All the things he said
2 Capítulo 2: Mudanças
Notas iniciais
“Vamos jogar hoje?”
Taiga olhou para a tela sem animo, desde aquele Domingo, já tinha se passado quase dois meses e pegou o habito de jogar mano a mano com Daiki quase todos os dias depois do treino. O ruivo certamente uniu o útil ao agradável, uma vez que precisava treinar com alguém com o basquete a sua altura e gostava de passar cada vez mais seu tempo com Aomine; como Tetsu disse de antemão, ele realmente era um cara legal.
Naquela quarta-feira nublada, porém, estava desanimado. Queria ver Daiki, só não jogar basquete... e agora? Por fim, respondeu “sim” e voltou a guardar o celular.
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Aomine acertou sua 16º cesta e deixou a bola quicar no chão livremente, secou o suor com a camiseta tentando inutilmente acalmar sua respiração pesada.
– O que você tem hoje? Marcou 15 pontos só.
– ...não é nada, acho que já vou pra casa.
Aomine olhou esperando uma resposta melhor, não ia impedi-lo, claro, mesmo assim queria saber o que estava acontecendo.
– Não é nada, sério. Todo mundo acorda se sentindo meio mal as vezes... obrigado pela companhia _estalou o pescoço aliviando a tensão _deu sorte hoje! Amanhã vou esfregar sua cara no chão.
– ...tá afim de comer?
Taiga esperava todas as respostas malcriadas para sua provocação, todas! Menos a tentativa alheia de ser animado.
– Não vou forçar _ergueu os braços.
– Quero. Ali mesmo, pode ser? _apontou para o Maji Burger.
E logo estavam sentados, cada um com sua pilha de lanches comendo em silencio. Novamente aquele silencio idiota... Por Aomine não se importar, nunca tentou dizer nada além do necessário, entretanto Kagami ainda não conseguia se acostumar com aquilo – a consequência eram trocas de ofensas o tempo todo. Naquela noite, entretanto o ruivo permanecia calado olhando para o escuro da rua.
– Mora sozinho a quanto tempo?
– Ah... bom, desde que vim para o Japão, uns dois anos mais ou menos _terminou o Milk shake fazendo o barulho característico.
– Não duvido que tenha seus momentos ruins, mas deve ser muito bom _disse sem real interesse, queria descobrir o motivo do desanimo do amigo e não chegaria muito longe com aquele tipo de conversa.
– Eu não ligo, as vezes é chato a noite, mas passa.
– E o que faz além de basquete?
A resposta veio ao longo de alguns segundos.
– Jogo vídeo game, sei lá... ah eu surfava, já disse né? _recebeu a confirmação de Daiki _aqui no Japão ainda não descobri nada muito interessante. Gosto de cozinhar.
– Você, cozinhar? Duvido _cantarolou.
– Hey! Cozinho muito bem, faço o melhor curry do time _abriu finalmente um largo sorriso.
– Que pena, prefiro doces _mentiu apenas para cutuca-lo um pouquinho mais.
– Crepe.
– ...sim!
Aomine respondeu sem entender que Taiga tinha jogado um verde, achou que o ruivo realmente soubesse qual seu doce preferido; assim que a ficha caiu se endireitou na cadeira, tinha feito uma cara impagável de idiota e agora tentava disfarçar.
– Daiki, quer ir em casa? Tenho tudo para fazer crepe.
Ele não tinha descoberto o porque de seu desanimo, todavia achou a chave do sucesso para anima-lo. Ficou feliz.
O apartamento de Kagami não era exatamente luxuoso, grande o suficiente para duas pessoas, poucos moveis e alguns penduricalhos. A única coisa que chamou sua atenção era o vaso de flores na mesinha ao lado do sofá. Quem diria, Kagami Taiga era uma dona de casa!
– Fique a vontade, vou trocar de roupa... o banheiro é no final do corredor se quiser.
Daiki assentiu, trocou a camiseta suada por outra limpa que sempre carregava na mochila e lavou o rosto. Se sentia bem melhor agora. O banheiro estava bem organizado e limpo “Se fosse eu, nem a tampa do vaso ia abaixar... acho que nem ia ter tampa” divertiu-se com a própria preguiça.
De volta a sala, parou para ver os DVDs e cds do amigo: muita coisa de basquete e muita coisa americana também. Algumas bandas que nunca ouvira falar na vida, filmes famosos, outros nem tanto. Livros em inglês, retratos... retratos? Taiga estava ao lado de uma mulher alta e loira, muito bonita. “Peitos... enormes!!!” tirou o retrato da estante para olhar mais de perto.
– Alex, minha professora de basquete dos EUA.
O susto quase o fez soltar o objeto, felizmente conseguiu devolver para o lugar com segurança.
– Não queria... quer dizer...
– Tudo bem, sei que ela tem uns peitões _riu.
Daiki não sabia se ficava constrangido ou ria também.
– Gosta de morango, espero, senta ai que vou fazer os doces. Quer uma cerveja?
– Claro! _sentiu um friozinho na barriga, há tempos não tinha uma noite tão agradável.
Aomine não sabia explicar como ainda estava acordado, tinha bebido cerveja e comido doces até ter diabetes. Que ser humano normal ainda estaria vivo?! Olhou para o ruivo ao lado, seus olhos vidrados no jogo da NBA. Aquele idiota parecia se divertir como uma criança, chacoalhava o outro sempre que os jogadores faziam algo espetacular. “Também faço isso, imbecil” resmungava irritado.
Ok, talvez fossem as quatro latinhas de cerveja – ou alguma droga escondida nos morangos vai saber – porém em algum momento o moreno deixou de prestar atenção no jogo para prestar atenção no ruivo. Desde quando ele era mais interessante do que basquete mesmo? Taiga não tinha nada de excepcional em sua aparência, era alto, corpo definido, mas até ai todos os jogadores no qual tinha amizade também tinham. Sua personalidade sim chamava atenção, não para o lado bom, era explosivo e insensível. “Uh... então por que?” Tinham se tornado amigos do dia pra noite praticamente, como se fosse natural de ambos estarem juntos. Isso era definitivamente estranho! Ou não, Daiki não tinha lá muito conhecimento sobre tais assuntos uma vez que Tetsu e Satsuki eram seus únicos amigos de verdade. Divagou então nos olhos, percebeu que lampejavam um vermelho intenso quando o brilho da TV aumentava. “Mas que diabos?”
