Notas iniciais
Hey, como estão todos? o/
Sinto muito pela demora desse capítulo. No meio das férias, eu acabei ficando sem criatividade, além de que agora as aulas começaram, estou no terceiro ano do ensino médio e já quero férias, mesmo tendo apenas uma mísera semana de aulas. ;-;
Bem, eu pretendia escrever o próximo no Carnaval, mas já aviso que não será possível porque irei viajar. É triste, pois para o próximo eu já tenho quase todas as ideias prontas, só falta passar para o Word. :/
Enfim, poderei escrever quando voltar. Por enquanto, espero que gostem do capítulo 16 de Alliierten! :D
Boa leitura! o/

A mulher olhou para o céu buscando algum vestígio do temporal que havia caído naquela tarde. Não achou nada, o céu estava tão limpo que até as estrelas pareciam brilhar mais forte. Sorrindo, ela saiu da sacada e atravessou o quarto repleto de animais. Cães, gatos, até mesmo um urso!

– Eles são adoráveis. – ela ouviu uma voz perto da porta, assim como viu um vulto abaixado perto de um husky siberiano.

– São mesmo. – concordou balançando levemente a cabeça. – Mas o que lhe traz à minha casa, Loue?

O garoto parou de acariciar a cabeça do animal para encarar Kelly. Ele não estava exatamente sério, mas também não estava calmo. Algo lhe perturbava, era óbvio em seu olhar. Ele suspirou e ficou de pé, não demorando em começar a falar.

– Vim ver se estava tudo bem por aqui.

– Refere-se aos ataques que aconteceram semana passada e os assassinatos de outros agentes da Notte Bleu? – Loue apenas confirmou balançando a cabeça. – Não precisa se preocupar, não ocorreu nada estranho nas redondezas e duvido que eles pensem em atacar a minha casa. – Kelly falou calmamente e com um sorriso no rosto.

– Vejo que sim. – Loue disse aliviado. – Se você tiver algum problema, não pense duas vezes: chame-nos.

– Pode deixar. – ela se aproximou do Nono Notte e apontou para a porta. – Já que você está aqui, por que não vamos tomar uma xícara de chá?

– Agradeço o convite, mas eu não posso. – Loue disse cordialmente. – Não quero ser um incômodo e eu preciso passar em alguns outros lugares antes de voltar para casa. Quem sabe em outra hora.

Assim que o Sourblanc deixou a mansão de Kelly, a mesma encarou novamente o céu. Na realidade, queria voltar com seu chefe para reencontrar Bianca (ou Arie, como ela a chamava), mas não podia: antes disso, precisaria encontrar alguém para cuidar de seus vários bichinhos de estimação, além de que precisaria dar um jeito no trabalho se quisesse ir para Namimori. Suspirou, a vida era complicada.

– Hm? – Kelly, ao sentir o celular vibrar em seu bolso, pegou-o e atendeu a ligação. – Kelly Parsifal falando. Quem é?

Senhorita Parsifal, boa noite. – disse a voz do outro lado da linha. Era a de uma mulher. – Como está o seu chefe, Loue Sourblanc?

– Quem é? – Kelly perguntou calmamente, mas não deixou de estreitar seus olhos e desconfiar das intenções daquela pessoa.

Ele acabou de sair da sua residência, não é? Uma pena, a estrada está muito perigosa hoje. – a Guardiã da Chuva sentiu um arrepiou percorrer seu corpo. Algo estava errado. – Não entende o que eu estou falando, senhorita Parsifal? Sinto muito, tentarei dizer de uma forma mais fácil para se interpretar.

– Por favor. – pediu ela já ficando preocupada.

Olhe pela sua janela. – Kelly fez o que a mulher pediu e arregalou os olhos. – Vê aquele fogo ao longe? Se você fizer os cálculos, o carro do Nono Notte deveria estar perto daquela localidade, estou certa?

– O que você fez?! – Kelly perguntou enquanto corria para fora da mansão.

Nada que eu não possa fazer de novo. – a mulher do outro lado da linha riu. – Loue-kun deveria ser mais cuidadoso, não acha? – e então, o celular ficou mudo. Ela havia desligado.

