Alma de Vidro |HIATUS|

10 Capítulo 10. Você Acredita Em Magia?


Notas iniciais
OLE OLE OLA a demora foi grande, mas as emoções também serão! USISAGUSIGAUIAG Boa leitura!

Digamos que Stark e o Capitão por pouco não chamaram a Guarda Nacional depois do acontecido no quarto temporário de Loki – bom, não foi tão literal assim, mas ninguém ficou exatamente feliz com o ocorrido.

Eu sei que podia ter arrebentado a casa inteira do bilionário, mas por favor! Nem arrebentei. Além do mais, o que eu estava tentando arrebentar era a cara do Deus da Trapaça e por isso ninguém pode me culpar.

Felizmente, a brincadeira só resultou em um corte acima da minha sobrancelha esquerda advinda do estilhaço da lâmpada que se quebrou.

“Eu sei fazer a porcaria de um curativo sozinha”, disse a todos quando eles se ofereceram a fazê-lo para mim. Agora, diante da caixinha de primeiros socorros, começo a me odiar por ter que fazer isso sozinha, já que percebo que não tenho ideia de por onde começar.

Por algum motivo, tenho a impressão de que já precisei de muitos curativos antes, mas que não fiz nenhum deles eu mesma. Bom, eu realmente pareço ser do tipo que se machuca bastante – com frequência, por sinal.

– Vamos. – A voz vinda da entrada do meu quarto me sobressalta. Ao seguir o som com os olhos, deparo-me com Loki fazendo o seu caminho até o banheiro. Ele acena com a cabeça para que eu o siga, mas tudo o que eu faço é encará-lo com raiva e cruzar os braços sinalizando que não vou me mover. Não sou nenhum animal e, se ele quiser que o acompanhe, que peça decentemente.

E o deus parece entender precisamente onde quero chegar, porque, descaradamente contendo um sorriso, curva-se em uma reverência indicando com os braços a porta do banheiro para que eu vá na frente.

– Muito bem. – Elogio como uma tratadora, empurrando um de seus braços para o lado para que eu possa passar.

Uma vez dentro do banheiro, vejo as roupas de Loki mudarem; seu traje verde e preto com aquela espécie de sobretudo que me parece bastante pesado se metamorfoseia em uma leve blusa de pano branca e em uma calça preta e, mesmo em roupas simples, há algo de terrivelmente lindo e soberbo em Loki. Você pode tirá-lo do reino, mas não pode tirar o reino dele. Seu cabelo preto e brilhante, seu tamanho alto e elegantemente másculo, seus traços finos, a expressão de superioridade que ele jamais abandona... E os olhos. Os olhos que são capazes de ver tudo: desde a minha mais pura felicidade até até meu mais sombrio sofrimento. Os olhos nos quais é tão fácil me perder. Os olhos para os quais sei que sempre gostei de olhar de volta. Tudo nele é tão gritantemente lindo que me encontro pensando no quanto deve ser doloroso não conhecê-lo; nunca ouvir sua voz, nunca sentir seu cheiro maravilhoso e suave que me lembra hortelã, nunca tocar sua pele perfeita...

Fecho lentamente os olhos com um suspiro e minha alma de joga de costas no desconhecido. Sinto-a sendo carregada por um vento leve que se move como uma maré calma como se meu próprio corpo carnal estivesse levitando.

E caio gentilmente em um chão branco anormalmente quente e me contorço em desespero. Minha pele, meus órgãos, tudo está queimando e estou me recusando a me despedir do mundo quando Loki surge na sala.

Ele se ajoelha em movimentos lentos – como que dizendo a mim que não está ali para me machucar – sobre meus quadris e, em pouco tempo, estou abraçando-o com vontade enquanto ele, com o peito despido, me abraça de volta, deslizando com firmeza as mãos pelo meu corpo.

A volta ao banheiro é repentina.

Começo a ofegar e vejo que estou sentada sobre a pia gelada de mármore – provavelmente Loki me segurou antes que eu caísse e apoiou meu corpo ali – com o corpo do deus perigosamente perto do meu, entre as minhas pernas.

