All I Need

9 Capítulo 8


Notas iniciais
Oi gente, aqui está. Espero que gostem.

Sai da escola indo diretamente pro trabalho. Apesar de não gostar de perder aula, eu estava aliviada por não ver Damon durante três dias. O grande problema é o que eu falaria pro meu pai.

Desde o começo ele não apoiou muito a idéia de eu ir para essa “escola de ricos”, apesar de estar imensamente orgulhoso, porque sabia muito bem que não seria nada fácil minha estadia lá. De todas as pessoas, meu pai, por ser pescador, era um dos que mais sofria preconceito nessa cidade e é claro que não queria isso para mim.

Quando eu dissesse que fui suspensa, ele ia perguntar o motivo, eu teria que contar sobre Damon e ele provavelmente ia ficar furioso a ponto de querer tirar satisfação. Eu não sabia o que aconteceria se ele fizesse isso.

Então pra mim, no momento, a melhor opção é me concentrar no trabalho e resolver esse assunto depois.

__ Lena, o que faz aqui essa hora? __ Perguntou Matt, me olhando confuso.

Matt e eu temos uma grande amizade, nos conhecemos desde crianças e isso ate deu um rápido namoro, mas concordamos ser somente amizade mesmo. Ele era um grande confidente, e eu definitivamente posso contar muito com ele, prova disso é esse emprego, que ele me arrumou assim que eu pedi.

__ Tive uns problemas na escola. __ Confessei suspirando. Andei até meu armário que tinha nos fundos e peguei meu uniforme, rumando para o banheiro.

__ Que tipo de problemas? __ Gritou quando eu já estava razoavelmente longe. O bar não tinha aberto ainda.

__ Só um babaca preconceituoso. __ Respondi no mesmo tom.

Quando o bar abriu me surpreendi ao ver a quantidade de pessoas que tinha do lado de fora já. Meu turno nunca me deixou ver o bar abrindo.

__ O único bar e restaurante da cidade. __ Matt respondeu minha pergunta muda, suspirando.

Rapidamente nos dirigimos as nossas mesas, começando o trabalho. Não me surpreendi nem um pouco em ver Damon já aqui, bebendo no bar. Respirei fundo, contando ate dez, tentando de alguma forma diminuir a raiva que ainda estava dele.

Vamos lá, Elena, não pode perder o controle aqui!

Pegando isso como mantra, me concentrei no trabalho.

Fiquei imensamente aliviada ao passar por Damon e ele fingir que não me conhecia, me ignorando completamente. Ele não vai me provocar.

Durante horas o trabalho transcorreu normalmente, até que eu vi pelo canto do olho, a gangue do Salvatore entrar junta pela única porta do bar.

Agora eu sei que não vou ter sossego.

Damon PV

Estava no Grill há horas, canalizando toda minha raiva de Elena e esperando o momento certo para atacar, nesse processo, deixei que ela fizesse seu trabalho normalmente, criando a ilusão de que não faria nada para vingar o que fez pra mim mais cedo. Mas só criando a ilusão mesmo.

Quando meus amigos chegaram, sorri, colocando o plano em ação.

Mandamos juntar duas mesas e nos sentamos todos juntos, depois de muito observar, acabei entendendo como era o esquema de mesas aqui, e sabendo quais eram as de Elena e quais não. Então fiz questão de sentar em uma mesa dela.

Quando a olhei, vi ela estreitar os olhos pra mim, provavelmente tentando entender o que eu estava aprontando. Sorri malicioso.

Vi um garçom que conversava com ela o tempo todo ir em sua direção, e então ela cochichou em seu ouvido, o fazendo olhar pra gente e arregalar os olhos, espantado. Em vez de Elena vir atender nossa mesa, quem veio foi ele.

Revirei os olhos.

__ Pois não? __ O cara era alto, loiro e tinha olhos menos azuis que o meu. Apesar de ser maior que Kol, ele parecia incrivelmente molenga, o que me fez novamente ter vontade de revirar os olhos, mas não fiz.

__ Porque está atendendo aqui? Essa mesa não é sua! __ Falei impaciente. Ele arregalou os olhos.

__ E-eu ache-ei que não quisesse que ela atendesse você.__ Claro, me lembrei dele no dia do acidente.

Antes que eu pudesse falar qualquer coisa, um funcionário qualquer apareceu atrás dela, a puxando pelo braço.

__ Elena querida, pode deixar que eu atendo essa mesa. __ Ela saiu só depois de me mandar um olhar debochado.

Acho seriamente que minha boca está aberta. Uma raiva imensa me invadiu.

Aproximei-me do garçom, sem tocar nele é claro, e o encarei com ódio.

__ Diz pro seu chefe que se da próxima vez que eu vier aqui, aquelazinha me atender, eu mando fechar essa espelunca.

Ele engoliu seco, parecendo com medo, e assentiu. Eu respirei fundo relaxando, e voltei a sentar.

__ Agora eu quero. Mande-a aqui. __ Ordenei, ele voltou a gaguejar, fazendo todos da minha mesa rir com deboche e eu revirar os olhos.

