Notas iniciais
Olha quem voltou rapidinho c: Eu fiquei super feliz com os comentários perfeitos que recebi no capítulo anterior e eu tive que escrever rapidamente esse para vocês. Muito obrigada por todo apoio, carinho, elogios, sugestões que me mandaram, adoro isso e por favor continuem. Eis o capítulo. boa leitura.

Não sei como reagir de outra forma ao ver fotos da minha mulher nua pra outro homem, com uma expressão de prazer e, principalmente, por saber que ela o amou se não com raiva, aquela raiva momentânea que você sente, que não te deixa pensar, que te deixa agir por impulso e te deixa cego de ódio. A maioria das fotos foram tiradas por ele mas algumas foi ela mesma quem tirou, o que me deixou pior que já estava, e pela expressão de choque que ela estava agora, tenho certeza que ela não fazia ideia de que ele poderia chegar tão baixo a ponto de a expor dessa forma . É a cara do filho da puta asqueroso fazer algo assim.

— Não acredito que ele fez isso comigo – sussurrou ela tão baixo que mal ouvi. Ou eu que estava fervendo de raiva e não prestei atenção em nada apenas no quanto eu queria matá-lo. Ela é minha, só minha, eu deveria ser o único cara que ela amou. Eu a desejo, a respeito, a valorizo e principalmente a amo. A amo mais que tudo. Mas minha raiva não me deixa me aproximar, a consolar e mimar porque a porra daquelas imagens não saíram da minha cabeça além daquela frase que se ela me questionar eu seria obrigado a responder porque prometi que nunca a magoaria.

— Eu irei tomar providências – me levantei da cama e vesti a cueca e min a calça passando minha camisa para ela vestir – Dê-me o celular – estendi o braço para ela que me olhou com medo – Vamos Anastásia – disse mais grosso que deveria.

— Não quero que veja – sussurrou ela – eu pensei que ele apagava as fotos. Ele disse que apagava – a olhei incrédulo, mal acreditando no tão ingênua ela era, ainda é — Se ele mandou para você pra quem mais ele poderia mandar?!

— Eu vou me certificar de que ninguém tenha mais acesso a essas fotos. Apague rápido – via que sua mão estava tremendo, ela toda estava tremendo talvez de raiva, magoa ou ate mesmo vergonha. Ela me entregou o celular e eu rapidamente liguei para Ross. Apesar da Diretora da minha fábrica ser lésbica, confio mais nela para fazer isso que em qualquer homem.

Anastásia não estava olhando para mim quando eu falava com Ross, o bom de pedir favores para Welch é que ele nunca me questiona já Ross eu tenho que explicar detalhadamente como, quando onde, porque... E a minha paciência nesse momento está nula, então a cortei rapidamente e mandei que simplesmente fizesse o serviço sem questionar.

— Ross é um homem? – ela abraçou o próprio corpo em uma indireta de que ela precisava se sentir protegida mas eu estava estático. Estava me acalmando para não falar alguma besteira que me arrependeria depois mas com certeza mandaria Taylor dar um susto naquele desgraçado ela sabendo ou não, foda-se.

— Não. Ela é diretora da minha empresa, meu braço direito e ela vai resolver. Se certificar que ninguém nunca tenha acesso a essas fotos. Nem mesmo ele. São só essas ou tiveram outras?

— O que você quer dizer com isso?

— O que você entendeu Anastásia – ela me olhou em choque. Acho que nem aquele dia com o Príncipe de merda eu fiquei tão puto como estou agora – Você mandou mais fotos pra ele ou tirou mais alguma? Não quero nada seu com ele.

— Você não tem o direito de falar assim comigo, sabe? Eu entendo que esteja com ciúmes mas isso foi a anos atrás. Eu tive um relacionamento de anos com ele e mandar esse tipo de foto é normal – ri em deboche.

— Normal? – cruzei os braços – Então me explica como isso é normal?

— Vai me dizer que em uma tarde de trabalho árduo você não gostaria de receber uma foto minha nua – ela disse rapidamente e nervosa.

— Isso é completamente diferente. Logico que eu gostaria mas eu nunca faria uma coisa dessa. Eu tenho caráter. Esse filho da puta não mudou nada esses anos todos. É um merda, igualzinho ao pai dele.

— O que? – ela me olhou confusa – O que você sabe sobre Jack ou a família dele? – infelizmente tenho que apreender a controlar minha raiva para não dizer coisa que não devo. Agora não tenho saída a não ser contar para ela.

— As vezes, Anastásia, você o defende ridiculamente – explodi.

— Me responde Christian – ela gritou comigo e eu a olhei.

