Alice in Apocalypse
5 Chapter 5
Notas iniciais
“Esse carro está fedendo de tão quente!” reclama Alice, se abanando com gestos exagerados.
Charlie abre os vidros e encara a moça de cabelos azuis desbotados. Ele não sabia porque, mas sentia algo inexplicável por ela. Talvez admiração, por ela passar por tudo o que passou e mesmo assim continuar procurando pelo filho. Mas ele sabia que por baixo de todo esse escudo, a mulher tem medo. Tem medo de não o encontrar. Medo de não conseguir chegar até lá. E, talvez, seja isso que o intriga. Que o deixa fascinado.
“Abby, você está bem?” sussurra Matt perto do ouvido da ruiva.
“Estou bem, só cansada.” ela sorri docemente para confortar o rapaz.
“Pode descansar, eu estou aqui, você sabe.”
A ruiva concorda com a cabeça e se inclina em direção ao garoto, descansando a cabeça em seu ombro. Matt passa o braço pelos ombros da pequena e a puxa para mais perto, acariciando a cabeleira ruiva. Em poucos minutos sua respiração se torna estável e ela cai em um sono profundo. Alice os observa pelo espelho. Ela inveja a garota. Depois do que aconteceu em seu treinamento no exército, elas não teve mais essa proximidade com outros rapazes. Aquilo doía, cutucava a ferida que nunca seria cicatrizada.
“Você pode ter isso se quiser.” Charlie interrompe seus pensamentos.
“Não, não posso. E você não sabe o que está falando.” Alice fica na defensiva, e Charlie recua, achando melhor não aprofundar o assunto.
Algumas horas se passam e o silêncio prevalece no carro. Logo avistam as pequenas casas de telhados baixos e avermelhados. Charlie encosta o carro e abre o mapa novamente, mostrando-o para Alice.
“Bem, o que você acha? Ficamos na cidade ou continuamos na estrada?”
“Quanto temos de combustível?” indaga Alice.
“O suficiente para termos que ficar na cidade e procurar um posto para abastecer.”
“Por que não abasteceram no posto do mercado?” Matt questiona tentando entender a situação em que estão.
“Acontece, querido Matt, que trocamos de carro. Esse estava com o tanque pela metade quando o pegamos.”
“Bem, vamos para a cidade então.”
Todos concordam, menos a ruiva, que continua adormecida no ombro do amigo.
Charlie segue o caminho, mas poucos metros depois o motor falha e o carro para no meio da estrada.
“Ah, merda. Merda, merda, merda!” ele soca o volante e abre a porta para sair do carro. Alice vira-se para os jovens.
“Não saia daqui, entendeu? Acorde sua amiga e fiquem atentos.” e desce do carro.
Charlie abre o capô e é atacado pela fumaça. Ele chuta o pneu.
“Mas que droga!” esbraveja
“Charlie, não estamos tão longe das casas. Podemos seguir andando.”
Alice volta para o carro sem dar chances do rapaz responder.
“Ei, vocês dois!” diz assim que abre todas as portas do carro. “Peguem suas coisinhas. Vamos caminhar.”
“Caminhar? Mas pode haver muitos andarilhos pelo caminho! E se...”
“Bem, boneca, se você não souber voar, sua única alternativa é andar. E sugiro que comece agora!”
Abby encara a moça com espanto. Matt cutuca seu ombro.
“Tudo bem Abby, vamos ficar bem e olhe,” aponta para os telhados “não estamos tão longe das casas.”
Os dois jovens mais novos saem do carro e pegam suas mochilas. Desajeitadamente, Matt coloca o revólver no cós da calça. Alice já está com sua mochila nas costas e a alça da bolsa cruzada sobre o peito. As adagas empunhadas e a pistola presa junto ao quadril. Ela olha para trás.
“Vamos lá, crianças.”
Todos suspiram e começam a caminhar. Abby e Matt caminham lado a lado e Charlie fica logo atrás de Alice.
“Ei! Alice!” a moça olha para trás e desacelera o passo para andar ao lado do rapaz. “Em quantos minutos acha que chegamos lá?”
Ela dá de ombros. “Não sei... Vinte minutos talvez?”
“Hum... Bom, sinto lhe dizer que vamos demorar mais que isso.”
“Como assim...” Urros interrompem sua fala. Uma multidão de malditos se aproxima. “Oh, droga.”
Ela rapidamente se vira para trás, onde Abby e Matt estão.
“Matt, sinto muito, mas agora você terá que agir.”
“O quê?! Agir? Mas eu não... Eu não...”
“Pois é! Você só tem o revólver?” pergunta Charlie.
“Só, mas não sei usá-lo direito.” Matt puxa Abby pelo cotovelo, e tenta acalmá-la.
“Charlie, o que faremos? Deve ter uma dúzia de malditos aí!”
