Notas iniciais
Nem preciso dizer que estammos caminhado para o final? Mas, prometo que no último capítulo teremos uma surpresa para vocês. Bem, não sei dizer ainda quantos capítulo faltam, mas creio que não passara de cinco ou quarto.
Boa leitura, e curtam o capítulo!

A noite chegou sombria, fria e sem lua, e um tanto chuvosa. Dohko olhou para Shion que ainda estava deitado consigo. Ele sentia seu corpo dormente ainda pelo prazer, e a felicidade era bem real em seu coração.


— Minha filha casa hoje! Preciso ir... Mas volto mais tarde, a não ser claro que queira ir comigo, o que me faria muito feliz!


O vampiro mostrava-se feliz. Há tanto tempo sonhara com aquilo, quantas vezes se xingava por tê-lo perdido, contudo agora ter ele em seus braços novamente — mais maduro e com menos medo de si — era até melhor.


Dohko sorriu de canto. Aproximou seu rosto do de Shion e beijou carinhoso. Sentia-se completo com ele ali. Guardara tanta dor e magoa por pensar ter sido traído e usado, mas agora via que tinha sido um mal-entendido, claro que fora ruim ficar sem ele, todavia tudo que passou lhe trouxe crescimento e maturidade, agora sabia a verdade e sentia-se realmente pronto a confiar nele.


— Se não for incomodo, gostaria sim... Gostaria de ver sua filha casar!


Não era exatamente por causa de Elora, e sim, para estar ao lado dele. Não deixaria que mais ninguém os separasse. O pintor estava cansado, aquela tarde havia matado a saudade de seus corpos, porém não a saudade um do outro, da companhia, da pessoa, dos carinhos...


O loiro sorriu e concordou. Os dois ficaram ali ainda um pouco e depois foram tomar um banho juntos, depois que Dohko estava devidamente arrumado, seguiram para a mansão Assamita a fim de que o vampiro trocasse de roupas.


O casamento seria ali mesmo. Shion não receberia muitos vampiros, a pedido de sua filha, seria uma cerimônia pequena e um tanto reservada. Já era incomum por serem vampiros e humanos e um deles sendo um Hunter, e mais ainda sendo dois.


Num dos quartos daquele lugar, encontrava-se Asmitha, já estava devidamente trajado com um terno e a gravata eram brancos ou a camisa era vermelha.


Estava sentado e tinha os olhos fechados. Estava nervoso com o casamento, apesar de ser alguém extremamente calma. Logo a porta se abriu e Ikki entrou por ela, o moreno estava belo e sedutor num terno preto, e se aproximou do mais velho e lhe deu um beijo na testa.


— Mitha! Está bonito! Nervoso?! — Perguntou divertido, mas com claro carinhoso. Apesar de seu jeito rude de falar, Asmitha e Shun era os únicos que detinha seu real carinho.


O mais velho sorriu, no entanto permaneceu de olhos fechados. — Um pouco nervoso! Ficará quando chegar sua vez! — Disse sorrindo. — Que bom que está aqui, estava preocupado com sua distância!


Ikki sorriu e abaixou a cabeça;


— Mitha quando casar traga o Shun com você, não gosto de vê-lo perto daquele homem, ele é só um menino...


O moreno falou um tanto contido, parecia ter uma ira muito grande dentro de si. E tinha, Ikki estava ali para afastar Shun daqueles seres, não queria que a inocência e a vida dele fossem destruídas por aqueles seres.


Asmitha suspirou e ajeitou-se na cadeira, procurou por ele, podia senti-lo a sua frente, pois as mãos nos fios negros e abaixou a cabeça depositando o cheiro ali.


— Ikki... Todos nós temos um destino a cumprir... E temos de fazê-lo ou voltaremos mil vezes até cumprir o que nos é incumbido. Desde que o Shun era criança, sabíamos que ele era especial... Quando ele veio morar comigo, velava o sono perturbado dele, e não sabe as várias vezes que o ouvi falar de pessoas e situações que não condiziam com a realidade.


O loiro levantou e continuou falando:


— Já imaginou se eu o tivesse internado como um louco? Mas não, eu podia sentir havia verdade ali, por mais que parecessem delírios, ele voltou para cumprir algo que não pode antes, não podemos mais impedi-lo... Deixe-o seguir Ikki, entretanto nada lhe impede de estar ao lado dele, de cuidar e proteger seu irmão.