– Perdeu alguma coisa? _Taiga se virou para ele assustando o mesmo.
– Nã... não! Acho que já vou pra casa _disse ainda sem se levantar.
– Não estou te expulsando _riu _obrigado pela companhia.
– Está agradecendo muito hoje _apoiou a mão no rosto, percebeu que sua cabeça estava pesada por conta dos litros de cerveja.
– Só quis ser educado _se virou novamente para a tv, um rubor tomou conta de seu rosto.
Aomine soltou um longo bocejo, finalmente o sono pesava em seus olhos. Tinha que ir para casa, a preguiça o consumia aos poucos... aos poucos o caralho, estava quase deixando os bons costumes de lado e ficando por ali mesmo. Olhou mais uma vez para o celular, 00:15.
– Se quiser dormir aqui eu arrumo uma roupa pra você.
– Relaxa, eu... e...
Achou que Taiga tinha dito apenas por educação, já ia recusar – sabia o quanto era inconveniente dormir do nada na casa dos outros – mas assim que ergueu os olhos se deparou com um Taiga extremamente perto de si, com os olhos lampejando o mesmo vermelho vivo de antes. Ele não parecia querer falar sobre ‘dormir’ naquele momento, muito pelo contrario.
– Daiki, eu não sou bom em disfarçar, nem em pensar na tal ‘consequência’ _se aproximou o suficiente para tocar seus lábios no ouvido do outro _e você aqui está me deixando louco de vontade de te beijar _sussurrou.
Ok, Aomine também era ruim nisso tudo, não tinha problema.
O moreno se afastou o suficiente para alcançar os lábios que lhe eram oferecidos, longe de ser um beijo apaixonado, Aomine afundou a mão nos cabelos macios trazendo, se era possível, Kagami para mais perto de si a fim de intensificar o ósculo. Em poucos segundos o som da tv foi esquecido, tudo que eles ouviam era o barulho sensual que trazia o ato – pequenos gemidos escaparam da garganta de Taiga ao sentir um apertão em sua cintura. Gemido esse que deixou seu companheiro excitado. De repente a consciência veio a tona.
– Taiga...! _cortou o contato com a mão espalmada em seu peito.
– ...de que adianta pensar agora? Já foi.
– Não é isso, só que se não pararmos agora, depois vai ser impossível.
– Vai se arrepender?
– Eu não sei.
Taiga se aproximou novamente, deu um selinho apenas para depois encostar a cabeça no ombro alheio.
– Uh... eu não vou ser um babaca com você.
– Como assim?
O ruivo preferiu o silencio, se levantou estalando o pescoço como sempre fazia em situações de stress. Olhou para o outro esperando qualquer reação, nada.
– Ent-
– Vou embora agora _cortou Taiga _depois a gente conversa.
Ouve uma concordância mutua que aquilo era realmente a melhor decisão, Kagami abriu a porta se despedindo em seguida.
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A quadra do Maji Burger não teve mais sua paz quebrada pelos ruídos dos jogadores, era a terceira semana que a atendente olhava para a janela do estabelecimento e encontrava apenas a luz fraca do poste iluminando o nada. “Será que aconteceu alguma coisa?” O trabalho noturno só se tornava divertido quando os meninos paravam ali para jogar “O ruivo era tão lindo...” suspirou, cansada. De repente ela ouviu o estridente tilintar e se virou para a porta de entrada.
– Boa noite _disse sorrindo, apaixonada.
– ...dez daqueles e um Milk shake... pra viajem _completou sem animo.
Ela mordeu os lábios, seu ruivo finalmente aparecera, mas estava muito diferente das outras vezes. “Ele deve ter brigado com o moreno que sempre vem junto”.
– Obrigada pela compra, boa noite! _tentou um tom de voz macio, conseguiu arrancar um meio sorriso do homem.
Taiga estava tão cansado que poderia dormir ali mesmo no farol, o amistoso contra Touou naquela tarde quase o matou para nada, acabaram num empate ridículo. Aomine o tratou como sempre, ficou aliviado, achou que sua ousadia naquela noite ia afastar o moreno. “Se bem que ele também quis” se estapeou mentalmente, claro que não havia razões para ficar preocupado. Agora que Riko ia dar um descanso de três dias ao time, finalmente voltaria a jogar o mano a mano que estava acostumado.
Já em casa desfrutou de sua janta nada, saudável por sinal. Deixou a tv ligada em qualquer jogo da NBA e deitou no sofá para um longo cochilo – uma das vantagens de se morar sozinho, era poder dormir onde quisesse, na hora que quisesse e do jeito que quisesse.
Quando sentiu a vibração do celular perto da cabeça, achou que era de manhã. “Parece que nem dormi nada” Pensou irritado tateando a almofada de apoio em busca do aparelho, se enganou, tinha dormido apenas meia hora quando recebera a mensagem de texto. Aomine Daiki estava o importunando as 1:15 da manhã após um amistoso? Teve que respirar fundo antes de desbloquear a tela e ler o conteúdo.
“Basquete amanhã?”
– Esse cara só pode estar de brincadeira _resmungou, mesmo reclamando respondeu que sim.
Ele tinha beijado Aomine Daiki e ainda continuavam a se tratar da mesma maneira... isso era um bom sinal, certo? Quer dizer, não queria perder a amizade dele por causa de um impulso idiota. Ok, idiota não, foi bom e se o moreno não o tivesse parado iam acabar numa outra situação. “Ele disse que não sabia se ia se arrepender” Fez um bico amuado, mas não pode tirar a razão do mesmo.
Novamente o celular vibrou, o que mais aquele homem poderia querer? Kagami precisava dormir!
