Alma de Vidro |HIATUS|

9 Capítulo 09. Não Confunda Focinho De Porco Com Tomada


Notas iniciais
OREMOS QUE O NYAH VOLTOU PARA A NOSSA ALEGRIA!

– Eles foram para a cratera, eu tenho certeza. – Jane Foster diz obstinada, um cobertor ao redor dos ombros, uma Darcy aérea ao seu lado e um Selvig cético à sua frente.

– Não duvido de você, Jane. – Diz o cientista de modo contido, como se tentasse convencer uma criança de cinco anos a escovar os dentes e ir para cama.

– Por que aquele satélite é tão importante? – Jane insiste, a ruga em sua expressão se agravando quanto mais ela se esforça para refletir sobre a própria pergunta. – Eu sabia que os dois eram loucos quando os conhecemos e que aquela garota não era nem de longe uma freira, mas não achei que fossem tão lunáticos!

– Talvez tenha sido melhor assim. – Selvig conclui infeliz. – Você mesma disse que os dois são doidos. Seja lá o que queriam conosco, parece que o satélite é mais importante.

Jane lança a Erik o olhar mais desconfiado do mundo quando o homem termina de falar, encarando-o em descrença.

– Se você sabia que os dois eram um par de birutas, por que concordar em voltar ao hospital para buscar Thor? Por que dar uma carona a Domino?

Ela acertou em cheio e todos percebem.

– Cheguei a pensar que... Eu pensei... Eu pensei... – Selvig engole em seco, os olhos perdidos na mesa diante de si enquanto ele folheia leviana e desatentamente um livro infantil. – Não importa. – Balança a cabeça, tentando internamente convencer a si mesmo da veracidade de sua frase. – São só histórias.

Jane e Darcy se entreolham curiosas e confusas, depois olham para Erik ao mesmo tempo.

– O que são só histórias?

– Não importa! – O homem insiste. – Olhe só para isso! – Ele recolhe o livro que estava folheando e puxa o que está embaixo, abrindo-o sobre a mesa e apontando a ilustração de uma página inteira: um martelo. – Seu amigo fala sobre Mjolnir e Thor e Bifrost, histórias que eu ouvia quando criança. Isso é loucura, Jane.

– Então, na verdade, ele não estava chapado e queria de verdade um martelo? – Darcy pergunta com um sorriso pentelho. – A-há! Eu sabia!

– Isso não é relevante. – Selvig volta a dizer em tom frustrado. – Não é real.

Jane respira fundo e coloca o cabelo para trás em um gesto de nervosismo.

– Se eles foram para a cratera, a essa hora já estão nas mãos do governo, ou dessa maldita SHIELD que roubou toda a nossa pesquisa, ou sei lá de quem! Não podemos deixá-los lá.

– Podemos, sim. – Erik rebate.

– Não podemos, não. – Darcy resmunga. – Eu usei o taser em Thor, devo um resgate a ele. Além do mais – Ela tira do bolso do casaco o celular e procura rapidamente por algum arquivo no aparelho. –, temos até a foto para uma identidade falsa. – Balança o telefone com a foto de um Thor sorridente na tela.

Selvig revira os olhos e Jane demora mais do que o normal para desviar os seus de Darcy.

– De qualquer forma – Diz, balançando a cabeça e voltando a fitar Erik. – Precisamos ir atrás deles.

Selvig bufa insatisfeito.

– Tudo bem. – Cede contrariado com expressão zangada. – Mas eu vou sozinho.

Jane sorri e Darcy bate palmas, quase pulando para fora da cadeira. O único infeliz é o pobre cientista, que fita tristemente o livro que colocou de lado, o que folheou tentado a abrir, o que conta a história de uma Rainha Perdida. Uma Rainha que tem os olhos cor violeta.

–x-

Depois que três grandalhões me renderam na sala que arrebentei logo após a saída da louca varrida e do garoto cascavel – eles não tiveram muito trabalho com isso, porque simplesmente pus as mãos na cabeça diante da mira de suas armas e fiquei imóvel –, fui levada até outra sala inteiramente branca onde me indicaram uma cadeira e se retiraram, deixando-me sozinha. É claro que eu tive a eficácia de recolocar minhas roupas antes disso.

Nos primeiros trinta minutos, pensei muito em Thor, desejando que ele tivesse pegado sua marreta mágica e se mandado para o mais longe possível. Pedi mentalmente a forças maiores que ele estivesse longe desse lugar, pois não confio nessa gente que acredito ser da SHIELD – apesar de ainda não entender o que é a SHIELD.

