All Wed Ever Need
20 Capítulo 20 - Eu sei quem você é
Notas iniciais
Vários pensamentos passavam em minha mente, está tudo muito confuso, não consigo compreender por que só agora estou sabendo de tudo isso. Senti um peso esmagando meu peito, sentia-me sufocando. Por quê?
– Por que só agora vocês estão me contando tudo isso? – eu perguntei diretamente para Lála. Ela ficou em silêncio por um momento, por fim suspirou e respondeu:
– Por que Charlie está para descobrir que você é Cygne e não sabemos do que ele será capaz quando descobrir. – ela disse por fim friamente. Esme levantou-se no mesmo instante e disse:
– Não é só por isso, querida. Mas também por seu envolvimento com Edward, por tudo o que você significa na ONG e para nós. – Esme tentou melhorar a situação, mas eu percebi que a única preocupação de Lála era com a ONG. Eu balancei a cabeça não acreditando no que havia acabado de ouvir e percebi que tudo o que realmente importa para Adilah é sua causa, sua religião e seus ideais. Dirigi-me novamente à Lála.
– Você não se importa com nada além de si mesma! Só pensa em seus ideais, em seus... — fui interrompida nesse instante por Lála.
– Ora não me venha com lições de moral, criança. – ela disse duramente. Percebi naquele instante que eu nunca havia me deparado com essa faceta de Adilah. – O que você sabe da vida? Nada! Vive nesse mundinho de querer agradar um pai ausente e tentando ser uma heroína de revista em quadrinhos. Faça-me o favor! – enquanto falava sua voz não se elevava uma oitava e parecia que estava apenas discorrendo sobre o tempo. – Você nem sabe por que entrou nesse mundo, não sabe o que é perder tudo ou ver pessoas matando para comerem um pão embolorado. Não sabe o que é ver entes queridos serem torturados e mortos na sua frente. Então, por favor, sem chiliques e comporte-se como a pessoa que foi treinada para ser. –ela disse em um tom comedido. Aquilo fez com que meu sangue fervesse, mas eu não lhe daria o gosto em ver-me perder o controle. Olhei para o outro lado da sala e Esme estava com os olhos arregalados e a mão sob seu peito.
– Como pode afirmar que nunca perdi nenhum ente querido? Em tudo isso eu perdi meus pais! Sim, pois no dia em que minha mãe faleceu meu pai também morreu me deixando órfã. – eu a olhei firmemente e continuei: — Não é por que não sou uma fanática religiosa ou uma extremista política que tem o direito de falar comigo desse jeito. Agora percebo que nem me conhece realmente. Não sabe quem é Isabella Marie Swan e na verdade nem eu mesma sei por isso estou me desligando da ONG e de tudo que diz respeito a todo esse circo. Irei atrás de meus próprios ideais. – estava saindo quando ela disse em um tom ameaçador:
– Você tem compromissos com a ONG e sentimentalismo barato não nos levará a lugar algum... — eu a interrompi.
– Tenho compromissos financeiros e os quais não irei voltar atrás se é com isso que está preocupada, pois saiba que o dinheiro é o que menos me importa. – foi quando algo me veio à mente. – Alias só veio me procurar por causa do dinheiro, não é isso? Sabia que eu teria como manter toda essa situação. Você é doente! – respirei fundo, sentia que meu coração iria sair pela boca. – Como pode falar de sentimentalismo barato?! – eu bati em meu peito com força e continuei: — Aqui dentro tem sentimentos que posso lhe garantir não tem nada de barato. – Lála revirou os olhos.
– Sem dramas Isabella, sem choro também. – nesse momento eu pensei que preferia arrancar meus olhos a chorar na frente dessa mulher que por tanto tempo me enganou. E antes que ela continuasse sai correndo, pois aquele lugar estava me sufocando. Eu só tinha uma preocupação agora, como contar tudo isso a Edward. Se é que seria o certo contar tudo isso nesse momento. Meu peito se apertou, senti-me perdida e sem ter ideia do que fazer. Meu único desejo nesse momento era voltar para casa, para Forks. E eu faria isso. Desci as escadas praticamente correndo e quase derrubei Carlisle que estava de passagem. Olhamos-nos e senti seu olhar de compaixão me fazendo quase sentir náuseas, pois há muito tempo eu não sabia o que era isso, não gosto que sintam pena de mim. Ele segurou em meu pulso e disse:
– Espero que me perdoe, mas não era minha estória para contar Bella. Sempre a procuramos para podermos saber de você, cuidar de você, pois Esme prometeu a sua mãe que cuidaria de você, mas... — eu afastei de seu contato.