“Vai estar livre depois?”
Releu a frase, de fato sempre ia pra casa – já que no outro dia ambos tinham aula – amanhã, no entanto era Sábado novamente e parando para pensar, seu time não o chamara para nenhum lugar. Ponderou um segundo ou dois, respondeu novamente que sim e um por que. Em seguida a respiração se tornou pesada.
O sol insistia para que Taiga abrisse os olhos, acabara realmente dormindo no sofá e agora já passava do meio dia. “Mas que...?” Resmungou para o nada antes de levantar – banho, comida, agora, urgente. Sua mente deu um estalo, mais urgente do que isso, tinha marcado basquete com Aomine, mas dormira no meio da conversa. Acionou o celular rapidamente, o moreno havia respondido agora de manhã – provavelmente dormira também. O ruivo olhou para o relógio, estava atrasado.
Daiki quicou a bola, impaciente. “Justo hoje quem se atrasa é ele” Bufou, tinha tantos motivos para estar ali e justo hoje Taiga se atrasara! Na verdade não tinha nem certeza se o amigo de fato acordara (ou ia mesmo vir). Quase 1 mês, esse era o tempo que eles não jogavam juntos, Aomine sentiu falta daquilo... daquilo e daquela outra coisa também. Mordeu o lábio inferior, o clima que estava rolando finalmente dera resultado. “Foi um beijo gostoso” sentiu um rubor ao se lembrar da cena, mas depois daquilo infelizmente os treinos ficaram tão puxados que não tiveram mais oportunidade para encontros. Além disso, o moreno ficara sem jeito de mandar mensagens ou até mesmo fazer ligações para conversarem sobre o ocorrido. Ele não era uma menina apaixonada afinal! Por um momento se preocupou com a reação do ruivo no amistoso, nada mudou.
Seus lábios repuxaram para um sorriso, tinha passado essas três semanas pensando em sua vida e no que estava acontecendo consigo. Uma agitação fora do normal levava seu pensamento direto a Kagami, em várias situações; queria fazer outras coisas juntos não somente basquete.
E mais, naquele dia, que Taiga não parecia estar bem, sentiu no peito um aperto diferente... realmente ficou com vontade de conforta-lo.
Sintomas assim só tinham uma explicação lógica. Então vinha a parte mais difícil, como explicar a um cara de 1,90 que diz ser seu eterno rival, que entre um jogo e um beijo tinha se ‘apaixonado’? Nem mesmo o próprio Daiki ainda tinha certeza se era amor ou um lance mais rápido, mesmo assim, ainda tinha que dar um jeito na própria situação. Começaria a encarar o amigo de forma diferente cedo ou tarde e isso traria complicações na amizade deles. Não era mais criança para fazer esse tipo de idiotice. Só esperava do fundo coração que Taiga continuasse a seguir seus instintos... ouvir uma resposta negativa nunca é boa, claro, estava preparado para qualquer coisa do tipo. “Mesmo assim, queria tanto um sorriso...”
– Oe, desculpa o atraso! Acabei de ver a mensagem!!
– Mas é um desajustado mesmo!
E apesar da provocação, sorriu. Kagami bateu de leve no seu ombro pedindo a bola. Realmente não tinha nada além de basquete naquela cabeça oca?
Ambos jogaram até perto das 16 horas, quando seus estômagos aclamaram por comida, Daiki guardou a bola como de costume e secou o suor com a camiseta. Ficaram em silencio, é agora que eles deveriam se despedir... teoricamente.
– Então... o que quer fazer agora? _perguntou Taiga em meio a um gole de água.
– Eu... tenho coisas a conversar com você, não me olhe com essa cara, não tem nenhuma menina aqui.
– Vamos sentar ali _apontou para alguns bancos nos fundos do terreno.
O mormaço dava sensação de deserto e derrota, ainda assim as mãos de Aomine ficaram geladas, esfregou uma na outra tentando dispersar o nervosismo. “Como sou ridículo” Revirou os olhos uma vez antes de começar a falar.
– Hum... quero ficar com você _como não sabia como começar, simplesmente resumiu.
– Ah... então, tem umas coisas ai que a gente precisa ver.
A resposta não foi a esperada, foi muito pior do que qualquer coisa que tinha imaginado. Achou que o amigo fosse mais sensível, não tinha percebido sua ansiedade? Por que respondeu com aquela cara séria?! Uma expressão carregada. Porra!
– Tipo?
– Na real, eu sei que estava rolando alguma coisa faz um tempinho... e eu te beijei aproveitando a situação, fiquei com vontade _disse mais para si mesmo do que para o outro _só que foi coisa de momento, acho. Não, realmente não me importo com essa coisa de ser gay ou hétero, nem tenho família pra me encher o saco com isso aliás. O problema é que sei lá, foi só uma vez mesmo... desculpas _completou ao ver que Aomine continuava em silencio.
Não, agora estava sendo muito pior.
– Relaxa _deu os ombros _ você se desculpa demais.
– Po, só tentei ser educado _riu.
– Idiota.
Eles olharam o céu, não demoraria muito a chover. Daiki resolveu se despedir de forma silenciosa, colocou a mochila sobre os ombros e ajudou Taiga se levantar.
– Não íamos sair? Vamos fazer alguma coisa _deu um olhar perdido ao mesmo.
– Não tinha nada em mente, só queria passar um tempo... ah... conversando mesmo.
– Vamos jogar boliche, desde que vim pro Japão ainda não fiz nada de diferente.
Taiga sorria. Daiki resolveu o acompanhar, ele não sabia se tinha sido claro o suficiente mesmo assim não insistiu no assunto.
É como dizem, se estiver com fome, durma que passa. Se gostar de alguém, espere que passa. Tudo passa.
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Definitivamente Aomine Daiki não era uma menininha, seu hormônio dominante era a porra da testosterona! Descobriu-se então o óbvio: não importa se você é homem ou mulher, velho ou muito jovem, quando gostar de alguém e não for correspondido, vai sofrer com isso.
