Alliierten: Maledizione Delle Fiamme
15 Terceiro ano - Confusão é pouco!
Notas iniciais
Sinto muito pela demora... Mas eu acho que esse capítulo ficou maior do que o normal... *reza para que tenha ficado*
As coisas ainda estão no começo, mas já há muitos problemas por aí... No que será que isso resultará? Nem eu sei. :D
Vamos parar de enrolar, então. Boa leitura! o/
Chaos caminhava pelas ruas de Namimori, porém seus pensamentos não estavam exatamente lá. Focavam-se em uma garota, uma pessoa que ele conhecera há alguns anos atrás. Lembrava-se de seu sorriso, era tão puro e inocente! Mas, da última vez que ele a viu, não conseguiu enxergar a alegria que via antes em seus olhos. Era culpa dele? Foi por causa de seu sumiço, a mentira que fez os pais dela dizerem?
- Bobagem. – pensou. Mesmo que fosse, o que ele podia fazer? Tanto Cornelia quanto ele estavam em famiglie diferentes, famiglie rivais. Chaos precisava se livrar logo daquilo, antes que isso o levasse a fazer alguma besteira.
Mas o que seria “isso”? Ele estreitou os olhos, estava começando a confundir a si mesmo. Suspirando, ele chutou uma latinha. Era de manhã, poucas pessoas estavam por perto. Chaos não tinha o que fazer, até cogitou a ideia de voltar para a mansão de Roderich.
- Com licença? – ouviu uma voz atrás de si. Uma voz masculina, sem dúvidas.
Ele virou-se, seu olhar sério e gélido fez com que o rapaz parado em sua frente erguesse as mãos como sinal de redenção. Arqueando uma sobrancelha, Chaos encarou-o. Careca, meio alto, tinha cara de ser muito relaxado e idiota.
- O que foi? – ele disse direto e frio.
- Poderia me fazer um favor? – e sem esperar resposta, o rapaz continuou. – Entregue esse pacote na unidade do terceiro ano da escola de Namimori. – empurrou um pacote cinza para Chaos. Não era pesado, mas ao tocar o papel-presente, o Guardião da Nuvem de Gerard sentiu um arrepio percorrer pelo seu corpo. – Se der, ainda hoje. – e se despediu acenando.
Chaos pensou em recusar, mas o rapaz já havia sumido. Esquisito...
- Fazer o que. – revirou os olhos e começou a andar.
Refletindo melhor, por que o terceiro ano do ensino médio estudava numa unidade separada das demais classes? Que problemático.
- Pare aí mesmo. – ouviu uma voz feminina dessa vez. Erguendo a cabeça, ele se deparou com uma mulher alta, cabelos negros presos em um rabo-de-cavalo alto e uniforme... Espera, por que ela estava usando um uniforme diferente? – Você não tem permissão para entrar, não é um aluno ou funcionário da escola. Como a minha obrigação é manter a paz em Namimori, eu, Suzuki Adelheid, devo lhe punir. – a garota puxou dois leques de sabe-se-lá-onde e apontou para Chaos.
Ótimo. Ele havia apenas pisado no solo da escola de Namimori e já encontrava um obstáculo. Ela estava prestes a atacar quando notou o pacote. Ficou quieta por um segundo e então apontou para as mãos de Chaos.
- Você veio entregar alguma coisa?
- É o que parece. – ele deu de ombros. Estava perdendo a paciência com aquele “jogo”. Quem era o rapaz de antes? E por que ele pediu justamente para o Chaos levar aquele treco? Por que justamente para a escola pública de Namimori?
- Então não me faça perder tempo, vá logo. – Adelheid deu um passo para o lado, dando espaço para Chaos passar. Lançou um último olhar intimidador para ele antes de voltar a vigiar os portões.
Certo, ele já estava dentro. Passou por dois prédios, ensino primário e ensino fundamental estudavam em um deles, primeiros e segundos anos do ensino médio estavam no outro. Parou na frente do último prédio do território da escola, era até que bastante grande para abrigar apenas o terceiro ano. Chaos checou a etiqueta que estava no pacote, deveria ser entregue para uma garota da sala B.
