Notas iniciais
Atrasou um pouquinho, mas nem tanto. Risos). Espero que curtam.
Boa leitura!!

O belo carro preto ganhava terreno na rodovia principal. Enquanto o motorista atentava para a estrada, os dois seres dentro do veículo encontravam se em uma peculiar discussão.


— Eu quero comer cachorro-quente com mel! — Milo resmungou com um belo bico na boca.


— Estávamos atrasados, depois compramos. — O ruivo disse sem negar a careta. Para si já era incompreensivo um vampiro comer comida humana, ainda mais um exótico como o loiro ao seu lado queria, era demais.


Os vampiros viviam praticamente de sangue, em algumas ocasiões arriscavam bebidas, ou até comer algo, mas este último meramente por aparência, pois não precisavam de alimentos sólidos para sobreviver, porém Milo era exceção em várias coisas. Não dava para saber se era pelo fato de que vivera anos como humano, ou sua linhagem sanguínea rara. O loiro além de ser um kari, e estar grávido de quatros meses, ele podia sair à luz solar, comer comida, e tinha gostos peculiares.


— Você quer que seu filho nasça com cara de cachorro-quente? Estou com desejo Kamus, devemos nos preocupar com ele primeiro! — Milo disse como menino mimado. Ele sabia ser teimoso como uma mula, pior que o senescal.


— Isso não acontecerá. Milo... Tem medo de médico? — O vampiro indagou arqueando uma das sobrancelhas.


O loiro remexeu no banco e desviou a face contrária ao ruivo e ficou olhando a paisagem pelo vidro do carro. — Nada haver!


Nada foi mais pronunciado. Kamus não era um poço de comunicação, e Milo agoniado não arriscou dizer mais nada. Sem perceber Milo levou uma das mãos ao seu túrgido ventre e ficou alisando. Com quatro meses de gestação sustentava uma barriga arredonda, todavia ainda tinha a desenvolveria, mas a gravidez já era evidente.


O senescal a cada dia era mais protetor, já seria normalmente com o loiro, porém levando em conta a delicada gravidez e a guerra que se iniciara, ele cercava Milo de todas as formas.


Quando o carro estacionou na garagem do belo edifício, um dos seguranças saiu do banco de passageiro da frente, e abriu a porta para o líder dos Ventrue.


Kamus saiu e estendeu a mão para ajudar o esposo. Os dois andaram lado a lado até o elevador, obviamente cercados por seguranças. O senescal tinha reforçado os números de guardas. Milo não gostava se ficar cercado e ser guardado como uma donzela, mas entendia a preocupação do marido.


Assim que entraram na cabine do elevador, Milo achegou para o ruivo e o abraço pela cintura aterrando sua face no peito dele.


— Tudo bem?


— Apenas nervoso!


— É apenas uma consulta de rotina. Só quero que os dois sejam bem cuidados. — Kamus tinha providenciado um médico vampiro especialista em gravidez, claro, mas feminina, mas como o sujeito era de confiança, o contratou para acompanhar a gravidez de seu cônjuge.


— Sei! Só nunca gostei de médico. — Milo ditou apertando mais o enlaço no marido.


Não tardou para a caixa metálica chegar ao andar indicado, eles rumaram para consultório. Pelo horário avançado não havia mais paciente.


— O senhor Gleen nos aguarda! — Kamus disse sem nunca desfazer o enlaço.


— Ah sim! — A recepcionista exclamou. Não demorou que ela os acompanhasse até o consultório médico. Um homem de aparência de seus cinquenta anos os recebeu indicando para sentar nas cadeiras em frente da mesa. Apesar da aparência, ele era um vampiro de vários séculos e vasta experiência.


No começo ele apenas ficou fazendo algumas perguntas, o que deixou o loiro desconcertado, visto que o sujeito sempre se dirigia unicamente ao senescal. O loiro ficou com raiva, pois parecia que nem estava ali.


— Por favor, Senescal, poderia indicar para seu esposo trocar de roupa para podermos avaliar o bebe. — Disse nunca encarando Milo.


— Milo!


— Como?


— Meu nome é Milo, estou na sala, então fale diretamente a mim. — Disse trincando os dentes. Seus olhos tornaram-se rubros e seus caninos surgiram.


— Mon Ange... — Kamus murmurou envergonhado diante da alteração do esposo.


