All Wed Ever Need
19 Capítulo 19 - No meu Lugar. Parte I
Notas iniciais
No meu lugar
Logo fomos para a montagem das barracas e os fuzileiros que iriam entrar em nosso grupo se juntaram a nós o que ajudou bastante, pois eles tinham mais experiência com as barracas e dividi o nosso grupo em trios para depois nos ajuntarmos e apresentarmos os serviços juntos. Montamos e nos apresentamos ao tenente Cameron, o nosso grupo foi o ultimo a se apresentar o que fez todos nos olharem com deboche. Mesmo constrangida por ter atrasado o grupo fiquei impassível aguardando as ordens. As provas físicas acabaram conosco o que me fez agradecer em ter montado o acampamento primeiro. Notei um olhar diferente de Zafrina para nós e ela nos liberou para tomarmos banho e descansarmos para o dia seguinte que segundo o agente Brian seria ainda mais puxado fazendo com que Jéssica ficasse resmungando e o restante do grupo rindo de seu mal humor.
Passaram-se três dias, sempre que podia eu escapava para falar com Edward, nossas conversas eram cheias de confissões, desde a nossa adolescência até sobre o que sentíamos, quer dizer Edward conseguia falar melhor que eu sobre seus sentimentos e sempre ele me dizia que estava com saudades.
As provas físicas estavam bem puxadas, mas já passei por coisa bem pior com James e Garret, então não estranhava muito. Estava me sentindo um pouco fora de forma, mas conseguia realizar todas as tarefas que me eram incumbidas. No segundo dia que estávamos na ilha que apelidamos de Ilha de Lost, pois estávamos perdidos ali, Jéssica foi nomeada a xerife o que nos trouxe uma grande dor de cabeça, pois ela só queria mandar e nada de realizar tarefas o que nos fez ficar de castigo e limpar todo o lado que estávamos do nosso acampamento. Nem preciso dizer que ela levou o famoso “chá de manta”, ou seja, apanhou de todo grupo, mas nada que viesse machucá-la.
Os restantes dos dias foram mais tranquilos, pois já sabíamos o que esperar. O meu relacionamento com Jéssica sofreu uma mudança, apesar de achá-la mimada e inconveniente me acostumei com ela sempre reclamando e me pegava rindo sempre de seu jeito mais atrapalhado que o meu. Outra situação que mudou foi minha relação com Riley. Apesar de continuarmos implicando um com o outro às vezes o pegava me encarando e nesses momentos estranhos ele sempre me dava um sorriso tímido que me desconcertava. Já estávamos na “Ilha de Lost” há doze dias e o nosso grupo não estava com uma classificação muito boa o que sinceramente não me preocupava muito. No entanto os fuzileiros precisavam elevar sua pontuação para conseguirem uma boa classificação em seu curso de promoção o que estava levando a todos ao limite do stress.
Quando completaram quinze dias eu voltei a ser a xerife do dia e para piorar a situação o tempo estava fechando prometendo uma forte tempestade. Fazia três dias que eu havia perdido contato com Edward e eu não conseguia parar de pensar nele, o que estava me trazendo alguns problemas de concentração e que acarretava problemas para todo o grupo. Eu nunca havia ficado tão dispersa, pelo contrário, mesmo quando estava passando por momentos difíceis tudo o que eu tinha era meu trabalho e agora nada ajudava.
O que eu mais temia aconteceu, um temporal desabou sob nosso acampamento e tudo ficou muito confuso, a ventania estava muito forte e objetos começaram a voar em todas as direções. Houve uma correria generalizada, as pessoas começaram a juntar suas coisas e eu preferi juntar o grupo e aguardarmos a chuva passar, o que não foi muito bem visto por todos, no entanto os fuzileiros que nos acompanhavam também acharam melhor aguardar a tempestade passar, resolvemos fazer uma votação rapidamente e a maioria decidiu por aguardar. Engraçado foi aguentar Jéssica blasfemando, nos amaldiçoando e xingando até a minha décima geração.
A grande maioria resolveu seguir mesmo debaixo de chuva o que não foi surpresa, pois quem chegasse primeiro ficaria em primeiro lugar. O nosso grupo estava em terceiro lugar e os integrantes começaram a ficar impacientes. Resolvi falar com todos dentro da barraca maior, onde guardávamos suprimentos e fazíamos as refeições e onde estava sendo o lugar o lugar mais seguro no momento.
Quando todos entraram podíamos ouvir o vento uivar do lado de fora.
- O que foi agora Swan? Além de ficarmos ilhados aqui ainda receberemos um sermão? – Jéssica disse impaciente. Eu suspirei e olhei para Zafrina que não opinava em nada somente participava e cumpria com que lhe era atribuído.
- Vocês devem estar se perguntando por que não seguimos com o restante. – fiz uma pausa, pois houve um falatório. – Por favor, senhores! – todos ficaram em silêncio.
- Eu acredito que será melhor permanecermos em segurança aguardando o temporal se acalmar do que sairmos debaixo desse tempo e alguém se machucar, lembrando que se isso acontecer não será preciso nos preocuparmos com a classificação, pois o acidentado estará fora...tanto do curso de agente quanto de oficial à fuzileiro. – eu fiz outra pausa olhei para todos e continuei: — A escolha é de vocês agora.
Por fim um dos fuzileiros se pronunciou:
- Você pode foder a gente com isso ou termos alguma sorte e nos sairmos melhor que o restante. Eu prefiro esperar. — um por um foi se manifestando até Jéssica achou melhor ficarmos, por fim foi a vez de Zafrina.