Mas sei que a loira bombada não pode ter ido muito longe. O mais provável é que esteja na mesma situação que eu, na sala ao lado.

Na segunda meia hora, começo a pensar na Mulher de Branco. Fico vendo o rosto ela e o imagino cheio de sangue, e então meus punhos estão cheios de sangue e entendo que me arrebentei acertando-a de novo e de novo.

É com isso que estou sonhando agora?

E com o que devo sonhar? Ela matou minha mãe. Ela não merece qualquer outro tipo de sonho – a menos que seja um pior onde, por exemplo, eu use um taco de baseball ao invés das mãos.

Eu me pergunto o que ela disse. Na mente da minha mãe, quero dizer. Pergunto-me se Jordana ouviu alguma coisa. Algo como “coloque a arma na cabeça. Isso, muito bem. Agora, atire. Adeus, Jo”. Porque eu não ouvi nada, simplesmente senti. E me senti como uma bruxa na fogueira com o truque telepático.

E aquele homem... Quem é aquele homem que, mesmo eu queimando na fogueira, despertou em mim um fogo diferente? Quando começo a pensar nele, o resto do mundo – inclusive todos os problemas e dores que passei a carregar – parecem não existir. Eles não diminuem, mas somem por completo, porque minha atenção é inteiramente focada naqueles olhos verdes.

Está na minha lista agora. Descobrir quem é o homem dos olhos verdes.

Pouco tempo depois da segunda meia hora, um sujeito passa pela porta. Pergunto-me se ele parece tão baixo para mim porque estou acostumada com o tamanho imenso de Thor ou se ele tem mesmo uma baixa estatura. Está vestido inteiramente com roupas escuras e posso ver que está secando da chuva.

– Se isso é sobre o maníaco que invadiu seu estabelecimento – Digo, referindo-me carinhosamente a Thor –, eu sinto muito. Pode mandar a conta para a Sociedade Protetora das Loiras.

– Isso não é sobre ele. – Diz o sujeito, puxando outra cadeira e colocando-a com as costas para frente, sentando-se bem perto de mim e apoiando os braços cruzados nas costas do móvel. Seu jeito aparentemente livre e despreocupado me faz pensar que ele está com a intenção de encenar que é meu “amigo”. – É sobre você.

– Eu sou só uma acompanhante. Qualquer que seja a pergunta, não sei responder. – Vou logo esclarecendo, apesar de não ser exatamente verdade.

– Não quero saber nada sobre a tentativa do seu amigo de roubar um objeto não identificado que ninguém consegue levantar. – Ele não fala como se desse pouca importância ao ocorrido, mas como se o assunto que está prestes a mencionar fosse mais importante e, depois de me sentir orgulhosa de Thor ao perceber que ele estava falando a verdade sobre ser o único a conseguir erguer Mjolnir na van quando lhe pedi que contasse de onde veio, sinto-me subitamente curiosa: – Estou aqui para falar da morte da sua mãe.

Meu primeiro impulso é pular no pescoço do João e o Pé de Feijão e enforcá-lo até a morte.

Mas depois que examino a situação, vejo que não tenho vantagem se agir feito lunática.

Por isso mantenho fixos meus olhos semicerrados nos do sujeito, fitando-o com uma inocência mais falsa que anéis de plástico de máquinas de doces.

– A SHIELD não devia saber tudo sobre isso? – Pergunto, supondo. – Vocês não ficam sabendo qual será o café da manhã dos outros quando eles nem sabem se acordarão pela manhã?

Não há indício de choque no rosto do homem, mas sei que ele ficou surpreso com a declaração. Basicamente, estou dizendo que a SHIELD tem na balança a vida de várias pessoas, estas que não sabem se sobreviverão mais um dia. Nem ao menos sei se isso é realmente verdade, mas quem não arrisca, não descobre nada sobre a SHIELD.

– E o que é que você sabe sobre a SHIELD? – Pergunta desconfiado.

Ah, droga.

– Eu sei que vocês têm segredos demais. – Respondo sinceramente, cruzando os braços e esticando as pernas para frente, relaxando na cadeira. – Uma hora esses segredos terão que vazar, campeão.

O homem parece refletir por um segundo sobre a teoria enquanto apoia os dois cotovelos nas costas da cadeira e segura o rosto com as mãos. Depois, estica um braço sobre o móvel e apoia uma mão sobre o joelho, relaxando como eu.

