Notas iniciais
Oii meninas. Minha vida tá super corrida. Além da faculdade que voltou, eu fiz varias entrevistas de estágios essa semana porque minha família ta passando por momentos difíceis financeiramente. E, gente, eu consegui um emprego o/ Eu fiquei muito feliz porque eu estou precisando mesmo do dinheiro e sem falar na experiência que terei na minha área. Bom, minha vida vai ficar ainda mais corrida com a faculdade e agora um emprego. Não conseguirei postar mais diariamente, talvez dois capítulos na semana ok?! Desculpa mesmo. Queria agradecer pela linda recomendação que recebi da Mabia. Obrigada por todo carinho e apoio que me deu desde o inicio da fic, você é incrível. Obrigada mesmo minha linda ♥ Capítulo dedicado a você.

Depois do almoço, que por sinal estava delicioso, Sr. Ákila nos levou para um passeio para o setor novo da Instituição que estava em funcionamento a apenas seis meses. O setor novo cuidava das mães que sofreram algum tipo de trauma, como estupro, algumas viciadas em drogas, outras simplesmente não tem condições de criar uma criança e então, em parceria com o governo, a instituição organiza tudo para um processo de adoção já que existem milhares de famílias esperando por um bebê. As mães aqui são tratadas da melhor maneira possível, médicos, psicólogos, cuidados paliativos e orientadores. É respeitada a decisão dela e elas podem permanecer sendo cuidadas até quando for preciso. Assim como seus bebês são muito bem tratados desde o seu nascimento até a adoção ou permanência com sua família de origem.

Acho que esse novo setor reflete e muito no quesito o que Christian sente em relação a sua mãe biológica. Eu acredito que ele a ama, ou pelo menos a amava, tanto quanto ama Dona Grace e, talvez, se ela tivesse oportunidade de ter pessoas que a orientasse como essas mães talvez sua gravidez e a infância de Christian teriam sido diferentes, até o destino dela poderia ter sido diferente. Mas são hipóteses que nunca chegarão a uma conclusão.

Também visitamos o ginásio onde algumas crianças estavam dançando, um grupo de meninas prestava atenção a todos os passos que eram ensinadas pela professora de ballet e eu me lembrei o tanto que eu gostava de fazer ballet quando era pequena. Tambem visitamos a escola, mas sem atrapalhar as aulas, os campos de futebol e também a incrível piscina onde as crianças aprendiam a nadar.

— Você poderia nadar com eles — sugeri com um sorriso entrelaçando minha mão a dele conforme caminhamos pela macieira. As plantações, assim como todo lugar, eram perfeitamente cuidada e tratada com muito carinho pelos pais e algumas mães das crianças.

— Quem sabe amanhã. Hoje você prometeu que iríamos ao jogo — ele pegou uma maçã direto da arvore e era vermelhinha e bem docinha.

— Você não quer ir? — a decepção era visível em meu rosto — Desculpa, se você não quiser ir, não precisa ir.

— Ana, eu estava brincando. Claro que quero ir, eles pareceram muito felizes com nossa ida a ao jogo — sorri quase dando pulinhos de felicidade.

Um alto soar de sirena soou me assustando um pouco. Christian disse que era a sirene indicando o fim das aulas e também do trabalho tanto no campo quanto na fábrica. Ele insistiu para que eu visitasse a loja da fabrica e comprasse algumas lingeries que devo dizer que são maravilhosas, muito bem feitas, trabalhadas e detalhadas, sem falar na qualidade. Compraria deles sempre e isso pareceu despertar algo em Christian que o fez sorrir de canto. Algo me diz que ele quer abrir uma loja de lingerie lá em casa.

Alguns pais e mães pegavam seus filhos na saída da escola para irem para suas casas na cidade ou no campo, algumas mães pegaram seus filhos para ir em seus respectivos quartos na instituição descansar e se preparar para o jantar e, a grande maioria, se dirigiu ao campo de futebol, mesmo com o tempo fechando e ameaçando uma forte chuva, pareciam estar animados para o jogo.

Sr. Ákila me surpreendeu quando entrou com um bermudão, regata e apito no campo pronto para ser o juíz. Do lado de fora encontrei com a garotinha das bonecas, seu pai era o técnico de um dos times e ela me pediu para torcer para eles, o que me fez rir.

— Tia, você e o tio tem um filhinho? — aquela pergunta me pegou de surpresa e eu fiquei sem coragem para olhar Christian que estava sentado bem ao meu lado na arquibancada de madeira improvisada.

— Não, minha linda, o tio e eu não temos um filhinho — respondi o mais doce possível.

