All We Ever Do Is Say Goodbye
16 Capítulo 16
"Às vezes, você tem que chegar ao fundo do poço para perceber o que você tinha."
(Onde O Amor Está)
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Eu não lembrava como tinha vindo parar na minha cama. A última coisa que eu lembrava era Dougie saindo da varanda, puxando Ally junto, após a confissão feita por Jess, que me fez beber ainda mais Tequila.
A minha cabeça doía. Maldita ressaca. Abri devagar os olhos, deixando-os se acostumarem com a claridade que entrava no quarto. Jess ainda dormia numa cama improvisada no chão, tranquilamente.
– Não me olhe enquanto eu durmo! — Jess me repreendeu, após eu ficar presa em meus pensamentos sem perceber que ainda a olhava. Eu ri.
– Desculpa, não era a minha intenção. — respondi. — Eu sei que eu sou linda! — ela rebateu, agora mais acordada. — Nossa. — ela colocou a mão na cabeça, provavelmente sentindo dor, assim como eu.
– Ontem foi tenso. — completou. — Em falar sobre ontem, eu lembrei: que história é essa de você e o Tom se pegando? — perguntei, curiosa.
– Você fala como se isso acontecesse ainda. Foi só uma vez. Tá, duas vezes. E foi há muito tempo atrás! — ela revirou os olhos ao perceber a minha cara de surpresa. — Mas Jess, rola alguma coisa ainda. Nem que seja tesão reprimido. — eu ri e Jess tacou seu travesseiro na minha direção, me acertando.
Ouvimos alguém bater na porta e logo descobrimos ser os meninos. Cobri meu rosto com a coberta, tentando me esconder. Danny, Tom e Harry jogaram-se em cima da gente, fazendo cócegas.
– Danny, por favor, pare! — ralhei, rindo. — Ok, ok. Eu vou levantar! — dei-me por vencida.
– Esperamos vocês na praia. Vamos começar o nosso luau de dia mesmo. — Harry disse, fazendo-nos rir.
Não demorou muito e logo Jess e eu nos arrumamos. Peguei o meu biquini branco na mala, jogando um short jeans por cima e colocando o óculos escuros. Jess, por sua vez, colocou seu biquini roxo e uma saída de praia.
De longe, víamos Danny com seu violão cantando alguma coisa ininteligível e Tom atrás dele, dançando de uma forma ridiculamente engraçada. Harry passou correndo pela gente, juntando-se a eles.
Assim que chegamos mais perto, descobrimos que Danny fazia uma versão "afeminada" da música Call Me Maybe, fazendo a gente rir ainda mais daquela cena.
– Hey, I just met you... And this is crazy...– Danny cantava, enquanto sentávamos na areia, de frente para ele. — But here's my number, so call me, maybe?– ele fazia caretas enquanto continuava a letra. Tom ainda dançava de uma forma estranha, totalmente particular e Harry fingia tocar uma bateria invisível no ritmo da música.
– Sério, vocês tem problemas! — impliquei.
– Ei, cadê a fogueira? — Jess perguntou, procurando algum vestígio de fogo.
Passamos o dia inteiro assim, sentados numa roda, cantando qualquer música que viesse em nossa mente. Minha mãe trouxe algo para comermos muitas vezes ao longo do tempo em que estivemos ali.
Quando começava a escurecer, Ally e Dougie se juntaram a nós. Vez ou outra, ele também cantava com os meninos.
– Se eu fosse você, iria falar com ela. — sussurrei para Tom, que observava Jess próxima ao mar. Ele me olhou, como se quisesse confirmar o que eu realmente havia dito.
– Ela sente atração por você, Tom. — completei. — Eu conheço a amiga que tenho.
Eu observei Tom se levantar e caminhar até ela. Depois, vi Harry e Danny brincarem de luta e ri, vendo-os cairem na areia. Ouvi uma melodia começar a tocar próximo a mim, fazendo com que eu olhasse para identificar de onde vinha. Ally estava deitada no ombro de Dougie, de olhos fechados e ele começava a dedilhar uma música no violão.
(coloque para tocar)
In the night, I hear 'em talk,
(À noite, eu ouvi eles contarem)
the coldest story ever told
(a história mais fria já contada)
Somewhere far along this road, he lost his soul
(Em algum lugar ao longo dessa estrada ele perdeu sua alma)
to a woman so heartless...
(Para uma mulher tão sem coração...)
Eu não conseguia desviar o olhar. De alguma forma, aquela música me atingia como se estivesse sendo cantada para mim.
E ela estava.
Dougie agora prendia seus olhos nos meus, numa espécia de conexão que eu não conseguia quebrar.
How could you be so heartless?
(Como você pode ser tão sem coração?)
Oh... How could you be so heartless?
(Oh...Como você pode ser tão sem coração?)
How could you be so cold as the winter wind when
(Como você pode ser tão fria como o vento de inverno quando)
it breeze, yo
(venta em você)
Suas palavras me atingiam com força. A intenção era essa? Me machucar? Ou mostrar a sua dor? Eu não sabia o que ele realmente queria com aquilo, mas estava conseguindo me afetar.
Just remember that you talkin' to me though
(Só se lembre que você está falando comigo)
You need to watch the way you talkin' to me, yo
(Você devia ver o jeito que fala comigo)
I mean after all the things that we've been through
(Digo, depois de tudo o que passamos)
I mean after all the things we got into
(Digo, depois de tudo que fizemos)
Como ninguém percebia o que ele estava fazendo? Olhei para Ally procurando algum sinal de irritação, mas nada acontecia. Ela permanecia de olhos fechados, ouvindo a voz do seu noivo cantar a letra que era destinada a mim.
Hey yo, I know of some things that you ain't told me
(E eu sei de algumas coisas que você não me contou)
Hey yo, I did some things but that's the old me
(E sei que fiz algumas coisas, mas aquele era o antigo eu)
And now you wanna get me back and you gon' show me
(E agora você quer me devolver esfregando na minha cara)
So you walk around like you don't know me
(Você anda por aí como se não me conhecesse)
De repente, Dougie parou de tocar. Ally abriu os olhos surpresa, sem entender o por que de ele ter interrompido a música. Sem dizer uma única palavra, ele se levantou, voltando para dentro de casa. Allison apenas me encarou e deu de ombros, como se estivesse se desculpando pelo comportamento do futuro marido.
Eu apenas sorri fracamente, vendo-a se afastar.
E como se o mundo tivesse mudado, eu agora estava sozinha. Ali, sentada na areia e com os fantasmas de um passado que eu acreditava ter deixado para trás.
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