Notas iniciais
Desculpa a demora, me enrolei muito essa semana, mas prometo que eu vou recompensar vcs ♥

Wine, você me arranja problemas desde o dia que nasceu.

— August

...

Ally olhou para os gigantes a sua frente e ficou sem reação. Deu passinhos para trás até cair na cama, arrancou um riso baixo da garota. August revirou os olhos, e mandou a garotinha comer o pedaço de biscoito em suas mãos e puxou Wine para fora do quarto, deixando apenas as garotas lá.

— Então qual o plano? — August ergueu uma sobrancelha esperando o amigo analisar a situação.

— Temos que leva-la para minha tia. — Wine concluiu. — Ela tem que atravessar o Tabuleiro de Xadrez ainda hoje.

— Está quase anoitecendo, não dá para esperar até a amanhã? — August continuou com a mesma expressão.

— Então vamos deixa-la na casa do Chapeleiro. É a metade do caminho se sairmos agora. — Wine aumentou o tom de voz propositalmente para as garotas o escutarem.

— Cale a boca, Carmim. — Violet gritou. — Arrumar essa garota para parecer que nasceu aqui é difícil e eu não sou a pessoa certa!

— Ei! — Ally resmungou. Demorou poucos minutos e as duas saíram do quarto. Wine observou a garota dos pés à cabeça: Ally estava vestida com um dos poucos vestidos que Violet tinha em seu armário juntamente com o par de saltos, os brincos também eram de Violet, mas o laço preso em seu cabelo foi dado por Wine, pois era da Rainha de Copas quando a mesma era bem mais jovem. August veio com algo nas mãos.

— Bem, não sei onde foi parar seu relógio pendurado em seu pescoço, mas acho que isso serve. — ele entregou um colar de um flamingo rosa.

— Obrigada. — a loira sorriu. Wine empurrou o amigo e deu um passo a frente.

— Melhor irmos. — ele ordenou. — August é melhor ficar, não quero te arranjar problemas.

— Wine, você me arranja problemas desde o dia que nasceu. — o garoto riu e desejou boa sorte dizendo que qualquer coisa era só mandar uma mensagem pelas flores fofoqueiras que ele iria ir correndo.

Violet, Wine e Ally conseguiram passar despercebidos. O problema maior nem foi Ally ser reconhecida e sim, Wine. O príncipe sabia que sua mãe iria colocar todos os guardas atrás do garoto. Por sorte, Violet já sabia alguns lugares para eles passarem, onde a guarda nem iria pensar que um príncipe iria passar.

O trio saiu da propriedade Hearts um pouco tarde do que o previsto. Andaram por um longo tempo e só quando o sol estava desaparecendo acharam uma linha de fumaça no meio da floresta.

— Precisamos achar algum abrigo, agora. — Violet falou olhando para o céu. — De preferencia longe da floresta.

— O que tem na floresta? — Ally ergueu uma sobrancelha confusa.

— Coisas horríveis. — Violet falou. — De manhã, isso tudo pode ser uma maravilha, coisas lindas voam por ai, mas de noite são os pesadelos que tomam conta. E essa é a floresta que eles mais aparecem.

— Aqui é a floresta de divisa entre o lado vermelho e branco. — Wine explicou antes de sair algum som da boca de Ally. — O Tabuleiro de Xadrez fica mais a frente e o castelo de minha tia mais a frente.

— Eu não entendo muito esse mundo, mas como assim pesadelos?

— Monstros. — Violet falou colocando a mão na espada. — Wine, reação agora.

— Quer um plano é? — o garoto ergueu uma sobrancelha e olhou em volta. Pode-se escutar um rugido e Ally se encolheu.

— Quero. — Violet falou sacando a espada e a apontado para o breu que começava a ficar forte. Algumas plantas começaram a brilhar, mas não era o bastante.

— Bem... Toca de Coelho? — Wine segurou o ombro das duas e as puxaram para trás. Ally pensou que havia caído em cima dos dois, mas percebeu que nenhum deles havia reclamado de dor. Quando finalmente pode ver alguma coisa, enxergou que aquilo era um buraco, um buraco grande para passar os três. Olhou para cima e viu Violet caindo poucos metros acima da loira e se virou para baixo vendo Wine começar a planar a poucos metros abaixo de Ally. Wine foi o primeiro a cair, Ally tentou se mexer para o lado para não cair em cima do príncipe.

