Alice no País das Maravilhas

5 Capítulo 5 - Conselhos 'Lagartais'


Notas iniciais

Alice finalmente sai da casa do Coelho C., encontra uma nova personagem decidida a fazer perguntas sem serventia e via para uma casa muito estranha.

O Coelho chama Bill na esperança de tirar Alice de dentro da sua casa, o pobre lagartinho é incumbido de uma tarefa muito difícil. Como retirar esse monstro da casa? Talvez a mais obvia das sugestões não seja melhor delas. Alice conhecerá criaturas estranhas que podem ajudá-la ou não, mas o maior dos inimigos é aquele que menos se espera.

***

- Bill! Chamem Bill agora! — eu podia ouvi-los do lado de fora

- Onde ele está?

- Aí vem ele. Bill! Bill!

Era uma cacofonia confusa aquela

- O que foi senhor? – ouvi-se a voz de Bill

- Onde está Dodô?

- Dodô morreu senhor? – havia um leve tom de pesar na voz do lagarto – O cão o comeu

Eu finalmente podia ouvi-los com clareza porque as pedrinhas pararam de falar.

- Peguem a escada, rápido! Preciso tirar este monstro de lá logo.

- Aqui está a escada.

- Andem logo!

- Quem vai?

- Eu não, vá você!

- Eu não! Ele vai!

- É Bill quem vai! – o Coelho gritou

Muitas vivas foram dadas a Bill

-Agora vá e arranque o monstro de lá Bill!

- Claro senhor, eu irei lá e vou... ARRANCAR O MONSTRO?! Oh não senhor, eu não, mande outro, mande!

- Vá Bill! – ele bradou com uma voz rouca e ameaçadora. – Empurrem, empurrem-no!

Deviam estar empurrando Bill para que ele subisse as escadas. Logo ouvi passadas no telhado, Bill devia estar sobre ele.

“Pobre Bill há de acabar morrendo depois destes favores”

- Isso Bill! Suba! Suba! Agora desça pela chaminé! Isso!

“Chaminé?” Vi a lareira com muitas cinzas “Oh, sim! A chaminé! Bill deve ser magro o suficiente para passar por ela”

Começou um temporal do nada.

Quando Bill desceu pela chaminé fez muita cinza descer, o que criou uma nuvem e me espirrar.

- Oh, veja! vai Bill.

- E vem Bill!

- Ei, vocês! Peguem-no!

- Está demorando muito para cair.

- Caiu!

- Pobre, pobre Bill – O sorriso do Gato reapareceu

- Que aconteceu com Bill? – perguntei

- Oh, Bill caiu em uma roseira e morreu.

- Pobre Bill – lamentei – a culpa é minha. Não devia ter espirrado...

- Ora ele morreria mais cedo ou mais tarde não é?

Refleti um pouco, realmente era verdade.

- E como saio daqui?

- Coma as pedras, ora, quer coisa mais simples?

- Mas não posso comer as pedrinhas.

Elas olhavam assustadas para o Gato.

- E por que não?

- Ora, por que...

- Pois bem não há por que não comê-las

- Mas também não há por que comê-las

- Há, sim! Você deve diminuir não é?

- É... — Falei pesarosa

Peguei uma pedrinha e olhei para ela uns instantes

- Não! Não! Não! Não! – as outras pedrinhas acompanharam a repetição — Não! Não! Não! Não!

Do lado de fora a gritaria recomeçou

- Queimem a casa! – O Coelho gritou

- Mas está chovendo!

- Então destruam a casa!

- Tragam seus machados e foices

A cacofonia recomeçou

- É a sua escolha Alice – o Gato instigou começando a virar um Leopardo de novo.

Pus a pedrinha na boca, as outras entraram em choque e virarão alcaçuz.

A pedrinha da minha boca também virou alcaçuz e a engoli sem mastigar, logo diminui tanto que estava do tamanho de um rato e Leopardos comem ratos...

- Alice... Você pareci tão... Apetitosa – Os olhos dele brilhavam

Comecei a correr o mais que pude, passei pelo jardim onde havia uma multidão de bichinhos, provavelmente prestando suas devidas homenagens a Bill.

O Leopardo corria atrás de mim, mas logo que viu o Coelho no jardim da casa parou para enfrentá-lo e começaram a se consumir de novo.

Segui por uma estradinha até achar uma bifurcação.

“Que faço agora?”

- Pega a Direita!

- Não, não! Pegue a Esquerda!

- Quem falou?

- Eu!

- E Eu!

- Eu quem?

- Nós! – dois irmãos gêmeos gorduchos e baixinhos saíram de trás de uma moita com uniformes de marinheiro: um vestido de azul e outro de vermelho.

- Twiddle Dee – o de azul fez uma reverencia tão grande que deu uma cambalhota para frente, ao mesmo tempo o outro fez a mesma coisa

- Twiddle Dum

Eles começaram a pular, pareciam ter molas nos pés, pularam tão alto que Twiddle Dee ficou de pé na cabeça de Twiddle Dum.