– Por favor, Carlisle, me poupe. No momento não tenho cabeça para nada disso. – e sai, pois estava sem ar. Ainda olhei para o topo da escada e Esme descia correndo as escadas, em seu rosto havia lágrimas que sinceramente não me tocaram. Sai correndo pela porta e ainda ouvi Esme me chamando. Estava no jardim quando me deparei com Fred, nos olhamos por um instante que pareceu uma eternidade, por fim ele sorriu e abriu os braços para pegá-lo em meu colo. Claro que não resisti e como me trouxeram eu estava sem carro e decidi andar pela praia, mesmo por que precisava de ar. Sentia-me dentro de um furacão, fatos de minha infância antes de minha mãe falecer, passeando na barca em Seattle no fim de tarde. Na floresta em Forks quando fazíamos picnic eu, minha mãe e meu pai. De repente veio uma lembrança de um homem na barca com minha mãe e essa lembrança me acertou como um soco no estomago. Esse homem era Aro Volturi. No mesmo instante tive que me sentar, pois minhas pernas fraquejaram.
Aos 13 anos fui diagnosticada com hipermnésia* por um dos médicos aqui da Academia. Os fatos passados eu praticamente os vivenciava com bastante exatidão. Tenho grande facilidade para recordar datas, nomes e números. E esse fator foi diagnosticado como uma patologia que não havia tratamento e durante algum tempo fui tratada como esquizofrênica, pois me desligava do presente e por vezes eu até mesmo lembrava-me dos diálogos os repetindo. Isso foi até conhecer Liam e ele me encaminhar a um especialista que deu seu laudo que eu sofria de hipermnésia, que tinha memória fotográfica e um QI acima da média. Vejo hoje em dia que o que os médicos consideravam uma patologia eu considerava como um presente, pois conseguia praticamente reviver épocas em que realmente fui feliz, no entanto agora as memórias me assaltavam e houve uma verdadeira tempestade de imagens, conversas, pessoas. Vi Fred me olhando com intensidade e parecia que ele estava entrando em minha mente quando de repente tudo foi ficando cada vez mais confuso e escureceu.
Acordei confusa, ouvia um bip em minha cabeça e o primeiro pensamento que me veio foi que eu havia enlouquecido de vez. Abri meus olhos e percebi que estava em um hospital, vi meu pai dormindo em uma poltrona ao lado de minha cama. Estava com uma agulha imensa perfurando meu braço, bem não é tão enorme, mas estava incomodando bastante. A porta se abriu lentamente e Carlisle entrou fazendo com que Charlie acordasse.
– Bella! Finalmente acordou filha! – ele parecia bem apreensivo, olhei para Carlisle e ele me analisava, desviei o olhar e perguntei ao meu pai:
– Por que estou aqui? Onde me encontraram? – estava confusa. – Faz quanto tempo que estou aqui? Cadê o Fred? – senti meu estomago roncar e sei que eles ouviram, pois sorriram e senti meu rosto esquentar.
– Você está aqui desde ontem. E foi Fred que nos levou até você que foi encontrada na praia perto de casa. – Carlisle respondeu calmamente.
– Obrigada Dr. Cullen. – eu respondi polidamente.
– Não precisa de toda essa formalidade entre nós Bella. – eu simplesmente ignorei sua resposta e me dirigi ao meu pai.
– E o que o senhor está fazendo aqui? – a pergunta saiu em tom rude o que sinceramente não era minha intenção.
– Como o que eu estou fazendo aqui? Eu sou seu pai mocinha! – ele disse elevando a voz o que fez com que Carlisle o olhasse com desaprovação. – Desculpe Carlisle. – ele me olhou e eu realmente vi sua preocupação ali. Segurou em minha mão, a que estava sem a agulha e continuou: — Não sei o que está havendo, mas eu irei descobrir Isabella. Você tem algo para me dizer? – eu revirei meus olhos. – Vejo que já conhece Carlisle. Conhece também Esme? – ele me perguntou com receio. Eu o olhei profundamente e pela primeira vez eu vi o poderoso Charlie Swan envergonhado. Ficamos em um silêncio incomodo, quando ouvi Carlisle limpando a garganta.
