All souls are lost.
1 Breathless.
Notas iniciais
Espero que gostem da nova fic ;3
Algumas garotas, na minha idade, sonham com meninos perfeitos, aqueles que só a Fox inventam. Uma colega minha antes de se mudar pra outro país, me dizia que a cada noite sonhava com um príncipe diferente. Loiro, ruivo, magro, gordo, ela disse que já teve experiências com todos esses nos sonhos. Eu sonho com apenas um. Um magro e todo atrapalhado chamado Dante.
O sonho sempre começa comigo correndo de alguma forma escura e grande que me persegue rapidamente pelas sombras. Sempre mudo o lugar onde isso acontece (Já tiveram casos de acontecer no banheiro, na escola, no meu quarto, uma boate...) e qual monstro me persegue. Bem, apenas a figura se modifica, mas como sempre usa a escuridão como escudo, nunca consigo distinguir o que cada monstro é. Quando estou prestes a ser atacada, um clarão brilha diante de mim e vejo um menino alto a minha frente, segurando uma espada e cravando-a no monstro, que explode em sangue negro. Logo depois, um homem careca, bem parecido com um monge, surge das sombras, segurando uma adaga pequena e começa a rir para o garoto, dizendo coisas que eu não consigo entender dessa distância. Depois de gritos e provocações, um parte para cima do outro, lutando de igual pra igual. O monge, em todo miserável grita algo que sempre ecoa pela minha cabeça. “Afaste-se, Dante! Saía de perto da garota! Ela não é o que você pensa que é”, e acaba quando o garoto escorrega no chão e o monge pressiona a adaga contra o peito do jovem. E então, ele explode em sangue negro. ... Depois de mais um sonho comum durante a aula, acordo e me dirijo à porta quando o sinal começa a ecoar entre meus ouvidos. Um barulho extremamente perturbador. Um pouco sobre mim: 17 anos, branca com um pouco de sardas quase invisíveis entre o nariz e as bochechas, relativamente magra, olhos verdes claros e um cabelo liso e grande avermelhado. Meu nome é Emily Campbell. Não me dou bem com minha família e, por isso, não passo tanto tempo em casa, é mais pra dormir mesmo. Se bem que, se você tivesse uma família como a minha, acho que entenderia. Depois do que pareceu se passar meia hora andando sobre o frio de novembro, chego na frente da minha casa; Uma casa de madeira, um pouco antiga , mas, como meu pai nunca gostou muito de coisas velhas, veem modificando-a sempre que pode, deixando algo mais século XXI. Abro a porta e tento fechá-la com cuidado, pra não alegar que já cheguei. Subo as escadas de vagar, entro no meu quarto e encosto a porta, jogo a mochila em um canto e pego meus fones em cima da cômoda. O quadro que fica apoiado nela, de mim e meu pai brincando no balanço no meu aniversário de 4 anos parece que ficou mais visível, como se fosse impossível passar por perto sem observá-lo. Nesse dia, minha mãe estava viajando a negócios e não pode ir ao parque comigo, mas meu pai estava lá e me levou em vários brinquedos. Meu pai era o único da minha família com quem eu nunca briguei nem discuti, sempre o respeitei e o admirei. Minha mãe, por outro lado, eu quase não falava pra evitar discussões. Algo aconteceu quando em uma noite que ela saiu com as amigas para um bar quando eu tinha uns 11 anos, desde então ela tem ficado estranha, gritando com todo mundo, xingando-os da primeira coisa que vier a cabeça e impossível de se conviver. Não sei o que aconteceu a ela naquela noite, mas ela mudou drasticamente. Meu pai consegue conviver com ela, mesmo com todos os xingamentos, e até hoje eu me pergunto como ele aguenta tudo isso, e já me veio a cabeça que ele possa saber o que aconteceu com ela, mas nunca perguntei nada. Hoje, como meu pai tinha folga, resolveu sair com seu amigo Jason e mais alguns que não conhecia bem. Jason era praticamente da família, sempre vivia em casa, bebendo cerveja com mamãe e papai, fazendo um churrasco nos finais de semana, sempre estava presente. Ele