— Não? — ela me olhou com aquele olhar de curiosidade infantil.

— É que... — mordi o lábio inferior pensativa — o tio e eu não somos casados, então não temos um filhinho.

— Ah, mas vocês vão ter um dia — disse ela com aquela convicção, inocência e alegria infantil que pouco se vê nos dias de hoje — e também, daqui a três dias é dia do Anjo da Guarda.

— E o que quer dizer, linda? — perguntei olhando para o jogo que tinha começado.

— Quando as famílias que querem ter um filhinho mas não podem vêem aqui e levam um anjinho da guarda — ela levantou agitando as mãozinhas e disse um idioma que não compreendi como se repreendesse alguém no jogo.

— É o dia da adoção — explicou Christian fazendo carinho na minha coxa — famílias selecionadas vêem para cá levar o bebê que foi escolhido para elas.

— Entendi. Hey — desconversei cutucando sua costela com o cotovelo. Essa conversa já era demais para quem está junto a pouco tempo. Agora, eu quero mesmo é curtir e muito com ele — para quem estamos torcendo?

— Não sei — ele riu — Para quem ganhar? — brincou ele me fazendo rir — acho que temos que ser neutros. Não podemos magoar nenhuma criança.

A chuva começava a se formar despencou sem dó, mas nem por isso a animação do jogo diminuiu. Pareceu aumentar. Os meninos mais velhos começaram a entrar nos times e todos se divertiam tanto que até nós da arquibancada estávamos em pé torcendo.

— Você não vai ficar gripada? — sussurrou Christian no meu ouvido.

— Não — ri — Vai jogar, Chris. Anda, o time verde tá desfalcado — disse animada praticamente o empurrando arquibancada abaixo.

— Ana, eu não jogo bola a muito tempo. Esportes assim são com Elliot, não comigo — revirei os olhos e ele me olhou repreensivo.

— Vai jogar, Grey. Deixa de frescura. Praticamente homem já nasceu sabendo transar e jogar bola. Então vai — ele riu alto e tirou a camiseta que usa a, já que o time que ele iria entrar eram os que estava sem camisa, e jogou para mim.

As crianças se animaram quando viram Christian indo para o campo que mais uma mistura poças de água, lama e grama. Se eu pudesse registrava cada segundo desse momento. Ver Christian Grey só de bermuda jeans, com seu sapatenis caro todo sujo de barro, sem camisa, molhado, com um lindo sorriso e jogando bola com muitas crianças na Etiópia.

O time do Christian tava perdendo e uma coisa que conheço em Christian Grey é que ele não sabe/consegue perder. Só espero que ele lembre que a maioria dos times são crianças, muito competitivas, mas ainda crianças. Os times se reuniram em rodinhas e eu via Christian passar instruções as crianças e parecia muito sério, como reunião de negócios mas quando fizeram o grito de guerra do time ele estava relaxado e dando pulinhos. Ri. Ele acenou pra mim e eu acenei de volta em apoio mas a garotinha da boneca ficou chateada comigo.

— Tia, o tio ta no time contra do meu papai — ela cruzou os braços.

— Desculpa querida, mas a tia tem que torcer pro tio, faz parte de ser namorada — ela me olhou sorrindo.

— Sabe, tia, tem um menino no time do tio que eu acho bonitinho — nós duas rimos — mas não conta pro papai.

— Pode deixar.

O jogo recomeçou e todos ficaram torcendo para seus times. Até eu ficava gritando para Christian, como já vi meu pai fazer milhares de vezes de quando íamos para o jogo ou simplesmente para a televisão.

Um dos meninos mais velhos do grupo de Christian se aproximou do gol pela lateral esquerda quando Christian vinha com a bola. Todos gritaram para ele que cruzou para o menino que marcou um gol. Christian pulou de alegria e todos os times correram de volta para o campo de defesa atrás do garoto que marcou o gol comemorando. Eu estava pulando, batendo palmas e gritei animada. Quando ele me olhou piscou e eu sorri.

O juiz, Sr. Akila anunciou os últimos dois minutos de jogo. O time de Christian não poderia mais ganhar, mas ainda tinha chance de empate.

— Vai, bebê — gritei batendo palma — vocês conseguem!

O juiz deu inicio a partida, foi um cara do time de Christian que pegou a bola indo para o campo de ataque. Christian ia pela lateral direta e o cara com a bola na lateral esquerda. Eu gritei eufórica, eu e metade do campo, para que o garoto chutasse a bola e foi uma mistura de decepção e revolta quando um cara do time oposto derrubou nosso cara jogando barro para todos os lados. Pelo menos o juiz decretou falta!