–Creio que temos muito que conversar, mas aqui e agora não é o melhor momento. – Carlisle estava extremamente tenso,assim como eu, pois sei que Charlie ainda não sabe de minha participação na ONG. Nesse momento ouvimos uma batida na porta e novamente meu coração disparou o que fez Charlie me olhar com desconfiança. Logo Liam colocou a cabeça no vão da porta e me lembrei de que ele também omitiu toda essa situação com minha avó e meu pai de mim. Olhei para Carlisle e disse:
– Por favor, Dr. Cullen eu estou cansada e gostaria que todos saíssem do quarto. – ele me deu um olhar triste e Liam disse:
– Nós podemos conversar primeiro? – ficamos nos olhando e naquela troca ele soube o quanto eu estou magoada, ferida e que me sentia traída não só por ele, mas por todos.
– Como já disse, estou muito cansada e no momento não quero falar com ninguém. – antes de ele continuar, eu perguntei: — Jasper também? – meu pai e Carlisle nos olhavam como em uma partida de tênis de um lado para o outro.
– Não Isabella. Ele não. – Liam respondeu sucinto e continuou: — Melhor conversarmos quando estiver melhor. – ele me olhou profundamente e eu desviei o olhar. – E antes que me esqueça, Edward está te procurando como um louco, pois ele me disse que você ficou com algo para desenvolver para a equipe dele. – até respirei mais aliviada, pois até agora ninguém havia me dito nada sobre Edward e eu não queria perguntar diretamente.
– Ele irá demorar a voltar? – Lhe perguntei e Liam deu um meio sorriso. Idiota se pensa que irei engolir essa traição.
– Acredito que a semana que vem. Como ninguém sabe o que houve com vocês ele também pensa que você estava em outra missão. Então se você quiser eu posso... — eu o interrompi.
– Não precisa fazer nada. Eu só quero que Jasper venha até aqui. – olhei para Carlisle que fingiu escrever algo em meu prontuário, assim penso eu.
– Eu não sairei daqui Isabella. Não precisa conversar comigo, mas não sairei daqui até ter a certeza que realmente está recuperada. – Charlie olhou para Carlisle e perguntou: — Afinal de contas o que ela teve? – sua curiosidade refletia a minha.
– Acredito que foi estresse devido a tudo que houve no acampamento, a má alimentação, enfim uma série de fatores contribuíram para que isso ocorresse. Fiz vários exames e todos estão ótimos. Foi como sua mente resolveu lhe dar descanso. – ele passou a mão em meus cabelos. – Agora fique de repouso e amanhã já estará de alta. – ele e Liam saíram me deixando sozinha com meu pai. Um silêncio desconfortável foi crescendo entre nós. Ele me olhava apreensivo, meu coração começou a disparar e o bip a apitar, tudo que eu aprendi todas as técnicas para não demonstrar minhas emoções foram apagadas de minha memória. Fechei meus olhos na tentativa de me acalmar quando senti a mão de Charlie sob a minha.
– Acalme-se Isabella. Não fique assim tente relaxar, afinal de contas tem que saber controlar suas emoções. – Charlie tentou ser engraçado, mas só conseguiu me deixar muito irritada.
– É só o que sei fazer, foi só o que fiz minha vida inteira, controlar minhas emoções. – respondi com azedume e fechei meus olhos. Ele calou-se. Ouvi seu suspiro.
– Pensei que havia te perdido filha. – ele disse baixinho e eu continuei com os olhos fechados. – Sei que não tenho sido um bom pai, mas... Eu a amo... muito. – ele apertou minha mão e senti a sua mão trêmula. – Me perdoe... Por tudo. — eu apertei sua mão de volta, mas não abri os olhos, pois se assim o fizesse com certeza iria cair em prantos e sei que meu pai não saberia lidar com isso. Esse foi meu último pensamento, logo a inconsciência me tomou.
Acordei com meu pai ainda em meu quarto, mas uma trégua havia sido estabelecida entre nós, ou seja, eu não o atacava com palavras desagradáveis e ele não me criticava, não o tempo todo. Quando Jasper chegou com Alice não conseguia falar o que precisava, mas ele me compreendia com apenas um olhar e logo percebeu que havia algo errado. Por fim não aguentando mais a situação, pedi com que Charlie e Alice nos deixassem a sós. Contei tudo o que havia acontecido e ele ficou estarrecido. Sabia que estávamos sendo monitorados e com certeza ouviam nossa conversa, mas precisava deixá-lo a par de tudo. Contei os meus planos e tudo que precisava para que pudesse executá-los.