sempre me ajudou também, às vezes ficava como babá de mim, me ajudava nos deveres, ele era como um tio para mim. Depois de conseguir tirar os olhos do quadro vou até o guarda-roupa trocar de roupa. Uma camisa de manga comprida cinza, jeans e um All Star. Depois de descer as escadas, vou até a cozinha e preparo um hambúrguer, colocando-o na frigideira e depois em uma das bocas do fogão. Começo a olhar a campina que forma toda a minha casa. Árvores e grama se encontram por todos os lados. Lembro de quando eu era pequena, e para não me perder, meu pai mandou faz uma trilha com um piso escuro, que, mesmo de noite, era completamente visível. Com 10 anos eu nem precisava mais da trilha, poderia ir daqui até a China, e saberia o caminho de volta. Depois de ouvir barulhos vindos do andar de cima, perto das escadas, me apresso e já com o lanche pronto vou para a porta da frente, mas não antes de ouvir uma voz chamar meu nome. ... – Ems? – A voz era familiar e doce, coisa que eu não ouvia ultimamente. Não me viro, mas já sei quem é. – Oi, mãe. – As palavras quase não saíram de minha boca. Depois de como eu fui tratada nos últimos anos, tem sido difícil sequer olhar para ela como olhava antes. – Aonde vai? – E isso importa? – Eu sei. Menina um pouco infantil, mas, minha vida pessoal não era da conta dela. – Emily, por favor... Eu tenho que conversar com você. – Sua voz era gentil e aconchegante. Minha mãe não era gentil desde aquele dia do bar, muito menos aconchegante. – O que você quer? Não bastou todos esses anos ferrando com minha vida e agora quer ter uma conversa? – Falo em um tom de voz alto. – Emily pare com isso. Temos que ser gentis com quem é importante pra nós enquanto ainda temos tempo de ser... Antes dela... – Morrer? – Virei-me para ela, com fúria no olhar. Ela deve ter percebido, pois sua expressão mudou. – Depois que as pessoas morrem, elas só podem ver os outros seguindo em frente, vendo a família seguindo em frente. Vão ficar tristes no começo, sei que vão, mas depois... Seus filhos terão preguiça de ir para o cemitério visitar seu túmulo, você será esquecido com o tempo. Tudo que restará é um pedaço de pedra escrito seu nome, com várias flores mortas ao lado.
– Emily... Quem te disse essas coisas horríveis? – Ela pareceu um pouco assustada com o que eu disse, como se nunca tivesse ouvido aquelas palavras. – Foi você, no meu aniversário de 15 anos, não lembra?! – Depois de toda essa raiva sair do meu corpo, me pego encarando minha mãe. Desvio o olhar, pegando o lanche e passo por ela, fechando a porta atrás de mim e seguindo em direção a floresta, com lágrimas ardendo pelo meu rosto. ... Depois de atravessar partes da floresta que eu praticamente morava quando criança, vou mais além, pra uma parte onde as árvores começam a tingir um tom escuro por todo o local. Não paro, não ainda. As lágrimas começam a secar no meu rosto e abrir caminho pra novas e mais intensas. Não sei exatamente o porquê, mas estou sentindo um vazio que não sentia há muito tempo. Algo está errado comigo. Acho uma árvore relativamente escura e encosto-me a ela, sentando-me na grama áspera e tentando relaxar. Aquele lugar era sombrio, mais do que aparentava ser. Só a sensação de estar ali, encostada naquela árvore, aquela grama estranha, tudo ali me dava arrepios. Tentei ignorar essa sensação infantil e tentar me concentrar em parar de chorar. Não conseguia evitar, só de relembrar as palavras da minha mãe, no meu aniversário... “Esse será seu presente, garota. Isso é a realidade. Por que essa cara? Tem presente melhor do que a verdade, docinho?” Meus olhos começam a pesar e doer, a ponto de eu fechá-los por um breve instante, caindo no sono profundo. Poucos segundos até Dante aparecer lutando contra o velho, mais algo dessa vez aconteceu diferente. Muito diferente. Dante escorrega, mas, quando o monge vai se abaixar e matá-lo, uma mão negra surge em seu