Alices Eyes.
5 Capítulo 5 - Novos Problemas
Notas iniciais
Passaram 10 minutos. E Alice continuava sentada lá, com os olhos fechados e respirando fundo.
— Oi. – disse alguém, não era Eduardo.
— Quem é você? – disse Alice sem abrir os olhos.
— É assim que você fala com os outros? Eu sou Miguel e você? – ele se apresentou.
— Alice, você não daqui é? – ela perguntou, se referindo ao sotaque e o nome do garoto.
— Brasil. — ele disse.
— Ah, sim. – Alice disse, então abriu os olhos. Oh, meu deus! Ela pensou. Amaldiçoou-se por ter sido rude. O garoto era branco com os olhos incrivelmente azuis, tinha o cabelo castanho e era forte – menos do que Lois.
— Mas eu nasci aqui... Passei anos no Brasil e voltei. Pretendo ficar – ele disse sorrindo, fazendo Alice sorrir.
Então Alice percebeu que tinha alguém no lado dele, e não era uma pessoa. Ah, não! Pensou. Era um adolescente de 13 anos, e estava com uma roupa de futebol americano. O garoto olhava para o Miguel num olhar de suplica. Ele estava tentado se comunicar com o irmão, mas ele, é claro, não podia ouvir. O menino olhou para Alice, e viu que ela estava o encarando.
— Você pode me ver? – ele falou, em uma voz rouca. – Por quê Miguel não pode?
Alice balançou a cabeça, sentindo os olhos enchendo de lágrimas, com pena de uma criança que não sabia onde ir.
— Alguma coisa errada? – perguntou Miguel.
— Ah, não. É só que... – ela disse, retirando as lágrimas que estavam por vim. – Meus pais faleceram, e... Veio uma lembrança deles. – ela continuou sorrindo.
— Ah, entendo. – ele disse, automaticamente seu sorriso caiu.
É uma ótima oportunidade de perguntar, ela pensou.
— Você... – ela começou mas a porta se abriu e vários alunos começaram a passar entre os dois, no meio da muvuca estava Anne, que olhou para o garoto e olhou para Alice e ficou falando coisas sem som, mas nada Alice entendeu. Ela entrou na sala, e uma professora simpática assentiu, Miguel veio logo atrás e vários alunos entraram.
A professora era simpática, mas fez os alunos se apresentarem, e isto era o que Alice mais odiava, ela conhecia todos, exceto alguns. Depois da frustrante apresentação, a aula foi divertida. E passou rápida, logo já era a hora do intervalo.
Miguel e ela foram para o refeitório conversando, e o menino que o seguia vivia falando com ela.
— Por favor, por que meu irmão não pode me ver? E você pode! – o menino gritava, e para Alice não era confortável.
— Eu vou no banheiro, já volto. – ela disse e foi para o banheiro minúsculo perto do refeitório. – Venha! – ela sussurrou para o menino. Por sorte ninguém olhava.
— É banheiro de menina.
— Você... – como eu vou dizer? Ah, você ta morto ninguém vai ver! – Ninguém vai ver, e você quer conversar comigo, então...
— Alice? – alguém gritou, algumas cabeças viraram na direção dela – Anne, Miguel, Julie, Greg, Lois – E quem estava chamando? Eduardo.
Alice queria desaparecer, virar uma formiga, pois aquilo era pior que ficar andando pelos corredores chamando a mãe. Ela estava falando sozinha, e o Eduardo a chamava.
— Ah, meu Deus... – ela disse no mesmo tempo que fechava a porta com tudo, mas ela apenas piorou a situação, a porta bateu forte de mais, fazendo um barulho enorme e todos ficaram em silencio, depois de alguns minutos voltaram a falar.
Ela deslizava lentamente na porta, falando “Fudeu” várias vezes.
— E ai? Vai falar comigo ou não?
Ela soltou um grito, e rezava para que ninguém tivesse ouvido.
— Você viu? Que vergonha! – ela disse, respirando fundo. – Olha, você morreu, seu irmão não pode ver você...
— Mas você pode. – ele disse.
— Eu... Eu tenho problemas. Você tem que prosseguir... Tipo, a luz?!
O menino olhou em volta.
— Não vejo luz nenhuma.
— É, deveria...
— E mesmo assim, meu irmão precisa de mim, e eu não quero ir até fazer uma coisa.
— Que coisa?
— Eu queria que meu irmão jogasse futebol comigo, mas como eu não posso mais... Eu queria que ele levasse minhas coisas, aquelas que ele sabe, para o Clube que eu estava e...
— Você tá ai, Alice? – alguém bateu na porta fazendo Alice pular, ela olhou para frente e o menino se fora.
— Eu... Eu to bem...
— Tava falando com a sua mãe de novo? – era Julie, ela começou a rir.
— Sem graça... – Alice disse, e abriu a porta, puxou a garota para dento do banheiro e fechou novamente. A garota sentou no chão e começou a rir.
— Foi tão.. tão... Eu to rindo litros.
— Eu percebi. Mas eu não vou sair daqui. – disse Alice, fechando a tampa da privada e sentando em cima.
— Como assim? Vai fica sentada aqui? Sem comer?
— Quando bater o sinal, eu saiu, quando não tiver ninguém ai... Ah, mas eu vou ter que enfrentar uma sala inteira. Ah, eu vou chorar! – ela disse, se curvando e apoiando a cabeça no meio dos braços.
— Não vai não. Você vai sair por essa porta com a cabeça erguida. Tem um menino muito gato lá fora, com olho azul...
— Miguel.
— Já conhece? Você é rápida, hein?
— Mas olha, — ela disse, levantando a cabeça. – que vergonha! Eles me viram falando sozinha, vão achar que eu sou louca!
— E você não é?
— Aght! – então a raiva subiu em sua cabeça, e andou com passos firmes até a porta, enquanto Julie ria, ela abriu e saiu. Todos olhavam para ela, uns segurando a risada, mas ela não se importou e foi direito para a mesa que estavam seus amigos. A vontade era de gritar “É eu posso ver gente morta! E o problema é meu!”, mas ela foi calma, porém, fervendo de raiva, para a mesa.
Depois de alguns minutos as pessoas começaram a conversar. As pessoas na mesa estavam quietos, ela pegou uma mini pizza e mordiscou. Então Greg, Lois e Julie começaram a conversar entre eles.
— Vou fingir que não vi nada, ok? – disse Anne.
— Bom mesmo. – disse Alice secamente.
— Hum, você sabia que parece que vai ter Alemão? – Anne disse, animada. – Parece que vai resolver isso hoje. Ah, eu quero, não pela matéria e sim pelo professor.
— E quem vai ser? – eu perguntei,
— Aquele, Eduardo... – ela disse enquanto Alice tomava um gole do refrigerante. Quando ela ouviu o nome do Eduardo, ela engasgou e o refrigerante quis voltar pelo lugar errado, quando conseguiu engolir ela começou a tossir, e sua garganta queimava, sua cabeça parecia um balão e seus olhos lagrimavam, com lágrimas ardentes.
Anne batia nas costas dela.
— O que foi? – disse Anne.
— Foi isso que eu senti. – disse o irmão de Miguel, que agora estava atrás do Greg, com um olha de fúria. – Só que muito pior.
Então o menino desapareceu. Então não foi pelo nome de Eduardo, ela pensou. Alice começou a respirar fundo, seu pulmão parecia que ia explodir.
Ela já tinha um problema, agora eram dois. O que mais podia acontecer, além de que a pessoa que ela estava apaixonada, que tinha 19 anos, iria ser seu professor?
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