- Acredito que fez o melhor para o grupo Swan e concordo plenamente com todos. – ela olhou-me e notei um olhar de admiração e mesmo não querendo senti orgulho de mim mesma.
O temporal só aumentou e até mesmo o acampamento estava correndo risco no momento.
- Olha só parece que não precisaremos correr risco no caminho, pois iremos morrer por aqui mesmo. – Jéssica disse com ironia e sentou-se ao meu lado. Eu nem tive vontade de falar algo, pois era o que eu estava pensando no momento.
- Ô garota! – ouvi a voz potente de Zafrina. – Se não tem nada útil para falar cala a boca, por favor. – ouvi algumas risadas e continuei em silêncio. Levantei-me e decidi dar uma olhada para ver como estavam às coisas ao redor. Coloquei minha capa de chuva e estava saindo quando um dos fuzileiros segurou em meu braço e disse:
- Vai aonde Swan? – ele me olhou sério. Eu respirei fundo e disse:
- Vou olhar ao redor para ver como estão as coisas. – dei de ombros e continuei: — Jéssica tem razão se eu não fizer algo morreremos por aqui. – ele me um olhar profundo um tanto irritado e disse:
- Se não fizermos algo Swan. Lembre-se isso aqui é um grupo, estamos juntos nessa, somos uma equipe. – eu dei um meio sorriso e concordei com ele. Voltei para dentro da barraca e disse:
- Preciso de pessoas para fazer uma varredura do perímetro e saber como estão as coisas por aí. – eu fiz um gesto com a mão direita que indicava circular ao redor.
- Adivinha só? Está chovendo lá fora. – Jéssica disse novamente e dessa vez o fuzileiro que tomou as dores.
- Escuta isso aqui é um grupo e se você não começar a colaborar a colocaremos amarrada em uma arvore lá fora na chuva. Quem sabe assim um raio não cala essa sua boca. – ele disse furioso e ela estremeceu.
- Escutem, não precisamos de discussão agora. O que precisamos é de colaboração. Então vamos nos dividir em funções. – eu olhei ao redor e continuei: — Vamos continuar com as divisões em trios e nos prepararmos para passarmos essa noite aqui ou se necessário for partirmos. – todos ficaram me olhando. – Então se mexam! – eu gritei e bati palmas ao mesmo tempo. Passei para um grupo a tarefa de armazenarmos os suprimentos e medicamentos em todas as mochilas para dividirmos o peso, outro grupo foi verificar o terreno ao redor, outro grupo ficou fazendo alimentos para todos e pedi para separarmos material extra, por que se acaso encontrássemos alguém ferido no caminho teríamos como socorrer. Todos colaboravam até mesmo Jéssica. Afastei-me por um momento para poder pensar com mais clareza quando senti alguém se aproximar me virei e dei de cara com Zafrina que me encarava. Eu levantei uma sobrancelha com uma pergunta muda e ela sorriu.
- Estou satisfeita com suas decisões Isabella. – ela olhou para o horizonte e eu segui seu olhar. – Em outro treinamento aqui alguns anos atrás aconteceu quase a mesma coisa, mas perdemos um agente...ele faleceu. – ela me olhou e eu vi uma sombra em seu olhar profundo. — E agora parece que estou revivendo aquele momento. Então se eu fizer alguma merda você tem meu aval para fazer o que é certo para o grupo. – ela respirou fundo e voltou a olhar para o horizonte e eu acompanhei seu olhar. – Como você está se sentindo sendo a xerife responsável por hoje? – ela voltou a me olhar. Eu nem pensei:
- Estou morrendo de medo de fazer uma merda. – eu respondi prontamente. Ela sorriu.
- Isso é bom. – ela apertou minha mão. – Segurança demais só atrapalha. Como diz o ditado: A Altivez antecede a queda. – ela respondeu com um meio sorriso.
- Mas sei que me sairei bem. – eu respondi com um tom arrogante e dei um meio sorriso fazendo-a gargalhar.
- É mesmo filha do Swan. – ela balançou a cabeça em sinal de descrença e saiu. Sinceramente aquilo me deu certo orgulho, pois apesar de Charlie ser um pai ausente é o melhor agente que conheço, mas isso ele nunca ouviria de mim.
A chuva deu uma trégua, mas segundo Milles, o mesmo fuzileiro que saiu em minha defesa em outro momento, informou-me que alguns companheiros foram averiguar o perímetro e afirmaram que voltaria a chover e que o rio que teríamos que atravessar estava com a correnteza muito forte então seria prudente atravessarmos durante o dia para termos mais visibilidade e assim o faríamos. Uma parte da equipe foi dormir enquanto a outra parte ficava de vigília, minha maior preocupação é com a chuva e a intensidade do vento. Conseguimos fazer o revezamento e deu tudo certo. No outro dia conseguimos deixar o acampamento e seguirmos apesar da chuva o vento deu uma trégua. Já estávamos chegando próximo do local da travessia quando Jéssica nos mostrou algo estranho na margem.
- Hey, pessoal! – olhamos em sua direção. – Tem algo esquisito ali. Cadê o binóculo? – logo um dos fuzileiros que estavam com o equipamento verificou.
- Swan! É melhor você vir aqui dar uma olhada! – Miles me chamou e corri para verificar o que seria e não acreditei no que vi.
- Mas que merda é essa? – eu resmunguei e logo Zafrina aproximou-se e pegou o binóculo de minhas mãos, ouvi quando ela rangeu os dentes.
- Mas que porra!! – e saiu em disparada sendo seguida por Miles e por mim.
A cena era assustadora... Rosálie segurava Riley que estava agonizando com a cabeça em seu colo.
