Ally in Wonderland
5 Capítulo 5
Notas iniciais

Isso tudo é muito estranho... As horas do chá são sempre assim?
— Violet Valett
...
— Olha, olha, finalmente apareceram aqui... — Chelsea apareceu em um galho chamando a atenção de todos.
— Se você não tivesse me mostrado o caminho errado, já estaria aqui! — gritou Ally mexendo os braços.
— Calma, ele sempre faz isso... — Wine segurou a loira. O príncipe olhou para Chelsea. — Você voltou ao Castelo Hearts? Como está a situação lá?
— Sua mãe está brava... — o gato sumiu fazendo com que Wine resmungasse. — Se eu fosse você, correria. — a voz de Sea soou.
— O que está querendo dizer? — Violet ergueu uma sobrancelha.
— Bem, a Rainha tem um temperamento forte, e é louca, então quando a maior inimiga dela volta para o reino e ainda faz com que o filho amado, suma, Iracebeth não pega leve. — Sea disse dando ênfase em algumas palavras. — Você deveria saber disso, Carmim. — o gato olhou para o garoto esperando a resposta.
— É melhor vocês irem rápido. — o príncipe falou. — Eu vou voltar.
— Mas... — Ally segurou em seu ombro.
— Eu preciso ir. — Wine segurou a mão da garota e lhe entregou uma carta. Ally o olhou sem entender nada. — Violet consegue encontrar o castelo de minha tia.
...
Ally continuou o caminho junto com Violet, Loise e Chelsea até a casa do Chapeleiro. Não era muito longe de onde haviam deixado Wine, a essa altura, o príncipe já estaria mais perto do castelo Hearts, mas algo que a loira não entendia era porque o príncipe deixou uma carta com a garota. O que um Nove de Copas representa? A garota ficou girando a carta tentando entender qual era seu significado, mas continuou sem entender nada.
— Ele vai voltar. — Violet disse por cima do ombro. A garota estava na frente de Ally e percebeu a inquietação da garota.
— Como que você sabe? — a loira ergueu uma sobrancelha.
— Nove de Copas representa várias coisas, entre elas realização de um desejo precioso e recompensa ao esforço. — Violet se virou para a garota e começou a andar de costas para poder encara-la. — Conheço Wine bem, e ele não vai deixar de despedir de você.
— Então eu vou conseguir voltar para casa?
— Se conseguirmos chegar ao Castelo da Rainha Branca ainda hoje, sim. — Violet deu um meio sorriso e voltou a caminhar direito. Ally apertou a carta. Um desejo precioso, seu desejo era voltar para casa. Olhou para ao lado e viu Louise segurando um coelho, encarou a garota por poucos segundos e voltou a caminhar, devia ser triste não se lembrar de nada, queria ajudar a garota, mas não sabia como.
Chelsea parou bruscamente, fazendo com que as três se trombassem.
— Chegamos a casa Hatter. — o gato deu um sorriso. — Maddison deve estar louca para vê-la, cara Allyson.
— Nada disso estaria acontecendo se você tivesse me mostrado o caminho certo. — Ally fechou a cara e deu um passo a frente para bater na porta. Demorou alguns segundos para um homem mais velho atender a porta.
— Alice? Oh como é bom vê-la! Seu chá está esfriando, pensava que não iria vir. — o homem agarrou Ally pelos ombros e a puxou para dentro. Sea riu da cena e desapareceu.
— A onde ele vai? — Louise perguntou seguindo Violet para dentro da casa.
— Ele faz muito isso, não se preocupe. — a garota entrou na casa e o cheiro forte de chá rodeava o lugar.
— Mas eu não sou Alice! — a voz de Ally conduziram as duas para fora da casa, onde várias cores fortes e animais um pouco estranhos estavam. Violet viu, literalmente, butterflies voando pela mesa. Louise estava entusiasmada de tantas cores e logo se aproximou. — Digam a ele, por favor, que eu não sou a Alice!
Violet não conseguiu segurar a risada. Ally estava no meio da mesa sendo servida com chá e bolinhos. Violet se aproximou e uma cadeira a puxou para se sentar, a morena se assustou e quando viu, já estava à frente de Ally com uma xícara lilás na mão.
— Ah, você veio Ally! — uma voz aguda gritou e Maddison apareceu puxando um coelho pelas orelhas. — Demorou a chegar. Bunny que coisa feia, cumprimente-a. — o coelho foi posto em uma cadeira ao lado de Violet e Maddison sentou-se ao lado de Ally. Buny logo tomou a forma normal.
— Isso tudo é muito estranho... As horas do chá são sempre assim? — Violet perguntou tomando um gole de sua xicara.
— Toda hora é hora do chá. — o homem falou entregando mais biscoitos a mesa.
— Papai, vai engordar a gente assim! — Maddie riu.
— Alice precisa ganhar uns quilinhos. — o mais velho riu. — Está pele e osso.
— Ei! — Ally protestou tentando levantar da cadeira. — Eu não sou Alice e nem estou magra de mais!
— Então quem é? — o Chapeleiro ergueu uma sobrancelha com um sorriso brincalhão. — Se parece com Alice e até fala como ela.
— Sou Ally, a filha dela. — a loira falou confiante.
— Hm, conheci sua mãe então. — Chapeleiro estendeu uma xicara. — Boa moça era ela. Como ela vai? Ainda tem a paixão pelo...
— Pai! — Maddie o cutucou. — Desculpe Ally, mas não leve a mal nada disso.
— Cartas... — sussurrou Buny. Violet o cutucou. — Cartas estão vindo para cá. — as orelhas de Buny se mexeram. — Precisamos sair daqui.
