All the things he said

1 Capítulo 1: Vivendo o acaso


Notas iniciais
- Olá, sejam bem vindos! Essa fic será curtinha e vai tratar exclusivamente de Aomine x Kagami x Aomine (não, não tem dominância ahauhauah). Um romance limpo e mais próximo possível da realidade.
- Fiquei três dias escrevendo sem descanso! E é tudo culpa do Daiki!! Adorei trabalhar com esse casal s2! Foi minha primeira fic de Kuroko ~

Enjoy s2

O barulho da bola quicando no chão, a corrida irregular dos inexperientes, os gemidos de angustia dos perdedores... são tantos os sons vindos de uma partida de basquete, não podemos desviar a atenção por um pequeno segundo ou tudo estará perdido.

Porém...

Desde quando eu parei de ouvi-los? Sinto que a muito não prestava atenção nos gritos de vitória, nem o barulho da cesta sendo invadida pela bola. Vencer se tornou uma certeza, certeza que perdeu o seu brilho próprio; já não me importava com sorrisos ou lágrimas, medalhas ou troféus. Tudo se tornou apenas um mar de inutilidade – Aomine Daiki

Seirin 101 vs 100 Touou

- Oe, Daiki! Vamos te deixar ai se não andar logo... fala sério.

O suspiro pesado veio em seguida pelo capitão do time da Touou, o homem normalmente calmo estava irritado com a derrota e não se pôs a chama-lo mais uma vez, continuou a caminhar com os outros integrantes do time até o portão de saída. Aomine permaneceu parado no hall de entrada olhando para o céu que dava sinais de um forte temporal.

- Dai-chan! Vai chover logo menos, vamos embora _Satsuki veio correndo ao seu encontro _tenho certeza que não trouxe um guarda chuva, então vamos o mais rápido possível! Dai-chan, está me ouvindo? Daiki!

O moreno abaixou os olhos e começou a caminhar em direção a saída, seus pés estavam leves, o costumeiro andar preguiçoso se endireitou – era como se de repente tivesse reaprendido a fazer o gesto tão corriqueiro. Ignorou o olhar preocupado da amiga de infância, assim como suas palavras de conforto, focou apenas em ir para casa.

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Passos apressados tentavam a todo custo alcançar o prédio bege a quase 500 metros, mas o esforço físico de meia hora atrás estava o matando – literalmente. Seu corpo se recusava a continuar a pequena corrida, o ar já faltava em seu cérebro. “Mas que vida, se eu pegar chuva vou me resfriar!” resmungou ao parar numa esquina movimentada a fim de esperar o sinal verde.

- Bom, que seja... _seus lábios tomaram um sorriso enorme _ vencemos a Touou!

O timbre forte atraiu a atenção das poucas pessoas que também esperavam na faixa de pedestres, a situação pedia que Kagami se desculpasse por sua exaltação, entretanto estava tão feliz que não pode deixar de continuar sorrindo. Pela primeira vez finalmente tinha derrotado Aomine Daiki! Seu basquete tinha melhorado tanto em tão pouco tempo, isso para si passava muito longe de qualquer outra boa noticia que poderia vir a receber.

Lembrara-se de toda a tristeza que o time tinha passado pela derrota no torneio de verão, aquele sentimento nunca mais seria presente! Kagami Taiga daria sempre o melhor de si para ver todos sorrindo e fez disso uma promessa.

Tristeza... tristeza?

Quando o sinal abriu fora empurrado pela multidão em direção ao outro lado da calçada, seus pensamentos voaram da vitória para a derrota e numa questão de segundos o sorriso desapareceu. Ao contrário do que pensava, não sentiu satisfação alguma ao ver o sorriso presunçoso de Aomine Daiki se desfazer e dar lugar a um olhar perdido para o time; time esse que virou as costas para o jogador sem ao menos dizer que dera o melhor de si pela equipe. “Aquele idiota... não precisava fazer aquela cara!” pensou com um começo de remorso.

