Alices Eyes.
4 Capítulo 4 - Mãe no Corredor
Notas iniciais
Aula com muito tédio, alunos com muito sono.
Anne e Alice estavam sentando uma no lado da outra, mas não conseguia conversar, o professor era um tédio, mas também não deixava nenhum aluno dormir e nem conversar. O nome dele era Alex, era baixinho, tinha um óculos que parecia aumentar os olhos castanhos dele, tinha cabelo ralo, preto, tinha uma voz irritante e tediosa.
Depois de duas aulas chatas, as duas saíram agradecendo que finalmente tinham saído de lá. Alice olhou para o horário, uma aula de Inglês.
— Eu tenho Inglês, depois Espanhol e uma pausa e você? – disse Alice, olhando para a amiga.
— Espanhol e Inglês. Bem, vejo você depois, toma – ela deu a chave do armário na mão de Alice. – Se você se atrasar, a professora é legal.
— Hum, ok. – disse Alice, e correu para o corredor dos armários.
Armário 22... Ela ficou olhando até achar o armário, cinza com vários adesivos. Quando abriu, teve certeza que Anne tinha mudado. Com toda aquela tranqueira, ela conseguiu organizar. Pegando os livros de Física, Biologia, deixando apenas o de Inglês e Espanhol.
— Alice?! – disse alguém.
— Sim? – disse ela, fechando o armário.
Quando olhou para a pessoa, seu rosto corou e seu coração pulou. Ela queria se amaldiçoar tanto de ser branca e quando corava parecia uma ridícula, mas não conseguia nem pensar direito. Ela piscou até conseguir achar sua voz.
— Eduardo? – ela perguntou. Mas sem ele responder, ela o abraçou, ela percebeu que ele teve que abaixar um pouco. Nossa, até a Anne é mais alta que eu, ela pensou. O cheiro dele era tão bom, e a saudade tudo que ela sentia, estava tão forte que parecia que doía cada vez que ela respirava.
— Eu preciso respirar... – ele disse, e ela o soltou, rindo.
Ele mudara bastante, estava um pouco mais forte que Lois, seu cabelo era castanho e bagunçado, os olhos num tom de mel e sua pele mais morena do que antes, e é claro, ele estava alto.
— Você... Por que você está aqui? – ela perguntou, e percebeu que foi um pouco rude, mas não conseguia pensar direito.
— Eu moro aqui Alice, sempre estudei aqui, antes de eu viajar. E você esta melhor? Você sabe que estou aqui para tudo, né?
— Eu... – ela estava corando mais ainda, deixando-a com mais vergonha, o sorriso besta não saia dos seus lábios. Ela abaixou a cabeça para se aclamar, mas isso demoraria muito tempo, então levantou a cabeça ainda com aquele sorriso, mas uma coisa que viu por cima do ombro de Eduardo, fez seu sorriso desaparecer.
— O que foi? – perguntou ele, olhando para trás. – Alguma coisa errada?
Uma coisa realmente errada, Alice pensou em falar. No meio do corredor estava sua mãe, diferente do que antes, ela estava com raiva, ela parecia tão nítida que poderia achar que era real, mas a raiva da mãe era tão forte que Alice conseguia sentir, e o ambiente começou a ficar frio.
— Eduardo, eu preciso ver uma coisa, Anne precisa que eu pegue uma coisa. Acho que... Vejo você mais tarde. – ela disse, e começou a anda na direção da mãe, este se dirigiu para o corredor a esquerda, onde tinha as salas da diretoria. Mas que diabos?
Alice parou por um momento mas depois continuou seguindo a mãe.
— Mãe? – ela sussurrou. Os corredores estavam vazios, e sua mãe estava andando por ai. Quando ela virou o corredor, viu que sua mãe não estava lá. Estreitando os olhos, para poder ver melhor, ela não achou nada.
— Mãe? – ela chamou, mesmo baixo sua voz deu eco no corredor vazio. Se alguém a pegasse chamando sua mãe, que já estava morta, com certeza iam achar que estava louca.
Mas do mesmo jeito, por que sua mãe estava com raiva? Precisava ajudá-la...
Começou a andar lentamente pelo corredor, que além de esta vazio, estava escuro, e seus passos ecoavam, e ela rezava para que o diretor estivesse em outro lugar. Ela virou outro corredor e nada... Sua mãe não faria isso...
— Alice?
— Hã?! – ela respondeu, e seu coração começou a disparar. Eu estou ferrada, primeiro dia de aula e já da uma dessa. – Diretor?
— Alice... – disse alguém, mas era uma voz feminina. Sra. Fouter?
Então uma mulher mulata apareceu. Julie.
Alice soltou um suspiro pesado e começou a andar para Julie.
— Ainda bem que é você. Pensei que era a Sra. Fouter, ou o diretor.
As duas começaram a andar lado a lado.
— Alice, Sra. Fouter não é mais coordenadora, é diretora, o Sr. Hightjim morreu. – disse Julie.
— Sério? – perguntou Alice, surpresa. – Não sabia. Ainda bem mesmo que é você, Sra. Fouter me odeia.
— Mas, afinal, o que você estava fazendo aqui? E chamando sua mãe? – perguntou Julie, segurando o riso.
Pelo menos ela acha engraçado, pensou. Mas isso não acaba com o fato que ela ouvira Alice chamando a mãe, o que não é normal.
Ela tentou faze o papel de uma menina traumatizada, o que era um pouco difícil, pois não era uma boa atriz e não estava traumatizada, podia ver sua mãe quando ela aparecesse.
— Ah, eu estou muito ruim ainda... – ela começou, mas então pensou: Não é normal ficar andando por ai na escola enquanto tem aula, também. – E você? Eu... Às vezes acho que... Ah, é complicado.
— Você acha que... Sua mãe pode estar da escola? Ela está morta, tem que aceitar isso.
— Eu tento, mas foi recente...
— Um mês.
Ela está me pressionando, pensou. Alice ficou encarando Julie por alguns minutos, mas tentou disfarçar a curiosidade de tanta pressão.
— Para mim é recente. – Alice disse secamente. – Mas o que você estava fazendo andando por aqui?
— Ah, eu tinha aula de Inglês, mas a professora deve estar com TPM, ela não me deixou entrar, aí eu fiquei andando.
— Ah. – Uma desculpa melhor que a minha. Mas o que deixou Alice com uma pulga atrás da orelha foi a pressão e o que Anne disse antes da aula, a professora deixava os alunos entrarem.
Mas ela deixou essa passar, e disse que tinha que ir para a próxima aula.
Na verdade, faltavam 15 minutos para acabar a aula de Inglês, mas não ia atrasar para a de Espanhol.
Então foi andando para a sala de Espanhol, ainda tinha aula, mas ela se sentou no chão, perto da porta, colocou a bolsa o colo e fechou os olhos. O que aconteceu com a mãe, afinal?
Fale com o autor