Alice in Apocalypse
6 Chapter 6
Notas iniciais
“Abby”
Alice solta-se rapidamente de Charlie e corre para a van. Chegando lá, depara-se com um maldito jogado no chão com uma faca cravada em seu crânio. Ao lado, está Matt, com Abby em seus braços. A ruiva estava com um terrível corte no antebraço esquerdo.
“Matt! Matt, o que aconteceu?” Alice corre e se ajoelha no chão. Inclina-se sobre a garota e tira os fios ruivos grudados em sua testa. A garota estava mais pálida que o normal e chorava. “Charlie! Me ajude aqui. Temos que encontrar algum lugar. Agora!”
Charlie ainda está um pouco atônito, mas se abaixa e segura a menina em seus braços. O sangue não para de escorrer, do cotovelo ao pulso e pingando no chão.
“O sangue. Pode atraí-los.” Alice tira a adaga do coldre e rasga a bainha de sua regata, deixando um pouco de sua barriga amostra, e junto com ela, uma cicatriz. Limpa um pouco do sangue no braço da garota e amarra o pano sobre o ferimento. Charlie cochicha algo com ela e começa a andar. Alice fica para trás com Matt, que ainda está no chão. Ela se aproxima do cadáver do maldito, retira a faca, limpa-a na calça e se aproxima de Matt. Alice coloca uma mão em seu ombro, mas o garoto se assusta e recua, olhando Alice com os olhos arregalados. Suas pupilas estão dilatadas e seu rosto está coberto com uma fina camada de suor.
“Matt, o que aconteceu?” sussurra.
“Fui eu... Eu machuquei Abby. Com a faca.”
“Como... Como a machucou?”
“Eu disse que não sabia. Eu disse. Ela viu o andarilho e gritou. Eu me assustei e a acertei.”
“Oh, droga.” Alice se agacha e fica na frente de Matt. O garoto está apavorado. “Matt, não foi culpa sua, ok? Foi um acidente. Ela vai ficar bem. Mas agora temos que ir.” Ela se levanta e estende a mão para o garoto. Ele a aceita e fica de pé. Assim, ele é mais alto que Alice.
“Você é um bom garoto, Matt. Estamos aqui pra te ajudar a proteger Abby, não se preocupe.”
Ela começa a caminhar e Matt caminha ao seu lado. No começo ambos ficam em silêncio, o único som emitido é de seus passos, mas depois, Matt interrompe o silêncio.
“Você também é uma boa pessoa, Alice.” e apressou o passo, deixando-a para trás.
Aquilo perturbou um pouco Alice, mas a mesma tratou de esconder.
“Acho que essa está boa.” diz Charlie ao pararem na frente de uma casa de dois andares com um enorme gramado na entrada. “Alice, vá na frente. Veja se está tudo ok.”
Alice assenti com um movimento com a cabeça e empunha as adagas.
“Eu vou com você.” diz Matt, tomando lugar ao lado de Alice. Ela concorda e os dois sobem os degraus para chegar à porta de entrada. Alice bate com o cabo de uma das adagas no batente da porta.
“O que está fazendo?” Pergunta Matt, olhando-a com cara de espanto.
“Barulho. Caso haja algum maldito na casa, será atraído pelo barulho.”
Passam-se alguns segundos mas nada acontece, então, Matt e Alice entram.
Por fora, a casa parece ser enorme, mas por dentro é pequena e acolhedora. Uma sala de estar com um sofá e uma poltrona ao lado, de frente para uma lareira. Da sala, passam para a cozinha, que também é pequena.
“Ei, Matt, olhe lá em cima. Vou ajudar Charlie a trazer Abby, ok?”
“Mas e se...”
“Vai ficar tudo bem. Só suba lá, e olhe os quartos.”
O garoto se vira e sobe as escadas para o segundo andar. Alice aparece na porta de entrada.
“Tudo limpo, pode entrar.”
