Alluring Secret
2 Cena 2 – Encontro
Um mundo monocromático e de máscaras. A alta sociedade parisiense parecia ser uma completa farsa. Mas aquele era seu mundo, sujo e de negociatas. A noiva estava em uma loja de alto padrão escolhendo artigos para o enxoval do enlace que ocorreria em alguns dias.
Degel estava sentado num luxuoso sofá, servindo-se de chá e de uma leitura. Observava de quando em quando a fútil noiva por detrás das lentes. Ele não a amava nem desamava a jovem, era apenas a noiva que lhe escolheram e a faria uma mulher feliz como os votos mandavam.
Seus longos cabelos esverdeados emolduravam o veludo do móvel, os olhos azuis eram ávidos por cada letra impressa naqueles papeis costurados. A pele alva que fazia com que combinasse perfeitamente com o terno escuro.
A tarefa entediante de acompanhar a noiva atingira seu limite de paciência. Degel colocara um sorriso gentil no rosto se dirigiu a jovem:
-Querida, vou resolver algumas coisas. Peça à Pierre para leva-la para sua casa, ok?
-Tudo bem, querido.
Ele se afastou e saiu da loja, ganhando as ruas. Sua cabeça maquinava como faria feliz alguém que não amava.
Ao passar perto de um beco, ouviu alguns gemidos estranhos, parecia alguém que agonizava. Prontamente entrou no beco e encontrou um homem alado, de cabeleira azulada e longa. Parecia ferido e cheio de dores.
“Um... anjo?” – Degel quase não acreditava no que via. Logo as asas se desfizeram no ar, ele não sabia, mas aquele anjo apenas escondera suas asas nas costas. Degel então se aproximou do rapaz, se ajoelhando ali e o aparando.
-Você está bem?
Quando o anjo abriu os olhos reparou no profundo azul que eles tinham, um azul divino.
-Qual o seu nome?
-Ka... Kardia...
Degel o ajudou a ficar em pé, o apoiando para que o mesmo não caísse.
-Vou te levar a um lugar seguro para que você se recupere.
Logo que saíra, Degel parou um carro de aluguel, indicando para que seguisse para sua mansão. Ao sentarem no banco, Kardia desmaiara de novo. As vestes brancas, túnicas, estavam encardidas pela poeira.
Mas as asas intrigara Degel, estaria ele louco pelo estresse do casamento? Não, ele vira bem.
Ao chegarem em sua mansão, ordenou as empregadas que preparassem um quarto para o hóspede e que tratassem de seus ferimentos. Kardia dormia profundamente, mesmo com o corre-corre, e as faixas sendo envolvidas para proteger os ferimentos.
Degel suspirou em seu escritório, agradecendo por ter pedido que seu funcionário levasse sua noiva, seria bastante confuso. O rapaz estava trabalhando nas contabilidades dos negócios de sua família, quando um das empregadas bateu na porta.
-Senhor Degel. O rapaz que o senhor trouxe despertou.
Degel ficou um tempo olhando a moça e a dispensou, pedindo que a mesma preparasse uma boa refeição para o hóspede.
Ele seguiu ao quarto onde Kardia estava e quando o misterioso homem de cabelos azuis encontrou o olhar com o burguês sorriu.
-Degel!
O aristocrata ficou surpreso. Algum empregado disse seu nome?
-Já lhe informaram?
-Oh, não! Eu sempre o observei do céu.
Alguém deve ter dado uma pancada na cabeça. Esse foi o primeiro pensamento, mas então se lembrou das asas que desapareceram quando encontrou com Kardia.
-Você disse... “céu”? – Degel indagou num tom tão baixo que quase foi um sussurro.
-É, céu, paraíso... O que lhe convir! – Kardia parecia tão natural que parecia impossível não crer. – Você viu eu “recolhendo” minhas asas! Eu ainda estava consciente. E... Au! Cair do paraíso não faz bem!
Kardia era mesmo um anjo. Era inacreditável, mas a verdade. Degel estava muito surpreso e precisou sentar na poltrona.
-Vocês, humanos, não são tão crentes quanto pensam. É, eu sei, parece impossível por mais que você possa acreditar. – disse Kardia, pegando uma maçã que uma empregada deixou. – Vocês tem uma racionalidade sem fé.
-Eu não estou dizendo que não estou acreditando! Mas é algo... surpreendente! Então você é um anjo?
-Isso. Anjo da guarda!
-E o que você veio fazer aqui?
-Ah, me expulsaram de lá. Sou um anjo caído. Tipo, eu meio que irritei o patrão.
Degel se compadeceu daquela criatura.
-Bem, fique o quanto precisar, seja até poder se resolver ou voltar pro céu.
-Obrigado. – disse Kardia com um grande sorriso.
Seria aquele o início de um caminho sem volta para o anjo. Um caminho rumo ao pecado.
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