All We Ever Do Is Say Goodbye
15 Capítulo 15
"A vida é cheia de mudanças. Às vezes elas são dolorosas, outras vezes são lindas e, na maioria das vezes, ambas as coisas. "
(Smallville)
Senti o sol tocar a minha pele fracamente, enquanto o vento bagunçava os meus cabelos. Olhei para o céu através das lentes dos óculos escuro, notando que não tinha nenhuma nuvem, deixando-o completamente limpo. Olhei para Jess ao meu lado, no banco do carona, admirando a paisagem. Estávamos a caminho da casa de praia dos meus pais, na entrada principal e não levaríamos mais do que trinta minutos para chegar ao nosso destino final.
– Ai, meu deus! Aumenta, aumenta! — Jess pediu assim que ouviu I just Wanna Live, do Good Charlotte, começar a tocar na rádio. Eu aumentei o som, rindo dela.
– Essa música me lembra da nossa adolescência! — ela disse.
– I just wanna live...– começamos a cantar juntas o refrão. — Don't really care about the things that they say... – nós riamos, olhando uma para a outra e continuando a cantar.
– Don't really care about what happens to me... I just wanna live...– gritávamos. — Just wanna live, Just wanna live, Just wanna live, Just wanna live...– Jess completou, quando voltei a minha atenção para a estrada.
O caminho foi quase todo assim. Cantávamos diversas músicas com nossas vozes ridiculamentes alteradas para tentar acompanhar os timbres de cada cantor. Eu me sentia leve e feliz.
– Eu daria tudo para saber o que aconteceu com aquelas garotas do colegial... — ela falou de repente. — Tudo? — provoquei.
– Não, tudo não. Quase tudo. — ela riu escandalosamente, como sempre fazia quando pensava besteira.
– E o Nick, aceitou de boa você vir? — perguntei, curiosa. — É... bom, estamos meio lá e meio cá, sabe. — ela disse, mudando o tom de voz e quase me arrependi por ter tocado no assunto.
– Não, não sei. Pode falando. — mandei, sabendo que ela precisava daquilo. Eu conhecia Jess muito bem. — Parece que o relacionamento esfriou, entende? Eu não sei. Não sentimos mais saudades um do outro, colocamos sempre outras coisas em primeiro lugar — e não me entenda mal, eu não me importo de fazer isso. — Jess se referia ao trabalho. Ela quase havia dobrado suas horas, se ocupando demais.
– É aí que está o problema. Você me conhece. Se estivesse tudo bem, eu não iria passar nenhum minuto a mais no trabalho ou invés de estar com Nick. Eu estou cansando. — ela completou.
– Eu te entendo. Mas o que pretende fazer? — questionei. — Não sei. Nós demos um tempo sabe, pra ver se sentimos a falta um do outro. — eu apenas concordei com a cabeça. Não seria eu que continuaria com aquele assunto, depois de perceber a inquietação de Jess quanto ao Nick.
Vinte minutos. Esse foi o tempo que levamos para chegar na casa depois da conversa que eu e Jess tivemos no carro. Mas esse não era o tempo total da nossa viagem. Na noite anterior, pegamos o primeiro voo para Londres que estava disponível. Assim que chegamos, alugamos um carro e fomos dormir num hotel, já que a casa dos meus pais estava trancada e totalmente vazia. Eles já estavam na casa de praia há quase dois dias.
Assim que acordamos de manhã, pegamos a estrada, rumo a Southend, que ficava apenas a 60 km de Londres.
– Que bom que vocês chegaram! — minha mãe veio nos abraçar, assim que saímos do carro. — Obrigada, tia. — Jess disse.
– É bom ver vocês. — ela agora abraçava o meu pai. Logo depois Ally veio correndo em nossa direção.
A casa era grande e branca, possuía quatro quartos e também uma varanda que dava nas areias da praia. Eu havia passado boa parte das minhas férias aqui, com a Jess e a minha família. Era incrível como a casa ainda estava conservada e não havia mudado nada.
– Olha só quem veio também! — Tom veio me abraçar, assim que soube que eu havia chegado. Ao se deparar com Jess, Tom mostrou-se surpreso. Eu a observei e percebi que Jess tinha um olhar sem graça sobre ele, mas nada que a impedisse de falar com Tom. Logo depois de Tom, foi a vez de Danny e Harry.
Eu tinha conhecido os meninos anos atrás, na mesma época que conheci Dougie. Eram eles que completavam o McFly. Eu tinha ótimas lembranças dos momentos que passamos todos juntos, inclusive Jess em alguns destes momentos, enquanto ficávamos na garagem da antiga casa de Tom, ensaiando. Naquela época, os meninos ainda eram desconhecidos no meio da música, coisa que não acontecia mais hoje em dia. Eu torcia por eles e estava feliz pelo sucesso alcançado após alguns anos de esforço e muito trabalho.