Kelly enfiou o celular no bolso e se concentrou em correr na direção do fogo. Depois de percorrer quilômetros, porém, ela viu um corpo jogado no chão. Preocupada, ela se aproximou e sacudiu-o de leve.

– L-Loue? – sua voz falhou.

O garoto reagiu aos poucos. Primeiro abriu os olhos, depois tentou ficar de pé. Seus braços estavam machucados, as roupas estavam um pouco rasgadas e um filete de sangue escorria pela sua testa. Olhou ao redor, parecia atordoado.

– Kelly... – ele sussurrou quando se virou para o carro pegando fogo. – Ligue para a Katherine e diga para ela trazer o Akio, a Alice e o Lion.

– Lion? Quem é esse? – Kelly perguntou confusa, afinal, ela não havia conhecido o loiro ainda.

– Meu Guardião da Névoa. – respondeu Loue com a voz fraca.

Algumas horas mais tarde, os quatro chegaram à mansão de Kelly. Katherine quase chutou a porta para longe enquanto Akio e Alice chegavam correndo desesperadamente. Lion observava tudo, a uma distância razoável, com uma enorme gota na cabeça e entrou dizendo um simples “com licença”. Kelly os guiou até o quarto onde Loue estava ao mesmo tempo que dizia o que havia acontecido.

– GAROTO PROPAGANDA! – Katherine gritou ao vê-lo sentado numa poltrona brincando com um cachorro.

– Ah, olá. – Loue sorriu ao vê-los. – Vocês chegaram ced--

– Quem fez isso com você, Lou-kun?! – Akio interrompeu a fala de seu chefe. Era possível ver a raiva em seu rosto.

– Ahn, bem... Na verdade, isso aconte--

– Vamos até o carro! Ainda deve haver alguma pista lá! – Alice falou determinada.

– Vocês irão me ouvir? – uma gota escorreu pela cabeça de Loue.

– Pessoal, deixem o Loue falar. – pediu Kelly em voz baixa.

Depois de se acalmarem, a Parsifal preparou algumas xícaras de chá e ofereceu alguns biscoitos aos convidados. Lion, a pedido de Kelly, deu uma olhada nos machucados do Nono Notte, pois o loiro era ajudante na enfermaria da escola, além de trabalhar numa farmácia. Após refazer os curativos, todos se reuniram na sala de estar para ouvir o que Loue tinha a dizer.

– Primeiramente, eu acho que deveria dizer o que aconteceu essa noite. – ele fez uma pequena pausa e respirou fundo. – Assim que saímos daqui, eu e o motorista estávamos nos dirigindo para a casa de um conhecido, o senhor Vincenzo Orchidee. Eu queria ter certeza se estava tudo bem, já que ele é um grande amigo de meu pai e a Arcadio poderia atacá-lo por causa disso e outros motivos.

– “Outros motivos”? – Akio arqueou uma sobrancelha.

– Esse homem trabalha para a Vongola como informante. Eliminá-lo poderia ser uma forma de atingir a Notte Bleu e a Vongola ao mesmo tempo. – Lion falou olhando pela janela.

– A Arcadio mataria dois coelhos com um tiro, é? – Alice ficou séria, aquela famiglia estava realmente irritando-a.

– Mas por que a Arcadio iria querer mexer com a Vongola? – Akio perguntou confuso.

– O Decimo e a Dominique estão bem próximos ultimamente, não é? Além do mais, se a situação continuar como está, é bem provável que aquela aliança aconteça mesmo, ou seja, a Vongola iria ajudar a Distrune caso houvesse algum conflito com outra famiglia. Isso dificultaria a vitória da Arcadio. – Kelly disse pensativa.

– Exatamente. – Loue balançou a cabeça e continuou a falar. – Bem, antes do acidente, eu notei que algo estava errado. O motorista parecia mais tenso que o normal, além de que ele não havia dito uma palavra sequer desde que eu havia entrado no carro. – o rapaz estreitou os olhos enquanto as lembranças surgiam em sua mente. – Agora eu vejo que aquele homem era uma farsa.

– Enquanto vocês estavam se dirigindo para cá, eu vasculhei as redondezas e encontrei o verdadeiro motorista amordaçado e desacordado numa moita aqui perto. – Kelly disse tomando um gole de chá. – Ele está bem, mas ainda não acordou.

