Notas iniciais
Aqui está. Esperamos que gostem... As coisas estão complicando para Milo, coitadinho... Somos gratas a cada pessoa que está lendo... de coração.Boa leitura!!

O clima tinha ficado pesado demais dentro daquela mansão. O ar estava quase raro, pelo menos era assim que Milo estava se sentindo. Ele estava em estado quase catatônico, o coração tinha acelerado, a boca secou e os olhos se arregalaram. Como assim aquele ruivo era noivo da sua mãe?!

— Co-como assim? Ele não pode ser o noivo dela. Ela não ama ele, Shion! — Ditava Milo apavorado. — O senhor não pode. Não pode deixar! Por favor!

O loirinho agora tinha o rosto molhado pelas lágrimas que não conseguiu conter! Shion não pode deixar de sentir a tristeza que assolava o neto. Aproximou-se dele e fez carinho em seus cachos e pediu que ele se acalmasse.

— Milo! Infelizmente não posso fazer nada. – Falou o mais velho com calma. — Eu bem sei que minha filha ama o florista humano, mas faz parte da nossa condição que Elora case com Kamus Depardieu.

— Kamus Depardieu?! – Perguntou Milo. — É o nome dele? Daquele ruivo?

Viu Shion assentir com movimentos afirmativos com a cabeça.

— Eu não entendo vô! Não... Não quero que minha mãe fique sem o Asmitha! – Milo falava chorando, deixando clara a dor que sentia por Elora e por Asmitha. — Shion... Eu suplico!

Vendo a dor estampada na bela fisionomia do rapaz, o líder dos Assamitas sentiu que devia aquele humano, um dos únicos que conseguiram fazer Elora se mais feliz, uma explicação.

Com calma começou a explicar para ele desde o começo. Não era segredo para o loiro — ao menos nos últimos cinco anos — que existia sobre a face da terra mais que os humanos — seres delicados e frágeis e muitas vezes gananciosos.

Que há anos remoto, uma raça surgiu. Ninguém saberia explicar exatamente quando, mas seres noturnos. Criaturas onde os anos não afetavam que séculos para eles eram como dias, que as doenças, chagas e dores vivenciadas pelos humanos não os atingiam.

Contudo tais seres sobrecarregaram a prepotência, e soberania, aproveitando-se que eram imortais, dotados de habilidade inimaginável pela humanidade começaram a desejar mais e mais poder. A besta dentro deles perdera o controle, tornaram-se cada vez mais insaciáveis não somente pelo poder, mas por sangue, o vitae responsável por sua existência.

Tais seres eram conhecidos como Vampiros. Seres das trevas e noturnos.

Canibalismo começara a ser realidade, tomando proporções tão assustadoras que a raça humana começa a ser considerada extinta. Os humanos, ditados como fracos começaram a reagir, criando a ordem conhecida como os Hunter. Mas não eram o suficiente para controlar as bestas. Então um acordo fora selado entre um vampiro forte da época entre os ditos caçadores de vampiros.

Um acordo para garantir a sobrevivência das duas raças. Foi então que a Camarilla fora criada. A mesma nada mais simbolizava que a ordem suprema sobre os vampiros. Funciona como a política dos vampiros, onde vários clãs seguiam suas leis.

Seu objetivo é organizar, e preservar a existência da raça, buscando passar despercebido pela sociedade humana, conhecidos unicamente como alimento.

As leis de tal ordem passaram a serem absolutas, e o rei e legião governavam com mão de ferro. Sentimentos como clemência, bondade ou piedade não era conhecidos por eles. Aqueles que não seguem são caçados e punidos.

Shion contou que toda hierarquia era necessário níveis, comandos, e que nenhum rei conseguiria liderar uma massa tão grande sozinho, logo, os clãs mais fortes da época se uniram em tal acordo, aquele que almejavam suas próprias sobrevivências, mesmo que para isso colocasse certo cabresto em si mesmos.

São os responsáveis por toda a seita, criando e derrubando Justiça com a mesma serenidade. E que cada continente tinha sua própria Camarilla que seguiam certas regras iguais, mas tinham a seus particulares. E o que mais interessava a ordem da Europa era formado por seus clãs fortes.

Os Ventrue, considerados sangue azul, sempre tiveram grande participação no controle e liderança da ordem, vistos como elite.

