Alliierten: Maledizione Delle Fiamme

19 Gincana Esportiva - The game's start


Notas iniciais
Wow, até que não demorei tanto para fazer esse capítulo. x-x (mas nada se compara ao cap. anterior, porque... Nossa, terminá-lo em uma semana... Eu me senti f*da. *-*)
Ok, acho que esse capítulo apenas para enrolação mesmo... Explicação do que aconteceu, uma pitada de começo de alguns romances, um início de cena shounen-ai~ SHOUNEN-AI *O* Ok, ok, controle-se Lashini... Respira, um, dois, três... D:
Enfim, não vou enrolar muito. '-'
Boa leitura, pessoal! o/

Loue piscou algumas vezes como se estivesse tentando acreditar no que havia acabado de ouvir. Segurava uma xícara com uma das mãos, na outra estava uma caneta. Ele depositou a xícara na mesa e suspirou olhando para sua Guardiã do Trovão.

- O que aconteceu mesmo? – ele perguntou pela segunda vez naquele dia. Seus braços estavam enfaixados, porém ele parecia bem melhor do que antes.

- Bem... – Alice coçou a cabeça desviando o olhar para a porta. – Eu tive uma pequena briga... Na escola...

- E com quem? – Loue balançou levemente a cabeça.

- Acho que o nome dele era Astaroth. – Alice respondeu pensativa. – Era do terceiro ano, disso eu tenho certeza.

- Astaroth? – o Nono Notte largou a caneta e suspirou. – Deixe-me ver... Um rapaz alto, cabelos roxos, usa tapa-olho...?

- Esse mesmo! – Alice sorriu reconhecendo-o.

Cornelia olhou para a expressão de Loue. Ela estava segurando o riso, pois na face dele havia uma mistura de surpresa, repreensão e alívio. Ao seu lado, Katherine estava tentando tirar uma pedra que estava presa na sola de seu tênis. A Guardiã da Nuvem estava cheia de lama (por sorte, os alunos conseguiram tirá-la da poça de lama junto com Ryohei).

- Você tem sorte por estar viva, Alice. – uma gota escorreu pela cabeça do garoto. – Astaroth tem a fama de ser violento, cruel e frio com os inimigos. É um membro muito forte da Pulizia.

- Imagino como a Prima Pulizia deve aturá-lo. – Cornelia comentou imaginando.

- Deve ser uma tortura todo o dia para ela. – Alice franziu o cenho. – Aquele cara é muito irritante!

- Acho mais provável ser uma tortura aguentarem a chefa do que o Astaroth em si. – Loue sorriu. – Mas, enfim. Por que não reportam o que aconteceu hoje, nos mínimos detalhes? – a última parte o garoto falou encarando a garota brasileira.

- Claro. – Alice riu sem graça. – Tudo começou quando eu acabei esbarrando com aquele cara. – a raposinha de Alice, Red, caminhou e pulou no colo da dona. – Tivemos uma discussão e, para não causarmos tanta confusão no pátio, nos levaram para a enfermaria.

- Agora tentem se controlar, ok? – Klaus pediu suspirando. – Ou pelo menos não se matem.

O garoto deixou a enfermaria quando ouviu o chamarem para cuidar de um outro aluno. Alice estava sentada na cama, balançando os pés, enquanto Astaroth ficou de pé encostado na parede.

- Isso tudo é culpa sua. – ambos falaram ao mesmo tempo. – O que você disse?!

- Sem brigas! – Klaus gritou do lado de fora da enfermaria.

Alice cruzou os braços depois de revirar os olhos. Red, sua raposa, balançava a cauda de um lado para o outro e olhava curiosamente para o rapaz parado em sua frente. Astaroth notou o olhar do animal, mas fingiu não se importar com aquilo.

- O que foi, Red? – Alice tirou a raposa de cima de sua cabeça quando ela começou a se remexer. – Está com fome? – o pequeno animal soltou um grunhido e voltou a mexer as patas.

- Essa raposa deve estar com azia por passar tanto tempo com você. – Astaroth comentou quase dando um sorriso de canto.