– Quem é você? – Pergunta de repente, olhando-me com uma atenção cuidadosa e com um vívido interesse que me surpreende – eu, que esperava nada menos que um carrasco.

Ah, tantas respostas para uma única pergunta. Eu sou a vingadora. Sou a perdida. Sou a determinada. Sou a órfã. Sou a fraca. Sou a forte. Sou a inteligente. Sou a vulnerável. Sou alguém.

Tentando ignorar a pontada de um misto de pavor, ansiedade e nostalgia que me atinge quando começo a refletir sobre quem sou, respiro fundo cheia de contradições e digo:

– Sou Domino.

O homem sorri com algo semelhante à aprovação e simpatia.

– Domino. – Cumprimenta com um aceno de cabeça. – Eu sou Clint.

Queria ter mais tempo de conversa com Clint porque ele me parece uma pessoa interessante, mas um homem careca de terno e óculos de armação quadrada logo entra em cena, colocando a cabeça para dentro da sala.

– O chefe quer falar com você. – Diz, sem mais delongas, tropeçando para fora logo em seguida.

Ergo as sobrancelhas zombando do sujeito cambaleante.

– Você é tão intimidador assim? – Pergunto, indicando com a cabeça o lugar onde o sujeito careca tropeçou.

Clint me olha rapidamente de cima a baixo.

– Eu, não.

Ainda estou com a expressão grave de quem finalmente entendeu a equação quando ele atravessa a porta para longe da sala.

–x-

– Senhor. – Diz Clint Barton apresentando-se a Phil Coulson.

Coulson está olhando para Barton, mas seus olhos lhe mostram o rosto de uma garota de cabelo castanho e expressão severa – uma expressão anos mais velha que seu rosto tão jovem.

– Como ela está? – Pergunta.

Barton inicia um sorriso, mas logo se contém.

– Dadas às circunstâncias, ela está extraordinariamente bem, senhor.

Coulson entende como “ela poderia estar mil vezes pior” e assente brevemente, erguendo uma papelada com a mão direita.

– Ela parecia estar atrás disso. – Diz, referindo-se à ficha da Organização HIDRA. – Alguma ideia do motivo?

Barton balança a cabeça em negativa, tão intrigado quanto Phil.

– Ela, na verdade, não disse nada. Foi como se estivesse mais interessada em descobrir alguma coisa do que compartilhar qualquer coisa. Esquivou-se de todas as minhas perguntas. – Relata ainda mais intrigado do que há um segundo.

– Se ela veio aqui atrás de respostas e se interessou por esse arquivo em especial, é porque estamos errados a seu respeito e ela não é um membro da HIDRA como Ellendra Silken. – Coulson diz com confiança. – Se ela fosse parte da HIDRA, saberia tudo sobre a SHIELD e não estaria aqui dentro tentando descobrir nada, muito menos para roubar isso. Se fizesse parte da HIDRA, Domino saberia exatamente o conteúdo dessa pasta e não arriscaria uma visita à SHIELD por ela. – Ele estreita os olhos com uma dolorosa compreensão. – Ela só está tentando descobrir quem é.

Barton, apesar de não dizer nada sobre isso, sente-se tão compadecido em relação a Domino quanto Coulson. Lembrando-se da expressão no rosto da garota quando lhe perguntou quem ela era, ele tem a certeza de que Coulson não poderia ter expressado melhor o que ela estava fazendo em uma das instalações da SHIELD.

Mas isso não explica uma coisa.

– E o que o cara loiro estava fazendo com ela? – Pergunta. – Por que estavam juntos?

– Conveniência. – Coulson supõe. – Ela precisava entrar aqui, ele queria o objeto não identificado. Por que não estariam juntos?

– É, mas como se conheceram? – Barton quase ri com o pensamento: – Quais eram as chances de duas pessoas não humanas se esbarrarem na rua e dizerem “ei, tem uma coisa na SHIELD de que eu preciso. Quer me acompanhar até lá?”.

Coulson sorri discretamente.

– A vida é louca.

–x-

Estou metade adormecida no sofá de casa, metade atenta à conversa entre minha mãe e seu amigo. Os dois estão sentados no sofá diante de mim, de frente um para o outro. Ele segura as mãos dela nas suas e a olha como quem se preocupa enquanto lágrimas fluem calma e silenciosamente dos olhos dela.

