All About Lovin' You
2 O Jantar
Notas iniciais
P.O.V. Liz
Escovava meu cabelo castanho em frente a um espelho oval de um metro e cinquenta. Eu analisava bem minha aparência no reflexo. Minha maquiagem era simples e discreta, típica maquiagem de cinco minutos. Meu cabelo era denso e chegava na altura dos meus seios. Eu trajava um suéter vermelho com uma saia solta e preta que chegava a metade da canela.
Fitei brevemente meu relógio em cima do criado mudo. Faltava apenas 10 minutos para eu e meu pai sairmos de casa. Abri as portas de um estreito armário branco, que continha alguns sapatos. Peguei um par de scarpins preto e os calcei.
— Já vou. – falei alto o suficiente para que fosse escutado lá fora. Andei até a porta do meu quarto e a abri.
Encontrei com meu pai bem arrumado, todo com roupa social. Sorri abertamente.
— Ah, como você está linda, filha. – disse Anthony.
— Obrigada, pai – agradeci de forma empolgada.
Meu pai, Anthony Oliver, era um simples homem de 50 anos. Ele era de baixa estatura, estava um pouco emagrecido e poucos fios de cabelo cobriam a sua calvície. Devo dizer que ele era o homem mais gentil que conhecia.
— O senhor também está ótimo. – comentei pondo a mão em seu ombro – Bem chique para um jantar...
— Ah, Liz, não é qualquer jantar! É um jantar na casa do Dr. Cullen. – acrescentou – Você sabe o quão bom ele tem sido para mim.
— Eu sei, pai.
— Espero que ele e a família gostem da torta de maçã que eu fiz.
— Pai, já disse que não deveria fazer nenhum esforço em casa. – falei – Eu poderia ter feito isso assim que chegasse do emprego.
— Bobagem! – resmungou – Não estou prostrado ainda! Faço questão de fazer isso.
Dei de ombros.
— Quem sou eu para contradizer Anthony Oliver?
Nós dois rimos. Acho que nada me reconfortava como ver meu pai feliz. Era como se o grande vazio que existisse dentro de mim fosse ocupado momentaneamente por uma bola de alegria rosa e brilhante. Eu fazia qualquer coisa para vê-lo bem.
Saímos de onde estávamos. Minha casa possuía 2 andares, mas tivemos de fazer uma pequena reforma, para ajudar nas despesas, e alugamos o andar de cima para uns universitários. Ficamos apenas com o andar de baixo, que era simples, todo em verde água, com alguns móveis antiquados e uma lareira na sala de estar.
Anthony pegou uma forma oval embrulhada em papel alumínio, ele parecia tão empolgado.
Pegamos nossos casacos no cabideiro perto da porta e fomos para fora de casa. Nossa grama estava parcialmente coberta de neve. Uma sutil brisa fria nos atingiu e foi o suficiente para meus pés reclamarem da escolha dos meus sapatos, mas minha preguiça em ir trocar os calçados era bem maior. Andamos até a calçada e viramos a esquerda.
A residência dos Cullen era vizinha a nossa, o que era ótimo para poupar os gastos com transporte. E devo admitir, só a parte externa da casa revelava que a família tinha ótimas condições financeiras, pois contei quatro andares que possuíam formas retas e retangulares o que dava um ar moderno, fora que o bairro comentava que cada membro da família Cullen possuía o seu próprio carro.
— Ah, querida, esqueci de comentar algo com você. – começou Anthony. Olhei para ele sem parar de andar – O Dr. Cullen e sua esposa não têm filhos biológicos, então seus cinco filhos são todos adotivos.
— Ok... E o que tem de esquisito nisso para estar falando dessa forma? – questionei arqueando a sobrancelha esquerda.
— Bom, alguns deles meio que... Bom, meio que namoram. – ele falou e naquele momento entendi o que era estranho – O que não pode dizer que é errado, já que eles não tem laços sanguíneos.
Apenas assenti. Ficamos de frente para uma enorme porta preta com listras prateadas. Apertei a campainha branca que estava do meu lado. Em torno de dez segundos depois, a porta foi aberta por uma bela mulher pálida.
Seus cabelos ondulados variam entre o castanho e um tom de caramelo. Seu rosto era um pouco oval e ela possuía olhos negros. Aquele vestido vermelho que cobria seus joelhos lhe caía muito bem.
— Boa noite, o senhor deve ser o Sr. Oliver! – falou gentilmente com meu pai.
— Sou sim e a senhora deve ser a Sra. Cullen. – disse ele.
— Sim e por favor vamos entrando, aí fora está muito frio. – ela gesticulou para que entrássemos e assim fizemos.
