All Around The World
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Via a preocupação nos olhos de minha mãe a mais de três meses. Não sei mais o que estou sentido, no início foi uma tristeza que nunca senti antes, seguido por mágoa, carência e agora... Nada. Era apenas vazio. Minha mãe me recebeu em sua casa, mesmo contra minha vontade, para cuidar de mim porque segundo o psicólogo tudo que eu precisava agora era de apoio. Mas quem eu queria ao meu lado nesse momento simplesmente correu feito o covarde que todos disseram que ele era e eu nunca enxerguei. Agora tudo está mais claro...
- Ana, trouxe o café da manhã — disse com um sorriso acolhedor colocando a bandeja em cima escrivaninha — Ou você prefere descer e comer conosco?
- Acho que... — comecei a falar mas um furacão loiro rompeu a porta do meu quarto. Ela parecia determinada já que estava com as mãos na cintura e me encarava com aquele olhar que da certo medinho.
- Tia Karla, ela vai descer sim pra tomar café porque eu, Katherine Kavanagh, tive uma ideia genial!
Kate puxou meu edredom para baixo revelando meu moletom pós-termino que eu venho usado a mais de três meses. Tentei colocar o travesseiro para cobrir meu rosto, mas a loira foi mais rápida e o jogou para o outro lado do quarto. Bufei cansada. Elas não entendem pelo que estou passando, minha mãe está com seu quarto marido e Kate namorando quatro meses, eu estava com o mesmo cara desde o ensino médio. Seis anos da minha vida foram por água abaixo assim como meus sonhos e expectativas para o futuro.
- Ana, lembra o que sempre me dizia antes de começar a namorar com Jack? – ela sentou-se ao meu lado.
- Que eu achava ele bonito e um fofo? — disse irônica.
- Não — revirou os olhos — que você queria viajar ao redor do mundo, conhecer lugares novos, culturas novas, pessoas novas... — Kate segurou em minhas mãos e me olhou com aqueles lindos olhos verdes e eu via que sinceridade neles, ela queria realmente me ajudar e me ver bem mas...
- Eu... Eu não sei se estou pronta, Kate. Tipo, se o Jack voltar e...
- Ana! — me repreendeu brava — Ele não vai voltar! E se voltar você não vai aceita-lo de volta! É uma ordem entendeu?! Ele não é homem! É um covarde sem sentimento algum.
- Kate... — olhei para fora da janela e o clima da bela Seattle estava gostoso. Nem muito quente e nem muito fria, eu amo esse clima.
Eu me mudei a vida inteira seguindo minha mãe em sua trajetória "quero um novo marido" e desde pequena adquiri o hábito de recolher folhetos turístico e marcar aqueles lugares que me dava mais vontade de visitar e fiz um livro: "O Guia Da Mochileira Ao Redor Do Mundo". Soa ridículo ou fantástico, depende da pessoa, mas eu tinha nove anos quando o criei e meu livro favorito do momento era Guia do Mochileiro das Galáxias. Montei meu livro até meus dezessete anos, idade que comecei a namorar com Jack, e desde então, ele estava guardado no fundo da última gaveta da minha penteadeira até agora que se encontra na mão de Kate.
- Eu amava o jeito que você ficava quando explicava as pessoas o significado do livro e de cada lugar. E olha que eu já ouvi essa explicação milhões de vezes — ambas sorrimos e ela me entregou o livro — somos melhores amigas desde sempre, eu lembro de ficar morrendo de medo de você realmente embarcar nessa aventura — ela disse como no filme Guia do Mochileiro das Galáxias fazendo meus olhos marejarem — e eu te perder — Kate abriu o livro onde eu escrevi uma introdução, na página seguinte era um folheto do primeiro destino que eu gostaria de visitar, aquele que era meu sonho desde que li o primeiro livro do Harry Potter, abri o folheto e havia diversas outras colagens ao redor do mapa de pontos turísticos, minhas anotações do que eu deveria fazer lá, uma foto minha aos nove anos ao lado de uma foto de Daniel Radcliffe. Ri alto da minha ingenuidade, mas quem naquela época não queria ser namorada dele?!