O moreno ergueu-se havia um misto de dor e raiva em sua atitude, guardava tanto rancor e uma sede de vingança tão grande que às vezes o cegava.


— Não! Não vou deixar esses vermes colocarem a mão no meu Shun! Eu vivi para protegê-lo e agora o entrego assim, como se isso fosse fácil? Hnn? Não Mitha, não até eu que encontre a criatura que matou nossos pais, me transformou nesse monstro e quase matou meu irmão!


Asmitha estava preocupado, sabia que enquanto esteve longe aquele rapaz alimentava o ódio e a vontade de vingar-se, porém não julgava aquilo realmente bom.


— Não faça isso Ikki! Desista dessa vingança, no fim ela vai ter fazer mais mal do que imagina, está ter transformado em um homem frio e mal, e você nunca foi assim filho... — O loiro aproximou-se dele e levou a mão ao rosto dele. — Tenha paciência, tudo há seu tempo... E não tente atrapalhar o Shun, já pensou que pode deixá-lo triste?!


Ikki sentiu o estômago afundar. Não queria aquilo. Já bastava os anos de tristeza pela perda dos pais e pela distância? Sempre lia as cartas irmão e sentia um peso e uma culpa enorme por não poder estar com ele.


Antes que falasse algo, uma batida na porta anunciava que alguém desejava entrar. Shun encontrava-se a porta e esperava ver Asmitha e desejar-lhe felicidade antes dele ir para o altar.


— Entre Shun! — Ikki falou e viu o menino entrar. Os olhos verdes dele estavam felizes, mas algo nele denunciava certo medo e preocupação.


— Mitha! Você está lindo! — Ele elogiou o mais velho e correu para abraçá-lo. Um abraço forte e um tanto saudoso, aqueles dias, o menino ainda não tinha voltado totalmente à casa do tio.


— Obrigado meu menino! O que te deixa tão apreensivo? Hnn? Sabe que não vou abandoná-lo e agora o Ikki está aqui também! Não vamos deixa-lo só e Elora lhe tem muito carinho e apreço por você. — Afagou os fios castanhos dele, era muito comum que ele pensasse assim.


Shun sorriu e suas faces coraram.


— Promete?! — Tinha um ar infantil e Asmitha não precisava ver para saber que ele estava choroso, e que o rostinho dele deveria ser a imagem da manhã e da insegurança.


Afagou o rosto dele e sorriu.


— Claro que sim! — Shun sorriu e apertou-o em seu abraço, tinha mais do que manha ali, mas ele não queria dizer. Tinha tido um sonho diferente e falara apenas a Aioria.


Outra batida na porta foi ouvida e Milo abriu a porta.


— Nossa Mitha como estar bonito! — Se aproximou e beijou a bochecha dele. — Quero seja muito feliz! Ah! Vim dizer que chegou a hora! Vamos?!


O loirinho deu o braço a ele e a Shun e os três saíram dali. Mas antes de estar fora totalmente, Shun chamou pelo irmão, virando o rosto o olhando com carinhoso. Mostrava-se muito feliz.


— Você não vem, Ikki?


O moreno sorriu de canto e foi seguindo-os.


Asmitha estava mais ansioso agora, estaria diante de seres que não eram como sua Elora, ou como Shion e Milo, mas os enfrentaria por ela. Respirou fundo e seguiu com eles.


Enquanto esse loiro seguia para seu lugar o outro loiro, bastante nervoso, andava de um lado para outro dentro de outro cômodo. Logo sentiu a presença de alguém que o fez parar.


Saga entrou no quarto e olhou para ele, estava sério, todavia uma aura emocionada. O gêmeo mais velho estava diferente, mais elegante, mais cheio de si... Mas continuava a ser o irmão mais velho de Kanon, um homem carinhoso, inteligente e apegado demais ao irmão.


— Nervoso? — Perguntou se aproximando e o abraçando. — Está bonito Kan... Muito! — Ele disse carinhoso. — Fiquei surpreso com seu casamento, porém estou feliz por você, irmão! Tem certeza que é isso que quer?! Não quero que magoe esse rapaz, eu te conheço e sei que às vezes faz as coisas por pirraça, por implicância... Não é por isso, é?!


