All We Ever Do Is Say Goodbye
17 Capítulo 17
“A vida já é tão difícil, por que a gente fica arranjando mais problemas pra gente? Que necessidade é essa de apertar o botão de auto-destruição?”
(Grey’s Anatomy)Eu não havia conseguido dormir durante toda a noite. Quanto mais eu pensava sobre o que aconteceu, mais confusa eu ficava. Por que as coisas não podiam ser mais fáceis? Quanto mais eu me afastava, maior era a sensação de estar fazendo algo errado. Eu estava lutando para superar, mas parecia estar sendo em vão.– Outch! — gemi, sentindo o líquido fervendo queimar a minha mão. Abri a torneira da pia da cozinha depressa, colocando a mão debaixo da água gelada em seguida. Instantaneamente, a pele queimada ficou vermelha. Ardia demais. Uma lágrima escapou dos meus olhos, revelando tamanha dor que eu sentia.– Deixa eu ver isso, Bruna. — Danny apareceu na cozinha e ao perceber o que havia acontecido, veio me socorrer. — O que você fez? — ele perguntou preocupado.– Ain, droga, Danny. A panela escorregou da minha mão... eu ia passar o molho para aquela travessa de vidro... — expliquei entre gemidos de dor. Danny puxou um banquinho que tinha por ali e me falou para sentar. Agilmente, pegou gelos e os enrolou no pano de prato, me dando em seguida para colocar em cima da queimadura.– Esquenta não, Danny. Ela sempre se faz de coitada. — Dougie falou, encostando-se na porta da cozinha. Se saíssem faíscas de verdade dos meus olhos, provavelmente agora ele estaria queimado. – Qual é a sua, Dougie? — Danny o encarou irritado. — Só estou te avisando que ela adora um drama. — ele deu de ombros, ainda me ofendendo gratuitamente. – Cara, faz um favor: se não for pra ajudar, não precisa ficar aqui. Você não está melhorando nada. — Danny reclamou.Dougie estava sendo estúpido e eu queria matá-lo nesse exato momento. Mas a dor que eu sentia na mão era maior. Encarei furiosamente Dougie pela última vez antes de voltar a minha atenção para Danny, que cuidadosamente enrolava um pano úmido na minha mão. A minha sorte foi ter Danny por ali para me ajudar. Com o decorrer dos minutos, a dor ia diminuindo as poucos.– Deixa eu dar uma olhada nisso. — Danny pediu, caminhando até o sofá onde eu estava sentanda. — Vou trocar o pano, colocar um mais gelado. — ele disse ao desenrolar o tecido agora quente da minha mão. Eu estava completamente grata pelos cuidados de Danny.– Ai, amiga. Você precisa prestar mais atenção. — Jess chamou a minha atenção. Sorri ao ver ela e Tom abraçados, sentados no sofá de frente pro meu. Eu estava feliz por meu conselho ter ajudado em alguma coisa.– O que você fazia na cozinha tão cedo? — Harry perguntou, sentando ao meu lado e me dando "cascudo" de brincadeira. — Nada. Eu estava sem sono e resolvi adiantar o almoço. E não era tão cedo assim. Eram onze horas! — retruquei. – Não sei o motivo de tanta atenção assim. Galera, a Bruna não está doente. Ela só queimou a mão. — Dougie passou pela sala.Todo mundo o olhou sem entender o comentário. Ninguém entendia o motivo pra tanta implicância já que eu nem ao menos tinha dirigido uma palavra a ele desde o dia que cheguei. Ele ignorou todos os olhares e saiu. Durante todo o dia, nenhum de nós soube de qualquer sinal de Dougie. Eram por volta das oito horas da noite quando eu estava me arrumando para sair com o pessoal. Bom, mais ou menos. Eu ainda nem tinha colocado a roupa, muito menos escolhido o que iria vestir.– Canivello, eu vou te deixar aí! Você está muito devagar! — Jess ralhou. — Está todo mundo te esperando! — completou. Eu não tinha culpa de ter sido a última a ser avisada dos planos de hoje a noite. – Pode ir na frente, Jess. Eu vou depois. — respondi. E ela me olhou incerta. — É sério. Eu encontro vocês lá. — vi Jess concordar e mandar beijinhos no ar. Eu a conhecia perfeitamente. Ela odiava ser a última a chegar em qualquer lugar. Nós íamos para um bar que tinhamos descoberto mais cedo, não muito longe daqui. Seria no máximo cinco minutos andando. Eu demorei mais um pouco até decidir o que usar. Acabei optando por uma saia jeans curta e uma blusa frente única preta, que valorizava os meus seios, mas sem ficar vulgar. Terminei de passar o gloss, checando o visual no espelho e peguei a minha bolsa. Eu estava legal. Saí do quarto notando toda a casa escura. Todo mundo já tinha ido mais cedo, junto com a Jess. Isso não era problema nenhum. Caminhei até a porta que dava para a varanda, tentando abri-la, mas esta estava trancada. Virei e caminhei em direção à outra porta, que ficava na frente da casa, com a saída para a rua. Novamente, trancada. Como assim? Haviam esquecido e me trancado aqui? Tentei novamente as duas portas, mas fora em vão. Eu não tinha outra saída. Voltei para o meu quarto e abri a janela. Não sei se por sorte ou não, a minha janela dava direto para a varanda, de frente pra praia. Sem jeito por causa da saia que usava, subi em cima da cama, para então passar uma perna e depois a outra pela janela. Se tivesse alguém ali, provavelmente teria visto toda a minha calcinha.