E era naquele cenário que estava o moreno no exato momento, via Kagami trocar a camiseta suada por uma limpa bem na sua frente após um jogo da Seirin contra uma escola X que não fez questão de gravar o nome. O que fazia no vestiário da Seirin? Bom... simplesmente entrou.
– Aomine-san, a Momoi-san está te procurando _anunciou Tetsu sendo carregado pela mesma.
– Dai-chan! Não entre no vestiário de uma escola que não é a sua! _inflou a bochecha como fazia sempre que ficava irritada.
– Cale a boca esquilo, você sumiu então vim cumprimentar o pessoal... e você também está invadindo!
– Não tem problemas, Momoi-san, vocês são muito bem vindos aqui _disse Teppei com sua calma costumeira.
– Podemos ir todos em algum lugar novamente _apesar da sugestão ter partido do capitão, o mesmo abriu um longo bocejo.
– Amanhã temos aula... _resmungou Taiga _estou morto.
– Confesso que eu também _ajeitou os óculos.
E assim, meia hora depois cada um pegou o rumo de casa. Momoi, Aomine e Kuroko resolveram pegar o trem e economizar pernas. Com Tetsu adormecido pelo cansaço do jogo, restou a amiga de infância para conversar.
– Você está distante, sabe disso não é?
– Sei.
– Também sabe que não pode esconder nada da Satsuki-chan, né?
– Sei.
– Eu analiso dados, então também já sabe que...
– Eu sei! Sei que ele não quer, sei que ele não foi filho da puta, sei de todas essas coisas idiotas, agora me deixe em paz.
Momoi riu, como ele conseguia ser tão sincero?
– Daiki, não perca a cabeça... desde quando você desiste de algo tão facilmente?
– ...isso e basquete são coisas diferentes.
– Mas você gosta dele, são seus sentimentos _fez um bico amável _ não é, Tetsu?
O menor abriu um sorriso, ainda com os olhos fechados e com a cabeça apoiada nos ombros da garota.
– Maldito Tetsuya.
– Não tem nada de mais gostar de alguém _balbuciou o mesmo, ainda sonolento.
– Gosto do Tetsu-kun e ainda assim somos amigos... e claro, mesmo não desistindo ele fica ao meu lado.
– Só queria que isso passasse _jogou os braços atrás da cabeça mirando o teto prateado do vagão.
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Give me only a smile
Cause I don't have no time to wait
Oh, Give me only your love
Time has passed and I need your love
A melodia romântica chegou aos ouvidos do ruivo que fez uma pequena careta, ele adorava musicas dos anos 80, mas não esperava nada do tipo naquele momento. Esticou o braço para mudar a faixa, lembrou-se então de Daiki dizendo que queria continuar a ficar consigo. O que diabos fora aquilo afinal? Taiga respondeu como havia ensaiado milhares de vezes dentro da sua cabeça, até transaria com o moreno se fosse possível, entretanto ele achou que seria melhor dar um basta se Aomine mostrasse algum interesse. Sexo casual tudo bem, envolver qualquer tipo de sentimento ali, não.
All life I've dreamed for someone like you
And in my dreams you came to me
I'll never go away from you
O ás da geração dos milagres com aquele tipo de interesse no camisa 10 da Seirin, quem diria? Na verdade não arriscara para saber se o interesse tinha algo além de desejo por seu corpo mesmo. Aomine era um amigo precioso, faria de tudo para não ser um babaca com ele.
If you look at yourself
You find me and you
Just look at yourself
You find me and you
Por fim abriu um sorriso, quem sabe não acabasse se apaixonando pelo moreno? Afinal, se você cuspir para cima, um dia acaba acertando a própria testa.
A melodia se encerrou, desligou de uma vez o aparelho de som. Olhou para a sala escura, morar sozinho tinha milhares de vantagens, porém mais uma vez tornou a se sentir solitário... poderia chamar alguém de sua equipe para passar a noite em casa. Talvez Kuroko ou Hyuga... suspirou, no que estava pensando? Já passava das 23 horas.
Insônias daquele tipo eram costumeiras, cuidava delas com descaso, ficava até altas horas vendo qualquer porcaria na tv – no fundo queria ser mimado as vezes e chamar alguém para lhe fazer CIA. Pegou o celular se permitindo ser criança apenas uma vez, checou a lista de amigos.
Seus olhos pararam naquele numero, já quase decorado.
Moveu o dedo em direção a tecla na lateral esquerda e esperou.
– Opa, te acordei?
– Não... acho, sei lá, que horas são? _a resposta veio confusa, com a voz rouca.
– Onze ainda, ‘mal’ ai.
– Não tem nada Bakagami, diga.
– Você é criança por acaso, indo dormir cedo assim! _riu ao imaginar Aomine de pijama.
– Cala boca, cochilei na sala pra falar a verdade... ligou só pra me encher o saco né?
– Tipo isso, tenho insônia às vezes.
– Fala sério... e por que eu mesmo?
– ...é o único que merece ser importunado a essa hora.
– Filho da puta.
Silencio, de repente Taiga se sentiu um retardado por ter feito aquilo.
– Você está bem? _Aomine cortou o silencio antes que o outro resolvesse desligar.
– Por que não estaria?
– E eu que sei retardado?
– Não é nada, coisa de quem mora sozinho, só queria conversar com alguém.
A resposta pareceu sincera, Daiki sentiu aquele estranho aperto no peito novamente.
– Por que não vem tomar café em casa amanhã? Aliás, almoce, jante e durma aqui também. É feriado mesmo.
– ...
– Porra.
– Porque ninguém me convidou antes _disse sem graça, tentando fazer alguma piada boba.
– Mando o endereço pelo what’s.
– Mas é um Ahomine mesmo! Boa noite então, até amanhã.
– ‘Noite.
De ambos os lados, sorrisos.