- O que está acontecendo aqui?! – Zafrina estava aturdida. Rosálie a olhou profundamente respirou fundo e disse:
- Ele quebrou a perna e o grupo decidiu seguir para procurar ajuda. – ele gemeu alto e ela passou um pano em seu rosto depois continuou: — E eu resolvi ficar para ajudá-lo. – ela deu de ombros e olhou-me seriamente. Nesse momento Jéssica se aproximou e perguntou:
- Posso dar uma olhada na perna dele? – ela parecia até outra pessoa. Rosálie respondeu com um aceno e Jéssica ergueu a calça de moletom que Riley estava. Quando vi o estado em que se encontrava a perna tive que me afastar para não desmaiar ali mesmo.
- Ele está com febre, provavelmente está infeccionando e esse ferimento está quase se tornando em uma fratura exposta. Ele não pode se mover teremos que imobilizar sua perna com uma tala. – Jéssica foi dizendo tudo e nem se deu conta que estava resolvendo algo sem reclamar.
- É melhor saber o que está fazendo aluna. – Rosálie disse entre dentes.
- Minha mãe foi uma Enfermeira da América e seu sonho era que eu me tornasse uma. Adivinha? – ela fez uma pausa dramática. – Eu até tentei, mas pelo amor! Esse sofrimento o tempo todo não é pra mim! – ela olhou ao redor e gritou: — Rápido! Alguém aqui sabe fazer uma tala? – eu e Zafrina trocamos um olhar e ela assentiu levemente.
- Se a situação dele piorar eu arranco sua cabeça Stanley! – Rosálie a ameaçou mais uma vez. Eu me afastei um pouco da situação e Zafrina me seguiu. Eu a olhei e nesse momento Miles, o fuzileiro se aproximou também. Eu fui a primeira a me pronunciar.
- Acredito que agora você deve tomar a frente do grupo, pois tem um agente correndo risco de morte. – eu disse a Zafrina.
- E o que você faria se continuasse no comando Swan? – ela perguntou. Eu pensei por uns instantes.
- Pediria aos demais para fazermos uma maca e o transportaríamos conosco até chegar ao nosso destino. – eu respondi.
- E atrasaria todo o grupo? – ela perguntou e vi Miles inquieto.
- Com todo respeito Zafrina, somos uma equipe. Não importa que ele não faça parte do nosso grupo, mas ele é um agente e sua vida corre risco. Eu jamais deixaria um homem para trás e o grupo sob o meu comando iria acatar a minha decisão. – eu disse firme e ao mesmo tempo receosa do que seria resolvido.
- Mesmo colocando a vida de outros em jogo? Mesmo que todo o grupo seja prejudicado e ninguém tenha alguma classificação? – ela perguntou friamente. Eu ponderei seus argumentos e por fim respondi:
- Mesmo assim. O que estou tentando dizer aqui é que a vida de um ser humano é muito mais importante do que uma posição, classificação ou até mesmo meu emprego. O que eu penso é que estaremos melhor juntos do que deixar alguém para trás. As chances de ele sobreviver serão bem maiores se permanecermos juntos do que deixá-los aqui. Se nos separarmos os deixaremos totalmente fragilizados e eu prefiro atrasar nossa chegada a chegarmos rápido e perdermos um homem. — eu disse e Milles cruzou os braços sob o peito.
- Exatamente senhora. Nós não iremos a lugar algum sem os dois ali. – ele olhou para Zafrina. Ela nos olhou com divertimento e respondeu:
- Ótimo! Os dois estão no comando do grupo a partir de agora. – ela virou-se para se retirar e logo em seguida deu meia volta me olhou e disse:
- Decisão correta. Somos um grupo não importa se usamos farda ou não. – ela fez uma pausa e olhou para Milles: — Lutamos pela mesma causa e principalmente... juntos. – saiu novamente e disse sem olhar em nossa direção: — Ah Swan! Seu pai ficará orgulhoso em saber como você conduziu essa situação. E avisem ao grupo a decisão que foi tomada... por vocês. E soldado... — Miles a olhou apreensivo. – Apesar de ter começado mal, está indo bem agora. – ela caminhou até Rosálie. Lembrei-me que tinha sido ele que Zafrina implicou logo no começo. Ele suspirou aliviado e disse:
- Estamos fodidos Swan. – eu balancei a cabeça concordando com ele.
Daí em diante tudo foi muito rápido. Eu Miles trabalhamos muito bem juntos. Surpreendemos-nos ao perguntarmos a opinião do grupo sobre Riley e foi unânime, iríamos todos juntos ou ficaríamos todos juntos. Logo fizeram uma tala para sua perna e trouxeram uma maca para ele ser transportado. O mais surpreendente de tudo isso foi o comportamento de Jéssica que assumiu o posto de enfermeira e não saiu do lado de Riley que particularmente estava insuportável. O tempo voltou a fechar, o temporal voltou com força total e não conseguimos atravessar o rio a tempo. O rio começou a subir e tudo foi ficando mais difícil, no entanto todos estávamos determinados a não permitir que esses fatores nos desanimassem. Fazíamos rodízio para ficarmos com Riley e meu turno veio juntamente com Rosálie. Desanimada segui para o local que fizemos de “dormitório” para ele. Essa seria uma longa noite. Com um suspiro entrei na barraca. Quando entrei Riley e Rosálie riam de algo e pararam no mesmo instante. Tenso.
- Boa noite. – eu disse seriamente. – Tem algo que precisa ser feito? – eu perguntei diretamente ao Riley que deu um sorriso cínico.