— Mon ange uma vírgula! Quem esta grávido aqui sou eu, então presta atenção em mim. — Disse áspero. Não deu chance para o ruivo e o médico dizerem nada, simplesmente virou sobre os pés e saiu pisando duro do consultório.


Milo não esperou por Kamus ou seus seguranças, ele simplesmente saiu do edifício e chamou um táxi. Em todo trajeto foi blasfemando contra o médico estúpido e Kamus que agiu sem importar.


Não demorou para que o veículo parecesse em frente à mansão dos Lhasa. Seus olhos ardiam, mas negava-se deixar as lágrimas caírem.


— Milo? — Indagou quando viu o pequeno entrar. — Mu indagou ao vê-lo ali.


— Minha mãe está?


— Na sala com o noivo.


— Obrigado! — Sem dar chance para o outro vampiro falar algo, Milo saiu em busca de sua mãe. Quando entrou na sala, encontrou o casal abraçado e aos beijos, porém Elora sentido a presença do filho, afastou-se de Asmitha e foi o encontrar. — Mãe...


— O que foi querido? Não ia ao médico com seu marido? — Ela indagou preocupada.



— Não quero falar do estupido do Kamus! Ele devia me apoiar... O médico é horrível... Não vou mais... — Disse não segurando o choro. Ele odiava isso. Devido alteração dos hormônios da gravidez, ele alterava muito facilmente nas emoções, e a menor coisa poderia afetá-lo.


— Vou falar um “oi”, com seu pai. — Asmitha disse saindo discretamente da sala, deixando que mãe e filho tivessem seus momentos.


Elora puxou o menor até que sentaram-se lado a lado em um dos sofás do recinto. Ela tocou gentilmente a face dele, enxugando as lágrimas.


— Ei! Calma... O importante não é o médico ser simpático, mas sim, ser bom para cuidar de você e seu filho.


— Mas ele me ignorou... Tratou-me como um merda. Não vou aceitar. — Resmungou choroso.


— Tudo bem! Faremos o seguinte, vou ligar para a médica do clã Assamita. A especialidade dela não é gravidez, mas aposto que ajudará.


— Sim!


— Mas cadê seu marido? Não veio sozinho para cá... — Elora indagou desconfiada. Ao que tudo indicava Milo estava ali sozinho, ela mataria o senescal por ser tão descuidado.


— Eu... Estava com raiva e acabei saindo sem falar nada... — Perante o choro Milo não falava de forma coerente.


— Milo! — A vampira advertiu pelo descuido do filho.


— Você também não... Todos ficam brigando comigo. — Milo disse pronto para chorar novamente.


— Ok! Não vou brigar! Irei ligar para Sophia, e depois para o Senescal, avisando que está bem.


Não demorou muito para que a bela vampira de cabelos loiros, mas de baixa estatura chegasse. Sophia logo de entrada foi muito simpática com Milo, e tirou todas as suas dúvidas quanto à gestação e desenvolvimento do bebê.


Ela mesma se dispôs em levar uma máquina de ultra-sonografia portátil para que avaliasse o bebê.


Quando Milo deitou na cama de seu antigo quarto na mansão. Ele tirou a blusa, e abaixo a calça, deixando que seu belo ventre esticado ficasse a mostra.


— Vamos dar uma olhada nesse lindo bebê! — A médica disse ligando o aparelho e espalhando o gel sobre a barriga de Milo.


Justo nesse momento a porta se abriu e um ruivo entrou. Kamus tinha o semblante pesado. Obviamente em seu interior desejava despejar um sermão no menor, porém levado pelas circunstâncias ele se deteve. Não pronunciara uma palavra sequer, até que se sentou ao lado do esposo na cama.


— Boa noite Senescal! Creio que seja o outro papai. — A médica disse simpática, mas nunca tirando o foco de Milo.


Kamus acenou com a cabeça. Sophia colocou sobre o ventre o bastão da ultra-sonografia, que se assemelhava a um laser.


Em menos de cinco segundos um som invadiu o local. Era como um tampo rápido e veloz. Quando a imagem tomou a tela e um pequeno ser — ainda em formação – surgiu. Claramente as emoções tomaram conta do recinto.


— É...


— Parabéns, não serão pais de um, mas de dois... Aqui... São dois bebês... Lindos e fortes.


Milo não pode evitar que as lágrimas viessem em sua face, mas dessa vez era de emoção.


