Alluring Aboard

4 Parte II - Consequências.


Notas iniciais
Segunda parte da história. Aqui vou deixar algumas opções de áudio para quem desejar. Pra quem preferir ( e querer se sentir parte da história... rs) O som ambiente: http://www.youtube.com/watch?v=YxIt2GFRBTU Já essas são algumas dicas de músicas (que gosto muito e que talvez se assemelhem ao capitulo... ) para quem quiser, estão aqui os links. -Seether breakdown- http://www.youtube.com/watch?v=BDKM181eTsM -Nirvana - Heart-Shaped Box http://www.youtube.com/watch?v=n6P0SitRwy8 -Seether - Fine Again http://www.youtube.com/watch?v=ET3-t1jFmo0 Seja qual for a escolha, uma boa leitura para você.

As tardes tranquilas e tépidas em um piscar de olhos deram lugar a uma noite de clima pesado e chuvoso –, como se tivessem estranhamente coincidido com a situação- A escuridão invadiu o céu da forma mais repentina e inesperada que se pode imaginar. Nada parecia fazer sentido naquele instante. Nada sensato parecia ocorrer a Violet quando ela mais precisava.

Como num impulso involuntário, adentrou no primeiro táxi que aparecera.

O trajeto até a casa de Ethan nunca pareceu durar tanto. Uma onda de preocupação lhe invadiu o coração. Algo de ruim estava acontecendo.

Algo muito ruim.

O taxista andava agora numa velocidade absurdamente lenta. –o olhar atento esperando os números estampados nas casas aumentarem até chegarem ao 352. – Algo que não podia esperar. Violet praticamente jogara o dinheiro por cima dos ombros do velho motorista, e antes mesmo que parasse o carro por completo, já havia saltado dele com passos extremamente acelerados.

A chuva que ora corria, ora cessava, agora dera lugar a uma forte e demorada tempestade. Os uivos finos do vento passaram para gritos . Batiam com violência contra as janelas que pareciam explodir a qualquer momento com a força da ventania.

Os passos de Violet passaram de rápidos para uma corrida sem fim. Não era a tempestade que a preocupava. Tudo fora de sua mente agora não havia importância. À medida que os números das casas de aproximavam ainda mais, seu desespero aumentava. Era a coisa mais estranha que acontecera em toda a sua vida. Sentia uma ligação extremamente forte e ao mesmo tempo obscura com Ethan, que não podia explicar.

As gotas de chuva batiam forte em seu rosto, mas agora se misturavam às lágrimas. Não era possível saber qual escorria primeiro e inundava sua roupa. O que estava acontecendo?

Queria gritar por ajuda, mesmo numa rua completamente deserta, mesmo o vento abafando qualquer outro tipo de ruído, mesmo... Mesmo não sabendo se quer o motivo de seu desespero.

Parou no inicio dos degraus brancos. Levou a mão esquerda para a maçaneta e a girou ao mesmo tempo em que bateu na madeira escura e plana com força. Sabia que não conseguiria abri-la em um só tranco. Mas então a surpresa.

Não fora preciso um empurrão de ombros. O pousar da mão direita empurrara a porta. –que com a força batera contra a parede assim que recostou.

Não estava trancada ou apenas fechada. Ver que a porta estava apenas recostada –com a poça d’ água já se formando na entrada- surpreendeu Violet, mas o que a impressionou assim que deu os primeiros dois passos para dentro, fora ver a situação da sala.

Os vasos chineses espalhados aos cacos, por todo o piso de madeira. O espelho acima, com uma marca estilhaçada bem ao meio, como se alguém tivesse dado um soco em falso com toda a força, ou a cabeça de alguém tivesse sido atirada contra ele.

Estilhaços. Estilhaços de vidro, porcelana... Todos espalhados pelo chão.

A pequena poltrona estava de ponta cabeça, longe de onde costumava ficar. Assim como a mesinha de centro.

O cenário de uma luta explicita, sem duvida, bem a sua frente.

Dera passos curtos –três precisamente- se aproximando do centro da sala. Sua cabeça inclinara a uns trinta graus, desviando do sofá de couro.