- Ora, ora... vejam só quem apareceu! A chefe Swan Jr. – ele riu e Rosálie o acompanhou. Eu revirei meus olhos e ele continuou: — Até você está na escala? Mas você não é a chefe? – ele perguntou com ironia. Eu suspirei e respondi:
- Quem tem chefe é índio e não estou aqui para brincar de enfermeira como Jéssica. Então me faz um favor, fale o mínimo possível por que sua voz me irrita profundamente. – eu estava com as mãos na cintura, batendo o pé e irritadíssima. Ouço Rosálie dar uma risadinha. Com certeza seria uma noite muito longa.
- Agora você está feliz não é Swan? Eu estou fora do páreo e você poderá ser a primeira colocada como sempre quis. – ele disse com a voz carregada de rancor. No mesmo instante senti meu sangue ferver em minhas veias.
- Você não sabe de nada seu idiota! – eu fui até ele e o segurei pela gola da camiseta que ele estava usando. No mesmo instante Rosálie veio em minha direção e eu disse: — Fica fora disso Hale! – ela me olhou espantada e ele riu. Eu o sacudi e ele gemeu, pois todo seu corpo foi balançado e sua perna que estava imobilizada deve ter doído.
- Caralho Isabella! Isso dói!! – ele disse gritando.
- É para doer mesmo seu infeliz! – eu o sacudi novamente. – Pois saiba que nós dois estamos fora do páreo! Estamos mais de dois dias em desvantagem dos outros! Mas quer saber? – eu o sacudi novamente e ele gemeu novamente. – A sua perna estúpida vale à pena! – e eu o empurrei de volta na maca improvisada. Ficamos os três em silêncio.
- Que merda que você fez garota?! – Riley perguntou. Eu o olhei espantada. – Você deveria ter seguido com o restante! – ele disse. Eu ri.
- E ter você me esnobando dizendo que só fui a primeira colocada por que você não estava em condições? Não obrigada. Prefiro ser desligada a ter que aguentar isso. – tentei não rir, mas acabamos os três caindo em uma gargalhada. Por fim Rosálie disse:
- Pensei que teria que separá-los. – ela tentou parecer brava, mas falhou miseravelmente nos fazendo rir. Logo depois desse momento estranho acabei tendo uma noite interessante com as duas pessoas que dificultavam e muito minha vida na academia, percebi que tudo é uma questão de oportunidade. Oportunidade que eu me dei para conhecer pessoas. Algo que eu não me permitia a muito tempo...sem contar o estranho lindo do bar que me levou e ainda hoje me leva a loucura. Eu suspirei e no mesmo instante senti meu corpo reagir a lembranças que eu estava tentando ignorar e vinha conseguindo por algum tempo, mas bastava um pensamento me levar até ele e pronto tornava-me cativa daqueles olhos azuis, aquelas mãos lindas. Eu suspirei audivelmente e me assustei ao ouvir a voz de Rosálie:
- Esses suspiros me dão a certeza que o bebê Swan está apaixonada. – ela disse baixinho, pois Riley dormia. Eu dei um meio sorriso.
- Eu acho que sim. – eu fiz uma careta. – Sei lá, pode ser apenas sexo ou empatia. – eu a olhei com curiosidade. Ela balançou a cabeça e disse:
- Vai por mim....você está amando. Uma pessoa não iria entrar em seus pensamentos no meio desse caos que temos vivido se você não sentisse amor por ela. – eu dei uma risadinha.
- Também não é para tanto Rosálie. Estou apaixonada, sabe como é. Corpo, sexo, atração. Amar eu amo meus amigos, minha família, o que eu faço. É assim, eles podem fazer qualquer coisa e eu continuarei os amando... um homem não, ele deu mancada, acabou. Sem segundas chances. Entendeu? – eu afirmei categoricamente. Ela balançou a cabeça.
- Você nunca amou Isabella. – ela fez uma pausa seu olhar ficou vago e ela continuou: — Quando você realmente ama alguém não importa, você passa por cima de qualquer coisa, comete os atos mais absurdos, passa por cima de seu amor próprio para vê-lo bem. – ela respirou fundo.
- Você ama seu marido assim? – eu perguntei.
- Não. –ela disse sem pensar.
- Então... – não deu tempo de perguntar.
- Longa estória. – ela deu de ombros. Depois dessa estranha conversa acabei adormecendo. Acordei já estava claro o dia e me assustei levantando de um salto.
- Calma Swan! Está tudo bem. – Riley disse com ironia. Eu o olhei assustada e ele riu. – Você fica lindinha quando dorme... você sabe que fala dormindo não sabe? – ele perguntou com ar de deboche. Eu senti minha barriga se revirar. O que será que eu falei? Eu o olhei irritada e estava saindo quando eu o ouvi:
- Não se preocupe Swan! Será nosso segredinho! – eu bufei e meu coração disparou. O que será que eu falei perto daquele idiota?
Já havia se passado vinte e três dias, depois que atravessamos o rio, com uma correnteza surpreendente, o que nos atrapalhou foi a lama. Tínhamos que subir a margem e com a maca onde Riley estava ficava mais difícil. Depois de várias tentativas conseguimos. Nesse meio tempo me aproximei bastante de Riley, Rosálie e Miles esses que se mostraram pessoas confiáveis em uma missão. Não sei dizer o que houve com Zafrina, pois ela simplesmente executava o que lhe era ordenado nos deixando agir por nós mesmos. Estava sendo um tempo muito conturbado e ainda assim meus pensamentos não deixavam de ir até Edward. O que ele estaria fazendo, o que estaria pensando, essas coisas tolas. Eu respirei fundo preocupada com a situação de todo o grupo quando voltarmos. Talvez se fossemos prejudicados eu seria penalizada, mas isso os isentaria de alguma punição?
