All For One
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Notas iniciais
Segunda, 19 de abril de 2014, 06h00
Toc, toc.
“Querida, acorde.” John adentrou o quarto e sentou-se na cama. Alice resmungou.
“Vamos, levante-se.” Ele cutucou-a.
“Pai... Você está em casa para me acordar, que milagre...” Ela tentou exclamar enquanto acordava, já que na maioria das manhãs, John ou estava no hospital, ou estava descansando. Ele riu e acariciou seu braço.
“Sim, estou.” Disse ele.
Ela puxou-o, fazendo ele deitar-se ao lado dela.
“Fica um pouco aqui?” A jovem parecia uma menininha manhosa. “Sinto sua falta... Você trabalha muito.” Ela deitou-se em seu peito.
“Sinto muito sua falta também, querida. Mas é preciso.” Eles ficaram mais alguns minutos conversando quando ouviram um barulho vindo da cozinha.
“Pai!”
“Sherlock!” Eles exclamaram em coro.
Foram até a cozinha correndo e encontraram um Sherlock afobado com um balde d'água na mão.
"Eu estava... Tentando fazer panquecas." Ele olhou para os dois como uma criança que pede desculpa aos pais.
Eles caíram na gargalhada.
"Um homem que faz variadas experiências com partes humanas, não consegue fazer algumas panquecas..." John ria. "Bom dia, amor." Ele pôs-se a arrumar a bagunça feita pelo moreno.
"Bom dia..." Ele possuía um semblante decepcionado.
"Não fique triste, pai. Qualquer dia Mrs. Hudson pode te ajudar." Alice o consolava. "Vou me arrumar, já volto."
Ela foi até o banheiro e tomou um banho rápido. Vestiu seu uniforme e pegou um casaco, já que fazia frio naquela manhã. Optou por deixar o cabelo solto e fez uma maquiagem leve, com um gloss pêssego. Saiu do quarto já arrumada e sentou-se à mesa.
"Mrs. Hudson é a heroína de hoje!" A morena brincou enquanto a senhora servia alguns ovos.
"Bom dia, meninos." Ela respondeu aos três. Alice fez seu desjejum normalmente e partiu para a escola.
***
A aula de química corria bem. Sr. Moran fazia sucesso entre os alunos. Ajudava bastante aqueles que se davam mal em química e era satisfatório a todos.
"... Os gases carbônico e hidrogênio..."
A morena estava perturbada e inquieta em relação a alguma coisa...
"Que cheiro é esse...?" Alice murmurou.
"O quê?" Steve havia escutado.
"O cheiro..." Ela repetiu, parecendo confusa. "Isso é gás!" Ela exclamou, mas de forma discreta.
Escreveu um bilhete para Tom, alegando que caso ela não voltasse em cinco minutos, ele deveria alertar a todos. Deixou-o na mesa do colega e levantou a mão.
"Professor?"
"Sim, Holmes?" Ele virou-se para ela.
"Posso ir ao banheiro?"
Ele assentiu e ela saiu da sala. Tentou seguir o cheiro, mas ele parecia estar em todo o lugar. Ela precisava achar a fonte antes que maiores problemas fossem causados. Ou então, avisar a todos... Ela começou a sentir-se um pouco tonta. Andava atenta pelos corredores da grande escola, e comentava com todos os funcionários que passavam.
"Ei, Michael! Isso é cheiro de gás?"
Os inspetores falavam com os professores e todos iam alertando a todos de qualquer possível confusão.
Ao dar mais três passos, um clarão invadiu sua vista, e uma força quente a jogou para trás. Ela não conseguiu levantar, e encolheu-se contra a parede, tentando se proteger da explosão. O alarme de incêndio disparou, e ela viu os alunos de sua turma saírem correndo. Tom e Steve a avistaram, mas ela fez sinal para eles saírem. Seus ouvidos ainda zuniam, e ela começou a pensar.
Há mais salas para lá... O local da explosão foi no refeitório.
Ela fechou os olhos e foi como se o mapa do colégio estivesse à sua frente.
O fogo está se alastrando, e tomará o local inteiro. Precisa ser contido em quinze minutos, ou a escola sumirá em cinzas.
Ela pegou seu celular, que por sorte estava em seu bolso.
"Há um posto de bombeiros há duas quadras daqui. Chame-os lá, o atendimento será mais rápido, temos 15 minutos e contando. Vou ver o que posso fazer para tirar o 6º ano da sala, o fogo está bloqueando-os. Ficarei bem." Ela enviou para Steve.