– Percorremos em torno de cinco quilômetros quando meu celular começou a tocar. – Loue tirou o aparelho do bolso e encarou-o. – A pessoa do outro lado da linha começou a gritar sem aviso prévio, o que me assustou muito.

O Nono Notte apertou um botão do celular e eles puderam ouvir a última conversa registrada. Assim que a primeira frase foi dita, quase todos deram um pulo com o susto.

“LOUE SOURBLAAAAAANC! VOCÊ ESTÁ ONDE?! NUM CARRO?? QUE SEJA, SAIA DAÍ! ELE ESTÁ EM ALTA VELOCIDADE? QUE SEJA, PULE!!! FAÇA QUALQUER COISA, MAS APENAS SAIA DESSE CARRO AGORA SE NÃO QUISER MORRER!” – Alice e Kelly se entreolharam com os olhos arregalados. Era uma voz feminina, mas era diferente da voz da mulher que havia ligado para a Parsifal. Akio tampou os próprios ouvidos e fez uma careta, que pessoa mais escandalosa! Katherine segurou o riso, aquilo até que era cômico. – “Fim de chamada. Para repetir, aperte 1. Para ouvir outras gravações, digite...” – Loue desligou o celular e voltou a contar o que havia acontecido.

– Eu estava ainda meio atordoado, mas como sentia que algo realmente não estava certo, segui o conselho dessa pessoa e pulei. Não muito tempo depois, eu vi o carro explodir e ser consumido pelas chamas. – o Sourblanc suspirou.

Os cinco ficaram em silêncio. Deveriam estar raciocinando e imaginando motivos para aquilo ter acontecido, porém, claro, todos chegaram a uma mesma conclusão.

– Quer dizer que queriam te matar! – Katherine gritou. – Vamos falar com o Gerard e exigir explicações! Pensei que só quisesse matar a Dominique, mas se ele for nos envolver também... – os olhos da garota pegavam fogo, ela estava realmente irritada.

– Espere. – Lion parou na frente de Kath e impediu que a mesma saísse da sala. – Não adianta ir falar com o Settimo Arcadio nesse estado. E nem sabemos se foi mesmo ele.

– O Lion tem razão. Tirar conclusões precipitadas não é o melhor a se fazer agora. – Loue se levantou e encarou todos os guardiões. – Por enquanto, tenho um pedido a fazer.

– E o que seria? – perguntou Alice curiosa.

– Eu gostaria que vocês assumissem as investigações sobre os recentes ataques à Notte Bleu. – Loue tirou uma lista do bolso e começou a analisá-la. – Akio e Kelly, por favor, poderiam cuidar dos atentados aos QGs da famiglia?

– Claro, Lou-kun! – respondeu o japonês com empolgação.

– Eu não tenho nenhuma objeção. – Kelly disse calmamente enquanto sorria.

– Lion ficará encarregado para descobrir o assassino que atacou dois de nossos agentes. Tudo bem?

– Certo.

– Katherine e Alice, eu gostaria que vocês investigassem o incidente de hoje.

– É PRA JÁ! – Kath bateu no peito, confiante.

– Vamos desvendar esse mistério. – Alice balançou a cabeça pensativa.

– Akio, a Mary deve ter mais informações. Pode falar com ela. E Lion, o Rick deve lhe passar os detalhes na segunda, após a aula. – Loue esboçou um sorriso. – Boa sorte e não se arrisquem muito.

Distante dali, numa casa comum, um pequeno e adorável bebê que carregava uma chupeta amarela e tinha um estiloso chapéu negro observava um diário atentamente enquanto ouvia os roncos de seu aluno. A cada página que ele virava, mais seu sorriso se alargava.

– O Primo Vongola não parece tão diferente do Dame-Tsuna, afinal de contas. – Reborn deu um risinho baixo e voltou à leitura.

Uma parte chamou muito a atenção do Arcobaleno do Sol. Lendo e relendo várias vezes, pouco a pouco uma sobra caia sobre seus olhos e o pequeno sorriso ia desaparecendo.

