Alicent Hightower: A Rainha Verde
6 Quebrada
Tudo estava indo de mal a pior.
Seu filho mais velho estava cada vez mais estressado e nervoso com os rumos que a guerra estava seguindo e pela perda do filho.
Todos os senhores do tridente agora estavam do lado de Daemon, os únicos legalistas que existiam em favor dos verdes haviam sido derrotados recentemente em batalha.
Larys Strong foi quem lhes deu informações sobre a batalha que se seguiu.
Lorde Samwell Blackwood, após atrair o inimigo queimando suas terras, havia esmagado de surpresa o poderoso exército de lorde Bracken; com o Sor Emos Bracken ainda teve a satisfação de matar o seu inimigo antes de morrer em campo.
O exército de Sor Emos tentou recuar, mas para a infelicidade dos sobreviventes, Daemon e os outros lordes haviam conquistado o castelo deles e, tal como foi em Harrenhal, nenhum castelo pode lutar contra o fogo de um dragão.
—Para salvar a esposa e os filhos de lorde Bracken, seu meio-irmão bastardo acabou por se render—Disse Lorde Larys.
Tanto nos seria útil se ele os tivesse salvado ou os deixado morrer.
—Imagino que todos os nossos apoiadores também deixaram nossa causa após essa vitória esmagadora?—Perguntou Alicent, embora não fosse necessário.
—Temo que sim, Vossa Graça—Ele respondeu.—O único consolo que posso lhe dar, é que a batalha do moinho destruiu ambos os exércitos.
—Mas Daemon ainda é o vencedor—Ela disse—Isso não nos ajuda em nada! Se for falar algo para me alegrar, me avise quando a vadia de minha enteada e sua prole bastarda estiverem ardendo no sétimo inferno!
Daemon Targaryen, como sempre, ainda era uma temível sombra alada que queimava todos os seus planos
Após isso, o Rei Aegon ficou cada vez mais abalado; nunca passou pela sua cabeça que a causa de sua meia-irmã fosse tão forte assim.
—Como podem apoiá-la?—Ele lhe perguntou uma vez; meio-irritado meio-assustado—Não sou eu quem insiste em colocar bastardos no trono, não sou eu quem está contra os precedentes! Não fui eu quem mandou matar uma criança e obrigou a mãe escolher qual ia morrer! Como podem apoiar a prostituta de Daemon e não a mim!?
—Fique calmo, querido—Ela disse—, Garanto que o vosso avô vai cuidar de tudo!
Ele apertou os olhos e deu um longo gole de vinho. Ele estava bebendo cada vez mais.
—A senhora já disse isso—Ele reclamou—Meu avô se provou um Mão inútil… Meu filho morreu pela fraqueza dele.
—Dê tempo ao tempo—Ela tentou acalmá-lo—Logo tudo vai se resolver.
Mas não adiantava, a Campina estava cada vez mais dividida, Dorne não aceitou a oferta deles, nem mesmo os Homens das ilhas de ferro.
As coisas estavam tão desesperadoras que uma vez o Rei entrou nos aposentos de seu Mão e jogou o tinteiro no colo dele.
— Tronos são conquistados com espadas, não penas. Derrame sangue, não tinta!
—Já mandei meu sobrinho cuidar dos inimigos–Disse Otto–Ele logo estará marchando contra eles, e a casa Tyrell poderá até voltar a nos apoiar.
Mas nada que o pai dela estivesse planejando poderia resolver as coisas da forma rápida que o Rei queria.
Cada vez mais comerciantes vinham reclamar com o Rei, dizendo que já pagaram o que lhe era devido e queriam sair; mas o Lorde Corlys Velaryon estava bloqueando o caminho da Goela. Eles estavam presos.
—Eu lamento por isso–Aegon respondia—Mas não posso lhes ajudar agora. Por favor, entenda, estamos em tempos complicados.
Mas isso apenas os irritava mais e mais…
Não foi uma surpresa que seu filho tenha tido menos amantes e dado mais espaço para as bebidas. Seu filho estava cada vez mais bêbado.
Ele está tentando afogar as mágoas, pensou, mas isso nunca dará a paz que procura.
—É melhor assim—Disse Aemond—Ele é mais útil quando está caído de tão bêbado e não chorando e reclamando de tudo.