- Cabelos ruivos, puxados para laranja, olhos verdes, 159 cm de altura. – ele leu em voz alta. – Como eu supostamente irei achar alguém apenas com essas informações?
- Ora, Chaos-kun! – quando o rapaz se virou, encontrou Nea parada na sua frente. Ela sorria e segurava alguns cadernos. – O que faz por aqui?
- Vim entregar isso. – apontou com a cabeça para o pacote.
- Posso te ajudar em alguma coisa?
- Poderia entregá-lo no meu lugar. – revirou os olhos.
- Ah, eu adoraria. – Nea leu a etiqueta rapidamente. – Mas como não sou da sala B, acho que o máximo que posso fazer é lhe mostrar o caminho... Afinal, o sensei ficará bem bravo caso eu demore a voltar. Sabe, eu só saí para ir buscar umas anotações para ele...
- Pode ser. – ele suspirou e então passou a seguir a Guardiã do Sol da Arcadio.
- O que tem dentro disso aí, Chaos-kun? – perguntou curiosa.
- Não faço a mínima ideia. – deu de ombros enquanto olhava para o lado de fora do prédio. – Uma pessoa esquisita na rua me pediu para levar isso até o destinatário.
- E você aceitou? – uma gota escorreu pela cabeça de Nea. – Ah, acho que é por esse caminho. – Nea apontou para o final do corredor. – Passe duas salas, a turma B deve estar na terceira sala da esquerda.
- Obrigado. – e dizendo isso, ele seguiu o caminho que Nea havia lhe dito enquanto a mesma ia para a sala da turma A.
Quando parou na frente da porta, soltou um longo suspiro e abriu-a. Os olhares se voltaram para ele, foi algo um tanto desconfortante. Ignorando aquilo tudo, Chaos deu alguns passos e trocou algumas palavras com o professor. Enquanto o mesmo ia chamar uma pessoa que se encaixava na descrição que ele havia dito, o rapaz encarou rapidamente todos que estavam lá. Reconheceu duas pessoas: Elisabeth, Guardiã da Pulizia, e Kain, o Guardião da Chuva de Gerard. Ah, Fernanda também estava lá. Aparentemente, Elisabeth estava reclamando. “Por que estou aqui? Não há sentido algum nisso, maldita Casilda... Que planos ela tem em mente?!”, resmungava a Madrigal num tom baixo de voz. Fernanda parecia bastante entretida conversando com algumas garotas, mas quando notou o rapaz parado na porta, acenou amigavelmente. Kain o ignorou, assim como Chaos fez. Eles eram companheiros, mas não eram muito íntimos.
Alguns alunos começaram a conversar e encarar Chaos. Perguntavam-se quem ele era, por que estaria ali? No meio de toda essa bagunça, uma garota levantou da carteira, a cara tão pálida quanto o papel de seu caderno.
- Hm? Algum problema, Heartrilia-san? – o professor se aproximou dela. – Ah, jovem rapaz. Imagino que ela se encaixa na descrição da etiqueta.
Chaos petrificou. Quando seus olhos azuis se encontraram com os olhos verdes de Cornelia, tudo o que ele conseguiu fazer foi dar meia volta e fechar a porta no mesmo instante. Estava apavorado. Com o coração acelerado, ele deixou o pacote no chão e saiu correndo.
- C-Cornelia... – balbuciava apenas para ele ouvir.
O que ela fazia ali? Por que ela estava ali? Por que o pacote era para ela? Quem era aquele cara, o esquisito que lhe dera o pacote? Iria espancá-lo... E muito. Chaos ainda não podia se encontrar com ela... Não, ele nunca poderia se encontrar com ela! Cornelia... Ela era da Notte Bleu, uma famiglia rival! E se por acaso eles se reencontrassem, Chaos sabia... Seria no campo de batalha!
- ALEC! – uma mão segurou seu pulso. Ele parou de correr e olhou para trás, lá estava a garota que invadira seus pensamentos alguns instantes atrás.
