All You Need is Leonetta
37 Mais uma pessoa morre.
Notas iniciais
Acordo com meu telefone tocando. Poxa, nem quando eu queria acordar com beijos pra relembrar os momentos, não me deixam.
Pego o meu celular e vejo no retrovisor o nome : Ramalho.
Ótimo, vou ir pra Miami agora. Pensei comigo mesma, antes de atender
– Oi Ramalho. — Falei sonolenta.
– Violetta, uma coisa importante pra te falar. — Ramalho disse nervoso.
– O que ? — Falei bocejando.
– Você e seus irmãos compareceram a um enterro hoje. — Ele falou de uma vez. Mais com dificuldade.
– Quem morreu Ramalho? — Meu rosto ficou pesado. Derramei algumas lágrimas bem discretamente. Para que ele não percebesse.
– Minha esposa. — Ele falou suspirando, eu percebi
– Ramalho... — Comecei. — Meus pêsames. — Uma lágrima rolou. — De que?
– Assassinato. — Caiu a ficha. Descobriram o dociê. — Matias e Jade.. Descobriram que você tem o notebook. E o filho do Matias, o Diego, permanecerá no enterro. E o Matias e a Jade também.
– Ramalho, diga que não tentaram nada contra mim, por favor. — Eu implorei chorando. E percebi que Leon estava se despreguiçando, e quando levantou, esfregou os olhos e me viu, com certeza vermelha e chorando.
– Com certeza não. Mais o Diego tem. Não caia na dele Violetta. Ele te levará ao suicídio. — Ele começou. — Enquanto a isso, não posso aparecer lá no enterro, pessoalmente.
– COMO NÃO RAMALHO? — Eu falei alto — VAI PERDER O ENTERRO DA OLGA? — Eu falei por fim, e percebi que ele chorava.
– Eu vou de helicóptero. Você terá que atravessar o cemitério e a marginal correndo com Ana e Luke, até a praça de Buenos Aires. Não é um percurso muito longo, mais o suficiente pra vocês chegarem no helicóptero sem soar. — Ele falou
– Ramalho por que isso? — Eu falei repentinamente com medo.
– Vamos ir pra mansão que eu tenho em RR. 1543. — Ele começou de novo. — Precisamos conversar.
– Pra esclarecer, ela foi morta... Por que eles sabiam que eu tinha o dociê ? — Falei.
– Sim, Violetta. — Ele falou, e na hora me veio Leon na cabeça. Ele também poderia morrer por mim.
– Mil desculpas Ramalho. Eu não quero isso. — Comecei. — Estarei ai o mais breve possível.
– Ok. E, sabe o que estou falando. Sobre o plano. — Ele indagou.
– Sim, Ana e Luke estão sabendo ? — Perguntei
– Sim, estão. Tchau. — Ele falou e desligou.
O peso em minhas costas aumentou. 3 pessoas mortas por mim até agora. Até a ida a Manhattan e a Miami, mais pessoas vão morrer. Uma delas vai ser o Leon, tenho certeza. Não posso ter uma vida completamente calma. Não posso. E enquanto Diego? O que ele fará quando me vir sair correndo? Irá atrás de mim ? E Jade e Matias? Quanto tempo vai levar pra EU ser enterrada ?
Viajando em meus pensamentos, eu não percebi que chorava. Virei a cabeça para observar Leon, o mesmo me mandava beijos e carinhos, falando coisas no meu ouvido que não prestei atenção. Mais com certeza eram um : Não chore. Ou : Estou com você.
– O que aconteceu princesa ? — Leon falou. Me tirando do transe.
– Preciso ir para um enterro. — Sequei algumas lágrimas. O que foi em vão, pois eu chorava muito.
– De quem ? — Ele indagou.
– Da esposa do Ramalho. — Falei me levantando, e indo até o banheiro. Mais no meio do caminho, parei. — E a propósito, não precisa ir. Pois acho que você não vai gostar.
– Violetta, eu sei que você esconde segredos familiares que eu adoraria saber, mais não posso. Fiquei brisando sobre o dociê. Como assim? — Ele indagou.
– História complicada. Tenho vontade de não contar sobre isso. A propósito, Bo dia amor! E obrigada pela noite de ontem. — Agradeci, esquecendo ou pelo menos relembrando achar que seria a primeira coisa que pronunciaria nessa manhã.
– Bom dia querida. — Ele indagou. — Obrigada e de nada !
Me dirigi até o banheiro, a onde entrei no box, liguei o chuveiro, e deixei a água morna cair sobre mim, me acalmando. E eu tinha muito medo de que isso acontecesse com Leon.