Taiga balançou a cabeça, estava pensando demais em um assunto sem importância! Se concentraria em caminhar até seu prédio ou caso contrario acabaria desmaiando de cansaço.

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Após o jogo tumultuado contra o colégio Touou, Seirin não teve um dia sequer de descanso, sua treinadora sendo a pessoa que costumava ser, deu a eles treinos pesados e criativos para melhorar o desempenho da equipe. Vencer por apenas 1 ponto não era seu objetivo afinal, ainda tinham muito a melhorar se quisessem conquistar o Japão. Apesar dos pesares, Kagami teve suas energias recarregadas, sempre que tinha tempo entrava em qualquer jogo de rua ou quadra de basquete para praticar – com ou sem Tetsu. Ainda teriam outro jogo contra Aomine, ficou sabendo que o moreno voltara a treinar todos os dias, uma boa notícia, mas perigosa.

Arremessou a bola com força, queria ter o prazer de acertar pelo menos uma cesta de três naquela distancia – errou. Bom, não é a toa que seu capitão e Midorima se destacavam tanto, aquilo era difícil pra porra! Como Aomine conseguia fazer aqueles arremessos sem forma numa cesta de três?!

Novamente Aomine, suspirou, ultimamente tudo a sua volta tinha como objetivo vencer o moreno. Já não importava tanto assim os outros jogos, claro que aquilo era um segredo mortal não podia de modo algum dizer que treinava apenas pensando na próxima partida contra Touou. Contra Touou? Alguma coisa lhe cutucou a consciência falha, os outros integrantes daquele time não lhe faziam a menor diferença, ele queria enfrentar Aomine daiki! E sozinho, sem ninguém lhe pedindo para passara bola.

- To na lama _ergueu a sobrancelha.

Sua motivação tinha perdido o foco ultimamente, o time tinha de tornado apenas ele e os adversários apenas Aomine. Será que de alguma forma estava sendo corrompido pela geração dos milagres?

A pergunta pairou em sua cabeça por um tempo, Kagami se preocupou com aquilo, não queria deixar de jogar com todo o coração pela equipe de Seirin, tinham conquistado tantas coisas juntos eram como uma família. Novamente a cena da derrota do jogo veio em sua mente já perturbada, por que ninguém fora dar um apoio ao camisa 5 da Touou? Eles sabiam mais do que ninguém que aquela derrota deixaria Aomine sem ação e mesmo assim... O ruivo agradecia por sua sorte de poder contar com todos, sem exceção, quando estava deprimido; por causa disso acabara indo com Tetsu até o outro lado da quadra e trocando algumas palavras com Daiki. “Por que está fazendo essa cara de que tudo está perdido?” foi a primeira coisa que lhe veio a cabeça. Pareceu ter um bom resultado.

Os lábios vermelhos foram tomados por um sorriso singelo, realmente a pose de superior arrogante lhe caia melhor e esperava que o rival já estivesse se recuperado.

- Ah fala sério!!! _exclamou na terceira tentativa frustrada na cesta a longa distancia _...eu quero jogar contra você novamente!

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A sala de aula estava agitada com a falta do professor de Biologia, Kagami bocejou olhando para o céu límpido.

- Cansado, Kagami-kun?

- É... _respondeu sem emoção ao amigo _um pouco.

- Temos o período livre, quer treinar um pouco?

- ...não.

Os olhos azuis se arregalaram por alguns segundos.

- Parece um pouco desanimado _comentou agora se inclinando para ter uma visão melhor do ruivo.

- Hum... só estou com preguiça _sorriu _e sonolento.

Tetsu deu uma risadinha baixa, tirou o livro de bolso a fim de acompanhar a preguiça de Taiga.

- Tudo bem, as vezes eu também me sinto assim.

- Tetsu, como era o Aomine antes dele se tornar daquele jeito?