Christian foi o escolhido para bater. Ele me olhou como se pedisse socorro mas eu só sorri o encorajando, mas eu estava nervosa esperando que ele acertasse o gol.

Todos estavam em silencio e o único barulho que se ouvia era a chuva e o barulho do apito do juiz. Parecia aquelas finais de mundial em que todos os movimentos eram e câmera lenta. Quando Christian chutou, prendi a respiração e me esforcei para não desviar o olhar. Era muita tensão. O goleiro se jogou para o lado da bola que bateu na trave lateral e passou por cima do goleiro balançando a rede e todos gritaram gol.

Sr. Ákila anunciou o final do jogo quando Chrisfian corria na minha direção comemorando o gol se sendo abraçado pelas crianças do time. Fui descendo por cima dos bancos até o andar mais baixo da arquibancada onde me joguei em seu colo beijando seus lábios.

— Mas que honra — disse ao final do beijo — ganhar beijo do jogador que fez o ultimo gol

Christian sorriu me colocando no chão. Sr. Ákila mandou que todos fosse para seus quartos que em breve seria a hora de jantar, mas Christian e eu resolvemos jantar lá pela fazenda mesmo já que amanhã iriamos sair de madrugada e ir para outra cidade ajudar na entrega das casas.

— Você quer ir depois de amanhã ver a adoção? — ele perguntou me olhando enquanto voltávamos de mãos dadas para a fazenda. Ele ainda estava sem camisa e a chuva caindo em seu corpo era uma imagem muito sexy.

— Se você quiser ir, nós vamos — passei o braço na sua cintura e ele passou seu nos meus ombros.

— Então vamos — ele beijou minha bochecha — mas se você ficar triste vamos embora ok? Não quero voce triste.

— Combinado — nos beijamos selando o acordo e fomos de volta para a fazenda.

*****

— Ana — ouvi a voz distante de Christian e me esforcei para abrir os olhos. Senti sua mão descendo pelo meu corpo, eu dormia de bruços e totalmente nua, e beijos no meu ombro e nuca me fazendo arrepiar.

— Ainda tá escuro, Chris — reclamei cheia de manha puxando a coberta para me aconchegar — e eu estou com sono.

— Baby, se não formos cedo teremos que pintar as casas na hora em que o sol está forte. Prometo que podemos voltar e dormir a tarde.

Estar aqui na Etiópia foi uma das melhores experiências que tive em minha vida. Christian, eu e mais de trinta voluntários de todas as partes do mundo passamos a manhã toda pintando as casas para as famílias necessitadas. Foi uma experiência única e uma das melhores da minha vida. Nós ficamos por lá ainda por mais uma semana e uma das experiências mais emocionantes que tive foi o dia de adoção, quando conheci mulheres como eu, estéris, e que estavam tão felizes com o novo bebê que acabou me contagiando e me deixando tranquila quanto a uma futura adoção que eu poderia fazer.

O mês outubro e novembro passaram voando entre cinco países que visitamos, culturas novas e claro muita experiência. Passamos por uma parte mais simples de cada país da Africa até subir para a Turquia onde pegaríamos um cruzeiro até a Grécia. Christian parecia outra pessoa, ou simplesmente ele mesmo, eu o amava cada vez mais e cada dia. Meus pais e seus pais ficaram chateados que não iriamos para casa para as festas de final de ano, mas acho que nós dois ainda não estamos preparados para outras pessoas ainda. Cada momento passamos juntos, só nós dois, nossa opinião, nossas escolhas e nossa vida. Acho que apesar de todo controle que ele tem sobre sua empresa, acho que ele nunca se sentiu no controle do próprio destino como agora. E isso é incrível.

— Sabe que você ficou bem de trancinha – disse ele enquanto subíamos para embarcar no cruzeiro. Ri.

— Eu também achei – em uma aldeia na Líbia as meninas gostaram tanto do meu cabelo que fizeram, em baixo, tranças como dreds que eu achei que me deu um ar mais hippie que eu achei incrível. Principalmente pelo tamanho que estava meu cabelo. Mas imagina se Christian me deixa cortar...

— Ana, Christian – disse uma voz muito conhecida. Nós dois nos entreolhamos antes de olhar na direção da voz e ver Elliot, Mia, Kate, Ethan e nossos pais vindo sorrindo na nossa direção. E se não queríamos ir para casa porque precisávamos de mais tempo sozinhos, ter todos aqui digamos que é a mesma coisa. Acho que as coisas vão complicar um pouco...

Notas finais
E aí pessoa... Como será que nosso casal vai lidar com a família por perto? hahaha beijos, até o próximo.