Ele está segurando meu rosto com as duas mãos ao mesmo tempo em que me olha surpreso, como que sem reação. É nesse momento em que me arrependo de ter trocado o pijama sujo de leite por uma saia preta rendada.

– Para onde você acabou de ir? – Loki pergunta, entendendo que acabo de ter uma súbita visão do passado.

– E-eu não sei. – Gaguejo. – Nós estávamos no chão. Nenhum de nós estava usando blusa. Estávamos nos abraçando... – Busco nos olhos dele uma explicação, porque não compreendo a cena.

Loki demora um instante para migrar o olhar do meu para a torneira. Ele afasta as mãos do meu rosto e roda o manípulo, liberando a água.

Engulo em seco surpresa com sua reação e fito o vazio em determinado ponto do chão do banheiro com a expressão levemente irritada e cismada.

O deus lava as mãos com o sabonete azul bebê disponível e puxa a toalha branca de rosto, molhando-a e ensaboando-a e tudo em que consigo pensar é no quanto é estranho vê-lo fazendo isso. Segurando um sabonete. Ensaboando uma toalha. Em um banheiro. Na Terra.

Balanço a cabeça levemente desconcertada com a cena, querendo rir, mas recusando-me a ceder à minha vontade.

É quando sinto a toalha molhada e gelada cheia de sabonete sobre a minha sobrancelha, no lugar do corte.

Recuo imediatamente e, incrédula com o gesto amável, encaro Loki confusa e de certa forma, tocada.

– Você nunca teve jeito para curativos. – Diz ele com um sorriso afetado no rosto, como que zombando do fato, o polegar na minha bochecha e a mão tocando meu rosto de modo que o posicionasse para que pudesse limpar o ferimento.

Sinto cada vez mais besta. Imbecil. Idiota. Tenho vontade de chorar porque é tão bom ter Loki tão perto de mim, cuidando de mim, que sinto que, a partir do momento em que ele der um passo sequer para trás, vou desfalecer em uma camada fria de pó.

É possível amar alguém tanto assim?

– Parece que tive você para me ajudar com alguns. – Dou de ombros como se não fosse nada o fato de alguém como ele se preocupar em fazer um curativo em alguém. Como se meu coração não estivesse enlouquecido para passar rasgando pela minha garganta.

– Com muitos. – Ele responde severamente, parando por um segundo para olhar diretamente para mim.

Respiro fundo quando a mão que ele mantinha em meu pescoço escorrega lentamente para o meu ombro e por meu braço até chegar a minha cintura. Loki a circula com a ponta dos dedos muito devagar, hipnotizando meus olhos com os seus, bastante interessado na minha reação com seu toque.

Incapaz de desviar o olhar do seu – que queima no meu, lançando ondas de calor por todo o meu corpo de repente extremamente frágil –, observo atentamente sua expressão séria e em expectativa ao passar delicadamente as mãos nos meus quadris, mal me tocando. Cada ação que o deus toma parece perfeitamente calculada, como se tivesse receio de que eu fosse, a qualquer momento, saltar da pia de mármore e correr para longe dele, como se ele não fosse nada mais do que um desconhecido – o que, de certa forma, devia ser verdade.

Mas eu não me sinto assim.

Na verdade, cada uma das pessoas que encontrei depois que perdi a memória despertaram alguma coisa em mim, mesmo depois do choque inicial de encontrá-las “pela primeira vez”. Mas Loki era o único que me dava certeza absoluta de que tivemos uma ligação bastante forte. Ele me dava certeza de que me conhece como ninguém, mesmo quando eu mesma não me conheço o suficiente. Eu nem consigo me lembrar se já tive ou se tenho uma família que não fosse formada por aquelas pessoas inquietas em relação ao meu pequeno problema na casa do Stark, não sei nem mesmo se sou... Ai, Meu Deus...

– Pare. – Suspiro extasiada quando sinto o nariz do moreno na curvatura do meu pescoço, aquela respiração calma e confiante, a temperatura incomum daquele corpo que parece tão frio, mas sempre tão quente ao mesmo tempo...