Ana estava alterada como nunca vi antes. Não queria ter essa conversa com ela em um momento em que ambos estivessem alterados porque quando se está com raiva acaba falando coisas que não gostaríamos. Meu maior medo em contar a ela é perder tudo que conquistamos até agora.

— Se você quer mesmo saber é melhor se acalmar.

— Eu estou calma Christian – ela deu de ombros – eu só quero viver minha vida em paz sem ter terceiros, segredos ou mentiras interferindo. Então pode me dizer o que tiver que dizer.

— Eu já te contei uma parte da minha infância mas eu não contei uma parte, uma pessoa que eu fiz questão de esquecer e apagar da minha vida. Quando eu tinha uns dois anos, minha mãe biológica teve um filho do cafetão. Ele teve o amor dela, dele, uma família, ele tinha carinho e comida qualquer hora e eu o odiava. O odiava porque ele tinha o que eu não tinha – Ana me olhava séria – ele sempre me culpou porque Ella morreu o cafetão foi preso, principalmente porque eu fui adotado pelos Grey e ele ficou onde morávamos com a avó o avô.

— Jack foi criado pelos avós depois que me disse que os pais tinham morrido – ela sussurrou e encarou o nada – Vocês são irmãos biológicos, não são?

— Somos – infelizmente, acrescentei mentalmente.

— Você era de Detroit?

— Carrick e Grace estavam em uma viagem pelos Estados Unidos como voluntários. Carrick ajudava quem precisava de serviços como advocacia e Grace médica voluntária. Eles estavam em Detroit a um tempo porque tinham acabado de adotar Elliot e era ruim ficar mudando com uma criança. Carrick se tornou juiz e Grace médica pediatra em um hospital e também voluntária. Ela quem me encontrou, meu anjo. Jack não estava lá quando tudo aconteceu, estava nos avôs ele chegou bem na hora que eu estava no colo de Grace o pai estava sendo levado assim como a mãe em um saco preto.

— Jack sempre me disse que o irmão biológico dele era ruim. Que o batia na escola e essas coisas – respirei fundo para não explodir com ela novamente. Como odeio quando ela tenta justificar os atos de alguém, principalmente desse desgraçado.

— Mas ele não te contou o que aconteceu anteriormente... Eu não sentia nada, não falava, nem deixava que os outros chegassem próximos de mim. Eu nunca tinha dado um abraço na minha mãe ate pouco tempo. Quando eu via Jack na escola, porque não pude sair da escola que eu estava por causa de leis, eu sentia alguma coisa. Raiva, adrenalina e sem falar que eu queria esquece-lo, nunca mais ver ele na minha frente. E eu sim descontava tudo nele. Batia nele. Até que um dia me convidaram a se retirar da escola e foi meu alivio e do meus pais. Nos mudamos para Seattle e eu nunca mais ouvi falar dele até o dia que eu quis comprar a A&J e soube que era dele.

Ana estava muda, não olhava para mim mas eu vi que ela estava magoada. A última coisa que eu queria era vê-la magoada, sua reação me deixava cada vez mais com medo. Eu ainda estava morrendo se ciúme, mas a expectativa da sua reação e o medo de perde-la era maior que qualquer coisa.

— Você sabia disso esse tempo todo? – sussurrou encarando o vazio.

— Não, Ana – me apressei em responde me aproximando dela a decepção foi grande quando ela se afastou – Eu não sabia. Acredite em mim.

— Porque é uma grande coincidência você querer comprar a parte dele da editora e estar comigo depois que ele terminou comigo – os olhos dela se encheram de lágrimas.

— O que você quer dizer com isso? Eu já disse que seu pai quem ofereceu a empresa para eu comprar. Eu soube que ele era seu noivo dias atrás. Você está achando que eu estou com você por algum tipo de vingança? – passei a mão no cabelo nervoso – É sério isso? Depois de todo esse tempo e tudo que passamos juntos você realmente não acredita que eu te amo?

— Qual é, Christian – ela deu de ombros – eu não sou o tipo de mulher que você sairia. Você é milionário, pode ter qualquer uma. Eu não tenho o corpo, o jeito e ainda mais – ela riu irônica – eu sou estéril.

Eu estava sem palavras. A primeira e única mulher que amei em toda minha vida estava na minha frente duvidando do meu amor.

— Olha, eu nunca amei nenhuma outra mulher para saber como se ama, como se demonstra amor. Se você prefere acreditar no cara que te traiu, que te trata de objeto e chama de resto, aí é com você. Mas se você realmente acha que eu não te amo, que me importo com corpo e que sou igual a todos os outros então só prova que você não conheceu nada sobre mim durante todos esses meses juntos. E isso dói e muito.

Peguei uma camiseta qualquer e sai do quarto a deixando sem nem olhar para trás.