Ele puxou a mão de Kamus apertando-a entre as suas e olhou para ele, vendo que o mesmo estava igualmente ou até mesmo mais emocionado.


Kamus inclinou-se sobre o esposo distribuindo beijos em sua face, até selarem os lábios, voltando ambos encararem a tela.


— Já dá para ver o sexo?

— Não! Creio que no próximo mês ou no quinto será possível, mas todos os órgãos já estão formados, agora é somente se desenvolverem. — A médica disse mostrando para eles na tela.


— São tão pequeninos... — Milo disse com amor em sua voz. A emoção que o tomava jamais imaginou sentir antes.


— Geralmente eles ganham peso nos últimos dois meses... — Informou.


— Obrigado Milo, por nossos filhos... São lindos! — Kamus disse voltando a beijar o menor.


Milo encarou o marido, e uma nevoa escura cobriu seus olhos, e a luxuria montou seu íris. Kamus se inclinou para frente, tendo os lábios de Milo, o beijou com fome, e as mãos exploraram a face e o peito do loiro, e qualquer outra coisa que seus dedos podiam tocar.


O ruivo sentia os dedos formigavam com qualquer pele que pudesse tocar. Sentia-se com se o mundo estava desabando ao seu redor.


A médica na calada recolheu seu material e saiu do quarto dando privacidade para o casal.


Sem importar-se com qualquer outra coisa, ambos concentrou-se somente um no outro. As roupas começaram a serem desfeitas, e seus corpos, sem impedimentos, puderam se encontrar.


O Senescal virou deixando que o loiro ficasse em seu colo. Ele apreciou cada pedacinho do corpo amado, e tratou Milo como ele merecia.


Milo sentia sua mente fervilhar, intoxicada com o corpo de Kamus, com a sensação, com o conhecimento do que eles estavam prestes a fazer. Ele não conseguia pensar, e com toda a sinceridade, ele não queria. Longe dos olhos alheios, eles se amaram lento e sôfrego.


–oo0oo-


Estavam a véspera do casamento de Elora. Ela tinha conseguido convencer Mu a casar-se no mesmo dia. Ambos estavam ansiosos, iriam casar-se com humanos.


Kanon encontrava-se agora em seu apartamento e queria muito falar com o irmão. Saga tinha que ir, sem ele lá não teria coragem. Andava de um lado para o outro, estaria casando com um ser que odiava.


Estaria entre eles e não sabia bem como agir agora. Ia ligar para Mu, queria ver ele, mas quando pegou o celular, parou bruscamente o que fazia e pegou sua catana.


Kanon sentia o cheiro da criatura, escondeu-se por trás da parede quando ouviu sua janela se quebrada, o barulho do vidro o fizeram ficar alerta. Logo ouviu barulho de coisas sendo quebradas, fosse o que fosse, estava se aproximando. Preparou a espada, mas alguém o segurou por trás, tapou sua boca e o levou para um canto afastado de onde estava.


— Não seja tolo... Se fizer isso ele irá te matar! — A pessoa atrás dele falava em seu ouvido. — Não vale a pena... Viva hoje para lutar amanhã. Tome... — Falou colocando um papel no bolso dele. – Leve isso para Kárdia e ele poderá dá-lhe as respostas que desejar.


Kanon queria ver quem era, mas não podia fazer um movimento brusco ou chamaria a atenção da criatura.


— Mas quem é são vocês? O que é essa criatura? — Ele perguntou baixo.


— Eu sou um Malkavian é tudo que precisa saber... Agora vá... Sobre a criatura... Cuidado, o próximo alvo será um menino... O esposo do Senescal ainda corre sérios riscos.


O vampiro atrás dele o fez sair e quando virou-se respirou fundo e pôs em ordem seus fios loiros. Afastou-se dali e ouviu uma voz firme o chamar.


– Orfeu! Não encontrou nada?!


— Não Milorde. Parece que ele já tinha saído... O que faremos agora?! — Orfeu perguntou calmo.


O outro sorriu. Tinha os fios loiros também, mas um ar mais louco. — Não é óbvio? Agora quero o menino, com ele podemos fazer Kárdia e o Senescal se curvar, inclusive, aquele pirralho que é a reencarnação de Dégel... Vamos ver se é isso mesmo... Veja como será fácil fazer o "rei" se curvar!