A sala de estar dos Cullen era enorme. Alcançava 3 andares da casa, possuía uma enorme lareira preta, ao lado de um grande quadro. As paredes eram em tom cinza claro que contrastava com os três grandes sofás brancos e um piano preto.
Meu pai cumprimentou a senhora Cullen, que pediu para ser chamada apenas de Esme, e entregou a ela a torta. Em seguida, ela veio até mim.
— Essa deve ser a sua filha. – falou ela vindo até mim e me abraçando.
— Oi, muito obrigada pelo convite! – falei de forma simpática – Meu nome é Elizabeth, mas todos me chamam de Liz.
— Ah, tudo bem e não precisa agradecer! – Esme era uma mulher muito amistosa – Eu amo receber visitas.
Em um dos grandes sofás tinha um casal. O rapaz estava deitado sobre o estofado utilizando a coxa da moça como travesseiro.
Aquela moça era loira e extremamente pálida. Possuía uma beleza exuberante, sua face tinha traços de uma mulher sedutora e ela parecia séria enquanto acariciava o cabelo daquele rapaz, que deveria ser seu “namorado-irmão”.
— Emmet, já falei sobre por os pés no sofá. – alertou Esme com voz de cobrança enquanto colocava o meu casaco e o de meu pai no cabideiro.
O tal Emmet sentou no sofá bufando e rindo ao mesmo tempo. Ele era extremamente alto e forte, tinha curtos cabelos escuros e sorria para a loira que estava com ele.
— Sr. Oliver, Liz... – começou Esme – Esses são dois dos meus filhos, Rosalie e Emmet.
— E aí? – falou Emmet levantando a mão.
— É um prazer conhecê-los. – falou Anthony.
Rosalie apenas acenou com a cabeça, fazendo-me pensar que ela não fazia o tipo simpática.
— Fico feliz que tenham vindo. – falou uma voz grossa atrás de nós. A voz pertencia a um homem alto e tão pálido quanto o resto da família. Será que todos eles são anêmicos? Seu cabelo era de um loiro dourado muito bonito.
— Ah, Dr. Cullen! – pronunciou meu pai – Obrigada pelo convite!
Eles se cumprimentaram pegando no ombro um do outro.
— Não precisa agradecer. Essa deve ser a sua filha.
Ele estendeu sua mão para mim, que a apertei.
— É um prazer conhecê-lo Dr. Cullen. – falei – E obrigada por tudo que tem feito pelo meu pai.
— Não precisa agradecer. – repetiu ele – E por favor, Carlisle.
Dr. Cullen, digo, Carlisle se vestia de uma forma formal e casual ao mesmo tempo. Camisas azul petróleo de manga longa com calça e sapatos pretos.
Esme nos convidou para a sala de janta. Naquele cômodo, havia uma longa mesa retangular preta para 10 pessoas, com cadeiras estofadas. Todos os lugares estavam com pratos, talheres e guardanapos de tecido enrolados. Um casal, não o mesmo da sala, estava pondo algumas taças.
O rapaz tinha um cabelo loiro dourado, com ondas que desciam até a altura do queixo. Seu corpo parecia ser atlético, mas não tanto, bom foi o que as roupas longas deixavam transparecer.
A moça que o acompanhava era mais baixinha do que eu. Seu cabelo curto e escuro era todo espetado, o que achei diferente e bonito. Seu rosto era fino, pequeno e delicado. Ela olhava para aquele rapaz de maneira tão apaixonada e empolgada que era bonito de se ver. O vestido dela era curto, roxo brilhante e rodado, ela parecia uma adolescente comemorando seus 16 anos.
Não preciso comentar que ambos pareciam ter anemia, certo?
— Oi! – disse ela a nós de forma muito simpática, mas simpática mesmo que a própria Esme – Sou Alice. – ela balançou seus dedos finos nos cumprimentando de longe.
Percebi que um dos braços dela envolveu o corpo do loiro, que provavelmente era seu irmão-namorado, e o abraçou, pressionando seus corpos.
— Oi, eu sou a Liz! – pronunciei de longe e Anthony fez o mesmo.
— Esse é meu namorado, Jasper. – ela disse olhando para o tal Jasper, que não teve reação nenhuma, apenas continuou nos olhando com seus olhos negros.
Esme e Alice serviram a janta, que na verdade era um banquete, enquanto todos se sentavam e se acomodavam. Elas trouxeram pratos típicos da cozinha italiana, como massa, molho de tomate e carnes com variações de temperos. Tudo cheirava absurdamente bem.
— Onde está o Edward? – questionou Esme, olhando em direção a Alice.
