All I Need
8 Capítulo 7
Notas iniciais
Ele deu um sorrisinho irônico, não se importando com a minha expressão. Em passos firmes, fui quase correndo em sua direção, louca pra tirar aquele risinho da sua cara.
Já cheguei o empurrando, praticamente esfregando a roupa no seu rosto. Vi o sorriso sumir quando sua expressão ficou surpresa e ele cambaleou pra trás.
__ Qual é o problema com você, seu demente? __ Perguntei furiosa, com uma raiva na minha voz que eu nunca tinha ouvido antes. Ele se firmou, segurando com força minha mão e abaixando.
__ Ficou louca garota? __ Respondeu, parecendo já ficar irritado.
Há, a raiva dele comparada com a minha não era nada.
__ Por que você fez isso? Hã? Que forma é essa de se vingar? Quantos anos você tem, cinco?__ Continuei, socando o máximo que podia seu peito, enquanto ele continuava segurando minha mão.
Podia ver todos olhando pra gente, seus amigos, divertidos, outros alunos que foram atraídos pelo barulho, e até o professor de educação física, que parecia tão chocado que nem conseguia fazer nada.
Mas eu não me importava, não estava nem ai pra quem estava vendo, tudo o que eu queria era machucar Damon, muito. Essa vontade só aumentou depois que eu ouvi a risadinha dele.
__ O que? As roupas? Qual o problema? Você parece que não liga de sair sem elas. __ Ele disse debochado.
Não, uma piada sobre o meu corpo não!
Com mais força do que eu pensava que tinha, forcei meu corpo pra frente, fazendo Damon largar meus pulsos. Intensifiquei os socos em seu peito, mas ele não rebatia, ao contrário, segurou forte a minha cintura, me puxando pra mais perto. Nós estávamos muito perto.
__ Não devia me provocar assim garota,__ sussurrou próximo a minha boca, me arrepiando. __ posso não gostar de pobre, mas ainda sou homem, e você não é nada feia.
Me enfureci mais ainda, e soltei um ruído quando empurrei forte pra longe de mim.
__ NOJENTO. __ Gritei.
__ PÉ RAPADA.
__ INFANTIL.
__ MENDIGA.
__ ASSASSINO.__ Quando vi, já tinha gritado.
Foi tudo muito rápido, em um segundo, Damon mudou sua expressão de surpreso pra furioso, eu fui empurrada pra trás e vários homens seguravam Damon, que parecia um animal, querendo vir pra cima de mim. Confesso que eu fiquei com um pouco de medo, e segurei mais firmemente a toalha em torno de mim.
__ ME SOLTA. __ Ele gritava. __ ME DEIXAEU ENSINAR ESSA GAROTA PARAR DE FALAR MERDA. __ Era impressionante como ele tentava incansavelmente se soltar, e parecia ter habilidade em luta. Mas eu não podia deixar barato, não podia deixá-lo ver que eu me afetei, então, engoli fundo e empinei o nariz.
__ POR QUÊ? É ALGUMA MENTIRA POR ACASO?__ Minha afronta só parecia tê-lo deixado pior, e ele já estava vermelho de raiva. De repente, senti a mão de Caroline no meu braço, tentando me puxar pra longe.
__ Elena para, __ Ela sussurrou.__ Já chega.
__ VOCÊ NÃO SABE DE NADA!__ Ele continuou ensandecido.
__ SEI MAIS DO QUE VOCÊ IMAGINA. __ Gritei pela ultima vez, antes de deixar Carol me arrastar.
Damon PV
Eu estava furioso. Furioso é pouco, eu estava ensandecido de raiva. Como aquela garota teve a coragem? Como ela pode falar aquilo pra mim, na frente de todos?
Eu teria batido nela, juro que se eu não tivesse sido segurado, teria batido nela. Eu sou do tipo impulsivo, do tipo que faz merda quando não pensa direito e aquela garota me levou a um patamar de raiva que eu nunca tinha ido antes.
Eu sabia o que tinha feito, sabia o que tinha acontecido e não precisava que ela nem ninguém me lembrassem disso. Ninguém falava sobre isso, porra! Desde que eu saí do hospital, ninguém tocou no assunto, porque ninguém tem coragem de me afrontar.
Ai chega essa garota, pobre, que ninguém nem da atenção, e acha que pode fazer o que ninguém nunca ousou. Coitada!
Se ela acha que não vai ter revanche, ta enganada, muito enganada. Eu quero essa garota na sarjeta, mas do que ela já ta. E eu ia conseguir isso, custe o que custar.
Estava andando de um lado pro outro, atrás da quadra, sem conseguir fazer a droga da adrenalina baixar. Meu sangue estava quente, e eu podia bater em qualquer um agora.
__ Quer parar de andar, Damon? Vai fazer um buraco no chão. __ Pediu Kol, impaciente.
__ Fica na sua se não sobra pra você, Mikaelson. __ Respondi, bufando.
Andei por mais alguns bons minutos antes de finalmente parar. Olhei pro rosto de cada um deles, analisando suas feições e deixando que analisassem a minha.
__ Eu quero acabar com essa garota. __ Pude ver Rose e Rebekah sorrindo.
Elena PV
Caroline me arrastou para dentro do vestuário, me colocando sentada no banco. Amy apareceu logo depois que entramos.
__ O que foi aquilo Lena? Brigar assim com Damon Salvatore? Péssima escolha. __ Ela começou.
__ Agora não, Amy.__ Interrompeu Caroline.
Eu não conseguia pensar, a raiva estava me deixando cega. Eu sabia bem que agora Damon nunca mais me deixaria em paz, mas com ele, eu só queria guerra mesmo.