Kanon suspirou. Era bom ter o irmão ali. Sentia-se seguro e forte.


— Não Saga, dessa vez não é... Entretanto não sei dizer o que é... Só não quero longe de mim! — O gêmeo mais novo falou e olhou fundo nos azuis do irmão.


Ambos sorriram e se abraçaram.


— Tive tanto medo de te perder... Eu devia ter ficado ao seu lado, ter contado antes, ter...


Kanon começou a falar, no entanto Saga o impediu tapando sua boca com seus dedos. Os dois não precisavam de muitas palavras para se entenderem. Pareciam ser as mesmas pessoas em dois corpos, claro que havia diferenças significativas, todavia entre eles elas quase não contavam, e o medo de um focar sem o outro era algo que assustava aos dois.


— Não vamos falar de coisas tristes e não se culpe. Isso tinha que acontecer... Agora quero que respire fundo e erga essa cabeça Kanon Caillet, você é um homem admirável. Tenho orgulho disso! Hoje é um grande dia, e você precisa estar pronto para ele.


O mais velho dava força ao mais novo, e nesse momento a voz de Shura foi ouvida, dizendo que estava na hora de ele ir para o altar.


— Nós já vamos! — Saga falou imperioso e o moreno ficou ali esperando.


Saga olhou para Kanon e ajeitando o terno vermelho com uma camisa branca por dentro, e uma gravata vermelha.


— Está na hora! Vamos!


Carinhosamente o vampiro guiou o humano para fora daquele recinto e seguiram para o grande salão. Ao chegar lá, o Hunter viu Asmitha e Afrodite que dava a ele as últimas instruções. Ao se aproximar o sueco olhou para Saga e dele para Kanon.


— Zeus... Já não bastava um lindo assim e ainda tinha que ser em dobro?! — Ditou divertido.


Como a cerimônia e a recepção seriam no mesmo local, as mesas estavam dispostas de forma que todos podiam ver os noivos, todas forradas com toalha branca, mas com pétalas de rosas vermelhas sobre elas, havia pequenos suportes de gesso que sustentavam grandes vasos com flores vermelhas e brancas, colocados entre certa quantidade de mesas.


Havia uma mesa toda decorada e sobre ela fora colocada uma espécie de fonte da qual caia um líquido vermelho, simulava o sangue, mas era vinho.


Havia outra com doces e salgados e comidas humanas, para os convidados humanos que ali se encontravam.


O sueco pensara em tudo.


Afrodite saiu de perto dos noivos e colocando a frente de todos no salão, pigarreou chamando a atenção deles.


— Por favor, silêncio, a cerimônia vai começar.


Todos se calaram e assim os anciãos entraram inclusive aquele que seria responsável por casá-los. Depois deste, Asmitha e Kanon entraram no salão, seguiram até o altar e ali esperaram por seus pares.


Logo Elora e Mu estavam esperando para entrar no salão. Como seus noivos ambos estavam nervosos. Antes de entrarem Dohko se aproximou dos dois e os abraçou em conjunto.


— Quero que saibam que estou imensamente feliz e satisfeito com os dois. Espero que sejam felizes em suas escolhas. E que se lembrem de que estou aqui para os dois à hora que precisarem.


O vampiro mais velho mostrava-se feliz e realmente estava. E com certo carinho tornou a falar.


— Elora, sua mãe se orgulharia de você! Está linda filha e hoje sei que está feliz! Desejo que esta felicidade dure pelo tempo que lhe for determinado.


Falara isso por saber que Asmitha era humano e que sua existência seria breve. Enquanto ela viveria “eternamente” sem ele, claro, isso poderia mudar se caso o transformasse, mas era algo a se discutindo no futuro.


— Mu! Me orgulho de você meu filho, de sua dedicação e de sua fidelidade, fico feliz que possa estar aqui hoje casando-se. Sei que sua família seria feliz se o visse hoje. Desejo a você a mesma felicidade que desejo a Elora, e que ela dure pelo tempo lhes couber ter.


— Agora vamos!


O Líder Assamita fizera questão de entrar com os dois, um de cada lado.


Os presentes observavam a beleza de Elora em seu vestido vermelho e não entendia como ela podia escolher um ser fraco como aquele para desposar. Mu também chamava muito a atenção, vestia um terno branco, com pequenos detalhes em vermelho que adornavam seus fios escuros.