Eu não citei isso antes por não ter certeza, mas depois de hoje, minhas dúvidas foram aniquiladas. Era apenas olhar nos olhos daquele homem e eu podia ver as centenas e milhares de almas das pessoas que ele havia matado. Ontem, hoje, amanhã. Muitas pessoas sofreram nas mãos dele e, possivelmente, muitas outras sofrerão. Temo pelo bem-estar de Giotto e seus amigos, principalmente porque este homem é um desses amigos. Eu o alertei, só espero que nada de mal aconteça ao Primo Vongola. Ah, vejo mais uma alma atravessando os portões para o outro mundo. Um homem jovem, cabelo crespo e ruivo, olhos castanhos. Ele me disse que fora assassinado alguns dias antes do nascimento da filha. O que isso quer dizer? Eu não sei, mas tenho um mal pressentimento. Desde que Elena morreu, Daemon tem se tornado cada vez mais obscuro. Alaude passou aqui mais cedo, ele parecia ter as mesmas desconfianças que eu. Tomara que as coisas se resolvam sem intrigas.

Stella R. di Amici”

O dia amanheceu fresco, talvez um pouco mais frio que o normal. Os olhares dos transeuntes se focavam numa cena peculiar, não muito comum para uma manhã de sábado. Oras, não faz parte da rotina dos japoneses ver uma garota montada numa vaca e caminhando no meio da rua, certo?

– Amy, para onde você quer ir agora? – Lira perguntou com um sorriso de orelha a orelha.

– Muuu.

– Para o parque? Então vamos virar a direita aqui! – apontou para a esquina.

As pessoas se afastavam rapidamente assim que o animal se aproximava delas. O sino pendurado no pescoço da vaca balançava de um lado para o outro, tocando um “tlin tlin” ou algum outro som parecido.

– Vamos passar por cima. – Lira disse ao se deparar com uma parede em seu caminho. Para falar a verdade, a garota apenas conduziu Amy até um beco sem saída. E espera, ela queria passar por cima?!

– Muu.

Amy colocou as patas dianteiras na parede, parecia pronta para escalar, mas o som de passos fez com que ela virasse sua cabeça para trás e encarasse algumas pessoas que estavam observando de longe.

– Ei, o que é isso?! – perguntou um rapaz assustado.

– Não é da sua conta. – Lira falou cruzando os braços.

– É permitido passear com vacas em Namimori? – ele ficou numa pose pensativa. – Ah, ah. Isso é mal! Se o Kyoya aparecer, ele irá nos morder até a morte, mesmo que eu não tenha nada a ver com essa loucura! – o rapaz começou a coçar a cabeça desesperadamente.

Lira observou melhor a pessoa com quem estava falando. Loiro, alto, parecia meio atrapalhado e tinha cheiro de italiano. Como é o cheiro de um italiano? Não sei, mas a Lira devia saber.

– Dino Cavallone. – a Guardiã do Trovão de Dominique falou assim que terminou de analisá-lo.

– H-hm? Você me conhece? – ele arregalou os olhos, surpreso.

– Você é o “irmão mais velho” do Dame-Tsuna, ex-aluno do Reborn-san e acho que já tentei matar a sua professora quando você era mais novo. – Lira sorriu diante da expressão de pânico do jovem italiano.

– V-você é... Lira Le’Peseque Encalda, a Tuono di Guerra! – Dino ficou pálido.

– Quem diria que eu encontraria o Cavalo Selvagem por aqui! – Lira sorriu e saiu das costas de Amy para se aproximar de Dino. – O que faz em Namimori?

– Vim v-visitar o Tsuna... – Dino recuou alguns passos. A fama de Lira não era nem um pouco boa, diziam até que ela poderia ser a causa do fim do mundo!

– Hm... Vou lhe dar um carona! – Lira abriu um enorme sorriso.

– C-como? – Dino arqueou uma sobrancelha.

– Vamos, não tenha medo! – a garota agarrou o pulso do rapaz e jogou-o nas costas da Amy, literalmente. – Vai ser divertido!

– O QUE VOCÊ VAI FAZER?! – o loiro perguntou aterrorizado.