- Sabem que caminho eu tomo?

- O da direita! – Dee falou se inclinando na minha direção, mas sem cair

- O da esquerda!

- Não posso pegar os dois

- Pode sim! Primeiro vai por um e depois por outro.

- Mas qual primeiro.

- Depende para onde você vai.

- Não sei ao certo

- Então não importa que caminho tome

- Eu quero sair!

- Para onde?

- Para minha casa.

- Ora, então pegue o caminho da sua casa.

- Mas eu não sei qual é!

- Nem nós!

- Mamãe já dizia que: Quando não se sabe aonde ir é melhor ficar parado! – Dum começou a imitar uma voz feminina

- Papai quem dizia!

- Mamãe!

- Papai!

Os dois começaram a ficar vermelhos

- Parem! – pedi, mas eles não me deram atenção.

- Foi mamãe!

- Papai!

- Mamãe!

Eles iam inchando a cada frase até que – Pow – Explodiram!

- E nem tiveram tempo de me dizer o caminho certo... – Lamentei sentando embaixo de um cogumelo, para me proteger da chuva

- É porque não há um caminho certo – uma voz doce respondeu

Tentei me levantar e bati a cabeça no cogumelo, olhei em volta deste até ver, sentada no cogumelo, uma lagarta fumando um narguilé. Parecia em transe.

- E qual seria o correto?

- O que correto? – ela inspirou demoradamente a fumaça do cachimbo

- O caminho

- Para onde? – ela soltou a fumaça no meu rosto

- Para fora daqui – falei tossindo.

- Por quê?

- Porque eu quero sair – notei que também estava soltando fumaça pela boca, sem ao menos fumar.

- Para onde?

- Ora! – Bati o pé – desta forma não iremos a lugar algum

- E íamos?

Fiquei com raiva e me virei fazendo menção para ir embora.

- Espera menina! Nem sei teu nome!

- É porque eu na disse! Chamo-me Alice e a senhora?

- Lagarta, a lagarta

“Muito sutil”

- Pode me dizer que caminho tomar?

- Recite!

Tão logo ela falou, eu estava de mãos juntas recitando

“Com que orgulho o pai não dilacera o filho

E joga seus restos na água pálida do Nilo

Depois se volta feliz para esposa:

Eis a tua hora querida moça!”

- Eu não aprendi isso – disse eu depois de me dar conta do que acabara de recitar

- Se não aprendesse não saberia recitar. Mas me diga: o que busca aqui?

- Eu queria ir para minha casa, mas antes quero crescer.

- Mas isso leva tempo...

- Não leva, não, quando eu bebo algumas coisas cresço, e quando como outras, diminuo.

- Mas diz desta forma, então! Por que quer crescer?

- É não gosto deste tamanho

- Não vês que temos a mesma altura! – ela se enfureceu – Não preciso ouvir reclamações de gente que não gosta do próprio tamanho! – e virou-se de costas.

- Eu não quis... – tentei explicar, mas havia tapado os ouvidos – Pois bem vou achar o caminho sozinha!

Fiz menção para direita e ela disse

- Este é da casa da Lebre de Março

Fiz menção para esquerda

- Este é para o Chapeleiro Louco, mas nem sei se ele ainda vive

- Certo irei ver a Lebre

- Quer mesmo vê-la? Ela é louca!

- Mas não quero ver gente louca

Ela deu um sorriso doentio

- Não pode evitar, achei que já soubesse disso...

- O Gato me falou...

- Gato! – ela se assustou e se encolheu numa bolinha

- Ele não está aqui...

Ela deu um suspiro

- Vou ajudá-la, com a rosa cresce e com a verde diminui.

- Com o quê?

Ela começou a Gritar e diante dos meus olhos se tornou uma vespa

“Sempre achei que lagartas virassem borboletas”

- DA FUMAÇA! – ela avançou violentamente contra mim e depois saiu ‘vespando’

Inspirei a fumaça verde por acidente e quase sumia, depois inspirei a rosa e bati com a cabeça na copa de um árvore, vários pássaros e insetos começarão a me bicar e gritar estrondosamente.

Inspirei a fumaça verde de novo e finalmente achei um tamanho razoável, mas os pássaros e insetos ainda estavam zangados e saíram zunindo atrás de mim, até que cheguei na frente de uma mansão de onde se ouvia barulho de vidros e louças quebrando. Os pássaros e insetos pararam de me perseguir.

De repente eu estava dentro da mansão, sentada numa cadeira bem no centro de uma sala onde duas mulheres, uma em cada extremo da sala, protegidas por mesas viradas, atiravam uma na outra: copos, porcelanas e bandejas.

Uma bandeja de prata foi jogada em minha direção quando...

Notas finais

Será que a bandeja acertará Alice? Quem mora nesta estranha casa? E o que farão com ela quando finalmente notarem sua presença?