Fiquei no banho aproximadamente durante meia-hora, aproveitei e lavei meu cabelo, e na saída, escovei meus dentes. Sai do banheiro com uma toalha presa ao cabelo, e a outra envolvida em meu corpo, me dirigindo até meu guarda roupa. Aonde peguei um vestido preto, não curto e não longo. Batia no meio da minha coxa. Ele era simples, e a saia dele era um pouco rodada. Pra mudar, coloquei um cinto de spike e minhas sapatinhas pretas de veludo. Em seguida, me dirigindo a penteadeira, fazendo uma trança em meu cabelo meio úmido.
Me deparei com Leon saindo do banheiro,já com uma roupa vestida. Ele deixou algumas roupas aqui, quando meu pai morreu, pois me deu apoio e dormiu comigo todos os dias depois daquilo. Bem todos não, mais alguns
– Está linda. — Ele falou me fitando.
– Obrigada. — Passei um lápis de olho rápido, rímel e um batom. — Me desculpa por não ficar aqui.. Depois de ontem.. Eu acho que você queria uma noite de baixo das cobertas, assistindo comédia e comendo chocolate. — Falei por fim
– O que você vai fazer agora, é muito mais importante do que tudo o que eu queria pra hoje — Ele andou até mim e me deu um beijo no alto da cabeça.
– Mesmo assim. Desculpa. — Falei
– Bom, como eu não posso ir no enterro, eu posso pelo menos te levar? — Ele me encarou.
– Pode sim.. Já está pronto? — Perguntei
– Eu já nasci pronto. — Ele debochou, o que me fez rir.
– Leon.. — Comecei. — Prometo que pra te compensar, teremos algo pra fazer. Hoje ou amanhã. Quando eu chegar.
– Relaxa, não precisa esquentar com isso. — Ele me deu um selinho. — Vamos?
– Vamos. — Senti ele me abraçar pela cintura, e me conduzir ao carro.
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Chegamos no enterro sem demora. E então, de novo, olhei para a praça de Buenos Aires. Que teria uns quilômetros de corrida, caso fosse necessário. E era.
– Querida, até mais tarde. — Ele beijou minha bochecha.
– Até mais.. Qualquer coisa, eu ligo. — O abracei forte, e o mesmo mordeu meu ombro levemente, no meio do abraço.
– Pra você não esquecer de mim. — Falou ele.
– Pode ter certeza, não vou esquecer. Tchau! — Eu disse sorrindo, pois ele me proporcionava felicidade. Muita felicidade!
Cheguei no enterro, andando um pouco, assim que topei com Diego.
– O que faz aqui ? — Ele indagou.
– Eu sou amiga do Ramalho e amiga da Olga. E você ? — Falei. Bom, já sabia a resposta. Vamos ver o que ele responde.
– Eu sou o filho do Matias, e também grande amigo do Ramalho. — Ele falou forçando um sorriso.
– Huum .. Me dê licença. — Falei me retirando, mais ele não me erra e não me deixa passar.
– Antes quero saber uma coisa. — Ele disse.
– O que ? — Retruquei.
– Por que o Ramalho não veio até agora ? — Ótimo, ele queria saber.
– Ele.. Está lanchando no Necrotério. Pois com o assassinato da esposa, ele não tomou café. — Inventei qualquer coisa.
– Necrotério é muito longe. Tem certeza do que está dizendo? — Ele perguntou.
– Tenho, agora com licença. — Disse me retirando.
Andando um pouco, e escutando muitas pessoas chorarem, eu encontro Ana e Luke
– O que vai ser ? — Perguntei.
– Só teremos que ser ágeis, rápidos e precisos. — Luke respondeu.
– Quando virmos o avião, vamos pra Praça Buenos Aires. — Ana falou. Completando meu irmão.
– Ok..
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O avião já estava visível. Olhei para Matias e Diego, que estavam me encarando, ou melhor me fuzilando com o olhar.
– Vamos. — Luke sussurrou, e saímos de lá lentamente, até que um pouco, mais bem pouco afastado do local do enterro, começamos a correr. No fim, só ouvi Matias gritar: VÁ DIEGO!
Eu corri mais rápido, e parei para olhar pra trás. Não vi Diego. E fiquei percorrendo as árvores com os meus olhos. E perdi um bom tempo.
– VAMOS VIOLETTA! — Ana gritou. Aí que eu percebi, eu estava bem afastada deles.
Quando comecei a correr, senti um impacto. Como se algo pesado caísse em cima de mim, e logo pude sentir algo gelado roçar minha cintura. Olhei para a mesma, e sim. Estávamos um pouco longe do local do enterro, e se eu gritasse por ajuda, ele apertaria o gatilho.
Matias estava me mantendo refém, para que eu não chegasse ao Helicóptero.
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