- Não, acho que deve ser apenas a sua presença mesmo que a está incomodando. – Alice riu diante da expressão de raiva do rapaz.

- Aqueles que convivem com você deviam ganhar uma medalha. Porque devem ser as pessoas mais pacientes do mundo. – Astaroth revirou os olhos.

Alice lançou um olhar mortal ao rapaz, mas depois o ignorou. Começou a acariciar a cabeça de Red, que parecia ter se acalmado um pouco. Alguns minutos se passaram em completo silêncio.

- Eu quero ir logo embora... – Alice suspirou. – Como será que ela está? – perguntou para si mesma, sussurrando baixo.

- Ela quem? – Astaroth perguntou arqueando uma sobrancelha.

- Minha irmãzinha. – Alice olhou para a porta se perdendo em pensamentos.

- Ela deve estar bem, então. – Astaroth deu de ombros. – Se conseguiu te aturar...

- ...COMO É?! – Alice virou-se irritada para o rapaz e pulou da cama. – SEU...! DUVIDO QUE FALE DE NOVO! – Astaroth revirou os olhos mais uma vez e uma pequena aura assassina surgiu em volta de si.

- Não ouviu direito? Eu disse que qualquer pessoa que conviva com uma maluca como você pode sobreviver até a um ataque de urso! – Alice se aproximou a passos largos e encarou o Guardião da Nuvem de Casilda com os punhos formados.

- Ah, é? E qualquer pessoa que viva com você deve ter o maior azar do mundo, porque precisam olhar para essa sua cara todos os dias!

O clima entre os dois ficou cada vez mais tenso, chegando até a ser possível sentir de longe as fortes intenções assassinas deles. Klaus, o enfermeiro, até percebeu que algo ruim estava para acontecer, porém ele somente não interferiu porque estava sozinho e ele poderia morrer se tentasse impedi-los.

- Maldita! – Astaroth deu um soco na garota, porém ela desviou com facilidade.

- Babaca! – Alice tentou chutar as regiões vitais do rapaz, porém ele segurou seu pé antes disso acontecer.

Eles trocaram golpes (desde socos e chutes até voadoras), jogaram coisas um no outro e estavam literalmente acabando com a enfermaria. A cama estava de ponta-cabeça, alguns fracos de remédios caíram no chão e quebraram, as fichas dos alunos doentes estavam voando entre os dois. A bagunça era imensa.

- Grr... – eles pararam ao ouvir um rosnado.

Alice olhou para sua raposinha, que estava perto da porta e mostrava os pequenos dentes afiados. Ela estava em posição de ataque, mas olhava tanto para a dona quanto para Astaroth. Eles se entreolharam confusos, o que estava acontecendo com Red? Antes, ela estava bem calma...

- Red...? – Alice falou se abaixando. – O que foi? – ela chamou a raposa com gestos da mão.

Red caminhou lentamente até Alice e lambeu a mão da garota. Depois, porém, virou-se para Astaroth, subiu no armário ao lado do rapaz e então pulou no ombro dele. Ela se acomodou ali, passando a cauda macia e peluda pelo pescoço do Guardião da Nuvem da Pulizia.

- E-EH? – Alice arregalou os olhos. – Por que você está com esse idiota, Red?! – Alice perguntou incrédula.

- Talvez porque ela sabe que eu sou melhor que você. – Astaroth disse zombando da brasileira.

- Ou talvez ela esteja apenas dizendo: “parem com essa briga infantil e sem sentido”. – ambos olharam para a porta e encaram a professore de italiano. – Ciao. Como vocês estão? – Casilda acenou sorrindo.

- Estávamos bem melhor antes de você aparecer. – uma aura assassina surgiu em volta do rapaz.

- Vamos, não diga isso, Astaroth. – Casilda riu. – E amanhã você vai arrumar a enfermaria, ok? Não podemos deixá-la assim.

- Como se eu fosse--

- Alice-chan! – Casilda foi até ela e sussurrou algo em seu ouvido. – Sinto muito pelo Astaroth, ele é meio cabeça-dura e teimoso, mas é uma boa pessoa. É só questão de se acostumar com o jeito dele.