- C-C-Cornelia... – ele encarou o chão. Não conseguia olhá-la nos olhos e não tinha como fugir, não mais. – O que... – respirou fundo, precisava manter a calma. – O que você está fazendo aqui? Seu sensei irá ficar bravo.
- Se eu ligasse para isso, não estaria aqui! – Cornelia falou irritada. – É... É você mesmo, não é, Alec? Apesar de terem te chamado de “Chaos”, é você... Certo? – ela estremeceu, seu tom de voz denunciava sua incerteza.
- ...Você não acreditaria caso eu dissesse que sou outra pessoa, não é? – ele suspirou diante do olhar severo dela. – Já faz algum tempo, Cornelia. – ele esboçou um sorriso fraco.
Num piscar de olhos, a expressão de Cornelia mudou: um sorriso brotou em seus lábios e um brilho refletiu em seus olhos. Era como se voltasse a ser uma criança, a alegria era óbvia em sua face.
- Você está vivo! – Cornelia o soltou. – Então... Então meus pais realmente estavam mentindo!
- Eu sinto muito por aquilo... – ele sussurrou. – Eu... Eu tive que sumir naquela época e--
- E por isso você pediu para que os pais dela dissessem que você havia morrido. – disse uma voz vinda da árvore próxima aos dois. Eles olharam assustados e assumiram uma posição defensiva. – Ei, ei. Não precisam ficar assim, eu não sou um inimigo! – um vulto saltou da árvore e pousou na frente deles.
- J-John? – Cornelia arqueou uma sobrancelha. – Você não está com a Mary hoje?
- NÃO PRECISO DELA O TEMPO TODO! – ele falou um pouco mais alto do que devia. – Digo... Ahn, você se chama Alec Nightieve Mustaric, correto? Eu sou John Arias, subordinado da Tredicesima Distrune... Imagino que você a conheça, tentou matá-la uma vez. – John estreitou os olhos, mas sorriu.
- Como você me conhece? – Chaos perguntou friamente.
- Eu fiz meu dever de casa. – John deu de ombros. – Devo estar sempre informado, isso ajuda muito a Distrune.
- John... Você sabia que o Alec estava vivo?! – Cornelia falou pasma.
- Não me olhe desse jeito, Cornelia. Não é que eu tivesse 100% de certeza... Então eu mantive sigilo, pelo menos até confirmar minhas teorias. – ele riu e então se virou para Chaos. – Mas agora eu tenho certeza... Você é o garoto que matou os cientistas da Vindice quando estava preso.
- E daí? – Chaos olhou para John irritado.
- Me espanta ver como a Arcadio conseguiu um Guardião tão forte. – John suspirou. – Mas não estou aqui para falar do seu passado. Eu vim aqui para lhe perguntar algo.
- Fale logo. – o rapaz suspirou, quem aquele cara achava que era?
- Você por acaso sabe onde estão escondendo a senhorita Mio? – Chaos arregalou os olhos.
- Quem é? – Cornelia perguntou confusa.
- Mio Vet Callisto di Arcadio. – John ficou sério, uma aura cheia de tensão estava em volta dele. – Mãe do Settimo Arcadio, Gerard.
- Por que você quer saber disso? – Chaos perguntou receoso.
- Porque achar essa mulher foi um pedido do Dodicesimo Distrune, Julian-sama, e de sua mulher, Gioia-sama. Pelo o que parece, o Sesto Arcadio, Dante, está escondendo a esposa em algum lugar. – Chaos engoliu a seco. – Você sabe onde ela está, não é?
- Talvez. – ele falou num fio de voz.
- S-sabe mesmo, Alec? – Cornelia olhou assustada para ele. – Por favor, nos diga! Se for o Julian quem pediu, deve ser algo muito importante!
Chaos desviou o olhar para o lado. Mordendo o lábio inferior, era como se ele quisesse dizer algo, mas não podia... Uma “força maior” o estava detendo. Cornelia estava prestes a chamá-lo novamente quando uma enorme nuvem de fumaça cobriu os três e todo o pátio da escola.