– Só uma coisa Bella... E o que você irá falar com Edward? — eu o olhei como se não tivesse entendido e ele continuou. – Pelo que sei vocês estavam meio que tendo algo... — eu dei de ombros e disse:
– Bem isso foi antes de tudo o que eu descobri você sabe não há menor possibilidade de prosseguirmos com que quer que tenhamos começado. Está tudo muito confuso no momento acredito que o melhor é eu me focar em minha carreira e preparar toda a minha mudança e se tiver que ser o tempo irá nos dizer. Me mudarei logo após a formatura. Por favor, prepare tudo e legalize tudo com a ONG, não quero mias vínculos, o que me lembra que preciso falar com Garret. Sabe por onde ele anda? Já resolveram tudo sobre aquela última missão? – Jasper me olhou com pesar e ficou em silêncio por um momento que acreditei ser longo. – O que aconteceu? – perguntei e ele suspirou.
– Garret e sua equipe foram dados como desaparecidos desde anteontem. – ele me olhou apreensivo e eu senti meu estomago revirar.
– E agora? O que Hassan está fazendo? – isso não poderia acontecer agora.
– Ainda não sei, mas acredito que estão procurando por eles. – então Charlie bateu à porta e perguntou:
– Tudo certo por aqui? – vi a cabeça de Alice logo atrás e sorri para Jasper.
– Pode entrar Alice, sei que tem muitas coisas para perguntar, mas devo lhe dizer que não poderei saciar sua curiosidade, pois são confidenciais as informações... — e Alice me interrompeu.
– Você sabe que não é sobre isso que quero saber, no entanto esse não é o melhor momento para conversarmos sobre o que aconteceu. – ela deu uma olhada significativa para meu pai.
– Claro... Assim que possível conversaremos sobre o que quiser, agora se me derem licença eu realmente gostaria de falar com o Dr. Cullen, pois ele disse que hoje eu já estaria de alta. – Alice sorriu e meu pai a acompanhou.
– Exatamente isso que viemos lhe falar. Meu pai já assinou sua alta e ele pediu para avisá-la que tudo o que você precisa é descansar por uns três dias e... — nesse instante Carlisle entrou no quarto.
– Vocês não acharam que eu não iria vir conferir como minha paciente favorita está não é? – ele sempre foi muito gentil e pensando friamente sobre o caso Carlilse não tinha nada com toda essa estória. Eu sorri para ele, nada demais, no entanto senti certo alivio vindo dele.
Depois de todas as recomendações e receitas de polivitaminicos, como minha casa estava finalmente pronta já poderia aproveitar de meu conforto.
Fui para minha nova casa com Jasper, Alice e meu pai. Lá tinha uma pessoa que ficaria comigo, seu nome é Renata e ela seria a responsável por toda a casa e que Jasper deixou com minha baba. Ela deveria ter no máximo quarenta anos, cabelos avermelhados na altura dos ombros, olhos verdes e muito bonita. Olhei toda a casa com Renata me mostrando tudo. Só havia um lugar que ninguém poderia entrar que é no subsolo, até senha tinha que sempre é a mesma, desde sempre. Antes de todos irem embora avisei Jasper que precisava de noticias de Garret e todo o grupo e ele me tranquilizou dizendo que assim que ele soubesse de algo eu seria informada no mesmo instante. Agradeci a atenção de Renata e me tranquei em meu “fort”. Assim que chamo meus abrigos havia outro praticamente igual em minha casa em Forks. Aqui eu tenho acesso a tudo, desde o que acontece dentro de minha casa até o que acontece no mundo com todo o tipo de informações, computadores de última geração e acesso a tudo que eu preciso. Mas no momento tudo o que eu quero fazer é dormir. E assim foi durante três dias. Eu acordava, tomava banho comia algo e dormia novamente. Estava deitada em minha cama deliciosa quando ouço Renata me chamando.
– Bella, com licença. Ligação para você. – eu a olhei interrogativamente. Ela tampou o bocal do aparelho e disse:- Seu pai. – eu revirei meus olhos e ela deu uma risadinha que acabei acompanhando. Ela saiu me dando privacidade para conversar com Charlie.