Orfeu olhava para ele e sentia temor. A muito que o loiro toreador juntara-se aquele Malkavian, estava a serviço de Kárdia e com isso passava sempre informações a respeito, desde que Siegfried de Dubh aliara-se aquela vampira, as coisas estavam tomando um caminho perigoso.


–oo0oo-


O resto da noite passou-se tranquilo. O novo dia chegou rápido até, ansioso Afrodite levantou cedo. Precisava ir a mansão Assamitha onde seria realizado a cerimônia do casamento de seus dois filhos.


Pessoas passavam de um lado para os outros, arranjos, e outras coisas.


Shion já não aguentava aquele barulho todo, e saiu dali. Agradecia poder sair durante o dia, assim não precisava ficar naquele barulho.


Passeou pelas ruas um pouco, queria ficar em silêncio e seguiu a pé até Kensington Palace Garden, uma área bela e para ricos, era ali perto que ficava a mansão Assamita. Sentou-se em um banco e olhava as pessoas passarem.


No entanto seu coração disparou ao sentir a aproximação de alguém, uma pessoa que mexia consigo e que há muito queria estar com ele. Não era de fugir e por isso mesmo permaneceu ali, só não estava com paciência para brigar, queria silêncio e paz.


Ficou sentado. Sabia que ele passaria e claro que diria algo, sempre que ele o via, lhe provocava. Mas ele não responderia. Aquele dia não estava muito bom... Apesar de ser um dia “feliz” para seus filhos, para ele só trazia dor. Estava só, e o homem que amava o rejeitava.


— Bom dia! Posso sentar Shion?!


O loiro ficou sem ação, ele não o maltratou ou xingou, apenas o saldou? E estava pedindo educadamente para sentar a seu lado? O líder Asssamita olhou para o moreno e assentiu afastando-se para que ele sentasse.


— Bom dia Dohko! — Forçou-se a falar quando a surpresa daquela atitude passou mais. — O que faz de pé tão cedo?! E por que tão longe de casa?! — Shion perguntou colocando para fora a sua curiosidade.


— Como sempre muito agitado! — O homem falou calmo e um tanto divertido. — Podemos andar um pouco? E ai explico por que tão cedo, e por que tão longe de casa! — Levantou-se e esperou que o outro o fizesse.


Shion levantou. Não estava entendendo aquele humano, o que ele queria? Vingar-se? Estava levando-o a uma armadilha?! Fosse o que fosse, não conseguia sentir nada perigoso vindo dele.


— Shion... — Enquanto caminhava o moreno começou a falar. — Por muito achei que você fosse um monstro, uma criatura que merecia mesmo viver para sempre, mas com dor e sozinho... Mas desde que aquele menino que estudava na mesma escola do meu filho disse aquelas coisas, eu confesso que não soube o que pensar... Além disso, estive pensando e gostaria de entender o que houve. Você sempre disse que não fez aquilo, então me quero saber sua versão das coisas.


Shion não soube o que dizer, ele queria “agora” saber algumas coisas? Tinha se passado tanto tempo... Suspirou e então começou a falar.


— Quando terminei com você, foi para lhe proteger... Foi errado Dohko, mas eu não tinha escolha... Estava sendo perseguido por inimigos e como trabalhava diretamente para o rei Kárdia, precisa distanciá-lo, não podia permitir que virasse alvo daqueles seres que seriam capazes de tudo para te ferir e me ferir.


Ele parou e Dohko sentiu o estômago afundar. Shion queria lhe proteger, o que jogara fora... Controlou as emoções e esperou que ele concluísse realmente.


— Fiz o que pude para lhe manter distante de tudo isso. Bem, recebi uma carta sua dizendo que queria me ver, naquele dia... Fiquei sem entender, mas era um pedido seu e eu não negaria. — Ele fechou as mãos em sinal de raiva. — Infernos! Como fui cego! Devia ter desconfiado, mas quando pensei que pudesse ser algo, tudo que pude fazer foi sair, mas foi tentar chegar antes do horário marcado e se não tivesse feito isso, teria perdido você!


Dohko sentiu o peito doer novamente. Ele tinha sido enganado também?


O moreno olhou para o loiro e o fez parar.


— Eu nunca lhe mandei nada Shion... E por que fariam isso? Eu não consigo entender. — Dohko era pintor, e por isso mesmo gostava da vida reclusa e pacata que levava, mas em sua solidão jamais esquecera Shion.