- Chaos-sama, não temos tempo para perder com eles. Por favor, venha conosco. – Chaos ouviu uma voz perto de si e sentiu ser arrastado para fora da escola. Lá, um carro preto estava ligado, apenas esperando para partir.
- A-Alec! – Cornelia gritou, mas o rapaz já havia sido jogado para dentro do veículo e estava bem longe.
Atordoado, Chaos apenas conseguiu encarar o homem de terno que havia o arrastado. Nunca o vira antes, mas o grande brasão da Arcadio estava estampado em suas roupas.
- Ele... Para onde ele foi?! – Cornelia sacudia John desesperadamente. A nuvem de fumaça já estava dispersa.
- Acho que o perdemos de vista. – John caminhou um pouco e pegou algo do chão. – Parece que usaram uma bomba de gás para nos distrair e então o levaram embora.
- Quem fez isso?!
- Subordinados da Arcadio. – John cerrou os punhos até amassar totalmente o que restou da bomba de fumaça. – Ah, isso me lembrou uma coisa... Cornelia, você recebeu um pacote hoje?
- Um... Pacote? – ela pareceu se acalmar. – Sim, o Alec que veio entregar...
- Então tudo bem. – John sorriu. – Eu havia pedido ao Grégoire para dar um jeito do Alec-san vir entregar aquilo para você. Desculpe se isso parecer rude, mas eu precisava acabar com as minhas dúvidas e ter certeza de quem ele era. – riu coçando a cabeça.
- ... – uma gota escorreu pela cabeça de Cornelia. – Bem, eu acho que não tem problema. – ela sorriu. No final das contas, estava feliz porque se reencontrara com um velho amigo. – Eu preciso voltar para a sala. Provavelmente, o sensei vai me matar...
- Pode ir. – John acenou para Cornelia, que entrou correndo no prédio do terceiro ano.
Enquanto o professor dava a maior bronca em Cornelia na turma B, na sala A os alunos pareciam ter alguns “probleminhas”.
- E assim será. – Casilda abriu um enorme sorriso diante das faces desmotivadas de seus alunos. – Vamos, alegrem-se! Não vai ser tão difícil assim.
- Como não?! – um aluno se exaltou e levantou-se da carteira. – Você quer que a gente faça um teste? Assim, sem mais nem menos?! Impossível! Você não nos ensinou nada de italiano, sua louca!! E ainda nos deu o curto prazo de uma semana... Não tem como aprendermos alguma coisa em sete dias!
- Ah, mas eu aprendi alemão dessa forma... – Casilda riu, mas o garoto não se alegrou nem um pouco.
- C-Casilda-sensei, não acha isso um pouco exagerado? – Nea perguntou receosa. – Que tal se nós--
- Você está pedindo para morrer. – todos congelaram ao ouvir a voz de Astaroth. Seu olhar era tão gélido que até o ar em volta dele estava mais frio.
- Astaroth. – Casilda andou até ele e encarou-o. – Por que você está tão isolado aqui, no fundo da sala? – ela arqueou uma sobrancelha. – Você também, Leoni! – ela se virou para o garoto que estava do outro lado da sala, encostado no canto. – Tsc, nuvens... Vocês não podem tentar se enturmar mais?
- Eu não preciso disso. – Astaroth revirou os olhos. Ainda não conseguia entender o porquê de estar ali. Qual é, ele era um hitman profissional! Ele não precisava ir para a escola...
- Você quer mesmo que eu seja “amigo” de pessoas tão inferiores como eles? – Leoni lançou um olhar mortal para Casilda. – Não me faça rir.
- Quero sim, Leoni. – Casilda parou na frente da carteira do rapaz e puxou suas bochechas, forçando-o a sorrir. – Isso, um sorriso sempre é bem melhor! – e num gesto rápido, Leoni mordeu a mão da Prima Pulizia.
- ELE A MORDEU! – gritaram os alunos assustados.