- Ahn... – Alice encarou a moça como se não conseguisse acreditar nas palavras dela.

- Como vocês já se acertaram, que tal ir para casa, Alice-chan? Tenho certeza que o Loue vai ficar preocupado se você não aparecer. – Casilda empurrou a garota para fora da enfermaria. – Diga que eu mandei um “oi”!

A Guardiã do Trovão da Notte Bleu balançou a cabeça um pouco confusa. Assobiou para chamar Red de volta enquanto ia buscar suas coisas que ficaram com o enfermeiro. A raposinha se afastou de Astaroth, mas antes ela lambeu a bochecha do rapaz, que apenas observou-a sair correndo.

Cornelia ficou quieta depois da pequena explicação de Alice. Não sabia exatamente se ria ou não, porque a história, em alguma parte, se tornou muito bizarra. Red havia gostado de Astaroth, pelo o que parecia. Mas já a sua dona...

- Quer dizer que tudo acabou bem. – Loue suspirou aliviado. – Ainda bem que a Casilda apareceu a tempo.

- Hunf. – Alice cruzou os braços ao mesmo tempo em que Red se aconchegava melhor no colo da garota. – Da próxima vez que eu o vir, ele vai ver só. – uma veia saltava na testa dela.

- Não precisa ficar assim, Alice... – uma gota escorreu pela cabeça de Loue. – O que passou, passou. Não é mesmo?

- O Loue tem razão. Não há motivos para você se importar mais com o Astaroth, Alice. – Cornelia sorriu colocando uma mão no ombro da mais nova.

- Se bem que não seria nada mal se nós o pegássemos no final da gincana e déssemos alguns socos na cara dele. – Katherine riu da cara pálida de Loue.

- Não! Nada de brigas, por favor! – o Nono Notte disse acabando com a ideia de Kath.

As três garotas riram. Depois de Cornelia e de Katherine disserem como foi o dia delas, elas saíram do escritório de Loue, mas antes acabaram esbarrando com Rick e Lion na porta.

- Boa noite. – elas disseram juntas.

- Boa noite. – responderam eles fechando a porta logo em seguida.

Rick parou na frente da mesa de Loue e jogou sobre ela uma pasta cinza. O garoto pegou-a e a abriu retirando vários papéis e os espalhando pela superfície de madeira. Lion sentou no sofá, mas prestava atenção a tudo o que aqueles dois diziam.

- Não foi ele. – Rick disse quebrando com o silêncio. – E pelo o que parece, aDamadelle Fragranze também está fora da nossa lista.

- Entendo... – Loue passou os olhos pelas folhas em cima de sua mesa. – O que mais o Eric falou?

- Ele desconfia da Spina Cielo. – o Nono Notte estreitou os olhos. – Eu já pedi para alguns agentes da Notte Bleu investigarem, mas por enquanto não temos nada.

- Hm. – Loue balançou a cabeça e olhou para o Lion. – Vocês tiveram algum problema?

- Nada de especial. Apenas o de sempre. – Rick olhou para o loiro que acabara dormindo no sofá. – Ah, é. O Eric mandou isso para você. – o homem retirou um frasco de vidro do bolso e jogou para o Nono Notte.

- O que é? – Loue perguntou curioso.

- Uma fragrância que ajuda na melhora de machucados. Ele disse que seria bom para você.

O garoto encarou o frasco por um tempo, então suspirou e o guardou dentro de uma gaveta.

- Ei, Loue. – tanto o chefe quanto Rick viraram-se para Lion. – Impressão minha... Ou você conhece esse tal de Eric faz um tempo?

- Ah, sim. – Loue falou um pouco surpreso pela pergunta de seu Guardião da Névoa. – Nossas famílias são antigas conhecidas, então o Eric sempre ficava na minha casa quando nossos pais estavam conversando sobre negócios e coisas do tipo. Por que a pergunta, Lion?

- N-nada. – o loiro gaguejou e voltou a apoiar a cabeça no encosto do sofá fechando lentamente os olhos.