— Mas e a hora do chá? — Maddie perguntou bebericando seu café em sua xícara.
— Fica para mais tarde. — Violet se levantou apresada. — Se o que o Rabbit disse é verdade, precisamos correr.
— Mas eu estou com fome... — choramingou Louise.
— Pegue, pegue. — o Chapeleiro entregou a de cabelos azuis vários bolinhos. A garota sorriu e seguiu Violet.
— Vocês dois vão conosco. — quando era necessária uma liderança, Violet fazia isso a sério. Tirou sua espada da cintura e puxou Ally para dentro da floresta sendo seguida pelo os outros. — Se abaixem, não digam nada. — Violet sussurrou abrindo caminho entre as moitas.
...
A tarde estava linda, o sol se refletia nas vidraças do castelo White. Miranda e seu marido estavam fazendo um passeio pelo jardim, ouviam-se apenas os sons dos passarinhos, era algo muito agradável.
— Majestades! — um criado veio correndo para perto dos reis. — Chelsea Cheshire está aqui. E ele afirma ter algo importante para dizer a vocês dois.
O Rei olhou para sua Rainha, que mantinha uma expressão confusa e ao mesmo tempo surpresa. O Rei fez um sinal para o criado aguardar fora do jardim e olhou para a esposa aguardando alguma coisa.
— Precisamos ver o que ele quer. Chelsea entra aqui quando bem entende e nunca pede com delicadeza para falar conosco. — a Rainha analisou. — Vamos ver o que ele quer, apenas, mas temo que seja algo ruim.
— Os boatos de que Alice está aqui não é algo ruim o bastante? — o Rei ergueu uma sobrancelha.
— Bem, minha irmã já deve ter mandado o baralho inteiro atrás dela. — Mirando tomou o braço do amado e começou a caminhar de volta para o palácio.
— Chelsea deve ter informações sobre isso. — o Rei falou seguindo o criado.
O gato estava em destaque entre o salão de entrada do castelo. As cores rosa e roxo chamativas do gato pareciam brilhar no ambiente todo branco. Assim que viu os reis se aproximando, Sea se curvou diante deles.
— Boa tarde, Majestades. — ele disse encarando ambos com um sorriso.
— Adiante um pouco, Cheshire. — pediu o Rei. — O que está fazendo aqui?
— Os boatos são, em parte, verdadeiros. — o gato falou de uma vez.
— Explique melhor, por favor. — Miranda falou em um tom doce e delicado.
— Bem, não é Alice que está aqui, e sim, a filha dela, Allyson. — o gato mordeu a bochecha. — Rainha de Copas já colocou o baralho atrás da garota, mas ela não sabe que de fato é não é Alice. Carmim Wine of Hearts e Violet Valett estavam ajudando a garota, mas as coisas ficaram feias e mandei o príncipe voltar para a mãe, as duas devem estar na casa do Chapeleiro Maluco.
— Quão feio? — o Rei cruzou os braços.
— Incêndios e confusão. — o gato falou se encolhendo um pouco. — A Rainha colocou um preço sobre a cabeça da garota.
— Todos estarão atrás dela... — a Rainha analisou. — Não há nada que podemos fazer.
— Manda-la de volta, majestade. — Sea falou. — O sangue de Jaguadarte pode manda-la de volta, igual a senhora fez com Alice.
Miranda não disse mais nada. Olhou para o marido, que disse tudo o que o gato precisaria fazer:
— Traga Alice, digo, Allyson o mais rápido para cá. Ela ficará segura até tudo estiver pronto para sua partida.
O gato assentiu fazendo uma reverencia exagerada e sumiu. Mas não foi procurar Ally, foi para o andar de cima do castelo, procurar Matthew Marmoreal White. O garoto estava em seu quarto, o arrumando como sempre, e Chelsea sentou-se na cama, ficando visível novamente. Demorou alguns segundos para Boogie, o husky siberiano de Matt, notar a presença do gato e latir. O loiro virou-se para Chelsea com uma cara de surpresa com um toque de confusão.
— Não pode chegar assim no meu quarto, sabia? — Matthew ergueu uma sobrancelha indo para o cão fazer-lhe um cafune.
— Oh, perdão. — Chelsea riu. — Mas eu vou ganhar um cafune também? — o garoto se ajeitou na cama. Matt revirou os olhos rindo e se aproximou do mais velho.
— Tire os sapatos, está sujando minha colcha. — Matthew se sentou apoiando na cabeceira da cama. Quando Chelsea terminou de tirar os sapatos, deitou sobre o colo do outro. O príncipe começou a passar as mãos sobre o cabelo do gato. — O que te trouxe aqui, Chel?
— Tirando o fato deu estar com saudades disso? — o gato respondeu manhosamente. Marmoreal deu um riso baixo. — Bem, é provável que sua tia esteja louca porque a filha de Alice está aqui. E tinha de avisar a seus pais sobre isso.
— Espere, então os boatos são verdadeiros? — Matt ergueu uma sobrancelha.
— Parte deles. — Sea se mexeu no colo do príncipe podendo o encarar. — Mais alguma coisa?
— Você encontrou com a garota? — as mãos do príncipe passeavam tranquilamente sobre os fios do gato.
— Sim, está com ciúmes é? — Chelsea riu e se levantou, ficando cara a cara com Matt. — Não precisa ter. — o gato deu um selinho em Matthew, fazendo o garoto ficar surpreso e feliz. Não teve tempo de retribuir, pois Chelsea havia desaparecido.
O príncipe deitou na cama rindo consigo mesmo pensando o quando Chel conseguia surpreende-lo. Boogie veio logo lamber o rosto do dono que fez uma careta.
— Está me sujando todo. — continuou a rir.
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