– Pois não. – eu disse.
–Fale direito comigo Isabella. — Charlie disse rabugento.
– Pois não papai. – eu disse com ironia.
–Sabe qual foi o meu mal Isabella? – ele perguntou e logo tratou de responder. – Não ter te dado umas boas palmadas. — ele disse tentando brigar, mas hoje eu não iria fazer seu jogo.
– Vá direto ao ponto senhor Vice-diretor. – eu disse e pelo meu tom ele percebeu que agora falava a sério.
– Preciso que você venha prestar sua declaração sobre o que aconteceu no acampamento. Estamos com um processo administrativo preciso levantar todos os dados. Sei que está de licença até amanhã, mas eu realmente preciso que venha ainda hoje. – ele respirou fundo.
– Ok. Que horas? – eu perguntei. Não poderia mais adiar essa situação, então quanto antes resolver melhor será. Ficamos um longo momento em silêncio por fim eu perguntei. – Pai? Você ainda está aí? – estranhei o silêncio, por fim ele disse:
– Irei mandar um carro buscá-la daqui trinta minutos. Esteja pronta. – e simplesmente encerrou a ligação sem sequer se despedir. Mas se ele pensa que eu iria receber suas ordens ele estava muito enganado. Bufei e me arrumei rapidamente colocando uma roupa qualquer e saindo logo em seguida.
Devo confessar algo que me incomodava e muito, eu não dirijo muito bem. Sim isso é uma vergonha, mas a direção de carro é um total mistério para mim. Mas nunca alguém irá ouvir essa informação sair de minha boca. Ir até a Academia foi um desafio, mas cheguei e logo avistei um Charlie furioso vindo em minha direção me olhando com reprovação e o que me deixou admirada um certo ar de divertimento. Ficamos nos encarando e por fim ele disse:
– Custa fazer o que eu peço para você fazer? – ele disse mal humorado.
– Você nunca pede, sempre manda. Então como não sou uma filha obediente prefiro desobedecê-lo. – ele deu uma risadinha e eu bufei irritada. Ele balançou a cabeça e disse:
– Você me lembra tanto sua mãe quando diz essa coisas. – ele não demonstrou dor ou amargura ao dizer isso o que me surpreendeu, pois todas as vezes que eu fazia algo que o lembrava de minha mãe, ele se fechava em sua dor. Tentei não demonstrar minha surpresa e fui caminhando à sua frente.
– Vamos ao que interessa pai. – eu disse simplesmente e lhe dei um sorriso sem dentes o que o deixou muito surpreso. – E vamos logo antes que eu me arrependa em ter vindo hoje. – ouvi sua risada baixa e confesso que sentir meu peito aquecer com isso.
As próximas horas foram muito difíceis, pois os depoimentos eram baseados em cima da denuncia de Rosálie em que afirmava que Zafrina foi omissa em sua função. Estávamos há horas, já sentia fome, queria comer minhas jujubas, ou qualquer outro doce e ainda teria algo como uma acareação entre eu, Rosálie, Zafrina e o Sargento Miles, pois algo não estava batendo em um dos depoimentos. Isso durou cerca de três dias em que fiquei totalmente isolada sem contato com ninguém a não ser a insuportável da Victória, Liam, Marcus e um oficial dos fuzileiros. Nem um telefone eu estava podendo usar o que já estava achando um exagero. No final do terceiro dia foi avisado que a acareação seria no dia seguinte e que teríamos mais algumas pessoas conosco.
Acordei cedo, tomei um banho e coloquei uma roupa que deixaram em cima de minha cama. Uma calça de moletom azul marinho, uma camiseta de manga longa branca, um par de meias, uma calcinha minúscula e um top para usar com a camiseta, além de um par de tênis . Fiz uma trança embutida em meus cabelos que estavam muito longos o que me fez lembrar que tenho muitas coisas para fazer assim que sair dessa prisão em que me colocaram. Ficaria um dia inteiro para fazer depilação, cabelo, unhas, etc. Ah, como amo esses cuidados com meu corpo!
Ouvi um barulho na porta e me coloquei e de pé.
– Finalmente irei sair do cárcere privado! — eu disse com ironia.
– Pra você vê como fez falta, ninguém sabe que está aqui. – a insuportável da Victória disse. Ela me olhou com desdém.