– Vamos voar! – Lira respondeu sorridente, fechando o punho direito. Em seu dedo indicador, o anel do trovão da Distrune começava a reluzir quando pequenas faíscas surgiram do nada. Logo, enormes raios saiam daquele pequeno objeto, fato que assustou mais ainda o Cavallone. – Box do Trovão, versão Amy, abra-se! – Lira retirou uma caixinha do bolso da blusa e inseriu o anel no buraco de uma das faces deste.

– Uma... BOX?! – Dino arregalou os olhos. O que aquilo estava fazendo lá? As Boxs iriam ser produzidas apenas, tipo assim, DEZ ANOS NO FUTURO! Como ela poderia ter-- Não, uma pergunta mais importante surgiu na mente de Dino: como aquela garota saiba usar uma Box?

Quando ela se abriu, raios atingiram as patas de Amy e, depois da luz diminuir, pequenas “asas” apareceram nos cascos da vaca, assim como as chamas do trovão. Amy balançou a cabeça e, no segundo seguinte, estava... Voando?!

– O QUE É ISSO?? – Dino abraçou o pescoço de Amy com força e com medo de cair. Eles deveriam estar a, pelo menos, 30 metros acima do chão.

– Legal, não é? – Lira riu dando leves tapinhas nas costas de Amy. – Boa menina!

– Muuuu.

– Uma vaca não foi feita para voar! – Dino falou com a voz falhando. O coitado estava tremendo sem parar.

– Humanos também não. Então por que eles inventaram os aviões? – a garota sorriu apesar da explicação sem lógica.

– Por que você tem uma coisa dessas, Tuono?! – o loiro se virou para Lira, mas bem devagar para não perder o equilíbrio.

– Eu a achei no meio de uma tempestade. – Dino franziu o cenho. Como é que era? – Ela estava voando por aí por causa dos fortes ventos do furação que eu iria enfrentar... – o rapaz estava ficando extremamente confuso. – Então, como a Dominique havia me chamado para ir à Itália, eu subi nas costas dela e fui voando até o país do macarrão e da pizza.

– ...Não, espere! Eu não perguntei sobre a sua vaca! Eu quero saber por que você tem uma Box! – uma gota escorreu pela cabeça de Dino.

Os dois pousaram num parque que ficava do outro lado da cidade. Dino se jogou no chão, gritando “GRAZIE, DIO!” enquanto Lira apenas ria da situação dele. Quando se acalmou, os dois sentaram em balanços e deixaram Amy pastando perto do escorregador.

– Foi divertido?

– Hm? – Dino olhou para Lira, confuso.

– O passeio foi divertido? – ela perguntou de novo, estava se balançando um pouco.

– B-bem... – ele coçou a cabeça e riu apesar de lembrar-se de quase ter morrido naqueles poucos minutos. – Foi assustador e eu quase tive um infarto, mas, sim, foi divertido. – sorriu.

– Quer passear de novo? – Lira sorriu animada.

– NÃO! – Dino se levantou de imediato. – D-digo, prefiro ir a pé. E você deve ter outras coisas para fazer também, não é? – ele se sentou novamente, mais calmo.

– Bem, eu pretendia preencher uma tigela gigante com macarrão e jogar tudo no meu primo, mas não acho que te dar outra carona iria interferir nos meus planos. – Dino começou a suar frio. “Pobre homem”, pensou ele.

– Ah, é mesmo. Você não me respondeu... Por que você possui uma Box? E por que sabe utilizá-la, Tuono? – Dino não aparentava, mas estava bem curioso.

– Lira.

– H-hm? – o loiro encarou a garota, confuso.

– Você pode me chamar de Lira. Eu vou te chamar de Dino, ok? Ok. – Lira deu uma risada sapeca.

– Certo... – Dino piscou algumas vezes. Era difícil conversar com a Guardiã do Trovão da Distrune, essa foi a conclusão que ele chegou. – E-enfim, Lira... Poderia responder as minhas perguntas?

Lira ficou um tempo em silêncio, talvez refletindo. Deve ter passado em torno de dois minutos quando ela levantou sem mais nem menos e chamou Amy com um assobio. As duas andaram até a saída do parque em silêncio, porém Dino se levantou e foi atrás delas.

– E-espere, Lira! – pediu ele. – Aonde você vai? Não terminamos de conversar!