Todos pareciam encantados, claro tinha os que eram contra, e de todos o que destacava mais era Shaka que não se agradava nada daquele casamento.


Acima disso, Elora e Mu foram entregues a seus noivos e a cerimônia teve início. Tudo seguia muito bem. Shion estava ali para o ritual do sangue. Milo estava perto de Kamus e Shun não saiu de perto de Kárdia. Ikki observava-os ao longe e se aproximou de Shaka.


— O que quer?! — O indiano perguntou irritado.


— Que bicho te mordeu loiro? — O moreno perguntou, contudo não saiu dali. — Estou sentado para assistir a cerimônia, não é óbvio? — Falou cheio de si e quando viu que Shaka falaria de novo levou o dedo indicador à boca dele e falou autoritário. —Shiii... Está atrapalhando...


O loiro se indignou e fez menção de levantar, no tanto o moreno segurou seu braço e o não o deixou sair. Deu um selinho nele e falou em seguida.


— Pronto... Agora você fica calmo.


Shaka não teve reação e acabou sentando-se e logo chegaram Afrodite e Matteu. O braço direito do rei estava irado e um tanto fora de si, mas não faria um escândalo ali.


A cerimônia seguia para seu final. Logo aqueles quatro estariam casados. O ancião chamou Shion para fazer o ritual de sangue, o Assamitha seguiu até os filhos e fez conforme lhe era ordenado, quando os casais beberam de seus sangues selando a aliança que agora tinham um com o outro e com seus clãs, ou no caso deles raças, algo inesperado aconteceu.


O som de palmas fora ouvido e logo Radamanthys Wyverny entrava o local, tinha um olhar cínico e louco. Não estava só, vampiros de seu clã entraram fazendo graça e destruindo a decoração.


— Que bonito! Um casamento... Não... Dois! Mas o que vejo? Então o Hunter tem mais de uma vida? Como sobreviveu humano insolente?! — Sorriu das próprias palavras.


Kárdia levantou-se colocando Shun atrás de si. Kamus fizera o mesmo protegendo Milo. Afrodite, Shura e Ikki colocaram-se a frente deles.


Milo sentia o ódio tomar conta de si. O que ele fazia ali? Queria matá-lo por tudo que fizera. Os olhos azuis deram espaço aos vermelhos e os caninos mostraram-se raivosos.


Radamanthys se aproximou um pouco mais enquanto olhava todos. Alguns tentavam escapar daquele ser que exalava ódio, contudo ele só tinha olhos para Kamus e Milo.


— Kárdia meu soberano irmão! Como está?! E que cara é essa? Ah, vai me dizer que não esperava que viesse?! Ah é mesmo vocês não me mandaram convite! — Fez uma expressão de espanto e depois riu.


— Oi Milo! Pronto para ir comigo, meu amor?! Hnnn? Vim cumprir minha promessa! Hoje você e esse bebê morrem! E o seu tão precioso maridinho... Vai fazer companhia ao irmãozinho dele no inferno!


Todos os convidados distanciaram para as laterais do salão, por um misto de medo e consciência que uma batalha estava perto para começar. Muitos consideravam o líder dos Baali louco, visto que além de vampiros encontravam-se alguns Hunters presentes.


— Darei somente um aviso! Saia daqui! — O rei disse autoritário. Queria evitar uma guerra, considerando aquele momento de festa e não o queria manchar com sangue.


— Sinto por não cumprir suas ordens meu rei! — Radamanthys fez uma reverência e estalou os dedos. Foi como um sinal, pois os seres nefastos que o acompanhava começaram agir e o caos se instalou.


Vampiros, lobisomens, até mesmo bruxos começaram a se movimentar, atacando desde os convidados que apavorados andavam como ovelhas a beira da morte. Mesas, cadeiras ou pessoas caiam no chão. Gritos de horror tornaram-se presente.


Kanon sacou sua katana e colocou-se a lutar, mas não fazia sozinho, ao seu lado encontrava agora seu esposo, Mu apesar de sua aparência frágil, era forte e ágil. Os dois realmente era uma bela dupla.


Afrodite, Matteu e Ikki cuidavam de alguns lobisomens, visto que tais seres eram fortes, e não era para qualquer um enfrentá-los.


