As bombas caiam incessantemente, enquanto Marinette se abraçava ao ruivo ao seu lado.

— Tudo vai ficar bem, logo eles virão — ele falou, passando a mão em sua cabelos, tentando conter o choro alheio.

— Eles estão lá fora, Nath — ela soluçava. — E se tiverem sido soterrados no entulho? E se já estiverem mortos?! O que eu irei fazer?

O coração do garoto se quebrou. Era horrível ver sua amada desse jeito, chorando, com os olhos vermelhos enquanto o cheiro do pó e os sons da destruição preenchiam todo o porão.

Outro estouro foi ouvido.

Ele olhou para a portinhola, depois voltou seu olhar para a garota que tremia.

— Eu vou buscá-los — ele falou, retirando seu casaco marrom e colocando em cima da garota, enquanto se levantava e andava até a passagem.

— Nath... — ela falou, com as bochechas coradas. Os olhos de seu amado denunciavam coragem, e ele sorriu.

Um sorriso incrível e reconfortante. Ele faria de tudo por ela, e ela acreditava que ele conseguiria.

— Se você não voltar, eu vou te matar — ela falou, limpando os olhos. O sorriso dele aumentou perante a esperança da garota.

Nathanael se aproximou dela, segurou em seu rosto e a beijou. Um beijo calmo e apaixonado. — Eu te amo, Mari... — ele falou, se afastando e saindo da portinhola logo em seguida.

Marinette estava sozinha. As lágrimas desciam mais rápido enquanto ela se abraçava ao casaco, chorando, tremendo e gritando.

Ela acordou, repentinamente, em um local escuro e fechado. O desespero tomou conta de seu ser e ela passou a respirar pesadamente, começando a gritar com medo.

A porta de correr ao seu lado foi aberta, revelando que ela estava em um coset. Ela sentiu o cheiro, cheirava bem, tão bem que sentiu que podia vomitar.

— Pare de gritar — um garoto loiro falou, entrando no armário e tampando a boca da menina. — Se os guardas souberem que não te mandei para execução, quem vai se fuder serei eu! — murmurou.

— Cadê minhas armas? O que você fez com meu punhal? — ela perguntou, segurando no cachecol preto e aproximando o garoto, o olhando nos olhos.

Ela escutou som de passos e viu o rosto do garoto se virar para a entrada. — Não faça barulho algum.

Ela fez que sim e se afastou dele, que logo saiu da pequena sala e fechou a porta.

Ela olhou em volta. Inúmeros casacos grossos, cachecóis, panos para colocar no rosto em caso de tempestades de areia, calças jeans limpinhas. Tudo lá cheirava bem, tão bem que se sentia no próprio inferno.

— Acho que todos os rebeldes já saíram — escutou a voz do loiro.

— Eles causaram um grande caos, demorará alguns dias para reconstruir o local — um soldado falou.

— Enquanto isso, temos mandados para lhe deixar preso em seu quarto — uma voz feminina soou.

— Mas, Natalie, eu já tenho vinte e dois, há tempos deixei de ser criança — o loiro falou. Ele possuía a mesma idade de Marinette então?

— São ordens de Gabriel, sabe mais do que eu que não posso ir contra suas normas — a mesma voz feminina, dita como Natalie, falou.

— Mas... — o loiro tentou falar.

— Sem mas, Adrien. Volte para o seu quarto e só saia quando for mandado. Se precise de algo, to...

— Toque o sino para as faxineiras — o garoto completou. — Certo, se me dão licença, tenho que ficar confinado em meu quarto — ele ironizou. Ela escutou sons de passos novamente, e uma porta se fechando, e então o armário foi aberto. — Vem, pode sair, eles nunca entram no meu quarto quando isso acontece.

Marinette olhou desconfiada, conferiu se ainda estava com a máscara, o que era um positivo, e saiu do armário, só então notando o sumiço de seu casaco bege.

Ela voltou para o armário, olhou ao redor, passou pelos cabides, mas não a encontrava. — O que procura? — Adrien perguntou.

— Minha jaqueta, o que você fez com a minha jaqueta?! — ela perguntou com raiva. Olhou para o próprio braço direito, vendo seu machucado devidamente limpo, com pontos dados. — O que você fez no meu braço?