Rick arqueou uma sobrancelha por causa da atitude do garoto, mas deu de ombros e voltou a falar com o Nono Notte.

- Eu soube que a gincana esportiva foi bem animada. – o homem sorriu.

- Dependendo de como você define “animada”, foi sim. – Loue riu pegando a xícara de chá que estava na mesa e tomando um gole. – Dominique estava muito alegre quando voltou.

- Ouvi boatos, mas é verdade que a Tredicesima formou uma dupla com o Settimo Arcadio? – Rick perguntou um pouco incrédulo.

- Eu também não acreditei quando Cornelia me contou. – Loue balançou levemente a cabeça. – Mas parece que tudo ocorreu bem. O Gerard apenas ajudou a Dominique porque a dupla dele também foi pega de surpresa, assim como a Lira.

- Eu não acredito muito nessa desculpa. – Rick riu, sendo seguido por Loue.

- Eu também não.

O relógio marcou seis e meia da noite. Há uma hora e trinta minutos, o primeiro dia da gincana esportiva havia acabado e os professores saíram da escola, exaustos. Ou nem todos.

- Que tarde! Será que amanhã será divertido também? – Casilda se perguntou enquanto caminhava de volta para casa. Ela tinha ficado para ajeitar os placares das turmas, então seus irmãos e amigos haviam ido na frente.

A moça caminhava calmamente (parecia mais é que saltitava) e assobiava de forma inocente. Ela parou assim que ouviu a própria barriga roncar e uma extrema fome surgir do nada. Vasculhou os bolsos atrás de dinheiro, porém não achou uma moeda sequer. Suspirou, deprimida, e então voltou a andar, porém, dessa vez, arrastando os pés pelo caminho.

- Que fome... – resmungou Casilda com a mão na barriga. — ...Hm? Que cheiro bom é esse? – ela olhou ao redor sentindo o aroma de pão francês.

Parou na frente de uma padaria com a boca quase transbordando de saliva. Vários bolos, salgados e biscoitos estavam à vista na vitrine, um mais belo e apetitoso que o outro. Casilda se amaldiçoou por não ter dinheiro, mas algo lhe trouxe a alegria de volta.

- “Promoção do dia: acerte a pergunta e ganhe um salgado de graça”. – Casilda leu a placa que estava perto da porta. Um sorriso se abriu em seu rosto. – Oba! Que sorte! – e entrou.

O interior da padaria era muito bonito. Não era luxuoso ou qualquer coisa do tipo, mas era agradável. Casilda andou até o balcão e chamou pela mulher que estava acabando de colocar mais pães no forno.

- Eu vi o anúncio de vocês lá fora e gostaria de participar. – Casilda disse sorrindo. – Qual seria a pergunta?

A mulher balançou levemente a cabeça e colocou um pote enorme sobre o balcão. A Prima Pulizia olhou para ele com curiosidade e esperou por mais explicações.

- Está vendo que dentro deste pote há vários grãos de arroz? – Casilda acenou positivamente com a cabeça. – Pois bem, a pergunta é: quantos grãos, no total, há dentro do pote?

A moça encarou o recipiente por um tempo, olhando de vários ângulos diferentes. Casilda tentou contá-los um por um, porém perdeu a conta no meio do caminho. Depois de cinco minutos, ela finalmente cruzou os braços e franziu o cenho.

- 392. – Casilda disse num tom duvidoso.

- Como? – a mulher perguntou piscando os olhos.

- São trezentos e noventa e dois grãos de arroz dentro do pote. – ela balançou a cabeça, convencida de sua resposta.

- E-err... – a mulher virou-se pasma para a gerente que se aproximava. Ela sussurrou algo no ouvido dela e se afastou.

- Parabéns, senhorita. – Casilda abriu um largo sorriso. – Sua resposta não poderia estar mais correta.

- OBA! – a Prima Pulizia deu um pulo de alegria. – Posso pegar meu salgado, então?

