Tudo estava indo de mal a pior para os verdes, mas, como logo iriam descobrir, tudo ainda iriar piorar. Especialmente naquela terrível noite em que Daemon voltaria a atormentar Alicent e seus filhos.

A cada dia que passava no reinado de seu filho mais velho nada era resolvido e mais problemas surgiam. Estavam perdendo apoio na Campina e Jaecaerys já devia ter conquistado o apoio do Norte aquela altura. Isso só piorava o humor do rei e o desespero do Lorde Mão. E Alicent sabia que as ações de Aemond teriam peso contra eles, podendo fazer aliados virarem inimigos... E, é claro, o medo de como seria a terrível fúria dos negros sobre a família de Alicent.

Alicent e suas damas foram rezar no septo da fortaleza antes de ir dormir, para tentar espantar a angústia, e tinha esperança que os deuses a iluminassem naqueles dias dificeis.

Ela acendeu uma vela no altar da Mãe e olhou para a estátua dela.

Proteja meus filhos, rezou, não permita que a vingança e o ódio de Daemon e Rhaenyra caía sobre eles… Aemond errou, mas ele ainda é jovem, ainda tem muito o que aprender.

Ela também rezou para que ela protegesse seu filho mais novo, Daeron, servindo como copeiro em Hightower, pois ele tinha apenas 13 anos e teve que suportar a morte do pai sem o apoio de Alicent e a Campina andava dividida.

Ela acendeu uma vela à idosa, para iluminar a sabedoria de Otto e Aegon, e ao guerreiro, para dar forças aos seus filhos na guerra que viria.

Ela rezou para que o pai julgasse e punisse os inimigos de seu filho. Implorou para que ele os castigasse com severidade.

—São tempos difíceis, Vossa Graça? —Perguntou o Septão Eustace quando ela terminou suas orações.

—Temo que sim, Septão—Respondeu.

Ele fez um aceno com a cabeça.

—Devemos ter fé que os deuses vão nos guiar nessa difícil jornada–Disse Eustace–Eu rezarei pelo vosso filho, Vossa Graça.

A rainha Alicent assentiu.

—Reze por ele—Respondeu.—Ele precisa de todo o nosso apoio nesse momento difícil. E temo que possa piorar.

Alicent saiu do Septo quando o céu já estava quase totalmente escuro e se dirigiu ao seus aposentos na torre da Mão, logo abaixo dos aposentos de seu pai dela; ela havia se mudado para lá desde que seu marido morreu e Aegon tomou seus aposentos.

A sua filha Helaena logo iria vê-la, junto de seus filhos, para dar boa noite a Alicent, como era de costume de sua adorável filha.

Alicent dispensou as damas de companhia, exceto por Talya, que dormia ao seu lado e a ajudava a se arrumar ao acordar e ao dormir.

Após a porta se fechar e as duas ficarem a sós, a dama da rainha a ajudou a retirar seu vestido e a colocar a roupa para dormir.

—Tem sido um dia exaustivo? –Perguntou Talya.

—Infelizmente todos tem sido—Ela respondeu. –Rezo para os deuses que logo dê tudo certo e tenhamos paz.

Pouco após colocar um roupão para dormir, ela ouviu Talya soltar um tipo guincho assustado e, ao se virar, um homem desconhecido saltou da escuridão e agarrou Alicent. A rainha tentou lutar, mas era inútil, ele a dominou, amordaçou seus pulsos e seus tornozelos, e colocou uma amarra em sua boca.

Enquanto isso acontecia, sua dama, Talya, estava sendo jogada em cima da cama de Alicent, enquanto um homem maior e mais musculoso que o agressor que amordaçou a rainha a esganava. A pobre moça se debatia, batendo contra o rosto do homem que a estava matando e chutava nervosamente o ar e o chão em total desespero.

—Cala a boca sua puta–Disse o homem enquanto apertava o pescoço da dama de Alicent, ele colocava tanta força que era possível ver a cabeça de Talya afundando no colchão. Apesar disso, a jovem continuava batendo em seu rosto para fazê-lo parar.

Mas era inútil, em pouco tempo a jovem dama estava morta e o brutamontes largou seu pescoço.

Mãe, me dê forças para o que está por vir!

