Notas iniciais
Hey, gente linda! Não aguentei e resolvi postar nestas últimas horas de 2016. Estou muito feliz e surpresa com a repercussão da fic. Obrigada, mil vezes obrigada a todos que acessam, favoritam, acompanham e é claro, comentam aqui! Já adianto que neste capítulo, algumas leitoras vão querer me matar, mas eu aviso: sou GuCília até o fim! Os acontecimentos são necessários. Não me matem! hahaha. P.S: o vestido que a Ceci usa no jantar com o André é esse do vídeo, onde a minha diva Teresa Lisbon arrasou *-* https://www.youtube.com/watch?v=-uFNmbioegA Sandália: http://trintaetresetrintaequatro.vteximg.com.br/arquivos/ids/158696-300-300/15_2.png Não é merchan, gente, juro. Mas confesso que gosto dos detalhes, hahaha. Boa leitura!

Para a surpresa de Gustavo, a porta do quarto da filha não estava chaveada. Excelente ideia do Silvestre em não deixar a chave na fechadura, lembrou ele, grato ao fiel mordomo. A menina estava sentada sobre a cama, soluçando. Ao ver o pai, Dulce se jogou em seus braços e sentou em seu colo.

— Papi, por quê a Ceci foi embora? Ela não gosta mais de mim? — queixou-se ela.

Gustavo engoliu em seco e tentou ser o mais forte possível. Ver Dulce naquela situação era insuportável.

— Meu amor, a Cecília precisou sair do colégio porque ela não tem mais certeza se quer ser freira. Lembra que ela era apenas uma noviça?

A menina assentiu.

— Mas por quê ela não se despediu de mim? — balbuciou a pequena.

— Porque ela quis evitar o seu choro. Meu amor, você ainda tem dúvidas de que a Cecília te ama e muito? — disse o pai olhando em seus olhos.

— Sim. Ela deveria ter falado comigo! — retrucou — Eu iria prender ela aqui em casa, no meu quarto, igual a Rapunzel, pra ela não poder fugir.

Gustavo deu um fraco sorriso com a ideia da filha.

— Ah é? E quem seria o dragão? A Nicole não, ela foi embora pra bem longe!

Foi a vez da menina sorrir.

— Ufa, papi! Que bom que você percebeu que a Nicole era um dragão disfarçado de mulher feminina. — lembrou Dulce.

— Graças a Deus, filha. O papai promete ser mais atento em relação as mulheres femininas, está bem? — garantiu Gustavo, fazendo o gesto de juramento, tão familiar para Dulce Maria.

— Tá bom, papi. Mas e agora, o que vamos fazer? Eu quero ver a Ceci!

— Mas filha, nós acabamos de chegar e ninguém sabe onde ela está...

— Nem a Madre Superiora? Ela sempre sabe tudo! — exclamou.

Gustavo sabia que a menina só se tranquilizaria no momento em que ele se comprometesse a encontrar Cecília. Por isso, foi direto:

— Amanhã bem cedo eu vou no colégio conversar com a Madre e tentar descobrir onde a Ceci está. Mas você me promete que vai parar de chorar, lavar esse rostinho lindo e comer alguma coisa? — questionou, acarinhando a menina.

— Simpiririm. Eu te amo muitão, papi. — respondeu Dulce, esperançosa, abraçando-o.

— Eu também, princesa.

[...]

Depois da conversa com Dulce Maria, a angústia e a dor foram apaziguadas na casa dos Lários. Após o jantar em família e colocar a carinha de anjo na cama, Gustavo se dirigiu ao quarto, disposto a dormir cedo. No entanto, ao checar o celular antes de deitar, percebeu que haviam novas mensagens de Verônica.

Olá.

Já soube que você chegou.

Estou morrendo de saudades.

Será que podemos nos ver ainda hoje?

Te espero no lugar de sempre.

Bjs.

V

O Rei do Café começou a andar pelo cômodo, confuso com os próprios sentimentos. Há alguns meses, o empresário resolveu dar uma chance a sua amável e prestativa secretária, que desde o primeiro dia de trabalho bastante lhe chamou a atenção. Era a oportunidade perfeita para enterrar a história conturbada com Nicole e apagar de suas lembranças a crescente atração que possuía pela professora de sua filha. Subitamente, o olhar de Gustavo encontrou o retrato de Teresa sobre o criado mudo. Sentindo que as lágrimas viriam, decidiu sair dali imediatamente com um único propósito. Preciso reconstruir a minha vida. Já que não pode ser com a Cecília, será com a Verônica.