— Ele disse que estava sem fome. – respondeu a baixinha colocando um pouco de macarrão na boca – E disse para não se preocupar com ele. – essa última parte ela falou de boca cheia.
Esse deveria ser bem um dos filhos do Dr. Cullen, onde estará a irmã-namorada dele?
Enquanto eu comia, só conseguia observar que todos os Cullen comiam muito pouco, principalmente Jasper. Será que essa é a causa da anemia deles, se é que eles têm?
Terminada a janta, meu pai continuou a conversar com Carlisle e Esme, enquanto comiam a torta de maçã, valendo acrescentar que o Sr. e a Sra. Cullen apenas “beliscaram” a torta. Rosalie e Emmet começaram a conversar baixinho entre si, quase sussurrando. Jasper saiu e Alice o acompanhou. De fato, eu estava sozinha.
https://youtu.be/Od-3oxpFWB0
Comecei a escutar um som diferente, uma bela melodia. Levanto-me e saio de perto da mesa. Afasto-me de lá e vou seguindo pelo corredor e acabei voltando a sala.
Naquela sala de estar, um homem estava tocando piano de uma maneira tão... Bonita. Eu não consegui ver seu rosto inicialmente e, sem perceber, fui me aproximando pouco a pouco. Suas costas largas estavam cobertas pela camisa de manga longa preta que ele trajava. Seus cabelos desgrenhados eram um misto de castanho claro com dourado. Ele estava tão focado que nem me notou a menos de seis passos de distância dele.
Aquela melodia era totalmente desconhecida para mim, talvez fosse algo autoral, só sabia que ela era linda e gostosa de se ouvir, acho que eu poderia ficar escutando a por horas.
A medida que os minutos foram passando, a música foi acabando, enquanto eu ficava ali escutando em silêncio e imóvel. Aquele homem ficou imóvel ainda de costas para mim. Será que eu o estava deixando constrangido?
Não fique sozinha com um homem.
De repente, fico nervosa e com medo. Começo a piscar com mais frequência e dou um passo para trás.
Ele pode fazer algo ruim comigo, me machucar.
Pensei em sair dali sem dizer uma palavra se quer, não queria ficar sozinha com um homem. Um péssimo pensamento vem a minha mente, uma terrível voz masculina e familiar ecoou dentro da minha cabeça.
Sozinha, Liz?, disse a voz, o que era suficiente para que eu sentisse um arrepio descendo pela minha coluna.
— Olá. – disse o tocador de piano para mim com sua voz grossa.
Olho para ele, que ainda estava de costas para mim. Rezei pedindo a Deus que ele não insistisse em conversar comigo e me deixasse ir para outro lugar.
— Ah... – sim, foi a única coisa que conseguiu sair da minha boca, com certeza eu parecia uma idiota, mas isso não tinha tanta relevância agora — O-oi... É me desculpa por te atrapalhar, não foi minha intenção.
Ele se levantou e eu engoli em seco. Senti meu corpo travado, o medo me consumindo. Ele se virou para mim e, mesmo de longe, senti o olhando nos meu olhos. Minha boca estava semiaberta e minha respiração, pesada.
— Você não me atrapalhou. – ele disse de forma séria e serena – Meu nome é Edward Cullen.
Fiquei um pouco atônita. Fugir daquele lugar ou conversar com um desconhecido? De acordo com minha experiência, a primeira opção é e sempre será a melhor.
— Ah, você conheceu meu irmão Edward! – a empolgação de Alice me assustou e me fez tirar os olhos dele em direção a ela. Alice ficou ao meu lado com o corpo bem perto ao meu e pude sentir sua mão em minhas costas.
Consegui me acalmar um pouco, agora eu não estava mais sozinha com ele. Minha respiração foi normalizando aos poucos.
— É, acabei de conhecer. – comentei olhando para ela. Viro meu olhar em direção a ele, percebendo como meu medo me afetava, pois eu não tinha notado o quão bonito Edward era.
Seu rosto retangular tinha um queixo másculo. Seus lábios não eram nem tão grosso e nem tão finos. Seus olhos dourados eram lindos. Acho que nunca na minha vida vi homem tão bonito quanto ele.
Senti meu rosto corar.
— Meu nome é Elizabeth. – falei encarando seus olhos – Liz é como a maioria me chama.
— Edward, querido! – falou Esme. Quando percebo, todos, exceto Jasper, já estavam na sala – Senti sua falta no jantar. – reclamou e Edward apenas revirou os olhos.
— Poderia tocar algo para nós. – comentou Carlisle.
Edward não respondeu, apenas se virou e sentou de novo de frente para o piano, iniciando uma melodia lenta.