- Ana — ela sorriu limpando uma lágrima solitária que descia pela minha bochecha — eu quero te ver bem, te ver feliz e, acima de tudo, eu quero a Ana de volta. Eu sinto sua falta.
- Eu também sinto minha falta — confessei — eu sei que me isolei e mudei completamente, mas Kate... Doeu muito — solucei — ainda dói.
- Por isso mesmo amiga. Você vai seguir passo a passo desse livro porque eu quero a Ana que escreveu isso de volta. Sabe, você sem preocupações, sem seguir alguém, você fazendo o seu próprio caminho, escolhas e deixar tudo nas mãos do destino.
Olhei para Kate e ri.
- Kavanagh acho que tem razão.
- Sempre tenho — ela abriu um sorriso de orelha a orelha – Agora levanta a bunda dessa cama e vai tomar um banho, lavar esse cabelo que está nojento e escovar os dentes que esse hálito está me matando – Revirei os olhos, sempre tão sincera.
Mas ela tinha razão! Me levantei da cama rapidamente e decidi por um fim no meu drama. Sim, meu drama. O que eu posso dizer?! É um mal de todos os amantes de literatura gostarem de um dramazinho básico. Claro que eu tive motivo para isso mas já fazem três meses, sei que é uma lembrança que vou levar comigo pra toda minha vida mas agora já chega. Eu tenho que recomeçar e ficar longe um tempo fará bem para mim.
- Separei uma roupa pra você. Nada extravagante — ela se adiantou antes que eu retrucasse — vou estar lá embaixo, o cheirinho do café da sua mãe está me chamando.
Ri balançando a cabeça. Abri o chuveiro e entrei embaixo d'água quando já estava quentinha e gemi baixinho ao sentir meus músculos relaxarem. Massageei meu pescoço sentindo tudo tenso e alonguei os ombros. Talvez eu devesse voltar a correr e fazer ioga. Ioga?! Eu devo ir a Índia, definitivamente, meditar me faria muito bem. E mais um destino adicionado a minha lista.
- Ana, filha, você está maravilhosa — meu pai estava com um sorriso que não vejo a tempos, ele até abaixou o jornal para me analisar como se não fosse verdade que eu estava mesmo ali.
- Obrigada, papai — sorri me sentando ao meu lugar habitual — o vestido está um pouquinho largo — disse alisando a saia.
- Está linda — Kate beijou minha bochecha deixando a cabeça com chá quente a minha frente — Muito Ana na verdade.
- Muito Ana — ri concordando — eu gosto de ser eu novamente.
O café da manhã foi divertido como a muito tempo não era. Minha mãe e Kate eram as tagarelas de sempre e meu pai e eu apenas ouvíamos e concordamos com tudo que elas diziam, era melhor para nós se concordássemos. Quando anunciei minha viagem, ambos ficaram felizes por mim, meu pai ficou receoso perguntando se eu estava realmente pronta para embarcar em uma viagem tão longa assim e sozinha e eu respondi com toda convicção que sim! Eu estava mais que pronta, desde meus dezessete anos eu estou pronta para essa viagem e eu tinha a confiança deles o que me faltava realmente era coragem para ir e bem esta coragem veio hoje.
Meu pai me chamou em seu escritório, ele quem estava cuidando da empresa em minha ausência e creio que fez um ótimo trabalho já que estava ficando muito famosa no ramo. Nesse tempo eu li alguns manuscritos, mas não estava com cabeça para desenvolver qualquer coisa por isso minha assistente Hannah foi de total ajuda e por isso, hoje, eu sei que ela foi mais que minha assistente, foi minha amiga, e merece o cargo de Editora Júnior que meu pai lhe ofereceu na empresa.
- Ana – começou ele – sei que talvez seja muito cedo para tratarmos disso, mas já que você viajará preciso te deixar a par de algumas coisas relacionadas a empresa.