Casilda saiu da padaria comendo um sanduíche de atum com salmão, já que não gostou de nenhum salgado que tinha lá. Continuou seu caminho, mas parou novamente quando viu um pequeno sorteio sendo realizado numa loja ali perto. Foi correndo até lá e pegou um número.

- Certo, o prêmio de segundo lugar vai para o número 21! – anunciou o homem com o microfone.

- Sou eu! – Casilda disse balançando o braço. Ela pegou o prêmio e voltou a andar. – Que sorte, eu bem que queria comprar um cobertor como esse. – ela comentou alegremente.

O relógio marcou sete horas. Há meia hora, Casilda estava vagando pelas ruas de Namimori, parando em cada sorteio ou promoção que via. Havia ganhado um cupom de desconto, uma torta de maçã, uma cesta com produtos de beleza e um brinquedo para cachorro.

- Quando raios ela irá para casa?! – um vulto reclamou ao seguir Casilda para mais uma loja. – Ou ela tem muita sorte ou está trapaceando, não é possível. – uma gota escorreu pela sua cabeça ao ver a moça sair com mais um prêmio em mãos.

O stalker não era ninguém menos que um dos alunos de Casilda e Guardião da Chuva de Dominique, ou seja, Michael Gregori Archangel. O britânico achou que seria uma boa ideia seguir sua professora de italiano porque, bem, nunca se sabe o que pode acontecer, certo? Além do mais, ele tinha algumas dúvidas sobre ela e queria acabar com a curiosidade.

- Acho que vou voltar agora... – Casilda comentou olhando para o céu. – Ou talvez não. – ela sorriu ao ver uma competição de quem comia mais pratos em menos tempo. Michael revirou os olhos e foi atrás dela, porém já estava tão farto de apenas observar que, sem pensar, pegou um disfarce e entrou na competição também.

Não havia um tipo de comida específica, os pratos eram bem variados: de lasanhas e pizzas a saladas e sobremesas. No total, eram quinze concorrentes, porém dois saíram nos primeiro dois minutos. Casilda se manteve lá até o final, comendo sem parar e até parecendo um animal selvagem que não comia nada há meses. Michael apenas observava de vez em quando, mas a cada vez que fazia isso, sentia uma gota escorrer pela cabeça.

- Certo, o tempo acabou! – anunciou a dona do restaurante que estava realizando aquela competição. – Então, vejamos... Quem foi o mais comilão hoje? – ela passou pela mesa e contou, um a um, os pratos vazios.

Casilda terminou doze pratos com o rosto sujo de molho de tomate e chantilly. Ela esperou ansiosamente pelo resultado e não se surpreendeu quando soube de sua derrota: Michael havia comido VINTE pratos em dois minutos! Claro, ela nem notou que era ele.

- Parabéns! – disse a moça cumprimentando o vencedor. – Você foi incrível. – sorriu alegremente apertando a mão dele.

- Obrigado. – Michael disse tentando não encarar a professora nos olhos, senão ela poderia desmascarar seu disfarce.

Casilda passou em mais algumas lojas antes de finalmente voltar para casa. Ao vê-la fechar a porta principal da mansão de Roderich, Michael soltou um longo suspiro e deu meia volta. Agora, precisava arranjar uma desculpa para explicar sua demora aos seus amigos.

- Michael! – ele estremeceu ao ouvir a voz de Casilda pelo interfone. – Você por aqui, que surpresa! Precisa de algo?

- N-não. – Michael respondeu se recuperando do susto. – Eu só estava de passagem.

- Mesmo? – Casilda observava o garoto pela janela. – Não quer entrar? Posso preparar algo para você.

- Não, obrigado. – ele respondeu fazendo uma careta e colocando a mão na barriga, sentia o estômago estufado. – Talvez numa outra ocasião, sensei.

- Hm... – Casilda ficou em silêncio por um tempo. – Certo, mas me prometa que você vai vir aqui, ok? – ouviu-se a risada infantil da Prima Pulizia. Michael suspirou sabendo que ela iria insistir naquilo até que ele concordasse.

- Ok. Eu virei.

- Oba! Então, da próxima vez eu irei preparar algo para você. – Casilda sorriu animada.

