All We Ever Do Is Say Goodbye
3 Capítulo 3
"Coragem não é a ausência do medo, e sim agir apesar do medo."
(Two and a Half Men)
– Eu não acredito que você disse aquilo pro Ian. Sério. — Jess disse rindo, sentada ao meu lado na varanda, após todos irem embora. — Eu tentei de todas as formas dizer a ele que não tinhamos mais chances, mas ele não quis me ouvir. Então, precisei ser grossa. — respondi, me sentindo um pouquinho incomodada por ter feito aquilo.
– Bruna, seja sincera. Qual é o motivo de você nunca ter um namorado? — ela perguntou, sendo mais um desafio do que uma curiosidade. — Não sei, talvez não deva acontecer. Digo, pelo menos não agora. — respondi, dando de ombros. Tentei não demonstrar que me incomodava com aquele tipo de pergunta, mas eu sabia que ela já havia percebido. — Não, Bruna. Essa resposta está errada. Você é que não se permite. Depois do Dou... — ela parou de falar ao perceber o meu olhar furioso sobre ela. — Digo, depois dele, todo cara com quem você se envolve, você arruma algum defeito! Você não deixa as coisas rolarem, e isso acaba prejudicando... talvez esse seja o motivo de não ter dado certo até agora. — Jess dizia, mas eu sabia que ela só queria o meu bem. — O que te incomoda tanto? Eu juro, um dia ainda vou desistir de você!
Ela havia acabado de fazer a pergunta-chave para o meu problema de hoje. Até então, eu não havia dito uma palavra sequer sobre a ligação da minha mãe e nem sobre as "novidades" .
– Jess, minha mãe me ligou ontem. — comecei a dizer. — E o que que tem? Ela sempre te liga mesmo. — ela deu de ombros, não vendo nada demais para eu estar fazendo tanto "suspense". — Eu tenho que ir para Londres. — foi tudo o que eu disse, esperando a resposta de Jess.
– Bruna, você sempre tem que ir, mas nunca vai. Sempre arruma uma desculpa e isso funcionou até hoje. — ela disse rindo. — É a Allison. Digo, ela está noiva. Ela vai casar, Jess.
Jess ficou muda, talvez tentando assimilar o que eu tinha dito. O silêncio instalado entre nós era desagradável, mas ninguém sabia ao certo o que dizer.
– E você tem mesmo que ir? — ela perguntou, mesmo já sabendo da resposta. Eu apenas confirmei com a cabeça. — Bom, você nem sabe se ele ainda mora em Londres.. e olha só, é uma cidade tão grande! Amiga, vai dar tudo certo. Até porque você já superou isso, não?! — ela me desafiou. Muitas vezes tentei convencê-la de que sim, assim como a mim mesma. Mas até hoje, eu não achava que precisaria realmente voltar para Londres.
– Vai comigo? — pedi, usando todas as artimanhas que conseguia lembrar para fazê-la me acompanhar. — Quando? — ela perguntou.
– Daqui a duas semanas. — respondi, torcendo por uma resposta positiva.
– Desculpa, Bruh. Mas será o final de semana do Nick. Eu já prometi e você sabe como é, além de ser aniversário dele. — Jess respondeu após alguns minutos.
Nick era o namorado pelo qual Jess era apaixonada. Para acompanhar o meu ritmo na empresa, ela já desmarcara milhares de vezes algum compromisso com ele. Até que tiveram uma briga feia e eles combinaram que no final de semana do aniversário dele, eles iriam viajar para a praia. Um final de semana só dele. E eu não poderia ser egoísta e tirar isso de Jess. Eu sabia o quanto ela o amava e já era difícil ter que deixar ele de lado vários finais de semana por causa do trabalho, por causa de mim.
– Promete que vai? — ela perguntou, de repente. — Como? — eu estava surpresa. — Me promete que você vai, Bruna. Afinal, é uma data importante para a sua irmã.
Ficava cada vez mais impossível de fugir desse compromisso. Eu estava sendo covarde, eu sei. Mas só de imaginar em passar por qualquer situação dessa sem Jess ao meu lado, era aterrorizante.
– E em troca eu te prometo que se ele aparecer na sua frente e lhe fizer alguma coisa, nem que seja trocar uma simples palavra com você, eu vou correndo te buscar. — ela tentava me confortar. E por incrível que pareça, aquilo melhorou um pouco a minha situação.
Jess tinha razão. Era uma data importante e eu não poderia — e nem queria — decepcionar a minha irmã, a minha família. Estava decidido, eu iria para Londres. Afinal, eu também morria de saudade deles.
Jess sempre que podia, visitava os seus pais num rápido final de semana, mas eu nunca tive coragem de ir também. Sempre que podia me enchia de trabalhos, tudo para ter motivos para não ir. Nesse momento, eu me sentia a pessoa mais fraca, suja e covarde que eu conhecia. Como eu podia deixar de lado, me tornar ausente todo esse tempo por causa dele?
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