__ M-mas...

__ Manda ela aqui, porra. __ Gritei, socando a mesa impaciente. Elena apareceu atrás dele, surgindo do nada.

__ Pode deixar Matt, eu cuido disso. __ Ela disse seria, o garoto assentiu, saindo rapidamente.

__ O que vão querer? __ Perguntou profissionalmente, não provocando em nada.

Isso não vai te ajudar, Leninha.

__ Tequila. A garrafa, não dose. __ Disse, ela assentiu anotando.

__ E eu quero uma sopa de gengibre morna, nem muito quente, nem muito fria, entendeu queridinha? __ Pediu Rose, debochada. Rebekah e Vicki riram, eu estava totalmente concentrado em ver as reações da morena na minha frente.

Ela anotou o pedido, ignorando completamente o tom de cada um de nós e voltou a me olhar.

__ Mais alguma coisa?

__ Por hora, não.

Ela trouxe a tequila e logo começamos a beber.

///

Apesar de não fazer nem vinte minutos que começamos a beber, eu já me sentia “alegre”, apesar de ter certa tolerância a álcool, tequila me deixava bêbado rápido.

Rose e eu estávamos nos agarrando na mesa de sinuca, apesar de tudo ter começado realmente como um jogo, e ninguém se atrevia a nos tirar de lá, mesmo que quisesse jogar.

Ela estava sentada na mesa e eu estava entre suas pernas, beijando ferozmente sua boca enquanto passava a mão pelas suas pernas nuas, já que o vestidinho de puta estava quase na cintura. Brutalmente, larguei o beijo e desci para seu pescoço, já “animado” com essa pegação louca. Não demorou muito para Rose me cortar completamente.

__ Damon. __ Chamou puxando meus cabelos, a olhei irritado.

__ O que foi porra?

Ela olhava para algo em minha frente, com um sorriso de satisfação e um brilho maldoso no olhar.

__ Olha aquilo.

Segui seu olhar, e vi Elena saindo da cozinha, com o que eu tinha certeza ser a sopa de Rose na mão. Sorri, adquirindo a mesma satisfação que Rose.

Finalmente!

Apressados, nos dirigimos à mesa, parando em pontos estratégicos, eu com a cadeira um pouco virada na direção frontal na mesa e Rose em pé, no lado oposto.

Vi que Elena estava tendo dificuldades em carregar a enorme tigela nas mãos, já que essa provavelmente pesava, e estava completamente concentrada em não derrubar um pingo. Ela olhou rapidamente para nós e, com uma habilidade adquirida somente com habito, ela veio em nossa direção sem olhar pro chão, completamente certeira.

Meu sorriso aumentou ao notar o quão fácil isso ia ser.

Quando ela estava quase perto o suficiente para colocar a tigela na mesa, Rose esticou a perna, fazendo-a tropeçar e o liquido todo cair em cima do meu peitoral.

Droga, está quente!

Com uma raiva que eu não precisava fingir com ela, a olhei. Elena estava paralisada, com os olhos arregalados e tremendo ligeiramente.

__ Eu não acredito que fez isso, Elena! __ Gritei furioso, chamando a atenção de todos no bar, inclusive seu chefe.

__ D-desculpe Damon, e-eu não... __ Ela gaguejou, apavorada. Tive vontade de gargalhar.

__ Você não o que? Não teve a intenção se fazer isso? Eu sei que você fez de propósito Elena. __ Continuei gritando, fazendo seu chefe e o garçom se aproximarem receosos.

__ N-não, eu não, ela colocou o pé pra eu cair... __ Ela retrucou fraca, apontando ligeiramente para Rose. Eu estava adorando aquele desespero.

__ Agora você está acusando minha acompanhante de tentar me queimar? É isso? __ Continuei meu teatrinho, fingindo uma indignação tão grande que eu nem sabia que conseguia fingir.

Ela arregalou ainda mais os olhos e seu chefe se aproximou.

__ O que está acontecendo aqui? __ Perguntou nervoso, ele não gostava muito de confusões.

__ Sua garçonete, derrubou de propósito uma sopa quente em mim, para me machucar.__ Falei fingindo irritação. Ele olhou serio para Elena.

__ Isso é verdade?

__ Não! __ Gritou chocada.

__ Claro que é! __ Rebati.__ Confessa Elena, desde hoje cedo está com vontade de se vingar, então achou um jeito que fez parecer um acidente, mas não é.

Ela me olhou chocada, e eu comecei a ver indignação de verdade em seus olhos castanhos.

__ Isso não é verdade, eu não machucaria uma pessoa fisicamente pra me vingar, eu não sou assim Damon, você é. __ Ela gritou comigo.

__ Vê? Vê essa afronta? Está obvio que ela me odeia e quer me machucar. __ Gritei para seu chefe, que estava quase acreditando em mim.