– Você está mesmo falando comigo? – eu perguntei a ela. Estava com um ar de superioridade, mas a sua afirmação fez meu coração ficar apertado, pois ao que parece quem eu mais queria que estivesse preocupado comigo não havia voltado ainda e nem sequer sabia o que estava acontecendo. No mesmo instante minha consciência me acusou de egoísta, pois Edward estava tentando resolver a situação de pessoas que poderiam ser executadas se voltassem para seu país. Respirei fundo e falei a Victória: — Só dirija a palavra a minha pessoa se eu te perguntar algo até então permaneça em sua insignificância. – sai do quarto lhe dando um empurrão com meu ombro. Me odiava quando fazia isso com alguém, mas ela bem merecia. Um agente ia a minha frente e eu o seguia sendo escoltada pela víbora ruiva. Quando cheguei ao corredor encontrei com Miles que me deu um meio sorriso que correspondi. Quando iria me sentar fomos chamados para entrar na sala. Assim que entramos notei a sala bem arejada e muito grande. Logo vi Zafrina de um lado e Rosálie de outro. Havia algumas outras pessoas mais afastadas, mas me foquei em um par de olhos que queimavam em minha pele no fundo da sala. Meu coração estava para sair por minha boca, sentia o sangue latejar em meus ouvidos, minha cabeça girava e comecei a sentir falta de ar. Ele estava mais lindo do que quando o vi pela ultima vez e isso fazia mais de mês. Ouvi alguém falar comigo e depois tocar em meu braço, por fim consegui me desligar dos olhos de Edward e prestei atenção no que Miles me dizia.
– Venha, sente-se aqui. – ele me segurou pela cintura. – Você está muito pálida, parece que irá desmaiar a qualquer momento. – ele ainda me amparava quando ouvi a voz de Edward, que parecia veludo e mel**, suave e doce e ao mesmo tempo firme.
– Por favor, sargento pode ir até aquele lado que de Isabella cuido eu. – ele se aproximou e me senti ainda mais fraca. Entendi como o Superman se sente perto da criptônita. Minhas pernas estavam fracas, sentia-me trêmula, minhas mãos suavam, estava com dificuldade em respirar. Que vergonha! Começou a juntar pessoas ao meu redor o que fez meu estado piorar.
– Saiam todos de perto! Estão deixando Bella ainda mais nervosa. — Edward estava passando a mão em minha cabeça, pois meus cabelos estavam presos e minha vontade nesse momento de deitar minha cabeça em seu ombro, fechar meus olhos e dormir. Ouvi a voz de meu pai ao fundo.
– Mas o que está acontecendo aqui? O que você fez a minha filha Cullen? – Charlie estava furioso, mas não conseguia abrir meus olhos.
– Respire Bella. Vamos, garota respire fundo. – senti o toque de Edward em meu rosto o que fez minha pele formigar. Céus! Eu estava dando um show em plena sala de interrogatório.
– Saia de perto de minha filha Cullen! – a voz de Charlie parecia um trovão. Eu realmente queria abrir meus olhos, porém me sentia letárgica.
– Cale já sua boca Charlie! Veja como ela está abatida! Quem estava cuidando dela? Seu irresponsável! – ouvi Edward dizer ao meu pai e mais uma série de impropérios. Aos poucos estava sentindo novamente meu corpo.
– Por favor, parem já com isso. – eu disse fraca. Minha voz em um sussurro.
– Oh, Bella! – senti Edward colocar meu rosto em seu peito.
– Eu já disse para você soltá-la seu aproveitador. – ouvi Charlie rosnar. O que eu perdi entre esses dois? Será que meu pai descobriu o que havia entre nós dois? Finalmente consegui abrir meus olhos e me deparei com os olhos ansiosos de Edward e logo meu pai apareceu em meu campo de visão. Ouvi um suspiro de alivio de Edward. Tentei sorrir e acredito que saiu mais como uma careta, pois ele disse:
– Shiii, não tente falar querida, por enquanto. – ouvi meu pai bufar. Olhei adiante e vi várias pessoas nos olhando.
– O que está havendo Edward? – eu o olhei confusa.
– Você meio que desmaiou, mas irei levá-la até a enfermaria... — Charlie o interrompeu.
– Irá nada. Eu irei levar minha filha até a enfermaria. – ele disse alto e Edward ficou rígido no mesmo instante.
