All I ever wanted

6 Querendo te encontrar


Notas iniciais
Oi gente! Feliz ano novo, afinal, nunca é demais desejar coisas boas! Que o 2017 de cada um seja iluminado. Mais uma vez, agradeço o carinho e principalmente, por suportarem o último capítulo. Vocês são top, como diria a Juju Almeida hahaha. Boa leitura!

Do outro lado da linha, havia um André ansioso, circulando pelos corredores de seu apartamento em Catarina.

— Boa, até. Só que eu estraguei quando falei de você e do Gustavo.

A secretaria gargalhou.

— Trate de me dar detalhes. Estou curiosíssima.

O médico narrou os acontecimentos daquele jantar e que após Cecília se sentir mal, teve que levá-la até seu apartamento e ficar com ela por alguns minutos, já que Clarissa saiu atônita em busca de uma farmácia 24h. Em contrapartida, Verônica descreveu parte dos momentos com Gustavo e a intenção do empresário em assumir o compromisso deles para a família.

— Pelo menos, uma boa notícia. Prova de que esse seu plano está surtindo efeito. — suspirou André.

— Nosso plano, André. Não se faça de bom moço agora — advertiu ela — Não obriguei ninguém a me ajudar.

— Sei disso. Mas confesso que estou me arrependendo — admitiu, com pesar — A Cecília realmente ama o Gustavo e acabei destruindo o emocional dela com essa mentira.

— Por enquanto é mentira, André. Não vai demorar muito pra que tudo isso se torne verdade. E você vai ser o ombro amigo que a pobre Cecília tanto vai precisar. Não vai levar muito tempo pra que ela se apaixone por você, vai por mim. — garantiu a morena.

— Não sei...

A secretária gritou do outro lado da linha, raivosa:

— NEM OUSE EM ME TRAIR, ANDRÉ VIEIRA!

— Não é nada disso, calma — ele a tranquilizou. -Só estou me sentindo culpado em fazer pessoas inocentes sofrerem por conta do nosso egoísmo, incluindo uma criança!

— Menos, André. A Dulce Maria vai superar isso. — continuou Verônica, dando de ombros. — Em breve, serei madrasta dela e em pouco tempo, ela mal vai lembrar da Cecília.

— Tomara.

— Ah, cale a boca. Vou desligar, preciso ir pra casa e dormir. Dia cheio amanhã. — bocejou a jovem.

— Eu também. Tenho plantão ai em Doce Horizonte e estou acabado. Nos falamos.

— Boa noite.

[...]

Verônica e André se conheciam há tempos graças a Rick, irmão mais velho da morena. Os dois eram amigos inseparáveis na adolescência e acabaram se afastando por conta dos estudos. Um permaneceu em Doce Horizonte para cursar Agronomia, enquanto o herdeiro dos Vieira rumou para São Paulo, em busca do sonho de se tornar pediatra, graduado em uma universidade conceituada. No entanto, por mera casualidade, André e Verônica se encontraram em uma casa noturna em Catarina e acabaram descobrindo que estavam novamente interligados.

Coincidentemente, o reencontro dos velhos amigos ocorreu assim que André esbarrou com Cecília na cidade, o que fez com que a secretária de Gustavo elaborasse um rápido e eficaz plano para afastá-lo de Cecília, diante dos evidentes sinais de abandono da vida religiosa por parte da moça e o fascínio do empresário por ela.

André aceitou o pacto, relutante. Mas, por estar realmente apaixonado e disposto a tudo pelo amor da jovem, concordou em se aproximar e investir na ex-noviça. Já Verônica parecia estar mais interessada em elevar seu padrão de vida do que sentir algo mais profundo pelo chefe além de mero desejo, afinal, o Rei do Café era um dos solteiros mais cobiçados da região.