— Eu não sei explicar, talvez quisessem-me matar... Mas não o fariam atacando... Acredito que esperavam que quando eu o visse morto fosse atrás deles e caísse em sua armadilha. Mas você não tinha morrido e por você, para lhe proteger, para estar ao seu lado ainda que fosse a distância, eu não fui atrás deles, vigiei você, zelei pela sua vida.


— Então... — Dohko começou a falar. — Mesmo eu estando só... Eu nunca estive só realmente? Você nunca me deixou? — Havia certa surpresa em sua voz. Um misto de emoções e dor. Apesar de tudo ele cumprira sua promessa de nunca deixá-lo só.


— Mesmo quando se casou, estive presente o tempo todo... E lamentei pela sua perda. Ela era uma boa moça, muito dedicada e o amava, eu podia sentir. Fui eu que a levei aquela galeria... Era professor e pedi que fosse até lá... Seus traços e suas cores sempre foram tão profundos... De alguma forma acabei sendo seu cupido.


Shion falava de coisas que lhe doíam, mas ele precisava de alguém uma família, e Yuna era com certeza a mulher perfeita para ele, doce, carinhosa e bela. Nem se dava conta, mas estavam próximos a casa de Dohko.

Shion travou ao se ver ali, nunca tivera permissão para entrar e a única vez que o fez foi para evitar que Elora fizesse uma besteira.


— Bem... Acho que... — O loiro começou a falar, mas o moreno o impediu colocando os dedos sobre os lábios dele.


— Não diga nada! Entre... Não terminamos nossa conversa! — Ditou isso estando de frente para ele e o encarando nos olhos esmeraldas dele. Seus castanhos perderam-se naquela sedução e antes que pudesse proferir palavras, seus lábios estavam colados aos do líder Assamita.


Shion não acreditou naquilo. Ele o estava beijando? Fechou os olhos e deixou-se ser beijado, estava com saudades e não ia rejeitar aquele beijo, nem que fosse por uma única vez.


Levou as mãos frias e pálidas à cintura dele e acabou trazendo-o para mais perto de si, sentia os olhares dos passantes e para preservá-lo sem apartar o beijo, levou ele para dentro, já estavam a porta mesmo.


Fez a porta abrir-se e logo estavam dentro. Apartou o beijo por que sabia que Dohko precisava respirar. Mas seu corpo inteiro reagiu aquele beijo, ao toque da mão dele em seu rosto.


O moreno sorriu de canto e mordeu os lábios, era agora ou nunca, era a hora de saber se ele ainda o queria, já não era o mesmo jovem, não tinha aqueles mesmos traços. Não que fosse um velho, mas seu corpo não conservava mais a juventude de outrora.


Tornou a beijá-lo e dessa vez, passou os braços em torno do pescoço dele e como fazia, suas pernas envolveram a cintura do loiro. Havia uma fome e uma saudade que agora tomava conta dos dois.


Shion não acreditava naquilo, mas ele o teria?


— Hnnn... Dohko... Meu amor... — Gemeu entre os lábios dele e apertou levemente suas costas, porém sentiu o humano largar sua boca, e distribuir os beijos pelo seu pescoço.


Ambos começaram a despir-se.


Shion retirava as roupas do amado e Dohko fazia o mesmo consigo. Uma vez nus, os olhos verdes de Shion passearam pela visão daquele corpo que tanto amava.


Só então o moreno se dera conta de sua nudez, e sentiu certa vergonha, certo medo dele não gostar e involuntariamente tentou esconder-se atrás de seus braços.


O vampiro por sua vez mordeu os lábios e abafou um gemido.


— O que houve?! Hnnn? — O loiro perguntou aproximando furtivo. — Você está lindo Dohko ainda mais do que antes! Mais perfeito, eu o amo e não há nada em você que não seja belo!


O pintor sentiu-se aquecer, ele continuava galanteador, mas sentia a sinceridade em suas palavras. Deixou-se mostrar e a pele morena dele trazia um brilho diferente ao vampiro.


— Como senti falta de você, do seu cheiro e do seu sabor! — Falou rouco e agora tinha seu rosto enterrado na curva do pescoço do outro. Queria ele, todavia iria devagar. Tornou a beijá-lo e foi fazendo-o andar até o quarto.


Quando entrou no cômodo, o fez andar até a cama e deitar. Olhava os olhos nublados dele, podia sentir o desejo que emanava do corpo moreno.


