Alices Eyes.
3 Capítulo 3 - Escola
Notas iniciais
Boa leitura
Quando estava amanhecendo, e a voz baixa da tia entrava na sua cabeça, seus olhos começaram a abrir lentamente.
— Que horas você foi dormir ontem? Se arrume agora, vou fazer seu café! – disse a tia, e saiu do quarto.
Demorou um minuto para Alice entender o que estava havendo. Quando percebeu que tinha que ir na escola, levantou rapidamente e se amaldiçoou por não ter arrumado a roupa antes. Que diabos! Por que não acordo mais rápido?! Ela perguntou a si mesma enquanto colocava a calça jeans. Em 5 minutos conseguiu colocar a roupa – calça jeans normal, uma blusa preta regata, com uma estampa vermelha e rosa, um tênis qualquer, uma jaqueta preta, que não estava usando. Ela correu para o banheiro, escovou o cabelo e os dentes, passou uma maquiagem e desceu as escadas.
Ela olhou para a mesinha que ficava no hall e viu que sua bolsa estava lá, e soltou um suspiro em alivio.
A tia estava colocando na bancada as waffle, Alice olhou para o relógio pendurado na parede da cozinha, e lá dizia que era quase oito horas.
— Ah, tia! – disse Alice, ainda com os olhos no relógio, como se tirasse os olhos do ponteiro, o traiçoeiro poderia mudar para nove horas. – Vou comer no caminho.
— Na próxima vez... – começou a tia.
— Eu vou dormir mais tarde. É eu queria tomar aquele banho, e esqueci da hora...
— Hum.
— Mas é verdade! – disse Alice, enquanto a tia passava reto e lhe entregava um waffle, e soltava outro “hum”.
Toda hora que sua tia soltava aqueles “hum”s , Alice ficava frustrada, como se todos esses huns significavam que Alice mentia. A tia andou rapidamente até a porta e logo já estava no carro, Alice pegou a mochila enquanto dava uma mordida na waffle e andava para porta. Trancou a porta e girou seu corpo para o carro, olhou em volta, com a esperança que sua mãe estivesse lá, mas nada tinha naquela rua, apenas crianças apressadas para a escola. Alice entrou dentro do carro e começou a comer a waffle enquanto ia para a escola.
Era mês de Março, segunda-feira, e era seu primeiro dia de aula. Ela estava ansiosa, que finalmente iria rever todos os seus amigos, os únicos que ela tinha.
A escola não era muito longe, em 15 minutos ela já estava lá, vários adolescentes e crianças corriam para a entrada. Alice saiu do carro e sua tia já estava indo. Ela correu para a entrada, e quanto mais ela se aproximava ela conseguia ver seus amigos mais nítidos. Greg, um menino alto, magro e loiro que estava ao lado de Anne, ou, Annebelle, que era uma garota baixa, loira com os olhos azuis – os dois eram namorados. Ao lado deles estava Julie, uma morena, a pele num tom de chocolate, alta e tinha os olhos cinza, e conversando com ela, e não era o namorado, estava Lois, um garoto que devia ter 1,72 de altura e relativamente musculoso. Dos amigos do peito de Alice, era apenas Anne e Lois. Greg era muito ciumento e Julie tinha entrado na escola no último ano que ela vira passa as férias na casa da tia, e não conversava com ela na internet.
Já perto das escadas, todos olharam para ela, e um sorriso largo apareceu em cada rosto – em outros não. Anne era a que estava mais radiante, pois quase derrubou Alice enquanto subia os degraus.
— Oh, estava com tantas saudades! – disse Alice, enquanto a abraçava, e então olhou nos olhos da amiga, e no meio de toda aquela empolgação, estava a pena, e a dor que a amiga passava, pois os pais de Alice, Laura e Bruno, gostavam muito de Anne. – Eu lamento...
Alice assentiu lentamente, sentindo uma fisgada de raiva por alguém sentir pena dela, mas logo pôs a mão na consciência. Ela só esta preocupada comigo, nada mais justo.
— Está tudo bem, Anne – ela disse, tentando coloca um sorriso nos lábios. – Eu vou ficar bem. Agora... É uma vida nova. – ela sorriu, respirando fundo.
Anne sorriu também, e puxou a mão de Alice para o grupo. Greg acenou para ela, Lois a abraçou e Julie também. Julie, era estranha, falava pouco e era muito sombria, mas nunca tocava no assunto, afinal, não falava com ela muito.
— Temos pouco tempo, já pegou o seu horário, Alice? – perguntou Anne.
— Minha tia veio aqui e pegou. Deve estar... No meio da minha bagunça... – ela riu, e Anne acompanhou. A bolsa não estava muito bagunçada, mas a tia escondia as coisas dela, enquanto ela fuçava, ela falava: — Vamos gente, enquanto andamos no corredor eu vou procurando... – Todos se mexeram para a porta e Alice continuou no lado de Anne, mas de olhou na bolsa, procurando nos cadernos, estojo, manuais... Agenda!Lá estava o horário...
— Que legal, suas primeiras aulas são a mesma que a minha. O ruim é que, odeio Física. – Alice riu e fechou a bolsa, realmente, as duas eram péssimas em Física.
— Anne, preciso colocar alguns livros no armário... — então um pensamento a lembrou que ela não tinha armário. – Ah, merda, não tenho armário! Até eu conseguir, eu vou ficar sem ombro...
Anne riu do exagero da amiga.
— Calma, não tem ninguém comigo dividindo o armário...
— Não, eu sei como você, é capaz de você usar três armários ao mesmo tempo...
— Estou diferente, Alice. Não sou aquela menina desorganizada de antes. Você vai dividir o armário comigo, e vai ver que estou bem diferente. Mas... – disse Anne, afastando a mão da amiga, que estava pedindo a chave. – Não agora, já começa a aula, e não quero atrasar.
Alice ficou encarando Anne, com uma sobrancelha erguida. Anne? Não se atrasar mais?
— Realmente... – disse Alice, olhando para frente.
— O quê? – perguntou Anne.
— Você mudou.
Anne sorriu.
Todos mudaram, pensou Alice. O que dava uma pontada de ciúmes nela, todos mudava, ela não mudara nada. Continuava a mesma besta de sempre, uma menina que não tinha coragem de contar a ninguém que podia ver as pessoas que já foram mortas. Nem sua amiga. E se ela a achasse louca? E s nunca mais quisesse ser sua amiga? Ela a perderia, e mais, pois quando fala para um só, isso se espalha.
O que uma pessoa iria pensa se você dissesse que vêem mortos? Que te persegue?
O medo de perder os amigos era mais forte do que a vontade de contar a verdade. Ninguém acreditaria nela, só acreditariam se vissem o que ela vê todo santo dia.
O curioso é que não via muitos, aqueles que ela via na escola, que morreram perto, aqueles que estudavam na escola e morreram, não estavam mais lá.
Ela respirou fundo e olhou para frente, o sinal bateu e as duas correram como loucas para a aula de Física.
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Notas finais
Beijos :*
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