Assim que pisei firme na varanda, ajeitei minha roupa. Desci as escadas que iam até a areia cuidadosamente já que eu estava de salto. – Onde você pensa que vai? — Ouvi a voz de Dougie, após dar a volta na casa e chegar na rua. Ele estava encostado no carro que eu tinha alugado. — Isso não é da sua conta. — respondi, passando por ele sem nem ao menos parar. – Claro que é. — ele puxou o meu braço. — Quem você pensa que te trancou aí? — ele apontou para a casa. Aquilo só fez com que a minha raiva por ele aumentasse. – Me solta. — mandei e ele ignorou. — Você está me machucando. — continuei, mas ele fingia não ouvir. – Deixa de ser infantil, Bruna. Você não vai. — ele retrucou, ainda segurando o meu braço, só que agora com mais força. Provavelmente, isso ficaria roxo. — Quem você tá pensando que é para mandar em mim, Poynter? Você paga as minhas contas? Você me pôs no mundo? Não. Nenhuma dessas opções. Cai fora. — rebati, tentando mais uma vez soltar o meu braço. — Quem está sendo infantil agora é você. Ele me olhou da cabeça até os pés, como se memorizasse cada detalhe do que via. Eu estava pronta pra chutá-lo quando ele soltou o meu braço.– Tudo bem. Vai lá. — ele respondeu, voltando a cruzar os braços, ainda encostado no carro. – É claro que eu vou. E não porque você quer. — rebati, voltando a andar. Foi então que me dei conta de que precisaria do carro. Não tinha condições de andar até o bar de salto alto. Voltei.– Sai daí, Poynter. Preciso abrir a porta do carro. — novamente, ele me ignorou. Aquilo estava me dando nos nervos. E como se eu tivesse tido uma ideia brilhante, dei a volta no carro. Eu iria entrar de qualquer jeito. Apertei o botão para destravar o automóvel, abrindo a porta do carona em seguida. Eu estava agradecida por ter posto as chaves na bolsa antes de sair. Assim que entrei no carro, passando pelo banco do carona até o banco do motorista, Dougie me puxou novamente para fora do mesmo.– VOCÊ É LOUCO?! — gritei. — Eu acho melhor você ir cuidar da sua noiva! — continuei. Ele apenas riu, debochando de mim. E tão rápido quanto me puxou, Dougie me pegou no colo, jogando-me sobre as suas costas. Eu batia nele para me soltar, mas não estava adiantando em nada. Eu via o carro aberto se afastar conforme eu era carregada de volta para a casa. — Se você não me soltar, eu vou gritar! — ameacei.– Tenta a sorte. — ele respondeu e em menos de um minuto, me jogou no chão. Eu cai sentada, o odiando por ter feito aquilo.Aquele estúpido. Grosso. Assim que comecei a me levantar, destinada a sair dali, Dougie me segurou e me empurrou. A casa ainda estava totalmente escura, fazendo com que eu não conseguisse enxergar nada do que estava por ali.Então ele me pressionou contra a parede, colando seu corpo no meu, fazendo eu sentir sua respiração bater no meu rosto. Aquilo não podia estar acontecendo de novo. Cada parte exposta do meu corpo se arrepiava ao seu toque. E antes que eu pudesse gritar para fazê-lo me soltar, Dougie me silenciou com seu beijo.Senti suas mãos brincarem pelo meu corpo, ora pela barriga, ora nas coxas. Dougie me beijava ferozmente, me levando à loucura. Cansadas de brincarem apenas com as coxas, suas mãos alcaçaram a minha bunda, por debaixo da saia. Num impulso de desejo, sem me controlar por mais tempo, prendi minhas pernas em sua cintura, sentindo o seu membro desejar por mim. Caminhamos desajeitadamente até o meu quarto, eu ainda estava sendo carregada por ele até Dougie me jogar na cama. Nossas mãos não sabiam onde queriam tocar. Meu celular tocou uma, duas, três vezes. E então eu me dei conta do que estava acontecendo. – Para, Dougie. — o empurrei, abrindo os olhos e encarando a realidade. Tomado por desejo, ele parecia não me ouvir. — Dougie, para! — o empurrei, que por sua vez, me encarou sem entender a mudança de ideia repentina. Novamente o meu celular tocou e antes que eu pudesse atender, ouvi Ally chamar o meu nome. Ela estava em casa.
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