– “Por que eu possuo uma Box”, você perguntou. – Lira, de costas, levou os braços para trás e entrelaçou os próprios dedos. Ela deu um giro e encarou o chefe da Cavallone. – “Por que eu sei utilizá-la”, você também queria saber isso.

– É...

– E por que você sabe da existência das Boxs? – Lira perguntou sorrindo.

– C-como? Eu não sei se entendi o que você quer dizer...

– Do mesmo jeito que você sabe, eu também sei. Simples assim. – ela riu voltando a dar meia-volta.

Lira e Amy voltaram a andar e não demorou a elas sumirem da vista de Dino. Enquanto as duas caminhavam, o rapaz apenas ficou parado, de olhos arregalados e boca aberta, tentando raciocinar e entender o significado das palavras da garota que usava orelhas de gato postiças. Apenas aqueles que ajudaram a Vongola na luta contra Byakuran tinham conhecimento dos fatos que ocorreram no futuro, isso quer dizer que... A Distrune, em alguma hora, também havia se envolvido? Ele estreitou os olhos, havia se lembrado de algo importante. No futuro, a maioria das famiglie mafiosas foram exterminadas pela Millefiore, mas em nenhum momento fora citada a famiglia de Dominique.

– O que isso quer dizer? – Dino começou a andar, dirigindo-se para a casa do Decimo Vongola.

Enquanto que o líder da Cavallone caminhava pelas ruas de Namimori, longe dali, Roderich acabava de dar um passo para fora da cabana em que estava. Localizada nas montanhas mais isoladas da Suíça, poucas pessoas sequer colocavam os pés naquele solo quase infértil. Era um ótimo lugar para as pessoas que queriam se distanciar do mundo, afinal, não havia sinal de celular naquela região, muito menos sinal de TV ou internet. Em outras palavras, era o paraíso para os mais velhos e o inferno para os mais novos, na maioria das vezes.

– Bom dia. – Roderich sorriu ao chegar perto de uma mulher sentada na grama estranhamente bem cuidada. Pelas aparências, a cabana ficava num dos poucos lugares em que a vegetação conseguia crescer sadia e bela.

– Bom dia. – ela respondeu com um sorriso angelical. – Dormiu bem?

– Melhor do que nos últimos anos. – ele suspirou, ato que fez a mulher soltar uma risada baixa.

– Descanse o quanto quiser. – ela bateu de leve na grama que estava ao seu lado. – Venha, junte-se a mim.

Roderich não demorou nem um segundo: logo, já estava do lado da mulher deitado no colo dela. As mãos suaves dela acariciavam os cabelos castanhos ao mesmo tempo em que ela cantarolava uma música de ninar.

– Então ele veio visitar uma amante? – uma garota perguntou a si mesma enquanto observava os dois atrás de uma pedra.

Mas o esconderijo dela não era dos melhores, pois fora descoberta de uma maneira bem rápida.

– Quem está aí? – Roderich se levantou e olhou ao redor. – Saia já daí. – ele disse depois de constatar a presença de mais um indivíduo naquele lugar.

– Calma! – a garota saiu de trás da pedra com as mãos levantadas. – Não precisa atirar em mim, eu vim em paz!

– ...Piromaníaca? – Roderich desviou de uma pedra que foi jogada por Acelphiste. – “Paz”, é? – ele arqueou uma sobrancelha.

– Você que começou! – ela gritou irritada. A mulher olhou confusa de Roderich para Acelphiste e vice-versa. – Se não quer se machucar, pare de me chamar de piromaníaca!

– Querido, quem é essa bela moça? – a mulher perguntou a Roderich calmamente.

– Ela é uma amiga da Deanna. – o rapaz respondeu encarando Acelphiste. – Mas não se preocupe, ela não ficará por muito tempo. Não é, Acelphiste?

– O que? Mas eu... – a garota parou de falar ao perceber o olhar severo de Roderich. Ela se surpreendeu, era a primeira vez que o via daquele jeito. – C-certo, eu não quero atrapalhar vocês dois... – Acelphiste recuou alguns passos e estava pronta para dar meia-volta quando a mulher se pronunciou de novo.