Após chegar praticamente nos braços de André, Cecília tomou o calmante receitado pelo amigo e dormiu em poucos instantes. Preocupada com o estado de saúde da irmã, Clarissa colocou, literalmente, André contra a parede, cobrando-lhe explicações. A sub-chefe de cozinha não se deu por satisfeita enquanto André não lhe contasse cada instante do jantar, até constatar que a "mancada do bonitão" foi mencionar a possibilidade de Gustavo Lários ser pai pela segunda vez.

Pobre Ceci. Parece que a falta de sorte no amor é de família, pensou a mais velha.

Em Doce Horizonte, Gustavo chegou extremamente cansado em sua cobertura. Porém, a noite parecia estar longe de terminar. Ao acender as luzes da sala, se deparou com um Gabriel a sua espera, com uma expressão nada divinal.

— Quer dizer que agora você me espiona, Padre? — satirizou o empresário.

— Deixe de ironias, Gustavo. Nós precisamos conversar, de irmão para irmão — respondeu o sacerdote, apontando para o sofá.

— Amanhã, não me venha com sermões — ralhou Gustavo — Você percebeu que é quase uma da manhã?

— Não me interessa — O Padre foi direto — Deixa eu adivinhar: você acabou de vir do apartamento da sua secretária?

— Ah, então quer dizer que preciso pedir autorização? Somos livres, Gabriel — Gustavo diminuiu o tom de voz — E eu só não anunciei ainda meu relacionamento com a Verônica por conta da minha filha.

— E a Cecília? — questionou o religioso.

— Pelo amor de Deus, o que isso tem a ver? — explodiu o Rei do Café.

— Não me faça perder a paciência, Gustavo. Você estava bastante interessado na Cecília e a fez repensar na sua escolha quanto a vida religiosa. Ela era o braço direito da Madre no colégio e a protetora da Dulce. Não venha me dizer que você não é o responsável pela confusão que se transformou a vida daquela moça! — foi a vez de Gabriel se irar.

— E o que você quer que eu faça? Que eu saia aos quatro cantos da Terra em busca de uma mulher que não quer ser encontrada? Se ela se interessasse por mim como você diz, por quê sumiu das nossas vidas sem deixar rastros? — Gustavo começou a andar de um lado para o outro, como quem buscava argumentos para encerrar a discussão — As pessoas mudam de ideia, Gabriel. E se quer saber, eu fico feliz por ela. Era jovem e linda demais para ser freira.

— GUSTAVO, POR DEUS! — Gabriel o repreendeu veemente.

— Só estou sendo sincero. Eu preciso refazer minha vida, Gabriel. — frisou — A Dulce precisa de uma mãe, mais do que nunca. E a Verônica está disposta a assumir esse papel. Me deixe em paz e aceite as minhas escolhas. E a Cecília... — o empresário fez uma pausa e pensou nas feições delicadas da ex-noviça — ... só será uma bela lembrança da infância da minha filha. Só isso. Não tenho mais tempo pra fantasiar um amor platônico, como na adolescência. — confessou. -Não temos mais dezesseis anos, irmão.

— E é justamente por isso que eu estou te alertando a essa hora da madrugada — Gabriel abrandou o tom de voz ao perceber o conflito de sentimentos do irmão — Eu te conheço. Você não ama essa mulher o suficiente para elegê-la como sua nova esposa e mãe da sua filha. Apenas está se agarrando a ela como uma tábua de salvação. Ninguém merece isso. — enfatizou — Muito menos essa moça, que você e a Estefânia dizem ser tão boa e honrada. Só quero que pense nos rumos que a sua vida está tomando. Se você não tem certeza de que ama a Verônica, espere mais um tempo. Ou vá em busca da sua felicidade. — Gabriel tocou o ombro de Gustavo e apontou em direção às escadas — Lembre-se: uma menina está lá em cima, contando que desta vez, você acerte nas suas escolhas.

Rendido, Gustavo se despediu do irmão e rumou ao quarto, silencioso.

— Boa noite, Gabriel.

