disse Castiel e acercou-se deles. – Posso estar sem boa parte dos meus poderes, mas algo pequeno assim, dá para remediar.
Os dois se afastaram para que o anjo tocasse o nariz de Sam.
– Pronto – disse ele – Novinho em folha.
– Por que não disse antes que podia consertar o nariz do Sam? – protestou Vic com as duas mãos na cintura
– Não perguntaram.
– 0 –
– Ah, Dean... Isso... – suspirava Valery nos braços do caçador
O loiro estava em cima da semideusa e enlouquecia-a de carícias. Mordiscou o pescoço dela fazendo-a tremer. Uma mão dele deslizou por uma das pernas dela. Ainda não tinham se livrado das roupas.
– Me deixa ver esse seu peito nu – ela o levantou um pouco e pôs as mãos sobre a camisa dele no peitoral – Quero ver aquela tatuagem sexy.
– Como queira – ele retrucou com um sorriso torto – Deixa só eu tirar a jaqueta.
Ele ergueu um pouco o tronco e começou a deslizar a vestimenta pelos braços. E num movimento rápido, arrancou uma pequena estaca – que estava pregada na parte interna da jaqueta – e cravou-a no peito da semideusa. Ela emitiu um grito horripilante de dor. O Winchester se levantou e olhou-a agonizar. Havia certo pesar em seu rosto, pois realmente chegou a se interessar por Valery.
– Mas... como? – ela indagou com as últimas forças que lhe restavam
– A gente sabia que você ia nos ver com as estacas. Antes de vir pra cá, a Vic sugeriu que eu escondesse essa na jaqueta quando ela ainda estava no meu corpo.
– Como... ela poderia saber... que eu ia destrocar vocês... e me aproximar de você? – o sangue começou a escorrer da boca dela
– Ela é cheia dos palpites. Você a subestimou... e a mim também.
– Você... poderia ter tido uma vida eterna e incrível... comigo...
– Nunca seria suficiente.
E logo o corpo da semideusa derreteu. E com ela, toda a mansão sumiu. O Winchester se viu num terreno baldio. Avistou Cass, Vic e Sam à considerável distância. Eles correram até ele.
– Deu certo? – inquiriu Sam
Em resposta, o loiro estendeu os braços para os lados como para mostrar que não havia mais nada que indicasse a presença da semideusa. Collins parou diante dele. A expressão dela era severa.
– O que foi? – Dean indagou preocupado com alguma reprimenda.
– Você... você... – ela apontou o dedo para ele. Depois, beijou-o na face – Você foi incrível, Dean! Fez um ótimo trabalho.
– Uau! – ele arfou com um sorriso de orelha a orelha – Até que enfim você me diz uma coisa boa !
– Valeu, mano. – parabenizou Sam e abraçou forte seu irmão dando uns tapinhas amigos nas costas deste – Tudo saiu conforme o planejado.
– É claro, Sam. Vocês não poderiam esperar menos de mim – disse com ar convencido.
– Ih, não pode elogiar! – comentou Vic trocando olhares com Cass e Sam.
– 0 –
Sam, Vic e Dean tinham arrumado toda a bagagem para irem embora. Cass se despediu deles. Havia lhes dito que o demônio Crowley estava difícil de ser encontrado. Contudo, prometeu que o acharia custasse o que custasse.
E tudo e todos na cidade tinha voltado ao normal.
Dean bateu na porta do quarto do casal para chamá-los. Sam atendeu.
– Prontos?
– Er... Dean, antes de irmos, a Vic e eu queremos conversar com você. Coisa rápida.
– Tá, pode ser.
Entrou no quarto.
– O que é? – ele indagou
– Dean, Sam e eu queríamos nos desculpar com você pela maneira que temos agido ultimamente – começou Victoria o encarando amistosa.
– Olha...
– Por favor, escute. Sei que você tem andado um pouco estressado com toda essa situação de Apocalipse e eu... não tenho facilitado. Sei que ainda ajo como a temível Indomável pra cima de você de vez em quando ao invés da boa amiga que prometi ser.
– E eu, Dean, também não tenho agido como o irmão mais novo do qual você costumava se orgulhar e proteger.
– Sam, por favor,...
– Você tem feito o possível pra manter nossa relação intacta apesar do que fiz e eu... eu ao invés de dar graças a Deus de você se esforçar pra isso, ajo como se eu fosse o certo da história. Me desculpe.
– Sam...- o loiro balançou a cabeça e abraçou seu irmão.
– Cabe um pedacinho aí pra mim? – indagou Collins os observando com um sorriso.
– Chega mais, cunhadinha.
Os irmãos abriram um espaço no meio deles para que Vic se juntasse a eles. Os três ficaram abraçados por um bom tempo. E tiveram uma estranha sensação. De plenitude, de paz. Era como se fosse certo estarem unidos daquela forma. Como se estivessem voltando... à origem.
Ao se darem conta do tempo que estavam naquele enlace, afastaram-se. Ficaram um pouco constrangidos. E também um pouco relutantes. Um silêncio pairava entre eles. Dean foi quem quebrou aquele clima:
– Bem, vamos parar com essa melação porque... não pega bem pra um sujeito como eu.
– Nem pra mim – ratificou Sam
– É, concordo – disse Victoria sem os encarar – Mas, Dean, vamos combinar: da próxima vez que se sentir chateado comigo ou com Sam, por favor, converse conosco sobre como você se sente. Só nunca mais deseje trocar de lugar com nós.
– Não se preocupe, aprendi minha lição.
– Ótimo. Então, meninos, pé na estrada.
Pegaram as malas e foram até os carros. Antes de Dean se separar deles, dirigiu-se para o irmão com expressão séria:
– Sam, só mais uma coisa.
– Diga.
– A pergunta que não quer calar: você deixa a Vic te chamar de Sammy?
– Ah...er... ora, Dean...
O loiro riu. Sam ficou vermelho. Vic também ficou sem graça ao se lembrar em que circunstâncias deixara escapar aquele segredo entre eles.
Os dois queriam esbravejar com Dean, mas este entrou no carro sem esperar resposta.
Aquele Dean!
Fale com o autor