– Espere. Então você é a famosa Acelphiste, ‘Ace-chan’?

– Famosa? – Acelphiste olhou para a mulher, confusa.

– Sim. – ela se levantou e foi até a Guardiã de Casilda. Segurou firmemente as mãos dela, e com um sorriso estampado no rosto, continuou a falar. – Meu Roderich me falou muito a seu respeito. E devo dizer que você é mais bonita pessoalmente. – Acelphiste sentiu as bochechas esquentarem de vergonha.

– O-obrigada... – alguns segundos depois, a ficha de Acelphiste caiu. – Como? Essa coisa falou sobre mim? – apontou para Roderich, que apenas suspirou.

– Muito. Eu nunca o vi falar tanto sobre alguém exceto você!

– E o que ele disse? – Acelphiste estava começando a ficar curiosa.

– Pelo amor de Dio. – Roderich entrou no meio das duas e afastou-as. – Se irão fofocar, pelo menos façam isso quando eu não estiver por perto. – ele se virou para Acelphiste e encarou-a nos olhos. – Afinal de contas, como você chegou aqui? E por que veio?

A garota coçou a cabeça rindo. A mulher, vendo que eles precisavam conversar, deixou Roderich e Acelphiste sozinhos e entrou na cabana, possilvemente havia ido preparar alguma coisa para eles comerem. Os dois sentaram na sombra de uma árvore alta e aparentemente velha.

– Você saiu sem avisar da mansão alguns dias atrás. – Acelphiste encarou o céu. – Como achei isso estranho, eu te segui.

– Me seguiu? – Roderich a interrompeu. – Mas como? Eu peguei um trem, dois aviões, um helicóptero e ainda precisei andar quatro horas de carro até chegar aqui. E olhe que isso só nesse país.

– Você não vai querer saber o que eu fiz para conseguir te acompanhar. – a garota riu diante da careta de confusão do rapaz. – Nunca duvide de uma Guardiã do Céu! – ela falou orgulhosa.

– Certo, certo. E onde você passou a noite?

– Ali. – Acelphiste apontou para uma pequena caverna perto da cabana. – Eu não poderia simplesmente bater na porta e pedir para vocês me abrigarem, podia? Então fiz uma fogueira, cacei um animal selvagem e acampei.

– Você poderia ter batido na porta sim. – facepalm. – Como você passou pelos guardas?

– Eles nem me notaram. – ela riu. – Os guardas estão espalhados pela base da montanha, porém há uma pequena floresta perto daqui que dá acesso a uma antiga mina subterrânea. Eu achei a entrada, fica ao lado de um poço inutilizado. – Acelphiste deu de ombros como se aquilo não tivesse sido nada. – Eu apenas tive que quebrar as tábuas que bloqueavam o caminho até chegar ao final.

– Uma... Mina? – Roderich arregalou os olhos. Por alguma razão, aquilo lhe chamou muito a atenção.

– É, mas acho que não dá mais para usá-la. Quando eu sai, ouvi vozes do outro lado. Acho que fiz muito barulho e os guardas notaram. Para não ser pega, eu corri para a floresta.

– Entendo. – ele pareceu decepcionado.

– Está triste porque eles não me acharam, é? – uma veia pulsou na testa de Acelphiste.

– Não. – Roderich deu um sorriso de canto. – Mas você me deu uma informação bem valiosa agora.

– É? O que? – Acelphiste franziu o cenho.

– Talvez um dia eu lhe conte. Ou talvez não. – Roderich desviou de um soco da garota. – Não vamos usar a violência, ok?

– Então não me provoque! – Acelphiste cruzou os braços.

Os dois entraram na cabana não muito depois. Roderich estava na frente e fingia não ouvir os xingamentos de Acelphiste. Já a garota estava tentando quebrar a cara do chefe da Spina Cielo.

– Vieram na hora certa. – a mulher saiu da cozinha com uma bandeja. – Vamos comer. – ela sorriu apontando para a mesa na sala de jantar.