Minhas pálpebras começam a pesar demais e me dou conta de que acabo de acordar e estou instintivamente tentando descobrir sobre o que os dois falavam enquanto eu dormia.

– Não se preocupe. – Tony Stark diz. – Vai ficar tudo bem. Eu prometo.

Minha mãe deita a cabeça no peito dele e chora. Eu, com cinco anos, aperto os olhos para a cena em uma careta. Por alguma razão, as lágrimas me incomodam – não porque ela possa estar sofrendo, mas porque parece tão vulnerável que desperta em mim uma pontada de irritação.

Abraçando minha mãe em seu pranto, Tony repara que o estou encarando com uma careta, brava.

Ele afasta gentilmente o corpo claramente cansado da minha mãe e aponta com a cabeça para mim, sinalizando que estou acordada. Vem em minha direção e afasta o cabelo que está caído em meu rosto. Tony sorri enquanto o fito com desconfiança e toca minha mão. Eu recuo depressa, livrando-me de seu toque e me sento devagar, como se não quisesse realizar nenhum movimento brusco. O bilionário sorri como que aprovando.

– Está tarde. – Diz carinhosamente. – Você não quer ir para a cama?

Eu, com meus olhos pequenos, observo-o de cima a baixo e pulo para fora do sofá. Esboço um indício de sorriso para minha mãe, que me responde com um “boa noite” e com um sorriso bonito, como se, de uma hora para outra, sua tristeza tivesse se transformado em alegria. Dou “tchau” para ela com uma mão enquanto a outra arrasta pelo chão um velho boneco de pelúcia do Capitão América que me lembro de adorar desde que nasci.

Tony pisca para minha mãe e anda ao meu lado pelo corredor até meu quarto.

Não tenho memória alguma dessa noite – eu tinha apenas cinco anos –, mas uma vaga lembrança apagada em minha mente diz que ele colocou o cobertor sobre meu corpo e ajeitou a pelúcia do Capitão ao meu lado no travesseiro antes de ir embora.

Algo toca meu ombro e abro os olhos em um rompante, movendo-me antes mesmo de piscar.

Seguro com a mão esquerda o pulso da pessoa à minha frente, torcendo-o e jogando-o no chão com força, jogando meu corpo sobre o dele com o joelho em sua garganta. Tudo tão rápido que fico assustada, com a respiração entrecortada e gelada, o coração rebelde em meu peito, inquieto como o mar em meio à tempestade. Meus olhos estão arregalados e estou segurando ao máximo o choro que quer explodir de dentro de mim. Penso na ironia de, treze anos atrás, eu reprovar a atitude da minha mãe de chorar e agora me encontrar em situação semelhante.

Quando percebo que é Clint debaixo do meu joelho, coloco-me de pé depressa, chocada com minha atitude. Como foi que derrubei um homem adulto claramente agente da SHIELD com tamanha facilidade? De onde foi que saiu essa agilidade maluca? Essa força?

Dou as costas a Clint e respiro fundo, tentando imaginar que diabos está acontecendo comigo.

– Vou me lembrar de não acordá-la no meio de um pesadelo outra vez.

– A que devo a honra, Clint?

– Pagaram sua fiança.

– Quem pagou? – Pergunto, virando-me para ele confusa, encontrando-o já de pé.

– Venha comigo.

Caminho lado a lado com Clint nos túneis brancos que sobraram – ouvi dizer que Thor arruinou vários deles – até chegarmos à saída, onde encontro Erik Selvig argumentando com outro homem de terno, com Thor a seu lado.

– Mas é como eu lhe disse, Coulson. – Selvig insiste. – Ela não bate bem. A mandamos para um convento na esperança de restaurar seu antigo “eu”, mas não deu certo. Nada funciona. – Ele aproxima a boca do ouvido do sujeito de terno e coloca a mão na frente da mesma, em um cochicho nada discreto. – Os médicos dizem que é a idade, todos os hormônios e a rebeldia desnecessária, sabe como é...

– Eu imagino. – Diz o tal Coulson e tenho a ligeira impressão de que está escondendo um sorriso com a expressão irônica, apesar de ter a impressão de que esse é seu semblante natural.