ombro. Algo que faz ele se virar de raiva e logo paralisar de medo. Aquela coisa segurou o pescoço do monge e o arrancou do resto do corpo com um simples puxão. Dante se levantou e ficou entre mim e o monstro, o que o fez ele ser arremessado até perto de mim, sangrando e a um fio de vida. Ele me olhava com medo, medo do que vai acontecer comigo. Tentei tocá-lo, mas algo me deteve. A forma sombria agora estava na minha frente, e eu estava encarando suas pernas; borrões retos e intensamente negros. Quando tive coragem de olhar pra cima, não consegui conter o grito. Ele não tinha um rosto, algo como um borrão agitado aonde deveria ficar seu rosto... Quando ele ia por suas mãos em mim, eu coloquei os braços na frente do rosto e com uma luz intensa vindo de algo na minha frente, eu fechei os olhos, esperando que o monstro sumisse. Quando abro os olhos, estou na floresta negra, escorada na árvore, com certo medo e insegurança. Vejo que já escureceu, e o céu cinzento misturado com aquelas árvores que pareciam se mexer e com pequenos olhos vindo de todas as direções que me encaravam não era um lugar para um piquenique, então me levanto e começo a correr pelo caminho de onde vim, abandonando meu lanche ali mesmo. Fazia um grande esforço pra não tropeçar e cair. Não iria virar pra trás, não iria ficar naquele lugar. Meu corpo estava sobrecarregado de adrenalina, medo e pavor. As árvores que um dia foram meu dia a dia, agora faziam labirintos em minha cabeça. Não sabia a direção, só sabia que não iria virar para trás. Continuei correndo, pensando em como eu via aquele garoto morrer diversas vezes pra me salvar. Por que eu sempre sonhava com isso? Por que Só com isso? Minhas outras mil perguntas que se formavam em minha cabeça desapareceram quando eu vi a trilha brilhante. Já estava de noite, e as estrelas brilhavam intensamente, deixando-as maiores do que o normal. Uma brisa suave e rápida passou por mim, e logo pude sentir um cheiro de metal quente, cheiro de medo. Pude sentir que algo me observava, algo escondido as sombras que me cercavam de todos os lados. Pude sentir cheiro de morte. Quando me aproximei mais da casa, já tinha parado de correr. Estava soando gelado. Com o corpo todo arrepiado eu tinha uma certeza: Não iria aguentar outra dose disso. Estava até relaxada quando vi o carro de meu pai na frente de casa. Acho que tinha visto algo vermelho preencher a janela da frente antes do inferno realmente começar. Algo brilhante começou a emanar de dentro da casa Uma luz muito forte e sobrenatural, algo tão forte que conseguiu devastar tudo a sua volta. A explosão foi tanta que eu fui arremessada para trás e capotar sobre a grama fria misturada com lama. Luzes vinham de cima de mim, mas eu não conseguia levantar a cabeça, estava tonta demais pra isso. Depois de um tempo tentando me mexer eu consigo foco novamente e me levantando, meio que como um zumbi. Passos lentos e curtos. Notei que meu jeans estava todo manchado e molhado pela lama e minha camisa estava rasgada em alguns pontos em que deixava bem claro que eu estava sem sutiã. Feridas grandes entre minha cintura e minha coxa que dificultava o andar. Chegando a cima da trilha, quase tropeço de tão apavorada que estou, tiro o cabelo da frente do rosto e tento focar fixamente para o que eu estava vendo. Uma casa em chamas, com a parte da frente destroçada e deixando o interior exposto. Uma mulher caída no chão, tentando se levantar, mas com ferimentos impossíveis de garantir que ela sequer se mova. Um homem careca que usava um terno preto estava segurando meu pai pela garganta. Pude ver quando ele esmagou seu pescoço e aquele sangue jorrou para o alto. O sangue e as chamas misturados com a pouca luminosidade de dentro da casa dava a impressão de que o homem careca e todo formal, que matou meu pai, tinha longas e graciosas asas.
Notas finais
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