Pegou um dos extintores de incêndio da escola, e percebeu que o local em que estava parecia esquecido. Ninguém pareceu lembrar das salas mais adentro do colégio.
Então é isso que o pânico faz.
Correu até o refeitório, e viu alguns alunos do 6º pedindo por ajuda. William, um dos inspetores, estava logo atrás de Alice.
"Will!" Ela o chamou. "O 8º ano está preso no corredor ao lado! Sobraram alguns do 6º, vou tirá-los de lá, vamos!" Ela o informou e ele mandou-lhe um sinal de OK.
Alice apagou o fogo que separava os alunos da parte segura, e eles correram, agradecendo. Uma garotinha ruiva parou na frente dela.
"Alice, eu não consigo achar minha amiga Charlie! Ela estava no banheiro, eu não sei onde ela está! Por favor, ajude-a!"
"Eu vou trazê-la, juro. Agora saia daqui, rápido!" Ela vestiu seu casaco e correu entre as chamas.
"Charlie!" Ela chamava. "Charlotte, você está aqui?!"
Ela mal enxergava, e respirar estava cada vez mais difícil. Seus pulmões se enchiam e ela tossia bastante.
"Aqui dentro!"
Ela ouviu uma voz fraca vinda do banheiro. Correu até lá, o conteúdo do extintor de incêndio estava acabando.
"Charlie!" Ela gritou quando chegou na porta do banheiro.
"Eu não consigo abrir a porta!" A menina tossiu.
Alice bateu com o extintor na fechadura, até quebrá-la.
"Venha, rápido!" Alice cobriu Charlie com seu casaco, e elas saíram correndo. Alice mandou-a na frente e passou os olhos pelo local, a procura de mais alguém que necessitasse de ajuda...
Ela avistou um rosto. Um homem. Ele estava distante, por trás das chamas, e sorria para Alice. Mas não era um sorriso agradável. A menina tentava entender quem era aquele homem vestido de terno, no meio do incêndio em sua escola. Estava absorta, e foi acordada por Will, que puxou seu braço.
"Vamos!" Eles saíram correndo, protegendo-se do calor.
A morena tossia muito. Chegaram na saída quando os bombeiros adentraram o local. Alice viu Charlotte e sua amiga abraçadas.
"Alice, você está bem?" Tom e Steve vieram em sua direção.
"Acho que sim..." Ela voltou a tossir. Tossia muito, e não conseguia parar para respirar. Seu cérebro havia trabalhado muito enquanto esteve dentro do colégio, e só agora ela percebeu o quanto fora afetada pela fumaça. Sua visão ficou turva e ela não conseguia respirar. Por fim, desmaiou nos braços de Thomas.
14h25
Alice abriu os olhos devagar, para se acostumar com a claridade. Estava num quarto branco e verde, e conectada a alguns aparelhos e utilizava uma máscara de oxigênio. Estava no Bart's. Sentia sede, e notou uma enfermeira próxima a ela. A mulher notou-a, e chamou um médico.
"Filha!" Era John. Ele correu até a cama para vê-la. "Como você está se sentindo? Você nos assustou! Você está bem?" Atacou-a com perguntas e, a pesar de lutar contra, ele estava com um nó na garganta só de pensar no que poderia ter acontecido à sua menina.
"Sim..." Alice tentou dizer por detrás da máscara.
John lembrou-se que era o médico ali, e começou a checar as máquinas e a saúde da jovem.
"Você terá que ficar sob observação por 24h, e é óbvio que quem vai te observar, sou eu." Eles sorriram. A porta então se abriu, revelando um Sherlock aflito.
"Meu anjo!" Ele seguiu os mesmos passos de John. "Como você está?" Ela acenou com a cabeça que estava bem e riu.
Pais são sempre iguais.
Sherlock foi até o outro lado da cama e depositou um beijo no rosto de John.
"Como ela está?"
"Indo bem. Terá que ficar aqui por 24h, e então veremos como ela está." John respondeu, aflito.
"Tudo bem então, ficarei aqui."
Durante as horas seguintes, Alice fez alguns exames e recebeu visitas. Tentou conversar com todos, mas a máscara dificultava. A pesar de tudo ela se sentia bem, apenas cansada. Cansada e preocupada... Ela tinha quase certeza de que a explosão fora proposital. Mas apenas quando saísse daquele estado ela poderia fazer alguma coisa.
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