Exatamente aquilo que pediu aos céus para que não se confirmasse, agora não restavam dúvidas.

Um caminho de sangue, partindo de onde estava, seguia por uma longa distancia.

E então não teve mais coragem de olhar adiante.

Não havia telefones na casa de Ethan, apenas o celular no qual Violet ligara várias vezes todos esses dias e até então, antes de sair de casa. Tirou o celular descartável do bolso da jaqueta e discou mais uma vez para o mesmo número.

A primeira chamada... Um toque abafado vinha da direção das escadas, o porão. A direção na qual o caminho de sangue percorria e descia pelos degraus. A direção que Violet tentava a qualquer custo não olhar.

O som repercutiu até que então parou, deixando apenas o barulho estridente da tempestade invadir o lugar.

Algo muito ruim estava de fato acontecendo, concluiu em sua mente.

Dessa vez conseguira olhar pouco mais além do que estava evitando, mas não havia muitas pistas do paradeiro de Ethan. Uma sala destruídae um rastro imenso de sangue.

Olhou para a tela do celular e apertou o primeiro número de emergência.

–Politiet Hichard, hva er krise ditt? –a voz grave de um homem atendera.

–Meu nome é Violet Vaidden, preciso d...- dizia ofegante quando de repente fora interrompida.

A porta pela qual entrou, batera com toda a força por conta do vento.

Tinha esquecido a porta aberta.

O barulho fez com que Violet derrubasse o celular. Havia deslizado para baixo do sofá a sua frente.

Olhou mais uma vez para a entrada, num olhar de incerteza e desconfiança. Agachou para apanhá-lo , mas assim que sua mão esticada por baixo do sofá chegou a centímetros do celular, um grito rouco e aterrorizante ecoara pela casa.

Suas mãos se contraíram.

Levantara-se rapidamente e ficara de pé na frente do sofá. –sem mesmo ter recuperado o celular.

Sentiu engolir seco. Seus olhos azuis arregalados em direção ao corredor que levava à porta do porão.

Juntou as mãos contraídas e as levou próximas a boca. A preocupação que sentira agora se tornara medo. Um medo que sentia por Ethan. Seria dele o grito que ouvira vindo do porão?

Respirou fundo.

Caminhara ao lado do rastro de sangue. Havia muito e de forma espessa. Alguém se ferira gravemente. O pior era o formato do rastro, não eram pingos ou manchas com pausas entre elas. Eram um rastro continuo e algo se arrastara por cima dele –sem duvida alguém fora arrastado.

Seu caminho seguia reto pelo corredor, fazia uma leve curva e parava a exato em frente à porta do porão.

Violet pousou a mão sob a maçaneta. Sentiu o corpo congelar. Respirou fundo novamente, contava mentalmente até três para ter coragem e abrir a porta.

Um gemido ecoou por entre a porta e fora como se atingisse em cheio a cabeça de Violet assim que pronunciara mentalmente o número dois.

Abriu a porta.

Ali, do topo da escada, a única visão que tinha era a dos degraus de madeira. Era a primeira vez em que chegara perto do porão, e dessa vez, a única coisa que parecia a impedir era seu medo.

O medo de presenciar o motivo de tudo aquilo, e não conseguir fazer nada para ajudar. Poder imaginar que Ethan estivesse ali embaixo, à beira de morte.

O som da tempestade adentrou sua mente, parecia ter se tornado a trilha sonora daquele pesadelo.

Desceu os dois primeiros degraus lentamente... A madeira rangera e ecoara pelo porão.

Apertou o olhar contra a escuridão. Um piloto automático aterrorizado.

Apertou o interruptor ao seu lado.

A luz era extremamente fraca. Mal conseguia ver em que degrau seus pés atingiam. Cada mão se fixou em uma parede –não havia corrimão- , e foram deslizando à proporção que Violet descia as escadas.

A tempestade ficara abafada e não era tão nítida ali debaixo. Assim que Violet adentrara no porão, o único som que conseguia escutar era de pingos d´água. Um encanamento furado devia estar próximo da escada. –da qual não se afastara muito assim que descera.

