All For One
1 1
Notas iniciais
Segunda, 12 de abril de 2014, 06h30
O toque do telefone soou pelo quarto.
"Alô?" Alice atendeu, sonolenta.
"Alice, você ainda tá dormindo?? Eu e Steve estamos te esperando na sua porta!" Thomas, um de seus melhores amigos, estava histérico no outro lado da linha.
A morena levantou-se da cama num pulo, já acordada.
"Que horas são? Por que vocês não tocaram a campainha? Vocês estão a pé?"
Ela correu para o guarda-roupa, e pegou seu uniforme. Uma muda de roupa jazia dentro da bolsa, já que iria passar a tarde com os meninos. Ela ainda utilizava seu costumeiro colar, que ganhara quando nascera.
"São exatamente 6h30. Nós tocamos a campainha umas trinta vezes. Estou com bicicleta. Você vem comigo, Steve está de skate." Ele respondeu "Alice, você tem cinco minutos pra descer ou nós vamos nos atrasar!"
"Você está falando igual a meu pai! Tô quase pronta."
Ela riu e desligou. Escovou os dentes e fez um rabo de cavalo de qualquer jeito. Saiu do quarto e viu Sherlock, calmamente sentado em sua poltrona, lendo o jornal.
"Pai, por que você não me acordou?" Ela questionou pescando sua mochila.
"Perdi a hora." Ele desviou o olhar da folha em suas mãos para sua filha. Sorriu ao vê-la. Sempre o fazia.
"O que houve com a campainha?"
"Está em algum lugar na geladeira." Ele riu. Ela o acompanhou. Aproximou-se do detetive e abraçou-o.
"Estou atrasada, preciso ir. Tenha um bom dia." Ela lhe sorriu. Ele beijou seu rosto em resposta. Desceu as escadas quase caindo e saiu do 221B.
"Bom dia, Bela Adormecida." Steve brincou.
"Bom dia, palhaço. Vamos?" Os três seguiram para a escola.
***
"...Ele acompanhará vocês até o final deste ano."
O trio entrou na sala enquanto a diretora apresentava um novo professor para a turma.
"Desculpe o atraso, Srta. Dumont."
"Tudo bem. Mas sentem logo."
Eles o fizeram e ela tornou a falar.
"Sr. Moran ficará com vocês, agora. É isso. Boa aula." Ela se retirou.
***
"O que vocês acharam desse tal de Moran?" Tom perguntou, enquanto os três entravam na fila do refeitório.
"Ele parece normal, não vi nada de mais. É solteiro, bem dinâmico e atento... Mas parece bacana." A morena comentou.
"Ok, mas o que houve com o professor anterior?" Steve questionou.
"Disseram que foi transferido." Emily, irmã de Steve, apareceu. "Alice, você ainda vai lá em casa hoje?"
"Sim, e o Tom também. Não é para ficar de fofoca hein, nós vamos fazer o trabalho." O loiro retrucou.
***
18h45
A jovem entrou em casa em silêncio. A paz reinava no apartamento. Foi para seu quarto e guardou sua mochila com cuidado. Resolveu procurar seus pais. Foi ao quarto deles e os encontrou dormindo juntos, abraçados em sua cama. Não pôde evitar sorrir. Sherlock lentamente abriu os olhos e levantou-se, tomando um cuidado quase cirúrgico para não acordar John.
"Olá, querida." Ele beijou o topo da cabeça de Alice.
Seguiram abraçados para a cozinha.
"Vamos fazer silêncio, seu pai merece. Chegou do plantão há uma hora."
Os dois sentaram na mesa, e serviram chá.
"Como foi seu dia? Por que está sorrindo?"
"Eu acho lindo ver como vocês ainda se amam, mesmo depois de tanto tempo, pai." Ela respondeu, sincera. Dizia isso sempre que podia, e que os amava também. "Foi cansativo. Temos um professor novo de química, e meu trabalho com os meninos ficou incrível." Ela contou, e bebericou a xícara. "E o seu?"
"Compus um pouco e pensei bastante. Foi um dia tedioso, mas recebi um torpedo de Lestrade quando John chegou em casa. Vi como ele estava cansado e avisei a Gavin--"
"Greg." Ela corrigiu.
"A Greg que não participaria. Na verdade, ele me mandou algumas provas e eu mandei-lhe a solução em dez minutos. Como é seu professor novo?"
"Nada alarmante. Solteiro, têm um cachorro, é bem sociável e explica bem a matéria."
Sherlock sempre perguntava sobre as pessoas que rondavam sua filha. Temia pelo seu bem estar e sua vida. John apareceu na porta.
"Boa..." Ele checou o relógio de parede. "Noite."
"Olá, pai." Ela beijou seu rosto enquanto ele sentava. "Achei que fosse dormir mais.."
"Eu também." Ele riu.
Sua expressão sonolenta era claramente visível. O silencio durou.
"Eu estava pensando em ver um filme." A jovem comentou.
"Boa ideia." O doutor concordou. Os três seguiram para o quarto do casal — por ser mais 'aconchegante' como Alice dizia — e resolveram assistir A Casa do Lago. Era o filme favorito do trio. A menina pegou no sono junto com os pais, e os três adormeceram abraçados e em paz.
Mal sabiam eles que a paz logo acabaria.
Fale com o autor