—Respeite o Vosso irmão, Aemond!—Repreendeu.
—Desculpe, mãe—Seu filho respondeu, sarcasticamente—É melhor com ele não fazendo nada e reclamando com todos.
Infelizmente, Aemond tinha razão: Aegon não fazia nada para ajudar a sua facção na guerra. Ele parecia só reclamar e beber ao invés de dar ideias do que deveria fazer.
A morte do pequeno príncipe foi um duro golpe para o rei e a rainha, isso era visível para todos.
Sua filha nunca voltou a ser o que era depois do assassinato de seu filho mais velho; ela se recusava a dormir ao lado do marido, culpando-o por tudo; os sorrisos em seu lindo rosto cheio já não existiam, já parecia ter mais alegria em seu olhar; agora seus olhos púrpuras eram tristes e vazios, como se sempre estivesse olhando para o nada.
Ela se recusava a sair dos aposentos, se banhar ou mesmo comer… Ela nem suportava olhar o jovem Maelor.
—Você cuidará de Maelor—Disse Aegon a Alicent.
—O quê? —Alicent ficou com uma dor no peito ao ouvir aquilo—Não pode pensar em afastar Helaena do filho dela! Ela já perdeu mais Jaehaerys, agora vai lhe tirar Maelor? E ele, além de perder o irmão, vai ser afastado da irmã?
—Ela não suporta vê-lo, mãe—Ele explicou—Ela sabe que escolheu ele para morrer, e ele sabe que ela o escolheu… E, atualmente, minha pobre irmã não consegue cuidar nem de si mesma.
Sem poder ir contra o filho, e sabendo que ele estava certo em seu raciocínio, Alicent tomou a tutela de seu neto.
Seu neto ainda faria três anos, um lindo garotinho… Mas desde que o irmão mais velho se foi e a mãe se afastara, ele estava sempre com um olhar triste e cabisbaixo.
—Você deveria ver sua irmã–Disse Alicent ao seu filho uma vez. –Ela precisa de apoio.
Aegon balançou a cabeça.
—Ela me odeia–Ele respondeu–Me culpa pela morte de nosso filho. –Ele torceu a boca, enojado–Deuses, havia tanto sangue nela…
—Pois eu espero que você não se culpe.
Ele bufou.
—Culpo a puta da minha irmã e o monstro do meu tio.
Alicent assentiu.
—Eles são o inimigo–A rainha respondeu–Vamos destruir eles por isso.
Mas, enquanto Helaena cada vez mais se afundava em melancolia, Aegon se afundava em ódio e bebidas.
Dois dias após o assassinato do jovem princípe, o homem que o decapitou a sangur frio foi capturado no Portão dos Deuses tentando sair de Porto Real.
—A cabeça do jovem príncipe estava em seu alforje–disse seu irmão Gwayne, com a boca retorcida pelo nojo. –Eu imagino que ele iria entregar para os seus mandantes, mas ele ainda não falou nada.
—Mas ele vai–Disse Aegon–Eu quero o nome de seu colega e de qualquer envolvido na morte de meu primogênito. Entregue-o às celas Interrogue-o severamente.
Após várias horas de "interrogatório", o assassino de Jaehaerys finalmente revelou tudo o que sabia.
—Ele iria levar a cabeça para Harrenhal, para Daemon–Disse Larys, confirmando as suspeitas do irmão de Alicent–Ele disse quem contratou ele e o exterminador de ratos; uma mulher mais velha, estrangeira pelo sotaque, com capa e capuz, muito pálida.
—Uma mulher estrangeira? –Questionou o Rei.
Larys assentiu.
—As mulheres a chamam de…
—Miséria–Disse Alicent, sabendo quem era a tal estrangeira. –Não fazia ideia de que ela havia voltado para Westeros; muito menos de que estava na Capital.
Alicent nunca a vira pessoalmente, mas o príncipe cruel já havia feito muitas loucuras com aquela mulher; uma vez quase lhe deu um ovo de dragão, mas o marido de Alicent o impediu e ordenou que ela partisse dos sete reinos.
Pelo visto, como tantas outras vezes, Daemon desobedeceu seu irmão mais velho e Rei.