Arrastaram Alicent para um canto perto de uma poltrona de seu quarto. A rainha tentava se soltar e gritar para os guardas virem ajudá-la, mas não havia nada que ela pudesse fazer. Estava à mercê daqueles dois homens cruéis.

Mas, para a sua surpresa, nada fizeram com ela. Apenas a deixaram lá.

Os invasores se esconderam na escuridão e nada falaram. Apenas ficaram em posição de ataque e atentos.

Pelos Deuses, percebeu horrorizada, eles estão esperando por Helaena e as crianças!

Isso a fez voltar a tentar se soltar, mas, como antes, nada conseguiu fazer para se soltar das amarras.

O desespero tomava conta de Alicent. Em agonia, ela viu o tempo passar, parecia que Helaena demorava séculos, enquanto também tinha a sensação do tempo se esvaindo rapidamente. Ela só podia torcer para os deuses serem bons e fazerem sua filha e netos não visitarem naquela noite.

Mas os deuses foram surdos às suas súplicas e logo a sua amada filha estava entrando em seu quarto e acompanhada de seus três filhos e dois guardas.

"Filha, fuja!", Alicent quis gritar, mas não conseguia.

Não houve tempo de luta, o assassino de Talya bloqueou a porta e matou um dos guardas da rainha de forma covarde, pelas costas, e, quando o outro guarda percebeu, ele não teve tempo de reagir, logo também estava morto.

Helaena e suas crianças se viram assustadas e, aproveitando o momento, o homem que amordaçou Alicent saiu das sombras e puxou o jovem Maelor das mãos da mãe e apontou uma adaga contra ele, enquanto o outro puxava o príncipe Jaehaerys que tentava sem sucesso se agarrar às saias da mãe.

—Mamãe?—Chamou Jaehaerys, assustado com o homem ensanguentado que o afastara de sua amada mãe.

— Se gritarem, todos vão morrer — O assassino que bloqueava a porta avisou.

— Quem são vocês? —Perguntou a Rainha Helaena, mantendo a calma perante o perigo.

— Cobradores de dívidas — disse o invasor que segurava o princípe Maelor — Olho por olho, filho por filho. Só queremos um para acertar as contas. Não vamos fazer mal ao restante de vocês, nem a um fio de cabelo. Qual Vossa Graça quer perder?

Alicent ouviu aquilo horrorizada e tentou soltar um grito, mas a mordaça em sua boca abafou o grito e o fez parecer um gemido baixo e animalesco.

Toda a coragem se esvaiu do corpo de sua filha, era possível ver o choque e desespero tomando conta dela rapidamente. Ela olhou de relance para Alicent, como se lhe implorasse por ajuda. Como no dia em que foi coroada.

Alicent se debateu o máximo que pôde, batendo em um móvel ao lado, mas não havia nada que pudesse fazer. Lágrimas de dor e ódio jorraram dos olhos da impotente rainha viúva.

Não, Deuses, por favor, não…

—Me matem–Disse Helaena em desespero–Eu imploro, tirem a minha vida ou façam o que quiserem comigo, mas não machuquem meus filhos!

— Uma esposa não é um filho — disse o assassino. — Tem que ser um menino.

Helaena parecia ficar mais desesperada a cada instante, com sua respiração acelerando. Ela começou a chorar e a balançar a cabeça, como se negasse estar naquela situação, como se quisesse acordar de um pesadelo. Ela caiu de joelhos, totalmente abalada e apavorada.

—Vamos, se apresse—Disse o homem que segurava o pequeno Maelor—Ou então, meu amigo fará o que não deve com a tua filha!

As palavras do homem assustaram ainda mais a Rainha, que abraçou a filha. A pequena Jaehaera abraçava sua voluptuosa mãe, assustada.

—Po-por favor…—Chorou Helaena—Não, meus filhos… Meus bebês… meus lindo bebês… M-Mãe, não permita Eu… Eu não…— Ela quebrou em lágrimas e começou a soluçar mais e mais.

Alicent não sabia dizer se Helaena implorava por ela ou pela Mãe no céu… Mas, para sua tristeza e desespero, sua filha estava sozinha.

— Escolha — disse o homem que atacou Alicent, não se comover com a dor de uma mãe—, senão vamos matar todos.