- Por que essa carranca Swan? – me assustei com a voz profunda de Miles. Eu dei ombros de não respondi nada. Ele deu uma risada e eu o olhei. – Você é tão eloquente em suas palavras. – ele riu novamente e eu bufei.
- Não tenho motivos para ficar tagarelando por aí. – eu resmunguei.
- Vamos lá Isabella, você é mulher e por natureza adora falar. – ele riu novamente. Eu revirei os olhos.
- Talvez você não tenha reparado, mas eu não sou como todas as mulheres. Não gosto de sair por aí falando besteiras e com risadinhas como uma tonta. – eu mordi o interior de minha bochecha, hábito esse que tenho desde que sou pequena para não falar bobeiras. – Já ouviu aquele ditado: quem fala demais dá bom dia a cavalo? – eu o olhei com as sobrancelhas arqueadas e ele explodiu em uma gargalhada. Eu o olhei confusa.
- Esse é antigo! Minha avó sempre falava isso para nós. – e ele continuou rindo.
- Pois é a minha avó até hoje fala isso. – eu dei de ombros. Ele me olhou intrigado.
- Pensei que o chefe Swan não tivesse mais a mãe viva. – eu até gelei.
- Olha ali. Deixa-me ver o que Jéssica está aprontando agora. – levantei-me e sai rapidamente. Melhor isso do que ficar inventando desculpas aonde eu iria me enrolar mais.
No vigésimo quinto dia comecei a me preocupar seriamente com o nosso resgate, pois as condições de Riley estavam cada vez mais complicadas. A sua perna estava visivelmente infeccionada correndo o risco até de amputação. Olhei a minha volta e me deparei com Rosálie discutindo com Zafrina em um lugar mais afastado. Discretamente me dirigi até elas, antes que o grupo visse a cena. Ouvi a voz cortante de Rosálie:
- Esse grupo é sua responsabilidade! Deixou com que uma aluna assumisse, mas lhe garanto que ela não será responsabilizada por nada! Você terá que assumir todas as implicações de tudo que acontecer aqui. – elas se olhavam com raiva.
- Eu não consigo Rosálie... — a voz quebrada de Zafrina me chamou atenção. – Eu o perdi em uma situação exatamente como essa... — ela começou a chorar. Ouvi Rosálie suspirar.
- Já está na hora de superar Zafrina! – ela disse impaciente. Foi quando me lembrei de um fato que ocorreu a muito tempo atrás, mas eu estava em um dos colégios internos que Charlie me encarcerava. Resolvi aparecer para elas.
- Não se preocupe Zafrina, assumirei a responsabilidade de tudo que tenho feito. – olhei para Rosálie. – E saiba que sou capaz de estar no comando dessa missão. – eu lhe disse firme. Ficamos nos olhando e foi como se Rosálie estivesse me examinando e seja lá o que ela viu a tranquilizou, pois seu semblante se suavizou. Olhou duramente para Zafrina:
- Mas eu irei relatar sua omissão quanto ao grupo, quanto a sua função e principalmente você não soube lidar com toda essa pressão. – Rosálie falava duramente, porém baixo.
- Era o que você queria não é mesmo Hale? – Zafrina praticamente rosnou. – Desde o inicio você queria o meu lugar! O lugar do Cullen! Você sempre quer se destacar! – ela praticamente cuspiu essas palavras à Rosálie que se aproximou ainda mais.
- Quer saber? Não irei discutir com você. Quando chegarmos lá só não se omita. Odeio pessoas covardes. Piso nelas como se fossem vermes. — jogou seus cabelos que estavam em seu rosto para trás e saiu praticamente marchando. Zafrina me olhou e eu preferi não dizer nada, pois sinceramente não confio em nenhuma delas. Sem contar que Rosálie não está mentindo e Zafrina para ser uma veterana está totalmente sem estrutura.
Mais um dia se passou e já quase não tínhamos recursos para mantermos o Riley e eu não sabia mais o que fazer. Estou inconformada por Rassan não mandar algum grupo de busca ou sei lá, mostrar minha localização para o FBI, pois eu estava usando o chip deles, portanto eles sabem de todos os meus passos. Talvez seja isso, eles ainda estão vendo eu me mover e isso os tranquilizava de algum modo. Enfim só o que me resta é esperar e fazer o melhor pelo grupo e pelo Riley.
Já havia tentando de tudo para fazer meus rádios pegarem, mas além das baterias os aparelhos estavam danificados pela umidade. De repente Miles chega afoito pelo acampamento.
- Tem um helicóptero de busca! Ali na frente! Vamos fazer uma fogueira! Vamos fazer um sinal de fumaça! – ele gritava e todos começaram a correr em várias direções ao mesmo tempo para executarmos o que ele nos pedia. Então ouvi Rosálie gritar:
- Parem tudo! – todos pararam o que estavam fazendo e ficamos como estatua. Ela continuou: — Tem certeza disso Miles? Tem mesmo um helicóptero de busca por aqui?
- Sim eu tenho! Só precisamos chamar atenção para nós! – ele estava eufórico. De repente Rosálie correu até a barraca onde Riley estava e aparece com um foguete e o dispara no ar.
Apartir daí tudo aconteceu rapidamente, vários helicópteros apareceram, barcos lonados e isso me deu a certeza que Hassan estava envolvido pelo rio, eu sabia que ele não me faria ir de helicóptero. Havia soldados por todo lado e reconheci umas três pessoas de Hassan que logo me encaminharam para um dos barcos, respirei aliviada, pois finalmente vieram nos resgatar. O primeiro a ser levado foi Riley, pois sua situação estava bastante grave. Todo o restante do grupo foi encaminhado para hospitais inclusive eu.