Os Brujah eram um clã conhecido por ter os vampiros mais incontroláveis da Camarilla. O clã é composto basicamente de rebeldes eternamente à procura das expressões definitivas de todos os tipos de individualidade.

Depois dos Ventrue,nenhum outro clã se adaptou tão bem a Camarilla como os Toreador. Se os Ventrue são a espinha dorsal da seita, os Toreador são o coração.

Os Nosferatu conhecidos como os ratos de Esgoto raramente ocupam posições no governo de uma cidade. Os outros membros não se sentem à vontade com um monstro fedorento e repulsivo em uma posição de autoridade e encontram maneiras de mantê-lo fora do fora do poder.

Os Baali podem ser considerados o clã mais terrível de todos. Inicialmente era um clã que agia e brincava diretamente com o poder dos demônios do submundo, são muito bem controlados pelo rei, e devido suas personalidades sádicas não possuem muito poder na ordem.

E por fim os Assamitas são o clã mais velho sobre a face da terra. Sempre tiveram forte poder nas decisões, suas linhas de cauteloso, e sábios são cruciais em qualquer momento. Conhecidos muitas vezes como assassinos, seres realmente a serem temidos. Componentes do clã: Shion, Mu e Elora. Uma família que havia acolhido um simples humano para viver entre eles.

E que o líder de cada clã representava o conselho dos anciões, ou mais precisamente os Justicar. Então o líder do clã Assamita ditou sobre um acordo antigo, que há séculos havia sido firmado entre ele e o antigo líder do clã Ventrue, aonde seus filhos se casaria para assim fortalecer ambos os clã, e que o filho dessa união seria o futuro rei da Camarilla.

Logo, O casamento de Kamus Depardieu, atual líder, com Elora Lhasa filha de Shion. Um acordo que se fosse quebrado implicaria em uma guerra entre os dois clãs, que abalaria a Camarilla e por conseqüência toda ordem e controle que puseram sobre os seres negros.

Mesmo que Elora amasse a Asmitha, e que Shion via que tal amor fazia bem a sua filha, a qual almejava a felicidade, infelizmente ela era sua única filha, e teria como líder cumprir o acordo pelo bem da existência dos vampiros.

Milo estava sem palavras, àquilo era o fim pra felicidade de sua mãe. Ele precisava fazer alguma coisa. Qualquer coisa.

Só não sabia o que fazer naquele exato momento. Levantou-se e virou as costas para Shion, mas antes de sair uma ideia surgiu em sua mente. Voltou-se novamente para o vampiro e falou com firmeza.

— Shion. Desde que a Elora me trouxe para cá, vocês me adotaram... — Parou um pouco recuperando o fôlego. — Então eu sou filho também não é?

— Sim! É claro que sim. — Afirmou Shion, embora não soubesse aonde Milo queria chegar com aquelas perguntas.

— Então! Posso casar no lugar dela?! — Perguntou o loirinho em um único fôlego.

Shion não acreditou no que ouviu, aquilo era no mínimo loucura, um humano casado com um vampiro, ainda mais quando esse vampiro não era ninguém menos que Kamus Depardieu!

Fora inevitável para o líder dos Assamitas não rir.

— Fora de cogitação Milo! — Ditou Shion. — Mesmo por que sua mãe jamais permitirá isso.

— Se o senhor ordenar ela deixa! — Não era uma afirmação era uma súplica, e Shion percebeu que ele estava por demais desesperado. Era capaz de negar sua própria liberdade e juventude para dar a uma vampira uma chance de ser feliz.

— Milo. Não insista nisso! Você não precisa sacrificar-se por ela, isso a deixaria triste. — Ditou Shion com piedade.

— Não é isso!! — Sussurrou o rapaz. — Eu a amo demais, por favor vovô, eu suplico, deixe-me casar no lugar dela!

Shion não estava conseguindo remover a ideia louca da cabeça de Milo.

— Eu irei pensar! — Ditou Shion. -Agora vá pra o seu quarto e tente dormir. Voltou-se para Mu e ditou com autoridade:

— Vigie-o!

— Sim, senhor! — Foi tudo que o outro ditou.

Shion saiu noite adentro precisava encontrar Elora, sabia bem como ela ficava quando era contrariada.

Não tinha conseguido dormir de noite, sua mente era perturbado por fatos constantes do que referia a tudo que Shion havia lhe contado, e sobre o fato que sua mãe Elora por tradição se casaria. Não queria que ela se sacrificasse assim, sabia que ela amava o florista, e pensar que ela poderia ser por séculos infeliz. Devia muito a ela, não iria deixar que isso acontecesse.