Permaneceu alguns segundos sem antes olhar ao redor. O grito viera exatamente de onde estava agora. Não sabia o que a aterrorizava mais, mas com certeza, o fato de estar na mais completa escuridão era um dos fatores.

Havia outro interruptor ao final dos degraus. Sua luz era tão fraca como a que iluminava a escada.

Um silêncio pétreo.

Fora então se aproximando do centro do porão. Havia caixas e mais caixas empilhadas ao redor. A lâmpada falhava a cada segundo, queimaria a qualquer instante.

Uma poça se formava por debaixo de um encanamento perfurado. Havia uma pequena janela no alto, ao fundo do porão. Os pingos d´água caindo sobre a poça eram os únicos ruídos do porão, mas após alguns segundos algo se mexeu dentre as caixas de papelão. O ruído vinha da esquerda, em meio a uma enorme bagunça. Violet se aproximou com cautela das caixas. Ergueu a mão direita em direção a caixa de cima e então em um movimento rápido, bateu contra ela, jogando-a no chão.

Um grito abafado saiu de sua boca.

Um animal pequeno correu para outra extremidade do porão, assim que a caixa foi jogada.

Sentira um alivio momentâneo, literalmente, pois assim que dera o primeiro passo para trás, algo segurou seu tornozelo.

Com a respiração ainda alta, moveu o olhar para o chão. Seu coração disparou.

–Soc... corr... – a voz rouca e estremecida sussurrou.

Violet contornou o corpo diante da cena horrenda a sua frente. Observou perplexa, a velha vizinha de bruços, imersa em uma poça de sangue. A lateral do rosto deitada no chão. A tentativa de manter o olhar para cima. Uma súplica de ajuda.

Violet se agachou e pousou as mãos sobre as costas da velha. Sentiu o sangue ensopar a calça na região dos joelhos.

–S...Senhora Raine... – seus olhos pareciam não acreditar na cena que estava presenciando. Seus lábios estavam petrificados. As palavras saiam em jorros cercados por segundos de silêncio.

Violet espremia o olhar para o rosto da velha, na qual lutava para conseguir encher os pulmões de ar e dizer suas últimas palavras.

–Diga! O que aconteceu?! – Violet gritava, mesmo sabendo que a velha morreria a qualquer instante. –Quem fez isso?! Precisa me dizer!

Os lábios finos em linha reta socavam silabas fortes. Violet ergueu cuidadosamente a cabeça do chão e aproximou o rosto.

–Ain...da..qui.. –sussurrou com dificuldade.

A lâmpada também em seus últimos instantes fazia de suas piscadas os únicos momentos em que Violet podia olhar breve e profundamente os olhos dela.

–Quem?! Quem está aqui?

E então Violet se deu conta de que quem quer fosse que havia feito aquilo, ainda poderia estar na casa.

–Sai... –o ar parecia estar a abandonando de vez.

Dessa vez a ergueu pouco mais longe do chão e conseguiu vira-la. Algo parecia brilhar próximo de onde ela estava.

. Com a mão esquerda livre, se debruçou deslizando o braço. Era o celular de Ethan. Os botões não funcionavam, estava ensopado.

–Deus... –ela o colocou ao seu lado. –Onde ele está? Onde Ethan está?!

Teve medo de ouvir a palavra sussurrada que estava imaginando. De saber que em alguma parte da casa Ethan poderia estar na mesma situação.

–Por favor... – as lágrimas apareceram novamente. –Onde ele está?!

Nesse momento, algo andava sobre o assoalho no andar a cima. A casa estava silenciosa então os passos puderam ser ouvidos.

–Sai... –eram as únicas palavras que saiam de sua boca.

–Tenho que ajudá-lo... Por favor... – disse no mais breve sussurro, mas ainda prestando aos passos.

Violet ficou em silêncio por alguns segundos com a cabeça erguida para o teto.

–E-ele pegou o Ethan? –perguntou.

–Aju...da, chama Ajud... –ela se desvencilhou das mãos de Violet e ficou novamente na poça. Alguns respingos pularam assim que suas costas atingiram o chão.