– Achei que quisesse se lembrar. – Ele sussurra simplesmente, não se afastando um centímetro de mim.

– Eu quero. – Concordo. – Mas é muito doloroso.

– Sempre foi doloroso, Domino. – E lá vai ele outra vez, me entendendo. Sabendo exatamente o que quero dizer. Sem que eu precise explicar nada. Dói tê-lo tão assustadoramente perto, trazendo emoções que eu pensava jamais ter conhecido, e não saber o motivo; não saber tudo pelo que já passamos. Não ter lembrança alguma de absolutamente nada. – Você. Eu. Nós. – Arfo sem o menor pudor, incapaz de controlar o calor repentino que aumenta mais do que rapidamente pelo meu ventre quando a língua de Loki passa atrás da minha orelha. – Sempre foi doloroso. E era uma dor tão boa... – Vejo-me inconscientemente arrastando as mãos trêmulas até os cabelos do deus, segurando-os como se eles fossem o único apoio que me impedisse de desfalecer. – Eu quero que você se lembre.

– Quero te fazer uma pergunta. – Digo depressa, quando a boca dele roça na minha, impedindo o beijo que sabia que aconteceria se eu não dissesse nada, nervosa diante da possibilidade de beijá-lo. De repente, eu nem sei como beijá-lo. Não me lembro se sou boa nisso e fico ainda mais apreensiva com a situação toda.

– Qualquer uma. – Loki beija minha bochecha, depois encosta a testa na minha, sinalizando que pode me dar todo o tempo do mundo para que eu pense na pergunta que for, e me pergunto o quão especial fui ou sou para ele para que ele se mostre uma pessoa tão amável e compreensiva comigo. Quando suas mãos deixam meus quadris e se apoiam na pia, uma de cada lado das minhas coxas, baixo o olhar para o chão.

– Nós parecemos bem íntimos. – Aponto o óbvio, começando a suar frio. – Você está tão perto agora mesmo que parece que o coração batendo dentro do meu peito é seu, não meu. Então, minha pergunta é: nós já...? – Finalmente verbalizo a pergunta que me acovardei até em pensar, quando quase me perguntei se ainda sou virgem.

– Nós já... Dormimos juntos, fizemos sexo, transamos, vimos um ao outro nus e...

– Loki! – Repreendo-o constrangida, querendo enfiar minha cabeça na pia e não tirá-la de lá nunca mais.

A risada de Loki vibra pelo meu corpo, a testa dele ainda encostada na minha e seu rosto ainda muito próximo do meu. Uma mão dele sobe para meu rosto.

– Você acreditaria no que quer que eu diga?

– Nem sei porque perguntei. – Rio, sem graça.

Loki se inclina sobre mim e, antes que eu sequer tenha tempo de pensar em protestar, sua boca já está forçando a minha a se abrir. E ela se abre. E minhas mãos, que já estavam nos cabelos do deus, os agarram fervorosamente, de um modo desesperado que eu mesma não previ. É como encontrar um oásis no meio do deserto sem saber que eu estou no deserto.

Assim, eu me afogo.

Sinto a língua de Loki na minha, sinto seu gosto maravilhoso como se estivesse chupando uma bala de hortelã, sinto contra minha pele sua temperatura fria que só me faz delirar... E me prendo a ele como se fosse este o último instante da minha vida, segurando seu rosto e puxando-o para mais perto.

Sobre a pia gelada, enlaço as pernas dele com as minhas – já que, ele sendo muito alto, seu quadril está mais para cima do que consigo alcançar sentada –, enquanto suas mãos sobem pelas laterais do meu corpo, debaixo da blusa, depois descendo com mais força quando ele aplica pressão ao toque.

Esse hábito idiota de interromper o beijo para respirar não parece existir em nossas vidas. Nossas respirações ruidosas não são um incômodo enquanto nossos lábios estão selados.

Loki segura com uma firmeza perfeita minhas costelas logo abaixo dos seios e arfo contra sua boca, não contendo minha exaltação.

Quem é esse homem?