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“Camisa? Camiseta... regata? Regata não, muito vulgar... camisa. Uh, não combina, camiseta... é, camiseta da Hollister sempre salva”. Puxou o cinto bege do armário e terminou de se trocar. Taiga se olhou no espelho, não era do tipo convencido nem riquinho, mas uma vez tendo morado nos EUA, só tinha roupa americana no guarda roupas. Gostou da escolha, recolheu as chaves e sua carteira para então se dirigir à casa do amigo.
Fazia tempo que não visitava alguém, se sentiu ansioso.
Passou na padaria antes de chegar lá, fora para tomar café então levaria pelo menos um bolo. Regra de etiqueta sempre em primeiro lugar. “Está certo mesmo passar o dia na casa de alguém que supostamente tomou um pé na bunda de mim?” Já tinha feito a pergunta antes, porém não chegara nada conclusivo. Talvez hoje fosse o melhor momento para avaliar a situação, não ia perder a chance.
A casa era de esquina, três andares, enorme. O garoto parou por um instante antes de tocar o interfone. “Uh... estou no endereço certo mesmo?” Tirou o celular do bolso e mandou uma mensagem dizendo para o moreno descer, se eventualmente sua mãe atendesse iria travar de vergonha. Não esperava nada daquele nível poxa! Ficou intimidado com o tamanho da construção.
– O interfone é esse mesmo, Bakagami _riu do amigo assim que abriu a porta.
– Fiquei sem graça, tudo bem?
– Beleza... relaxa, é só aparência _destrancou o portão dando passagem para o mesmo.
Os olhos castanhos caíram sobre o homem a sua frente, novamente o moreno estava usufruindo da elegância que só camisas podiam proporcionar. Era de tecido fino, azul marinho e detalhes em preto. Assim ia ficar difícil, aquilo estava se tornando fetiche.
– Mãe, o Taiga está aqui _chamou a mulher que saiu sorridente da cozinha.
– Seja bem vindo _deu um forte aperto de mão _Daiki sempre fala de você!
– ...obrigado, ah.. desculpe o incomodo e isso é para a senhora, espero que goste.
– O que?! Não precisava!! Meu Deus Daiki! Isso é um doce da Magnolia Bakery _de repente seus olhos brilharam ao ver a caixa nas mãos do garoto _onde?
– Eu... bem... _olhou pedindo ajuda a Daiki.
– Ele morou nos EUA, mãe, tem uma filial aqui perto né? É só o lugar preferido dela.
– Obrigada, isso deve estar delicioso! _espalmou a mão nos cabelos ruivos.
– Para com isso mulher, ele está com vergonha! Vamos comer de uma vez.
Kagami conheceu, além da Senhora Aomine, o pai de Daiki e ficou sabendo que tinha um irmão fora do país. O café foi tranquilo e amigável, conversaram bastante sobre política, filmes e comida; se lembrara da sua própria família sentindo nostalgia.
– Bom, fique a vontade meu querido, Daiki, leve-o para conhecer a casa sim?
Ele assentiu, todos agradeceram a comida e se dispersaram. Kagami seguiu o moreno entre os corredores, desceram um lance de escada e foram parar na garagem. O ambiente era dividido em três amplos espaços: garagem, churrasqueira/piscina e salão de jogos. Uma casa de alto padrão, com estrutura Americana, realmente ter um arquiteto em casa tinha suas vantagens gritantes.
– Bilhar é? Não sabia que jogava bilhar _comentou ao ver uma bela mesa ao fundo do espaço.
– As vezes, quer tentar?
– Não chore quando perder pra mim, Ahomine.
O moreno revirou os olhos, até quando Taiga ia achar que podia ganhar dele em tudo? Distribuiu os tacos e arrumou as bolas para então dar a primeira tacada com destreza, encapou a numero 08. Kagami já ia abrir a boca para xingar a senhora sua mãe quando ouviram os passos pesados do Senhor Aomine.
– Daiki... oh, não sabia que jogava, Kagami-san _sorriu mexendo nos cabelos de forma tímida.
– Não jogo, apenas quis tentar...
– Daiki! Seja decente, você joga há tempos, ensine-o antes de derrubar e fechar o jogo! _deu um tapa de leve na cabeça do filho, Taiga teve que tossir para não rir descaradamente _ sua mãe e eu iremos sair... ela está louca da vida _completou.
– O que aconteceu?
– Bom... um tio meu faleceu e o velório está marcado para daqui duas horas. Na verdade, eu não o conheço muito bem _deu os ombros_ mas você sabe, família de Japonês tem aquela regra de etiqueta costumeira... levar o envelope, dar condolências e etc. Então nós iremos e você fique em casa.
– Senhor Aom-
O pai de Daiki ergueu o dedo cortando o ruivo, sorriu em seguida.
– É apenas uma formalidade, Daiki ficaria em casa com visitas ou sem... só a sua mãe que está chateada, queria fazer um almoço diferente.
– Daiki-chan!! _em poucos segundos a mulher apareceu com um dos saltos nas mãos e o rosto vermelho _Kagami-kun me desculpe pelo imprevisto... ah meu querido, ainda bem que está aqui, assim vocês fazem companhia um ao outro.
Ficou sem reação, queria agradecer, se desculpar e ajuda-los tudo ao mesmo tempo, mas era sufocado pelo casal. A mãe de Daiki parou um segundo para respirar e colocar o sapato, usou os ombros do filho como apoio aproveitando para lhe dar um beijo no rosto e arrancando um resmungo do mesmo. Ela se virou para Taiga e abriu um sorriso idêntico, atente-se para o ‘idêntico’, do filho e alertou-os:
– Nada de basquete, eu sei que vocês irão se descontrolar e incomodar os vizinhos _sim, era um sorriso maléfico _entendido? Voltamos no final da tarde. Divirtam-se! Ah, claro _se estapeou _tem comida na geladeira para ambos.
Os meninos se despediram do casal, o Audi passou pelos portões para logo virar a esquina e desaparecer. Um sinal de alerta soou na mente ruiva: sozinhos. Sozinhos em casa. Será que ia...?
– Está com fome?
– Hum? Ah... a-ainda não!
Daiki ergueu as sobrancelhas.
– O que foi?