Helaena olhou novamente para Alicent, que parou de se debater pelo cansaço. Ela a olhou por um instante, como se ainda tivesse esperança que a mãe dela fizesse algo.

Mas ambas sabiam que não havia nada que Alicent pudesse fazer naquela situação. Ambas eram mães e rainhas, mas nenhuma delas poderia se salvar e muito menos salvar as crianças. Ambas eram apenas mulheres assustadas nas mãos dos homens.

Helaena seu rosto cheio de lágrimas para o pequeno príncipe Maelor e balançou um pouco a cabeça, perturbada.

—Por favor, Deuses, tenham piedade…—Ela disse, ao levantar o braço e apontar o dedo em direção ao seu filho mais novo. —Eu sinto muito…

Não, por favor, Deuses, não… Parem, não permitam isso! Façam parar!

— Está ouvindo, garotinho? — sussurrou o misterioso homem para Maelor. — Sua mamãe quer você morto.

Mas ele não feriu o pequeno princípe, ao invés disso, ele sorriu para seu colega, que aproveitou enquanto todos olhavam para o colega e desceu sua espada contra o pequeno pescoço de Jaehaerys.

Alicent esbugalhou os olhos e ficou congelada vendo a cena, enquanto sua filha começava a gritar e correu para abraçar o corpo; Jaehaera olhou a morte de seu irmão gêneo apavorada e em choque… Enquanto Maelor era largado pelo homem, e olhava para a mãe agarrando o corpo sem vida de seu irmão. Sem que ninguém o impedisse, o homem que decapitou o príncipe pegou na loira cabeça de sua pequena vítima e a colocou em um saco.

Os dois assassinos fugiram, cumprindo sua promessa de não matar mais ninguém… Mas também cumpriram a promessa que fizeram a Daemon e Rhaenyra: matar um dos príncipes.

Os guardas logo vieram correndo e forçaram para abrir as portas, encontrando aquela deplorável cena: Helaena chorando e abraçando o corpo sem cabeça e sem vida de seu primogênito; duas crianças assustadas, uma mulher morta na cama da Rainha viúva e a própria rainha viúva amordaça e chorando no canto do próprio quarto.

—Pelos Deuses…—Disse um dos guardas ao ver o banho de sangue.

Um servente foi correndo para avisar o rei.

Um dos guardas soltou Alicent das, enquanto outros dois tentaram acalmar a rainha; dois servos levaram as crianças para fora.

—Seus incompetentes!—Disse Alicent após ser solta—Como puderam deixar dois desconhecidos entrarem no castelo!? Achem eles ou terei vossas cabeças!

Ela se virou para sua filha. Ela ainda segurava o corpo sem vida de seu filho, segurando-o nos braços e o balançando, como se ele ainda estivesse vivo e apenas dormindo. Nenhum dos dois guardas conseguiram convencê-la a soltá-lo.

O jovem que ela trouxe ao mundo aos gritos depois de horas de agonia, se fora. Ceifado pelas mãos de um desconhecido qualquer.

A rainha viúva foi até a rainha reinante e tocou em seu ombro.

—Filha?—Ela chamou.

—Meu filho, meu lindo filho…—Chorava a rainha.

—Filha–Disse Alicent—Solte-o, deixei-o ir, minha amada filha.

Mas a filha voltou a gritar e apertou mais fortemente o corpo de Jaehaerys, se ensopando ainda mais de sangue.

O pai de Alicent surgiu logo depois, correndo e parando na soleira da porta.

—O quê houve?—Ele perguntou—O quê…?

Ele parou ao ver a terrível cena e depois olhou para Alicent.

—Foi Daemon—Ela disse, retirando uma lágrima que estava caindo em sua bochecha. —Ele fez isso.

Ele olhou para a neta, abalada.

—Daemon fez isso? Deuses, nem eu poderia…

—Eu sei—interrompeu Alicent—Os assassinos de Jaehaerys ainda devem estar no castelo; mas temos que acionar a patrulha da cidade.

Apesar de abalado, seu pai assentiu.

—Vou avisar Gwayne—ele disse—eles devem responder por isso.