A noite fora um martírio para si, e quando o relógio mal marcara as seis da matina saiu de sua cama. Em passos lentos abriu a porta de seu quarto, averiguando antes se não tinha ninguém lhe vigiando.

O fato de viver entre vampiros tinha seus pesares; pelo horário, onde o sol raiava os mesmo se recolhiam, e levando a isso muitas vezes sentia solitário.

Atravessou parte da mansão até que chegou na ala dos quartos onde as janelas eram escondidas por grossas cortinas, e a única luz presente era as luminárias.

Foi até a porta conhecida, grande de madeira branca. Ainda trajava seu pijama, uma regata cinza, e uma calça moletom, seu nervosismo era tanto que nem se importara em fazer sua higiene matinal antes, precisar resolver aquilo.

Bateu com o punho fechado contra a porta, mas nenhuma resposta veio. Mesmo sem permissão girou a maçaneta dourada abrindo lentamente a ponto que ainda assim rangeu.

A suíte era grande, sua decoração era em tons pesados. A luz ali era quase nula, um clima perfeito para o ser que deveria repousar ali.

Fora em pé a pé até a cama dossel, mas nas cobertas bagunçadas não achou quem procurava, porém o resíduo que a pessoa tivera ali era presente.

Milo acabou sobressaltando quando sentiu um arrepio em sua nuca, a sensação que dois olhos ferozes caiam sobre si. Virou sobre os pés e deparou com a mulher que não o gerara, mas que para si era sua verdadeira mãe.

— Mãe... — Começou a fala mais nem sabia muito bem o que, ou como falaria.

O olhar duro dela, a expressão raivosa ainda denotava que ela não tinha nenhum resíduo de paciência.

Sabia que com ela naquele estado seria suicídio tentar conversar, porém não teria paz se não fizesse isso.

— O que faz aqui Milo? Vá para seu quarto... — Ordenou deixando claro que nem a presença dele no momento era desejada.

O menino não se deixou abater, estava com medo, melhor apavorado, mas não ia ceder, não agora!

— Mãe, eu preciso muito falar com a senhora! – Ditou com calmamente e firme. — É muito importante! Por favor!

— Não estou com paciência Milo, vá para o seu quarto e não saia de lá. – Falou Elora sem nenhuma paciência.

— Não, eu não vou até a senhora me ouvir! – Milo falou já sentindo a raiva tomar conta de si.


A vampira não podia acreditar naquilo, ele estava lhe respondendo?!, Desobedecendo-lhe?!! Já estava tão irada, que agora nem enxergavam mais o menino, deixou que seus caninos saíssem e olhou-o com seus olhos vermelhos. Aproximou-se dele, segurou-o pelo braço e o arrastou pra fora de seus aposentos, levando-o em direção ao quarto dele.

Milo debatia-se querendo soltar-se em vão. Não ia pra o seu quarto sem dizer o que queria, não mesmo.

— Se a senhora não me ouvir agora, eu fujo e não me importo se Aquele nojento do Radamanthys me pegar. – O menino gritava isso sabendo que talvez ela nem o ouvisse dado o estado de irritação em que ela se encontrava.

Para sua surpresa ela parou e o olhou com mais fúria, mas o soltou.

— Então fale logo! – Ela ordenou. — Por que depois disto você estará de castigo pelo resto do ano, entendeu?

Milo apenas mexeu a cabeça afirmativamente, mas antes de falar, outra pessoa se fez presente no recinto.

— Milo, por que fez isso? – Questionou Shion. – Você sabe que ela podia ter lhe atacado! Ela está fora de si.

— Não estou fora de mim a ponto de machucar meu filho, pai! – Ditou a moça com a voz fria e cortante.Voltou-se para o rapaz e ordenou. — Fale.

Milo respirou fundo e em seguida olhando ela nos olhos ditou com firmeza:

— Mãe, deixe-me casar em seu lugar.

— O QUE?! – O grito de Elora ecoou pela casa. Milo encolhera-se e Shion colocou-se a frente do menino.

Ela agora estava extremamente descontrolada e gritou mais uma vez:

— Sai daqui Milo, agora! Eu não quero nem ouvir sua voz entendeu?!