— Perdão. — ela falou corando quando caiu em cima de sua barriga. Levantou-se rápido para Violet não cair em cima dos dois. Wine a seguiu.

— Não se preocupe. — Wine sorriu fraco limpando a roupa suja de terra.

— Isso, só porque eu sou uma Valett eu não preciso de amortecedor de queda. — Violet revirou os olhos assim que caiu no chão.

— Oh, desculpe, na próxima eu fico para você quebrar meus ossos. — Wine revirou os olhos.

— Que gentileza a sua. — Violet retrucou.

Ally ficou em silencio apenas observando os dois discutirem. Vagalumes começaram a rodear o lugar, iluminando-o mais. Ally pode ver que era realmente um fundo de um buraco com uma saída pequena com um cheiro muito forte.

— Toca de Coelho? Sério? — Violet falou guardando a espada. — Acho que você pegou o buraco para o Mundo Subterrâneo, Hearts.

— Seu tom é um doce comigo. — Wine a fuzilou com um olhar. — Deveria ter mais respeito comigo.

— Aqui você não manda. — Violet retrucou. — Se isso aqui é o Mundo Subterrâneo...

— Vocês me trouxeram para o Mundo Subterrâneo? — Ally ergueu uma sobrancelha. — Não sei qual a definição disso para vocês, mas para isso é algo muito ruim. Muito ruim mesmo!

— Não viemos parar no Mundo Inferior, Alic... Allyson. — Wine se corrigiu entrando no único lugar que dava para sair.

— Ally, pode me chamar de Ally. — a loira falou seguindo o príncipe.

— Então paramos aonde? Na terra dela? — Violet ignorou a loira e os seguiu. — Ou isso é a casa da Lagarta? — uma porta apareceu logo a frente, de lá de dentro havia um pouco de fumaça, algo estaria queimando, pensou Ally. — Você nos trouxe para cá? Não acredito!

— Desculpe, mas quando se está escuro não é possível distinguir o que é Toca de Colho, Mundo Subterrâneo, caminho para a casa da Lagarta Azul! E nem me lembrava que ela estava morando debaixo da terra agora... — Wine revirou os olhos batendo na porta.

— Não acredito que você fez isso. — sussurrou Violet.

— Que mal tem? — Wine olhou confuso para a garota. Não demorou muito e um ser grande e azul abriu a porta, os olhos do animal percorreram todos os três atentamente e parou em Ally.

— Você. Sabia que iria aparecer mais cedo ou tarde. — a voz grossa da Lagarta escoou. — Vem, pode entrar. — ele estendeu algo que deveria ser sua mão convidando Ally a entrar.

— Na verdade, precisamos da sua ajuda para voltar lá para cima. — Violet falou. Lagarta a encarou.

— Cria de Valett, eu sei muito bem do que vocês precisam. — ele falou pausadamente. — Mas primeiro, adorável Alice, preciso alertar-te.

— Não sou Alice. — Ally disse. — Sou Allyson, filha dela. — a Lagarta a olhou dos pés as cabeças mais uma vez. Observou cada detalhe antes de mudar de expressão.

— Sim, claro. — disse. — Neste caso, o alerta é maior!

— Por favor, fale logo. — Wine pediu com delicadeza. — Precisamos che...

— Calado, filho de Iracebeth. — o ser azul falou estreitando os olhos. — Não tens nenhum direito de abrir a boca durante a minha presença.

— Perdão? — Wine ergueu uma sobrancelha.

— Calado. — Lagarta insistiu. — Vamos entrar querida. — ele olhou para Ally tentando sorrir. A loira olhou confusa para os dois. Wine fez um sinal para que entrasse e Violet concordou.

— Claro. — a loira assentiu e entrou na casa deixando os dois sozinhos do lado de fora.

Violet se sentou no chão apoiando-se na porta. Wine ficou mesmo em pé, não queria se sujar, apesar disso estar sendo impossível naquele lugar. O garoto achou uma posição boa, onde podia ver a lagarta e Ally conversando e podia olhar para Violet.