– Nada, só estava nervoso na presença dos seus pais, eles são bastante energéticos.
– São _riu do comentário _sempre foram assim, meio exagerados.
– E agora eu vi de onde saiu sua força, sua mãe tem um ótimo aperto de mão!
– Ela é forte pra caralho _fez uma careta _apanhei bastante.
– Imagino _cantarolou _ainda é uma peste.
– ...aaah você quer levar um taco no meio das bolas? _ameaçou girando o taco de bilhar com destreza.
Kagami deu alguns passos para trás. O assunto morreu, entre eles apenas silencio e um olhar difícil de descrever... algo passando pelo tímido e chegando até o constrangido. O estomago de Aomine rugiu estragando ‘seja lá o que’ tinha se formado entre eles, rindo mais uma vez, ambos foram almoçar.
Nunca na vida Taiga imaginou que Jack Daniels seria o ingrediente chave para a carne ao molho madeira, teve que repetir o prato duas vezes até sua gula cessar. O almoço era sobra do jantar, mesmo assim ficou maravilhado com os dotes culinários da senhora Aomine. Daiki avisou ao mesmo que sua mãe provavelmente o chamaria para almoçar um outro dia, com comida de verdade – ou ia exagerar no jantar daquela noite. Ela estava realmente animada com a ideia de seu filho trazer amigos em casa, uma vez que o moreno ficara totalmente fechado depois de se formar. A mudança era tão visível que todos a sua volta eram agradecidos ao time da Seirin por não desistirem e finalmente vencerem o tão convencido Aomine Daiki trazendo a ele novamente sua vontade de viver – literalmente.
Por volta das 17 horas, quando ambos babavam no sofá depois de uma longa partida de vídeo game, um vendaval soprou as cortinas da sala acordando o mais novo. Sonolento, fechou a janela e acendeu a luz, o sol a muito fora escondido por pesadas nuvens de chuva e a sala caíra na penumbra. Ficou em duvida se acordava o amigo ou não, sua indecisão ficou para trás quando tocou o telefone.
– ...ok, eu peço não se preocupe com isso... ele não liga, é sério... não vou deixar, mãe. Tudo bem, até amanhã, tchau... te amo também.
Kagami ouviu a voz longe do dono da casa, ergueu a cabeça procurando o mesmo pelo cômodo, encontrou o vindo em sua direção saindo da cozinha.
– Ent- ..._ fora cortado por um trovão _...então, está chovendo onde meus pais estão, como é um sitio, eles estão presos e não voltam hoje. É a mesma chuva que está chegando ai, na real é um principio de tufão, diz o meu pai... e isso significa que não é para sairmos de casa. Nem eu, nem você.
Por um momento Daiki achou que o outro ia simplesmente ir embora e ignora-lo, porém ele voltou a deitar no sofá.
– Me desculpe pelo incomodo...
– Você já ia dormir aqui, cale a boca _suavizou a expressão ao ver que Taiga tinha apenas ficado envergonhado.
A luz se apagou assustando ambos por um momento, como ainda era dia, a sala ficou apenas mal iluminada. Sem ter o que fazer, Aomine afastou os pés do ruivo sentando na ponta do sofá. Teria que esperar a energia voltar.
– Legal Japão... o que faremos sem energia? Tudo aqui é movido a energia _reclamou Aomine.
– Relaxa ai, tem medo do escuro? _provocou.
Recebeu um olhar de descaso, sempre funcionava mais do que xingar a mãe alheia. Como resposta Taiga voltou a erguer os pés e os apoiou no colo de Daiki, esse reclamou, mas acabou perdendo a briga. O silencio costumeiro entre eles voltou a dominar, quando acontecia os pensamentos de ambos iam para lugares mais profundos; Aomine sabia no que aquilo poderia resultar, era obvio, não era? Seguindo mais seus instintos do que a razão, mexeu no tecido da calça jeans que estava sobre si e logo em seguida subiu a mão para a barra da camiseta alheia. O ruivo apenas observou, aquilo foi interpretado como um incentivo – um maldito incentivo que não poderia existir! – Daiki deslizou os dedos finos por debaixo do tecido de algodão até chegar ao umbigo, circulou os dedos ali por alguns instantes, continuou a caricia agora indo direto ao encontro do peito; suspirou, passou de leve a unha sobre o mamilo esquerdo, depois sobre o direito. Viu a ereção se formar por debaixo do tecido grosso do jeans, Kagami estava gostando e ele também.
– Ficou excitado, Taiga?
– ...Daiki _o chamou num tom de alerta.
O moreno ignorou, se curvou levemente para roçar o nariz na barra do cós e puxou a beirada do cinto com os dentes arrancando um gemido mais do que bem vindo de Taiga. Seus olhos foram de encontro com a boca semi aberta do outro, levou os dedos e fez um pedido mudo para que ele os chupasse; foi prontamente atendido. Com a ajuda da outra mão, abriu o zíper, arrancou o cinto e quase estourou o botão, afastou alguns centímetros o incomodo tecido do seu caminho para finalmente roçar os dentes sobre a cueca branca.
– Da-a... Daiki! _se desvencilhou dos dedos em sua boca, quase que por instinto, acabou segurando os ombros a sua frente.
– Me deixe fazer... vai...
Tarefa difícil, muito difícil resistir a Aomine Daiki querendo lhe chupar. Deu mais um sinal verde afastando a mão e a deixando pender para o lado do sofá. Taiga ergueu o quadril permitindo que suas roupas fossem tiradas do caminho; Aomine tocou de leve a ereção com os lábios, não tinha pressa, queria deixa-lo louco – e também não tinha muita noção do que fazer, era inexperiente com homens de qualquer forma. Fez como gostaria que fizessem consigo, abocanhou com cuidado fazendo movimentos de vai e vem; o ritmo e a força logo foram acertados com a ajuda de uma mão em sua cabeça e palavras de tesão.
Tudo o que se ouvia era o barulho absurdo da chuva do lado de fora e gemidos contidos.