A pergunta veio simples, porém Tetsuya percebeu duas coisas incomuns: Taiga não tinha se referido ao camisa 5 com estupidez como sempre fazia – o chamava de arrogante, babaca e idiota o tempo todo – estava sendo educado e seu timbre de voz parecia ligeiramente mais sério do que de costume.

- Bom, ele era o meu melhor amigo _engoliu seco ao se referir a amizade deles como coisa do passado _sempre animado para jogar basquete, gentil... ele ainda é assim, as pessoas não mudam totalmente. Tenho certeza que agora o Aomine-kun vai conseguir superar os traumas da geração dos milagres... ele é uma boa pessoa _completou ao ver que Taiga ainda prestava total atenção.

- Será que não fizemos errado? Quer dizer, perder e ganhar isso acontece o tempo todo! Mas será que não devíamos ter dito alguma coisa?

- Ele pareceu perdido, né? _recebeu uma confirmação positiva por um gesto de cabeça _confesso que queria poder fazer alguma coisa, bom... fazer alguma coisa não, afinal ele ainda é o Daiki, mas sei lá... encontrá-lo qualquer dia desses.

- Vamos jogar basquete! Marca com ele.

O menor abriu e fechou a boca, ok, ele não esperava que Taiga também estivesse com a ideia de encontrá-lo, deu os ombros afinal quanto mais amigos Daiki tivesse a partir de agora, melhor.

- Ah... Kagami-kun _o chamou alguns minutos depois _acorde... não, o professor não chegou _riu do ruivo ao ver sua expressão perdida para a porta de entrada _o que acha de irmos agora?

Virou seu celular para encurtar explicações, na tela uma mensagem recém recebida: “Ok, te encontro em 15 minutos na quadra do Maji – Daiki”.

Kagami bem que tentou, porém brincar de esconder não era seu melhor skill, Kuroko percebeu e riu de sua ansiedade.

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A pontuação a muito já tinha sido esquecida, só se sabia que Aomine ganhava. Kuroko se retirou do jogo depois de uma tontura por conta do calor e excesso de exercício físico. Kagami jamais se deixaria ser derrotado depois de tanto esforço para chutar a bunda do seu adversário no ultimo jogo. E essa era a situação atual do trio.

- Vem, está com medo Ahomine?! _o provocou com o apelido recém criado.

- O único que está tremendo aqui é você, Bakagami!

- Cale a boca logo e venha!

A troca de xingamentos continuou, Tetsuya não se importou em ficar para assisti-los uma vez que a aula vaga era a ultima do período, ainda tinham tempo para o começo do treino com a equipe. Fechou os olhos prestando atenção apenas no barulho costumeiro de um jogo de basquete: os tênis, a bola, a cesta, os jogadores cansados... era uma melodia agradável.

- Vou chutar seu traseiro Aomine! Fique só esperando até o próximo jogo!!

- Aquilo foi apenas sorte _rebateu com um argumento tão fraco que Tetsu precisou rir, ainda que para si mesmo.

- Parece que alguém aqui ainda não perdeu a arrogância.

- Apenas verdades, Taiga!

O ruivo tinha o rosto vermelho pelo calor e isso foi extremamente convincente, porém ele sabia que tinha ficado enrubescido por ter sido chamado pelo primeiro nome pelo outro. Na América isso era um tanto normal, ser chamado pelo nome ao invés desse costume nipônico estranho, entretanto Aomine não parecia ser do tipo que chamava a todos com aquele maldita intimidade.

Novamente pensamentos desnecessários, uma bola roubada e uma cesta.

- Tem muito a melhorar, muito _resmungou Aomine agora limpando o suor com a camisa _mas admito... _ergueu os braços _foi o único que me fez entrar na zona e mesmo assim não desistiu.

A declaração surpreendeu os amigos, realmente o moreno tinha voltado a ser quem era – alivio para Kuroko.