Apesar de todo o comprometimento do príncipe com sua amante pálida, Seu pai um vez lhe disse que foi
Sor Criston torceu o rosto em uma imagem de desprezo.
—Outra puta do Daemon–Disse o chefe da guarda.
—E mais uma que nos dá dor de cabeça–Completou Alicent–O irmão de meu falecido marido claramente tem um gosto bem particular por mulheres devassas na cama e cruéis fora dela.
—Seja ela quem for–Disse o Rei–, quero-a que a encontrem e tragam-na até mim; vou fazê-la andar por todas as ruas de Porto Real e chicoteá-la até ela ficar sem pele e morrer com os pés sangrando.
—É uma imagem agradável de punição–Disse o Mestre dos Sussurros, com um sorriso gentil–Vou fazer o possível para que o meu rei traga a justiça para o seu falecido filho.
Apesar da guarda da cidade revirar toda a Capital em busca da mulher pálida de Daemon e do capanga que ajudou o assassino de neto.
Larys logo descobriu que o homem que amarrou Alicent e agarrou Maelor era um dos caçadores de ratos da Fortaleza, apenas assim ele saberia como invadir o quarto de Alicent. Infelizmente, não sabiam seu nome e nenhum dos caçadores se parecia com ele.
Mas seu filho estava furioso demais; e ele não aceitaria ficar de braços cruzados e aceitar que um dos assassinos de seu filho escapasse impune.
—Então matem todos!—Ele disse—Matem todos eles!
Foi uma atitude sangrenta e insensata; dificilmente o assassino ainda estaria na capital. Mesmo assim, todo o exterminador de ratos na capital foi enforcado, em nome do rei e de sua fúria cega. A única coisa que esse massacre trouxe foram cadáveres nas ruas e ratos na fortaleza.
Alicent volta e meia acabava esbarrando em ratazanas, sua neta Jaehaera certa vez acordou a noite com um rato em sua cama.
—Eles não param de roer meus livros–Reclamou o Grande Meistre Orwile–Eles estão irritando até os corvos, entrando em suas gaiolas no meio da noite. Mal acabei de matar um e jogá-lo para as aves, que logo surge outro. Logo, os corvos ficaram gordos de tantos ratos… isso se aguentarem comer todos.
Até o Septão Eustace reclamava de encontrar ratos no septo.
—Já tive que parar meus sermões por causa disso–Ele reclamou certa vez–Lá estou eu, pregando em nome dos sete, quando uma dessas pestes rói a minha túnica!
—Continue a tortura do brutamontes–Disse o Rei–
Alicent via toda a sua família desmoronar sem poder fazer nada. Ela sentia um misto de tristeza e incompetência dentro de si… E raiva.
Ela tinha raiva de que não houvesse nada que ela pudesse fazer para resolver a situação de seus filhos e netos.
Não pude impedir Aemond de fazer sua insensatez; não há nada que possa fazer para ajudar meu filho na guerra; não pude fazer nada para salvar Helaena e meus netos… Nem sequer pude estar lá para consolar meu pobre Daeron quando ele soube da morte do pai.
Seu parente em Vilavelha sempre escrevia que Daeron era um ótimo copeiro e que fazia ótimas amizades com os jovens e roubava o coração de todas as jovens donzelas da Campina. Até o povo comum parecia adorá-lo.
Daeron sempre ficou se inspirando em seus dois irmãos mais velhos, sempre se sentido na sombra. Mas ele havia se provado muito mais popular que ambos. Todos entre a corte e a plebe se encantavam com o jovem príncipe.
E quando ele conseguiu um dragão, ah… Havia um garoto que adorasse voar mais que o jovem príncipe? Que amava e cuidava mais de sua dragão? Quando seu filho voava, sempre havia uma felicidade genuína em seu rosto; sem preocupações, sem ser uma sombra, sem brigas na corte… Só um jovem garoto e sua linda animal voando nas nuvens. O príncipe, seu animal alado e o céu eram um só.
—Viu como eu voei, mamãe? –Ele disse para Alicent após voar pela primeira vez–Foi bem alto! Viu?
—Eu vi, meu filho–Ela havia dito, sabendo que ele estava feliz por ter conquistado um dragão antes de Aemond–Você foi magnífico!
