Alice no País das Maravilhas
4 Capítulo 4 - O Gato e O Coelho
Notas iniciais
Alice deve obedecer! Uma batalha entre um Coelho e um Leopardo, em quem você apostaria?
Alice permanecera estática, não sabia como agir, para que lado virar perante aquela figura tão incomum que era O Gato e que não era, já que se mostrava como um simples borrão de tinta roxa no ar.
Ainda via o Dodô correndo do lado de fora da caverna, pela primeira interessado em algo: na própria vida, mas não durou muito este interesse porque foi devorado pelo cão. Também o Coelho corria desesperado aos berros, será que alguém viverá para contar a história?
***
- Corre, corre, corre, corre – as pedrinhas gritavam do lado de fora da caverna, mas eu estava interessada em saber onde estava o tal Gato.
De repente ele começou a se estruturar, logo apareceram os olhos vermelhos como rubis, os dentes pontudos e o nariz bem rosado.
Logo era um verdadeiro gato de Cheshire.
Começou a me rodear e me cheirar
“Mania engraçada que todos esses bichos têm”
E me encarou com um olhar ameaçador, me fazendo recuar até cair sentada.
- Prefiro reverencias a quedas! Levante-se!
Sem que eu me mexesse já estava de pé de novo e reverenciando o Gato.
- E quem és tu?
- Alice.
- Como disse? Acho que não ouvi bem, um minuto – retirou as orelhas da cabeça e as limpou com um lenço que retirou de um bolso de dentro da própria pele.
“Ainda é um gato depois que tira as orelhas?”
- Oh, certamente que sou.
Este também lia minha mente? A não ser que eu falasse e não notasse não havia como eles a lerem! Devia tomar cuidado com o que eu pensava.
- Agora, querida, como disse que se chamas?
- Alice.
- Belo nome! Belíssimo nome! Acho que estou inteiro aqui. – ele olhou para o próprio corpo, parecia contar se todas as partes estavam lá, mas não estavam, faltava o rabo – deve estar aqui em algum lugar... Ali!
Ele foi até a entrada da caverna, recolheu o rabo e o repôs no corpo.
- Então, que fazes aqui Alice?
- Ora, Gato eu apenas...
- Mestre Gato, por favor.
E antes que eu me desse conta estava reverenciando de novo.
- Ora, ‘Mestre Gato’ eu queria apenas ver um jardim e depois ir para casa.
- Casa?! – ele ficou espantado, parecia nunca ter ouvido essa palavra – E onde é a sua casa?
A cada palavra que ele dizia o roxo de seu pêlo passava a ser preto.
- Em Londres.
- Londres? E onde é Londres? – ele cresceu a cada palavra e logo estava maior que eu.
- Na Inglaterra! Que é na Terra!
- Terra? Que Terra? – a voz dele foi ficando mais áspera e ameaçadora.
- Ora, esta Terra onde moramos! – eu não estava certa se ainda estava na Terra, mas se aquele mundo ficava embaixo da Terra, ainda deveria estar nela.
- Gato? – uma vozinha também áspera e sombria ecoava da frente da caverna – Mestre?
- Coelho! Que bom vê-lo! Eu estou com fome! E você? – O Gato (se é que ainda era um) se tornara um enorme Leopardo.
Agora que eu podia vê-lo melhor ele realmente era um leopardo colossal. Inteiramente negro, mas ainda com os olhos vermelhos como rubis.
- Eu também – respondeu o Coelho
- Como estava a Duquesa?
- Amarga, ela fugiu, é realmente uma mulher bastante escorregadia.
- O bebê dela estava muito bom...
Eles se olhavam cada vez mais sedentos.
Fui me esgueirando até a entrada da caverna, mas aí começou a briga e os dois se atracaram, arrancando pele e pêlos do outro.
“Vão acabar se matando...”
- Não Mary Ann, só um de nós morrerá! – disse o Coelho bastante natural enquanto mordia e arrancava uma das patas do Leopardo.