Gustavo abriu a porta do quarto e se dirigiu imediatamente para a suíte. Só uma ducha gelada dissiparia o cansaço da viagem e as tensões daquele dia tão agitado e, talvez, apagasse a recente conversa com Gabriel de sua memória. Em seguida, o empresário deitou na cama e tentou relaxar. O último pensamento que estava em sua mente antes de ser vencido pela exaustão era a imagem de sua filha feliz, em seus braços. Ao seu lado, estava uma bela morena abraçando-os. A mulher transbordava amor por seus olhos brilhantes e azuis. Só poderiam ser azuis.

[...]

No outro dia, Gustavo acordou cedo e dirigiu-se à cozinha, informando Silvestre de que não tomaria café com a família, ante os inúmeros afazeres que o aguardavam na Rey Café. Antes, porém, o empresário tinha um compromisso com a filha: passar pelo internato e conversar com a Madre Superiora a respeito do paradeiro de Cecília.

Ao chegar no colégio, o Rei do Café cumprimentou cordialmente Inácio e Pascoal e em seguida Fabiana e as demais irmãs, que estavam arrumando as salas para as aulas que reiniciariam em quinze dias. O internato parecia mais triste e vazio sem a presença de Cecília. Doía imaginar a reação de Dulce Maria quando a infante constatasse que sua amada professora não a receberia com um caloroso abraço em seu primeiro dia de aula.

A Reverenda, como sempre, estava na diretoria. Ao ver Gustavo adentrar em sua sala, não conseguiu evitar um suspiro e uma expressão de decepção.

— Bom dia, senhor Gustavo. Em que posso servi-lo? — questionou rispidamente.

— Bom dia, Madre. A senhora deve imaginar o porquê da minha vinda até aqui — começou ele, sem graça. — Dulce Maria já sabe do afastamento da Irmã Cecília do colégio. A reação dela, como era de se esperar, foi o desespero.

— Eu imagino — respondeu a Madre. — Sua filha e Cecília era muito unidas. A dor era inevitável. Como ela está agora?

— Um pouco melhor. Mas insiste em saber da Cecília, falar com ela pelo menos. E então, pensei que ...

— O senhor pensou que eu poderia lhe informar o paradeiro da Cecília? — a religiosa o interrompeu.

Ele assentiu temeroso.

— Olha, senhor Gustavo, quero deixar claro que o respeito muito. Não tenho nenhuma objeção contra a sua pessoa. Mas, você há de concordar comigo que o desligamento da Cecília e o consequente sofrimento de sua filha tem restrita ligação com o senhor, não é mesmo? — afirmou a Reverenda, irritada.

— Madre, eu nunca ...

— Por isso eu o adverti quando o senhor trouxe flores para a Cecília, lembrando que ela era uma noviça— continuou a senhora, impedindo-o de prosseguir — De certa forma, o senhor desestabilizou o emocional daquela moça, que até então, tinha plena convicção da sua vocação religiosa. Não estou o acusando que tenha sido proposital, mas...

— Me desculpe, Madre — Gustavo levantou da cadeira e fuzilou a religiosa com o olhar — Entendo que a Cecilia era de sua confiança e de extrema importância para o colégio, mas não sou obrigado a ouvir seus sermões. Não provoquei nada disso, ainda mais para fazer minha filha sofrer. Desculpe tomar seu tempo — Ele se dirigiu à saída — Ainda essa semana, a Estefânia virá trazer os documentos necessários para a rematrícula da Dulce.

— Espere, senhor Gustavo — A diretora o impediu e abriu a gaveta de sua mesa — A Cecília pediu que fosse entregue essa carta a Dulce Maria. Cabe ao senhor decidir se o fará ou não.

Gustavo pegou o envelope e guardou dentro do bolso do terno.

— Está bem, Madre. Obrigada.

— Passar bem. — finalizou a freira, o acompanhando até a porta.

Me perdoe, menina. Mas a sua Cecília precisa de paz para encontrar seu caminho.