O garoto colocou-se a chorar e saiu correndo em direção a rua! Por mais que Elora estivesse descontrolada, aquela atitude do menino pareceu trazê-la de volta a razão.

— Milo... –Ela chamou, mas o rapaz já havia saído porta afora. — Traga-o de volta papai, por favor! Não permita que ele se machuque! – Ela pediu ao senhor dos Assamitas.

Shion nada ditou sabia entender sua filha como ninguém e sabia que ela estava com medo, Milo era apenas um adolescente, mas tinha um gênio forte e era muito teimoso, além disso, ela nunca quis magoá-lo.

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Seus olhos ardiam. Agradecia aos céus pelo sol que pulsava forte com todo seu esplendor, pois sabia que com isso sua mãe não poderia ir atrás dele. Estava magoado. Pensava nela, na felicidade... Por que sabia que ela amava outro. Tal como era fria, e nunca o ouvira. Sabia que esse era seu jeito, porém não deixava de ficar ferido.

Deixou seus pés lhe guiar, correndo sem esmo, somente parou quando se viu na porta da casa do amigo, que quando o atendeu encontrava-se sonolento, de pijama.

— Me explica! O que faz aqui de madrugada, e de pijama? — Indagou meio de mau humor, havia sido praticamente expulso da cama pelo amigo. — Está chorando? — Mudou seu tom quando viu a situação do amigo. Sabia que Milo não era de chorar por qualquer coisa, e isso o deixou realmente preocupado.

— Por que ela e assim? Só queria ajudar Oria... — Ditou fungando tentando fazer as lágrimas cessarem, mas elas persistiam firmemente.

— Vem! — Pronunciou o puxando para dentro.

Aquele dia — os dois — literalmente não foram para a escola. Milo passou resmungando que sua mãe era dura demais, que com raiva era difícil conversar com ela, que só queria o melhor para ela, mas no final mesmo que Aioria insistisse não contou o real motivo de tudo.

Quando finalmente o loiro parou de chorar, eles foram tomar café, jogara vídeo game boa parte do dia, assistiram filme... Já passava das 19 horas quando Milo havia decidido voltar para casa. Não poderia fugir o resto da vida, e nem poderia mais, pelo horário sabia que se não fosse sua mãe iria aparece atrás dele em um piscar de olhos.

Sabia no fundo que seu avô, sendo um ancião, tivera ali para ter certeza que estava bem, e por compreender o deixou ficar ali, mas Elora não seria assim, só sossegaria quando ele tivesse abaixo das asas dela. A questão era que Elora era extremamente protetora em tudo que se referia a Milo, ao ponto de ser dura demais com ele.

O menino então deixou a casa do amigo e seguiu pelas ruas, sem muita vontade de ir para casa. Estava tão envolto em sua tristeza, e passava cabisbaixo no meio de tanta gente, que não percebeu a aproximação de alguém, até ter o braço direto puxado com força, fazendo parar.

Assustou-se com aquilo, mas quando iam responder, seus olhos azuis deparam-se com outros azuis que ele bem conhecia e do qual fugia sempre.

— Boa noite, garoto! — Ditou Radamanthys. — Hoje deve mesmo ser um dia de sorte pra mim.

— Me solta! — Bradou Milo tentando em vão sair de perto daquela criatura.

— Você pode tentar fugir, mas será meu. Agora que sua mãe irá casar com Kamus terei você só para mim.

Radamanthys ria abertamente.

Antes que pudesse falar mais alguma coisa, ouviu uma voz feminina, autoritária, fria e cortante, atrás de si.

— Solte-o agora seu verme! — Elora estava irada, odiava aquele vampiro, ele fora o responsável pelo sofrimento de seu filho, e ainda era, muitas vezes teve que ficar com ele boa parte da noite com ele por conta dos pesadelos que o loirinho tinha com aquele verme.

O vampiro voltou-se para ela e ditou sarcástico.

— Estava apenas felicitando-o pelo seu casamento Elora. — A vampira estremeceu ao ouvir tal palavra. Mas manteve-se firme.

Sem ditar nenhuma palavra, olhava-o com o olhar assassino. Vendo que o mesmo ainda segurava o braço de Milo. Ela aproximou-se dele e sussurrou maquiavélica.

— Solte-o, ou vou mostrar a você que não carrego o estigma de assassina por acaso.