– Não irá não. Você tem que ficar aqui enquanto eu resolvo isso com Isabella e assim que ela estiver melhor nós voltaremos. – ele fez uma pausa olhou atrás de meu pai e continuou: — Você tem que dar um jeito naquela bagunça ali. – e apontou com o queixo para uma discussão entre Zafrina e Rosálie. Ele voltou a me olhar e vi preocupação genuína em seu olhar. Eu devo mesmo estar com uma aparência péssima.
– Eu irei acabar com aquilo e os encontrarei no ambulatório. – Charlie me olhou com preocupação, depois se voltou a Edward: — Tenha cuidado rapaz ela ainda está fragilizada. – eu revirei meus olhos e Edward deu uma risada baixa.
– Pode deixar chefe. – Edward disse em um tom solene.
Ele me pegou em seu colo e eu recostei minha cabeça em seu peito. Ainda pensei em protestar, mas estava tão bom sentir seu calor tão perto de mim. Abri os olhos e comprovei que Edward estava realmente me levando ao ambulatório médico.
– Hey! Pare! Está mesmo me levando ao ambulatório? – eu tentei sair de seus braços, mas ele só me apertou mais de encontro a ele.
– Claro que sim Isabella! Você está pálida como uma vampira e já sei de tudo o que houve com você nesse último mês. Então por favor, colabore sim? – ele disse impaciente. Eu olhei em seu rosto e me distrai com tamanha beleza. Seu nariz afilado, sua mandíbula forte, seus lábios tão vermelhos, suas sobrancelhas tão grossas e seus olhos tão profundos. Azuis. Apartir de agora minha cor preferida em todo o mundo seria o azul. Eu suspirei ele me olhou com um meio sorriso arrogante.
– Está suspirando assim por minha causa Bella? – eu lhe dei um tapinha no ombro.
– Arrogante. Coloque-me já no chão, pois não estou doente. – eu resmunguei e fiz questão de mudar de assunto, pois Iria me delatar com certeza se ele insistisse. Então Edward me deu um olhar debochado suas sobrancelhas ficaram arqueadas e os olhos arregalados em uma expressão engraçada, o que me fez dar uma risadinha. – Idiota. Sabe muito bem o que eu quis dizer. – eu apertei meu rosto em seu peito e ele encostou o rosto em minha cabeça.
– Senti tanta saudade Guapa. – ele sussurrou. – Fiquei louco de preocupação. Eu não sabia o que havia acontecido com você até ontem quando fiquei a par de tudo. – ele beijou minha testa, eu fechei meus olhos para apreciar melhor o contato. – Me perdoe. – não pude responder por que chegamos ao ambulatório e logo uma enfermeira veio me atender. Como viemos pelo corredor reservado para os funcionários não encontramos com ninguém, mas fiquei preocupada com as câmeras de segurança. Não consegui falar mais nada, por que a enfermeira colocou Edward para aguardar do lado de fora da sala enquanto fazia a triagem e aguardava o médico chegar. Assim que o médico entrou Edward entrou junto e disse que era ordem de meu pai que chegou logo em seguida. Senti-me uma criança que ia ao médico e não sabia falar o que sentia então quem fala são os pais. Por fim o médico pediu para que eu explicasse o que estava sentindo. E logo chegou a conclusão que eu estava ainda estressada e minha pressão havia baixado um pouco. Já poderia participar da acareação segundo o médico, mas Charlie e Edward não queriam que eu participasse. Tive que praticamente fazer birra e ameaçá-los para poder participar. Por fim Edward conseguiu convencer meu pai ir na frente e assim que ficamos a sós ele disse:
– Eu não sei o que está acontecendo Bella, mas não estou gostando. Você tem algo a me dizer antes de voltarmos e ficarmos lá dentro daquela sala sabe-se lá por quanto tempo? – ele me olhou com tanta intensidade e sem perceber despejei tudo sobre ele.
– Eu sinto muito por tudo que irei te dizer, mas irei resumir ao máximo que puder... Eu faço parte de uma ONG, tenho dupla nacionalidade e trabalho juntamente com o governo dos EUA intermediando um conflito com o Irã. – enquanto eu falava ele me observava atentamente, mas não parecia chocado o que me deixava bastante confusa e antes de terminar meu relato ele disse:
– Eu sei quem você é Cigne. – e me deu seu sorriso torto preferido.
Senti um buraco em meu estômago. Como assim ele sabe quem eu sou?!
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