- Claro que não vou desistir! Nunca! _frisou a ultima palavra indo com tudo por cima do adversário que desprevenido, acabou por tropeçar levando ambos ao chão.

- Ouch! Presta atenção porra!! _sentiu uma fisgada no quadril.

- Cara, desculpa, se machucou?

- ...não, claro que não _se levantou rapidamente olhando direto a Tetsu.

O menor abriu um sorriso descrente, Aomine Daiki tinha ficado sem graça por ter gritado de forma estúpida com outra pessoa, Tetsu percebeu e ainda recebeu a confirmação quando os olhos do maior procuraram os seus para ver sua reação. Aomine se sentiu um idiota, saiu bufando em direção a sua mochila.

- Chega, tenho treino na Touou agora.

- Uh... ah ok _fez sinal de positivo _foi um bom jogo! Obrigado.

- Obrigado _agradeceu de volta percebendo o motivo de Taiga ainda estar no chão, um filete de sangue escorria pelo machucado recém aberto no joelho _isso foi agora?

- Acho que sim _disse despreocupado tentando recuperar o fôlego.

Sem grandes opções, retirou a garrafa d’água da bolsa e encharcou sua toalha de treino. Daiki não era de se preocupar com coisas idiotas assim, entretanto tinha sido em parte sua culpa por terem caído – e conhecendo o pouco que conhecia de Kagami, ele iria embora sem limpar aquilo, como possível resultado uma infecção.

- Aqui, limpe isso ai... o que foi?! Só não quero ouvir desculpas quando perder pra mim novamente _se defendeu ao receber um olhar curioso de Kuroko.

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O treino daquela tarde de sexta-feira não estava puxado como de costume, a treinadora tinha deixado os meninos por conta, pois precisava sair mais cedo para encontrar o pai. Kagami apenas brincava de fazer suas energéticas enterradas arrancando admiração dos novatos enquanto o resto do time ria de algum assunto idiota.

Eles estavam combinando de irem jantar em algum lugar, o ruivo não se interessou em entrar na briga para escolher o tipo de comida. Bastava ser barato e em grande quantidade.

- Como ganhou esse machucado? _Hyuga perguntou ao acaso.

- Cai _respondeu em meio a um bocejo _fui treinar na quadra do Maji Burger na aula vaga.

- ...caiu? Você é criança pra ficar caindo? _ajeitou os óculos.

- Não foi minha culpa! Aquele retardado que estava lá brisando _estalou a língua fingindo falsa irritação.

- Tetsu?

- Aomine-kun.

A aparição repentina do chaveirinho do time não assustou Hyuga mais do que sua resposta. Aomine?! Por que diabos Taiga estava treinando na quadra da lanchonete com o lendário Aomine Daiki?!

- Eu o convidei por que queríamos saber como ele estava _e como se lesse pensamentos, Kuroko respondeu.

- ...que seja _balançou a cabeça negativamente _espero que voltem a ser bons amigos.

- Sim, acho ótimo que o Aomine-kun faça mais amigos.

- Mais...? Aah _Hyuga abriu um sorriso singelo quando a ficha finalmente caiu _Taiga, você quer amigo do Aomine-san também? Não perde mesmo esse costume _deu os ombros _isso é uma boa qualidade em você.

- O que?!! Eu ser amigo daquele idiota?!! Jamais _frisou a ultima palavra.

- Ele quer, até fiquei sobrando quando jogavam _riu Tetsu.

Kagami olhava descrente para ambos, realmente não tinha nada contra Aomine – e jogar basquete contra ele era sempre sua primeira opção – mas não precisavam sair por ai dizendo que queria ser amigo do camisa 5, soando desesperado ou até mesmo gay. Por fim, acabou rindo da situação dizendo que o importante era todos se divertirem.