*****

Não vi quando escureceu porque o bar sempre é a meia luz nos dando uma sensação de que o tempo não passa e com os copos sempre abastecidos não da vontade de ir embora. Agora eu posso dizer o tão errada Elena estava ao dizer que “amor é para os fracos” porque essa dor no peito misturado com medo e solidão só alguém extremamente forte para aguentar e eu não sei se sou esse alguém.

Eu sempre procurei passar a imagem do magnata frio e calculista que tem tudo sob controle para mascarar o garoto fraco que eu sou. Em alguns aspectos posso ser forte, como Flynn diz, mas ele nunca me disse como agir quando estou prestes a perder a mulher que amo.

Suspiro tomando mais um gole de whisky depois de dispensar a sexta mulher que tenta se aproximar de mim no bar. Estou tão bêbado que não me lembro o caminho do quarto que deixei minha amada horas atrás, não se ela está bem, se foi embora e tirou as coisas do meu quarto mas uma coisa é certa, eu não quero ir para lá para ver que suas malas não estão ao lado das minhas, sua escova de dente ao lado da minha, mesmo que ela sempre use a minha escova, e, principalmente, chegar lá e sentir o cheirinho dela por todo canto e saber que eu nunca vou senti-lo novamente.

— Hey, garoto – Senti uma mão em meu ombro e rapidamente me retrai ficando tenso. Ana é a única que pode me tocar mas fico aliviado ao ver Raymond – Acho que já bebeu o suficiente.

— Ela vai me deixar, Ray – sussurrei encarando uma bolinha solitária de ar subindo para a superfície do whisky. Virei mais um copo e estava prestes a encher outro quando ele tocou em minha mão me impedindo.

— E beber vai trazer ela de volta? – o olhei com olhos magoados e aconteceu comigo algo que nunca tinha acontecido antes, meus olhos marejaram. Ele não me tranquilizou dizendo que ela não tinha ido embora, porque?!! – Para de beber. Beber não vai amenizar sua dor.

— Não mesmo – quando eu era adolescente eu costumava beber para tentar esquecer e amenizar a dor, nunca funcionava.

— Então, já está tarde, coisas foram ditas em ambas as partes. Você mandou seu segurança dar um jeito naquele desgraçado e eu mandei o meu. Eu sei que não tem culpa por ele ser seu irmão, mas entenda que é um choque para ela, aquele homem fez muito mal a ela.

— Eu não quero perde-la, Ray. Mas ela não acredita que eu a amo, ela acha que eu estou usando ela e – falei desesperado com as lágrimas caindo e isso me desesperava ainda mais.

— Shiii, calma, Christian – ele me abraçou e eu permiti que ele me aninhasse como meu pai sempre fazia quando Elliot estava mal – Você me lembre a mim mesmo quando me apaixonei pela Carla sabia? Ela sabe, garoto, qualquer um sabe o quanto você a ama. E ela te ama tanto quando você a ama. É o medo de sofrer novamente que a deixa insegura. Ela foi traída e uma mulher traída perde total confiança em si mesma, a auto estima fica baixa e isso demora um pouco para voltar.

— E se eu não estou fazendo isso certo? – limpei as lágrimas das minhas bochechas – E se eu não demonstro suficiente o amor?

— Então demonstre mais, a ame, beije-a, abrace, mostra que você é dela tanto quanto ela é sua. Agora, vamos voltar pro quarto, tomar um banho fria e descansar. Amanhã você estará mais calmo e ela também e aí vocês podem conversar melhor.

— Eu não quero ir pro quarto e não ver ela lá – ele me guiou para o quarto – ver as coisas dela por lá, sentir o cheirinho dela na cama e ela não estar lá.

Ray sorriu levemente perdido em sua própria lembrança, mas me guiava para meu quarto. Eu sei que ela disse tudo aquilo no momento da raiva, assim como eu disse coisas sobre as fotos dela com Jack. Que eu nem quero lembrar. Mas não a culpo por achar aquelas coisas de mim, mas doeu, aquele manipulador desgraçado deve ter inventado as coisas mais absurdas sobre seu irmão biológico. Deve ter se passado como vitima. Como o odeio. Mas agora quero só esquecer da existência dele e de qualquer coisa que envolva nosso passado, tudo que importa agora é Ana e nosso futuro juntos. Se ela ainda me quiser.

— Tome um banho, garoto, deita e descansa – ele abriu a porta do meu quarto e sorriu olhando para dentro.

Ana estava deitada na nossa cama ainda com minha camisa e abraçando meu travesseiro. Quando ela percebeu que chegamos sentou-se na cama e assentiu para o pai que assentiu de volta. Entrei no quarto e fechei a porta.

Notas finais
E aí galera? E o que acharam do capítulo?