— Calma — ele respondeu, se deitando em sua cama e olhando para o teto. — Mandei seu casaco para a lavanderia, ele estava cheirando à sangue e drogas, quanto ao seu braço, eu sei fazer primeiros socorros e ele estava bem feio com o músculo à mostra.

Marinette se emburrou. Por que aquele que estava destinado a ser seu maior inimigo estava sendo tão bondoso com ela? Não fazia sentido. — De toda forma, quando o casaco fica pronto?

— Acho que até amanhã, por que?

— Merda, só vou conseguir fugir amanhã — ela murmurou pra si mesma. — E cadê minhas armas? Sabe quantas cidades eu tive que roubar pra conseguir todas elas?

— Eu não vou te dizer onde elas então! Vai que você dá a louca e tenta me matar.

— Primeiramente, meu primeiro objetivo aqui era só te sequestrar, isso não incluía derramamento de sangue.

— Então por que minha casa está caindo aos pedaços?! Vai me dizer que simplesmente ficaram vontade de fuzilar tudo.

— Sabia que não devia ter trazido a Juleka, seu lado sádico fala mais forte que minhas palavras... Ela é muito persuasiva na verdade — ela retrucou, se sentando no chão de carpete. — Quer saber? Tanto faz, eu não lhe devo satisfação e vice versa, então só me dê algum pano para me cobrir e me acorde quando meu casaco estiver pronto pra fuga, okay?

— Você não vai ficar fedendo desse jeito e ainda dormir no chão, vai tomar um banho — ele falou.

— Não tenho roupa pra passar a noite e, honestamente, quanto menos sinto seu cheiro, melhor eu fico.

— Não estou perguntando se você quer, estou te mandando ir.

— Você não manda em mim — cruzou os braços. Ele lhe olhou com um pouco de raiva, andou até ela, segurou suas pernas e começou a carrega-la como um saco de batatas para dentro do banheiro. — Me larga, estuprador!

— Você quer a banheira ou a ducha? — ele perguntou, mas nem a deixou responder. — Deixa pra lá, acho melhor te colocar nos dois, você está fedendo e ainda está tensa.

— Já mandei me largar! Eu não vou tomar banho aqui — ela gritou.

— Tem tanta sorte dessas paredes serem reforçadas com barreiras para o som — ele falou. — E, se você não parar de manha e tomar logo o banho, eu mesmo vou tirar sua roupa e dá-lo em você.

— Tá bom, tá bom. Eu tomo banho! — ele a colocou no chão e se direcionou ao box, começando a explicar por onde saia água quente e por onde saia a fria, depois falou que ela poderia encher a banheira e colocar espuma depois da ducha.

Ela começou a tirar o croped-regata que estava usando, e a desabotoar sua calça. — O que está fazendo?

— Não sabia que pessoas ricas tomavam banho de roupa — ela ironizou.

— Nós não tomamos, mas por que esta tirando a roupa na minha frente? — ela o encarou, ele estava completamente corado.

— Awnt, então o loirinho é virgem? — ela caçoou, fazendo-o se avermelhar mais. — Ah, acho que acertei. Tá, de qualquer modo, nós não tínhamos muitos banheiros no lugar onde eu morava, então é normal dividir com mais umas duas, três pessoas do sexo oposto. Quer dizer, os garotos não podem se masturbar lá dentro, mas isso não vem ao caso agora.

— Eu realmente não precisava saber disso — ele falou, respirando fundo. — Quando acabar, coloque suas roupas fedendo em algum lugar, vou providenciar alguma coisa pra você vestir.

Ela apenas ficou quieta e se despiu mais, enquanto ele revirava os olhos e saia do banheiro.

Quando ele se foi, a garota já se encontrava nua e tirando sua máscara no grande banheiro, ela se encarou no espelho, vendo sua pele branca suja pela terra, e notando que estava realmente fedendo. Ela colocou suas roupas sujas no canto do banheiro e ligou a água quente, sentindo o vapor subir pelas paredes do banheiro, relaxando-a apenas por sentir essa sensação que não possuía há eras.