Olhou-o com desejo e inclinando-se sobre ele, tomou aqueles lábios em um beijo mais curto, porém bem mais ousado. Mordeu suavemente o lábio inferior dele e o abandonou, descendo a sua língua morna pela pele macia do humano.


Dohko sentiu-se arrepiar com aquele toque, seu membro respondia aquilo vigorosamente. Seu corpo queimava de desejo e queria sentir ele dentro de si. Um misto de medo e desejo tomava conta de si, parecia que era a primeira vez que se deixava ser tocado por ele, mas não queria fugir.


— Hnnn... — Gemeu rouco quando o loiro mordiscou o lóbulo de sua orelha e beijou suavemente seu pescoço, não se demorou ali, e deixando um rastro de saliva, alcançou um dos mamilos dele. — Aahhh... Shion... Hnn...


Shion controlava-se a todo custo. Ouvi-lo chamar seu nome o deixava cego de desejo.


Sugou o mamilo e estimulou o outro com a mão. Lambia e mordicava, fazendo aquele botão ficar vermelho.


— Aaahhh... Hnnn... — Dohko conseguia apenas gemer de prazer e desejo. Involuntariamente ergueu seu quadril em busca de sentir o corpo do outro.


O vampiro sorriu de canto, conhecia aquele homem.


— Não seja apressado! — Ditou rouco e abandonou o mamilo descendo seus lábios pelo corpo dele, alternavam lambidas e beijos. Chegou ao umbigo dele e deixou que sua língua explorasse aquela gruta.


O humano não conseguia raciocinar direito, mas sentia-se desejado, amado... Cada toque dele deixava claro o desejo que sentia, contudo não mostrava que fosse apenas sexo. Sentia-se amado diante da gentileza de Shion.


O loiro deixou o umbigo e desceu mais um pouco. Suas unhas arranhavam o interior das coxas dele, e conseguiam arrancar mais gemidos roucos.


Os olhos outrora azuis do vampiro, estavam vermelhos, seus caninos agora se mostravam mais crescidos e arranhavam levemente a pele da virilha de Dohko.


— Pare de brincar comigo seu vampiro idiota! — O moreno ditou já não suportando aquela tortura. Queria ele em si, queria mais que aquilo, queria que ele o tomasse de novo, queria sentir aquela sensação única que era ter ele dentro de si enquanto era sugado.


Shion abocanhou o falo dele e subia e descia a boca engolindo ele totalmente. Enquanto o sugava, o vampiro levou as mãos às nádegas dele. Apertou-as e levou os dedos a entrada dele.


Dohko sentia contrair-se, piscava e sugava o dedo dele que se quer tinha entrado ainda. Sentiu os dedos de Shion procurarem espaço em sua boca e abocanhou-os sugando-os com vontade, sabia o que viria depois.


Quando achou que era suficiente, tirou os dedos da boca, e com certa facilidade ergueu as pernas do amado e deixando-o exposto começou a prepará-lo com os dedos.


— Ahhh... Hnnn... Dohko... Como está apertado... Hnnn... — O loiro estava cada vez mais louco de desejo, mas a muito não se sentia feliz. Ele podia perceber nos sinas do corpo do humano que ele não fora de mais ninguém.


— Hnnn... Ahhh... — O humano gemeu rouco. — Hnnn... Vamos Shion, já chega! Quero você! — Dohko rebolava sentindo os dedos dentro de si.


Shion adentrava aquele corpo, e tentava segurar-se para não machucá-lo muito. Quando já tinha três dentro dele, o vampiro tirou os dedos e levou sua mão a seu falo, devagar se masturbava e usava o pré-gozo para lubrificar seu membro.


Encostou seu pênis na entrada de Dohko e foi empurrando-se para dentro, fazia certo esforço para não ir de vez, mas já não aguentava. Forçava-se para dentro dele.


Dohko mordeu os lábios abafando um gemido de dor. Sentia o pênis dele pedir passagem e sentia-se sendo rasgado, mas conhecia bem aquela sensação, primeiro a dor, depois o prazer que ele, só ele sabia lhe dar.


Quando a glande passou, ambos gemeram.


— Ahhh... — Shion iria devagar.


Dohko enlaçou as pernas na cintura dele e o puxou, o fazendo entrar de vez dentro de si.