Shaka ficou ao lado do rei, enquanto este eliminava muitos sem dificuldade, o indiano ficou ao cargo de proteger a Shun e Milo, conforme as ordens de Kárdia eram para garantir que os menores não tivessem sequer um arranhão. O rei dos vampiros recusava-se em perde seu amado, seu filho e agora neto novamente... Não poderia sobreviver a tal perda.


Elora puxou Asmitha para perto dos pequenos.


— Fiquei aqui amor!


— Não Elora... Fiquei aqui, não posso perdê-la querida! — O homem privado de visão disse em agonia. Mesmo que não pudesse ver, ele sentia o caos e a aura negativa em sua voltar.


— Ficarei bem... Preciso ajudar, assim que esses vermes foram extintos teremos nossa noite! — Ela disse dando um rápido, mas caloroso, beijo no marido. As coisas não eram para serem assim, todavia havia coisa que não poderiam evitar.


— Mãe... — Milo disse aflito. Seus olhos ainda continuavam vermelhos e seus caninos despontavam. Por ele, estaria lutando ao lado do marido e dos amigos, todavia, Kamus apelou para o fato que estava grávido, e deveria cuidar de seus filhos.


— Tudo ficará bem! Protege os demais e meu neto. — Disse dando um beijo no topo da cabeça do loirinho e saindo mergulhando na batalha.


Uma data tão especial era manchada por um mar de sangue é ódio. Não tardou para que Aioria e Dhoko se juntassem ao grupo.


— Vou levá-los! — Dhoko disse para Shaka, que apenas acenou consciente que era uma ordem do ancião Shion, e confirma no julgamento do mesmo.


O mais velho ponderando e guiou os outros para saírem dali, visto que os vampiros lutariam mais tranquilamente se eles tivessem em segurança.


Antes de seguir os demais pela porta, para fora do salão, Milo olhou para seu amado. Kamus lutava bravamente ao lado de Shion. O mesmo tentava chegar a Radamanthys, que se mostrava bastante inacessível.


— Vamos Mi! — Shun disse tomando a mão do “filho”. Ao sair do salão o barulho foi ficando para trás. Dhoko os guiou pela casa até que chegaram ao escritório de Shion. Pelo o que seu amado tinha falado, ali detinha uma passagem secreta que colocaria todos em segurança.


Um a um foram entrando até que Dhoko e Milo ficaram por último. O pequeno sentia que aquela guerra somente acabaria por suas mãos, que aquilo tinha que findar, do contrário jamais teria paz.


— Milo? — O Pintor chamou o pequeno, mas antes que pudesse reagir foi empurrado por Milo para dentro do escritório, e as portas moveram-se sozinhas se fechando. O loiro usou seus poderes e garantiu que o local ficasse protegido e que ninguém fosse capaz de entrar ou sair. Milo ainda não controlava totalmente, mas algumas habilidades começavam a surgir. Claro, até então tinha mantido isso em segredo.


— Milo... Abra a porta! — Foi à voz de Aioria que gritou. Ele batia contra a porta, mas algo em vão.


— Menino abra! Seu avô ordenou que ficássemos aqui! — Dessa vez fora o apelo de Dhoko, todavia o loiro virou sobre os pés e seguiu firme para seu intento. Não pretendia ver mais ninguém que amava morrer, isso acabaria hoje.


— Ei pequenos, ajudem o papai, sim!? — Disse acariciando seu ventre. Seus filhos estavam agitados, mas sabia que os protegeria. Era forte o suficiente para proteger os seus.


Ele sustentava a barriga de cinco meses, e mesmo que a médica não tivesse dito o sexo dos pequenos, ele era bem ciente. De alguma forma tinha uma ligação profunda com seus filhos, ao incomparável.


Assim, respirando fundo e munido de determinação Milo seguiu para sua missão. Não entrou no salão onde estava os demais, mas sim foi para o jardim da casa. As estrelas e belas flores seriam testemunhas do acontecimento.


Ele posicionou no centro do jardim, em uma área aberta, e não precisou esperar muito para que seu inimigo surgisse.


Radamanthys carregava nos lábios um sorriso presunçoso, autoconfiante demais que seria o ganhador. Seus passos fluíam até que parou alguns metros do loirinho.


— Jamais deveria ter fugido anos atrás de mim, por sua culpa todos morreram. — O loiro mais velho disse de maneira soberba. A loucura tinha totalmente dominado sua mente.