- Isso é para você aprender a não me tocar, idiota. – Leoni disse após se afastar da sensei.
- Você não muda nunca. – Casilda suspirou. – Mas não foi nada demais, então tudo bem. – sorriu colocando as mãos na cintura.
- M-mas, sensei! – Katherine apontou para a mão de Casilda. – Você está sangrando!
- Nossa, é mesmo... – Casilda piscou algumas vezes enquanto olhava para o sangue escorrendo. – Ahn... Fiquem aqui, ok? Vou ali na enfermaria pegar um curativo e já volto. – Casilda sorriu e saiu da sala.
Poucos alunos ousaram em quebrar o silêncio. Katherine e Nea conversavam animadamente sobre uma padaria perto da escola, possivelmente as duas planejavam sair juntas e experimentar o famoso milkshake de lá. Astaroth e Leoni se encaravam como se quisessem arrancar pedaços um do outro. Os outros alunos... Estavam estudando como loucos. Era até que cômico.
Casilda saiu da enfermaria com a mão enfaixada. Despedindo-se da enfermeira, andou calmamente pelos corredores. Achou um pouco exagerado aquele curativo, havia demorado mais do que pretendia. Só retirou o sorriso do rosto quando ouviu o barulho de passos atrás de si.
- Você até que está bem para uma pessoa que levou um tiro ontem, Deanna-sama. – a Prima Pulizia estreitou os olhos quando um homem saiu das sombras. Ele usava um terno caro, cinza, aparentava ter uns 34 anos de idade.
- E você até que está bem calmo, levando em consideração que está conversando com a pessoa que você baleou. – Casilda deu um sorriso de canto. – O que faz aqui, Rennan?
- Cumprindo ordens. – ele disse retirando os óculos escuros.
Rennan era alto (1,97 m de altura), aparentemente forte, cabelos loiros e crespos, olhos negros e sem emoção.
- Ordens? – Casilda olhou ao redor, não havia ninguém por perto.
- Exatamente, Deanna-sama. – ele se aproximou rapidamente. Casilda, por não ter percebido isso, se assustou e encostou-se contra a parede. Não tinha como fugir. – Tenho ordens para levá-la até o Dante-sama.
- E você acha mesmo que eu vou? – uma gota de suor escorreu pela face dela. – Só por cima do meu cadáver, infeliz.
- É uma pena que você diga isso. – Rennan bateu com força no ombro esquerdo de Casilda. A mesma arregalou os olhos e apenas conseguiu morder o lábio inferior com força. – Deanna-sama, você não está em condições para lutar comigo. Além de a sua mão estar machucada, você ainda foi ferida ontem. – o sangue começava a surgir lentamente nas roupas da moça.
- Isso... Isso é jogo sujo, sabia? – ela olhou-o com raiva, mas a dor em seu ombro era imensa.
- Você deveria saber mais do que ninguém que no nosso mundo isso não é importante. – Rennan ergueu o punho, pretendia acertar Casilda na cabeça e deixá-la inconsciente.
Ela estremeceu. Não conseguiria desviar porque o homem a estava prensando contra a parede e seu corpo não se movia por causa da dor. Fechou os olhos num impulso e só os abriu quando sentiu Rennan se afastar bruscamente.
- Ei, você ainda está viva, Casilda? – a moça escorreu pela parede até sentar no chão. Sorriu ao reconhecer as pessoas paradas na frente dela.
- Claro! – falou animada. – Mas o que vocês estão fazendo aqui, Astaroth, Nea?
- Você estava demorando muito, então viemos ver se estava tudo bem. – Nea sorriu ajudando-a a levantar. – O que aconteceu com o seu ombro? — perguntou preocupada enquanto olhava o sangue no jaleco da sensei de italiano.
- Foi você que fez isso? – Astaroth apontou uma faca a Rennan. O brilho assassino era visível em seus olhos.