Enquanto isso em Catarina, Cecília estava terminando de se arrumar para jantar com André, tendo a opinião de Clarissa quanto ao que iria vestir.

— Cecília, sério que você quer ir num jantar com calça jeans? — ironizou a loira.

— Qual é o problema, Clarissa? Está limpa, passada e pouco usada — rebateu a mais nova.

— O problema é que você não vai impressionar o médico bonitão, oras! — Clarissa deu um salto da cama da irmã, foi até seu guarda-roupa e pegou uma das peças e entregou a Cecília, esperançosa. — Coloca esse vestido preto, vai ficar perfeito em você.

— E quem disse que eu quero impressionar? — rebateu Cecília irritada.

— Cecília, pelo amor de Deus. — Clarissa resolveu ser franca. — Se você aceitou esse bendito convite, não foi por acaso. Sou chata, mas não insuportável ao ponto de fazer você ir jantar com alguém que não gosta, ou que no mínimo, não ache atraente e interessante.

Cecília suspirou. A irmã mais velha continuou:

— Irmã, admitir isso não é errado. Pelo menos não agora que...

— Chega, Clarissa. — Cecília a interrompeu. — Está bem, eu admito. Eu me sinto atraída pelo André. E eu sei que ele também se sente assim. Estou seguindo seus conselhos, de me permitir conhecer alguém e assim, ter certeza de que definitivamente não tenho vocação religiosa. E eu preciso esquecer o Gustavo — completou, cabisbaixa.

— Não me diga que você ainda pensa nele? — indagou Clarissa, surpresa.

— Todos os dias. — confessou. — Nele e na minha Dulce Maria. Você não faz ideia do quanto eu morro de saudades daquela menina.

— Eu imagino. Sempre consigo ver um brilho diferente nos seus olhos quando você fala dos Lários. — reconheceu a loira. -Espero sinceramente que você consiga esquecê-los e seguir sua vida. A única coisa que não me entra na cabeça é por quê você não luta por esse amor.

— Porque ele está com outra, Clarissa! — exclamou Cecilia. — Droga, eu era noviça, mas não cega. Eu sei que eles tinham algo a mais, entende? — disse a morena, controlando as lágrimas.

— Está bem, não quero estragar sua noite. Não chora, senão o bonitão vai perguntar se você tem medo dele. — brincou Clarissa, tentando animar a irmã.

Cecília sorriu e a abraçou.

— Obrigada por existir, Clarissa.

— Eu sei que sou o máximo. — ironizou. — Te amo. E se troca logo, chegar meia-hora atrasada é mancada num primeiro encontro! — advertiu, antes o quarto de Cecília.

Alguns minutos depois, Cecília saiu do edifício onde morava e se dirigiu ao restaurante italiano La Vecchia, para encontrar André. A morena usava um clássico tubinho preto pouco acima dos joelhos, ressaltando a cintura e sua pele clara. Nos pés, usava uma sandália salto agulha igualmente preta. Os cabelos estavam soltos, os fios livres e escovados. O make era natural: seus olhos verdes estavam realçados por camadas de rímel — clara indicação e aplicação de Clarissa — blush e batom em um tom de rosa claro. O único acessório era uma pulseira de ouro, um presente intacto que a irmã ganhara de um antigo namorado e nas mãos, portava uma bolsa clutch dourada. A ex-noviça estava impecavelmente linda, nas palavras de Clarissa.

Ao estacionar o carro da irmã, Cecília sentiu o coração acelerar. A jovem estava nervosa, afinal, não fazia a menor ideia de como agir na ocasião que a esperava. Ao mesmo tempo, se sentia bonita e livre. É só um jantar, Cecília. Aja naturalmente e lembre-se: quem impõe as regras é você.

Respirou fundo e caminhou vagarosamente até a porta do restaurante. Agora entendo porquê as mulheres dizem que a beleza custa caro. Usar salto é horrível.

Ao encontrar André, o médico instantaneamente sorriu e foi ao seu encontro.

— Você está linda. — disse ele, dando-lhe o braço.

— Obrigada.

Rapidamente, o garçom surgiu à mesa e eles fizeram seus pedidos. Após, começaram a conversar. O ambiente era formal, porém agradável. A simpatia de André associada a leveza natural de Cecília fez com que rapidamente ambos se sentissem a vontade com a companhia um do outro. Após a refeição, os amigos voltaram a conversar. O papo fluía melhor do que o esperado, pensava Cecília, até André mencionar a família Lários.

Controle-se, Cecília. Nada de choro.

