Alice no País das Maravilhas
6 Capítulo 6 - Duquesa, Gato e Rato
Notas iniciais
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A historia continua... Alice chega a estranha casa da Duquesa que é bastante estranha... Será que ela sairá viva de lá para contar a história?
Frigideiras, panelas, recipientes e talheres voam para todos os lados nessa casa. Alice é um alvo vivo ali. As donas da casa não parecem muito preocupadas com a situação e mandam seus criados tratarem do assunto. O que eles podem fazer?
***
- Ahhhh!
Levei a bandeja no rosto, não houve tempo de me esquivar.
Senti uma dor muito fonte, mas não desmaiei, ficou estirada no chão, mas nada de auxílio.
Um criado com rosto de peixe gritou de trás da mesa:
- Olhe alguém foi atingido!
- Até que enfim! — Gritou uma mulher muito bem vestida do outro lado da sala, parecia da realeza
\"Creio que não vão me ajudar\"
Levantei com dificuldade e fui para um canto da sala, com a testa latejando e com medo de levar algo mais pesado no rosto.
Outro criado com rosto de sapo veio em minha direção
- Uma menina aqui!
Todos se voltaram para mim, segurando frigideiras, panelas, facas e potes. O criado Sapo deu a ordem:
- Preparem! Mirem! Joguem!
Uma revoada de utensílios estava voando sobre mim, eu iria morrer certamente.
Fechei os olhos o mais apertado que pude e quando abri estava na frente da casa de novo de pé.
Toquei a campainha. O criado peixe atendeu, limpando a testa, a casa por dentro estava totalmente arrumada, e as duas damas estavam sentadas conversando calmamente, uma segurava um bebe, enquanto o criado sapo checava o jantar.
\"Como é possível? Devem estar querendo dar boa impressão, mas não me convencem\"
- Entre! Querida entre! — a mais bem vestida falou — estávamos terminado o chá
- oh, sinto interrompe-las
- Não há mal algum, sente, beba conosco
Mal ela havia falado, eu já estava sentada e com uma xícara na mão
- Chá? — o criado sapo perguntou
- Sim, obrigada
- Açúcar? — o criado peixe falou
- Sim, obrigada
Mas ele derramou o açúcar todo dentro do chá, formando uma montanha de grãos dentro da xícara.
A outra senhora pegou a xícara da minha mão e apreciou a montanha de açúcar.
- Já não serve... — e jogou-a para trás sem se importar se iria sujar o chão.
O bebê, no colo da outra mulher, se contorceu até poder descer, foi até onde a xícara havia caído e se pôs a lamber o açúcar do chão
\"Que horror! Deviam lhe ensinar boas maneiras\"
- Sete horas! — o criado sapo gritou
- Desse jeito não chegaremos ao jogo nunca
- Ora, que jogo? — perguntei
- Da rainha é claro, minha querida, devo me apressar. Aliás, sou a Duquesa — ela se apresentou dando uma reverencia e sua grande peruca branca tocou no chão, neste momento ela penetrou no soalho e saiu a uns metros a frente, na porta, devidamente vestida para um jogo de Críquete.
\"Que espantoso, será que todos aqui fazem alguma coisa estranha quando reverenciam?\"
- Sete e dois! — o criado peixe gritou
- Devemos ir! — disse a duquesa, e todos os outros formaram uma fila atrás dela, ansiosos para o jogo com a rainha — Mas não posso levar todos... E se... — ela deu um vidrinho com algum liquido para o criado sapo que bebeu um gole e passou o frasco para o criado peixe, este fez o mesmo e passou a segunda mulher, logo todos estavam menores que ratos e a duquesa os pegou e pôs num pote, que fechou muito bem
\"Se usássemos isso em Londres, provavelmente não teriam problemas de espaço em casa!\", pensei, era espantoso como todos ali resolviam seus problemas num passe de mágica.
Fui deixada sozinha na sala, então decidi sair, mas antes que cruzasse a porta, já estava do lado de fora
- Realmente um jeito muito eficaz de me transportar — falei comigo mesma, mas alguém me respondeu
- Certamente. Aonde vais menina?
- Alguém me chamou? — perguntei olhando os lados, mas não vi ninguém
- Eu!
- E eu!
- E quem são vocês?
- Alguém ora, você mesma não acaba de dizer
\"Estão testando minha paciência...\"
- Pois diga o que quer!
- Quero saber aonde vais!
- E eu também
- Apareçam! — ordenei — ahhh!
Os irmãos Twiddle Dee e Dum apareceram do nada ao meu lado, me assustando
- Olá de novo menina
- Oh, são vocês...
- E quem mais? A Bruxa dos sete céus? — Twiddle Dee se transformou numa mulher alta e feia, depois voltou a ser um gêmeo rechonchudo
- EU só quero ver a rainha! — disse por fim, esperando que eles não brigassem de novo e explodissem antes de me dizer aonde ir
- Ora, eu não sei, poderia ver o Chapeleiro Louco, ele sabe o caminho
- Oh, sim, sim! E a lebre também deve saber!
\"Ótimo, estamos chegando a algum lugar afinal\"
- Mas não sei para lado ficar! — Twiddle Dum confessou
\"Ou não...\"
Sem que notássemos estávamos novamente num caminho, de frente a uma bifurcação
- É para esquerda! — Twiddle Dee clamou
- Não! Não! É à direita!
- ESQUERDA!
- DIREITA!
- ESQUERDA!
\"Lá vão eles novamente...\"
Mas a discussão não durou muito, porque o Gato surgiu o assustou os dois e lhes estourou com uma de suas unhas, eles explodiram novamente em mil pedacinhos coloridos e caíram sobre nós, como uma chuva de confete.
- Então... Qual dos dois pretende visitar?
- Hã? Oh sim, creio que a Lebre
- Se procura loucura deve vê-la realmente, é para a esquerda.
- Pensando melhor...
- O Chapeleiro, também é louco... É para a direita
- Mas eu não...
Neste momento passou um ratinho correndo bem depressa por nós, e o Gato começou a persegui-lo, me deixando sozinha e indecisa.
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