- Se não for incômodo... Bem, eu preciso ir. Até amanhã. – Michael se virou para a rua, porém parou ao ser chamado de novo.

- Michael! – Casilda chamou-o. – Err... Eu soube que a rua leste que você pega para ir para casa está interditada por causa de obras no asfalto. – o Guardião da Chuva da Distrune arqueou uma sobrancelha. – Por isso, acho que seria bom você ir pela rua principal. Sim, é bem melhor você ir por lá! Assim a Tredicesima Distrune não ficará preocupada com a sua demora.

- Entendido. – Michael balançou a cabeça. – Obrigado pela dica, Prima Pulizia. – ele deu um sorriso de canto antes de ir embora.

O silêncio tomou conta por um tempo, já que ninguém passou perto da mansão de Roderich por cinco minutos. Mas foi melhor assim, afinal, sem ninguém por perto, nenhuma pessoa foi capaz de ouvir o suspiro aliviado da moça do outro lado do interfone.

Quando chegou em casa, Michael arregalou os olhos ao ver todas as pessoas presentes quase o matando sufocado. Ele se segurou para não cair no chão quando Dominique se jogou e o abraçou com força falando dez palavras por segundo. O garoto tampou a boca da chefe e olhou confuso para todos os amigos.

- Aconteceu alguma coisa? – perguntou ele.

- Sim! Digo, não! Quer dizer... – Akira se embolou toda.

- Estavam todos preocupados. – Alphonse explicou suspirando. – Parece que explodiram uma bomba na rua leste de Namimori, e como você não estava em lugar nenhum, pensamos que talvez você tivesse sido pego pela explosão.

- Como? – Michael olhou incrédulo para o rapaz.

- Ainda bem que não aconteceu nada grave com você! Mas da próxima vez, leve o celular, Michael! – Bianca colocou as mãos na cintura e fez uma careta. – A Dominique quase teve um treco, sabia?

- Eu vou colocar um rastreador em você. – Dominique falou brincando e sorriu abraçando-o. – Olha que coloco mesmo! Não nos preocupe desse jeito, seu malvado! Mic-kun muito malvado! – ela deu leves cascudos na cabeça do Guardião da Chuva.

Michael piscou algumas vezes, ainda muito pasmo. Ele estava tentando assimilar a situação com o que havia acontecido. Será... Que Casilda sabia que algo ruim iria acontecer na rua leste, por isso ela o mandou ir por outro caminho? E se sabia, como? Ele balançou levemente a cabeça antes que seu cérebro pifasse. Teria que perguntar tudo amanhã ou, pelo menos, agradecer. De uma forma, a professora de italiano havia o salvado de um problema bem grande.

Falando nela, Casilda estava prestes a ir para o quarto guardar todos os prêmios que havia ganhado quando se deparou com um garoto encarando a janela, mas precisamente o céu noturno. Sorriu e cautelosamente se aproximou. Quando estava a apenas alguns metros dele, gritou:

- GILBERT! – o garoto deu um pulo e quase foi parar do outro lado do corredor.

- AH! – ele gritou arregalando os olhos. – MALDITA, O QUE VOCÊ PENSA QUE ESTÁ FAZENDO?!

- Te assustando. – riu ela. – O que está fazendo, fratello? – Gilbert balançou levemente a cabeça e estreitou um pouco os olhos.

- Nada. – a resposta com tom meio vago chamou a atenção da Prima Pulizia.

- Mesmo? – insistiu ela.

- Claro. Agora preciso ir dormir, até mais. – Gilbert virou-se e saiu andando. Casilda ficou um tempo parada no meio do corredor, encarando o garoto se afastar, e depois voltou ao seu caminho.

Na mansão, porém ,mais uma pessoa observava o céu noturno. Um rapaz de 20 anos, cabelos negro-arroxeados, que atendia pelo nome de Frau Ettore. Ele ouviu os gritos de Gilbert e então suspirou.Dessa vez, provavelmente, era apenas Casilda incomodando-o. Dessa vez.