Radamanthys a odiava. Ainda iria dar cabo do florista, e obviamente da vampira, afinal fora culpa dos dois ele não estar com Milo em seu domínio.

Soltou o braço do rapaz e não falou mais nada, saiu sem olhar para a vampira, mas para Milo soltou o beijo. O que deixou Elora furiosa. De bom grado teria ido atrás dele, mas preferiu levar o menino para casa.

Todo o caminho dos dois fora feito em silêncio, na verdade ele fora feito em um pisca de olhos, visto que Elora pegou Milo em seus braços e usando sua velocidade sobre humana atravessou meia cidade em um segundo e tal logo encontrava agora no quarto do menor.

— Por que saiu? Sabes muito bem do perigo que isso acarreta. Não posso sair à luz do dia para protegê-lo, e já disse para sair unicamente com os lacaios... — Elora dava um sermão no menor. Sua raiva ainda não havia passado, mas agora buscava amenizar, pois não queria feri-lo, ou o colocar em risco novamente.

— Você disse que não queria mais ouvir minha voz... Então minha presença seria incômoda por igual... — Disse com certa lástima na voz. Seu semblante denotava certa tristeza, mas o terror de está perto daquele vampiro sobre subjulgava tudo. Queria ser abraçado pela vampira loira, porém duvidava que ela cedesse tal afeto naquele momento.

— Milo... — Ia começar a repreendê-lo, mas parou. No final era sua culpa. Como ser da noite, que deveria ser implacável e não deixar-se levar por sentimentos humanos, sentia impotente diante daquele menino, ele era capaz de derrubar suas defesas, mas que Asmitha a quem amava.

— Me desculpe... Não quis desobedecê-la. — Proferiu sentando em sua cama. Sua cabeça abaixara, seus olhos apregoaram em um canto qualquer, sem realmente dar importância. Suas mãos se acomodaram em seu colo e um nó formou em sua garganta.

— Tudo bem! Não faça mais isso. Sabe o perigo que Radamanthys representa. Como ele quer coloca as asquerosas mãos dele sobre você. — Proferiu. Ela andou até o humano sentando ao lado dele. Erguera sua mão e tocou com carinhos os sedosos e dourados fios de cabelo. Sutil, mas que carregava muito significado. — Só me prometa não me desobedecerá mais.

— Eu prometo. Mas mãe, me deixa casar em seu lugar?! Eu imploro... — Voltou a tocar naquele assunto. Tinha ciência que iria enfurecê-la, mas não podia deixa isso de lado.

Elora suspirou fundo, e seus caninos voltaram a aparecer devido seu descontentamento.

— Já falei que não. Não conhece Kamus. Se me acha fria e cruel, não tem ciência do vampiro maléfico que ele é... Até as paredes temem ele. Tem honra e palavra, diferente de Radamanthys, porém ele é pior até mesmo que o verme do líder do Balial. — Disse firme, sem mentir ou aumentar.

Mas Milo não estava disposto a desistir não agora, que ela o estava a ouvindo. Decidiu jogar sujo. Pois sabia só havia uma forma de convencê-la. Na verdade nem sabia se conseguiria, mas usaria todas as armas que tivesse.

— Tá bem mãe... — Suspirou pesado. — Mas então não precisa se esforçar tanto para me livrar de Radamanthys.

Virou de costas para ela, estava falando aquilo e não era mentira, mas não tinha outra saída.

Elora ficou preocupada com aquilo.

— Do que está falando Milo? Eu faço tudo para que aquele verme jamais toque em você. — Ditou com raiva.

— Então não precisa fazer isso... — Milo ditou ainda mais triste.

Vendo que o menino não falaria, Elora então mudou a tonalidade de suas palavras.

— Filho, por favor, me diga sobre o que está falando! — A vampira estava ficando receosa com a atitude do filho.

— Depois que a senhora casar, ele vai pedir ao vovô para ser casar comigo e pelo que o Shion me explicou ele não vai poder negar, afinal Radamanthys também é um líder. Fui recebido aqui como filho, vou ter que pertencer a ele de todo jeito. — Milo ditou isso com as lágrimas molhando seu rosto juvenil e com um imenso pavor que Elora pôde sentir por parte do menino.

Elora estava apavorada, sabia que o menino tinha razão, precisava conversar com o pai, ele não podia permitir tal loucura.

Olhou para o menino e ditou com autoridade e urgência.

— Venha, vamos falar com Shion agora mesmo.

Continua...