Ela andou até a banheira tecnológica, clicando em alguns botões aleatórios e aumentando a temperatura da água, voltando para a ducha.

Ela não gostava de se apoderar da bondade dos outros, muito menos se essa bondade viesse de um inimigo, mas queria se dar ao luxo uma única vez naqueles três anos.

"Crianças e mulheres, homens e então soldados."

Essa era a ordem que Marinette estipulara para os cidadãos de sua pequena cidade, sendo que ela mesma era uma das últimas a tomar o banho, o que resultava em uma água um tanto suja e fria, mas ela nunca se importou muito com isso.

Ela sentiu a água quente percorrer seu corpo, queimando onde passava, era uma sensação ótima afinal de contas. Viu a sujeira escorrer pelo granito branco e então soltou suas maria-chiquinhas, colocando sua cabeça debaixo da água quente. Ela olhou para o suporte dentro do banheiro, vendo alguns produtos corporais.

Ela foi para mais perto deles, lendo os nomes nas embalagens enquanto seus olhos brilhavam.

Shampoo, condicionador, sabonete, coisas que nem ela e quase nenhum dos soldados eram permitidos a usar, tinham que ceder para os outros da população. Ela despejou uma boa quantidade do líquido com cheiro bom em seu cabelo, a revigorando totalmente.

Há quanto tempo não tinha algo bom assim?

Ela desligou a água que corria para a banheira e acabou sua ducha, entrando no local cheio de água quente e espuma, deixando tudo aquilo preencher seu corpo enquanto ela cantarolava e afundava seu rosto na água, sem se esquecer de prender os cabelos antes.

Não queria sair daquele local nunca.

— Senhorita — escutou o loiro falar, enquanto batia na porta. — Você está bem? Já está pronta?

Ela pensou que deveria responder, mas possuía tão pouca vontade de fazer isso, que apenas se deixou encostar a cabeça no encosto da banheira e fechar os olhos. Ela escutou mais batidas e logo a porta foi aberta, liberando o jovem, esse que parecia um tanto assustado.

— Loirinho, olá — ela murmurou, ainda com o rosto sério e olhos fechados. — O que quer?

— N-não é nada, é só que, não te ouvi me responder então...

— Eu não respondi — ela murmurou.

— Ah, sim, isso faz sentido — ele disse. Ela abriu os olhos levemente, vendo o rosto dele completamente vermelho. — De toda forma, é... Você terá que usar uma roupa minha quando sair e eu vim buscar sua roupa suja, já que minha faxineira de confiança disse que me ajudaria.

— Contou a ela que estou aqui? Está maluco? — ela perguntou, se endireitando na banheira e o olhando com aqueles olhos azuis como os céus algum dia foram.

— Agatha é a única pessoa que realmente confio daqui, ela foi criada para ser uma boa guardadora de segredos e é ainda hoje — o loiro declarou, pegando as roupas sujas do chão e a máscara de cima da bancada.

— Não perca essa máscara — ela falou. — Vou tentar confiar em você, mas não perca essa máscara.

Ele a encarou, concordando com a cabeça. — Não perderei, e veja se saia logo desse banheiro.

— Certo — ela respondeu se levantando da banheira, o que fez o nobre ficar completamente vermelho e virar o rosto para o lado.

— Saia quando eu não estiver mais aqui!

— Você é tão problemático — ela falou, revirando os olhos. — Com o que posso me secar?

— Com uma toalha, talvez? — ele declarou, pegando uma toalha branca no armário em baixo da pia.

— Sei lá, né — ela falou, tomando o tecido macio das mãos do loiro. — Vocês nobres são estranhos, não me surpreenderia se vocês tivessem secar o próprio corpo com folhas de bananeira como algum efeito de beleza — ela ironizou, se cobrindo com a toalha.

— Eu vou fingir que entendi o que você disse — o loiro declarou, se retirando do cômodo. — As roupas pra você usar estão em cima da cama.

— Certo e, Agreste — o garoto parou e a encarou. — Obrigada.

Ele sorriu.

Ela era teimosa, mas não má agradecida.

Notas finais
Obrigada pelo Feed que vcs têm dado ♥ Comente e faça uma autora feliz ♥ Kissus de paçocaaa