– Pa- ...vai... vai, quero gozar... _imprimiu um pouco mais de força nos cabelos sedosos de Aomine.
Implorando para que ele não perdesse o ritmo.
– Vai Daiki... não para!
Taiga parou de falar, seu quadril se contraiu para então sentir o corpo tremendo em satisfação. A sensação durou alguns segundos, segundos esses que os desligaram do mundo não ouvindo barulho de chuva ou sentido o peso de Aomine sobre si.
Assim que abriu os olhos, se deparou com o outro cuspindo na mão o liquido esbranquiçado; parecia estar com ânsia, então se posicionou melhor para tentar ajudar. Daiki recusou a mão em suas costas, apenas fez careta e se dirigiu ao banheiro a fim de lavar a boca e tirar o gosto ruim. Enquanto o amigo desaparecia no corredor, procurou não se mexer para não deixar o resto do sêmen escorrer para o móvel – seria bem desagradável se caísse no tecido – olhou para a tv desligada. “Droga... me deixei levar” Taiga sentia que estava entrando numa situação sem volta: aquele contato mais intimo poderia ser bom agora, porém acabaria machucando Daiki mais para frente. Mesmo que o moreno se fizesse de durão, ele ainda era uma pessoa como qualquer outra... tinha a porra de um sentimento. Não era como se Kagami Taiga repudiasse isso, mas e se não conseguisse corresponder afinal?
A linha de pensamentos fora cortada, sentiu sua barriga ser limpa por uma mão tremula.
De qualquer forma, parar agora seria impossível.
Puxou o braço de Daiki pedindo que deixasse isso para depois, fez o mesmo sentar e se agachou no chão se acomodando entre as pernas do moreno.
– Também quero tentar _e com voracidade, abriu o botão do jeans escuro trazendo-o para baixo junto da cueca Box.
Aomine levou as duas mãos nos cabelos ruivos num gesto mudo para que não se demorasse. Ficou controlando o ritmo daquela forma, fazendo de Taiga seu brinquedo. Apesar de estar no controle, era sufocado pelo olhar sedento do outro, o olhava com prazer, com violência – olhar que só vira durante os jogos – isso deu ao mais novo ainda mais prazer, deixando escapar um longo gemido.
Um pouco mais confortável – talvez por estar em sua própria casa – Daiki não procurou refrear sua voz, a deixou o tom aumentar conforme ia sentido o orgasmo chegar. Kagami, porém, foi um pouco menos bondoso, se afastou alguns milímetros sorrindo de forma descarada.
– Está gostoso, Daiki?
– ...sim, me chupa, caralho Taiga...
Ok, chega de brincar, seu maxilar estava começando a doer, não que isso fosse o impedir de continuar. Iria mostrar que era capaz de fazer Aomine gozar gemendo seu nome: com vontade, empurrou mais fundo e apertou; foi o suficiente para sentir o liquido quente atingir todo o céu da boca e ainda pode ouvir seu nome em meio a um resmungo delicioso.
Ao contrario do que estava preparado, o gosto não era desagradável ao ponto de querer cuspir, revolveu engolir e aproveitou para lamber toda a extensão – agora um pouco mais relaxada – da ereção de Daiki.
– Seu... pervertido... _disse entre uma puxada de ar e outra.
– Não é tão ruim _sorriu mostrando os caninos de forma ameaçadora.
– É horrível _resmungou deixando a cabeça bater no encosto do sofá _...que delicia... _fechou os olhos.
Sentiu Taiga se movimentar e sentar ao seu lado, estava tão relaxado que poderia dormir ali mesmo, os braços do amigo o puxaram para mais perto; era um abraço carinhoso, isso fez seu coração pular.
– Foi bom?
– ...estou fazendo cara de quem não gostou?
Kagami riu, por que o camisa 5 tinha que ser sempre um imbecil?
– Vamos tomar um banho gelado?
Ganhou um aceno positivo com a cabeça. Sua mão foi puxada para que tomasse coragem de se levantar. Subiram as escadas de mãos dadas.
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Já não era mais uma questão de perguntar se aquilo estava mesmo certo ou não, ou até mesmo como ficaria depois – muito menos se iriam se arrepender... – no banheiro, o chuveiro fechado as pressas ainda deixava a água pingar de forma ritmada, o liquido límpido escorria preguiçosamente em direção ao ralo. No quarto, a madeira escura, de um carvalho antigo e bem lixado, reverberava com o peso sobre ela pelos movimentos poucos sutis.
Aos poucos, as gotas de suor começavam a se formar nas costas largas de Aomine lhe dando sensação de alivio para o calor – não que seus sentidos realmente estivessem apurados a aquele detalhe. Fechou os olhos por um instante, Taiga era tão apertado, quente, delicioso. As palavras não pareciam ser o suficiente para descrever a sensação de prazer que percorria por todo seu corpo. “Só de imaginar que aquela pessoa já tinha se deixado tocar por outra...” trincou os dentes, quantas? Foi sempre bom assim? Ou foi melhor? Sentiu ciúme e desconforto; aumentou a força tentando ir casa vez mais fundo, mostrando que Kagami Taiga era somente seu.
Taiga ofegou, Daiki abriu os olhos para gravar todas as expressões de prazer do amado; seu corpo impunha toda sua soberania sobre o outro e sentia prazer em arrancar cada vez mais gemidos de forma quase humilhante.
– Taiga... _o chamou com a voz arrastada.
O ruivo, porém parecia estar num mundo só dele, com os olhos fechados e mãos agarradas ao lençol abaixo de si. Não importava quanto de força Daiki imprimia ali, ou o quanto tentava dominá-lo, Taiga simplesmente ignorava suas intenções delirando no próprio prazer.
“Você é meu, somente meu!” Aomine deixou escapar um gemido sôfrego, se permitiu iludir naquele breve momento, aquele sentimento novo que invadiu seu peito foi forte o bastante para fazê-lo chegar ao ápice. Seus sentidos ficaram nublados, sem perder o ritmo deu tudo de si para continuar dando prazer ao outro que felizmente se desmanchou em sua mão chegando a arquear as costas e encobrir o som dos corpos se chocando com sua voz.