- Hm... – ele encarou a lua que acabava de sair de trás das nuvens. Com um olhar um tanto enigmático e indecifrável, ele fechou a cortina e foi se deitar, porém com uma vaga dúvida surgindo em sua mente e que ele iria ter que sanar no dia seguinte, custasse o que fosse.

A manhã chegou tão rápida que os alunos quase estavam caindo de sono no segundo dia da gincana esportiva, mas nem isso os acalmava. A prova principal daquele dia, a caça ao tesouro, era esperada por muitos.

- Que tumulto. – Mary comentou olhando a multidão que se formava perto do palco.

- Hoje vai ser uma competição muito interessante. – Fernanda sorriu animada.

- É... Onde está o Astaroth? – Mary olhou ao redor, não achando em lugar nenhum o rapaz.

- Ele está consertando a enfermaria nesse exato momento. – Kain falou desinteressado lendo um livro.

- Ah... – Mary voltou a encarar o amontoado de alunos e estreitou os olhos quando avistou Alice correndo em direção à enfermaria, aparentemente ela estava seguindo a raposinha Red que corria sem atender aos chamados da dona. – Vish, espero que não aconteça um massacre dessa vez...

- Se ocorrer, o Hibari deve ir pará-los. Ou terminar de matá-los. – Fernando riu.

Os outros concordaram em silêncio, porque eles sabiam que Hibari realmente poderia fazer aquilo.

Casilda pegou o microfone e subiu no palco sendo acompanhada por olhares de todos os alunos. Ela tossiu algumas vezes, balançou a cabeça e então acenou.

- Estão prontos para a prova de hoje? – ela perguntou.

- SIM! – responderam os alunos.

- Ótimo! – a professora de italiano sorriu. – Hoje teremos a Caça ao Tesouro. Para aqueles que não sabem as regras, eu irei explicar. – Casilda tirou um papel do bolso e mostrou a foto de uma caixinha de música. – Estão vendo? Essa caixa está escondida em algum lugar da escola. Na sala dos professores, nas salas dos clubes, nas quadras, no ginásio... Qualquer lugar vale! A pessoa que achá-la primeiro, ganha. Simples, certo? – Casilda esperou para ver se havia alguma pergunta. – Ah, mas não achem que será tão complicado assim. Nós espalhamos também dicas pela escola! Agora, se vocês irão entendê-las, aí é com vocês.

- Casilda-sensei. – uma aluna levantou a mão. – Nessa prova não haverá segundo e terceiro lugar?

- Boa pergunta! Eu estava quase esquecendo. – Casilda riu e várias gotas escorreram pelas cabeças dos alunos. – Existem sim segundo e terceiro lugar. – a Prima Pulizia tirou outro papel do bolso. – Quando o primeiro entregar a caixa, nós avisaremos através dos alto-falantes da escola e vocês deverão se reunir aqui. Passaremos uma lista de itens que queremos que vocês tragam e aqueles que a completarem primeiro, vencem. Mais alguma dúvida?

Nenhum outro aluno se manifestou.

- Certo. Então... – Casilda tirou uma bombinha do bolso e jogou no chão, estourando-a e assustando os distraídos. – Que a caça comece!

Todos se espalharam pelo pátio da escola procurando pelo tão desejado objeto. Gilbert, que estava no meio da multidão, correu rapidamente entre os alunos e ultrapassou uma boa parte dos adversários. Ele procurou primeiro nas quadras e acabou achando uma dica.

- “Eu posso ver o céu e a rua. Aquela árvore anda muito bonita ultimamente, alguém anda podando-a?”. – ele leu em voz alta e arqueou uma sobrancelha. Que raios de dica era aquela? O garoto suspirou e deu meia-volta se afastando rapidamente da placa que estava perto dos bebedouros.

Um lugar onde se podia ver a rua e as árvores? Talvez fosse uma sala. Ele percorreu boa parte das salas do primeiro prédio da escola, passou pela enfermaria e até ouviu a voz de Astaroth discutindo com Alice (algo como “que bruxaria você lançou na minha raposa? Ela não gosta de pessoas irritantes feito você!!” e “talvez por isso ela não esteja com você agora!”), mas a única coisa que achou foi outra pista.