Eu não conseguia não odiá-lo, ele tinha a receita perfeita para despertar o ódio em mim. Pra começar, é um babaca que acha que manda no mundo, e que seria alguma merda se não fosse o dinheiro. Errado, se os Salvatore ficassem pobres amanhã, morreriam no dia seguinte.
Deixou paraplégica a pessoa que é como um segundo pai pra mim, e nem foi pedir desculpas. Pelo que conheci dele, nem ia.
E tentou me rebaixar de todas as formas que pode, só me deixando com mais raiva ainda. Precisa de mais algum motivo?
Eu sentia as lagrimas de ódio escorrer pelo meu rosto.
__ Calma, Lena, também não precisa ficar assim, é só pegar uma roupa minha. __ Ofereceu Caroline, cautelosamente. Levantei.
__ Esse não é o ponto, Caroline. Não é pelas roupas, é por ele ter feito o que fez, só porque eu não tenho a mesma condição financeira que ele. Esse é o ponto. O preconceito.
Carol e Amy só me olhavam, deixando que eu desabafasse. E eu queria.
__ Eu estou tão cansada dessa cidade, e das pessoas que vivem nela,__ Meu choro já pingava no meu colo, de tão forte que estava.__ desse preconceito ridículo com pessoas que só facilitam a vida delas sabe? Acha que qualquer rico aqui saberia se virar se não tivesse tudo na mão? Se o empregado não facilitasse ao máximo? Eu não acho! Nenhum lugar é assim, em nenhum lugar do mundo a discriminação é tão grande, só nessa droga de cidade. Nessa bosta que eu nem queria que existisse!
Me joguei no banco de novo, colocando as mãos no rosto e chorando, o máximo que eu podia. Caroline e Amy se aproximaram, sentando cada uma de um lado, e me abraçando enquanto eu chorava.
__ Eu sinto muito, Lena.__ Sussurrou Amy, enquanto Carol acariciava meu cabelo.
Melhorei minutos depois, bem a tempo de o inspetor Cliff entrar no vestuário.
__ Srta. Gilbert, o diretor quer falar com você. __ Ele disse frio. Suspirei.
__ Só vou me trocar e estou indo. __ Ele assentiu, antes de fechar a porta. Me virei pra Caroline.
__ Pode me emprestar uma roupa?__ Perguntei suavemente. Ela sorriu, levantando imediatamente e se dirigindo ao armário.
__ Eu vou fazer você ficar linda, só pra esfregar na cara daqueles babacas.__ Ela disse animada, ri.
///
Acho que Carol me deu a melhor roupa que tinha naquela hora. Um short laranja desfiadinho curto e uma blusinha fofa do Mickey, tudo de marca. Eu adorei.
Retomada a minha confiança, caminhei calmamente até a sala do diretor, não me surpreendendo ao ver Damon lá.
Bati na porta antes de entrar.
__ Desculpe, diretor, é que eu tive que achar uma roupa antes de vir.__ Falei olhando sugestivamente para Damon, que apesar de não me olhar, revirou os olhos.
__ Tudo bem Elena, sente-se. __ Fiz o que ele mandou. Bill suspirou fundo antes de continuar.__ Algum de vocês pode me dizer o que diabos aconteceu?
Eu achei que Damon fosse me atropelar na frente com as palavras, mas ele só ficou olhando pra frente, parecendo entediado.
__ Damon rasgou as minhas roupas enquanto eu fazia educação física. __ Falei com certeza, o diretor olhou Damon.
__ Teve mesmo a coragem? __ Perguntou chocado. Damon finalmente focalizou nele.
__ Sim, entrei no vestuário eu mesmo e cortei tira por tira. __ Respondeu cínico. O diretor pareceu indignado.
__ Por quê? __ Damon revirou os olhos.
__ Precisa mesmo que eu responda? __ Revirei os olhos. Claro que não, porque eu era pobre.
O diretor bufou.
__ E então?
__ Ela me chamou de assassino. __ Ficamos os três em silêncio, antes do diretor se virar pra mim chocado.
__ É verdade. __ Respondi sua pergunta muda. Ele suspirou tristemente agora.
__ Bom, nesse caso eu não tenho escolha. Os dois com suspensão de três dias. __ Ele não precisava me explicar o porquê da minha suspensão. Assassino é uma palavra muito forte para quando só aconteceu um acidente.
Damon assentiu e se levantou, saindo da sala. Quando fui fazer o mesmo, o diretor me impediu.
__ Elena, __ me sentei novamente.__ lembra no primeiro dia, quando conversamos sobre não ser fácil sua estadia aqui? __ Assenti.__ Você me disse que não desistiria, e eu fiquei feliz por ser uma aluna forte a ganhar a bolsa, pra conseguir segurar a barra. __ Suspirei. __ Eu sei que não está sendo fácil, e sei que vai piorar, mas se lembre do que me disse aquele dia. Todo mundo aqui já tem futuro garantido, menos você. Estudar aqui vai te dar muitos créditos, e você vai poder ir embora. Então tente não brigar com Damon, por mais que ele provoque, ou eu vou ficar numa situação delicada. __ Ele falou tudo com suavidade, e eu sorri no fim de seu discurso, assentindo.
Sai daquela sala disposta a transformar aquilo no mantra da minha vida, mas eu sabia que com Damon Salvatore nela, não seria nada fácil.
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