__ Não quero!

__ Chega, os dois! __ Gritou ele, fazendo Elena e eu cessar. Ambos estávamos ofegantes. __ Elena, peça desculpas a ele.

__ Não,__ interrompi.__ isso não vai ser o bastante. Eu a quero fora.__ Disse convicto. Vi Elena arregalar novamente os olhos, com medo. Klaus também parecia chocado e Rose se segurava para não rir.

__ O que te faz pensar que pode dizer quem trabalha aqui? __ Perguntou o chefe dela, petulante. Eu ri.

__ Só o fato do meu pai patrocinar sessenta por cento desse lugar, __ Foi a vez dele arregalar os olhos.__ imagina o que aconteceria com aqui se eu o convencesse a não pagar mais?

__ Você é filho de Giuseppe Salvatore? __ Perguntou chocado. Sorri debochado.

__ Damon Salvatore, prazer em te conhecer.

O gerente olhou pesaroso para Elena, que tinha lagrimas nos olhos.

__ Eu sinto muito, Elena.

Ela assentiu fracamente e, quando me olhou, eu soube que ela entendeu qual era meu plano. Virando as costas, ela sumiu pela portinha dos fundos.

Cada um voltou para seu devido lugar, e eu vi o garçom, o tal de Mutt, ir atrás dela.

Voltei-me para as pessoas da minha mesa, e, apesar de todos os outros estarem rindo divertidos ou satisfeitos, Klaus não estava.

__ O que foi isso Damon? __ Perguntou se levantando.

__ O que?

__ O plano era só humilhar e fazê-la pedir desculpas. __ Ele continuou, chocado.

__ Mudei de idéia. __ Disse sorrindo satisfeito. Ele soltou uma risadinha incrédula.

__ Mudou de idéia? Damon a garota precisa desse emprego. __ Revirei os olhos.

__ Vai fingir que se importa agora?

__ Não estou fingindo. Eu e você não fazemos idéia de como é a vida dela, e como vai ficar agora que perdeu uma boa quantia mensal.

__ Ela vai sobreviver.

__ Como é que você sabe? O que tem que acontecer, para você parar de ser irresponsável? __ O olhei chocado.__ Eu estou decepcionado com você.

Dito isso, ele sai, sem nem olhar para trás.

Certo, isso doeu. Meus dois melhores amigos me odeiam agora.

__ Não liga pra ele Damon, Klaus não sabe se divertir. __ Disse Rebekah, passando a mão no meu rosto. Me afastei rapidamente, levantando.

__ Eu tenho que ir.

///

Dirigia sem rumo pelas ruas de Mystic Falls, pensando no que tinha acabado de fazer. Será que foi demais?

__ NOJENTO.

__ PÉ RAPADA.

__ INFANTIL.

__ MENDIGA.

__ ASSASSINO.

Rosnei ao lembrar o que ela me disse, e soquei o volante, com raiva. Aquela garota não podia me chamar assim, não sabe de nada.

Não, ela com certeza mereceu o que aconteceu hoje.

Com a raiva a flor da pele, a vi andando sozinha por uma rua, abraçando o próprio corpo por causa do frio.

Sem conseguir me controlar, parei o carro na sua frente, impedindo-a de passar. Ela se assustou a principio, mas quando me viu, foi tomada pela fúria.

__ Como vai a nova desempregada de Mystic Falls? __ Perguntei debochado. Ela rosnou, se jogando em cima de mim, me acertando com socos fortes onde podia.

__ Você é um filho da puta, Damon, um filho da puta! Como pode seu desgraçado, como pode? __ Ela gritou raivosa, seus olhos tomados por lagrimas, enquanto eu segurava seus ombros, impedindo-a de me bater mais.

__ Não bate que eu gamo!

Ela rosnou, voltando a aumentar a força sobre o meu aperto. Isso era ridículo, ela não enxergava que não tinha força nenhuma?

__ Para, está fazendo cosquinhas. __Zombei enquanto ela lutava com meu braço.

__ Eu te odeio! Eu te odeio! Eu te odeio!

__ O sentimento é recíproco querida.

Ela foi parando de lutar, provavelmente por perder as forças, e eu a soltei, quando notei que ela não ia me bater mais.

__ Por que armou tudo isso? __ Perguntou me olhando com uma raiva contida.

__ Porque você mereceu. __ Respondi simplesmente.

__ Eu mereci? Você rasgou as minhas roupas. __ Gritou indignada.

__ Você me enfrentou primeiro. __ Contrapus com raiva. Ela chocou-se ainda mais.

__ Você tem noção das coisas que faz por bobeira? Eu preciso desse emprego Damon.

__ Por mim, você e sua família podem morrer de fome.

Primeiro, um barulho, depois o ardume, só então notei que Elena tinha me acertado um forte tapa na cara.

__ Você é um monstro, continue assim, e ninguém nunca vai gostar de você. __ Ela disse com ódio, antes de contornar o carro e continuar andando. Coloquei a mão no queixo, só pra checar se estava no lugar.

Certo, isso doeu!

Notas finais
E então? Comentem e recomendem, por favor!