O marido de Alicent também tinha elogios:
—Logo irá ser um domador tão habilidoso quanto Aegon, o conquistador e suas irmãs!
Alicent havia assentido, embora um pouco preocupada.
—Só peço aos deuses que seja cuidadoso e não voe tão alto!
—Minha Tessarion é bonita, não é? –Ele perguntou, ansioso para receber elogios do pai–É tão bonita quanto Sunfyre, não, é? E ela é bem rápida, não acham?
O marido de Alicent riu com a felicidade do filho mais novo e afagou os cabelos de prata.
—Com certeza filho–Ele respondera–E ela logo será maior ainda!
Grande o bastante para a batalha, ela se lembrou de ter pensado.
Já fazia alguns anos que não via o filho; e ela queria ele mais do que nunca com ela.
—Parta em segurança com o deuses, meu amado filho–Ela disse para ele no dia em que ele partiu. –Seja um bom rapaz e obedeça seus parentes.
—Sim, mamãe–Ele disse com um sorriso sem graça pelos beijos e abraços da mãe na frente de todos.
Quando ela deu um longo abraço e beijou sua nuca prateada, com tristeza por vê-lo partir, seus outros dois filhos deram um risinho e alguns dos membros da corte também.
Era de se esperar que qualquer jovem envergonhado se afastasse da mãe nesses momentos; mas seu filho mais novo a abraçou e se aconchegou nos seus braços.
—Vou sentir a vossa falta–Ele disse, e ela sabia pelo tom em sua voz que ele estava quase chorando com a ideia de partir.
Mas Alicent sabia que seu filho deveria partir e conhecer o mundo fora da fortaleza e da Capital.
Seu filho deu uma leve fungada e coçou um olho, tentando disfarçar o choro.
—Vou deixar você orgulhosa–Ele disse.
—Você sempre deixou, meu filho–Ela respondeu. –Não há nada o que provar.
—Vou dar motivos para isso–Ele prometeu.
E assim ele subiu em sua maravilhosa dragão azul e partiu para a Campina.
—Acha que nosso filho se dará bem na Campina? –Perguntou Viserys.
Ela assentiu.
—Ele faz amigos a onde vai, e ele precisa achar seu lugar no mundo.
Seu filho escreveu cartas para Alicent–Ele tinha uma bela letra–, pedindo para se unir aos irmãos ou ser enviado em alguma batalha.
Apesar de toda a coragem que ele fazia transparecer, Alicent sabia que ele devia estar abalado. Lorde Ormund Hightower lhe escrevera dizendo que ele havia chorado muito ao ouvir a morte do pai e que ele até tivera dificuldade em escrever algumas cartas, pois as lágrimas borravam a tinta.
"Ele é um bom menino", escreveu o lorde, "E está muito agitado e quer muito provar seu valor para os seus irmãos, e para a senhora, vossa graça."
A Rainha viúva escreveu que seu filho devia se manter em segurança. Ela sabia que por mais que Tessarion estivesse no tamanho para luta e que qualquer dragão seria importante, ela era a menor de todos. Meraxes era muito maior quando os ardilosos dorneses a derrubaram; e nunca poderia arriscar que ele lutasse contra Daemon ou Rhaenys.
Depois de rezar no septo, Alicent escreveu mais uma carta para seu filho. Sentia falta dele mais do que nunca.
"Mamãe logo vai reencontrar você, querido. Logo iremos nos reencontrar, eu prometo. Mamãe sente muito a vossa falta.
Só tome cuidado e não entre em batalhas sem necessidades, deixe o bom lorde Hightower cuidar dos invasores; Tessarion ainda não tem necessidades de entrar em uma guerra desnecessária
Logo estaremos todos juntos!
Com amor, a vossa mãe."
Para o lorde Hightower, ela foi mais curta e direta:
"Se meu filho se meter em batalhas desnecessárias e se ferir, torça para que os rebeldes lhe matem antes de mim; pois nem o próprio Rei ou mesmo os deuses poderão lhe proteger de minha ira."
Após mandar um meistre enviar as cartas, a rainha foi ver a sua filha.
Sua filha estava sentada na mesa, ao lado dela, estava Jaehaera. O prato estava intocado.