Acelphiste, quando se sentou, não conseguiu deixar de notar a beleza da mulher que estava lhe servindo uma xícara de chá. Cabelos longos, bem tratados, lisos e castanhos. Acelphiste acabou lembrando um pouco de sua chefa, a Prima Pulizia. Mas algo diferente entre as duas eram os olhos: enquanto Casilda tinha olhos azuis, aquela mulher tinha olhos na cor âmbar, um amarelo meio puxado para o laranja. Se os encarasse por muito tempo, era fácil ficar hipnotizado. Acelphiste deduziu que ela tivesse 20, 25 anos no máximo.

– Espero que goste do chá. – sua voz era linda também. Transmitia gentileza, harmonia, amor.

– O-obrigada. – Acelphiste piscou algumas vezes antes de tomar um gole. – Está... Está ótimo! – ela falou boquiaberta. Além de ser bonita, ela também sabia cozinhar muito bem. Por acaso, onde Roderich havia achado uma amante tão boa assim?!

– Fico feliz que tenha gostado. Roderich me contou que esse é o seu tipo de chá favorito.

– Mesmo? – Acelphiste olhou para o rapaz com o canto do olho, já que ele estava do seu lado.

– Sim. Eu lhe falei que ele me contou muitas coisas sobre você. – ela sorriu. – Por exemplo, ele me disse sobre a sua narcolepsia. Tenha muito cuidado, você pode dormir de repente, cair e quebrar um braço, querida. – sua voz tinha um pouco de preocupação.

– Vou ter. – Acelphiste balançou a cabeça. – Pelo o que eu vejo, o Roderich passou a minha ficha a você.

– Uma ficha oral, para falar a verdade. Ontem ele não parava de falar sobre você e sua amizade com a Deanna. – a mulher depositou sua xícara na mesa. – Isso me lembra... Obrigada por cuidar tão bem dela, Acelphiste.

– I-isso não é nada! – ela sorriu, mas estranhou o ato dela. Por que agradecer?

– Hm. – Roderich suspirou chamando a atenção das duas moças.

– Algum problema, querido? – a mulher perguntou.

– Nada. – ele respondeu vagamente. – Eu só não imaginei que a piromaníaca iria vir para cá. Eu pretendia passar mais tempo com você, mama.

– QUEM É PIRO--

Acelphiste arregalou os olhos quando terminou de processar a frase de Roderich. O que ele havia acabado de dizer?! Ela olhou da mulher para Roderich e vice-versa várias vezes, a cada segundo ficando mais surpresa ainda.

– Você está se sentindo bem, querida? – a mulher olhou confusa para Acelphiste.

– S-sinto muito se isso soar rude, mas... – Acelphiste engoliu a seco. – Q-qual é o seu nome, moça? – Roderich deu um sorriso de canto ao ver tamanha confusão no rosto da italiana.

– Oh, é isso? – a mulher sorriu gentilmente. – Meu nome é Mio, querida. Mio Vet Callisto di Arcadio.

Notas finais
Ufa, nem acredito que terminei. x.x'
Acho que esse capítulo até que ficou grandinho. Vocês gostam de capítulo grandes assim ou preferem menores? Eu gosto dos dois, então se vocês, leitores, escolherem capítulos menores, não terei problemas em fazê-los menores. E então? O que vocês acham? :D
Bem, nesse capítulo aconteceram muitas coisas: Loue foi quase morto, um trecho do diário da Stella foi revelado, a primeira Box apareceu na fanfic e vocês finalmente conheceram a Mio! O que acharam dela? :3
Ah, sim. Eu e a D-chan (Brothers_D) fizemos uma parceria e criamos um tumblr (ask-the-reborn.tumblr.com)! Qual o motivo de anunciar aqui? SIMPLES! Vocês podem mandar asks às PERSONAGENS de Alliierten e Träumerei! Querem perguntar ao Gilbert quando ele vai se declarar para o Frau? Podem fazer isso!
Gilbert: O QUE?!
Quieto. *chuta o Gilbert para um canto* Querem perguntar ao Gerard por que ele não se declara logo para a Dominique?
Gerard: DO QUE VOCÊ ESTÁ FALANDO?!
Quieto. *chuta o Gerard para o outro canto* Então, vocês decidam o que querem perguntar. E fiquem à vontade! :D
Imagino que essas eram as únicas coisas que eu queria falar...
Portanto, ciao, ciao!
Bacio! :D