All We Ever Do Is Say Goodbye
4 Capítulo 4
"É mais fácil odiar. É mais fácil lidar com ódio do que com o amor, principalmente amor decepcionado."
(Bones)
Eu não havia conseguido pregar os olhos direito desde a última reunião na casa de Jess. E isso só piorava o meu estado. Eu tentava não pensar em assuntos desagradáveis, deixando boas lembranças de casa ocupando a minha mente. Eu estava ansiosa. Queria saber como minha mãe estava, se o meu pai ainda permanecia com aquele bigode que eu achava horrível e se a minha irmã continuava linda como sempre. Queria ver as modificações que eles fizeram na casa e queria saber tudo o que tinha acontecido ao longo desses dois anos longe.
Corri para o meu quarto, procurando o meu celular. Eu não sabia onde o havia deixado.
– Bruna, vamos! Você vai acabar perdendo o voo! — Jess gritou da sala. — Eu não estou achando o meu celular! — respondi.
Jess pegou o seu celular e discou o número do meu. Logo eu achei o aparelho, que tinha caído no chão do quarto, embaixo da cama. Agora, estava tudo pronto para partir. Olhei mais uma vez a minha volta para me certificar de que não estava esquecendo nada. Impaciente, Jess me gritou mais uma vez, fazendo-me voltar até a sala. Ela havia se disponibilizado para me levar ao aeroporto, como uma forma de me reconfortar sobre a sua ausência.
– E aí? — ela perguntou, assim que entramos no carro. — Não vai falar nada? — eu não sabia o que ela queria que eu dissesse. Milhares de coisas tomavam a minha mente e não deixavam-me raciocinar direito. Milhões de sensações passavam ao mesmo tempo pelo meu corpo. Minhas mãos soavam, minha boca estava seca e meu corpo inteiro estava rígido. Eu precisava tentar relaxar.
– Eu estou enlouquecendo! — deixei com que as palavras escapassem de meus lábios. — Eu não sei o que fazer! — continuei. — Calma, Bruh. Você só está indo visitar a sua família, nada mais. Respira, ok? — ela me aconselhou e eu apenas concordei com a cabeça.
Eu não estava me reconhecendo. Eu estava em pânico e aquilo me irritava. Eu não era tão estúpida assim. Como sempre, Jess tinha razão. Era só eu evitar os lugares conhecidos e pronto. Ok.
Quase 30 minutos depois, Jess estava me deixando no aeroporto. — Se cuida. — Jess me disse e se despediu de mim. Por sorte, eu não tinha levado muito coisa. Eu estava apenas com uma mala média e nela estava tudo o que eu precisaria: sapatos, roupas e acessórios.
Faltando apenas 20 minutos para o meu voo sair, eu me sentei na minha poltrona, que por sorte eu havia conseguido na janela. Daqui a algumas horas eu estaria pisando em solo inglês, para o meu alívio. Ou não.
Assim que o avião decolou, eu consegui pegar no sono e descansar um pouco. Eu estava mesmo precisando. Algum tempo depois, uma aeromoça me acordou dizendo que havíamos chegado em Londres. Agradeci e preparei-me para pegar as minhas coisas. Quando cheguei no saguão do aeroporto de Londres, avistei meus pais e a minha irmã. Pelo que parecia, eles também não haviam dormido muito bem, ansiosos. Embora parecessem cansados, suas feições demonstravam também felicidade. Sorri com aquela cena. Minha mãe continuava linda e jovem, meu pai ainda tinha aquele bigode que eu odiava, mas que agora me fazia sorrir e a minha irmã estava mais perfeita do que nunca, radiante.
Depois de tudo, era bom estar nos braços da minha família. Ser recepcionada com todo o carinho e amor possível, ver aqueles que sempre fizeram parte de mim, era a melhor coisa de toda essa viagem.
– Então quer dizer que você resolveu sossegar, hein? — brinquei, abraçando a minha irmã. — Que milagre! Preciso conhecer esse anjo! — impliquei. — Bruh, ele é lindo! Tão romantico, mas também tem aquele lado bad boy... ele é músico! — ela descrevia seu noivo, com os olhos brilhando. Nós três rimos da cara de apaixonada da minha irmã.
– Filha, deixamos seu quarto preparado para você. — meu pai disse e eu agradeci. — E qual será a programação de hoje? — perguntei. — Bom, hoje a noite será o jantar oficial de noivado, onde estará a nossa família completa e a dele. Mas pode ficar tranquila, você terá tempo pra descansar e se arrumar. O jantar está marcado para as oito da noite... então, você terá quatro horas até lá. — minha mãe disse. Como de costume, ela era sempre organizada, uma agenda ambulante como eu costumava brincar. Com ela, tudo funcionava na base de horários e regras pré-estabelecidas. Eu senti falta disso.
– Ally, vocês estão juntos há quanto tempo? — perguntei para a minha irmã, tentando tirar o foco de mim. — 1 ano e 9 meses, Bruh. Eu sei que parece pouco, mas nós estamos tão apaixonados! Ele até fez uma música pra mim! — eu ria dos gestos exagerados dela. Ver a minha irmã tão feliz era ótimo, me fazia sentir quase que da mesma forma que ela.
Eu não teria me perdoado nunca se tivesse perdido esse momento tão importante para a minha família. "Agradecer a Jess", anotei mentalmente.
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