Sua filha tinha um olhar vazio e triste, não parecendo ver a direção que seus olhos olhavam. Seu lindo sorriso morreu, agora ela apenas tinha uma cara triste e perdida.
—Não vai comer, filha? –Perguntou Alicent–A septã Moelle me disse que você não tem comido quase nada. Nem se banhado.
A filha não respondeu.
—Tem ratos no meu quarto–Disse a neta de Alicent–, embora não parecesse chocada e enojada, ela provavelmente não gostava da situação–Um assustou minha Septã e minhas damas; já vi alguns passarem por perto de minha mãe, mas ela não parece se importar.
—Não se preocupe querida–Respondeu Alicent–Vosso bisavô trouxe cem gatos, logo essa praga será erradicada.
E não foi um exagero da parte de Alicent, seu pai realmente precisou pegar cem gatos para limpar a fortaleza.
Muitos podiam achar que a pequena princesa Jaehaera estava estranhamente fria em relação à morte de seu gêmeo, mas Alicent sabia que sua neta sofria. Ela sabia que por trás daquela aparente indiferença, estava uma jovem triste e solitária pelos acontecimentos de sua vida.
Alicent se virou para a filha, que estava a olhar para a janela. Tentou tocar sua mão, mas ela a afastou ao sentir o leve toque.
A rainha viúva suspirou. Daemon matou pode não ter decapitado sua filha naquela noite, mas ele havia matado ela do mesmo jeito. Matado seu primogênito; matado seus sorrisos; seu bom coração; matou a felicidade dentro dela.
—Vosso filho tem saudades de você.
Helaena balançou a cabeça.
—Não.
—Minha rainha…
—Quero meu filho–Ela interrompeu.
—Eu posso mandar trazer Maelor–Disse Alicent.
Ela balançou a cabeça, perturbada.
—Não, não, não, não, não, não…
—Helaena…
—Meu filho–Ela disse–Jaehaerys, meu filho… Eu não… Eu…
—Acalme-se!–Ela lhe tocou no ombro da filha, com medo de sua reação.
A filha parou, olhou para a mãe e depois para a janela.
—A culpa é sua–Ela disse–Você matou meu bebê.
Alicent sentiu uma dor no peito ao ouvir aquilo.
—Como pode dizer isso!?
—É a verdade–Ela disse–Você, meus irmãos… Vocês mataram meu filho. Vocês vão matar todos nós. Farão a própria ruína.
Alicent ouviu aquilo atordoada.
—Não é verdade–Ela disse–Tenho feito de tudo para defender a nossa família.
Ela não teve mais respostas depois disso.
Uma serva entrou no quarto.
—Com licença Vossas graças…
—O quê houve? –Perguntou Alicent preocupada, ninguém podia interromper a reunião das três damas.
—É o rei–Ela disse–deseja vê-la.
A Rainha viúva assentiu e beijou a nuca da filha e da neta, e depois andou apressada até o filho.
Ao entrar nos aposentos do filho, ele estava com uma enorme carranca. Isso era normal, mas para sua surpresa, Sor Criston já estava lá.
—Meu rei–Disse Alicent, fazendo uma reverência. –Posso ajudá-lo em algo? O quê o aflige?
—Meu Mão–Ele disse, sem rodeios.
Alicent suspirou. Ela sabia que era uma questão de tempo para aquele momento chegar.
—Vossa Graça, eu já disse…
—Eu sei o que a senhora disse, mãe–Ele a cortou–Mas acontece que ele também disse muitas coisas, e nenhuma das vossas palavras tem se cumprido, para o meu total desgosto.
—Eu entendo o Vosso desespero, meu filho, mas deve confiar em teu avô para resolver as coisas.
—Meu avô é um inútil–Ele respondeu–Perdemos as terras fluviais por causa da lentidão dele; a Campina está dividida; e ele ainda insiste na triarquia.
Alicent sabia o que tinha além disso; seu filho também o culpava pela morte do filho. Mas ele nunca diria isso.
—A triarquia é útil–Ela disse–Essos já lutou contra dragões; e precisamos de uma frota contra os Velaryon…
—Basta!–Ele disse, irritado–Você repete o canto do vosso pai. Isso em nada me ajuda.
Alicent percebeu que havia perdido a disputa.