– Vou buscar ajuda, eu prometo... –disse numa voz baixa e reconfortante.

Violet se afastou ainda ajoelhada. Seu olhar se voltou para a velha.

–Sra. Raine... ? –chamou seu nome sem resposta. Tudo ficou em silêncio. –Sra... –Violet percebeu que o olhar dela não dera sinal de morte. A velha apenas olhava para cima... Como se prestasse atenção em algo.

Violet também olhou para cima e então percebeu... Os passos.

O ruído dos passos havia acabado.

O barulho de um trovão caiu ao mesmo tempo em que a lâmpada finalmente explodira. Numa força restante sobre-humana, a velha buscou o ar que ainda havia em seus pulmões e dessa vez gritou:

–SAI! — e então seus olhos se perderam na escuridão.

Violet se levantou o mais rápido que conseguiu. Seguiu em disparada até a escada deixando as pegadas ensanguentadas de seu tênis pelo caminho.

Tinha que sair da casa e buscar ajuda se ainda quisesse salvar Ethan.

Subiu as escadas de madeira, não podendo evitar o ranger alto que elas emitiam. Via um claro do topo da escada vindo da luz forte do corredor. Teria que sair o mais rápido possível até chegar à entrada. Posicionou um grande passo para pular os dois degraus restantes para sair, mas então alguém apareceu bem na sua frente e bloqueara sua passagem.

–Não! –ela gritou e com o impacto tombou para trás.

Uma mão puxara seu punho antes que seu corpo rolasse escada abaixo e a trouxe para frente.

–Violet! –disse a voz alta –Graças a Deus!

Seus rostos estavam a centímetros um do outro.

–Ethan...Meu Deus! –Violet o abraçou fortemente. Ethan a segurou com um mão e com a outra acariciou os cabelos de Violet.

–Nós... Temos que sair daqui... –disse ele. Sua respiração era ofegante, havia um corte em seu lábio inferior e sua camiseta azul clara e justa, estava repleta de manchas de sangue, com uma parte maior e centralizada na região do abdômen.

–Você está ferido! –disse observando a mancha enquanto se afastava.

–Eu vou ficar bem. –sua feição não mostrava sinais de dor, embora tenha pressionado a mão frente ao ferimento.

–Não vamos conseguir correr com você assim! Escuta essa tempestade! –no mesmo instante um trovão coincidiu com a frase.

Ethan ergueu a cabeça levemente para trás e inspirou.

–Eu disse que vou ficar bem Violet... –sussurrou, voltando a olhar para ela e segurando suas mãos.

– A Sra. Raine está no porão! Alguém tentou matá-la!

–“Tentou”? –perguntou arqueando as sobrancelhas.

–Ethan! Tem uma mulher morta no seu porão! Temos que procurar um lugar pra se esconder!

Ela observou novamente o ferimento no abdômen de Ethan. – Mas não podemos sair assim. Precisamos estancar esse sangue... Meu Deus... Mais que droga! –Violet estava completamente atônita, falava com muita rapidez. – Tem um assassino ainda aqui! Droga... Droga!

Ethan permaneceu calado, seu olhar se voltava para trás de Violet, para as escadas do porão. Não parecia perplexo, e sim ponderar sobre algo.

–Ethan! –disse Violet em voz alta.

Ele voltou o olhar para ela.

–Tá me escutando?! Onde há uma caixa de primeiros socorros?

Ainda olhando para Violet ele não dizia nada. Mas agora parecia ponderar sobre ela. Violet pousou as duas mãos sobre o rosto de Ethan e olhou fundo nos olhos dele.

–Você está em choque?! Meu Deus... O que aconteceu Ethan?! –agora sua preocupação se voltara ainda mais para Ethan.

Retirou uma das mãos do rosto dele e a pressionou contra o ferimento.

–O que? –perguntou Ethan calmamente.

–Deus! Uma caixa de primeiros socorros! Está entendo?! Primeiros Socorros! – disse mais uma vez em voz alta, mas logo se lembrou do assassino ainda presente na casa.

–No escritório... –disse finalmente.