- Por favor, senhor Astaroth. Dispensemos brigas sem sentindo. – Rennan arrumou seu terno e falou firmemente, apesar de ainda estar um pouco atordoado por causa do chute que levou do rapaz. Estava um pouco surpreso, não era à toa que Astaroth era considerado um profissional: chegou furtivamente sem fazer um barulho sequer e então lhe acertou em cheio, forçando-o a se afastar de Casilda.
- Não ligo para o que você diz, foi você que fez isso. – Astaroth ficou numa posição ofensiva, sua aura assassina estava realmente intensa.
- E-ei, Astaroth! Calma! – Casilda tentou pará-lo, mas recebeu um olhar irritado do mesmo.
- “Calma” coisa nenhuma. Desde que chegamos à Namimori, eu não pude bater em ninguém, cortar nada, nem sequer matar uma formiga. Ou você me deixa matar esse maldito ou quem morre é você. – Casilda estremeceu e se escondeu atrás de Nea.
- Sim, senhor. Fique à vontade, ignore-nos. Finja que eu e a Nea-chan não existimos. – falou ela com medo.
- O Astaroth-kun está mais assustador que o normal... – sussurrou Nea.
- Deve ser só o estresse, sabe. – riu Casilda.
Astaroth suspirou, na verdade preferia retalhar a Casilda, mas como Rennan estava o incomodando, teria que deixar para matar a própria chefa mais tarde. Quando se virou para o homem, porém, ele já não estava mais lá.
- Para. Onde. Ele. Foi? – uma veia saltava na cabeça do Guardião da Nuvem.
- Ali! – Nea apontou para o lado de fora. Rennan estava parado no meio do pátio.
- Sinto muito por me retirar dessa forma, mas não possuo tempo para perder com lutas sem motivo. – ele fez uma rápida reverência e encarou os três. – Espero que você cuide melhor de si mesma, Casilda-sama. – depois de estalar os dedos, Rennan sumiu numa nuvem de fumaça de cor índigo.
- Ele... Ele era uma ilusão?! – Nea olhou pasma para onde antes estava o homem.
- Não, ele apenas usou uma ilusão para nos distrair... Agora deve estar bem longe daqui. – Astaroth guardou a faca no bolso e bufou. – Na próxima vez, eu vou picá-lo até virar pó. – Nea se afastou um pouco quando sentiu a intenção assassina do garoto de cabelos roxos.
- Ahn... C-Casilda, vamos cuidar do seu ombro! – Nea virou-se para trás, mas não encontrou ninguém. – O que?! Casilda?? – ela arregalou os olhos, quando foi que a Prima Pulizia havia saído de perto deles?
- MEU DEUS! A SENSEI ESTÁ FERIDA! – Nea e Astaroth ouviram gritos vindos da sala A. Quando chegaram lá, encontraram vários alunos assustados e uma Casilda tentando se explicar.
- Não, não. Vocês estão enganados. – Casilda coçou a cabeça e começou a rir. – Sabe, é que eu pensei que a minha mão estava sangrando muito, então eu tentei limpar no meu jaleco...
- NÃO TEM COMO NÓS ACREDITARMOS NISSO! É SANGUE DEMAIS!!
- ...É que um pote de molho de tomate caiu em mim quando eu estava voltando para a sala.
- ISSO É UMA MENTIRA PIOR QUE A ANTERIOR!! – os alunos gritaram juntos.
- ...Vocês acreditariam se eu dissesse que matei um zumbi no corredor? – Casilda sorriu animada.
- NÃO!!! – milhares de gotas surgiram na cabeça dos alunos.
- Quanto barulho. – Leoni revirou os olhos. – Vocês estão exagerando.
- Pessoal, se a sensei realmente estivesse mal, acham mesmo que ela estaria aqui agora? Claro que não, ela estaria no hospital! – todos olharam para Katherine. É, o que ela disse fazia sentido...
Astaroth e Nea entraram na sala sem serem percebidos. Sentaram em seus lugares e ficaram quietos, na verdade queriam falar com Casilda mais tarde. Por que Rennan estava lá? Por que o ombro de Casilda estava machucado? E qual o motivo de Dante ter enviado um de seus subordinados? Eram muitas dúvidas de uma vez só.