- “Que cheiro é esse? Parece álcool! E eu acho que ouvi uma explosão!”. – Gilbert franziu o cenho. Álcool? Explosão? O que aquilo tinha a ver com a caça ao tesouro? – O... Laboratório de química?

O Arcadio saiu em disparada novamente e abriu a porta do laboratório com força. Achou apenas uma folha em cima da bancada. Mais uma pista.

- “Está quente! O Sol anda muito forte, será que irei me queimar? Tomara que não.”. – Gilbert respirou fundo para recuperar o fôlego. Como assim? A caixa estava em alguma sala voltada para o Sol?

E mais uma vez, ele saiu correndo. Subiu as escadas e correu pelos corredores olhando cada sala com atenção. Para sua sorte, nenhum aluno estava por perto para ficar em seu caminho. O garoto apenas diminuiu a velocidade de seus passos quando viu um vulto numa sala e, observando melhor, ele estava com a caixa! Gilbert estremeceu, estava atrasado? Ele abriu a porta e encarou a pessoa parada perto da janela. Quando a identificou, arregalou os olhos surpreso.

- O que você está fazendo aqui? – foi a única coisa que o Arcadio conseguiu pensar em perguntar.

- Nada demais. – respondeu o rapaz olhando para o garoto pelos cantos dos olhos.

- “Nada demais”? – Gilbert revirou os olhos e se aproximou. – Então me diga um motivo para uma pessoa de 20 anos estar na escola se já é formada, Frau! – o rapaz suspirou, colocando a caixa de música em cima da carteira.

- Existem muitos motivos. Talvez seja um professor, o diretor da escola, uma pessoa querendo visitar um amigo mais novo, um cara fazendo estágio... – Frau falou indiferente.

- E qual o seu motivo de estar aqui, hein? – Gilbert encarou a caixa de música pensando em pegá-la quando Frau não estivesse olhando.

- Você.

Essa resposta fez com que Gilbert olhasse para o rapaz, pasmo. Ele piscou algumas vezes tentando digerir a informação e então, quando finalmente sua ficha caiu, ele se afastou rapidamente e corou violentamente.

- D-do que você está falando, i-idiota?! – gaguejou quase tropeçando nos próprios pés. Gilbert sentiu a parede tocar suas costas e o coração quase falhar, afinal, para onde ele poderia ir agora?

- Eu tenho uma pergunta para você. – Frau disse se aproximando. O Arcadio encarou-o ainda com o rosto muito vermelho.

- E o q-que--

- Gilbert. – Frau colocou as mãos em cada lado da cabeça do garoto, assim ele não teria como fugir. – Você anda muito estranho ultimamente. – Gilbert arregalou os olhos e mordeu o lábio inferior. – O que está te incomodando? – um silêncio perturbador se instalou na sala.

Nenhum deles chegou a perceber, porém uma pessoa observava aquela cena de longe com um sorriso de canto se formando em seus lábios. Mas não um sorriso qualquer, não um sorriso que demonstrava alegria como normalmente se vê por aí. Aquele era um sorriso convencido, talvez até um pouco sombrio, e que parecia dizer "que comece o jogo".

Notas finais
Fim~ Já comecei o próximo cap., não se preocupem! PORQUE SHOUNEN-AI ALIMENTA A MINHA IMAGINAÇÃO DE UMA FORMA EXTREMAMENTE ASSUSTADORA!! *O* FRAU, AGARRA O GILBERT! AGARRA! AGARRA! *apanha*
Gilbert: QUIETA!! *joga um tijolo na Lashini, corado*
Nyan~ Não precisa ficar assim, Gil-chan. Todos sabem que você quer isso também. u.u
Gilbert: *cora mais ainda* C-cala a boca...
.....
...
.
CERTO! Agora, vou terminar aqui para voltar a fazer o próximo capítulo. *-* Espero que tenham gostado desse. '3'
~
Obrigada por lerem Alliierten! Seus reviews me animam muito! *-*
Ciao, ciao~