Violet passou o braço esquerdo de Ethan sobre seu ombro sem mais perguntas e então começou a caminhar pelo comprido corredor. Olhava ao redor a cada passo dado, atenta a qualquer movimentação estranha. Os corredores da casa eram em L, então assim que cruzaram o final do corredor, havia mais um. O escritório ficava ao final dele.

Nada nas escadas acima, Violet observou. Nem nada nos quartos de hóspedes, sussurrou quando passou por eles.

Com a mão que estava livre, deslizou a porta de vidro da sala do escritório e posicionou Ethan na poltrona bege de couro.

Começou a abrir os armários e a remexer em tudo.

–Onde está?! –perguntou jogando as coisas para fora do armário.

Ethan estava agora com alguns papeis em suas mãos, eram fotos. E ao seu lado na mesa de mogno brilhante, havia pequenos cartões de plástico.

Violet olhou para trás na direção de Ethan e completamente sem entender a situação, começou a se zangar.

–Você está nesse momento preocupado com o trabalho?! Mas que droga! –se virou para frente até finalmente achar uma caixa de lenços e um frasco pequeno de soro.

Abriu com força a tampa dura do frasco e o despejou inteiro no lenço de papel, deixando vazar as gotas no tapete.

Aproximou-se de Ethan e agachou na altura de seu peito. O sangue não havia secado.

Levantou delicadamente a camiseta na região do abdômen e procurou o ferimento. Ele ainda olhava as tais fotos enquanto Violet apertava o olhar a procura do corte. Havia uma mancha de sangue na região marcada pela camiseta, mas quando Violet deslizou o lenço umedecido por ela, a mancha fora limpa, mas não havia nenhum corte ou ferimento por baixo dela.

–Tem sangue por todo lado... Mas... não consigo achar o ferimento. –disse erguendo mais a camiseta e olhando ao redor.

Limpava todas as machas de sangue, mas não havia ferimento algum.

–É porque o sangue não é meu... –disse Ethan numa voz calma e suavemente.

Violet abaixou a camiseta, ainda agachada, numa centelha de incerteza.

– O-o que? –perguntou inocentemente. –O que você disse?

Ergueu a cabeça para cima, observando o olhar de Ethan.

–Sabe... Eu sempre gostei de você usando essa saia verde... –disse ainda atento às fotos.

Violet o observou ainda mais confusa.

–Do que você está falando?!

Ela arrancara as fotos das mãos de Ethan. Eram fotos suas.

Fora passando uma a uma. Todas eram suas. Todas tiradas em momentos de seu dia-dia...

Em Jersey.

–C-Como... –olhava perplexas as fotos- Onde você conseguiu isso?!

Ethan pegara uma das que havia caído no chão e a observava ainda sentado.

– Fui eu quem as tirou. –disse ele no mesmo tom suave.- Ficaram boas, não acha?

Violet o olhava sem reação.

–Acho até que ficaram melhores do que as de Sarah e as de Jenna... Pena que não tenho como comparar com as de Emily. Foi tão... Repentino. –disse por fim ponderando a palavra, passando os braços por trás da cabeça e apoiando-a.

Violet observou os cartões de plástico sobre a mesa. Não eram simples cartões... Eram identidades das quais as fotos estampadas nelas já conhecia.

Balançou a cabeça, não acreditando no que seus olhos viam.

Olhou para Ethan mais uma vez, parecia ter saído do piloto automático.

–Surpresa? –ele perguntou com a voz mais fria, suave e cautelosa que já fizera. E então sorriu. Uma feição completa e aterrorizante como só um assassino em seu momento de prazer e realização pode expressar.

Foi como se Violet tivesse recuperado o ar. Sua mente decolou da superfície da realidade como um míssil teleguiado.

Largou as fotos, deixando-as caírem sobre o tapete e disparou pela porta. (como deveria ter feito desde o primeiro momento).

Fez a curva do corredor extremamente rente à parede, por pouco não derrubando os vasos do aparador.

Seguiu praticamente deslizando pelo chão devido ao rastro de sangue ainda fresco.

Em nenhum momento a tempestade cessou, pelo contrário, a cada minuto parecia que não podia piorar. Mas àquela altura, isso não importava.