Uma corrente de prazer percorreu seu corpo. Ele agradeceu que Shion ficou quieto dando tempo para que se acostumasse. Tentava organizar a respiração, e logo sentiu uma lágrima solitária descer pelo canto de seus olhos.


Shion beijou o rosto dele, e lambeu suavemente aquelas lágrimas. Beijou-o e acariciou os fios curtos e castanhos. Sentiu ele mover-se devagar, sabia que era o sinal para seguir em frente. Começou a estocá-lo e ia e vinha dentro dele.


Logo a dor dava lugar ao prazer. Shion estocava Dohko cada vez mais forte e o moreno agora gemia cada vez mais envolto no prazer que sentia. O vampiro conseguia acertar sua próstata e com isso ambos ficavam extasiados.


— Hnnn... Ahhh... Shion! Hnnn... Como é bom! — O moreno ditava rouco em meio a gemidos. Sentia ir fundo dentro de si e rebolava como podia, erguendo ainda mais os quadris para que ele fosse ainda mais fundo.


Shion sentia-se completo, com certeza aquele humano era tudo que mais precisava. Enterrava-se dentro dele e o beijava. Logo ergueu seu tronco e com as pernas dele em sua cintura, adentrava com vontade e certa força, estava chegando ao seu clímax.


Levou a mão ao membro do amado e conforme o estocava também o masturbava.


— Hnn... Dohko... — Gemia o nome dele, e o queria mais, se pudesse não sairia mais dali.


O corpo de Dohko apertava o de Shion espremia o membro dele.


— Mais rápido... Mais forte... — Ditava de olho fechados, quando os abriu, seus olhos estavam nublados de prazer. — Shion... Me toma! Eu quero sentir você me sugar! — Tinha um olhar sensual e cheio de malícia e desejo.


Shion não acreditava naquilo, mas não desobedeceria a um pedido daqueles. Enterrou-se mais fundo ainda dentro dele e curvou-se novamente sobre o corpo suado do amado e levou a face a curva do pescoço dele e cheirou, sentia o cheiro do sangue dele.


Dohko gemeu quando sentiu as presas dele arranhar a pele fina e frágil de seu pescoço. Sentiu um choque percorrer sua espinha quando os caninos entraram rasgando sua pele, logo sua mente nublou totalmente e ele esquecera-se do tempo.


Shion estremeceu e gemeu sentindo o sabor do líquido carmesim que inundava sua boca. Seu corpo todo ferveu e ele passou a estocar o moreno, mais forte e mais fundo. Ambos esqueceram-se do mundo ao seu redor, suas mentes estavam nubladas pelo prazer e seus corpos correspondiam a isso.


— Aaahhh... Hnnn... Shion, eu... Aaahh... — Ditou rouco sentindo um calor maior o envolver. — Ahhh... Eu te quero... Mais... Hnnn... — Ditava desconexamente, pois nada coerente conseguia mais se formar em sua mente.


Não mais aguentado, ele explodiu em prazer. O moreno melou seus abdomens com sua semente e Shion sentindo-se ser esmagado por ele, inundou-o com seu prazer. O vampiro retirou suas presas do pescoço do amado e lambeu ali a fim de cicatrizar. Deitou-se ao lado do moreno que parecia em outro mundo.


Dohko tentava organizar a respiração, mas Shion tomou seus lábios dele nos seus e o beijou.


— Eu tem amo Dohko... Te amo com sempre amei! — Ele disse ao abandonar os lábios grossos do amado.


— Eu também te amo Shion... Me perdoa amor, por todo esse tempo sem te ouvir... Não me deixa mais... Nunca mais! — O moreno ditou olhando nos olhos do vampiro e depois enterrando o rosto me seu peito.


O vampiro o envolveu em seus braços e com certeza não o deixaria mais partir, não seria tolo, não mais.


— Não o deixarei partir, nunca mais meu amor!


Os dois ficaram ali e logo Dohko adormeceu entorpecido pelo prazer e pelo cansaço. Shion velou o sono dele, não sentia a mínima vontade de sair dali. Agora pensava na guerra que havia começado, e o protegeria como devia ter feito antes.


Ficou com ele sentindo o cheiro suave do seu amado, matando a saudade que há tanto tempo o corroía. Agora sim estava no lugar do qual nunca devia ter saído nos braços de Dohko. Havia um dia inteiro ainda, o casamento de Elora era à noite e ficaria com ele até lá.


Continua...