Fiquei em uma parte isolada e logo recebi a visita de Lála, Hassan e Liam. Todos estavam extremamente tensos até mesmo Lála que sempre mantinha a calma.
Ela se aproximou de meu leito, passou a mão em meus cabelos, beijou minha face e disse:
- Como se sente criança? – sua voz tão suave foi como uma melodia em meus ouvidos. Eu sorri timidamente para ela.
- Estou bem Lála. – respondi e algo em minha avó me deixava fascinada, nem me lembrei em olhar ao redor. — Estou cansada, parece que um trem passou por cima de mim. – suspirei e sorri novamente.
- Você se parece tanto com sua mãe. – ela disse com os olhos brilhando. – É como se pudesse tê-la aqui novamente em meus braços. – ela me abraçou delicadamente, beijou minha testa e olhou-me profundamente. – Agora você terá que ser forte, pois o seu pai terá que saber quem você é e realmente tenho receio da reação de Charlie. Você está pronta para isso?
- Se você estiver comigo estou pronta para qualquer coisa. – eu respondi prontamente. Incrível que perto de Lála eu me sentia novamente como uma garotinha querendo somente sua aprovação. Ela sorriu docemente. – O médico já lhe deu alta, você dormiu por dezoito horas criança. – ela deu uma risadinha que foi acompanhada por mim. O que fez com que tanto Hassan como Liam se aproximassem de minha cama. Eu os olhei pela primeira vez e percebi que ambos estavam espantados. Voltei-me para Lála que continuou: — Você irá comigo para a casa de Esme Cullen, estou hospedada lá desde que fiquei sem noticias suas. Lá receberemos seu pai e prepare-se, pois o Chefe Swan não será fácil, mas antes tenho que lhe contar algo. – ela me olhou receosa. Eu só a encarei e algo me dizia que eu realmente não iria gostar do que estava por vir. Olhei ao redor e vi Hassan me olhando com atenção e Liam que estava de costas e passava mão em sua nuca. Olhei novamente para Lála. – Não me olhe assim criança, pois tudo tem um por que querida... Esse seu olhar me desmonta. – eu fiquei sem entender, mas dei de ombros.
- E iremos conversar agora sobre o que quer me contar? – eu estava muito curiosa.
- Não. Preciso de outra pessoa para fazer isso. – ela virou-se para Hassan. – Já podemos ir?
- Sim, já está tudo pronto. Só temos um Charlie Swan revirando o hospital atrás de Bella nesse momento, no entanto conseguimos despistá-lo e ele está no 8º andar nesse momento. Temos que ser rápidos. – ele disse sempre muito prático. Veio em minha direção e me deu um beijo em meu rosto. No mesmo instante Liam se aproximou e beijou minha mão.
- Eu nunca havia visto seu lado menininha com risadinhas. Isso foi interessante Bella. – Liam disse rindo e lhe dei um tapinha em seu braço. – Já sei sou um idiota mesmo. Mas lembre-se isso será usado contra você. – eu revirei os olhos e todos riram.
- Agora vamos antes que sejamos surpreendidos. – Hassan já estava ajudando a me levantar. Liam se aproximou e disse:
- Só quero que saiba que seu pai está desesperado atrás de você. Na medida do possível não deixamos vazar que tínhamos tantas pessoas desaparecidas e que o FBI era responsável.
- E por que você está aqui Liam? – eu perguntei confusa. Ele olhou para Hassan que somente o encarou.
- Por que eu estava muito preocupado e pedi a ajuda da Ong para podermos encontrá-la, quer dizer não só você, mas todo o grupo, pois só teríamos autorização do governo quando completasse um mês que estivesse dado por desaparecidos. – ele fez uma pausa e continuou. – Mas estávamos fazendo tudo o que podíamos e o que estava ao nosso alcance, principalmente seu pai, Bella. – fomos interrompidos por Lála.
- Isso me faz lembrar que você está envolvida com o menino Cullen... é verdade Isabella? – ela me perguntou sem demonstrar nenhum sentimento e me deixando incrivelmente encabulada. Logo senti meu rosto esquentando e desviei meu olhar. Ela segurou em meu queixo fazendo com que eu a encarasse novamente.
- Sim vovó. – Hassan bufou e ela o olhou com censura. Ela me deu um sorriso.
- Então mais do que nunca precisamos mesmo ter essa conversa. Vamos depressa. – com isso saímos rapidamente com uma escolta enorme. Vi uma confusão ao longe e logo ouvi a voz de meu pai ao longe esbravejando e xingando alguém. Fechei meus olhos e me deixei ser conduzida por várias mãos que me amparavam.
Eu me sentia estremecendo por dentro pensando o que minha avó tinha para conversar comigo. Seja lá o que fosse eu não tinha um bom pressentimento. Logo entramos em uma SUV preta e toda filmada. Assim que entramos Lála ligou para Esme e mesmo que não quisesse ouvi a conversa unilateral.
- Já estamos a caminho. – Lála ficou em silêncio e respondeu em seguida. – Sim tenho certeza Esme deixe tudo pronto, por favor. Não somente eu, você e Isabella. Até já. – ela me olhou e deu um meio sorriso que era uma de suas características.
- Iremos conversar com Esme? – ela afirmou com uma aceno. – Por quê? – ela fez uma expressão de desagrado.
- Chega de perguntas criança. Descanse um pouco dentro de pouco tempo estaremos lá. – ela respondeu um tanto que ríspida. Eu respirei fundo e olhei para Hassan e observei que Liam não estava mais conosco.
- Onde está Liam? – perguntei para Hassan.