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Sábado, o dia sagrado de não fazer nada além de dormir e comer – para Kagami Taiga, jogar basquete também estava incluso na lista dos prazeres do final de semana. Depois de dormir e comer até o máximo que seu corpo permitia, era hora de fazer aquilo. Calçou o tênis com ansiedade, treinaria até o horário de encontrar os amigos para jantar. Sua casa não ficava longe nem da quadra, nem do restaurante escolhido. “Uh, esperar em casa é tão chato” repetiu pela quinta vez ao sair pela portaria, já quicando a bola e irritando o porteiro.

A quadra vazia o esperava, esse sentimento de liberdade que o basquete trazia sempre deixava Kagami de bom humor.

...

...

“...mas se arrependimento matasse...”

Kagami pensou pela terceira vez. O grupo de seis pessoas ocupavam uma das muitas mesas do restaurante escolhido por Hyuga; como o ruivo fora idiota de ter esquecido do horário? Treinou até o sol se por para só então escutar o celular tocando irritante na bolsa: estava atrasado para o compromisso. Apesar de suado, resolveu ir assim mesmo – sua roupa não era a pior, estava de bermuda e tinha uma camisa limpa na bolsa – entretanto ao chegar lá teve a surpresa, que poderia ser bem mais agradável em outra ocasião, de encontrar Aomine Daiki junto de seus amigos. Kise e Kuroko disseram que moravam perto da casa do moreno e não viram o porque de não convidá-lo. Hyuga e Teppei disseram que seria extremamente agradável; Taiga realmente não tinha do que reclamar. O lado ruim? Estava fedendo a suor! O cabelo parecia ter passado por uma ventania sem precedentes e os tênis eram de basquete afinal. Não era do seu feitio se preocupar tanto com a aparência, porém desejou ter tomado um banho e se arrumado melhor para a ocasião.

- Você não sabe fazer outra coisa se não jogar basquete? _comentou Kise rindo ao ver a comida escapar pelo talher de Taiga.

- Cale a boca, estou treinando minha coordenação com a mão esquerda.

- Relaxe Taiga-kun, pelo menos enquanto estiver com seus amigos _Teppei deu um tapa extremamente doloroso em suas costas.

- Uh... vamos pedir as costelas logo, estou com fome _resmungou, até agora só tinha a entrada na mesa.

Aomine riu de leve, devolveu o guardanapo de Kagami que escorregou para o seu lado chamando a atenção do mesmo para si.

- Valeu... hey, não temos idade pra isso _resmungou ao vê-lo virar com saúde uma grande caneca de chopp.

- Como se o estabelecimento se preocupasse com isso _deu os ombros _quer?

Teppei se encarregou de pedir uma rodada para os amigos, ele gostou da ideia de Aomine e usou a velha desculpa: chopp abre o apetite!

- E o que mais vocês sabem fazer? _perguntou Kise animado.

- ...bom, eu... jogo vídeo game _respondeu Hyuga por fim, derrotado.

O loiro era um copiador nato, logo ele tentara os mais variados esportes – e se dera bem em todos – além da carreira como modelo. Era difícil enfrentar alguém assim, os outros perceberam que além do basquete, não tinham nada de mais. Até mesmo Aomine só pode responder “Coleciono revistas pornográficas” além de basquete.

- E você, Kagami-kun? _perguntou Kuroko curioso, o ruivo ainda era um mistério para os amigos afinal de contas.

- Eu surfo, quando morava na America eu surfava todos os dias.

- Ah que legal, Kagamicchi sabe surfar, me ensina!

- America realmente deve ser muito interessante _Teppei disse para o nada, sonhador.

Aomine abriu um sorriso bobo, surfar era uma das coisas que sempre quis fazer, mas não conseguia por falta de alguém para o ensinar. E assim os dois começaram a conversar animados.