–Não! Não! Não! –arquejou enquanto sacudia a maçaneta da porta trancada. –Ela estava aberta! –sussurrou incrédula. –Por favor, não... –sacudiu uma última vez.

Saiu de frente da porta e correu junto ao sofá no qual seu celular estava de baixo. Não se ajoelhou para apanhá-lo, arrastou o sofá com toda a força, o suficiente para que pudesse ver a ponta do celular.

Curvou-se para pegá-lo, e no mesmo instante a luz da casa despareceu. Tudo ficou numa imensa e aterrorizante escuridão.

Violet permaneceu imóvel atrás do sofá por alguns segundos.

De repente lembrou se da saída dos fundos da área de serviço. Seria uma corrida só. Apenas em linha reta, atravessando o corredor até a cozinha e então até a área de serviço.

“Tem que funcionar, Deus... Isso tem que funcionar.”

Não havia sons de passos ou de alguma movimentação. Só o barulho frenético da chuva.

Podia ter uma chance se corresse rápido.

Respirou fundo e se levantou. Era uma escuridão total. Não havia mais claridade alguma vinda de fora.

Um inferno obscuro.

Era agora ou nunca. Sem esperar por mais nenhum segundo, saiu em disparada ao corredor de escuridão infinita.

Por sorte não havia esbarrado em nada e estava praticamente na porta da cozinha, no cruzamento dos corredores, quando então o grande vulto entrou em sua frente.

–Está perdida?

O corredor era largo, mas não conseguiria escapar com ele bem ao centro.

–Ethan... Eu confiei em você... –disse Violet se afastando, com tom da voz diminuindo aos poucos.

–Ah... Eu sei disso. Se não, por qual razão você estaria aqui, amor?

Violet sentiu seu estômago revirar ao término da frase. As pernas estavam frágeis.

Um tremor incessante a abalou.

–Por favor... Não faz isso. –Eram as únicas coisas que Violet conseguia dizer.

A cada passo recuado, Ethan se aproximava.

–Fazer o que? -soltou um leve riso.

–Se afasta! –Violet pegara um pequeno vaso do aparador.

Ethan esboçou uma feição de tristeza inclinando a cabeça para o lado.

–Violet... Não se lembra como nós nos divertimos? Não foi legal?

–Não chega perto de mim!

Ergueu o vaso.

–O que acha que eu vou fazer? –disse ele sorrindo.

–Por favor... –. Não conseguia mais expulsar as lágrimas de seus olhos, era como se seu corpo já tivesse entrado em um estado de puro desespero e terror.

–Eu só quero conversar com você.

Ethan agora dava passos maiores e estava quase se encostando a ela...

Violet balançou a cabeça.

Ele se aproximou e sussurrou com breves pausas como se falasse com uma criança. E olhou fixo para Violet.

–Eu prometo que vou ser gentil... Quando as minhas mãos estiverem no seu pescoço..

Ethan pulou em Violet até seu braço conseguir segurar o dela, e então o pequeno vaso caiu de suas mãos.

–Não! –ela gritou e então o empurrou com toda a força que pode.

Seu braço havia se desvencilhado do dele, mas fora uma fuga frustrada.

Não conseguira dar mais do que dois saltos, seu braço foi segurando em um só tranco, fazendo seu corpo girar a cento e oitenta graus, batendo instantaneamente contra o aparador.

Sua cabeça batera fortemente no espelho a cima e suas costas num impacto profundo contra o mármore do aparador.

O impacto fizera todos os vasos se partirem no chão, assim como o espelho que acabara de cair.

Seu corpo caíra sentado à frente do aparador. Imóvel.

Uma dor terrível lhe atingira e em poucos instantes fora como se tivesse anestesiado todo o corpo.

Sentiu todos os músculos adormeceram e se viu incapaz de se levantar. Seus olhos lacrimejaram e lhe toldaram a visão.

O vulto se aproximou da situação vulnerável adiante e se agachou bem à sua frente.

–Sinto muito, amor. –disse numa voz baixa. –Vai passar logo...

E então sua visão se escureceu por completo. Sentiu cair em um sono profundo.