Gustavo saiu cabisbaixo da sala da diretoria e rapidamente saiu das dependências do internato. Ao chegar na empresa, cumprimentou rapidamente os funcionários e exigiu de Silvana que não permitisse a entrada de ninguém, pois precisava resolver assuntos de cunho pessoal.

— Senhor, mas a Verônica precisará tratar com você a respeito dos trâmites da compra do ...

— Ninguém é ninguém, Silvana. Até segunda ordem.

— Está certo, senhor Lários. Me perdoe.

Gustavo fechou a porta de sua sala e a trancou com chave. Vencido pela curiosidade, abriu com cuidado o envelope que continha a carta de Cecília destinada a sua filha.

Minha amada Dulce Maria,

Sei que quando você estiver lendo esta carta, eu já estarei bem longe de Doce Horizonte. E primeiramente, quero que você me perdoe por não ter me despedido. Quis evitar que seu rostinho tão lindo se enchesse de lágrimas, ainda mais por minha causa. Infelizmente, não pude mais permanecer no Colégio ao seu lado. E embora isso me doa muito, precisei tomar essa decisão. Talvez agora você não me entenda, mas tenho esperança de que no futuro, você compreenderá minha partida.

Saiba que eu a amo muito e que todas as noites, pedirei a Deus por você para que lhe guarde e que Ele cerque seu caminho de pessoas iluminadas, assim como você. Obedeça sempre ao seu pai, a sua Tia Perucas e seu Tio Gabriel — não se esqueça de que eles são as pessoas que mais lhe amam no mundo e sempre irão querer o seu bem. E aqui no Internato, você poderá contar com a Fabiana, a Diana, o Inácio, o Pascoalzinho, a Madre Superiora e as outras irmãs, que também te amam demais. Se comporte e aprenda muito, meu anjo.

Você é muito especial e tenho certeza de que terá um futuro brilhante, assim como seus olhinhos. Quero lhe fazer um último pedido: cuide da Irmã Fabiana. Não deixe que ela apronte muito, viu? Espero que vocês estejam sempre juntas. Tenho certeza de que você cumprirá essa missão com facilidade, minha pequena.

Se cuide, princesa. Que Deus lhe abençoe sempre.

Um grande beijo da sua eterna professora,

Irmã Cecília.

As lágrimas corriam pelo rosto do empresário. Desta vez, ele admitia para si próprio os sentimentos que tinha por Cecília e que era inútil continuar negando que estava igualmente apaixonado pela ex-noviça. Mas onde você estará, Cecília? Como vou contar para nossa menina que não faço ideia de onde te encontrar? Deus, o que vou fazer com a Verônica? Ela não merece ser enganada e ontem fiz justamente isso! Pensava Gustavo, dando um soco sobre a mesa.

Ouviu-se batidas na porta, acompanhadas pela voz de Verônica:

— Gustavo, está tudo bem?

— ME DEIXE SOZINHO, ESTÁ BEM? NÃO QUERO FALAR COM NINGUÉM!

[...]

Já no Condomínio Horizonte, o apartamento de Rosana recebeu uma ilustre visita.

— Dulce Maria? O que você faz aqui tão cedo, pequena?

— Tia Rosana, a Juju está em casa? Preciso ter uma conversa de mulher para mulher feminina com ela.

Rosana sorriu e foi chamar sua filha.

A vlogueira recebeu a herdeira dos Lários com um abraço e ambas foram para o quarto.

— Mas então, o que você queria conversar comigo?

Dulce Maria fechou a porta do quarto e sinalizou para que falassem baixo.

— Preciso da sua ajuda para encontrar uma pessoa desaparecida.

Juju pôs as mãos sobre a boca, espantada.

— Lá vem bomba. Estou #chocada. Me conte tudo, menina!

Notas finais
O que será que essas duas vão aprontar? E o Gustavo, vai continuar esperando a Cecília aparecer? Os próximos capítulos prometem mais emoção. Aguardem! Beijos!!