- Ele precisou ficar para conter Charlie, pelo menos por um tempo. Ele queria vê-la antes de você sair novamente para ter certeza que estava bem. – Hassan fez uma pausa. – Você tem bons amigos Cigne. – ele disse com admiração.
- Os melhores. – respondi e logo o sono me tomou.
Quando acordei já estava em frente à casa dos Cullen o que me surpreendeu, pois o hospital era relativamente longe da casa. Eu olhei para Lála e ela fez um sinal para que todos saíssem, ficando somente nós duas. Ela segurou em minhas mãos, olhou profundamente em meus olhos nesse momento meu coração parecia que iria saltar de meu peito eu estava realmente apreensiva. Então ela disse:
- Só quero que saiba que a amo muito e tudo o que fiz foi para protegê-la. Entenda que seu pai também a ama. – eu passei a mão em meus cabelos em gesto de nervosismo e ela continuou: — Mesmo ele sendo tão ausente, acredite Charlie a ama profundamente. Tenha sua mente aberta e, por favor... — ela me olhou e sem seus olhos eu vi medo, o que me fez arquear as sobrancelhas em espanto. – Por favor, criança, creia só queremos o melhor para você. – só balancei a cabeça em concordância e sinceramente toda aquela conversa estava quase me fazendo vomitar de tão nervosa que estava ficando. Ela me olhou mais uma vez e bateu no vidro para sairmos.
Assim que entrei na sala eu vi Carlisle que estava abraçado a Esme sentados no sofá e do outro lado Jasper e Alice. E ele parecia bem abatido. Assim que me viu Jasper veio em minha direção, me deu um abraço apertado quase me deixando sem ar, soltei um gemido, pois meu corpo estava todo dolorido. Senti alguém batendo em suas costas e quando olhei vi Hassan com cara de poucos amigos.
- Ela ainda está dolorida de todo esforço que fez ultimamente. Dá para soltá-la? – eles ficaram se encarando e senti toda a animosidade de Jasper para com Hassan.
- Não me diga o que fazer habib. Ela é minha irmã ouviu? Minha irmã! – ele me olhou, depois levantou meus braços olhando em todo meu corpo e me abraçou novamente dessa vez um mais delicado. – Você está bem? Meu Deus! Pensei que...- ele engasgou e não completou a frase e sei que ele pensou que estava morta.
- Hey terá que me aguentar por muito tempo ainda. – passei a mão em seus cabelos que estavam uma bagunça só.
- Espero que sim! Nunca mais faça isso! Entendeu? Eu não aguento mais isso. Toda vez que você some eu fico esperando o pior! Por Deus Isabella! Isso não se faz! – ele deixou algumas lágrimas caírem. Sempre tão tranquilo, fazendo com que todos ao seu redor sempre estivessem em paz Jasper me surpreendeu dessa vez. É como se dele exalasse paz de espírito e nesse momento vê-lo tão descontrolado me deixava com o coração apertado.
- Me perdoe Jazz. Sei que é difícil para você, mas, por favor, não fique assim. – olhei por sobre os ombros de Jasper e vi Alice com os olhos cheios de lágrimas. Desvencilhei-me de dele e estendi minhas mãos para ela que se aproximou me abraçando logo em seguida. Foi muito difícil, mas eu consegui “engolir” minhas lágrimas quando ouvi o soluço de Alice. Afastei-me rapidamente deles para não sucumbir ao choro que estava preso em minha garganta.
- Então chega de todo esse dramalhão mexicano! – levantei os braços teatralmente. – Estou bem e viva! – olhei para Esme e Carlisle que estavam com os olhos marejados e ignorei esse fato me aproximando. – Me desculpem, mas Jasper é muito protetor em relação a mim. Tudo bem com vocês? – eu tentei soar descontraída, mas minha voz estava rouca. Esme levantou-se e me abraçou. Em seu abraço eu senti aquele “cheiro” de mãe o que fez com que eu deixasse uma lágrima rolar por minha face. Ela sussurrou em meu ouvido:
- Você não tem que ser forte o tempo todo querida. Está tudo bem. – e com isso me aconcheguei mais em seu abraço. – Agora está tudo bem. – ficamos um tempo assim até que Hassan fez um som como se estivesse tossindo e disse:
- Bem terei que sair, pois Charlie está causando algum problema lá no hospital ainda. – com isso ele se virou e estava saindo, saí do aconchego do abraço de Esme e fui até ele.
- Espere Hassan. – ele voltou-se surpreso. – Eu quero agradecer seu empenho e de todo pessoal para nos resgatar. Obrigada... Por tudo. – ele olhou e por um momento muito rápido eu vi um sentimento surgir em seus olhos sempre tão frios e distantes. Eu o abracei e lhe dei um beijo em seu rosto. Ele respirou fundo e tocou meus cabelos.
- Não tem de quê querida. – ele disse baixo e saiu rapidamente. Voltei-me e me deparei com Carlisle já se aproximando e me abraçando também.
- Estou muito feliz em vê-la novamente e bem filha. – fiquei surpresa em um primeiro momento, mas o abracei de volta e agradeci com um sorriso. Então olhei para todos que me olhavam com expectativa.
- Não sabia que conhecia Esme, Lála. – as olhei com curiosidade. Elas se entreolharam e Esme que respondeu:
- Sim nos conhecemos há muito tempo Bella. – ela respondeu. – Você poderia me acompanhar até lá em cima? – e antes de concordar olhei para Lála, pois estávamos ali para conversamos com alguém que eu não tinha a mínima ideia com quem iríamos conversar. Ela respirou fundo e disse:
- Vamos criança é com Esme a nossa conversa. – ela me olhou por um momento e trocou um olhar com Esme e vi resignação em seu olhar o que fez meu enjoo aumentar.