Teppei e Hyuga se despediram dos outros, moravam em lados opostos do trio e Kagami? Bom, ele morava sozinho então a ultima coisa com que se preocupava era o horário ou como iria voltar para casa. Kise tagarelava animado num monólogo com Kuroko, o menor estava se divertindo do seu modo apesar de apenas resmungar vez ou outra com concordância. Aomine e Kagami mais uma vez andavam lado a lado, porém agora em silencio. Um silencio constrangedor para o ruivo, ele queria manter uma conversa animada também, entretanto ainda sentia certo receio do outro; apesar de ter mudado bastante ainda mantinha a expressão fechada e o ar sério. Olhou algumas vezes, disfarçadamente, para Aomine: o moreno estava usando uma camisa preta com detalhes em branco na gola e manga, reconheceu sendo da marca que sempre quis conseguir usar de forma certa – mas achava um pouco social demais, longe de seu estilo, e nessa mesma linha de raciocínio, também nunca encontrou um bom cenário para vestir. Ficou surpreso ao ver que a camisa podia ser usada com toda classe mesmo num encontro com os amigos. “Ah caralho, no que estou pensando agora?!” soltou o ar de forma exagerada.

- Sou uma má companhia, Taiga? _provocou-o mesmo sabendo da resposta.

- O que?! Não!! Só estou cansado pelo treino... mas não queria ir para casa _completou ao ver que Daiki diria o óbvio em seguida. “Então por que não vai para casa?” o imaginou com dizendo com todas as letras.

- Tetsu, o que faremos agora? O fracote aqui está cansado demais para aventuras.

- Maldito _resmungou.

- Hum... shopping?

Os amigos fizeram pequenas caretas, com tudo que poderia existir na cidade, ainda não tinham opção quando saiam de casa. Isso era problema do Japão ou da adolescência afinal? Kise decidiu por eles que iriam mesmo ao shopping, o loiro nunca perdia a oportunidade de fazer sucesso no fliperama, lugar que no qual se dava melhor – até mesmo melhor do que no basquete uma vez que sua habilidade de copiar o ajudava.

A única coisa viável numa casa de jogos para Kagami e Aomine era com certeza o basquete, ainda que voltado para mirins. Ambos fizeram tantas cestas em tão pouco tempo que as fichas para troca de brindes se estenderam por metros.

- Isso é ridículo, temos fichas para sempre _Kagami olhou com vergonha para o punhado de papel nas mãos de Kuroko.

- Troque por alguma coisa, anda logo Taiga! _reclamou Aomine, já bocejando de sono.

- Acha que sou alguma criança por acaso?!

- Acho que você perdeu pra mim até em jogo de criança, então SIM!

- Seu maldito _rosnou.

- O que eu faço com isso? _perguntou sem real interesse ainda segurando as fichas.

- Fique para você!

Kuroko ignorou Kagami e jogou as fichas dentro da bolsa do mesmo sem ser visto. Kise, Kuroko e Aomine se despediram do ruivo que teria que tomar o caminho contrario para sua casa. Agradeceu a todos pelo jantar e se voltou para a avenida lotada; olhou para trás apenas uma vez sentindo o incomodo de ficar sozinho. Não que ele se importasse realmente de levar aquela vida, tinha a liberdade que qualquer um sonharia em ter, mesmo assim, passar a tarde toda acompanhado de seus amigos para depois ir embora sozinho se tornava um pouco... melancólico? Ele não sabia exatamente colocar em palavras. Atravessou a avenida chegando em casa pouco tempo depois, jogou a bolsa juntamente com as chaves e o celular no sofá indo direto para o banheiro; precisava de um banho! Mas assim que tirou a camisa sentiu um perfume que decididamente não era seu. “Ah legal...!” pensou sarcástico, aquele Daiki tinha sentado ao seu lado no restaurante e isso deve ter sido o suficiente para a colônia impregnar sua roupa.

- Para de me perseguir! _tacou a peça no cesto de roupa suja.