Depois de toda aquela atenção que tinhamos recebido ao chegar, fomos até o meu quarto deixar as nossas coisas. Jess iria dormir ali comigo, enquanto Tom, Danny e Harry dormiriam no quarto de hóspedes. Eu nem precisava dizer que Dougie e Ally dormiriam juntos no quarto dela, precisava? Além de meus pais dormirem no quarto deles.
Até então, eu ainda não tinha encontrado com Dougie. Quando eu cheguei, ele estava na rua comprando alguma coisa. Depois, foram apenas desencontros naturais. Eu não estava evitando-o, embora também não estive o procurando. Eu estava bem assim. Ou pelo menos acreditava que sim.
A tarde inteira, Tom, Jess, Danny, eu e Harry passamos jogando e conversando bobeiras sobre esses anos que não nos víamos. Ally aproveitou o sol que fazia por aqui para pegar uma cor, enquanto minha mãe não saía da cozinha, dizendo querer alimentar todos muito bem. Meu pai havia ido pescar com Dougie e até agora não haviam voltado.
– Desculpa, gente, mas preciso de um banho! — falei, levantando do tapete em que estávamos sentados na sala.
– Não se esqueça do Verdade ou Consequência mais tarde! — Harry gritou.
– Nem adianta fugir, hein! Eu sei muito bem onde é o seu quarto! — Tom brincou, fazendo todos rirem. Jess permaneceu ali, sorrindo. Era bom vê-la se distraindo.
Olhei pela janela, sentindo a brisa fria tocar o meu corpo. Resolvi separar uma roupa um pouco mais quente para essa noite. Após o banho, vesti uma calça larguinha e uma blusa branca. Escovei os meus cabelos, deixando-os ainda soltos e molhados.
Enquanto eu terminava de me arrumar, Jess havia entrado no banheiro para poder se lavar.
– Estou com fome. — comentei, assim que ela abriu a porta do banheiro.
– Eu também. Parece que sua mãe preparou massas! Preciso dizer que eu a amo? — ela brincou. Toda vez que Jess ia nos visitar, minha mãe preparava alguma massa, pois Jess era louca por isso.
No jantar, foi a primeira vez que vi Dougie. Digo, depois de tudo o que aconteceu. Se trocamos olhares duas vezes, foi muito.
Nenhuma palavra, nenhuma aproximação. E de certa forma, eu estava agradecida por isso. Tornava aquele convívio mais fácil.
– Verdade, Bruna! — Jess falava, um pouco alta por causa da bebida, após aceitar como Consequência beber três doses de Tequila.
– Manda ver! — ela desafiou. Danny, Tom e Harry riam dela. Éramos os únicos brincando, ali sentados no chão agora não mais frio, enquanto Dougie e Ally apenas assistiam, sentados no banco da varanda.
– Qual é o lance entre você e o Tom? — perguntei, querendo matar a minha curiosidade. Danny gargalhava para um Tom completamente sem graça. — Nós ficamos num dos ensaios na garagem dele. — ela respondeu, sem vergonha nenhuma, coisa que não aconteceria se estivesse sóbria.
– Eu não acredito! Vocês nunca me contaram isso! — falei, surpresa e rindo por aquela afirmação.
– Minha vez! — Danny disse, rodando a garrafa dentro do círculo que formávamos. — Verdade ou Consequência, Bruna? — ele me perguntou, deixando me receosa em qual escolher. Eu não queria escolherConsequência, pois sabia que Danny iria pegar pesado e eu não queria beber mais. Eu já estava "alegre" o suficiente por essa noite. Mas também não queria Verdade, pois as perguntas já estavam se tornando intímas demais.
– Verdade. — respondi, sem muita opção. — Qual foi a última pessoa que você beijou e quando? — ele soltou.
– Danny, isso são duas perguntas! — ralhei, tentando enrolar. Dougie ficou tenso. — Bom, eu não sei. — percebi ele relaxar.
– Deixa de ser mentirosa! Foi o James, há dois dias atrás! — Jess respondeu, rindo. Vi Dougie fechar a cara.
– Três doses de Tequila pra essa mentirosa aqui! — Harry anunciou, enquanto Tom preparava a bebida para mim.
1, 2 e 3! Coloquei todo o líquido para dentro, um copo atrás do outro, sentindo-o descer queimando, assim como o meu corpo estava ao perceber Dougie me encarando com desgosto.
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