Vi que Esme já se dirigia para o andar de cima, logo Lála a seguiu não me restando alternativa a não ser segui-las, não antes de trocar um olhar com Jasper que encolheu seus ombros o que eu entendi que ele também não sabia do que se tratava.
Respirei fundo e quando cheguei à sala que Esme me indicou vi logo na entrada uma fotografia dela com uma mulher que lembrava muito minha mãe Renée. Aproximei-me e constatei que realmente era a minha mãe com Esme. Olhei para ela surpresa e ela respondeu minha pergunta muda.
- Sim essa é sua mãe. – ela fez uma pausa e pegou um álbum de fotos e me entregou. – Nos conhecemos ainda adolescentes no ensino médio e nos tornamos inseparáveis. – ela focou seu olhar em um ponto qualquer enquanto contava algumas coisas que aconteceram com elas enquanto eu estava folheando o álbum e vi minha mãe e Esme em várias ocasiões, tinha até uma em um baile de Halllowen. Elas estavam sempre sorrindo e tinham muitas engraçadas. Percebi que Renée era extremamente engraçada. Enquanto isso Esme continuava a contar estórias sobre minha mãe o que me fez rir com algumas e em outras ficar até chocada com suas travessuras. Olhei para minha avó e percebi que ela estava muito emocionada. Em um determinado momento vi uma foto de minha mãe, Esme e um homem que parecia Aro. Antes de perguntar ela olhou para a foto e disse:
- Conhecemos Aro Volturi no terceiro ano de faculdade. Quer dizer ele se aproximou de Renée nessa época e claro apaixonou-se loucamente por sua mãe. – ela revirou os olhos e eu fiquei extremamente surpresa. – Eles chegaram a namorar depois de algum tempo, terminamos o curso de Jornalismo e Renée resolveu voltar ao Irã terminando o relacionamento com ele o deixando arrasado. – voltei a olhar o álbum e ela continuou falando. Algumas vezes dispersava meus pensamentos vendo aquelas fotos de minha mãe. De repente ouço algo que me deixou alerta.
-... Mas sempre estávamos em contato. Quando engravidei mandei muitas fotos de minha barriga imensa, pois Edward era um bebê imenso. – ela riu e continuou. – Quando ela conheceu seu pai o conheci através de fotos e até nos falávamos por telefone e mesmo eu estando na Rússia isso não era problema algum. Quando ela engravidou de você Edward estava com 05 anos e foi uma emoção tremenda! Combinamos e conseguimos nos encontrar na Hungria, pois Misha tinha negócios para resolver por lá. Passamos uma semana inteira juntas e era como se nunca tivéssemos nos afastado. – ela suspirou. – Sua mãe se apaixonou por Edward e ele por ela. Ele sempre foi muito tranquilo, um garoto muito doce.....- e ela continuou falando, mas algo gritava em minha mente, Edward, Misha, Rússia. E de repente a verdade veio como uma avalanche sobre mim. Ela, Esme era a amiga que minha mãe foi ajudar. E ela morreu por causa dessa grande amizade. Levantei-me rapidamente fazendo com que Esme e Lála se assustassem. Eu as encarei e vi quando entenderam que eu já sabia.
Fui até a janela e olhei a paisagem lá fora pensando se Edward sabia de tudo isso. Estávamos em silêncio, acredito que poderíamos ouvir o som lá fora no quintal se realmente quiséssemos, a tensão naquela sala era quase palpável. Por fim perguntei ainda de costas.
- Ele sabe? – ainda o silêncio. – Eu perguntei se Edward sabe de tudo isso? – eu quase gritei dessa vez.
- Não Isabella, ele não sabe... Ainda. – Lála quem respondeu e eu a encarei. Ficamos em um duelo, nos enfrentávamos através do olhar. Por fim ela desviou os olhos primeiro. Não sei o que pensar de tudo isso, não sei o que sentir com toda essa revelação, mas uma coisa eu sei eu teria que falar com Edward.
- E onde está Edward? Ele não sabe de meu desaparecimento? – falei com Esme.
- Ninguém sabe Bella. O FBI passou para todos que o seu grupo estava em outra missão e ele está com um problema sobre os curdos e uma senadora. – Esme que respondeu. Eu olhei para ambas e foi como se as visse pela primeira vez. Esconderam esse fato por tanto tempo, para que? Elas me olhavam apreensivas.
Por isso Charlie me afasta tanto de vocês. — eu afirmei. – Mas por que ele tem Edward como um protegido? Ele sabe... Claro que sabe que Edward é seu filho. – eu olhei para Esme com acusação em meu olhar. Ela me olhava com temos e naquele momento eu nem sabia que tipo de sentimentos eu tinha em relação a toda essa situação. Minha mente estava em um turbilhão, vários pensamentos e sentimentos me consumiam, no entanto um predominava: senti-me manipulada, enganada. Por Charlie, por Lála, por Esme, por Aro até mesmo por Liam! Todos sabiam de tudo e nunca me contaram. Tudo em que eu acreditava tudo em que investi meu tempo, me dediquei naquele momento pareceu uma grande mentira! Eu passei as mãos por meus cabelos nervosamente sem ter ideia do que fazer. Sentia-me dormente, bêbada, como se tudo isso estivesse se passando com outra pessoa.
N/B: Que capítulo foi esse? Amei super curiosa. E alguém avisa pra Bella que o que ela sente é amor? Ela só se preocupou com ele em vários momentos.
Notas finais
PS: A segunda parte do capítulo está quase pronta e por favor, não desanimem.
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