- Posso lidar com isso, papai – sentei-me na cadeira a sua frente e ele virou seu notebook mostrando a planilha de lucros dos últimos seis meses e vi nossos resultados e fiquei muito feliz.
- Aumentamos os lucros em quarenta por cento nos últimos meses, os manuscritos que você aprovou antes de se ausentar são um sucesso e um deles se tornou Best Seller do New York Times. Sua editora é uma das mais famosas daqui de Seattle e eu estou muito orgulhoso de você, minha menina – disse ele com brilho nos olhos, mas logo esse brilho sumiu e eu sabia o que viria — No entanto, Jack também é esperto quando se trata de ganhar dinheiro fácil. Ele não fez nada para que a empresa cresça, mas infelizmente é um dos sócios. Sua mãe quer que eu compre a parte dele da empresa e eu até ofereci a ele uma proposta, mas o filho da puta — meu pai realmente odeia Jack porque ele quase nunca fala palavrão – não quer vender, ele quer o dobro do que eu ofereci.
— E agora papai? Não podemos fazer nada? Provar que ele não faz nada pela empresa?
- Não, meu amor, na sua ausência ele quem foi a eventos sociais e seu nome ficou conhecido. Não quero prejudicar a imagem da empresa e muito menos a sua fazendo um escândalo. Mas creio que já tenho a solução. Elliot disse que seu irmão procura uma editora para parceria e eu conheço e ele é o homem muito bom de negócios e é um bom rapaz apesar de ser tão sério. Fiz negócios com ele no ramo de entregas, estou o ajudando agora que ele tomou um golpe e confio que vocês dois farão um excelente trabalho.
Olhei para baixo pensativa. O namorado de Kate, Elliot, tem uma família de muito prestígio e valor e eu confio nele, ele é um dos meus melhores amigos, e apesar de todo dinheiro que tem não é nem um pouco esnobe e eu amo seu jeito brincalhão e tão sério e orgulhoso quando se trata de negócios.
- Ok, papai. Eu confio no Sr. e em Elliot.
- Ótimo, minha filha, na sua ausência eu cuidarei de todo negócio por você. Pode ficar tranquila.
- Nem penso em não ficar pai, o senhor é o melhor – sorri indo para seu colo e beijei sua bochecha – O senhor vai sentir minha falta?!
- Claro, quem vai assistir ao jogo de baseball e futebol comigo? Sua mãe que não é — gargalhamos e eu o abracei forte – Aqui, deixe-me pegar. Meu pai foi até o quadro da família e o tirou da parede revelando o cofre. Ele mexeu um pouco e tirou algumas coisas antes de voltar tudo no lugar — Aqui está seu cartão de poupança, tem todo dinheiro que você economizou para a viagem além do seu salário porque eu acho que nada mais junto você retirar a mesma coisa que Jack retirou. Durante a viagem eu te mandarei manuscritos para sua aprovação final e algumas decisões que você tratará com Hannah. Seu salário será depositado todo mês e todo o resto cuido eu. Pode ser assim?!
- Papai, o senhor já está fazendo mais do que deveria, muito mais do que eu deveria pedir. O senhor é o melhor – o abracei muito forte – Quanto eu juntei papai?
- Dos doze aos dezessete você juntou quase quatorze mil. Eu fiquei impressionado, verdade. E eu coloquei o dinheiro que você estava guardando para o casamento e também o que eu iria dar. E o resto do dinheiro é do seu salário – olhei meu cartão e sorri – Agora vamos filha, comprar sua passagem e escolher o hotel. Qual seu primeiro destino? – apesar de ele ter me perguntado eu acho que ele já sabia a resposta.
- Londres! – respondi sorrindo antes de puxar uma cadeira para seu lado e começarmos a pesquisar por hotéis, sem Kate ou minha mãe porque elas com certeza veriam pela beleza e eu só quero algo aconchegante e bem, mas bem, característico com direito a cheirinho de chá e tudo mais.
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