—E mande acordarem Lorde Larys—Ela disse. Se tinha alguém que poderia saber como descobrir informações sobre os assassinos de seu neto, era seu lorde dos sussuros—Quero falar com ele imediatamente

Quando o pai de Alicent saiu, ela voltou-se para a filha.

—Minha filha–disse Alicent–Por favor, deixe os guardas levarem Jaehaerys e cuidarem de você.

A rainha o abraçava e se recusava a largar. Alicent se viu obrigada a acenar para os dois guardas, deixando-os puxarem o corpo do falecido príncipe.

Os dois guardas tiveram que separar mãe e filha, puxando o corpo sem vida de Jaehaerys e todos tiveram que ouvir o grito de tristeza e desespero de sua mãe ao sentir o filho dela sendo separado dela.

Quando tiveram sucesso, o frágil e pequeno corpo do falecido príncipe de seis dedos caiu no chão, despejando mais sangue.

Aquilo não era certo. Aquele era seu neto, filho de Aegon e Helaena. Era para ele ser o herdeiro do trono, não para ser morto assim.

Ele era tão novo… Era para ele ser o próximo Jaehaerys II, e Jaehaera seria sua Alysanne…

—Mãe!?—Uma voz sem fôlego chamou e Alicent se virou—Esposa!?

Era seu filho, Aegon, que estava correndo no corredor e gritando de longe. Quando ele chegou na soleira, estava sem fôlego. Sor Criston estava logo atrás.

—Mãe? —Ele repetiu ao parar de correr—O quê houve? Feriram Helaena e as crianças?

Foi então que ele se deu conta da esposa em prantos no chão e, para o seu horror, o cadáver de seu filho.

—Helaena?—Ele perguntou horrorizado, enquanto entrava no quarto—Este é um de nossos filhos?

Alicent tentou intervir.

—Não olhe!—Ela implorou, se colocando na frente dele e tentando barrar sua visão—Por favor, não olhe, querido! Não olhe!

Mas era tarde, ele viu. Viu seu filho caído no chão e sem cabeça.

—Jaehaerys? —Ele perguntou incrédulo. —Pelos Deuses, não pode ser!

Alicent continuava a se recusar a deixar que ele avançasse e visse o filho.

—Não, Aegon, meu rei, por favor, vá para os seus aposentos, eu imploro! Nenhum pai merece isso!

Mas era inútil, ele ainda a empurrava e ela já não podia impedi-lo de ver seu filho caído na própria poça de sangue e sem a cabeça.

De repente, ele parou.

—Quem…

A rainha colocou o rosto jovem de seu filho com apenas 22 dias de seu nome no rosto em suas mãos. Ela podia ver o desespero e choque em seus olhos púrpuras.

—Enviados de Daemon e Rhaenyra—Disse Alicent—Eles ainda podem estar no castelo ou já estão fora, mas eu te garanto, nós vamos pegá-los e fazer eles pagarem por isso. E depois, faremos Rhaenyra e Daemon responderem por seus crimes.

Os olhos assustados e lacrimejados de seu filho logo se transformaram em fúria.

—Aqueles dois ousaram invadir meu castelo e matar um de meus filhos?—Ele questionou, o cheiro de vinho e fúria exalava de sua boca.

A rainha viúva assentiu.

Aegon olhou em volta, pertubado ao ver o cadáver na cama de Alicent.

—E os meus outros dois filhos?—Ele perguntou—Eles…?

—Os servos os levaram para outro aposento—Respondeu—Fique calmo quanto eles, mas…

—O quê? —Ele perguntou assustado—Eles os machucaram?

—Eles viram tudo, Aegon—Ela explicou—Viram Jaehaerys ser decapitado e… —Ela tentou achar forças para dizer—Obrigaram Helaena a escolher quem morreria, ou matariam a todos nós. Ela foi obrigada a escolher.

Os olhos violetas de seu filho esbugalharam.

—Como puderam fazer isso? —ele estava totalmente chocado.

Ele voltou a olhar para sua esposa e irmã, de joelhos no chão e para o corpo. Ele olhou com fúria para os guardas.

—É assim que vocês protegem minha família?—Ele questionou em um tom de terrível fúria—Isso não é jeito de tratar um princípe! Cubram meu filho e o levem daqui, ou eu terei suas cabeças!