Daiki se afastou alguns centímetros, ainda com a respiração descontrolada, distribuiu rápidos beijos na perna que fora apoiada sobre seu ombro no ultimo instante. O ruivo pareceu gostar da caricia, seus lábios se repuxaram para um sorriso pequeno e o corpo relaxou.
– Está de boa? _perguntou o moreno ao longo de segundos.
– ...um pouco desconfortável.
Ainda na mesma posição, levou os dedos novamente à entrada do companheiro e os penetrou de vagar, ajudando o sêmen sair.
– Melhor assim? _ganhou um aceno positivo de Taiga _você é tão gostoso...
O amigo resmungou alguma coisa que não entendeu, envolveu os braços no corpo acima de si o trazendo para perto de forma manhosa. Aomine deitou a cabeça em seu ombro, sentiu a corrente do amigo cutucar seu rosto. Taiga carregava consigo um anel de compromisso, sentiu inveja e frustração ao mesmo tempo; por que ele não tinha o mesmo espaço no coração do camisa 10? Seus dedos moveram para a joia, mas assim que chegou perto o suficiente Taiga agarrou sua mão.
Aomine sentiu seu interior gelar.
– ...desculpa, não toque nisso.
– Só foi distração _mentiu.
– Rela-a-xa _disse em meio a um longo bocejo _uh, está ardendo...
Eles riram, de fato ainda era algo novo para eles e o orgulho tinha uma leve ferida agora. Kagami não se importou em ser levado por Aomine quando a intenção de ambos se tornou clara ainda no banho; ficou por baixo sem nenhum problema como se aquilo fizesse parte de algo natural.
– Você já tinha feito isso antes?
– Não... uh não abra esse sorriso pervertido _Taiga deu um soquinho na cabeça desse _pra falar a verdade, não andei vadiando por ai.
– Como assim?
– ... _olhou para os lados um pouco desesperado _sabe, você entendeu vai.
– Não entendi.
Aomine se ergueu para encarar o amigo de frente. Para sua surpresa, sua face estava totalmente corada e ele não o olhava nos olhos como normalmente fazia. Lambeu os lábios de forma pensativa, não poderia ser, poderia? Quer dizer... Taiga se comportou de forma tão segura que nem por um segundo passara pela sua cabeça tal possibilidade. Resolveu ficar em silencio.
– Quando mudei dos EUA ainda era uma criança praticamente... e os dois anos que passei aqui, não conheci ninguém fora o time da Seirin, na verdade passei todos os dias jogando basquete.
– E...? _disse se divertindo, já tendo certeza da resposta.
Estava certo que seria xingado até a morte por simplesmente não assentir logo que entendeu, Taiga estava envergonhado, tropeçando nas palavras e inevitavelmente lindo. Aomine preparou seus ouvidos quando teve uma agradável surpresa.
– Eu sou... era _se corrigiu _virgem.
As bochechas de ambos tomaram um rubor intenso.
– E-eu não tenho lá muita experiência também _tentou de alguma forma não constranger ainda mais Kagami.
– Não pareceu.
– Você também não _disse com sinceridade _se eu soubesse... ah, bom... sei lá.
– Se arrepende?
– Não! Só que... né, era sua pri-
– Não sou uma menina _estalou a língua nos dentes _idiota.
– ...desculpa.
Kagami revirou os olhos, ele o chamou de idiota apenas por brincadeira, não era para levar a sério! Começou então a fazer cócegas para que Daiki parasse de se preocupar com aquilo. Funcionou. Funcionou tão bem que levou um chute nas costelas sem querer.
Devidamente limpos, relaxados e pelo menos por aquela noite, oficialmente juntos, desceram para comer e ver qualquer coisa na tv. Taiga pediu licença para usar a cozinha, a pedidos do mais novo começou a cozinhar. Macarronada era simples e rápido.
– Hum, parece gostoso _olhou para dentro da panela levando um tapa na mão.
– Deixe a tampa como está, Ahomine! E não parece, está delicioso.
– Convencido _cantarolou tirando os pratos do armário _vou buscar alguma coisa pra beber lá na dispensa, aguenta ai.
Mais uma vez Daiki sumiu entre os corredores, Taiga se ocupou em arrumar os pratos na bancada da cozinha, serviu ambos e sentou. A chuva a muito tinha dado uma trégua, caindo agora apenas uma garoa fina, a energia enfim tinha voltado, mas nenhum dos dois soube dizer quando exatamente. Estava num clima gostoso, aconchegante.
Sentiu sua nuca ser congelada pela latinha de refrigerante, quase caiu do banco acabando por bater o cotovelo na mesa.
– Ah! Foi mal Taiga!! Machucou?... Taiga?
O ruivo segurou o cotovelo com força, não ergueu a cabeça assustando o moreno.
– Oe, me deixe ver isso! Por favor _puxou o braço do amigo com cuidado para só então ver que o mesmo na verdade estava rindo da sua cara _filho de uma puta paga. Você me assustou!
– Mas doeu mesmo na hora! _disse ainda rindo.
– Céus, não faça mais isso, jogamos basquete lembra?! Nada de contusões.
– Tem razão... bom, vamos comer!
All the things he said
Running through my head
All the things he said
This is not enough
I'm in serious shit, I feel totally lost
If I'm asking for help it's only because
Being with you has opened my eyes
Could I ever believe such a perfect surprise?
I keep asking myself, wondering how
I keep closing my eyes but I can't block you out
looking at me
Tell me, what do you see?
Yes, I lost my mind!
Kagami despertou no meio da madrugada, assustado. Onde estava mesmo? Ah, idiota, na casa de Aomine... passara o dia lá. Olhou para frente antes de fechar os olhos novamente, o colchão arrumado para ele no chão, a muito estava frio; Daiki o aconchegou em seus braços um pouco antes de adormecerem e ali ficou.
All the things he said
Running through my head
All the things he said
This is not enough
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