O sinal tocou e todos saíram para o intervalo. Kain foi o único que permaneceu na sala B, estava ocupado terminando de ler um livro. Quando chegou à última página, um baque o fez tirar os olhos do papel. Parado na frente dele, um rapaz de cabelos negros e olhos verde-esmeralda encarava-o sem expressão.
- Se veio procurar o Gilbert, veio à sala errada, Frau. – Kain falou fechando o livro.
- Eu não vim aqui por causa disso.
- Imagino que não. – Kain olhou o céu pela janela e suspirou. – O que lhe traz aqui, então?
Antes que Frau pudesse dar alguma resposta, a porta foi aberta. Ambos olharam para o garoto que estava ali, ele parecia procurar por alguém.
- Ah, sinto muito. – ele disse cordialmente. – Acabei me enganando, com licença.
- Espere. – Kain falou de imediato. – O que você procura?
- Busco pelo professor de química. Ele me disse que estaria aqui na hora do intervalo, mas parece que eu me atrasei.
- Ninguém veio aqui desde que o sinal tocou. Por que não espera um pouco? – sugeriu Frau.
- É... Eu... – o garoto pareceu pensativo. Olhou de Kain para Frau e vice-versa, até que enfim encarou o chão. – M-melhor não... Não quero incomodá-los. Pedirei para falar com o sensei em outra hora.
- “Outra hora”? Falando assim, até parece que eu tenho muito tempo livre... – o garoto virou-se rapidamente para trás, dando de cara com um homem de cabelos loiros e olhos alaranjados. Este sorriu e bagunçou os cabelos do garoto, logo depois cumprimentou Kain e Frau com um aceno da cabeça.
- Você possui muito tempo livre, Rick-sensei. – o garoto suspirou ajeitando novamente o penteado.
- Comparado com você, tenho mesmo. – o sensei riu. – E então, Loue-kun? Qual o problema dessa vez?
- Veja com seus próprios olhos, por favor. – Loue segurou o pulso de Rick e saiu andando, arrastando-o.
Kain e Frau se entreolharam. Não demorou muito, o silêncio voltou tão rápido como havia sumido.
- Então aquele era o Nono Notte? – Kain falou pensativo.
- Dispenso qualquer comentário que você tenha. – Frau revirou os olhos.
- Hm…
- Ace?
- Não me chame por esse nome, Frau. – Kain encostou as costas na cadeira.
- O que você está pensando? – Frau arqueou uma sobrancelha.
- Ele... Pareceu-me um pouco familiar. – Kain olhou para onde antes estava Loue. – Estranhamente familiar.
Caminhando apressadamente para o prédio dos primeiros e segundos anos do ensino médio, Rick-sensei e Loue atravessavam o mar de alunos que se acumulava no pátio. Depois de um tempo, eles finalmente conseguiram chegar ao laboratório de química.
- E então, Loue-kun? – Rick suspirou e encarou o Nono Notte. – Não vejo nada de estranho aqui.
- O estranho está aqui. – Loue retirou uma pasta do armário que estava no fundo da sala.
Rick pegou o objeto das mãos do garoto e folheou-o. A cada página que passava, mais seus olhos se arregalavam. Quando terminou, apenas uma pergunta passou pela sua mente.
- O que significa isso?
- Eu também queria saber. – Loue cerrou os punhos. – Não é estranho três dos nossos mais importantes QGs terem sido invadidos somente na semana passada? E dois subordinados da Notte Bleu foram assassinados ontem.
- Nós pensamos que a Arcadio iria atacar a Distrune diretamente... – Rick deu um soco na mesa de metal do laboratório. – E, no final das contas, eles começaram eliminando nossos aliados... Eu sinto muito por isso, Nono Notte! Foi... Isso foi um erro de cálculo... – sua voz estava tremida, possivelmente era por causa da raiva.
Loue suspirou e esboçou um sorriso. Colocando a mão no ombro do sensei de química, ele pegou novamente a pasta e abriu-a. Quando finalmente achou a página que queria, ele a mostrou para Rick.