Os soldados foram rápidos em obedecer e cobriram o corpo do falecido príncipe com um cobertor e levá-lo com cuidado dali.

O rei voltou-se para a esposa no chão, totalmente em choque e vendo as mãos totalmente cobertas de sangue.

—Oh, minha rainha…—Disse Aegon, se agachando ao lado da irmã e tentando ajudá-la a se levantar.

Isso, de alguma forma, tirou a rainha de seu transe. Ela o olhou com fúria e afastou seus toques com tapas.

—A culpa é sua! —Ela disse, se levantando desajeitadamente e dando mais tapas em Aegon. —Você o matou! Você matou meu bebêêê!

O rei tentava acalmar a esposa enquanto era empapado de sangue.

—Helaena, minha querida—Ele disse—Tente se acalmar, está fora de si.

Mas ela não parava de gritar, chorar e bater nele. Mesmo que os tapas de Helaena não surtissem efeitos, claramente suas palavras surtiram.

—Halaena—Disse Alicent—Minha amada filha e rainha, pare! Por favor!

Mas nada a fazia parar.

—Sor Criston!—Chamou Alicent—Venha nos ajudar.

O cavaleiro branco segurou a rainha, tentando não ferir ela.

—Por favor, Vossa Graça—Ele disse—, Precisa se controlar.

Uma serva veio ao seu auxílio.

—Levem-na ao Grande Meistre Orwyle—Disse Alicent—Ele vai acalmá-la.

Enquanto os dois rainha histérica para fora dos aposentos, o segundo filho de Alicent surgiu.

—O que está acontecendo aqui? —Disse Aemond, Otto estava ao seu lado.

—O que aconteceu—Explicou Otto—, é que as consequências de sua loucura caíram sobre nós!

Aemond olhou com raiva para o seu avô.

—Vai me culpar pelas merdas de nossos inimigos agora? —Desafiou o príncipe. —Isso é culpa da vossa incompetência como Mão!

—Ele tem razão—Disse Aegon—Você diz que fez de tudo para melhorar a guarda da cidade e do castelo, mas veja o que aconteceu! VEJA O QUE FIZERAM!

Otto ficou sem palavras por um tempo.

—Meu Rei, eu fiz tudo o que pude—Ele tentou se defender—Certamente não pode me culpar…

—Eu já o culpo—Disse o Rei. —Acho bom que ache os culpados pela morte de meu filho.

O rei saiu em fúria e passou pelo Mão e o irmão e o resto ficou sem ser dito… Mas a ameaça era clara.

—Agora ele falou como rei—Disse Aemond após o irmão sair.

Otto lhe deu um olhar de reprovação.

—Como se você soubesse o que um rei…

—Parem! —Disse Alicent— Não é hora de brigarmos! Meu neto está morto, e Helaena está em crise. Não podemos discutir agora.

Otto assentiu.

—Tem razão, eu sinto muito—Ele disse a contragosto—Eu já avisei a guarda da cidade, eles estão em alerta, assim como os soldados do castelo. Já mandei acordarem lorde Larys

Alicent assentiu, se sentindo cansada, mas não deixando que a fadiga a dominasse.

—Ótimo—Respondeu, passando pelo pai e pelo filho, deixando aquele horror sangrento em seu quarto para trás—Eu vou ver Helaena.

Alicent sentia um misto de dor, tristeza e ódio em seu corpo. A dor de ser impotente, estar indefesa e sem ter como proteger a filha e os netos… Aquela sensação era atordoante para ela. Ah, e ela também sentia a ânsia de vingança, e isso era algo que ela faria de tudo para saciar. Alguém teria que pagar pelo que fez ao seu neto.

Uma parte dela estava aliviada e confusa por sobreviver e sua filha e outros netos também; porém, isso a fazia se questionar o porquê de seus algozes os terem poupado tão facilmente…

Mas ao pensar na briga que sua família teve após o assassinato de seu pobre neto, ela teve a resposta: os assassinos cumpriram sua palavra de matar apenas um, mas as ordens deles não eram apenas para vingar o bastardo morto de Rhaenyra; eram para destruir a família de Alicent. Não matando todos eles, mas os quebrando. E eles o conseguiram.