– Oh, Domino, querida! – Selvig saúda assim que põe os olhinhos cansados em mim. Chego perto da turma cautelosamente, olhando de modo furtivo de um lado para o outro, parte tentando entrar na personagem que Selvig está tentando criar para mim, parte impressionada por sua impecável atuação ao me chamar de “querida”. – Aí está você! Eu fiquei tão preocupado. – Ele afaga meu cabelo e me puxa para um abraço e é como se eu tivesse sido sugada para dentro do meu sonho, como se eu sentisse novamente o toque de algum jeito reconfortante de Tony Stark, o bilionário não tão egocêntrico.

– Eu tinha que salvá-la. – Digo, afastando-me de Selvig e colocando-me na frente dele de modo que me posiciono de costas para os demais. Pisco para ele com um rápido sorriso irônico e o agarro pelos ombros. – Não era seguro, eu tinha que salvá-la.

– Eu sei, querida, eu sei... – Diz o cientista maluco com a expressão compreensiva de quem já passou pela situação diversas vezes.

– Eu não podia deixá-la naquele lugar... – Fico o maior tempo que consigo sem piscar, soluçando e fungando e meus olhos logo estão lacrimejando, o que resulta em um belo choro falso. – Minha mãe... – Tremo feito galinha ao relento. – Ela não tem culpa, é tudo por minha ca-ca-causa... E eles a mataram... Meu Deus, eles a mataram... – Jogo-me no chão e começo a desferir socos contra o mesmo. – Eles a mataram! Eles vão me pagar, vão me pagar! – Fico de pé em um salto, fazendo Clint e Thor pularem para trás surpresos. – Todos vocês vão me pagar, ouçam o que estou dizendo! Principalmente você, Napoleão Bonaparte – Aponto furiosamente para Selvig, como se meu indicador fosse uma lâmina que eu estivesse prestes a usar no pescoço do pobre infeliz. –, que me mandou para um convento. Eu disse a você que Jerry e eu estávamos apaixonados, disse que cuidaria da linda menina Domerry que tivemos juntos, mas você escolheu me separar dos dois e me mandar para um convento para que eu não tivesse mais filhos! – Acuso-o descaradamente, inventando a primeira história que me vem à cabeça. – Eu quero minha filha de volta, quero minha filha de volta! – Berro indignada, partindo para cima de Selvig, que se joga no chão e finge estar engasgando quando coloco as mãos em volta de seu pescoço.

– Ai, o que foi que eu fiz para ter uma sobrinha esquizofrênica, Meu Deus, o quê? – O cientista grita para os céus uma vez que Thor e Barton, com suas caras assustadas e chocadas de bobalhões, me arrancam a força de cima dele. – A agulha, Thor, a agulha, a agulha, a agulha! Está no meu bolso, criatura.

– Agulha, não! Agulha, não, agulha, não, agulha, não. – Brando em pânico, debatendo-me tanto que Thor me larga com facilidade, não preparado para o surto. O loiro, totalmente atrapalhado, corre até Erik e revira seu bolso enquanto ele ainda está estatelado no chão, deixando-me aos cuidados de Clint enquanto continuo me debatendo nos braços firmes e fortes do agente.

– Agulha eu vou te mostrar quando enfiar uma furadeira em cada um dos seus olhos, seu fascista! Fascista! – Continuo esperneando. – Aposto que você é parte da HIDRA também. Eu vou te matar! Te matar, seu desgraçado, te matar! – Para o meu azar, nesta parte do discurso, Thor me espeta no braço com a maldita agulha.

O que tinha lá dentro, Erik irá me explicar detalhadamente assim que possível por bem ou por mal, porque, quando Thor aperta o êmbolo, sinto algo penetrar em minha corrente sanguínea.

Para fingir que estou apagando aos poucos não é preciso muito esforço, porque, apesar de eu não apagar, começo a me sentir estranha. Meu corpo fica dormente, assim como meu cérebro parece ficar.

Minha consciência parece se esvair do meu corpo sem nunca deixá-lo completamente. Estou inteiramente em estado de dormência e consigo ouvir vozes que parecem chegar a mim através de túneis sem vontade alguma de prestar atenção nelas para decifrá-las.

Meu corpo desfalecido é segurado por um corpo tão grande e forte que só pode se tratar de Thor, quem juro de morte por ter me acertado com o dardo tranquilizante do mal.

Quando eu acordar, vou esclarecer ao Trio Parada Dura que não sou nenhuma freira, vou surrar Thor com a luzinha violeta até ele desmaiar e vou pedir uma porção de batata frita no final do dia para tentar acalmar os nervos.

Notas finais
Que bom dar as caras por aqui de novo hehehehe