Assim que ele entra na casa, Alice fecha a porta, forçando todas as trancas para ter certeza que são seguras. Charlie coloca Abby no pequeno sofá e joga as mochilas em um canto na sala.
“Acha que ela vai ficar bem?” pergunta.
“Claro que ela vai ficar bem. Na casa deve ter algum kit de primeiros socorros. Ela desmaiou porque ficou apavorada.” ela dá de ombros.
“Vou procurar então. Começando pela cozinha...”
Enquanto Charlie procura o kit, Alice senta-se no chão, perto de Abby. A garota não está mais pálida, mas continua suando frio. Alice tenta acordá-la, mas a mesma está em um sono profundo. Ela suspira.
“Abby” chacoalha o ombro da ruiva “hora de acordar, querida.”
“Se continuar falando assim ela só acorda amanhã” diz Matt, dando uma risada nasalada.
“Fique à vontade então” Alice se levanta e vai até a cozinha procurando por Charlie. O mesmo está de costas, buscando algo em cima da geladeira. Alice chega por trás e o cutuca na costela, surpreendendo-se quando o mesmo não se assusta.
“Você não se assusta?”
“Senti seu cheiro.” Charlie puxa Alice pela cintura e segura sua nuca.
“Charlie, não...” Ela tenta se afastar, mas o cheiro, o calor do corpo de Charlie a impede.
“Alice... Nem todos os homens são iguais. Você sabe disso, só não quer firmar a ideia nessa sua cabeça dura.”
“Eu sei. Eu só não... Nos conhecemos a menos de uma semana.” ela finalmente se afasta e se encosta na pia. “Está indo rápido demais.”
“Droga Alice, rápido demais? Um beijo para você é rápido demais?”
“Eu não sei! Depois do que aconteceu eu nunca mais tive nada. Nada mesmo.”
“Bem... Eu espero. Ok? Eu te espero. Sei que isso soa um pouco... desesperado. É para soar desesperado na verdade, até porque, hoje em dia nós não temos muita chance de beijar uma mulher bonita. A não ser que você seja um maníaco por necrofilia.” Alice ri.
“Eu sei, eu sei. Tudo bem... Eu sei que sou um pouco paranoica, mas isso é meio que um trauma.”
“Se for tudo bem para você, será tudo bem para mim.”
Alice se aproxima de Charlie e o beija. Profunda e demoradamente. Quando se afastam, ela o encara nos olhos.
“Seus olhos são muito lindos. Sua boca também. Mas eu prefiro você calado.” ela sorri de lado.
“E eu prefiro quando você a cala.”
Ambos sorriem e colam os lábios em sintonia perfeita. O beijo poderia se prolongar, mas ambos são interrompidos por Matt.
“Sabia que eram um casal. Enfim...” dá de ombros “Abby acordou.”
Charlie se afasta de Alice e pega o kit de primeiros socorros em cima da geladeira. Alice o toma de sua mão e ruma para a sala.
“Olá Abby, finalmente acordou.”
“O que aconteceu?”
“Digamos que você sofreu um pequeno acidente...”
“Acidente?! Como assim?”
“Depois nós explicamos. Agora, vamos cuidar desse braço.” ela aponta para o machucado no braço da garota. Alice pega um antiséptico, molha em um algodão e passa sobre o machucado, limpando todo o sangue e a sujeira. Quando limpo, ela consegue ver claramente a ferida e se espata ao descobrir que não é uma facada.
“Querida, eu já volto, tudo bem? Fique aqui quietinha, não se mexa.”
Alice levanta-se e volta para a cozinha, onde estão Matt e Charlie.
“Matt, por favor, fique com Abby. Preciso conversar com Charlie.” o garoto concorda e vai para onde a ruiva está.
“Aconteceu alguma coisa?” pergunta Charlie.
“Charlie... Abby não foi esfaqueada.”
“Como assim? Alice, o que está acontecendo?” Charlie está desesperado.
“Abby foi arranhada por um dos malditos.”
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