— Preciso perguntar ou você vai me responder? — o menino perguntou chamando a atenção de Violet.

— Hã, está querendo saber sobre por que a lagarta te tratou assim? — Violet ergueu uma sobrancelha. — Fácil. Muito fácil.

— Então me diga.

— Sua mãe. — a garota respondeu fazendo Carmim revirar os olhos. — Ela caçou a filha da Lagarta por ela ter ido para o Castelo de Cartas sem permissão. Não acharam a garota para decapita-la então, colocaram fogo no cogumelo onde eles moravam. Nunca mais viram a menina depois daquele dia.

— Está brincando, não é? — o garoto ergueu uma sobrancelha esperando que Violet risse, mas nada disso aconteceu. — Minha mãe não pode ter mandado fazer isso, é loucura.

— Sua mãe é sanguinária. — Violet falou. — Ela não é alguém bom para se ter como inimigo. — Wine tentou absorver a verdade. Sabia que sua mãe era louca, mas não ao ponto de querer ver uma família sendo destruída. Apesar de quando sua mãe mandou matar o pai de August, ela tinha esse intuito. — Deve ser por isso que sua mãe não te contou.

— Estou bem. — Wine falou entre dentes. Violet deu de ombros e Wine voltou para dentro da casa, podia ver Ally conversando com a Lagarta, via a inocência dela e isso era algo gostoso de ver. Nem havia notado que tinha a Dama de Paus nas mãos. Ficou olhando para loira e para a carta, ambas eram charmosas e graciosas. Carmim não sabia se Ally era alguém amorosa e extrovertida, mas nunca errava quando achava a carta certa para a pessoa. E Dama de Paus era a que ele não dava para qualquer uma.

O garoto se assustou quando ouviu a porta se abrir. Ally saiu de lá e agradeceu a Largata por aquele precioso tempo.

— Vamos? — perguntou animada.

— Ainda deve estar escuro. — Violet falou.

— Não, o tempo aqui em baixo passa mais rápido. — Ally riu e voltou para o caminho que haviam passado. Carmim e Violet se entre olharam antes de seguir em frente. A loira jogou algo que estava em sua mão na terra e começou a flutuar de volta. — Andem, andem! O efeito vai passar.

— Como sabe disso tudo? — Wine perguntou empurrando Violet primeiro e indo depois das garotas.

— Lagarta que contou. — a garota riu consigo mesma.

Quando os três chegaram a terra firme, o sol brilhava no País das Maravilhas. Wine achou estranho, mas continuou a caminhar. Os três caminharam por um longo caminho até que Violet colocou a mão em sua espada novamente.

— Tem alguém nos seguindo. — a garota sussurrou tirando a espada e apontando para o meio da floresta.

— Apareça. — gritou Wine. — Sou o príncipe Hearts e ordeno que apareça! — Violet revirou os olhos, mas aquilo de fato havia resolvido alguma coisa. Uma menina apareceu em meio as árvores.

— Louise Carterpillar Blue? — Ally perguntou se aproximando da garota de pele branca, que mais parecia azul.

— Ally, cuidado! — Violet alertou segurando o braço da loira. A menina que havia aparecido em meio às árvores virou a cabeça olhando para a loira.

— Como sabe meu nome?

— Eu conheço sua história. — Ally sorriu. — Posso te ajudar. Sou Allyson Kingsleigh.

— Oi. — a garota acenou e se aproximou.

— Violet, pode guardar a espada. Ela é amiga. — Ally sussurrou.

— Quem é você? É filha de quem? — Wine perguntou a analisando. Violet o puxou.

— Ela é a filha da Lagarta, idiota. — Violet sussurrou. — Sua mãe arruinou a vida dela.

Wine ficou com pena da garota. Pegou uma carta de seu baralho, Dois de Paus, e entregou a garota.

— Seus desejos vão se realizar. — Wine falou tentando sorrir. — Pode vir conosco se quiser. Vai ser bem vinda.

— Obrigada. — a garota sorriu. Violet revirou os olhos.

— Andando, é uma longa viajem até a casa do Chapeleiro.