Apesar de o Coelho ser pequeno estava vencendo o Leopardo, já lhe havia arrancado uma pata e uma perna.
“Bem que mamãe dizia que tamanho não importa...” felizmente ninguém me respondeu, deviam ter parado de ler mentes e se concentrado na briga.
- Corre, corre, corre, corre – as pedrinhas entraram na caverna e ficaram olhando a briga – Gato, Leopardo, Coelho, Gato, Leopardo, Coelho.
- Chega! – pedi
- Chega, chega, chega, chega...
- Vocês não entendem nada!
- Nada, nada, nada, nada...
Desisti de falar com as pedrinhas.
Logo o Coelho já havia devorado o Leopardo inteiro e estava lambendo os dedos cobertos de um sangue dourado.
- Foi realmente bom... Agora Mary Ann vá me buscar luvas e me encontre no Palácio de Copas.
Eu me perguntei quem seria essa Mary Ann de quem ele tanto falava, até que se voltou a mim com dentes muito pontudos e pingando sangue e mandou de novo.
- VÁ!
Sai correndo e as pedrinhas no meu encalço, até que chegamos a uma bifurcação e a partir daí as pedrinhas me conduziram para a direta, mas um urso muito enciumado urrou e sai correndo voltando para a bifurcação e as pedrinhas também. Pegamos o caminho da esquerda e logo vi uma fumaça só podia ser uma casa, a casa do coelho.
Havia uma plaquinha na porta com o nome “COELHO C.”
Achei muitíssimo estranho esse nome e entrei na casinha toda preta, tive de me agachar para poder passar pela porta, no segundo andar estava uma menina vetida como empregada e bem menor que eu.
- Mary Ann?
- Sim, e quem és tu?
- Alice.
- E que fazes aqui?
- O Coelho me....
- Coelho? – ela esbugalhou os olhos – eu sou empregada do Coelho!
E enfiou um frasquinho na minha boca, acho que ela queria me bater, mas acabou derramando o liquido do frasco na minha boca, e se afastou depressa.
- Que fiz eu? – ela quase arrancava tufos do próprio cabelo.
- AI!
- Olá Alice! — uma voz bastante conhecida me chamou e um borrão roxo começou a surgiu no ar.
- Achei que o Coelho o tivesse comido. — a medida que eu falava isso sentia meu corpo esticar.
- Comeu, mas estou vivo ainda, entende?
- Não!
- Ora, é muito simples: se estou aqui conseqüentemente estou vivo, a não ser que estive inconscientemente morto, daí não seria eu e sim meu espírito, já que aqueles que vivem não estão mortos e os que estão mortos não vivem. Está me entendendo?
Eu poderia dizer que não, mas ele repetiria tudo de novo então achei melhor concordar com a cabeça.
Logo bati com ela no teto e já não havia mais espaço para mim, acabei empurrando a Mary Ann para fora do quarto com meu pé, e temi tê-la machucado, mas no fundo acho que ela merecia.
Os móveis já estavam todos quebrados e só restava no quarto eu e o borrão roxo que era o Gato.
\"Porque tudo aqui é tão... Louco!\"
- Ora, porque este é um país de loucos! Não vê! Eu não sou eu desde que cai aqui!
- Você também caiu?
- Também? Somos dois! Que magnífico.
- Veja, ali está que assombro! Um Monstro! — a voz do Coelho ecoou do lado de fora de casa.
Mal o Gato havia se posto inteiro disse:
- Devo ir, ele não pode me ver, até logo Alice — e começou a se devorar até que só restou um sorriso largo se dissolvendo no ar.
A Voz do Coelho ecoou de novo:
- Vamos chamar o Bill!
Notas finais
O que será que Bill pode fazer, será que o pobre lagartinho conseguirá tirar Alice da casa do Coelho? E se retirar o que farão com ela?
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