— Por que não se senta comigo? – sugeriu Alice – Gostaria de sugestões para uns vestidos que pretendo comprar online.
Estranhei ela pedi minhas opiniões, afinal tínhamos acabado de nos conhecermos, mas aceitei de imediato. Algo me dizia que ela não queria me deixar sozinha, talvez porque tenha percebido meu desconforto.
Sentamo-nos no sofá e ele começou a me mostrar fotos de vestidos em seu celular. Não tenho interesse em moda e para mim a maioria dos vestidos eram parecidos. Na verdade, eu estava me sentindo exausta e com sono. Esme começou a puxar assunto com Alice e isso fez com que ela voltasse mais atenção a sua mãe.
Aos poucos, senti meu corpo enfraquecer e minhas pálpebras pesarem.
[...]
Acordei assustada, quase pulando da cama. Respiro ofegante pondo a mãe no meu peito, meu coração parecia estar descontrolado.
Olhei ao redor e percebi, com a pouca luz que atravessava a minha janela, que estava no meu quarto. A medida que minha consciência melhora, fico analisando melhor a cena. Eu sobre a minha cama, com as roupas que usara no jantar na casa dos Cullens. Procurei meu relógio em meio a escuridão e encontrei o através de seus números com letras vermelhas, indicando que era 02:31. Deitei-me e suspirei.
Novamente, tive aquele pesadelo com aquela pessoa horrível. Uma lágrima escapa do meu olho e umedecer um pouco a raiz do meu cabelo. Eu estava me sentindo vazia, como se houvesse um grande buraco em meu peito. Um buraco que sugava toda a minha energia.
[...]
— Bom dia, querida. – disse Anthony puxando uma cadeira e se sentando em seguida.
— Bom dia! – respondo sem tirar os olhos do fogão.
Preparei ovos mexidos para meu pai. Retirei os da frigideira pondo os em um prato com detalhes florais. Fitei a torradeira e vi que as torradas já estavam no ponto, ponho as no prato também. Coloquei tudo no prato e entreguei a Anthony. Peguei uma xícara, pus o saquinho do chá lá dentro e preenchi a xícara com água quente.
— Obrigada, meu bem. – agradeceu – Estou faminto.
— Pai... – comecei – Eu acordei de madrugada as mesmas roupas de ontem à noite. – sentei-me de frente para ele – O que aconteceu? Não me lembro de ter voltado para casa.
— Você estava tão cansada ontem que dormiu no sofá do Dr. Cullen. – ele deu uma grande mordida na torrada.
— O que? – minha voz saiu mais alta do que eu esperava – Como... Por favor, diga que é brincadeira.
Ele começou a rir.
— Parecia um bebê dormindo.
— Todo mundo percebeu isso?
— Sim, a primeira a perceber foi Alice. Aí, todos perceberam, aquele grandalhão, acho que Emmet, riu da situação.
Esfreguei meu rosto gemendo.
— Meu Deus, que mico. – franzi a testa – E como vim parar aqui?
Eu sabia que Anthony não teria condições de me trazer até em casa.
— Bom, acho que você estava tendo um pesadelo, porque começou a chorar...
— Chorar? – interrompi o – Eu chorei? Na frente deles?
Ele balançou a cabeça positivamente e eu abaixei minha cabeça, encostando minha cara na toalha de mesa.
Não tem como piorar, pensei.
— Continuando... Ficamos receosos em lhe acordar, você estava bem cansada, então Edward lhe trouxe para cá nos braços.
Levantei meu rosto abruptamente com meus olhos arregalados. Com certeza, eu estava corada.
— Edward Cullen? O que estava tocando piano?
— Sim, ele se ofereceu e eu o agradeci muito a ele por isso. Você deve agradecê-lo também.
Apenas assenti. Fiquei imaginando a cena, aquele homem absurdamente lindo me carregando enquanto eu estava dormindo. Era para ser uma cena interessante, mas eu tinha uma certa repulsa por estar nos braços de um homem. Bom, pelo menos, Anthony deveria estar perto.
O “ding dong” da campainha ecoa pela casa e levanto-me para ir atender a porta. Quando chego na mesma, abro a sem questionar quem era.
Senti meu corpo murchar. Ainda eram setes horas da manhã e eu já sabia que meu dia estava arruinado. Justamente aquela pessoa horrível.
— Oi, Liz. – disse o homem a minha frente com um grande sorriso.
— Derek... – falei com a voz fraca – O que faz aqui?
— Acordei com vontade de fazer uma boa ação. – ele deu um passo a frente e eu automaticamente dei um passo para trás – Vou te dar uma carona ao trabalho hoje. Quero passar um tempo a sós com você
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