Charlie se vira e encara todos. “Nada de tiros, ou gritos. Teremos de ser os mais silenciosos possível.” Ele tira uma pequena adaga do coldre e a entrega para Matt. “Não se preocupe, é só por precaução.” vira-se para Alice “E você... fique atrás, deixe-os no meio, é mais seguro.”
“Tudo bem.”
Charlie corre em direção aos malditos, Matt arrasta Abby mas a mesma tropeça em seus próprios pés, caindo de joelhos no asfalto.
“Matt! Matt! Deixe, eu cuido dela. Vá atrás de Charlie!” grita Alice. O magrelo exita mas corre atrás do homem, deixando Abby e Alice para trás.
“Abby, querida, levante! Temos que sair daqui!”
Uma Abby chorosa e com os joelhos ralados ergue-se do chão e se agarra na mulher. Alice guarda as adagas no coldre e olha em volta. Avista uma van abandonada e om a ruiva agarrada em sua cintura, corre em direção a van. Quando a alcança, tenta soltar Abby, mas a mesma não desgruda.
“Abby, por favor! Você tem que entrar aí. Não posso te proteger com você grudada em mim!”
“Matt. Matt. Cadê o Matt?”
“Mas que droga, garota! Vou ter que te deixar para morrer?” ela agarra os braços da ruiva tentando soltar-se.
“Alice!” alguém grita. Charlie talvez. “Alice! Cadê você?”
“Estou aqui!” ela responde. Finalmente consegue se soltar e corre de volta para a estrada, procurando por Charlie.
“Alice, cuidado!”
Algo se choca contra o corpo de Alice, fazendo-a rolar pelo chão, ralando os braços e o rosto. O maldito fica sobre seu corpo, tentando alcançar seu pescoço com os dentes. Alice segura-o pela garganta, tentando alcançar a adaga no coldre. Ela grita. O peso do maldito sobre seu corpo é esmagador. Alice alcança a adaga e a enterra no crânio da criatura. Sangue negro e fedido respinga em seu rosto e peito. Parece ácido e queima. Ela grita de novo e tenta limpar o sangue, mas só o espalha mais.
“Água! Água! Me tragam água.” ela grita.
O peso do maldito é retirado de seu corpo e Charlie a entrega uma garrafa de água. Alice joga todo o conteúdo da garrafinha sobre seu rosto e limpa o resto com a camiseta. Charlie se abaixa e a ajeita em uma posição sentada.
“Alice! O que aconteceu? Está machucada? Foi mordida?”
“Não, não. Estou bem. Agora estou bem. Onde está Matt?”
“Ele está com Abby, eles estão bem, ok?” Charlie segura o rosto da moça em suas mãos. “Alice, você está bem?”
“Não, não estou.” ela começa a chorar e se agarra nos ombros de Charlie. “Eu quase morri, Charlie. Quase não consegui continuar a procurar meu filho.” ela soluçava.
“Você está bem, nós estamos bem agora.” Ele afaga a cabeleira azul da garota. “Preciso de você agora, está bem? Temos que sair daqui.”
Ele se levanta e a ajuda a levantar.
“Temos que ir, não consegui acabar com todos. Temos que ser mais rápidos.”
Todos concordam e empunham suas armas.
“Alice, consegue acabar com alguns deles?”
“Consigo.”
“Então vamos.”
Alice corre na frente, Charlie logo atrás e Matt e Abby por último. Três malditos se aproximam e Alice toma conta do primeiro, segurando o pescoço da criatura e cravando a adaga na lateral de sua cabeça. Charlie arranca a cabeça do segundo em um movimento rápido do facão e logo parte para o terceiro, afundando a lâmina em seu crânio.
“Matt, apresse o passo, temos pressa aqui!” grita Alice.
“Vamos Abby, por favor, ande logo”.
“Não consigo!” chora a ruiva “Estou com medo, Matt.”
“Querida, se não andar logo vamos continuar correndo perigo.”
O rapaz solta o braço de sua cintura e segura a mão da garota.
“Vamos lá.” diz, puxando-a ao encontro dos outros dois.
Charlie elimina os dois últimos zumbis que se aproximavam e corre para Alice, que limpa a lâmina da adaga na barra da camiseta. Sem pensar direito, ele segura o rosto da moça com as duas mãos e a beija. É um leve roçar de lábios, mas é o suficiente para ambos sentirem um leve formigamento depois que se separam. Alice começa a arfar e seu coração dispara. Charlie fica atônito, mas não abre os olhos. Alice agarra a nuca de Charlie e o puxa para outro beijo. Mas esse é mais profundo. Com paixão. Ele passa os braços pela cintura dela, trazendo-a mais para perto. Quando ambos acham que ficaria mais quente, um grito estridente os interrompe, fazendo-os se desgrudarem um do outro.
“Abby.”
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