— Sinto pena de você... Um ser sem alma ou coração... Sozinho... — Milo disse com os olhos estreitos.


— Cala a sua boca... Não passa de um animal de estimação... Vou adorar te arrombar... Então matarei lentamente as aberrações dentro de você enquanto te fodo... E depois arrancarei seu coração. — Radamanthys gritou com os olhos rendidos a ódio.


— Não gosta de ouvir a verdade? Pois bem, vou te contar um segredo... Não tocará um dedo em meus filhos, e quem arrancará seu coração serei eu... — Milo disse confiante, e esse fato parecia contribuir para o descontrole do outro.


O mais velho não disse nada, apenas ergueu sua mão e apontou um dedo para Milo, conjurou seu poder, que era de torturar a pessoa sem tocá-lo, todavia não fez algum efeito em Milo.


Seu poder chocou-se contra uma barreira invisível que se estendeu protegendo o menor.


— Terá que fazer mais que isso! — Milo disse zombando dele.


— Seu pirralho insolente! Acha-se o máximo, mas esquece de algo... Enquanto fugiu garanti que seu maridinho desse seu último suspiro. — Radamanthys disse movendo-se em passos lentos, como um animal espreitando sua presa.


— Mentira! Kamus está bem. — Milo disse sem sair do lugar. Não pretendia cair nos truques daquele ser.


— Sério? Será que minto ou falo a verdade? Vejamos... Qual foram as últimas palavras do Senescal? Ah sim, "não toque na minha família". Adorável, não acha?! — Disse soltando uma gargalhada infernal.


Por meros segundos Milo vacilou. Sua mente voltou a fim de procurar pelo marido, uma brecha perfeita para o outro. Quando deu-se conta do perigo, era tarde demais.


Seu grito rompeu a noite e seus joelhos falharam. Caiu ajoelhando no chão, e sua mão foi a sua barriga. O desgraçado do Radamanthys atingirá justo seu ventre. Arfando, Milo tentou estabilizar suas energias, a fim de se recuperar da lesão que seus dois filhos sofreram.


— Fraco demais, como seu pai Dégel! — Radamannthys ditou quando seus dedos pegaram um punhado de cabelo de Milo o fazendo gemer de dor. — Ele era tão fraco como você, se distraiu para proteger o filhinho... E com gosto comi seu coração...


Antes que Radamanthys fizesse algo mais uma voz gritou:


— Fique longe de meu filho! — Shun arfava forte e suas bochechas encontravam-se rubras.


O líder dos Baali encarou o pequeno, ia considerá-lo um humano insignificante até que percebeu a verdade. A aparência poderia ser diferente, mas a aura era a mesma... Estava diante da reencarnação de Dégel.


— Como...


Não terminou suas palavras, pois Milo desferiu contra ele uma jorrada de energia que o jogou longe.


— Não machucará mais ninguém... Não me tirará mais nada! Por anos não tive nada, pois arrancou tudo que era meu... Que amava... Mais me nego a isso novamente. Seu reinado de escuridão acabou. — Milo disse levantado. Uma força tremenda tomava conta de si, uma aura vermelha rodeava seu corpo e seus olhos tornaram-se prateados.


— Não pode ser... — Radamanthys ditou. Todavia o que se seguiu foram gritos infernais. Sentia como se milhares de agulhas perfurassem sua carne e brincassem em seu interior. Cenas animalescas e infernais tomaram sua mente. Ele pediu por piedade e clemência. Seus olhos arregalados e de sua boca gritos assustadores saiam. Seu corpo contorcia-se de maneira estranha.


— Não deixarei que “ninguém” toque naqueles que são importantes para mim... Eliminarei a todos! — Milo disse. Ele abriu uma das mãos para fechar com tudo em um punho, e como se controlasse a vida do ser que por anos causou-lhe dor, Radamanthys gritou de maneira horrenda para logo cair contra grama. Não parecia agora mais que uma casca vazia.


Milo respirou fundo e tudo a sua voltar tornou-se escuro. Ouviu ao longe o grito de Shun, todavia incapaz de responder. Apenas lembrou-se de seu amado Kamus e do desejo de ver o rostinho de seus filhos... De tê-lo em seus braços, e depois disso, tudo se tornou plena escuridão. Nem dor... Ou lembranças eram presentes, apenas a dormência.


Continua...