— Dulce Maria é literalmente, um doce de menina. Uma pena que tenha perdido a mãe tão cedo. — observou o pediatra.

— É, sim. Morro de saudade dela. — continuou a morena.

— Esses dias eu encontrei o Gustavo lá no hospital e...

O coração de Cecília parou.

— Aconteceu alguma coisa com a menina? Me conta, André, pelo amor de Deus! — implorou a morena, nervosa.

— Acalme-se, Cecília. Não foi nada de mais. — disse ele, tranquilizando-a. — Se não me engano, ele estava acompanhando uma moça...

— A Tia P... Ops, a Estefânia?

— Não, não era a famosa Perucas. — André sorriu ao mencionar o carinhoso apelido da tia de Dulce Maria. — Eu conheço de vista a moça, se não me engano, é a nova secretária do Gustavo.

— Verônica — disse Cecília entredentes.

— Acho que é essa. — Continuou o médico. — Ouvi um comentário que ela tinha desmaiado e estava enjoando com frequência.

Cecília sentiu um arrepio percorrer a espinha. Bebeu um pouco de água e indagou, sem rodeios:

— Ela está grávida?

André se surpreendeu com a pergunta. Porém, foi direto:

— Não sei. Mas são nítidos sintomas de início de gestação... Cecília, tudo bem? Você está pálida! — assustou-se André com a própria constatação.

— Estou bem, André. Acho que é o calor. — mentiu Cecília.

— Queda de pressão. Vou pedir a conta e te levo em casa. — decidiu o pediatra, chamando imediatamente o garçom. Cecília se limitou a assentir.

[...]

Depois de alguns momentos de distração ao lado de Verônica, o Rei do Café se sentia muito melhor do que quando chegara ao quarto de hotel reservado por sua secretária, em um bairro afastado da cidade. O local já era de praxe para que chefe e subordinada se encontrassem, longe dos holofotes e de possíveis tabloides. As vezes, Gustavo se perguntava o porquê agiam daquela forma, afinal eram livres e desimpedidos. Entretanto, a sensação de aventura e paixão proibida eram os combustíveis perfeitos que estimulavam aquela relação.

— Preciso ir, está tarde. — disse o empresário, conferindo a hora. — Amanhã temos muito trabalho.

— Não se preocupe, está tudo em ordem. Mas, se bem te conheço, você não vê a hora de pôr os pés na Rey Café. — ponderou a morena, o abraçando.

— Parabéns, senhorita Batista. Você conhece muito bem seu chefe. — elogiou, com a voz rouca, beijando-a. — E por isso, preciso dormir para estar bem cedo na empresa. — continuou ele, se afastando.

— Não tem outro jeito, não é mesmo? — rendeu-se, decepcionada.

— Faltam poucas horas. Eu realmente preciso ir. Fique bem. — finalizou Gustavo, indo em direção a saída. No entanto, Verônica o impediu, segurando-o pelo braço.

— Posso te fazer uma pergunta?

— Já está fazendo. Claro que pode. — respondeu, com um olhar afetuoso.

— Odeio ter que fazer esse tipo de pergunta, Gustavo, mas... Quando você pretende contar para sua família sobre nós?

Ele engoliu em seco. Um borrão da imagem de Cecília passou por sua mente por alguns segundos. Precisava esquecê-la.

— Em breve. — Ele segurou as mãos da jovem. -Admito que estou receoso em explicar mais uma vez pra Dulce Maria sobre meus relacionamentos. Da última vez, foi um desastre. — recordou, com pesar. -Espero que você compreenda.

— É claro. Sei que isso é difícil pra você, mas...

— Shiii. — Ele a calou com o indicador em seus lábios. — Sei o que você deve estar pensando. Quero que saiba que me sinto muito bem ao seu lado, Verônica. Não estou brincando com você, me entendeu?

Ela sorriu e o beijou.

— Até amanhã. — ele se despediu.

— Até. -respondeu Verônica, encostada sobre a porta, sorrindo satisfeita.

A secretaria reuniu seus pertences e se preparava para deixar o quarto.

Antes, porém, precisava fazer uma ligação.

Em poucos instantes, o interlocutor atendeu a chamada. Verônica o saudou, ainda sorrindo:

— Boa noite, Dr. Vieira. Como foi a sua noite?

Notas finais
Oi? Tem alguém aí ainda? Reforço: tudo isso será bem compensado. Espero que no ano novo eu consiga postar com mais frequência. Um grande beijo e um 2017 maravilhoso para todos nós! Beijos!!