—Vosso avô apenas está protegendo seu reinado.
—Sor Criston discorda–Ele disse–E eu estou inclinado a confiar nele atualmente, mãe. Talvez ele seja mais capaz.
Alicent olhou para Cole com ódio.
—Aegon–Ela disse, desesperada–Não pode fazer isso! Deve confiar no vosso avô!
—Devo? –Ele disse irritado–Um rei não deve nada! Confie em meu avô e olhe o que aconteceu! Perdi quase todo o reino, meu filho morreu e Helaena me odeia agora!
—Dê tempo ao tempo–Ela disse–Vossa irmã…
—Minha irmã perdeu o juízo–Ele disse–graças ao meus inimigos e a incompetência do meu Mão.
—Meu rei, deixe-me…
—Eu já me decidi–Ele respondeu–Eu apenas a informei por respeito a senhora, e dei uma chance para defender o vosso pai. Mas agora acabaram as chances. –Ele se virou para um servo–Chame o Mão do rei e diga-lhe para me encontrar na sala do trono.
O rei saiu e passou por Alicent sem ouvir suas súplicas, mas ela tentou falar com Sor Criston.
—Seu idiota, o quê pensa estar fazendo? –Ela exigiu saber.
Os pálidos olhos de Cole eram frios.
—O quê deve ser feito–Ele respondeu–Um rei merece impor respeito, Vossa Graça.
—Respeitou? —Alicent fechou as duas palmas da mão em um punho.—Desde quando sabe algo sobre respeito, Sor?
Ele franziu o cenho.
—O quê quer dizer?
—Quero dizer que Rhaenyra nunca gostou de homens de respeito–Ela respondeu, e depois deu uma rápida risada–Embora, deva admitir, Daemon parece mais esperto; acho que já sei por qual motivo você foi trocado.
Ele arregalou os olhos de surpresa e fúria, mas Alicent o ignorou e foi atrás de seu filho.
Pouco após eles chegarem na sala do trono, o pai de Alicent chegou também.
—Vossa Graça? –Ele perguntou, confuso, enquanto o rei ia em sua direção. –Mandou me chamar?
—Sim–O rei respondeu indo até ele.
—Meu rei! –Disse Alicent, ela nunca desafiou a ordem de seu filho daquele jeito, mas se viu obrigada a intervir. —Deixe-me falar em defesa…
—Não. –Ele disse, simplesmente, sem nem olhar para ela.
Aegon arrancou a corrente de mãos douradas do pescoço de Otto com um forte puxão. O avô do rei ficou visivelmente chocado e abalado com a situação. Seu neto nem sequer deu algum discurso lhe avisando.
Aegon jogou a corrente para Sor Criston, que a pegou no ar.
— Minha nova Mão é um punho de aço — gabou-se ele. — Já chega de escrever cartas
Abalado, Sor Otto olhou para sua filha em desespero e depois para o seu neto.
—Majestade, eu…
—Seu tempo acabou–disse Aegon–Vossos serviços não são mais necessários para a Coroa. Tire suas coisas da torre da Mão.
Otto olhou para Alicent, mas ela balançou a cabeça. Já não havia nada que ela pudesse fazer por ele.
Derrotado, o cavaleiro que serviu três reis, e que tanto dedicou tempo para que o neto, que acabara de renegá-lo, subisse ao trono, abaixou a cabeça em derrota e se retirou. Alicent conseguiu ver seu pai envelhecer com aquilo.
Parte dela queria ir até ele, mas ela sabia que seu filho precisava dela. Sor Criston não seria um bom conselheiro apenas mandando-o para a batalha.
— Não cabe ao senhor solicitar o apoio de seus senhores, como um mendigo suplicando esmola — disse o cavaleiro a Aegon. — O senhor é o legítimo rei de Westeros, e aqueles que se opõem são traidores. Já passou da hora de eles descobrirem o preço da traição.
Aegon assentiu.
—Concordo–Ele respondeu–Que os traidores saibam o preço de sua tradição. –Que os prisioneiros escolham: ou dobram os joelhos, ou perdem as cabeças.
—Finalmente–Disse Aemond–Chega de nos mostrarmos fracos.