Afasto bruscamente o rosto do dele e me vejo completamente intrigada pelo deus, assustada com o poder que ele tem sobre mim e ainda mais apavorada com o furacão de sentimentos estranhamente fortes que ele provoca em mim.

– Eu não posso... – Balanço a cabeça, nervosa. – Eu não pos... Nós não podemos. – Levanto o olhar para fitar Loki, que me olha de volta confuso e cem por cento frustrado. – Eu não posso lidar com isso agora.

Pulo para fora da pia, empurrando o corpo do deus para trás e disparando para fora do banheiro, ansiosa para me livrar da ansiedade que a presença dele me faz sentir.

Penso em ir para a sala de estar e, quanto mais me aproximo, mais um enxame de vozes começa a tomar forma.

– É sério, Pepper, eu quero esses arruaceiros fora da minha casa. Devíamos ter comprado um cão de guarda quando eu disse para comprarmos. – Resmunga o Stark.

– Você queria comprar um furão, Tony. – Diz Pepper com tédio.

– Era um bichinho feroz. – O bilionário se defende.

– De qualquer forma – Diz uma voz de mulher que não reconheço. – O diretor Fury nos mandou.

– O que parece para mim, queridinha, é que o Legolas aí se sente culpado e veio aqui se arrastar aos pés da Domino. – Retruca Tony.

– Bom, o que parece para mim é que essa história de falta de memória é conversa fiada, Stark. Que conveniente seria para aquela garota simplesmente se esquecer de tudo o que fez. – A voz de mulher insiste em irritar. Já vi que não gosta nem um pouco de mim.

– Você quer dizer as coisas que fez para proteger as pessoas que eram importantes para ela? – Stark continua. – Não que você saiba qualquer coisa sobre isso, agente.

– Ok. – Diz Pepper, intrometendo-se na discussão para pará-la de vez. – Paz mundial, pessoal.

– Pepps está certa. – Digo, aproximando-se da mesa de centro da sala, tornando-me visível a todos os presentes. – Vocês não vão querer aborrecer os vizinhos. – Tirando o fato de que não há vizinhos.

A piadinha não tem um desfecho muito agradável.

Antes que eu me aproxime da pequena reunião formada por Pepper, Tony, uma ruivona machona e um sujeito baixinho, a tal ruiva louca avança determinada de um jeito alarmante na minha direção. Sei o que ela está prestes a fazer e sei que devo me posicionar, mas fico tão surpresa com a reação maluca da mulher que não faço mais do que ver estrelas quando ela me acerta um soco no nariz.

Caio para trás feito uma jaca podre e sinto meu corpo sendo apoiado pelo único corpo no mundo que forma um encaixe perfeito quando junto a mim. Loki me segura pelos braços antes que eu atinja o chão e, quando espero que ele esteja olhando para mim, encontro-o com a cabeça acima da minha encarando a ruiva com um ódio... Bem, sobre-humano.

– Diga-me que você não convidou a vadia chorona, Homem de Lata. – Diz ele com sua voz cortante e seu sotaque perfeito sem dar a mínima atenção para meu corpo trôpego em seus braços. É como se, uma vez que tivesse impedido que eu caísse, nada era mais importante que acertar as contas com a lunática diante de nós.

Um som desgostoso corre pela minha garganta sem que eu o autorize a ecoar pela sala, chamando de repente a atenção do deus para mim. Reparo que ele baixa a cabeça na direção da minha e ajeita meu corpo nos braços, puxando-me para cima e passando um dos meus braços sobre seu ombro, abaixando-se à minha altura.

Uma dor insuportável começa a se espalhar em pontadas dolorosas que latejam pelo meu nariz, pulsando uma agonia incalculável que aos poucos toma todo o meu rosto.

– Ah, sua cadela... – Digo com uma ira pior que a estampada no rosto de Loki, sentindo uma fúria descontrolada se apoderando de mim. – Sua cadela filha da puta! – Grito no auge do meu descontrole, quando meu corpo começa a tremer com violência, ignorando completamente os prejuízos do meu nariz quebrado. – Eu vou matar você.

E marcho na direção da ruiva.

Notas finais
É, o time só aumenta IHAIOHSIOAG (;