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O domingo não estava sendo o melhor dia, Daiki tinha sido arrastado para o shopping novamente, agora por Momoi. “Só pode ser castigo” pensou pela quinta vez enquanto a menina fazia suas compras habituais, era hora de fazer novos amigos realmente! Não que ele não tivesse nenhum, voltara a falar com Tetsuya – e gosta do menino! – Kise ainda pegava no seu pé sempre que não tinha compromissos, mesmo assim eles ainda não eram uma opção viável para um Domingo como aquele.

Olhou com tédio para a menina, ela escolhia um perfume novo na seção feminina, lembrou-se então que o seu estava no fim. Paco Rabanne e suas fragrâncias inesquecíveis.

- Dai-chan, estou com fome, me pague o jantar!

- ...joguei pedra na cruz _resmungou _vá para casa, não estou afim de jantar fora.

- Por que esse mau humor todo? _inflou as bochechas _você também fez compras! Não é como se não quisesse mesmo vir.

- Cale a boca esquilo.

Satsuki suspirou, estava acostumada com o típico comportamento de seu amigo de infância “Ele sempre fica de mau humor quando está cansado” balançou a cabeça.

- Obrigada pela companhia, Dai-chan _ bateu de leve no ombro do garoto, já na frente de casa _...saiu com os meninos ontem?

- Hum? O Tetsu e o Kise passaram aqui ontem a noite.

- Oh... _abriu um sorriso meigo _que bom. Eu sei que não é mais criança, só fiquei feliz, gosto de te ver bem.

- Eu nem disse nada.

- Ahomine! _e entrou correndo para dentro deixando um Aomine extremamente confuso. Como o apelido criado por aquele imbecil tinha chego aos ouvidos da mulher?!

Daiki entrou e jogou as compras no sofá, estava sozinho em casa então começou seu dilema: era cedo para sair para jantar, se fosse tomar uma ducha e começar a cozinhar, então o horário seria bom, mas... preguiça. Odiava ficar com roupa de ‘passeio’ dentro de casa, mas se trocasse agora, depois não teria coragem de colocá-las novamente para sair.

Dilemas idiotas que apenas Aomine Daiki tinha o desprazer de passar.

O celular vibrou em seu bolso, já deitado no móvel, pensou duas vezes antes de ver quem era “Provavelmente um dos idiotas dos meus supostos amigos... ou na pior das hipóteses, Satsuki” desbloqueou a tela e viu duas mensagens, uma delas era um numero desconhecido.

A que tinha acabado de chegar era de Satsuki agradecendo mais uma vez a companhia, a outra estava lá por um bom tempo, olhou para o relógio: 18:56, era de 2 horas atrás.

Daiki não era do tipo popular, bom, até podia ser, entretanto não correspondia nada nem ninguém, isso significa que ele jamais passaria seu numero para alguém que não conhecesse bem. Então de quem poderia ser aquela mensagem sem sentido? Em sua tela a frase insistente: Basquete agora?

Divagou entre responder e ignorar. Não tinha marcado nada de basquete e isso tinha certeza, achou um pouco mancada não responder... seja quem for – e tinha ideia de quem era afinal – parecia estar no mesmo tédio que ele. Perguntou primeiramente quem era, esperou que a mensagem fosse enviada e voltou a fechar os olhos. O antigo Aomine Daiki nem faria questão de saber quem é mesmo se visse a mensagem na hora em que ela chegasse, só que sentiu certo remorso por não ter a visto antes...? O que?! No que estava pensando? Como se ele se importasse!

Novamente sentiu a vibração do aparelho. “Ah claro!” Era Kagami Taiga, deve ter dado seu numero em algum momento na noite passada e como sempre, não fizera questão de fazer o mesmo. Basquete é? Era melhor do que ir ao shopping com Satsuki! Perguntou se ainda estava na quadra – desejou não ter respondido, se ele bem se lembrara, estava com preguiça e quase adormecido no sofá! A confirmação veio rápida e em menos de 10 minutos, estava de roupa trocada e indo em direção ao Maji Burger.

A vida é mesmo uma palhaçada.

Notas finais
Obrigada!