- E, o mais esquisito de tudo, é isso. – Loue apontou para uma linha em específico do relatório que havia recebido.
- “Na cena do crime, mais especificamente no ar em volta dos corpos, foram encontradas partículas de vários tipos de veneno. A autópsia confirmou que a causa da morte foi envenenamento. Por enquanto, os pesquisadores da Notte Bleu estão tentando descobrir todos os componentes, mas já foram encontradas substâncias extremamente raras, do tipo que somente profissionais tem acesso. Além disso, um fio de cabelo preto foi encontrado nas mãos de uma das vítimas. O exame de DNA não deu positivo para ninguém do sistema.” – Rick leu em voz alta. – Isso limita nossas buscas por um culpado, certo? – falou sério.
- Utilizando venenos, possui cabelos negros, trabalha para a Arcadio e foi bom o bastante para atingir seus alvos sem que eles desconfiassem. – Loue olhou a janela de forma pensativa.
- A única pessoa que se encaixa nessas características seria... – Rick cruzou os braços. – La Damadelle Fragranze*... Estou correto? – perguntou receoso.
- Bem, ela não foi vista desde ontem. É uma possibilidade. – Loue entregou a pasta a Rick e andou até a porta. – Mas ela não é a única pessoa compatível... – sussurrou ele enquanto encarava o chão. Quando tocou a maçaneta, Loue ouviu uma risada invadir sua mente e trazer certas memórias de volta.
- Do que você está rindo? – perguntou o pequeno que arqueava uma sobrancelha.
- Você é muito estranho, Sourblanc! – disse o garoto sentado num galho de árvore.
- O que você quer dizer com isso? – Loue se aproximou da árvore e olhou para cima. – Não entendo suas palavras.
- Você não precisa entender, então. – o garoto saltou e pousou na frente do pequeno Nono Notte. – Deixe para pensar nisso no futuro. – um sorriso largo surgiu no rosto dele.
- E por que você está aqui, afinal de contas? – Loue falou emburrado.O garoto parado na frente dele riu e puxou as bochechas infladas de ar.
- Vim te fazer uma visita. – por um segundo, a face do garoto mostrou uma expressão deprimida, mas logo foi substituída por uma mais animada. – Essa vai ser a última vez que nos veremos, pelo menos por alguns anos.
- Como assim? – Loue olhou confuso para ele. – Você irá embora?
- Digamos que sim. – o garoto pegou uma folha que estava no chão e ficou encarando-a.
- E a Frederika? – o garoto suspirou diante do olhar desaprovador de Loue. Para disfarçar o desconforto, ele riu.
- Ela está morta, Loue. – e antes que o pequeno de cabelos castanhos dissesse outra coisa, o garoto deu meia-volta e um sorriso de canto. – Agora preciso ir... Acho que estão me esperando. Adeus, Loue. Torne-se um bom chefe!
Acenando sem encarar o jovem Sourblanc, o garoto sumiu rapidamente da vista de Loue. Sozinho no jardim, o garotinho olhou para onde antes havia alguém. A imagem dos cabelos negros dele e dos olhos radiantes ainda estava fresca em sua mente.
- Adeus... Eric.
Notas finais
Hey, pessoal! Como vão todos? Como foi o Ano Novo e o Natal?
Bem... O que eu tenho para comentar sobre esse capítulo?
Cornelia e Chaos finalmente se reencontraram, mas como ficará a relação dos dois depois disso? Rennan ainda irá aparecer no futuro, isso eu posso garantir. Ah, para caso alguém não tenha entendido: a Casilda levou um tiro no dia anterior e estava com o ombro machucado (por que ela foi para a escola então? Vai saber...). Esses terceiros anos... Só espero que eles não destruam a escola. ç.ç *não tem dinheiro para pagar os consertos*
Ah, alguém notou? Rick-sensei já apareceu antes. Não perceberam? Uma dica: procurem no prólogo.
Acho que é isso...
Ciao, ciao! Até a próxima! :D
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