Alicent balançou a cabeça ao ver aquela cena. Ela e o seu pai sabiam que a imagem de Aegon não era boa; começar um reinado botando cabeças de traidores em estacas poderia ser péssimo para a causa dele, mesmo que fossem as cabeças de ditos traidores.
Mas ela sabia que seu filho não lhe escutaria sobre isso. Não mais.
—E o que faremos para vingar meu filho? –Questionou Aegon.
Sor Criston deu um sorriso sinistro.
—A princesa usurpadora usou métodos furtivos—Disse Cole—Pagaremos à princesa na mesma moeda sangrenta.
O novo Mão fez um aceno com a mão e sor Arryk saiu de perto da parede e veio até eles.
—Meu rei–Fez uma reverência.
—O quê pretende? –Perguntou Aegon, curioso.
—Rhaenyra está em Pedra do Dragão, protegida, assim como seus filhos.
Ao entender o que ele queria dizer, Alicent ficou surpresa. Ele não era tão estúpido quanto ela imaginava.
—Sor Erryk, irmão de Sor Arryk, está com ela–Continuou o cavaleiro—Se Arryk conseguir se infiltrar e chegar até os filhos da princesa, ou até dela mesma…
Aegon arregalou os olhos ao ouvir aquilo e o olho de safira de Aemond brilhou.
—Sor Criston–Disse Aegon, botando a mão no ombro do cavaleiro–, Você será um excelente mão!
Ele sorriu ao ouvir aquilo.
—Obrigado, Vossa Graça, não vou decepcionar!
Alicent, vendo que não havia mais nada para ela e se sentindo cansada, decidiu sair e ir aos seus aposentos. Que os deuses a salvassem e aos seus filhos do que estava por vir.
Em seus aposentos, ela ficou um tempo com Maelor e, quando ele foi dormir, ela foi ler para ele. Isso a deixava feliz; voltar a cuidar de alguém, ler… Era como quando cuidava de seus jovens filhos ou do Velho Rei Jaehaerys.
—Por que minha mamãe não quer me ver? –Seu perguntou para Alicent uma vez, com uma voz atrapalhada pela tenra idade. –Ela não gosta de mim?
—Vossa mãe está passando por dificuldades, querido–Responde–Ela não esqueceu de você e nem está brava… É só…—Procurou as palavras certas.
—Ela preferia que fosse meu irmão não, é? –Ele disse–Ela preferia que fosse ele que estivesse vivo, não eu.
Alicent fechou os livros, chocada com as palavras.
—Pare! –Ela mandou–Nunca mais diga isso! Vossa mãe ama você, tal qual amou vosso irmão e tal qual ama vossa irmã; ela ama todos vocês igualmente.
Seu neto fez beicinho e parecia preste a chorar.
—Mas fui eu quem ela escolheu para morrer.
Suspirando, Alicent acalmou o neto e cantou um pouco para ele, vendo ele fechar seus olhos púrpuras.
Após arrumar seu cobertor, ela ouviu batidas na porta e foi ver quem poderia ser.
Era Larys Strong.
—O que houve? –Ela perguntou.
—O assassino de vosso neto, Vossa Graça–Ele disse–Ele faleceu, finalmente.
Aquilo deveria tê-la deixado satisfeita. Aquele homem agonizou por treze dias…
Mas não satisfez, Alicent sentia uma dor e um vazio dentro de si. Uma fúria enorme tomou conta dela rapidamente e ela sentiu seu coração se endurecer.
Não era o bastante. Jamais seria enquanto Rhaenyra, Daemon e suas crias nojentas não estivessem em agonia.
—Descubra o nome dele–Ela ordenou–Quero saber se ele tinha esposa e filhos.
Ele assentiu.
—Vossa Graça quer castigá-los? –Ele perguntou, com um sorriso de criança curiosa.
—Quero me banhar no sangue deles.
O pé-torto assentiu.
—Farei o que puder, Vossa Graça.
—Ótimo. –Ela fechou a porta.
Naquela noite, ela rezou para todos os deuses, como sempre. Mas, dessa vez, rezou para que o Guerreiro também desse forças ao Sor Arryk em seu próximo desafio.
E também rezou ao estranho. Rezou para que ele levasse os filhos de Rhaenyra antes de levá-la; para que ela sofresse, como Helaena sofreu.
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